quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

ÁS PORTAS DO PARAÍSO

Aqui chegados. Sócrates preso. Um bando de vigaristas sob suspeita. Sim, tínhamos razão. Lutámos por isto quer na militância partidária, quer no palco ou na escrita. Dos escombros do capitalismo um novo homem vai nascer. Um homem livre do controlo, um homem sábio que cria, que procura, que descobre, um homem puro como à nascença. Está a acabar o vosso tempo, ó homens pequenos do sossego e da mercearia. O país começa a arder. As instituições desfazem-se. Tínhamos razão quando falávamos do controlo exercido pelos mercados e pela televisão. Tínhamos razão quando apelávamos à tomada de consciência . Quando dançámos com Morrison, Curtis e Zaratustra. Seguimos a estrada certa. Não seguimos a via do tem que ser, da populaça. Provocámos, partimos vidros. E agora a mente volta a abrir-se. Estão abertas as portas do paraíso. Não há limites. Não obedecemos ao relógio e à troca.Somos senhores sem escravos. 
De nada vos vale a conversa mole. Nunca descestes aos infernos. Começam a cair os partidos burgueses. É a hora do Syriza, do Podemos, do MRPP, do socialismo na América Latina. É a hora dos extremos. O fim do centro. Sim, caminhamos livres sobre a Terra. O vosso sossego, homens pequenos, está a chegar ao fim. Eis o tempo do caos e da viragem. Eis o tempo do homem ousado e audaz, aquele que cria e dança. Sim, a vossa tranquilidade está a chegar ao fim. Não vos fechareis mais no vosso mundinho, nas vossas casinhas. Agora é a doer. São tempos de revolução e de agitação.Celebremos. Tomemos a praça.

domingo, 23 de Novembro de 2014

A CORJA E O ESTADO MORIBUNDO

O caso dos vistos "gold", o caso BES e a detenção de José Sócrates indiciam a queda do Estado e do sistema. Essa corja de corruptos do PS e do PSD levam muito boa gente a pôr em causa a credibilidade dos políticos do sistema, dos banqueiros, do Banco de Portugal, dos grandes negociantes. Nunca se viu nada assim em Portugal. Ninguém confia em ninguém. O caos e a barbárie andam à solta apesar da aparente tranquilidade. Bem podem muitos permanecer no seu sossego nas vindas à confeitaria de domingo arrotar vidinhas e banalidades. O Estado e o regime estão em causa. Levantem-se a extrema-esquerda, como o Podemos, o Syriza e o MRPP, e os anarquistas. O país está em cacos. Do meio da sofreguidão mediática virá a rebelião. Sejamos os donos do nosso destino, das nossas vidas, como diz Zizek. Não, não nos limitemos a escolher entre o detergente A e o detergente B. Chegou a hora. O Estado capitalista está moribundo.

sábado, 22 de Novembro de 2014

SÓCRATES APANHADO

Os podres começam a vir ao de cima. A detenção de José Sócrates e os casos de corrupção associados ao PSD provam que os dois partidos do centro estão cheios de aldrabões, vigaristas, carreiristas e oportunistas. Não é legítima uma república, uma democracia burguesa como esta. Platão falava de um governo de filósofos, de homens justos, sábios, íntegros. Outros falam na democracia directa. É tempo de revolucionar, de mudar de regime, de afastar esta corja do Sócrates, do Passos, do Portas, do Macedo, do Marques Mendes. Com juízes corajosos o jogo começa a virar. Sócrates foi apanhado. Finalmente. Sempre tínhamos razão no que fomos escrevendo e lutando.

quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

EU SÓ QUERO VER O PODER A ARDER

O caos
A barbárie
Eu só quero ver
O poder a arder
De nada te vale
O dinheirinho
De nada te vale
O alto carro
O alto cargo
Os vidros partem-se
A polícia cai
Bem-vindos à anarquia
O poder caiu na rua
Vamos para a festa
Fazer a revolução
Eu só quero ver
O poder a arder
As pessoas a correr
Acabou o tédio
Acabou o sossego
Acabou o relógio
Eu só quero ver
O poder a arder
Dança, dama triste
A noite é tua
A noite é nossa
O jogo está a virar
Vamos ocupar a televisão
Rir e gozar a valer
Até isto cair de vez
Dança, dama triste
O teu tempo chegou
Não chores mais
O país está a ferro e fogo
Vamos dançar

Até o dia nascer.

segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

O CONTROLE

Eles entretêm-nos com o trabalho, com a TV, com lazeres controlados. Não querem que tenhamos tempo para pensar, para dialogar, para partilhar. Reduzem-nos a bestas de carga, a servos, a seres formatados. Fazem tudo para que não ponhamos em causa a máquina do dinheiro, da dominação, da castração. Daí que já rareiem as conversas elevadas, aquelas que falam do sentido de tudo isto, aquelas que falam da essência. Eles querem que o nosso divertimento seja contido, controlado, não querem que voemos. A educação é dirigida para o mercado, evita-se o conhecimento desinteressado, a elevação dos jovens, a busca da sabedoria. Eles querem que pensemos como eles, que nos moldemos à competividade, ao empreendorismo, à guerra de todos contra todos. Eles querem matar a nossa vida.

domingo, 16 de Novembro de 2014

O MAIS LOUCO DOS POETAS

Sou o mais louco dos poetas
Sou capaz de incendiar o mundo

As musas amam-me
Beijam-me na boca

E eu danço com Deus e Satã.

quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

PIOLHO

Estou no Piolho e estou só. O Piolho já não é o ponto de encontro da conversa e da discussão. Mantêm-se os gerentes- o Edgar e o Martins-, mantêm-se o Adriano e os outros empregados mas o Piolho parece ter perdido o encanto. Os clientes comem, bebem, tomam café. Lá fora chove. Logo à noite tenho o aniversário da Maria Tomé. Há indícios de que posso estar às portas da glória, tenho uma escrita original. Nem todos os poemas e textos são bons, claro. Tendo a repetir-me na prosa. No entanto, tenho consciência de que tenho coisas de muito valor desde os 18/19 anos. Alguns entretêm-se com os tablets e os portáteis. Eu mantenho-me fiel ao papel e à caneta. Estou a iniciar um novo caderno. Qual será o futuro dos meus cadernos? Há textos que não passo para o computador. Quando eu morrer ou ficar gravemente doente talvez alguém pegue neles. Sim, talvez me torne um gajo reconhecido não apenas em certos meios. Talvez devesse organizar uma antologia. Bem, não me sinto a morrer. Sou um dos poetas da cidade e de Braga, da Póvoa e de Vila do Conde. Vivo disto e das declamações. Quero ser um filósofo, um pensador. Na verdade, não me incluo no grupo dos normais. Tenho a minha loucura. Acho absurda a dependência do dinheiro, acho absurda a vida de sacrifício e de obrigações que muitos levam. No fundo, aos 16/17 anos já tinha a ideia. Já era crítico em relação à sociedade. Aprendi com o Roger Waters, aprendi com o Jim. Continuo a escrever. Escrever é a minha vida.

segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

CATALUNHA LIVRE E INDEPENDENTE

A esmagadora vitória (mais de 80%) do "sim" na consulta popular à independência da Catalunha prova que o povo catalão quer mesmo a independência face ao Estado espanhol e que, mais tarde ou mais cedo, a conseguirá. A Catalunha, tal como o País Basco, tal como a Galiza, tal como a Escócia tem uma identidade própria. Os resultados da consulta põem também em causa uma União Europeia que se reduz ao económico e ao financeiro e que está rendida ao imperialismo alemão. Não faz sentido esta União do capital e não dos povos. Não faz sentido esta dominação por parte de um bando de malfeitores, por parte de uns crápulas financeiros e políticos sem alma nem coração. Urge a verdadeira união dos povos a nível mundial na liberdade, na igualdade e na fraternidade, a união de homens e mulheres livres, soberanos, sem negociatas, sem corrupção, sem bandidos.

