domingo, 26 de abril de 2015

A REVOLUÇÃO PERMANENTE

Segundo Herbert Marcuse, a tecnologia tornou-se um inaudito instrumento de coerção. Os média e os computadores que controlam os nossos pagamentos e movimentos na Internet constituem o moderno "Big Brother", a nova polícia. A sociedade brutalizou-se, desumanizou-se. Na TV assistimos a programas imbecis que nos fazem a cabeça e nos afectam a inteligência. Aparentemente nada é imposto. Mas acabamos por ser levados. Meus amigos, é uma questão de vida ou de morte. A nossa sociedade nega um mundo verdadeiramente novo e, portanto, o indivíduo deve travar uma oposição total contra o sistema, não em nome de uma classe, mas em nome do género humano ameaçado de destruição, como diz Rudi Dutchke. Quanto mais as "democracias" se tornam manipuladas, quanto mais se transformam em democracias controladas e tendentes a limitar os direitos democráticos, as liberdades e as possibilidades dos cidadãos, tanto mais se torna necessário acompanhar o nosso trabalho com uma oposição extraparlamentar, acrescenta Marcuse. Não somos, portanto, contra a participação nas eleições burguesas nem contra a entrada no Parlamento a fim de divulgar as nossas ideias. No entanto, pensamos que há um trabalho extraparlamentar a fazer junto dos estudantes, dos intelectuais, dos operários, da pequena burguesia. Um trabalho de revolução permanente.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

A MALVADEZ DAS TELENOVELAS

As telenovelas ensinam a malvadez, o passar por cima. Ao mesmo tempo, junto com a publicidade, atiram-nos para uma falsa felicidade. Tem que estar sempre tudo bem. Se te deprimes, se estás triste, és posto de lado. Quando, na verdade, há cada vez mais gente infeliz, com doenças mentais. E a culpa não é nossa, ao contrário do que dizem certos psiquiatras ou psicólogos. A culpa é de um sistema que atrofia, que está nas mãos de um punhado de imbecis que controlam a finança, a política e os media. Quem são eles mais do que nós? Que direito têm eles de controlar as nossas vidas? Nós viemos de graça. Nós viemos desfrutar da vida. Não viemos competir, não viemos guerrear-nos uns aos outros em busca do emprego, do estatuto, da carreira. Nós não somos escravos da TV, nem dos relógios, nem da máquina. Nós temos que discutir estas coisas, reflectir sobre elas. Só assim seremos senhores de nós mesmos. Senão eles vão tomar conta das nossas mentes. Senão vamos ficar sós, infelizes e frustrados. Senão nunca mais caminharemos livres sobre a Terra.

domingo, 19 de abril de 2015

O POETA A PRESIDENTE!

O POETA A PRESIDENTE!

No Piolho
O poeta escreve
Já aqui escreveu
Muitas vezes
Já aqui travou
Discussões violentas
Ultimamente não se tem
Exaltado tanto
Não faltam motivos
A opressão
A ditadura
As pessoas não têm consciência
Vêm cá jantar calmamente
O poeta escuta o Fred
O encantador
O macaco de Deus
Esse tem vergonha
Da Humanidade
O poeta vem à cidade
Ouve os estrangeiros
Cheios de nota
Enquanto que ele
Está quase sem cheta
Não é justa
A distribuição da riqueza
Uns nadam em milhões
Outros sem nada
O poeta apela à revolta
Mas vê esta gente parada
A olhar para a bola
Por isso escreve
A ver se alguém o lê
Talvez se candidate
A Presidente
No fundo, nada há a perder
Sempre aparece nos media
A difundir as suas ideias
O poeta é um incendiário
O mais louco dos homens
O poeta sabe-o
Apenas se tem mantido
Mais prudente
O poeta a Presidente!




