quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

DA POESIA SUBVERSIVA

Segundo Benjamin Péret, os senhores do mundo consideram a poesia autêntica nociva porque esta ajuda à emancipação do homem. A poesia subversiva incomoda os poderes porque denuncia a corrupção, as negociatas e as falcatruas. Porque grita “nem Deus, nem amos”, porque alerta os homens para a sua própria destruição, para a escravidão, para o tédio. Esses poetas querem um mundo novo, um novo homem sem inveja, sem competição, sem intriga. Por isso, os senhores do mundo os querem silenciar, afastando-os dos media. Esses poetas resistem subindo aos palcos dos bares, publicando em livros, nos jornais locais, nos jornais on-line, no facebook, em revistas. Tentam, assim, chegar a mais gente, procurando convencer as pessoas. Talvez desse passar a palavra surja a rebelião, a revolta, a emancipação do homem.

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

O CAOS

O mundo está um caos. Nunca houve tanta malvadez, tanta pulhice, tanta ganância. O negócio é sinónimo de aldrabice, de corrupção, de roubo. Não há valores éticos. Banqueiros, especuladores, governantes, empresários, "credores", todos estão no mesmo saco. Todos pilham e passam por cima do parceiro. Mas o homem comum imita-os. Aldraba os seus semelhantes por causa do dinheiro, do emprego, do estatuto, da carreira. Raros são aqueles que se revoltam, que questionam, que procuram a virtude, a justiça, a sabedoria. Raros são aqueles que seguem Sócrates, Nietzsche, Agostinho da Silva. Raros são aqueles que se conhecem a si mesmos. É só sacar e safar-se. As pessoas não se abrem às outras, têm dificuldade em expressar sentimentos, estados de alma. As vedetas da televisão vivem por nós. As pessoas saúdam-se, cumprimentam-se, trocam umas piadas. Nada mais do que isso. Salvo raras excepções, não se dão ao outro, não dão o coração. Quase não existe o amor louco. As pessoas têm medo. Realmente são escravas, não vivem. Não celebram a vida. Perdem-se em mexericos, pouco pensam, têm preguiça mental. Arrastam-se. E assim vai o mundo até à grande revolução, até à tomada de consciência. Não se discute a pólis, a própria humanidade, a vida. Os indivíduos agem, pensam e opinam convencidos de que o fazem livremente mas, na realidade, estão contaminados pelos media, pelos negociantes, pelos capitalistas. O alto nível técnico-científico atingido coincide com um desprezo total pela vida humana e pela liberdade psíquica do homem, segundo diz Andrea Devoto. Apesar disso, a revolução continua a estar nas nossas mãos.

sábado, 13 de Setembro de 2014

SEREMOS MUITOS MAIS

O homem é infinito mas está reduzido à sobrevivência. Capaz dos maiores prodígios, de grandes obras, o homem deixa-se controlar por uma minoria que está nas grandes corporações e que comanda o mercado e os governos. O homem está doente, gravemente doente, com depressões e outras doenças mentais. O homem está isolado no meio da internet e dos media. Não dialoga com Sócrates, não sobe à montanha com Zaratustra. 
A vida é um milagre, não temos de a pagar, não temos de fazer o que nos mandam fazer. Não temos de ser escravos de ninguém. O homem é curiosidade, sabedoria, descoberta. É vida em abundância, é mesa partilhada, é o amigo que vem e nos abraça, é celebração, é brinde, é resistência. Por isso não nos atirem mais TV, mais circo, mais guerra, mais competição. Por isso não nos façais mais a cabeça. Alguns de nós já percebemos as vossas manhas. Alguns de nós caminhamos livres. E seremos mais, muitos mais.

domingo, 7 de Setembro de 2014

A NOVA HUMANIDADE

O sistema quer que não pensemos muito, que não aprofundemos as questões. Os media entretêm-nos com parques de diversões para matar o tédio. Tudo é feito para que aceitemos o poder, para que tomemos por realidade tudo o que vem da televisão. A vida não vivida não faz sentido. Não há incentivos à leitura, ao conhecimento. Somos levados pelas imagens. O homem leva uma existência vazia, controlada. Que são eles mais do que nós? Eles que lucram com as guerras, que lucram com a fome, que jogam com as nossas vidas. Somos seres humanos, porra! Merecemos uma vida livre. Por isso viemos ao mundo. Somos um só, unidos no amor. Ainda temos muito por descobrir. Estamos no princípio do mundo. Não deixemos que eles nos tomem a mente, que nos instalem um "chip". Pensemos. Questionemos as coisas. Eduquemos os nossos filhos na sabedoria. Criemos a nova humanidade. Sem chefes, sem governos, sem especuladores, sem capitalistas.

quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

CONTRA A BARBÁRIE

Atingir o homem total, integral, abolir as relações mercantis, estão entre os propósitos de Karl Marx e de outros pensadores. Propagar o amor entre os homens, chegar ao homem criador, ao homem enquanto ser supremo para o homem, eis porque estamos aqui. "O homem não é plenamente homem senão quando tem a ambição de ser mais do que é", afirma Roger Garaudy. O homem veio para se ultrapassar. Nesta sociedade que castra o desejo, que castra a liberdade, que nos impõe chefes e capitalistas, é preciso que o homem se reencontre consigo mesmo. Que regresse ao xamã, ao espírito, à antiga sabedoria. Senão não passamos de homens pequenos, de merceeiros, que vêm à confeitaria coscuvilhar ou falar de doenças, dinheiro ou trabalho. Senão não passamos de escravos que se atropelam uns aos outros em busca do dinheiro ou da posição social, à mercê dos media, dos especuladores e da finança em geral. Recuperar o sonho, a poesia, a utopia permite-nos ultrapassar este estado sub-humano. Debater o que é o homem, porque veio, discutir a literatura, a História, a filosofia permite-nos atingir patamares superiores e afastar a barbárie. Porque o mundo está cheio de caos, de guerras, de massacres e vêm aí grandes tragédias naturais. O homem só se salvará na busca da sabedoria, da virtude, do bem e no combate contra as forças da barbárie e do imperialismo. O homem só se salvará se vencer a indiferença, a exploração, a rapina.

domingo, 31 de Agosto de 2014

É PRECISO AVISAR OS JOVENS E AS CRIANÇAS

É preciso educar os jovens e as crianças. Afastá-los do mercado e da competição. Ensiná-los no bem, na justiça, no amor da sabedoria. Porque eles são estragados na família, nos media, na escola. Não são incentivados à curiosidade, à leitura. São encaminhados para uma guerra pelas notas e, posteriormente, por uma posição social. Está instalada a barbárie. As pessoas vêm à confeitaria conversar mas não amam o próximo nem o longínquo. Está tudo convertido num negócio com os vendilhões que Jesus expulsou do templo. As pessoas vivem no medo dos patrões e da "autoridade". Cada vez se encontram menos. Este é o tempo do homem sentado à mesa da solidão. O capitalismo mata de fome e de tédio. É preciso avisar os jovens e as crianças. Esta vida não serve. Venho à confeitaria e não ouço conversas elevadas. É preciso discutir o mundo e o homem. É preciso promover uma discussão alternativa à dos comentadores televisivos. É preciso dizer que o mundo é nosso. Que não temos que aceitar governos nem lavagens ao cérebro. Os donos do dinheiro não são mais do que nós, pelo contrário. É preciso revolucionar o pensamento, libertarmo-nos de todas as escravidões. É preciso o homem livre.

segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

HOMEM LIVRE

Não sou o maior dos poetas. Ainda não atingi a perfeição. Mas há dias em que sou plenamente eu, em que me reencontro. Uso o computador, uso a net mas não sou adepto da sociedade tecnológica. Por isso procuro a verdade nos livros, em algumas pessoas. A verdade que me permite construir, elevar a discussão. Tenho 46 anos. Já vi muita coisa. Acredito nas árvores, nas flores, acredito que é possível transformar o homem. Alguns homens e mulheres, pelo menos. Acredito que a máquina, a busca do lucro e do interesse, vão cair. Acredito em homens bons. Acredito que será possível ensinar aos jovens e às crianças o bem e a justiça. Mas não com vendilhões, com castradores, com polícias. Acredito na liberdade absoluta que vem do coração, que vem da alma. Acredito no poder da Palavra, no filósofo, no poeta. Acredito num mundo sem guerras, sem governos, sem dinheiro. Acredito na democracia directa. No homem dono do seu destino, no homem que regressa à origem, ao paraíso. Acredito no homem livre.

sábado, 23 de Agosto de 2014

UM REI

Um rei, um poeta, um profeta que anuncie o novo reino, o novo homem. Um rei que entre nos cafés, nos bares, nas casas e fale no caos instalado, na ditadura do cálculo e da finança, na concorrência entre os homens. Um rei, como Jesus, que condene a riqueza, a ganância, a usura. Um rei que diga que o caminho é outro, de paz, de amor, de sabedoria. Um rei que leve os homens a atingir o tesouro interior, a iluminação. Que os homens partilhem esse tesouro e o expressem na arte, na escrita. Um rei que expulse os vendilhões do templo, os "mercadores", os governos, os capitalistas. Um rei que diga que nada está acima do homem, que este dispensa os patrões, os que mandam, os que exploram. Que ninguém governe nem seja governado. Um rei que traga a luz, o espírito, a beatitude. Um rei despojado.

