Sim, mas "cartoons" à parte, eu pergunto: e quando a tua liberdade anula a liberdade do outro? Quero dizer: e quando o exercício radical da tua liberdade compromete a radical liberdade do próximo? De resto, acho que devia haver uma ofensiva generalizada de "cartoons", por parte dos jornais ocidentais, contra os fundamentalistas do islão. Por mim, podem meter os profetas todos, sem excepção, naquele sítio que eu cá sei.
Quanto a mim, a liberdade de expressão pode e deve ter um certo limite, que cada um deveria saber qual é, senão é a desgraceira total. Por exemplo, a minha liberdade de expressão podia dar-me para cortar aqui a torto e a direito, nos moldes que eu bem entendesse; e depois? Andávamos todos à chapada? Agora, esta liberdade de expressão só soa a excessiva porque do outro lado da barricada está gente excessiva que, essa sim, não tem limites para a sua liberdade de expressão - e veja-se no que dá. E é a tal desgraceira total... Na verdade, a meu ver, o que despoletou tudo isto foi uma simples cartoonada, pelos vistos fatal - e fatela - para muita gente - problema deles, não é? Não senhor, porque a seguir insistiu-se na piada (quem vai duas vezes À missa...) já fora de tempo e com pouco gosto. Cartoone-se à vontade, mas saiba-se (quando) cartoonar.
Conta lá esse episódio, Pedro. De certeza que vale a pena ouvi-lo!
Mas não estarás a confundir actos de hostilidade, grosseria, ignorância, prepotência, intolerância, etc., com censura...? Sabes que aqui em casa há uma enorme colecção de cartas escritas por um jovem de vinte anos, fechado numa prisão imunda, num lugarejo em Moçambique, dirigidas à mãe, mulher sem maldade (e sem o filho) à espera numa recôndita aldeia de Trás-os-Montes, devassadas e carimbadas pela PIDE... É por isso que torço o nariz sempre que ouço falar em censura nos tempos que correm (embora admita que ela possa existir, disfarçada). Um abraço.
Sou poeta, de tendências anarquistas, autor dos livros "Fora da Lei", "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro", "Queimai o Dinheiro", entre outros.
Procuro a liberdade livre.
11 comentários:
Sim, mas "cartoons" à parte, eu pergunto: e quando a tua liberdade anula a liberdade do outro? Quero dizer: e quando o exercício radical da tua liberdade compromete a radical liberdade do próximo? De resto, acho que devia haver uma ofensiva generalizada de "cartoons", por parte dos jornais ocidentais, contra os fundamentalistas do islão. Por mim, podem meter os profetas todos, sem excepção, naquele sítio que eu cá sei.
Quanto a mim, a liberdade de expressão pode e deve ter um certo limite, que cada um deveria saber qual é, senão é a desgraceira total. Por exemplo, a minha liberdade de expressão podia dar-me para cortar aqui a torto e a direito, nos moldes que eu bem entendesse; e depois? Andávamos todos à chapada?
Agora, esta liberdade de expressão só soa a excessiva porque do outro lado da barricada está gente excessiva que, essa sim, não tem limites para a sua liberdade de expressão - e veja-se no que dá. E é a tal desgraceira total... Na verdade, a meu ver, o que despoletou tudo isto foi uma simples cartoonada, pelos vistos fatal - e fatela - para muita gente - problema deles, não é? Não senhor, porque a seguir insistiu-se na piada (quem vai duas vezes À missa...) já fora de tempo e com pouco gosto. Cartoone-se à vontade, mas saiba-se (quando) cartoonar.
já o talento tem limites
Viva Ribeiro
Liberdade de expressão? Sim, claro - e fico-me por aqui. Já ter limites tem talento.
Continuo a dizer que a liberdade de expressão não pode ter limites, até porque senão teria de censurar muitas das coisas que escrevo.
Ribeiro, não te armes em vítima... Olha que tu não escreveste antes do 25 de Abril... Isso fica-te mal.
ó Lage, eu até já fui censurado pelo café mais próximo de minha casa.
gostei do jogo, jonas. sinal de que as palavras são mesmo livres
Conta lá esse episódio, Pedro. De certeza que vale a pena ouvi-lo!
Mas não estarás a confundir actos de hostilidade, grosseria, ignorância, prepotência, intolerância, etc., com censura...? Sabes que aqui em casa há uma enorme colecção de cartas escritas por um jovem de vinte anos, fechado numa prisão imunda, num lugarejo em Moçambique, dirigidas à mãe, mulher sem maldade (e sem o filho) à espera numa recôndita aldeia de Trás-os-Montes, devassadas e carimbadas pela PIDE... É por isso que torço o nariz sempre que ouço falar em censura nos tempos que correm (embora admita que ela possa existir, disfarçada). Um abraço.
E viva o Ribeiro, claro.
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