Porto, Piolho, 16.4.15

terça-feira, 14 de abril de 2015

A DEPRESSÃO

Segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses, 17% dos portugueses sofrem de depressão ao longo da vida. No ano passado foram vendidas 8 milhões de embalagens de antidepressivos em Portugal, o que dá uma média de cerca de 23 mil por dia. Ainda assim a percentagem declarada da população com depressão está aquém da realidade já que muita gente não pede ajuda por causa por causa do estigma. A maioria das depressões são determinadas por factores externos, nomeadamente por uma sociedade que condena os seres humanos ao tédio, a trabalhos repetitivos, ao controle exercido pelos media que exibem programas imbecis, infantilizantes, notícias narcotizantes, comentadores que nos fazem a cabeça, que nos dão um circo, um parque de diversões. Por outro lado, as pessoas estão cada vez mais isoladas em frente ao computador, em frente à Internet, deixam de se encontrar, de celebrar a vida e por isso se se deprimem cada vez mais. A depressão implica a perda de auto-estima, a falta de vontade de ter uma vida social e o sentimento de que o futuro nada tem para oferecer. A depressão castra a vontade de viver, torna o raciocínio mais lento e reduz a capacidade de comunicação.

domingo, 12 de abril de 2015

A MENTE PRODIGIOSA


A mente humana é prodigiosa. É capaz das maiores obras, capaz de ir até ao infinito. Claro que também é capaz do mal e tem sido. Ao longo dos milénios a Humanidade não tem sido capaz de resolver os grandes problemas da existência. Muitos sofrem, muitos passam fome, enquanto que um punhado de privilegiados nadam nos milhões e no poder. É intrigante como um ser com tantas capacidades continua a maltratar tanto o seu irmão, o seu semelhante por questões de ganância, inveja, domínio. Em vez de um governo de homens sábios, íntegros, justos como defendiam Sócrates e Platão ou de pequenas comunidades autónomas, de comunas, temos governos de corruptos, de ladrões, de gente sem qualquer ética, de burgueses, de capitalistas. Nas escolas, na família e nos media incentiva-se o sucesso fácil, a competividade, o passar por cima em vez do gosto pelo conhecimento e pela sabedoria. Na verdade, não se aproveita o potencial humano, o culto do pensamento, o abrir da alma e do coração. Na verdade, não se aprofunda o humano, o ser interior, o sonho. Fica-se pelo limite estreito da vida quotidiana, pelo trabalho aborrecido, quase sempre sem graça, pelo homem sem visão, sem altura. Existe o caminho do bem, da verdade, da virtude. Não me venham dizer que o capitalismo é eterno. Se temos consciência de que o nosso pensamento, de que a nossa mente é infinita então podemos matar em nós o capitalismo e a ganância. Basta que cheguemos a mais gente. Criemos então grandes obras, grandes edificações em prol da nova sociedade. Nós somos capazes. Nós vamos à lua e às estrelas. Nós viajamos no cosmos. Nós somos xamãs. Nós falamos com os espíritos.

domingo, 5 de abril de 2015

A CORRIDA


Não há dúvida. A sociedade mercantil não presta. Explodem as depressões, as doenças mentais, os suicídios. Muita gente não encontra motivos para viver. A publicidade bombardeia-nos com doses massivas de felicidade obrigatória. A solidão digital afasta-nos. O capitalismo financeiro obriga-nos a trabalhar o dobro para ganhar metade. Vivemos numa sociedade assustada com a vinda do inesperado, numa sociedade passiva que aceita tudo desde que o conforto esteja garantido. Daí que muitos se juntem aos jihadistas. A vida tornou-se desinteressante, entediante, castradora. Eis o que esses pregadores da morte fizeram à vida. A vida que era bênção, milagre, aventura. Está transformada numa guerra, numa corrida. As pessoas atropelam-se por um emprego, por um pouco mais de poder, por uma carreira. Reinam a intriga e a inveja. Enquanto que um punhado de poderosos factura e acumula, os outros desfazem-se na arena. Onde chegámos. Para que viemos?

