quinta-feira, 11 de maio de 2017

A FÉ E O AMOR

Como afirma Ludwig Feuerbach em "A Essência do Cristianismo", tal como a razão, o amor é de natureza livre e universal, enquanto que a fé é de natureza estreita e limitada. Foi a fé, e não o amor, que inventou o inferno. Para a fé, o que os cristãos fizeram de bom não foi obra do homem mas dos cristãos e o que se fez de mau foi da responsabilidade do homem e não do cristão. Como se tem provado ao longo dos séculos, a fé passa muitas vezes a ódio e a perseguições, opondo-se ao poder do amor, da Humanidade, da justiça. Pelo contrário, o amor não conhece outra lei senão ele próprio. É divino por si mesmo. O próprio homem é objecto do amor pelo facto de ser fim em si mesmo, um ser capaz de razão e de amor. "Quem ama o homem pelo homem, quem se eleva ao amor do género, ao amor universal (...), esse é Jesus, o próprio Jesus", conclui Feuerbach.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

UTÓPICO?

Dizem que eu sou utópico. Mas eu já fui a tribunal e à Judiciária por motivos políticos. Foi por causa da queda da estátua do major Mota na Póvoa de Varzim e por causa do blogue "Povoaonline" que acusava o antigo presidente da Câmara da Póvoa, Macedo Vieira, de corrupção. Por isso não sou assim tão utópico. Também sou um homem de acção. E poderia contar outras histórias. Claro que me orgulho de ser um homem de ideias e de ideais.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

DESAPARECEI DA VIDA!

"Os importantes, os potentes, os senhores da terra, vocês têm motivos para se preocuparem! Ouçam-nos! Dégagez! Dégagez! Dégagez! Saiam! Vão-se embora!", vocifera Mélenchon. A Europa treme com o tribuno. O centrão definha a olhos vistos. É a extrema-esquerda contra a extrema-direita. A União Europeia dos negócios, capitalista, dá as últimas. Ponde-vos a pau, ó senhores da Terra e da guerra. O vosso reino está a chegar ao fim. Sim, está a chegar ao fim a podridão, a vigarice. Sim, a Prima Vera dança. Sim, a Carlinha. Sim, a Gotucha. Ó negociantes, ó mercadores, abandonai a vida! Dégagez! Ó profetas da morte, quase nos tirastes a vida, a alegria da vida. Quase nos fizestes a cabeça. Apesar de tudo, os macacos continuam a trepar. Ainda não se aperceberam do que se passa. Mas os comentaristas já. E que medo sentem. Medo do espectro do velho Marx. Medo do espectro de Bakunine. Ah, ah, ah, vou-me rir, rir a valer. Que gozo me dá vê-los cair um a um.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

O TERRORISMO DE TRUMP

Terrorismo contra terrorismo. As bombas de Donald Trump são tão terroristas como as bombas do Daesh. As bombas de Trump também matam inocentes. Não nos bastava termos uma sociedade desumana, onde se morre de fome e de tédio, e agora temos um carniceiro na Casa Branca. Um carniceiro, um fascista, que só tem negócios na cabeça e que quer dar cabo da Humanidade. Não, não podemos ficar de braços cruzados a assistir. Mobilizemo-nos. Saiamos para a rua. Este Trump e estes demónios capitalistas querem reduzir-nos a números, coisas, mercadorias. Não deixemos que eles nos ponham doentes, depressivos. Não deixemos que eles nos matem. Resistamos.

