quarta-feira, 23 de Abril de 2014

HOJE, NA CASA AMARELA, GUIMARÃES, ÀS 22h







   A Noite de Poesia da Casa Amarela de 23 de Abril terá o seguinte formato:

1ª parte 
«À conversa com ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO» - Poemas do autor ditos pelo próprio 
«Microfone aberto» - para quem quiser dizer textos seus ou de outros poetas

2ª Parte
Actuação do grupo «FOTOCÓPIAS» - Rock Português anos 80

   Apareçam! Começa às 22h00. Vai ser uma grande noite!



segunda-feira, 21 de Abril de 2014

O DRAMA DO POETA

"Que tinha para dizer ao mundo que fosse tão desesperadamente importante? Que tinha para dizer que não tivesse sido dito antes, e milhares de vezes, por homens infinitamente mais dotados do que eu? (...) Em que sentido era eu único?"
(Henry Miller, "Nexus")

Eis o grande drama do poeta, do escritor. Não as futilidades que muitos escrevem. Seremos únicos? Vêm-nos à cabeça coisas que os outros não pensam? Não estaremos sempre a trabalhar? A mente e o espírito produzem continuamente. Neste momento sou um bêbado inspirado. Saí da caverna. Vejo claramente a luz. O que tenho a dar pertence ao mundo inteiro. Outros foram ou são muito mais dotados do que eu. Outros mudaram o mundo com a sua arte, com a sua palavra. Eu sou apenas um aprendiz de filósofo. Caminho entre os homens. Venho ao café beber cerveja e ler Henry Miller. Só tenho conversa para alguns, normalmente na cidade. Ultimamente tenho-me sentido mais solto, especialmente com as mulheres. Tenho o tal paleio do caos, do fim do dinheiro, do poeta alucinado. Enfim, conversas com copos. Há quem ache piada aos meus ditos e principalmente aos meus escritos. Aprendi contigo, Jaime. Arranjam-se uns trocos, bebem-se umas cervejolas. E já nos julgamos imortais. De qualquer forma, não temos de nos andar sempre a lamentar, não temos de nos auto-culpabilizar como os cristãos. Fizemos o que havia a fazer. E ainda temos muito a fazer aqui na Terra.

sábado, 19 de Abril de 2014

EM BRAGA À SOLTA

Estou em Braga. De novo n´"A Brasileira". Espero a Gotucha. Observo as gentes. O louco que entra. As pessoas passam na rua. Está sol. É Primavera. Namorados vêm abraçados. Entra a patroa bonita. Foi aqui que me descobri. Foi aqui que me fui tornando poeta. Aqui os mexericos incomodam-me menos. Aqui reino. Apesar de já não conhecer quase ninguém. O menino chora. Há muitos anos que já não vejo a Natércia. Ensinou-me muita coisa, ensinou-me a dizer poesia. Também nunca mais vi o Rui e o Jorge. Já não sou o rapaz dos 18 anos. Estou mais sábio, sem dúvida. Li muitos livros entretanto. As barbas estão brancas. Estou em Braga à solta.