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O FADO


Esta gente vive no tem que ser, no fado, no fatalismo. É o trabalho, as horas de trabalho que se cumprem, o ir para casa, o trabalhar em casa, o sentar-se em frente à TV, o dormir. Depois o aceitar dos governos capitalistas e do capitalismo, o aceitar de uma vida sem novidades, quase sempre igual, o perder para sempre da juventude e da infância. Tem que ser. Não lêem livros. Nunca leram Platão, Nietzsche ou Henry Miller. Nunca tiveram curiosidade. Até se julgam satisfeitos desde que não caiam na miséria. Mas, de facto, que vida é esta? Cumprem-se os dias, nada mais. Para quê estar vivo assim? Para quê levantar-se da cama? Sim, há umas graçolas aqui e ali, e depois? Que leva esta gente da vida? A família? E daí? Porra! Foi para isto o milagre da vida? Era para isto que brincávamos na infância, que inventávamos personagens? Foi para isto que discutíamos a vida com os nossos colegas de liceu? Não, nós não somos assim. E outros também não são. Nós ainda temos curiosidade. Nós rejeitamos o poder e procuramos o conhecimento. Nós não somos do tem que ser. Preferimos ser poetas, eternos jovens, eternas crianças. Viemos para a vida em abundância mesmo que momentaneamente estejamos tristes ou sós, viemos para a criação, viemos fazer a hora. Não somos dos merceeiros nem da morte. Viemos completar as nossas vidas.

terça-feira, 31 de março de 2015

O REGRESSO A NÓS MESMOS

Estas pessoas que vêm tranquilamente à confeitaria não são representativas da sofreguidão que vai lá fora. Não é vida o que lá se vive, é corrida, é competição. E os partidos de esquerda não falam disto, não sei porquê. É o "Big Brother" de Orwell, senhores. Os nossos pagamentos, os nossos movimentos na net são vigiados pelo Estado e pelo capitalismo. Os media atentam contra a nossa inteligência, contra a nossa sensibilidade. Sim, temos de saber ler. Senão os dias continuarão a ser monótonos, iguais. É necessária uma revolução. Primeiro, uma revolução nas nossas cabeças, uma revolta contra o instituído, uma revolta contra aquilo que nos querem impor, contra a "vida" que nos querem impor, contra os inimigos da vida autêntica: governo, capitalistas, especuladores, banqueiros, "investidores". É necessária a redescoberta da inocência, da infância, da criação, da arte. É necessário que discutamos o recomeço. Que nos encontremos sem pressas nem pressões, sem chefes a mandar em nós. É necessário que redescubramos a vida, o falar livremente, o cantar, tocar e dançar, o happening, a poesia. É necessário que voltemos a nós mesmos, àqueles que éramos na juventude, sem papões, sem opressões, sem castrações, sem fatalismos.

