segunda-feira, 21 de agosto de 2017

REGRESSO À POLIS

Ás vezes sou um pouco arrogante, falta-me um pouco de humildade no debate político. Mas tal também é uma forma de defesa. São muitas lutas desde a faculdade e não admito estar às ordens de ninguém. Aliás, no meu percurso nunca segui a linha dominante nem nunca andei atrás do tacho. Confesso que em determinada fase da minha vida demarquei a política do resto da vida e não fui capaz de ter uma visão mais global. Agora, aos 49 anos, regresso à polis, à construção da cidade enquanto vida, poesia e diálogo filosófico, enquanto amor, liberdade e revolução vivida. Regresso à natureza, à ecologia porque o planeta está em perigo. Regresso à ideia e ao ideal porque nos tentam fazer a cabeça todos os dias e regresso ao combate porque é absolutamente insuportável que tenham transformado a vida numa corrida onde uns se atropelam aos outros pelo emprego, pelo dinheiro, pela carreira.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

O SUPER-HOMEM

Um café para estimular o espírito. Aqui no "Arte", mesmo ao lado do liceu Alberto Sampaio, onde fiz o meu 12º ano. Ontem no "Reticências" encontrei o Paulo Bonito, o outrora promissor artista. Está completamente encharcado de medicamentos, mal sai de casa, às vezes mal se percebe o que diz. É o que esta sociedade mercantil faz a algumas das suas almas mais brilhantes, enquanto essas peruas se pavoneiam nas passerelles mediáticas. Felizmente, o meu espírito está vivo e bem vivo, pronto para enfrentar os chacais. Em termos físicos é que já são visíveis algumas limitações: tremuras, dificuldades nos movimentos, etc. Enfim, já são quase 50. De qualquer modo, o que fazemos aqui, se o corpo é finito e o espírito é infinito, insaciável? Onde nos leva a grande viagem? Mais rica será em contacto com a natureza. As pessoas pequenas temem a grande viagem, a viagem ao fim da noite. Não aprofundam. Não exercitam a sua mente ao máximo. Não explodem. Estão sempre castradas, contidas, ou então presas ao circo. O seu riso, os seus beijos, as suas palmas são forçados, condicionados pelo grande circo dos media e do capital. Putedo. Compra e venda. Podridão. Destruir tudo quanto é belo, justo, sábio, virtuoso. Destruir o Paraíso, a Criação. Destruir a Vida, a Vida Sagrada. Não! Não permitiremos mais! Embarcaremos na grande viagem, abriremos as portas. O Super-Homem nascerá e derrubará de vez o Império.

domingo, 9 de julho de 2017

CEGOS GOVERNADOS POR IMBECIS

Voltaire é um defensor incansável da liberdade de opinião, não só a nível religioso, mas também da liberdade em geral, pura, autêntica. Para o filósofo francês, tudo quanto é forçado é prejudicial e malévolo. É execrável tudo quanto se quer atrair pela força, pela prisão, pelos castigos, em vez de se utilizar a razão. Devemos aconselhar e não forçar, diz São Bernardo. Aí está uma postura que também é pedagógica, própria de Agostinho da Silva, própria dos homens livres. As crianças devem brincar livremente, dar largas à sua curiosidade, criatividade e imaginação, no sentido de virem a ser seres únicos e espíritos livres para que não assistamos à castração que para aí anda com esses papagaios na televisão, com esses macacos a facturar, com esses generais a dar ordens. Esta tarde, no café da Vera, faço a síntese. Imbecis, somos governados por imbecis, somos cegos governados por imbecis, já dizia Shakespeare. É só uma questão de partir a loiça e quebrar o feitiço. Como em Hamburgo. Quem são esses primatas? Trump? Putin? Merkel? May? Macron? Quem manda neles? Porra, até dá vontade de rir. Se usarmos o nosso cérebro, o nosso amor, a nossa liberdade somos tão poderosos...Deus meu, tão poderosos, superiores a eles...