quinta-feira, 17 de Abril de 2014

PAZ PODRE

Tenho os dias para mim. Isso ninguém me tira. Posso ler, estudar, vadiar. Posso escrever o novo livro. Não tenho de submeter-me a chefes nem a horários. De certa forma, estou fora do capitalismo. As pessoas ainda riem, conversam, trocam delicadezas mas, de facto, fazem parte do rebanho, daqueles que obedecem. Vão à escola, à faculdade mas não problematizam o sentido da vida. Sabem é comerciar, fazer negócio. Vivem presas. A maioria não é capaz de um comentário elevado, digno de um ser humano livre. Não é capaz de vociferar contra o sistema que faz deles escravos. São simpáticos, é certo. No entanto, falta-lhes alma, nobreza, grandeza. São os homens pequenos, os homens das meias-medidas, contentam-se com as pequenas coisas, não anseiam pelo super-homem, não querem conquistar a Terra. Na verdade, querem que o mundo permaneça tal qual é. Preocupam-se com o seu sustento e pouco mais. Não têm iniciativa. A única iniciativa que têm é a defesa dos seus e dos seus negócios. Não pensam em dirigir-se aos demais, em denunciar a situação, em lançar um jornal. Deixam ser-se influenciados pelos outros, só influenciam no sentido da normalização. Ah! Como me irrita esta paz podre, esta simpatia plástica. Como me irrita esta aceitação da lavagem ao cérebro, das vedetas televisivas. Não há nada de profundo. Não há Shakespeare, nem Dostoievski, nem Nietzsche. O amor reduz-se a círculos muito restritos. Não se alarga. O capitalismo é o contrário do amor. Reduz tudo à tecnologia, à bolsa, à eficácia. Daí que muitas vezes fiquemos deprimidos, vencidos, sem saída. Daí que não sejamos quem somos.

sexta-feira, 11 de Abril de 2014

A REGRESSÃO DO ESPÍRITO

Gente que vai passando os dias, que vai sobrevivendo, que quer moldar os filhos para o sucesso a qualquer preço. Assim não se vive. Cumprem-se os dias, cumprem-se as horas. Não há um rasgo, um grito, uma blasfémia. Há uma grande preocupação com as notas escolares, não com a busca de sabedoria, muitos aspectos desta são postos de lado, só interessa o saber instrumental, útil. Raros são aqueles que filosofam à mesa. Raros são aqueles que discutem a verdadeira vida. Raros são aqueles que se reúnem no "Banquete" de Platão e Sócrates. Não se trata apenas de discutir umas palavras de ordem como fazem os partidos de esquerda. Trata-se de discutir tudo. Do nascimento até à morte. O homem, a criança, vem ao mundo cheia de potencialidades. Só que a família e a escola começam a impor-lhe preconceitos, a empurrá-la para a competição e para o mercado. Daí que haja muitos adolescentes frustrados, infelizes. A escola não lhes ensina a verdadeira vida. Não lhes diz que a vida pode ser uma autêntica festa e uma busca da sabedoria. Os jovens até podem ter uns anos de festa, de embriaguez mas logo são empurrados para o trabalho, para o assentar, para a obrigação. Acaba-se a festa, perde-se a curiosidade pelo conhecimento, mata-se a vida, a verdadeira vida. Vivemos, quando muito, a prestações. Não seguimos os xamãs, não revelamos curiosidade pelos deuses e espíritos interiores. Levamos uma existência castrada. Só a tecnologia progride e, por vezes, é limitadora. O espírito parece ter regredido.

segunda-feira, 7 de Abril de 2014

AGOSTINHO DA SILVA

Segundo Agostinho da Silva, ter um trabalho é diferente de ter uma ocupação. Um trabalho é algo de imposto, de obrigatório, de desgastante. Uma ocupação é algo que se escolhe, uma vocação, algo de livre. Agostinho defendia que os desempregados deveriam frequentar uma universidade inteiramente livre para combaterem o tédio. É o tal menino da vida gratuita, que não está sujeito a nenhuma espécie de disciplina. As pessoas de hoje estão muito ansiosas, obcecadas pelo dinheiro, muitas perderam o gozo de brincar, de criar, o espírito de vadiagem que também se faz por dentro. Com Agostinho temos o homem livre, o homem sábio, o homem que desenvolve todas as suas potencialidades.