domingo, 9 de abril de 2017

DA BARBÁRIE AO FESTIM

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Observo as pessoas, agora na cidade. Há uma aparente calmaria. Andam de um lado para o outro, prosseguem as suas vidas. No entanto, nota-se a mecanização dos gestos. A bomba pode rebentar. A tranquilidade é falsa. Sim, há o apelo do sexo. Há o álcool que acende. Há os amigos e conhecidos que vemos em alguns dias. De resto, o mundo é absurdo, aborrecido. Sempre toxicodependentes do dinheiro. As pessoas imitam-se umas às outras. Não procuram os verdadeiros tesouros da vida. Fingem que estão bem, que são felizes. Sempre na fila, aparentemente adaptadas. Mas o medo reina. O medo de perder tudo. As famílias. A reprodução. A descendência. O animal mesclado com o humano e com o mecânico. A doença. A grande doença. Ainda estamos aqui vivos. Ainda comunicamos. Não necessariamente por palavras. Tão iguais. Tão diferentes. A vida prossegue, mesmo com bombas. E cá voltamos todos os dias. Claro que não falo daqueles que vivem a miséria todos os dias. Esses estão numa condição sub-humana. Mas não estaremos nós também? Estes gajos tentam fazer-nos a cabeça todos os dias. Estes gajos tentam enlouquecer-nos. Ou fazer de nós máquinas de produção. E lá continuamos a andar de um lado para o outro. Muitas vezes vendêmo-nos. Porque fazemos filhos? Porque continuamos a espécie? Homens como Sócrates, Jesus, Marx, Nietzsche, Bakunine ou Che Guevara não aparecem todos os dias. Claro que podemos acreditar num novo homem, num novo espírito, numa nova educação. Numa educação que leve as crianças e os jovens a buscar o bem, a criação e a sabedoria. Contudo, continuo a vê-los passar, a vê-los sentados a conversar, a vê-las exibir os corpos, e tudo permanece na mesma, tudo permanece exactamente na mesma como se isto não estivesse prestes a explodir. Bom, é certo que se sentem aliviados do trabalho. Mas o trabalho volta sempre no dia seguinte, tal como no mito de Sísifo. É tudo uma ilusão. E há muitos que só falam de trabalho. Ainda me entediam mais. Prosseguem sempre a caminhada rumo a um deus ou ao desconhecido ou ao completo sem sentido. Que viemos cá fazer? Porque não nos sentamos e discutimos estas questões? Porquê a separação, sempre a separação? Estou rodeado de gente e estou cada vez mais só. Nem a cerveja me salva. Mas eles continuam a sorrir como se nada fosse, como se não hão houvesse bombas na Síria e aqui riscos de apocalipse e explosão. Estou a tornar-me um eremita no meio da cidade com um esquizofrénico à minha mesa. De que me vale a inteligência, meu pai? Só teatro, fingimento, representação. Oxalá a minha cabeça explodisse. Não suporto mais as conversas. Não sou a estrela do rock n' roll. Vejo os amigos e as amigas de vez em quando, é o que é. De resto, há mesmo gajos hostis. Apetece-me rebentar com esta merda toda. Isto não é o justo, não é o virtuoso, não é o bem, não é o amor. São personagens que passam.
O relógio. Sempre o relógio. Não há festa. Não há orgia. Não há tambores. Não há celebração. Sempre o quantitativo. Sempre o matemático. Sem toque. Sem carinho. Dou em doido. Apetece gritar. Uns comprimidos aqui e ali. Uns sorrisos. Nada mais. A depressão espreita. Falta-me a outra metade. O dinheiro sempre a circular. A merda sempre a circular. Inferno. Que farsa. Que loucura. Não, isto não serve. Não vim para sofrer assim. De que me valem as glórias passadas? Malditos sejais, ó profetas da morte! Deixa ver se me consigo levantar. Se o sangue ainda corre. Talvez a minha loucura me salve. Talvez a minha louca sabedoria nietzscheana. Sim, ergo-me com o álcool no Piolho. Contudo, o Piolho já não é o que era. Travei aqui grandes discussões políticas. Lancei livros. Disse poesia. Mas agora há uma sensação de vazio. Mas, porra, eu tentei.
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Hoje sinto uma estranha serenidade. O livro avança. Contrariamente a ontem, sinto a vida pulsar. Estas pessoas não atingem mas são amáveis, simpáticas. Terei que falar a linguagem do profeta. Terei que lhes tocar o coração. Afinal, é o amor que nos mantém de pé. O amor e a liberdade. Depois dos Trumps, dos terrorismos, da lavagem ao cérebro, depois da descida aos infernos virá a terra prometida. Hoje acredito no super-homem. Naquele que tomará conta da Terra, que cuidará dos homens, dos animais e da Terra. Mesmo estando só, sinto poderes interiores e celestes. Sou o tal xamã urbano. Dialogo com os espíritos. Sou feliz no meu festim.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

