quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

O RISO LIVRE

As pessoas deveriam dançar mais, soltar-se mais, falar com o desconhecido, não se fechar no grupo. Deveriam contar histórias em redor da fogueira, expor-se mais, rir mais. Um rir que não seja estúpido, um rir autêntico do fundo da alma, um rir absolutamente livre, sem obrigações nem castrações. Um rir que volte à curiosidade, à infância que tem sido estragada pela troca mercantil. Um festim permanente que fuja ao controlo da vida burguesa. Um voltar à utopia, à juventude perdida. Um voltar à rua que é nossa e não dos poderes. Um caminhar livre como no princípio do mundo. E, ao mesmo tempo, um espírito crítico que não aceite as convenções nem os dogmas. Que não se renda à fatalidade, ao fado, às ideias feitas. Que não se deixe vencer pela rotina.

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

A IDEIA

Reina a moral do forte e do fraco, do que tem e do que não tem, a luta competitiva daquele que ganha e daquele que perde. Segundo Raoul Vaneigem, a felicidade desdenha a competição e a concorrência. Ignora as noções de sucesso e fracasso. A felicidade é a alegria primordial, é o contar histórias em redor da fogueira, sem grupos fechados, sem fronteiras. A felicidade é a comunicação mas é também o acto de pensar livremente. Aliás, temos o direito de passar a vida a pensar. Pensar é um "trabalho" como qualquer outro. Não perdemos por isso o direito de pisar a Terra. Não temos de ganhar ou perder, podemos abandonar o jogo, atirar a bola para fora. Não temos que seguir o mediático nem a moda. Procuramos o ouro, o sublime. Eles existem dentro de nós. Mas nós procuramos também o amor. A mulher que passa. Não entramos em campeonatos. Não somamos pontos. Nós criamos, nós debatemos a ideia.

sábado, 18 de Outubro de 2014

UM NOVO COMEÇO

No meio dos burgueses escrevo. A empregada traz o cinzeiro e sorri. Sou um dos poetas da cidade. O mais louco deles todos, certamente. Contudo, raramente o mostro. Mantenho a pose do intelectual distante. Solto uns berros nas sessões de poesia e em algumas discussões. Mas sou tendencialmente um solitário, um homem só. 
Está tudo à espera não sei de quê. Vão-se cumprindo os dias. Bebem-se uns copos. O trabalhinho. Todavia, não se passa disso. Uns sorrisos aqui e ali. Nenhum grande pensamento. Nenhum gesto memorável. Não há aquela alegria primordial, aquele espírito dionisíaco. Há mulheres bonitas, sim. Mas falta qualquer coisa. As coisas repetem-se. Não há a tal explosão que abane as consciências. Falta loucura, loucura sábia. Falta que algo rebente, que bombardeie a rotina. Falta o inesperado. A conversa inesperada. Falta uma nova voz. Um novo discurso. Uma nova luz. Falta um novo homem, uma nova mulher, um novo começo.

segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

O PASSOS NÃO ESTÁ LONGE

O PASSOS NÃO ESTÁ LONGE

O Passos não está longe. Podes atacá-lo. Insurgir-te contra ele. O Passos e todos os poderes estão ao teu alcance. Quase que podes derrubá-los se tiveres companheiros, companheiras. Eles não são intocáveis. São suspeitos de desvios de fundos, de fuga ao fisco, de corrupção. O próprio homem da rua desconfia deles, embora esteja confuso. Que direito têm eles de exercer o poder em nosso nome? E os milionários, os banqueiros, os especuladores, quem lhes deu o dinheiro? Porque é que essa gente é superior a nós? Quais os seus feitos, para além da ladroagem, da rapina, da exploração? Não, merecem ser derrubados um a um, merecem ficar na miséria. Regressemos à Grécia antiga. Convoquemos assembleias de cidadãos. Discutamos livremente a cidade. Sejamos os mais justos, os mais virtuosos, os mais sábios. Celebremos a libertação. Brindemos à vida. O mundo é nosso. A vida é nossa. 

sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

A GRANDE REBELIÃO

No "Orfeuzinho" leio Byron e "A Voz do Operário". Já não acredito no papel messiânico da classe operária. Acredito mais em pequenos grupos revolucionários- jovens, estudantes, professores, intelectuais, artistas. Penso que a revolução virá nos próximos 20 ou 30 anos. Mas antes virão o caos e a barbárie. Por isso, acredito nos intelectuais e nos artistas. Penso que a cultura vencerá a barbárie. Que a arte e a beleza não convertidas ao capitalismo combaterão a alienação e a manipulação das massas. Penso que a educação revolucionada poderá conduzir ao amor pela sabedoria. Penso que temos de reclamar o mundo e a vida. Porque é que esses patetas que detêm o poder económico e político hão-de ser superiores a nós? Porque é que eles ganham milhares e milhões e aldrabam enquanto que nós estamos aqui a contar os trocos, ou então nem temos nada? Não é justo, porra, não é justo. Através dos media lavam-nos o cérebro e roubam-nos a vida. Porque não reagimos? Temos o direito de ser livres e felizes, no entanto, estamos condenados a passar fome, a viver no tédio, a viver uma existência absurda e estúpida, com horários para tudo, até para o lazer, com chefes a mandar, com polícias a controlar, com capitalistas a acumular, com colegas de trabalho a passar por cima de nós, com manha, com malvadez. Não, o homem não pode continuar assim. Vem aí a grande rebelião, a grande revolta.

sábado, 20 de Setembro de 2014

BANDO DE CORRUPTOS

O BANDO DOS MALFEITORES

Somos governados por corruptos, por aldrabões, por vigaristas. Passos Coelho não foge à regra. Somos controlados por mercadores, por malfeitores, por seres sem alma que exploram e acumulam. Nunca houve tamanha manipulação, tamanha sacanice, tamanha filha da putice. E os "homens de baixo", em vez de se revoltarem, atropelam-se, trepam como macacos, compram, vendem e vendem-se. Nos nossos dias não faz sentido escrever historiazinhas engraçadas, romances cor-de-rosa como muitos escritores fazem. A função do poeta é apelar à revolta, é despertar as consciências, é combater a máquina. Voltámos à Idade Média. O homem é diminuído, desprezado, crucificado. Os poderes político e económico-financeiro tratam-no como um número, como um robô, como uma mercadoria. Esta gente vem tranquilamente à confeitaria e não tem noção do caos, da barbárie que se abateu sobre eles. Agarra-se a conversas fúteis, ao dinheirinho, à sub-vida de todos os dias. Nunca houve tantas depressões, tantas doenças mentais, tantos suicídios. Esta vida de tédio que nos vendem não presta. Temos todo o direito de derrubar os vigaristas que nos governam, de afastar a corja dos banqueiros, dos especuladores, dos agiotas. Temos todo o direito de reclamar a Terra. De expulsar os vendilhões do templo.

quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

DA POESIA SUBVERSIVA

Segundo Benjamin Péret, os senhores do mundo consideram a poesia autêntica nociva porque esta ajuda à emancipação do homem. A poesia subversiva incomoda os poderes porque denuncia a corrupção, as negociatas e as falcatruas. Porque grita “nem Deus, nem amos”, porque alerta os homens para a sua própria destruição, para a escravidão, para o tédio. Esses poetas querem um mundo novo, um novo homem sem inveja, sem competição, sem intriga. Por isso, os senhores do mundo os querem silenciar, afastando-os dos media. Esses poetas resistem subindo aos palcos dos bares, publicando em livros, nos jornais locais, nos jornais on-line, no facebook, em revistas. Tentam, assim, chegar a mais gente, procurando convencer as pessoas. Talvez desse passar a palavra surja a rebelião, a revolta, a emancipação do homem.

