quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Declaração de Amor

"Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" é o título do novo livro de A. Pedro Ribeiro (Objecto Cardíaco). Ver http://www.objectocardiaco.pt/projectos/portfolio/ver_projecto.php?id=36 ou http://last-tapes.blogspot.com.

UMA OPA NA TUA SOPA

Dá-me uma OPA
uma contra-OPA
Quero ver a alta finança a delirar
a bolsa sem controle
os capitalistas a devorarem-se

Dá-me uma OPA
para eu brincar

Uma OPA papa o papa
uma OPA caga a caca
uma OPA na tua sopa
uma OPA vem-se na copa
uma OPA snifa a coca
uma OPA sai da toca
uma OPA viola a foca
uma OPA saca da faca
uma OPA vai à tropa
uma OPA ao sabor da ressaca
uma OPA morta na estrada
uma OPA para quem a apanhar

Há uma OPA
na tua sopa
dá-me uma OPA
para eu brincar.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Cartoons de Maomet

A liberdade de expressão não pode ter limites, tal como qualquer liberdade.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

As Realidades

Era uma vez uma realidade
com as suas ovelhas de lã real
a filha do rei passou por ali
e as ovelhas baliam que linda que está
a re re a realidade.
Na noite era uma vez
uma realidade que sofria de insónia
então chegava a fada madrinha
e realmente levava-a pela mão
a re re a realidade.
No trono havia uma vez
um velho rei que se aborrecia
e pela noite perdia o seu manto
e por rainha puseram-lhe ao lado
a re re a realidade
CAUDA: dade dade a reali
dade dade a realidade
a real a real
idade idade dá a reali
ali
a re a realidade
era uma vez a REALIDADE.
(Louis Aragon)

domingo, 5 de fevereiro de 2006

Situacionismo

A Internacional Situacionista (IS) foi fundada em 1958 e dissolvida em 1972 (o último número da revista do movimento, num total de doze edições, é de 1969). Fundada e dissolvida por Guy Debord, a Internacional Situacionista no período de sua existência, não reuniu mais que setenta membros. Desses, dezenove desligaram-se e quarenta e cinco foram expulsos (expulsos, obviamente, por Debord). Tal característica, a de pequeno grupo, atendia bem aos propósitos do movimento:
“a I.S. só poderá ser uma conspiração dos Iguais, um Estado - Maior que não quer tropas (...). Nós apenas organizamos o detonador; a livre explosão deverá subtrair-se-nos e subtrair-se também qualquer outro controle” (Revista Internacional Situacionista, n. 08, 1963 - in HENRIQUES, 1997: 11).
E qual foi o projeto político do situacionismo francês? A crítica radical da vida cotidiana no capitalismo. Da crítica da vida cotidiana propunha-se a desmontagem do capitalismo enquanto civilização (HENRIQUES, 1999: 15). E do cotidiano a disseminação revolucionária generalizada da autogestão conselhista, o único termo político possível para um cotidiano livre de suas formas reificadas.
A “sociedade - espetáculo” é o mundo das pseudo-necessidades, o mundo da economia do consumo, o mundo do espaço-tempo da “monotonia imóvel”, o mundo em que o viver tornou-se uma representação caricata da própria forma-mercadoria, enfim, o mundo em que o valor de troca das mercadorias acabou por dirigir o seu uso (DEBORD, 1997: 33) - a mercadoria como o centro absoluto da vida social (GOMBIN, 1972: 82). O movimento do ser para o ter, degradando-se ainda mais, no movimento do “parecer” ter (JAPPÉ, 1999: 19). Ou seja, o espetáculo é a afirmação ulterior de um outro momento da reificação social, a confirmação da “baixa tendencial do valor de uso”, em que a “fabricação ininterrupta de pseudo-necessidades” impõe a lógica da contemplação passiva sobre o todo social (DEBORD, 1997: 33-35). É preciso que se ressalve que os situacionistas não negam o consumo em si, mas a escolha condicionada das pseudo necessidades (GOMBIN, 1972: 83).
Se para Marx a vida social no capitalismo se reduz ao valor, à economia e suas leis, para Debord, o espetáculo absolutiza a economia à sua própria imagem e essa, tautologicamente, impõe a circularidade da imagem-mercadoria como a entificação do pseudo-desejo de consumo contemplativo da “geologia” mercantil, a mercadoria no seu auto-movimento aparece à sociedade como uma segunda natureza. Como afirma Debord: “O espetáculo estende a toda a vida social o princípio que Hegel, na Realphilosophie de Iena, concebeu como o do dinheiro: é ‘a vida do que está morto se movendo em si mesma’” (DEBORD, 1997: 138 -139).