quinta-feira, 26 de março de 2015

O ÚLTIMO DOS HOMENS

Estou no café. A Cleo nunca mais vem. Ontem foi noite de glória no Pinguim. A brasileira e o amigo pedrado encantados com a minha poesia. Risos e palmas. Estarei a converter-me numa estrela? É o António Pedro Ribeiro, dizem. O poeta maldito que vai aos bares vomitar poesia. Sim, ganhei uma certa fama. Provavelmente quando ainda era o Peter Owne já a desejava. Fui construindo um caminho. A rádio. O DN Jovem, suplemento do "Diário de Notícias". O "Correio do Minho". "Gritos. Murmúrios", o primeiro livro com o Rui Soares. As primeiras sessões de poesia no Tuaregue, em Braga, com a Natércia. O JUP. Fui subindo. Construindo uma imagem. Os Ébrios. O hipermercado. O Jaime Lousa. A candidatura a deputado pelo PSR por Braga. As lutas estudantis. As listas R e Z. A Faculdade de Letras do Porto. Sim, às vezes abusei, às vezes segui a estrada do excesso e da loucura mas procurei sempre a liberdade livre, a mulher livre. Já em 2004 com a reportagem do "Comércio do Porto" no "Púcaros" sobre o "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" e com o anúncio da candidatura à Presidência da República a fama batia à porta. Mais tarde, em 2006, veio a "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro", graças ao Valter Hugo Mãe, e a actuação memorável no Festival de Paredes de Coura. Depois vieram as idas à Antena 1, à Antena 3, à "Prova Oral", ao "Valter Hugo Mãe" no Porto Canal e ao "É a Vida Alvim!" do Fernando Alvim, no Canal Q, bem como as críticas e notas no "Diário de Notícias" e "Jornal de Notícias". De facto, penso que estou a caminho de atingir alguma coisa. Tenho os meus admiradores e detractores. Tenho um legado a deixar, como diz a Maria Oliveira. Sou único, já o dizem. Passei pelo céu e pelo inferno. As pessoas dizem os meus poemas. Há quem me admire porque sou diferente. Não segui a linha recta. Ainda Inventamos. Discutimos ideias como Sócrates e Platão. Temos alma e coração. Por isso prosseguimos viagem. Por isso chegámos até aqui. Com todas as curvas que demos. Com todos os copos que bebemos. Com todos os que fomos. Não, miúda, não esperes de mim a normalidade. Eu não sou o senhor atinado que aparento. Eu berro. Eu vocifero. Eu sou louco. Eu sou o último dos homens.assim talvez tenha algo de santo, no sentido de Agostinho. Sim, tenho em mim a bondade mas também a sacanice. Venho de ti, Jaime Lousa. Venho de ti, Sebastião Alba. Venho de ti, Bukowski. Venho de ti, Henry Miller. Passaria o resto da tarde a beber. Não estou a disputar cargos, não estou a seguir uma carreira, não estou a atropelar ninguém. Consigo ser completamente louco, querida. Vê como danço, como parto os vidros. Não tenho escrito aqueles poemas satíricos que fazem rir. Tenho de retomá-los. Não te passa a ti, querida, enquanto lavas a loiça, as histórias por que passei. Desde julgar-me Deus, Jesus, Satã, até incendiar carros ou fazer revoluções. Mas hoje sou apenas um poeta pacato a beber a sua cerveja, a olhar para a menina. Volto ao palco na quinta, no Olimpo. Até lá leio, escrevo e espreito as mulheres. São diferentes umas das outras. Umas mais atiradiças, outras mais reservadas. Umas mais apagadas, outras mais vistosas. Todas, no entanto, desorientadas neste mundo mecânico de homens. De homens empreendedores, produtivos, técnicos, especialistas, sem sensibilidade, sem coração. Esses homens que dominam os bancos, os governos, as grandes empresas. Não somos como eles. Criamos na folha. 

sexta-feira, 20 de março de 2015

GENTE QUE AINDA VIVE

As manifestações e os protestos de Frankfurt provam que também na Alemanha, no império de Merkel, há vozes que resistem à austeridade e ao capitalismo. Os movimentos Blockupy e Attac solidarizaram-se com o povo grego e com os países mais afectados pela crise e denunciaram os 1,3 mil milhões de euros gastos na nova sede do Banco Central Europeu. É escandaloso que se gastem milhões em obras faraónicas enquanto muitos sobrevivem na miséria. É escandaloso que Draghi, Merkel e os banqueiros nadem em milhões enquanto nós contamos os trocos e outros dormem nas ruas. De qualquer forma, abre-se uma frente anti-capitalista e anti-imperialista na Europa e na América Latina. Muito graças à coragem e ao exemplo de Chávez, não o esqueçamos. Convém, no entanto, também não esquecer que o capitalismo não dorme. Que quer instalar um governo mundial não eleito. Que quer colocar tudo na mão dos computadores e da finança. Não esqueçamos que todas as nossas compras, todos os nossos movimentos na Internet são gravados e podem ser usados pelos governos ou por empresas privadas. Eis o novo "Big Brother" para lá da lavagem ao cérebro televisiva. A qualquer momento poderemos ser perseguidos pelas nossas posições políticas ou pelas nossas crenças religiosas. Contudo, como disse atrás, apesar do monstro há gente que se levanta. Gente que, se calhar, já pouco ou nada tem a perder. Gente que tem consciência de que está a ficar sem tempo porque o capitalismo lhe rouba o tempo, gente que não se quer limitar a trabalhar e a consumir, gente que se entedia de um dia-a-dia sem explosão, sem novidade, sem poesia. Gente que não suporta mais o controle e a polícia. Gente que ainda vive.