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

O CAOS

O mundo está um caos. Nunca houve tanta malvadez, tanta pulhice, tanta ganância. O negócio é sinónimo de aldrabice, de corrupção, de roubo. Não há valores éticos. Banqueiros, especuladores, governantes, empresários, "credores", todos estão no mesmo saco. Todos pilham e passam por cima do parceiro. Mas o homem comum imita-os. Aldraba os seus semelhantes por causa do dinheiro, do emprego, do estatuto, da carreira. Raros são aqueles que se revoltam, que questionam, que procuram a virtude, a justiça, a sabedoria. Raros são aqueles que seguem Sócrates, Nietzsche, Agostinho da Silva. Raros são aqueles que se conhecem a si mesmos. É só sacar e safar-se. As pessoas não se abrem às outras, têm dificuldade em expressar sentimentos, estados de alma. As vedetas da televisão vivem por nós. As pessoas saúdam-se, cumprimentam-se, trocam umas piadas. Nada mais do que isso. Salvo raras excepções, não se dão ao outro, não dão o coração. Quase não existe o amor louco. As pessoas têm medo. Realmente são escravas, não vivem. Não celebram a vida. Perdem-se em mexericos, pouco pensam, têm preguiça mental. Arrastam-se. E assim vai o mundo até à grande revolução, até à tomada de consciência. Não se discute a pólis, a própria humanidade, a vida. Os indivíduos agem, pensam e opinam convencidos de que o fazem livremente mas, na realidade, estão contaminados pelos media, pelos negociantes, pelos capitalistas. O alto nível técnico-científico atingido coincide com um desprezo total pela vida humana e pela liberdade psíquica do homem, segundo diz Andrea Devoto. Apesar disso, a revolução continua a estar nas nossas mãos.

sábado, 13 de Setembro de 2014

SEREMOS MUITOS MAIS

O homem é infinito mas está reduzido à sobrevivência. Capaz dos maiores prodígios, de grandes obras, o homem deixa-se controlar por uma minoria que está nas grandes corporações e que comanda o mercado e os governos. O homem está doente, gravemente doente, com depressões e outras doenças mentais. O homem está isolado no meio da internet e dos media. Não dialoga com Sócrates, não sobe à montanha com Zaratustra. 
A vida é um milagre, não temos de a pagar, não temos de fazer o que nos mandam fazer. Não temos de ser escravos de ninguém. O homem é curiosidade, sabedoria, descoberta. É vida em abundância, é mesa partilhada, é o amigo que vem e nos abraça, é celebração, é brinde, é resistência. Por isso não nos atirem mais TV, mais circo, mais guerra, mais competição. Por isso não nos façais mais a cabeça. Alguns de nós já percebemos as vossas manhas. Alguns de nós caminhamos livres. E seremos mais, muitos mais.

domingo, 7 de Setembro de 2014

A NOVA HUMANIDADE

O sistema quer que não pensemos muito, que não aprofundemos as questões. Os media entretêm-nos com parques de diversões para matar o tédio. Tudo é feito para que aceitemos o poder, para que tomemos por realidade tudo o que vem da televisão. A vida não vivida não faz sentido. Não há incentivos à leitura, ao conhecimento. Somos levados pelas imagens. O homem leva uma existência vazia, controlada. Que são eles mais do que nós? Eles que lucram com as guerras, que lucram com a fome, que jogam com as nossas vidas. Somos seres humanos, porra! Merecemos uma vida livre. Por isso viemos ao mundo. Somos um só, unidos no amor. Ainda temos muito por descobrir. Estamos no princípio do mundo. Não deixemos que eles nos tomem a mente, que nos instalem um "chip". Pensemos. Questionemos as coisas. Eduquemos os nossos filhos na sabedoria. Criemos a nova humanidade. Sem chefes, sem governos, sem especuladores, sem capitalistas.

quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

CONTRA A BARBÁRIE

Atingir o homem total, integral, abolir as relações mercantis, estão entre os propósitos de Karl Marx e de outros pensadores. Propagar o amor entre os homens, chegar ao homem criador, ao homem enquanto ser supremo para o homem, eis porque estamos aqui. "O homem não é plenamente homem senão quando tem a ambição de ser mais do que é", afirma Roger Garaudy. O homem veio para se ultrapassar. Nesta sociedade que castra o desejo, que castra a liberdade, que nos impõe chefes e capitalistas, é preciso que o homem se reencontre consigo mesmo. Que regresse ao xamã, ao espírito, à antiga sabedoria. Senão não passamos de homens pequenos, de merceeiros, que vêm à confeitaria coscuvilhar ou falar de doenças, dinheiro ou trabalho. Senão não passamos de escravos que se atropelam uns aos outros em busca do dinheiro ou da posição social, à mercê dos media, dos especuladores e da finança em geral. Recuperar o sonho, a poesia, a utopia permite-nos ultrapassar este estado sub-humano. Debater o que é o homem, porque veio, discutir a literatura, a História, a filosofia permite-nos atingir patamares superiores e afastar a barbárie. Porque o mundo está cheio de caos, de guerras, de massacres e vêm aí grandes tragédias naturais. O homem só se salvará na busca da sabedoria, da virtude, do bem e no combate contra as forças da barbárie e do imperialismo. O homem só se salvará se vencer a indiferença, a exploração, a rapina.

