sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Confeitaria

Os cafés da aldeia aborrecem-me. Falta-lhes a vida, o rodopio do "Piolho", da "Brasileira", do "Oceano". Se vens ler um livro ou escrever és logo olhado com desconfiança. Hoje pareço ter-me rendido à confeitaria. Ao menos tem uma menina bonita para se olhar. Como dizia o Pessoa as confeitarias ensinam mais que todas as religiões.

3 comentários:

Rui Lage disse...

Mas a vida desses cafés, os de aldeia, é outra, Ribeiro - e outro o encanto, outro o vagar, outra a cadência. Há que saber olhá-los também. O défice de literacia não equivale a défice de humanidade. E as raparigas são mais bonitas, comovem, não se parecem tanto com os homens (desculpem lá o ser politicamente incorrecto). Um grande abraço.

apedroribeiro disse...

caro lage,
a minha é uma aldeia descaracterizada.

Rui Lage disse...

Ribeiro, em Portugal já não existem praticamente aldeias que não estejam descaracterizadas. A questão não é essa. A questão é que, debaixo de cada aldeia descaracterizada, há uma aldeia que ainda vale a pena. Ao não percebermos isso, estamos a contribuir para o naufrágio (esse sim sem retorno) do mundo rural.