quinta-feira, 29 de junho de 2017

DO DINHEIRO

"O dinheiro é a essência genérica alienada do homem."
(Karl Marx, "Manuscrito de 44")
O dinheiro está na base da alienação do homem. O dinheiro destrói o homem. Torna-o ganancioso, mesquinho, vendilhão, merceeiro. O dinheiro destrói as relações humanas. Destrói o amor, destrói a criação, destrói a sensibilidade. É preciso acabar com o dinheiro. O dinheiro e o poder comandam tudo. Controlam as nossas vidas, as nossas mentes. Dividem-nos em ricos e pobres. Em milionários e miseráveis. Em poderosos e escravos. Em servos e senhores. É preciso acabar com o dinheiro. O quanto antes. Se queremos ser realmente livres, realmente felizes. Se queremos que o nosso interior, que a nossa alma se una ao amor, ao outro, ao cosmos. Se queremos nascer de novo. Se somos de Jesus.

sábado, 17 de junho de 2017

JESUS

Há noites que valem por mil anos. Os vultos que vêm ter contigo, que te oferecem cervejas, que te beijam na testa, que te falam no poema como se fosses Jesus. Os vultos demoníacos que ameaçam Madalena, que tu empurras para longe, os palhaços que aparecem no filme que nada percebem, que dançam, que bebem. E depois chegas à terrinha e nada se passa, é só golos e tolos e altas temperaturas, como se fosses realmente Jesus ou alguém verdadeiramente poderoso mesmo que, paradoxalmente, ontem te sentisses fraco. É verdadeiramente o caos, o fim do império e os pequenos entretêm-se com guerrilhas futebolísticas. Enquanto tu reinas. Tu reinas, verdadeiramente reinas, e estás em fogo. O Carnaval, por hoje, terminou.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A REVOLUÇÃO DO AMOR E DA POESIA

Eles, sempre os mesmos, têm-nos feito a cabeça ao longo dos séculos. E nós caímos no erro de só falar a linguagem dos números e da economia, esquecendo o amor e a poesia. Antes de mais, somos reis de nós próprios, não precisamos de representantes que tomem decisões por nós. Não podemos admitir que pensem pela nossa cabeça, somos livres de pensar, de opinar, de filosofar. Eles- grandes corporações, banqueiros, políticos influentes, grandes media- querem fundar um governo mundial onde não teremos qualquer capacidade de intervenção, onde seremos escravos e robôs. É através da tomada de consciência em grande escala, da revolução bakuninista, mas também através do amor e da poesia que nos salvaremos a nós próprios e ao planeta. O amor de Jesus une as pessoas e a poesia transforma. Daí nascerá o novo homem.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

POR UMA NOVA ESCOLA

É necessária uma nova escola. Uma escola guiada pela liberdade, onde a competição é substituída pela cooperação, ou seja, as notas e distinções são substituídas pelo livre estudo cooperativo e pelo trabalho em comunidade.
É necessária uma escola que, como afirma António Sérgio, ao contrário da actual, ensina o Homem e a Sociedade. A escola actual esquece a maneira de tratarmos com o nosso semelhante, "de conhecê-lo, de observá-lo, de melhorá-lo", e de nos observarmos e melhorarmos a nós próprios. Elucidemos os jovens sobre os defeitos da organização social actual; sobre os problemas que levanta; sobre quais as maneiras de tornar a sociedade mais justa; sobre quais os perigos, as dificuldades e as traições que os esperam. Mostremos a todos o grande erro do Ocidente: "o de esquecer a ideia da verdadeira Cultura", no seu entusiasmo irreflectido pela tecnologia. Na velha escola não se aprende a vida, nem a sociedade, nem o espírito, nem a "elevação à universalidade do bem". O que importa é possibilitar a todos uma vida plena de criação. O que importa é que todos desenvolvam livremente as suas potencialidades.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