quinta-feira, 6 de Novembro de 2014

UM MUNDO DE POESIA

Um mundo livre, um mundo de homens e mulheres generosos que debatem e discutem na praça pública. Um mundo sem capitalistas, sem acumuladores de riqueza, sem ganância. Um mundo sem governos, sem poderes, sem polícias. Um mundo de prazeres, de criação, de festa. Um mundo que está na mente de alguns homens e mulheres. Um mundo que regressa ao uno primordial, ao amor, à vida interior. Um mundo onde todos possam ser poetas e criadores. Um mundo sem relógios e sem imposições. Um mundo de desejo e utopia. Um mundo de poesia.

segunda-feira, 3 de Novembro de 2014

A GRANDE REVOLUÇÃO

Cheguei até aqui. Produzi, fiz asneiras, criei. Ninguém me pode acusar de me ter vendido à máquina. Li os mestres, estudei, ouvi as bandas. O meu pensamento tem feito a grande viagem. Estou convencido de que consigo comunicar com algumas pessoas, que podemos descobrir novos reinos juntos. Que podemos debater tudo à volta da fogueira. Que a vida não se resume ao que os media nos impõem, nem à fatalidade da vidinha. Creio que a grande revolução é possível se as pessoas se encontrarem, se partilharem as suas experiências e a sua vida interior. Penso que temos capacidades prodigiosas, que temos o ouro dentro de nós. Não podemos viver acorrentados, reprimidos, deprimidos. A vida tem de ter uma verdade, um sentido. Não viemos só para trabalhar, para cumprir as horas. Não temos de aceitar o que nos vendem. Eles não são mais do que nós, pelo contrário. Eles são escravos do poder e do dinheiro. Não os invejo. Prefiro a minha liberdade, a minha utopia. Prefiro desenvolver as minhas potencialidades no papel, no palco. Sei-o, não sou o único. Continuarei a lançar ao mundo os meus escritos.

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

O PAPEL DO ARTISTA

"É esse o papel do artista: transportar-nos para lá da rotina desalentadora e entorpecedora da vida quotidiana", disse Anais Nin. É à criação, à vontade criadora, à viagem interior que compete afastar-nos do tédio, da rotina, da passividade televisiva. Por outro lado, há um mundo que se tornou demasiado objectivo, demasiado científico, demasiado tecnológico. Precisamos regressar à criança, à espontaneidade, precisamos encontrar a criança sábia de forma a atingirmos o novo mundo. O artista, o poeta tem a responsabilidade de provocar os seus semelhantes e o instituído, tem a responsabilidade de denunciar a sub-vida que os media, os poderes e a alta finança nos impõem. Porque, de facto, para a grande maioria das pessoas a vida é uma merda. Trabalham, curvam-se, obedecem. A compra e venda domina as relações. Está tudo no mercado e nos mercados. As pessoas compram e vendem-se. Não há brilho, não há vida interior, não há festa. 
Todos fomos crianças. As crianças dançam, cantam, pintam, escrevem poemas. Contudo, há um ponto na adolescência ou na juventude em que a escola e a família nos empurram para o mercado de trabalho, para a competição, para a guerra. Muitos de nós perdem-se, perdem a capacidade criativa, o fazer pelo gozo de fazer sem estar condicionado por objectivos. Deixam de ser potenciais artistas. Deixam de gozar a verdadeira vida.