domingo, 31 de Agosto de 2014

É PRECISO AVISAR OS JOVENS E AS CRIANÇAS

É preciso educar os jovens e as crianças. Afastá-los do mercado e da competição. Ensiná-los no bem, na justiça, no amor da sabedoria. Porque eles são estragados na família, nos media, na escola. Não são incentivados à curiosidade, à leitura. São encaminhados para uma guerra pelas notas e, posteriormente, por uma posição social. Está instalada a barbárie. As pessoas vêm à confeitaria conversar mas não amam o próximo nem o longínquo. Está tudo convertido num negócio com os vendilhões que Jesus expulsou do templo. As pessoas vivem no medo dos patrões e da "autoridade". Cada vez se encontram menos. Este é o tempo do homem sentado à mesa da solidão. O capitalismo mata de fome e de tédio. É preciso avisar os jovens e as crianças. Esta vida não serve. Venho à confeitaria e não ouço conversas elevadas. É preciso discutir o mundo e o homem. É preciso promover uma discussão alternativa à dos comentadores televisivos. É preciso dizer que o mundo é nosso. Que não temos que aceitar governos nem lavagens ao cérebro. Os donos do dinheiro não são mais do que nós, pelo contrário. É preciso revolucionar o pensamento, libertarmo-nos de todas as escravidões. É preciso o homem livre.

segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

HOMEM LIVRE

Não sou o maior dos poetas. Ainda não atingi a perfeição. Mas há dias em que sou plenamente eu, em que me reencontro. Uso o computador, uso a net mas não sou adepto da sociedade tecnológica. Por isso procuro a verdade nos livros, em algumas pessoas. A verdade que me permite construir, elevar a discussão. Tenho 46 anos. Já vi muita coisa. Acredito nas árvores, nas flores, acredito que é possível transformar o homem. Alguns homens e mulheres, pelo menos. Acredito que a máquina, a busca do lucro e do interesse, vão cair. Acredito em homens bons. Acredito que será possível ensinar aos jovens e às crianças o bem e a justiça. Mas não com vendilhões, com castradores, com polícias. Acredito na liberdade absoluta que vem do coração, que vem da alma. Acredito no poder da Palavra, no filósofo, no poeta. Acredito num mundo sem guerras, sem governos, sem dinheiro. Acredito na democracia directa. No homem dono do seu destino, no homem que regressa à origem, ao paraíso. Acredito no homem livre.

sábado, 23 de Agosto de 2014

UM REI

Um rei, um poeta, um profeta que anuncie o novo reino, o novo homem. Um rei que entre nos cafés, nos bares, nas casas e fale no caos instalado, na ditadura do cálculo e da finança, na concorrência entre os homens. Um rei, como Jesus, que condene a riqueza, a ganância, a usura. Um rei que diga que o caminho é outro, de paz, de amor, de sabedoria. Um rei que leve os homens a atingir o tesouro interior, a iluminação. Que os homens partilhem esse tesouro e o expressem na arte, na escrita. Um rei que expulse os vendilhões do templo, os "mercadores", os governos, os capitalistas. Um rei que diga que nada está acima do homem, que este dispensa os patrões, os que mandam, os que exploram. Que ninguém governe nem seja governado. Um rei que traga a luz, o espírito, a beatitude. Um rei despojado.

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

O HOMEM AMEAÇADO

Esta gente não sabe o que veio fazer ao mundo nem se questiona sobre isso. Vieram ganhar dinheiro? Vieram trabalhar, sacrificar-se? Vieram lixar-se uns aos outros? Não, se for para isso prefiro dar um tiro nos cornos. Creio sinceramente que o homem veio para muito mais. Veio para saber, veio criar, veio desenvolver as suas potencialidades. Veio certamente conhecer-se a si próprio, experimentar os seus limites, praticar o bem. Veio também gozar e desfrutar, partilhar as suas ideias, iluminar-se. Veio construir-se.