quarta-feira, 21 de setembro de 2016

BEBE, POETA, BEBE

Afinal, posso beber mais ou menos à-vontade. A psicóloga bem diz que o cérebro é afectado mas eu não acredito. Bukowski e Henry Miller continuaram geniais. De qualquer forma, já tremo pouco. Foi só um susto, ó poeta. Afinal de contas, o que é que isto nos dá? Dá-nos o direito a admirar umas mulheres belas, dá-nos o direito a filosofar e a apanhar tédio. Nada mais. A revolução parece distante. Com quantos contamos para fazê-la? Bebe, Pedro, bebe. Ao menos mantens-te em cima, ao menos segues a sabedoria selvagem. O que levam daqui os sóbrios? Tédio e rotina. Até Platão escreveu "O Banquete". Bebe, poeta, bebe. Mica as gajas belas. De qualquer forma, o teu lugar é à mesa como o de Mário de Sá-Carneiro, como o de Fernando Pessoa. Curte a vida, ó poeta. Curte as mulheres. Diz-lhes coisas elevadas e coisas estúpidas. Já andaste por tantos lados. Já foste este e aquele. Precisas de uma mulher com garra. De uma mulher que balance as ancas.

domingo, 18 de setembro de 2016

PRIMAS-DONAS

Agora que até tenho algum cacau nos bolsos as gajas deveriam vir ter comigo. Para falar. Não peço mais. Claro que eu também sou exigente. Quero primas-donas, quero gajas belas e atraentes. Mas, por outro lado, quero mulheres que me compreendam. Eu preciso que me compreendam. Que entendam as minhas ideias, os meus ideais. Porque eu não tenho uma conversa banal. Nem sei como as gajas belas não se aproximam mais. É a tal história: querem segurança, querem garantir a descendência. Eu não sou desses. Eu sou do álcool, da noite, da poesia. Eu como Morrison, Baudelaire e Rimbaud. Não sirvo para pai de família.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A PREGAR AOS PEIXINHOS

Merda. Estou a cair. Limito-me a olhar para as gajas. Os livros, hoje, não me entusiasmam muito. Não tenho com quem falar. Não me interessa falar com qualquer um. Também é a falta do álcool. Merda de sistema que castra, que controla. Mesmo resistindo, ele mói o cérebro. Não sou a estrela do rock n' roll. Seca. Tédio. A TV mata. A net também. E esta gente, sempre igual, sem reagir. A entreter-se com merda, com a vidinha, a fazer contas. Porra. Aborreço-me de morte. Valha-me a cerveja. Há gente que parece que se aguenta. Nem sei como. Lá se agarra à família, à casa, ao frigorífico. Eu só suporto esta merda quando algo me eleva. De resto, vejo as gajas boas irem parar a outros, inacessíveis. De resto, vejo uns a foderem-se aos outros. De resto, vejo tudo atrás do dinheiro e do sucesso. Não vejo grande espécie. Não vejo Deus, pelo menos o deus bom. Jesus, se viesse, seria internado. E eu ando a pregar aos peixinhos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A FORÇA DO ROCK

A vida rola com a força do rock. Quero uma mulher. Não sou quadrado. Tenho a força do rock. Não tenho esse paleio normal, melado. Danço ao som da guitarra. Não do tem que ser, do cálculo. Eu sou da hybris, do poeta maldito. Odeio burgueses e engravatados. A mente cavalga. O livro está a caminho. Amanhã estarei na Feira do Livro. Não pertenço ao rebanho. Estoiro. Rebento. Subo à montanha com Zaratustra, com o profeta, com o mago.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

MULHERES

As mulheres gostam de me ver sobressair, de me ver em palco, de recitar, de gritar, de cantar até. Na vida normal passarei muitas vezes despercebido mas no palco já não sou eu, como dizia Léo Ferré. No fundo, no palco sou a estrela. Elas vêm ter comigo, dialogam, abraçam-me, apesar da minha barriga. Quanto mais envelheço mais me pareço com o meu pai. As barbas vão ficando cada vez mais brancas. No entanto, como me dizem, sou jovial. Não me visto como um burguês. Não me converto à máquina. Sim, sou um sucessor de Jim Morrison, de Charles Bukowski e de Henry Miller.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