domingo, 6 de Abril de 2014

EU VIVO O QUE ESCREVO

Agora que caminho em direcção à sabedoria, agora que sou o poeta, o escritor, o quase filósofo, as coisas parecem-me mais claras. De facto, ao longo destes anos, tenho procurado uma espécie de luz, de sagrado, que vivi nas minhas fases eufóricas, nas minhas trips, mas também nestes estados de hipomania. O pensamento acelera e eu sou alma em busca da virtude, da beleza. Nunca experimentei os ácidos mas esta mistura de álcool com medicamentos e com a própria criação poética produz o tal "efeito coca". Durmo muito menos, estou muito mais desperto e confiante em mim próprio. Na verdade, penso que estou a chegar onde queria em termos de escrita. O Rui Azevedo Ribeiro diz que a poesia é superior mas eu estou convicto de que a prosa está mais solta, menos repetitiva. Neste momento, sou mesmo o criador à maneira nietzscheana. Sem falsas modéstias. As minhas leituras produzem efeito. Como Henry Miller tento aumentar a vida. Procuro chegar às pessoas. Influenciá-las. Dizer-lhes que não têm de ser escravas. Que há um mundo para lá da "realidade", do útil, do "prático". Um mundo de invenção e descoberta. O reino da liberdade absoluta. A minha vida está aqui. Eu vivo o que escrevo. Não faço floreados nem grandes remendos. Talvez fale demasiado sobre mim. Talvez devesse inventar outros personagens. No entanto, não tenho sido capaz. Mas com a produção que levo hoje tudo é possível.

terça-feira, 1 de Abril de 2014

9 ANOS DE "TRIP NA ARCADA"

Este blogue faz nove anos. Agradeço a todos que me visitaram, que me visitam, que me comentam. E que a trip continue na Arcada.



sexta-feira, 28 de Março de 2014

PRISIONEIROS

As pessoas não têm conversas profundas. Falam de trivialidades, de mexericos, da vidinha. Não filosofam. Não lêem os grandes livros. Não aprofundam a alma. Limitam-se a sobreviver, a cumprir os dias. Não fazem a hora. Correm para casa, estão cheias de medo. Não se interessam pelos poetas, pelos filósofos. Contam os trocos e vivem em função deles. Ouvem as notícias e os comentadores e não os questionam. Levam uma vida de prisioneiros. Nem sequer desenvolvem a sua vida interior. Fecham-se na família. Não vão discutir para a praça pública. Não exercem a democracia. Não são livres. Não são plenas. Não explodem, não se revoltam contra o instituído. Queixam-se. Choramingam. Falam de doenças. Não estão interessadas em aperfeiçoar a humanidade. Os pais querem o sucesso dos filhos, o sucesso a qualquer preço. Votam em dirigentes sem escrúpulos, sem humanidade. Não vivem. Não se educam, não se cultivam. Só lhes interessa o material, o instrumental. Por isso fazem do dinheiro e do mercado deuses. Verdadeiramente não estão interessados no progresso do homem, no desenvolvimento da alma. Deixaram de acreditar nos mitos, nas lendas. Guiam-se pelo útil, pelo interesse. Raramente amam. Não têm horizontes. Não buscam o poético, o sublime. Não buscam a virtude, a sabedoria. São homens pequenos, vencidos. São incapazes de um rasgo, de um golpe de asa. Não criam. Estão mortos. Obedecem.

quarta-feira, 26 de Março de 2014

O VERDADEIRO HOMEM


Leio "Assim Falava Zaratustra" pela sétima vez. Não conheço obra mais genial. O criador, o bailarino, o homem superior entram em mim. A vida, o amor e a liberdade são meus. Afasto-me do homem pequeno, do mercador, do merceeiro, afasto-me dos macacos que trepam, dos poderes, do grande dinheiro. Tudo é grandeza e nobreza. Zaratustra, tu ensinas-me a viver. Há dias, noites em que me exibo na praça pública, em que procuro a companhia das mais belas mulheres. Ou então estou aqui na aldeia. A enriquecer-me, a ler-te, a estudar-te, a desenvolver as minhas potencialidades. Sinto-me preparado para o grande meio-dia, para a revolução, para a glória. Tomaremos Lisboa. Ocuparemos as praças. Ocuparemos os palácios do poder. Devolveremos o homem ao homem, a espécie à espécie, o mundo ao mundo. Cantaremos nas caras do capital. O verdadeiro homem não é o lacaio, não é o escravo, não é o que procura a felicidade da maioria. O verdadeiro homem é aquele que é único, aquele que se basta a si mesmo, aquele que ri. O verdadeiro homem é o homem do grande amor, do grande espírito, da grande alma. É aquele que se dá, que ensina, que transmite a sabedoria. O verdadeiro homem não se contenta com conversas banais, é aquele que provoca, que desafia, que faz pensar. É aquele que quebra a rotina, o tédio, o quotidiano vazio e previsível. O verdadeiro homem é Zaratustra.