A DESTRUIÇÃO DA CRIANÇA

"Qualquer instituição dos nossos tempos, a família, o Estado, os nossos códigos morais, vê em cada personalidade forte, bela e sem compromisso um inimigo mortal; então faz todo o esforço para coagir a emoção e a originalidade do pensamento no indivíduo com um colete de forças desde a mais tenra infância; ou para moldar todos os seres humanos de acordo com um padrão; não numa individualidade integral, mas num escravo paciente do trabalho, um autómato profissional, um cidadão que paga impostos ou um moralista justiceiro", assim falava Emma Goldman já em 1906.
"O ser sensível abomina a ideia de ser tratado como uma simples máquina ou como um mero papagaio do convencional e do respeitável". Perante as imposições da tecnologia, da família, da escola, do mercado, dos media, é quase um milagre a criança ou o adolescente que se lhe segue conservar a força e a pureza iniciais. Só através de ferozes e ardentes batalhas contra a multidão e contra a "opinião pública" a criança e o jovem se emancipa. "O ideal do pedagogo comum não é formar um ser completo, íntegro, original", mas sim, "autómatos de carne e osso (...) que se adequem melhor à esteira da sociedade e ao vazio e monotonia das nossas vidas". Com regras e castrações, com o encaminhamento para o mercado e para o mercado de trabalho se destrói a juventude e a inocência. "Tu deves!", "Tu tens de!", "Isto é certo!", "Aquilo é errado!", assim se castram as sensibilidades e as mentes. Sim, o capitalismo começa aqui. É aqui que se nega a curiosidade, a brincadeira, a liberdade, a autonomia. É aqui que se mata o espírito livre, o próprio amor jesuânico.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

A FÉ E O AMOR

Como afirma Ludwig Feuerbach em "A Essência do Cristianismo", tal como a razão, o amor é de natureza livre e universal, enquanto que a fé é de natureza estreita e limitada. Foi a fé, e não o amor, que inventou o inferno. Para a fé, o que os cristãos fizeram de bom não foi obra do homem mas dos cristãos e o que se fez de mau foi da responsabilidade do homem e não do cristão. Como se tem provado ao longo dos séculos, a fé passa muitas vezes a ódio e a perseguições, opondo-se ao poder do amor, da Humanidade, da justiça. Pelo contrário, o amor não conhece outra lei senão ele próprio. É divino por si mesmo. O próprio homem é objecto do amor pelo facto de ser fim em si mesmo, um ser capaz de razão e de amor. "Quem ama o homem pelo homem, quem se eleva ao amor do género, ao amor universal (...), esse é Jesus, o próprio Jesus", conclui Feuerbach.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

UTÓPICO?

Dizem que eu sou utópico. Mas eu já fui a tribunal e à Judiciária por motivos políticos. Foi por causa da queda da estátua do major Mota na Póvoa de Varzim e por causa do blogue "Povoaonline" que acusava o antigo presidente da Câmara da Póvoa, Macedo Vieira, de corrupção. Por isso não sou assim tão utópico. Também sou um homem de acção. E poderia contar outras histórias. Claro que me orgulho de ser um homem de ideias e de ideais.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

DESAPARECEI DA VIDA!

"Os importantes, os potentes, os senhores da terra, vocês têm motivos para se preocuparem! Ouçam-nos! Dégagez! Dégagez! Dégagez! Saiam! Vão-se embora!", vocifera Mélenchon. A Europa treme com o tribuno. O centrão definha a olhos vistos. É a extrema-esquerda contra a extrema-direita. A União Europeia dos negócios, capitalista, dá as últimas. Ponde-vos a pau, ó senhores da Terra e da guerra. O vosso reino está a chegar ao fim. Sim, está a chegar ao fim a podridão, a vigarice. Sim, a Prima Vera dança. Sim, a Carlinha. Sim, a Gotucha. Ó negociantes, ó mercadores, abandonai a vida! Dégagez! Ó profetas da morte, quase nos tirastes a vida, a alegria da vida. Quase nos fizestes a cabeça. Apesar de tudo, os macacos continuam a trepar. Ainda não se aperceberam do que se passa. Mas os comentaristas já. E que medo sentem. Medo do espectro do velho Marx. Medo do espectro de Bakunine. Ah, ah, ah, vou-me rir, rir a valer. Que gozo me dá vê-los cair um a um.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