INTEIRO

O meu pequeno paraíso
os patos os gansos
os cães ladram ao longe
pouso os óculos
agora nem sequer preciso
deles para ler
nem para escrever
as tremuras estão melhor
graças ao novo medicamento
e aos cortes no álcool
ainda me tereis aqui inteiro
por mais uns tempos.

sábado, 3 de setembro de 2016

MÓNICA

Vi a Mónica. Tão linda. Disse que eu era o melhor poeta que conhecia. Pena que ficasse tão pouco tempo. Tão querida. Enamorei-me dela. No meio dos broncos da bola. E dos outros imbecis. Que país! Valha-nos a beleza da Mónica, da Goreti e da Fernanda. I love women/ I think they are great/ they're a blessing to the eyes/ a balm to the soul/ what a nightmare if there were no women in this world- cantava o velho Lou Reed. Nem sei como as mulheres bonitas podem gostar destes grunhos, das vedetas cor-de-rosa, dos futebolistas. Deus meu. Os gajos não têm nada na cabeça. Têm a inteligência nos pés ou na ponta da pila. Que bando de macacos, de primatas.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A EDUCAÇÃO ALTERNATIVA

O filósofo anarquista inglês William Godwin defende que a sociedade que nós reclamamos exige "um estado de grande aperfeiçoamento espiritual" e só será possível mediante um grande desenvolvimento do intelecto. A única riqueza é a riqueza intelectual, a da cultura, a da mente. E, uma vez liberto da propriedade, "resta apenas o homem livre, o homem em si mesmo", como diz o poeta Shelley. Com efeito, não será com robots, com multidões domesticadas que ergueremos a sociedade socialista. Grande parte dos homens, aliás, está irremediavelmente perdida. Quanto aos outros, temos de ser capazes de construir uma educação alternativa, uma cultura alternativa. Uma educação que se oponha à desinformação e à lavagem ao cérebro. Uma educação, uma cultura, uma informação que actue junto das crianças, dos jovens, dos adultos, que os agite, que os provoque, que os motive, que os faça pôr em causa todos os dogmas e as regras do instituído. Sim, precisamos enriquecer-nos. Sim, precisamos evoluir. Esta é a via.

MANIFESTO ANTI-CANEÇAS

Por A. Pedro Ribeiro e Maria Goreti Pereira
O Caneças escreve para a "Caras"
O Caneças agora dá-se com a Lili
O Caneças escreve cartas ao Cavaco
O Caneças faz chichi
O Caneças é um sapo
O Caneças é um chato
O Caneças está em cacos
O Caneças grama o Lopes
O Caneças desprezou Eurídice
O Caneças diz-se de intervenção
mas faz parte da situação
O Caneças é um aldrabão
O Caneças vai a Plutão
O Caneças não lê Platão
O Caneças quer o novo "Orpheu"
O Caneças furou um pneu
O Caneças mete veneno
O Caneças é um estafermo
O Caneças é megalómano
O Caneças tem paleio
O Caneças é um prolegómeno
O Caneças, agora, é vedeta
O Caneças tem cheta
O Caneças é uma treta
que nem escrever sabe
O Caneças sobe
O Caneças pode
O Caneças é um batráquio
O Caneças é supersónico
O Caneças é o que faço dele
O Caneças é um vendedor
O Caneças é uma pasta de dentes
O Caneças é um estupor
O Caneças é um detergente
Alô, Canetas! Daqui Lápis,
diz o Alberto
O Caneças é machista
não leninista
pois é, Caneças,
é a "Caras"
o socialismo
ficou na gaveta
fica tu na retrete
o Caneças é um frete
o Caneças é um traque
o Caneças usa fraque
o Caneças vai à lua
o Caneças está com tusa
o Caneças é um croquete
o Caneças é uma chiclete
não penses que me humilhas
caneta uso eu
o Caneças queria o "Orpheu"
o Caneças é um pigmeu
o Caneças é sideral
viva o Caneças imperial!
Viva o Pato Donald
e o Lopes editorial!
Dança, Caneças
nesse cagaçal
dança, Caneças,
para o mundial!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

AS MAMAS DA REPÚBLICA

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, enalteceu as virtualidades das mamas desnudas, símbolo da república, em oposição ao burquini e à lei muçulmana. Afinal, não sou só eu a cantar a excelência e a volúpia de tais partes do corpo feminino. Afinal, não sou só eu a reclamar as mamas à mostra. Tantos anos criticado e agora tenho no primeiro-ministro francês um aliado. Não há dúvida de que os tempos correm a meu favor. Não há dúvida de que começo a reinar.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