domingo, 26 de Outubro de 2014

DA ESCRITA E DA LITERATURA

"A literatura ensina-nos a falar uns com os outros. Foi pela escrita que ensinei a mim própria a falar com os outros", afirma Anais Nin. A literatura, a boa literatura, transforma-nos, enriquece-nos. Certos livros, como "Assim Falava Zaratustra" de Nietzsche ou "Plexus" de Henry Miller, dão-nos mesmo a volta à cabeça. Nunca mais fomos os mesmos. A nossa vida interior entra em contacto com a verdade, com o sublime, com o encantador. Também o acto da escrita nos liberta, nos faz crescer. Julgo que ficamos mais perto do amor. Evoluímos ao desenvolver as ideias, as imagens, ao passá-las para o papel. Ao mesmo tempo, descobrimos novas paisagens. A escrita e a leitura permitem-nos abordar novos temas, encontrar novos tópicos de conversa, abrir a mente. Atingimos o tesouro interior, entramos em contacto com a musa. Tornamo-nos também homens melhores, mulheres melhores, criadores. Devemos partilhar o que sabemos, o que aprendemos de forma a criar um novo mundo, um novo homem. Devemos unir-nos na arte e na palavra.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

O RISO LIVRE

As pessoas deveriam dançar mais, soltar-se mais, falar com o desconhecido, não se fechar no grupo. Deveriam contar histórias em redor da fogueira, expor-se mais, rir mais. Um rir que não seja estúpido, um rir autêntico do fundo da alma, um rir absolutamente livre, sem obrigações nem castrações. Um rir que volte à curiosidade, à infância que tem sido estragada pela troca mercantil. Um festim permanente que fuja ao controlo da vida burguesa. Um voltar à utopia, à juventude perdida. Um voltar à rua que é nossa e não dos poderes. Um caminhar livre como no princípio do mundo. E, ao mesmo tempo, um espírito crítico que não aceite as convenções nem os dogmas. Que não se renda à fatalidade, ao fado, às ideias feitas. Que não se deixe vencer pela rotina.

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

A IDEIA

Reina a moral do forte e do fraco, do que tem e do que não tem, a luta competitiva daquele que ganha e daquele que perde. Segundo Raoul Vaneigem, a felicidade desdenha a competição e a concorrência. Ignora as noções de sucesso e fracasso. A felicidade é a alegria primordial, é o contar histórias em redor da fogueira, sem grupos fechados, sem fronteiras. A felicidade é a comunicação mas é também o acto de pensar livremente. Aliás, temos o direito de passar a vida a pensar. Pensar é um "trabalho" como qualquer outro. Não perdemos por isso o direito de pisar a Terra. Não temos de ganhar ou perder, podemos abandonar o jogo, atirar a bola para fora. Não temos que seguir o mediático nem a moda. Procuramos o ouro, o sublime. Eles existem dentro de nós. Mas nós procuramos também o amor. A mulher que passa. Não entramos em campeonatos. Não somamos pontos. Nós criamos, nós debatemos a ideia.

sábado, 18 de Outubro de 2014

UM NOVO COMEÇO

No meio dos burgueses escrevo. A empregada traz o cinzeiro e sorri. Sou um dos poetas da cidade. O mais louco deles todos, certamente. Contudo, raramente o mostro. Mantenho a pose do intelectual distante. Solto uns berros nas sessões de poesia e em algumas discussões. Mas sou tendencialmente um solitário, um homem só. 
Está tudo à espera não sei de quê. Vão-se cumprindo os dias. Bebem-se uns copos. O trabalhinho. Todavia, não se passa disso. Uns sorrisos aqui e ali. Nenhum grande pensamento. Nenhum gesto memorável. Não há aquela alegria primordial, aquele espírito dionisíaco. Há mulheres bonitas, sim. Mas falta qualquer coisa. As coisas repetem-se. Não há a tal explosão que abane as consciências. Falta loucura, loucura sábia. Falta que algo rebente, que bombardeie a rotina. Falta o inesperado. A conversa inesperada. Falta uma nova voz. Um novo discurso. Uma nova luz. Falta um novo homem, uma nova mulher, um novo começo.