O TERRORISMO DE TRUMP

Terrorismo contra terrorismo. As bombas de Donald Trump são tão terroristas como as bombas do Daesh. As bombas de Trump também matam inocentes. Não nos bastava termos uma sociedade desumana, onde se morre de fome e de tédio, e agora temos um carniceiro na Casa Branca. Um carniceiro, um fascista, que só tem negócios na cabeça e que quer dar cabo da Humanidade. Não, não podemos ficar de braços cruzados a assistir. Mobilizemo-nos. Saiamos para a rua. Este Trump e estes demónios capitalistas querem reduzir-nos a números, coisas, mercadorias. Não deixemos que eles nos ponham doentes, depressivos. Não deixemos que eles nos matem. Resistamos.

domingo, 9 de abril de 2017

DA BARBÁRIE AO FESTIM

1

Observo as pessoas, agora na cidade. Há uma aparente calmaria. Andam de um lado para o outro, prosseguem as suas vidas. No entanto, nota-se a mecanização dos gestos. A bomba pode rebentar. A tranquilidade é falsa. Sim, há o apelo do sexo. Há o álcool que acende. Há os amigos e conhecidos que vemos em alguns dias. De resto, o mundo é absurdo, aborrecido. Sempre toxicodependentes do dinheiro. As pessoas imitam-se umas às outras. Não procuram os verdadeiros tesouros da vida. Fingem que estão bem, que são felizes. Sempre na fila, aparentemente adaptadas. Mas o medo reina. O medo de perder tudo. As famílias. A reprodução. A descendência. O animal mesclado com o humano e com o mecânico. A doença. A grande doença. Ainda estamos aqui vivos. Ainda comunicamos. Não necessariamente por palavras. Tão iguais. Tão diferentes. A vida prossegue, mesmo com bombas. E cá voltamos todos os dias. Claro que não falo daqueles que vivem a miséria todos os dias. Esses estão numa condição sub-humana. Mas não estaremos nós também? Estes gajos tentam fazer-nos a cabeça todos os dias. Estes gajos tentam enlouquecer-nos. Ou fazer de nós máquinas de produção. E lá continuamos a andar de um lado para o outro. Muitas vezes vendêmo-nos. Porque fazemos filhos? Porque continuamos a espécie? Homens como Sócrates, Jesus, Marx, Nietzsche, Bakunine ou Che Guevara não aparecem todos os dias. Claro que podemos acreditar num novo homem, num novo espírito, numa nova educação. Numa educação que leve as crianças e os jovens a buscar o bem, a criação e a sabedoria. Contudo, continuo a vê-los passar, a vê-los sentados a conversar, a vê-las exibir os corpos, e tudo permanece na mesma, tudo permanece exactamente na mesma como se isto não estivesse prestes a explodir. Bom, é certo que se sentem aliviados do trabalho. Mas o trabalho volta sempre no dia seguinte, tal como no mito de Sísifo. É tudo uma ilusão. E há muitos que só falam de trabalho. Ainda me entediam mais. Prosseguem sempre a caminhada rumo a um deus ou ao desconhecido ou ao completo sem sentido. Que viemos cá fazer? Porque não nos sentamos e discutimos estas questões? Porquê a separação, sempre a separação? Estou rodeado de gente e estou cada vez mais só. Nem a cerveja me salva. Mas eles continuam a sorrir como se nada fosse, como se não hão houvesse bombas na Síria e aqui riscos de apocalipse e explosão. Estou a tornar-me um eremita no meio da cidade com um esquizofrénico à minha mesa. De que me vale a inteligência, meu pai? Só teatro, fingimento, representação. Oxalá a minha cabeça explodisse. Não suporto mais as conversas. Não sou a estrela do rock n' roll. Vejo os amigos e as amigas de vez em quando, é o que é. De resto, há mesmo gajos hostis. Apetece-me rebentar com esta merda toda. Isto não é o justo, não é o virtuoso, não é o bem, não é o amor. São personagens que passam.
O relógio. Sempre o relógio. Não há festa. Não há orgia. Não há tambores. Não há celebração. Sempre o quantitativo. Sempre o matemático. Sem toque. Sem carinho. Dou em doido. Apetece gritar. Uns comprimidos aqui e ali. Uns sorrisos. Nada mais. A depressão espreita. Falta-me a outra metade. O dinheiro sempre a circular. A merda sempre a circular. Inferno. Que farsa. Que loucura. Não, isto não serve. Não vim para sofrer assim. De que me valem as glórias passadas? Malditos sejais, ó profetas da morte! Deixa ver se me consigo levantar. Se o sangue ainda corre. Talvez a minha loucura me salve. Talvez a minha louca sabedoria nietzscheana. Sim, ergo-me com o álcool no Piolho. Contudo, o Piolho já não é o que era. Travei aqui grandes discussões políticas. Lancei livros. Disse poesia. Mas agora há uma sensação de vazio. Mas, porra, eu tentei.
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Hoje sinto uma estranha serenidade. O livro avança. Contrariamente a ontem, sinto a vida pulsar. Estas pessoas não atingem mas são amáveis, simpáticas. Terei que falar a linguagem do profeta. Terei que lhes tocar o coração. Afinal, é o amor que nos mantém de pé. O amor e a liberdade. Depois dos Trumps, dos terrorismos, da lavagem ao cérebro, depois da descida aos infernos virá a terra prometida. Hoje acredito no super-homem. Naquele que tomará conta da Terra, que cuidará dos homens, dos animais e da Terra. Mesmo estando só, sinto poderes interiores e celestes. Sou o tal xamã urbano. Dialogo com os espíritos. Sou feliz no meu festim.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