quinta-feira, 19 de março de 2015

A. PEDRO RIBEIRO AO JORNAL DIGITAL EM 16.6.2006

Braga - O politicamente incorrecto poeta portuense António Pedro Ribeiro veio a Braga, quinta-feira, apresentar a sua «Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro e Outras Pérolas - Manifestos do Partido Surrealista Situacionista Libertário», obra surrealista e directa que não poupa nas palavras fortes para fazer uso da liberdade de expressão.
«Ele tem um modo de estar arrogante, intolerante e mecânico, um modo de falar robótico, tecnológico», diz Pedro Ribeiro sobre José Sócrates, actual chefe do Governo português, a quem dedica o poema que dá nome ao seu mais recente livro. Mas além do primeiro-ministro, que o autor, rebelde assumido, pretende ver «num filme porno», há outros visados. «Este livro não é apenas uma dedicatória a José Sócrates, é um livro assumidamente anarquista, guevarista. Todos os poderes estão em causa, não é só o primeiro-ministro», explicou o próprio ao Jornal Digital aquando do lançamento na Livraria Centésima Página, em Braga, cidade onde viveu muitos anos.«Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro», título cuja escolha «não foi inocente», reconhece o autor, é também um manifesto contra o que se passa actualmente nos partidos políticos em Portugal. Os três primeiros textos são dedicados à Póvoa de Varzim, Porto e Vila do Conde «e respectivos presidentes de Câmara», refere o poeta. Com a primeira autarquia diz ter «uma especial relação de amor. Mais até do que com Sócrates». E nem a Igreja nem os jornalistas escapam à visceral «paixão» de Pedro Ribeiro.A obra, editada no início do ano pela objecto cardíaco, do escritor valter hugo mãe, que esteve presente na apresentação, é «muito influenciada» por leituras que o autor fez no Verão passado. Admirador dos situacionistas e dos surrealistas, o poeta utiliza algumas técnicas que estes usaram, nomeadamente a colagem. Em muitos dos seus textos mistura, por exemplo, excertos de notícias de jornais com frases suas ou de outros autores.Fundador da revista «aguasfurtadas», A. Pedro Ribeiro, que nasceu no Porto no famoso ano de 1968, publicou já outros livros e manifestos. «Eu também escrevo poemas de amor melancólicos», lembra o escritor que é também autor do blog «trip na arcada» e membro da banda Las Tequillas. Alguém que acredita «que a criatividade é o último reduto da rebelião».Madalena Sampaio

quarta-feira, 18 de março de 2015

O QUE TEM MAIS VALOR É O QUE NÃO TEM PREÇO

"O que tem mais valor é o que não tem preço", afirma Guilherme d' Oliveira Martins. E o que tem mais valor é a cultura, o amor, a liberdade. Daí que para combater a barbárie do capitalismo e do jihadismo faça todo o sentido o entregar-se ao debate, ao conhecimento, ao pensamento crítico. À idolatria do mercado e do dinheiro devemos contrapor a sabedoria dos mestres, a criação de obras de arte, o debate sobre a cidade. Só assim nos tornaremos nobres, só assim seremos livres. A cultura, a arte, a literatura elevam-nos. Não o safanço, não a adaptação a qualquer preço, não o passar por cima do outro. Cultivemos a criatividade do espírito. Enriqueçamo-nos. E demos amor uns aos outros.

quinta-feira, 12 de março de 2015

O COMBATE PELA MENTE

Como avisar as pessoas de que estão a ser controladas? Elas têm acesso à net, aos livros de Chomsky, de Zizek, de Sartre, de Marcuse. Mas, na sua grande maioria, não os procuram. Aliás, uma grande parte está perdida, irremediavelmente perdida. Penso que teremos que nos dirigir preferencialmente aos jovens e à pequena burguesia urbana. Lamentavelmente, já não acredito na classe operária. Os filósofos e os sociólogos raramente são chamados a intervir nos grandes canais de televisão. Nós próprios não somos convidados a escrever nos grandes jornais. Porquê? Porque nós pomos os media e o próprio sistema em causa. Teríamos de ter o nosso próprio jornal. Meus amigos, estais a ser levados por um bando de moedeiros e merceeiros que vos quer fazer a mente e vos quer condenar à lei do dinheiro e do lucro. O grande combate do século é o combate da mente. Tendes de ser os donos da vossa mente e não os escravos dos merceeiros. Tendes de pensar por vós próprios e desligar a televisão. Meus amigos, eles controlam o vosso trabalho e o vosso "tempo livre". Meus amigos, não podeis aceitar mais. A vida é vossa. Viestes ao mundo livres. Não viestes para uma prisão. Viestes para a festa e para a sabedoria, não para o controlo, não para a castração. Viestes debater o homem como Sócrates em Atenas. Viestes para o amor. Não para um trabalho alienado, para uma vida alienada que vos afasta da felicidade por muito que disfarceis. Não para o tédio e para a rotina que vos infernizam os dias sempre iguais. Não para a não-vida. Não para a morte em vida.