segunda-feira, 24 de Março de 2014

COMPLETAI AS VOSSAS VIDAS


Que me dais? Não me dais nada. Até sois amáveis, simpáticos mas nada trazeis de novo. Não há incêndio em vós, não há loucura. Aprendestes a ser prudentes, contidos, sois prisioneiros da segurança. Na verdade, não sou da vossa espécie. Agarrastes-vos às “verdades” que vos ensinaram, tendes receio de ir ter com o maldito, com o poeta. Tendes medo porque ele vos leva mais longe, porque ele vos abre o espírito. A vida não é só isto que vedes, que conheceis, a vida é a alma, o invisível, os fantasmas que se guerreiam dentro de vós. Por isso, largai tudo e ide atrás da vida plena. São ilusórios os vossos sorrisos. São inúteis as vossas correrias. Aprendei a criar. Recuperai a inocência. Completai as vossas vidas.

sábado, 22 de Março de 2014

MULHERES

A pergunta que vos faço é esta: mulheres, porque dais à luz? Porque ainda dais à luz? Porque ainda carregais os filhos no vosso ventre? É porque ainda acreditais em qualquer coisa. Na vida? Na preservação da espécie? Dificilmente ides dar à luz o super-homem ou sequer Jesus. Dificilmente ele terá a educação, o ensinamento, o percurso libertário. Entreteis-vos com conversinhas de chacha, com medos, com coisinhas insignificantes. Não sois capazes de criar, de mudar os valores. Algumas de vós dançais, ides ter com o poeta, com Dionisos, com Zaratustra, mas depois voltais ao trabalho, à obrigação, ao lar, à segurança. Tendes necessidade de polícias. De qualquer modo dais à luz sabendo que a Terra está contaminada pelos pregadores da morte, por aqueles que querem destruir a vida, pelos castradores. Olhai como esses merceeiros vos pregam o número e a finança, vos incutem a docilidade e a obediência, olhai como eles vos roubam a vida, a vida autêntica, a vida livre, essa que dá a luz e dá à luz, essa que pode estar convosco, mulheres. Essa que amo. Essa que gera o super-homem e Jesus.

terça-feira, 18 de Março de 2014

ILUMINAÇÕES

Um homem lê na confeitaria. Afinal não sou o único. Afinal há alguém mais que se interessa pelas letras. Não é só a conversa da sobrevivência, da vidinha. Dizem que eu tenho de me soltar mais. Dizem que a poesia é superior à prosa. Enfim, continuo a ser essencialmente um poeta. Por outro lado, é claro que já me tenho soltado até demais. Hoje até acordei com iluminações. Sabes como é, a mente acelera. Tem sido a história da minha vida. Depressão ou euforia. Ora fico muito lento, quase paralisado, ora fico cheio de speed. Não penses que estou sempre contido, tímido. Eu já andei a partir os vidros dos carros, pensando que estava na Grécia. Eu já andei a incendiar. Já fui o mau da fita. Mas também já celebrei até ser dia. Já tive o ouro. Agora elogiais, de novo, os meus poemas. Estou aceso graças a vós. Sou, de novo, dionisíaco. O poeta da metamorfose. Rebento. Grito na confeitaria. Espeto palavras no papel. Glória! Glória! Tantas noites, tantos dias. Olha para mim no palco. Faço o público rir. Eu consigo ser o mais louco. Vinde delírios! Eu estou como Rimbaud. O céu na terra aqui. Eu ardo. Eu gozo. Eu vivo o infinito. Eu vivo em mim e dou-vos.