VIDAS VAZIAS

Vejo pessoas carregadas de trabalho, com dois empregos para subsistir. Que qualidade de vida podem ter essas pessoas? Que tempo lhes sobra para a verdadeira vida? É o capitalismo assassino que rouba o tempo, que rouba a vida. As pessoas sofrem, queixam-se mas não se unem. Fecham-se no grupo fechado, na família. E a maioria leva uma vida estúpida, sem paixão nem luz. Mesmo que haja amor dos pais em relação aos filhos, entre casais, entre namorados, esse amor é sempre contido, é sempre controlado por imposições sociais. A liberdade é sempre cortada pelas normas, pelas regras, pelo "Big Brother". Parece que só nos soltamos quando bebemos uns copos a mais, quando dançamos ou quando vamos a concertos rock. E, ainda assim, há sempre as marcas, a publicidade omnipresentes. De facto, a nossa vida é muito incompleta. Nada tem a ver com o criador de Nietzsche ou com o filósofo-rei de Platão. A maior parte de nós veio ao mundo para se arrastar, não para cumprir qualquer missão. A maior parte de nós veio para uma vida sem sentido. Daí os suicídios, daí as depressões.

domingo, 26 de março de 2017

BARCOS

Há barcos a navegar
no meu cérebro
conversas ao longe
nevoeiro
De onde venho?
Porque tenho poderes?
Porque não me contento?
Há incêndios em mim
comando exércitos
praças conquistadas
os macacos afogam-se
não leram o livro
reino
devoro-lhes a alma
ah! Sois tão dóceis,
pequenos merceeiros
voo sobre vós
como a águia
canto o caos
e o apocalipse
o novo reino
sobre a Terra.