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

O HOMEM AMEAÇADO

Esta gente não sabe o que veio fazer ao mundo nem se questiona sobre isso. Vieram ganhar dinheiro? Vieram trabalhar, sacrificar-se? Vieram lixar-se uns aos outros? Não, se for para isso prefiro dar um tiro nos cornos. Creio sinceramente que o homem veio para muito mais. Veio para saber, veio criar, veio desenvolver as suas potencialidades. Veio certamente conhecer-se a si próprio, experimentar os seus limites, praticar o bem. Veio também gozar e desfrutar, partilhar as suas ideias, iluminar-se. Veio construir-se.

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

O BLOCO EM CACOS E OS OPORTUNISTAS

O Bloco de Esquerda está em cacos. O aparecimento do Fórum Manifesto e do Livre e o regresso interno da UDP e de outras tendências dão a machadada final num projecto político que mobilizou muito boa gente e que, de início, se reclamava do anti-capitalismo. Mas não tenhamos ilusões. O Fórum Manifesto de Ana Drago e de Daniel Oliveira e o Livre de Rui Tavares são organizações reformistas cujo objectivo é chegar ao poder através de alianças com os burgueses do PS. O Fórum Manifesto e o Livre que dizem querer reformar a esquerda não põem em causa a ditadura dos mercados nem a selvajaria financeira. Adaptam-se ao capitalismo e à democracia burguesa, não trazendo novas respostas à barbárie que já está instalada. No fundo, não passam de um bando de oportunistas em busca do tacho. Quanto ao Bloco, perdeu-se em causas pretensamente fracturantes e em parlamentarismos e perdeu toda a pureza inicial.

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

A MANADA

Odeio os "picas" do metro. Vêm antipáticos com aquele ar controleiro de lacaios do sistema exigir o cartão validado. No fundo, são eles os cães de fila do poder, da autoridade. São como os polícias que castram a tua liberdade, a tua autonomia, que te retiram a alegria de viver. Aproveitam-se do seu pequeno poder para se imporem aos outros, poder que está num pequeno bilhete que divide o cidadão cumpridor do marginal. Não, não gosto dessa gente. Nem de todos os homens pequenos que passam à frente, que empurram, que trepam. Não sou daí. Não nasci assim. Não pertenço à manada.

domingo, 20 de Julho de 2014

O AMOR

Á excepção de Fante, Miller ou Bukowski, prefiro os livros de filosofia ou de sociologia aos romances. Gosto de sublinhar os livros, de tirar notas. Gosto de estudar os livros. Nem sei como pude publicar tanta coisa menor. Tenho a obrigação de escrever bem mediante as leituras que faço. Tenho a obrigação de ser um grande escritor, um grande poeta e talvez até um filósofo. A vida que tenho vivido dá-me motivos para escrever. Os filmes, as aventuras, as histórias de bares e de putas. Mas também os amores, o amor que sinto por ti. O amor que cresce. A tua ausência que me faz sofrer. A vontade de te ver, de te beijar, de te abraçar. O amor louco que me arrasta, que me prende a ti.