quinta-feira, 13 de Março de 2014

ESCRITOR

Sou um escritor. Tenho de escrever, de preencher as folhas. Já passei por vários filmes, já fui o poeta maldito, o revolucionário. Já fui a tribunal e à Judiciária. Agora cheguei a um ponto onde posso olhar de cima. Tenho admiradores e admiradoras. Tenho uma vida interior rica. Adoro filosofar, interrogo-me sobre o que é o homem. O homem é um ser em viagem, um eterno insatisfeito. O homem pensa. Não faz sentido dizer que ele veio para andar atrás do dinheiro ou para sobreviver. O homem tem a sua loucura, dedica-se à arte, à criação. O homem quer o Natal sobre a Terra. É um ser que procura o amor, a liberdade, que quer conhecer. Por isso só se sentirá satisfeito com a revolução. Por isso muitas vezes cai, muitas vezes acha o mundo insuportável. É certo que alguns homens transformaram o mundo num inferno, num lugar de controle e castração. Daí as doenças psiquiátricas, daí a depressão. O homem sofre. Só deixará de sofrer quando o mundo mudar. "Haja saúde!", diz a empregada da confeitaria. Quão limitada, quão resignada visão. Significa abrir mão da felicidade, daquilo em que acreditávamos quando éramos crianças. É importante pensar, debater porque viemos, o que fazemos aqui. É importante dizer que não viemos pelos números e pela economia, que não queremos que nos façam a cabeça, que não vivemos no medo. É importante dizer que queremos ser livres. Que não nos deixamos levar pelos vendilhões.

segunda-feira, 10 de Março de 2014

MULHERES, PORQUE DAIS À LUZ?

Estou em Braga, n' "A Brasileira". Tenho saudades dos tempos em que passava vários dias seguidos em Braga. Aqui sinto-me em casa. Aqui conheci a noite e a vida. Tinha a casa na Rua Nova de Santa Cruz. Vadiava por aqui. Era livre. Há dias em que ainda o sou. As pessoas reúnem-se aqui. Não trabalham. Mas também não discutem filosofia, tanto quanto sei. Não discutem o homem virtuoso nem o homem revolucionário. Não se apercebem que o pensamento é o mais importante. Que todos os dias somos bombardeados pelos media e pelo capitalismo. Que o trabalho é um meio e não um fim. Apesar de tudo, as pessoas riem. Talvez algumas delas se aproximem da vida pela vida. Sou um escritor. Tenho de escrever, de trabalhar. Começo a ter doenças mas ainda não estou velho. As pessoas fazem-se à vida. Passam a vida a sobreviver, a ganhar a vida, a correr atrás do dinheiro. Não foi para isso que viemos. Viemos para o amor, para a liberdade, para a sabedoria. Interrogo-me sobre o homem, sobre o que é o homem. Penso. Desde criança que penso. Não faz sentido passar a vida a trabalhar, a sacrificar-nos. Não faz sentido viver castrado, oprimido. Não faz sentido não dizer o que se pensa. Faz sentido seguir Jesus, Sócrates, Dostoiewski. Faz sentido amar, desenvolver a nossa inteligência. Faz sentido ter consciência da grande lavagem ao cérebro. Faz sentido a revolta. Faz sentido conhecer. Faz sentido a arte, a cultura. Já há 27 anos e antes me debruçava sobre estas questões. Sabia menos. Não tinha levado as patadas que levei. Mas as pessoas vão trazendo novas crianças ao mundo. Ainda acreditam. As crianças depois brincam mas cedo são formatadas pela máquina. Só umas poucas se libertarão. Algumas delas cometerão suicídio porque acharão a vida insuportável. Só se fala em números e na economia. Revoltei-me contra os números e contra a economia. A cabeça não encaixa os números e as percentagens. Daí que ponha em causa a minha militância no partido. Sou um artista, um intelectual, não tenho de desempenhar certas tarefas. Escrevo, publico, recito, provoco. Eis o que vim fazer ao mundo. Há mais alguém que escreve. Habituei-me aos cafés. Mulheres, porque dais à luz?