Poema Dadaísta

Receita para fazer um poema dadaísta:

Pegue num jornal.
Pegue na tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar ao poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida, com atenção, algumas palavras que formam esse artigo e mete-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que as palavras são tiradas do saco.
E assim temos um escritor infinitamente original e de sensibilidade fascinante, mesmo que incompreendido.
(Tristan Tzara)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Em Palco

Ser um e ser outro em cima do palco. A glória de mocrofone à frente e guitarra atrás. O aplauso. O transpor da fronteira.

Confeitaria

Os cafés da aldeia aborrecem-me. Falta-lhes a vida, o rodopio do "Piolho", da "Brasileira", do "Oceano". Se vens ler um livro ou escrever és logo olhado com desconfiança. Hoje pareço ter-me rendido à confeitaria. Ao menos tem uma menina bonita para se olhar. Como dizia o Pessoa as confeitarias ensinam mais que todas as religiões.

Os Anarquistas

Não chegam ao 1% e, no entanto, existem
a maior parte espanhóis, vá lá saber-se porquê
parece que em Espanha não os compreendem
os anarquistas.
Deram-lhes com tudo
bombas e granadas
têm o coração à frente
e os sonhos partidos
a alma roída pelas suas ideias malditas.
Não chegam a 1% e, no entanto, existem
a maioria filhos de nada
ou filhos de muito pouco
só são vistos quando se tem medo deles
os anarquistas.
Centenas de vezes morreram
por isto ou por aquilo
empunhando a força do amor
sobre a mesa ou no ar
com o semblante triste
que dá o sangue derramado.
Não chegam ao 1% e, no entanto, existem
e há que começar a dar patadas no cu
convém não esquecer que também sabem sair à rua
os anarquistas.
Agitam a bandeira negra
carregam a esperança
e têm a melancolia
de andar pela vida
canivetes para cortar
o pão da amizade
e as armas oxidadas para nunca esquecer.
Não chegam a 1% e existem
mantêm-se firmes e enlaçados pelos braços
estão contentes
e por isso seguem confiantes como sempre
os anarquistas.
(Léo Ferré)

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Futebol-Dada

O futebol dá de comer a 10 milhões de portugueses
o futebol comeu os portugueses
o futebol e os portugueses comeram-se

a velha comeu o interruptor
o interruptor interrompeu a refeição da velha no estádio do dragão
o dragão, a mando do interruptor, perseguiu 10 milhões de portugueses
a velha mordeu o futebol na orelha
os portugueses bateram palmas na televisão
os portugueses, o dragão e o interruptor jogam no euromilhões
a cabeça da velha foi atacada por milhões de formigas
as formigas vão ao futebol e aparecem na televisão
o cavaco seduziu os portugueses e aderiu ao dadaísmo
dada e o futebol colaram o cavaco ao interruptor
o televisor anda com dores intestinais
o futebol dá de comer
o dragão comeu a televisão.

Canção Dada

a canção de um dadaísta
que tinha dada no coração
cansava demasiado o seu motor
que tinha dada no coração

o elevador levava um rei
pesado frágil e autónomo
cortou o seu grande braço direito
e enviou-o ao papa em roma

(Tristan Tzara)

sábado, 28 de janeiro de 2006

Jim Morrison

Antes de mergulhar
no grande sono
quero escutar
o grito da borboleta.
("When The Music's Over")

Nietzsche

O homem superior é um menino e um grande bailarino. O menino não tem preconceitos, joga apenas com a vida; quanto ao bailarino, faz do jogo um risco permanente, passeia-se pela corda-bamba do devir, faz da sua vida um contínuo experimentar-se de si mesmo.

Blake

A estrada do excesso conduz ao palácio da sabedoria.
(William Blake)

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

wc

w.h. cortou as veias no w.c. do palace hotel
tens de me apresentar a adília lopes
os críticos literários lembram o rui melro

tirei a paula do poema "minka"
substitui-a pela kátia
confesso que não estou a ser autêntico
mas estava a ser cruel para a miúda
também eu caio em lamechices
o artur cóia é o administrativo do jornal
o artur cocó é o intriguista profissional
w.h. contratou serafim morcela para jogar no benfica
cavaco silva afogou-se no w.c.