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

O POETA MALDITO

Leio Dostoievski, "O Eterno Marido". Em Santo Tirso ainda se recordam do meu pai, antigo presidente da Assembleia Municipal. Não segui os passos do meu pai. Não sou o senhor engenheiro, respeitado, respeitável. Sou antes isto. Um poeta maldito, aquele que se revoltou, que fez umas asneiras, que se embriaga. Apesar de tudo, aqui em Vilar do Pinheiro, as pessoas respeitam-me. Sou o senhor que lê e escreve. Que passa as tardes nisto. Que vai conhecendo umas miúdas. Que fala com elas. Que, de vez em quando, as beija. Que está quase sempre teso. Que vai tendo umas namoradas mas que não pode assumir grandes compromissos. 
Vou construindo uma história. Tenho os meus livros. Os que leio e os que escrevo. Tenho os meus filmes. Não sou um cidadão comum. Não me adaptei à vidinha. Não segui a linha recta. Apanhei patadas. Já quando era puto era diferente dos outros. Pensava muito. Como agora. Dizem que tenho bom coração mas tenho também a raiva. Parto coisas. Rebelo-me contra Deus como Lúcifer. Consigo ser o mais louco dos homens. Na verdade, pouco ou nada tenho a perder. Tenho o meu lado aventureiro. Não embarco em rotinas. Aliás, a rotina mata-me, deprime-me. Não conseguiria levar a vida desta gente. Trabalho, praia, filhos, obrigações. Já andei com gajas completamente loucas, no bom e no mau sentido. Vivo os livros, vivo muito dos livros. John Fante, Dostoievski, Bukowski, Henry Miller. Se não fossem os livros já teria dado um tiro na cabeça. Não saberia como preencher o tempo, como combater a solidão. É claro que observo as pessoas, sempre de um lado para o outro, sempre apressadas, à procura não sei do quê. Não consigo entender esta gente. Vêm ao mundo trabalhar, cumprir tarefas. Não vivem como os poetas, como alguns poetas. Passam a vida a pensar no dinheiro, na sobrevivência. Não gozam a vida na sua plenitude. Como eu contigo em Santo Tirso na festa do santo. Beber até ser dia. Não, não sou como eles.

domingo, 13 de Julho de 2014

LEONOR

Em Braga. De novo n' "A Brasileira". Há já alguns meses que não passo vários dias seguidos aqui. A Leonor está triste, doente, deprimida. Não há outra menina como ela. Há 21 anos que nos conhecemos. Muita coisa se passou entretanto. Ela tornou-se professora, eu um poeta vadio que já fez alguns disparates, uma "avis rara" que alguns querem entrevistar. Sinto-me bem aqui em Braga. As pessoas parecem amáveis. As donas d' "A Brasileira" são bonitas. Sinto-me em casa, na minha cidade. Posso não ter a fama de outros, posso não ter a técnica mas sei que sou capaz do melhor. Sei que consigo escrever bem. Boa literatura. Mesmo que já tenha publicado coisas sofríveis, mesmo que não seja reconhecido por alguns. Ainda assim tenho os meus fãs, as minhas fãs. Vou deixar um legado, como alguém disse. Vou deixar uma obra. E não vou ficar por aqui. Ainda tenho muito a dizer, a escrever. Ainda tenho muitas cervejas a beber. Sei que me repito. Mas há coisas a denunciar. Há a Leonor. Sofro por ela. Revolto-me contra este mundo de injustiça, de manha, de rapina. Apesar de existirem mulheres bonitas, pessoas bonitas. No entanto, a maioria tem medo de viver, de explodir, de se extasiar. A maioria agarra-se ao trabalhinho, ao dinheirinho. Leva uma existência quadrada, vazia. Não valoriza o conhecimento, a luz, compete entre si. Contudo, apesar de tudo, ainda acreditamos em algumas pessoas. Ainda acreditamos no diálogo, na descoberta, nas conversas até às tantas. Na ausência de pressas, de pressões. No homem livre, sem obrigações. Acreditamos que somos capazes. Não vamos atrás da felicidade da maioria.

quarta-feira, 9 de Julho de 2014

HISTÓRIAS DE BARES E DE PUTAS

Tenho tantas histórias. De copos, de noitadas, de putas. Estive nos bares até ser dia. Tive grandes discussões políticas, armei confusão, fui expulso, apanhei porrada. Também parti os vidros dos carros e da Junta de Freguesia. Fui a tribunal. Fui apanhado pela polícia. Esta gente que me vê nem imagina o quão arruaceiro já fui. Fui às putas do Marquês, da Trindade, da rua da Alegria. Apaixonei-me por uma. Ela pagava-me o pequeno-almoço no café Pereira. Elas muitas vezes gostavam de mim, contavam-me a vida. Havia o "Big Ben", onde elas iam com os travestis. Eu falava com elas, bebia, escrevia. De facto não sou um cidadão exemplar. Meti-me em alhadas. Se tiver dinheiro bebo até ao fim. Não, miúdas, não sou apenas o gajo que escreve e lê. Não sou nenhum santo. Tenho esse lado maldito. Ocupei um hipermercado, deitei uma estátua abaixo. Ás vezes ainda ameaço. E tenho matéria para escrever um romance.