segunda-feira, 9 de março de 2015

MANIPULAÇÃO MEDIÁTICA

Segundo Noam Chomsky, há várias estratégias de manipulação mediática capitalista. A primeira consiste em desviar a atenção dos problemas mais importantes. Daí a relevância dada aos programas de entretenimento, à vida das vedetas, às telenovelas, ao futebol, à "Casa dos Segredos". Outro estratagema é criar/inventar uma crise económica para que as pessoas aceitem o retrocesso social, a baixa dos salários, o desemprego, as privatizações. Há ainda a aceitação pública do sacrifício futuro. As massas têm esperança que tudo melhorará amanhã por isso aceitam o sacrifício. Outra arma é a infantilização do telespectador. Este fica desprovido de sentido crítico como Homer Simpson. Aceita tudo passivamente. A emotividade sobrepõe-se ao racional. O público mantém-se na ignorância.
Por outro lado, a qualidade dada à educação das classes inferiores deve ser o mais pobre e medíocre possível. A escola pública deve ser desprezada.
O que passa nos media, as próprias letras de algumas canções fazem o indivíduo acreditar que é o culpado da sua própria desgraça, tal muitos psicólogos e psiquiatras. Não há causas exteriores, o indivíduo é o culpado de todos os males, a sociedade não é culpada.
De realçar ainda que os avanços da ciência têm provocado clivagens entre os conhecimentos do público e o das élites dominantes. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo. O sistema exerce um controle maior sobre os indivíduos do que os indivíduos sobre si mesmos.

terça-feira, 3 de março de 2015

O HOMEM DA CIDADE E DA REPÚBLICA

Há, sem dúvida, pessoas de bem, que se preocupam com os outros, que reconhecem o valor dos outros, que colocam a família acima de tudo, que abrem o coração. Admiro essas pessoas como o sr. Gilberto. No entanto, eu não sou assim. Eu tanto sou do eu como sou da cidade. Eu sigo Max Stirner quando ele proclama o eu soberano, quando diz que nada está acima de mim, do meu espírito, nem juízes, nem Estado, nem polícias. Contudo, eu também sou o homem da cidade, da pólis, da república, que se preocupa com o bem-estar e com a felicidade dos outros cidadãos, que que quer edificar uma nova educação, o conhecimento pelo conhecimento, que quer elevar os pensamentos. Compete-me a mim construir uma filosofia política que contribua para tornar os homens melhores, menos agressivos, menos competitivos, mais críticos em relação à engrenagem. Compete-me denunciar que o capitalismo e o dinheirismo representam a morte e que é preciso elevar as nossas consciências. Há, sem dúvida, pessoas de bem. No entanto, há também muita gente adormecida. Que não tem noção de que está a ser levada, explorada, alienada, de que o mundo, a natureza e o próprio homem estão a ser destruídos. Sim, os dias passam. As pessoas percorrem as ruas. Estão cada vez mais sós, apesar dos Smartphones, apesar do Facebook. Alguns sinais vêm de Atenas. Atenas onde nasceram a democracia, as assembleias, a filosofia. Atenas onde temos de regressar. Porque o homem pensa por si mesmo. Porque o homem não pode ser escravo de outros homens. Porque o homem é um criador, um filósofo. Porque o homem é livre e persegue o bem, a virtude, a verdade, a justiça. Porque o homem não é meio-homem, nem um farrapo, nem um carrasco. Porque o homem é amor.