BRASILEIRA

Manhã cedo n' "A Brasileira". As miúdas saúdam-se: "Bom dia". Devem ter tido uma bela noite de sono ou então uma bela foda. Eu, pelo contrário, levantei-me às 6 da manhã e pouco ou nada dormi. Estou fodido das pernas e da cabeça. Fui ao café do Quim tomar café e ler o jornal. Agora estou n' "A Brasileira". Como disse: não estou nada fresco nem me apetece celebrar a vida. Tomo cafés a ver se acordo. Em Guimarães homenagearam o Luiz Pacheco. Logo parto para Vila Verde, para a Arte na Aldeia.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

DEUS, QUERO UMA GAJA!

Deus,
quero uma gaja
Deus,
eu mereço
passo a vida a escrever
a puxar pela cabeça
a produzir filosofia
a elevar a humanidade
Deus,
vejo tantos gajos idiotas
com gaja
gajos mesmo broncos
cheios de cacau
Deus,
eu crio
eu sou filho de Dionisos 
eu mereço a mulher bela.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A MULTIDÃO DAS PRAIAS

Se eu fosse um desses escritores ou poetas que ganham prémios ou vão às conferências...não sou. Fiz asneiras. Desalinhei. Desejo ardentemente as gajas. Agora até quase nem cravo. Como Bukowski, acho que o terrível não é a morte, "mas a vida que se leva ou não se leva até morrermos. As pessoas não honram as próprias vidas, mijam-lhes em cima". Estão demasiado concentradas no dinheiro e na família. "Engolem Deus sem pensar, engolem a pátria sem pensar". Deixam que os outros pensem por si, têm "os cérebros entupidos de algodão".
Sim, eu deixei-me disso. Ainda agora olho as multidões na praia da Póvoa. As pessoas juntam-se em manada. Não têm pensamento próprio. Não têm vontade própria. Teriam de ser únicas, solitárias, como Stirner, como Nietzsche. Em vez disso, disputam os lugares no metro e na vida. No resto do tempo, passam a vida a pastar, a ver passar navios. Não se elevam, não evoluem. E depois tu só podes ter estas conversas com algumas pessoas. Os detentores do poder estão ocupados a manter o poder mas, na verdade, só uma ínfima parte deles leu Marcuse, Chomsky ou Guy Debord. Têm os seus propagandistas, os seus psiquiatras, os seus sociólogos, esses conhecem, mas quem me garante que também não passam de um bando de frustrados. A seguir tens os escravos, os tais que trabalham e pastam, com quem é impossível manter uma conversa elevada. Daí que, neste momento, contes com com poucos revolucionários e equiparados.

domingo, 21 de agosto de 2016

ANA, SOFIA, RITA

Madrugada. Acordei cedo. Os galos cantam. Há pessoas que me elevam, que puxam pela minha mente, outras que nada me dizem como o Reis que só pensa na bola e em comida. Há pessoas que me estimulam a ter novas ideias e mesmo a concretizá-las como o Rocha que veio comigo a Vilar do Pinheiro.
A religião é para cretinos e para atrasados mentais. Deveria ser banida da face da Terra. Quantas mortes são provocadas pela ignorância, pelo medo, pela crendice? O poder religioso, aliado aos poderes político e financeiro, tem feito a cabeça das pessoas. Estas tornam-se dóceis, domesticadas, submissas. Entretanto eu prossigo, sonolento. Lembro-me de vocês, Ana, Sofia, Rita. Porque seguistes caminhos tão diferentes dos meus? Porque seguistes a via do sistema? Era bom que nos reunissemos um dia destes, que celebrassemos o xamã que tendes esquecido. Sem maridos. Como nos velhos tempos. Contar-vos-ia histórias. Antes que fique velho.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

DO AMOR

O amor, sim, o amor não é uma questão individual. Nem é somente uma questão a dois. O amor é uma questão da sociedade. Uma sociedade que não sabe dar amor é uma sociedade doente. É uma sociedade amputada. A sociedade não tem só que resolver os problemas dos direitos individuais e colectivos. A sociedade deve ser emoção, afecto. Não pode ser artificial, gélida. O amor diz respeito à sociedade, ao indivíduo, à comunidade. O amor fortalece-nos. Dá-nos vida. Eleva-nos. O amor é a solução.