VIDAS VAZIAS

Vejo pessoas carregadas de trabalho, com dois empregos para subsistir. Que qualidade de vida podem ter essas pessoas? Que tempo lhes sobra para a verdadeira vida? É o capitalismo assassino que rouba o tempo, que rouba a vida. As pessoas sofrem, queixam-se mas não se unem. Fecham-se no grupo fechado, na família. E a maioria leva uma vida estúpida, sem paixão nem luz. Mesmo que haja amor dos pais em relação aos filhos, entre casais, entre namorados, esse amor é sempre contido, é sempre controlado por imposições sociais. A liberdade é sempre cortada pelas normas, pelas regras, pelo "Big Brother". Parece que só nos soltamos quando bebemos uns copos a mais, quando dançamos ou quando vamos a concertos rock. E, ainda assim, há sempre as marcas, a publicidade omnipresentes. De facto, a nossa vida é muito incompleta. Nada tem a ver com o criador de Nietzsche ou com o filósofo-rei de Platão. A maior parte de nós veio ao mundo para se arrastar, não para cumprir qualquer missão. A maior parte de nós veio para uma vida sem sentido. Daí os suicídios, daí as depressões.

domingo, 26 de março de 2017

BARCOS

Há barcos a navegar
no meu cérebro
conversas ao longe
nevoeiro
De onde venho?
Porque tenho poderes?
Porque não me contento?
Há incêndios em mim
comando exércitos
praças conquistadas
os macacos afogam-se
não leram o livro
reino
devoro-lhes a alma
ah! Sois tão dóceis,
pequenos merceeiros
voo sobre vós
como a águia
canto o caos
e o apocalipse
o novo reino
sobre a Terra.

quinta-feira, 23 de março de 2017

O CAOS

É o caos. Fanáticos de Alá, fanáticos do dinheiro, extrema-direita. Eles batem-se na arena. Sofrem os inocentes. Mas os inocentes também se batem na corrida pelo lugar, pelo dinheiro. Há vendilhões por todo o lado. Os vermes do mercado vendem pai e mãe todos os dias. Imagens. Confusão. Esquizofrenia. Uns acumulam milhões, outros na miséria. Offshores. Corrupção. Patifaria. Parecem poucos os homens bons. O medo reina. 
Caos. Atentados. Guerras. Vigilância. Onde está o amor? Onde está o gesto desinteressado, generoso? Tudo é finança, negócio, ausência de sentimentos. Querem-nos controlar os actos, o pensamento, querem-nos enlouquecer. É o caos. Mas do caos também pode vir a insubmissão, a revolta. O homem não pode mais aceitar não ser livre. O homem ainda pode ser o seu próprio deus.

quinta-feira, 9 de março de 2017

O DECLÍNIO DOS IDEAIS UTÓPICOS

No mundo actual, as ideias utópicas, as ideias de um mundo para todos onde os recursos naturais e outros não são só pertença de uma ou duas gerações mas também das gerações vindouras são claramente minoritárias em favor de políticas governamentais que se preocupam apenas com o equilíbrio orçamental e com outros assuntos financeiros. A ideia de fé no futuro sobrevive somente nos campos científico e tecnológico, tendo-se relegado as utopias políticas, sociais ou artísticas para um plano muito secundário. Mesmo a noção de humanidade como espécie que deveria usufruir, na sua generalidade, da vida, da liberdade e da felicidade se tem perdido em relação aos séculos XVIII, XIX e XX. Além do mais, verifica-se um recrudescimento dos projectos fascistas, racistas e de extrema-direita que ameaçam tomar o poder em países como a França e a Holanda- e já o fizeram com Trump nos EUA- precisamente devido à prevalência de uma sociedade capitalista sem valores nem ideais, unicamente preocupada com o económico-financeiro e que tanto os partidos ditos socialistas ou sociais-democratas como os de direita têm representado. Urge lutar nas ruas e dar a conhecer os grandes pensadores e os grandes artistas de modo a inverter a tendência, de modo a fazer triunfar os grandes ideais utópicos e a ideia de humanidade como um todo de que todos fazemos parte como cidadãos do mundo e do universo.

sábado, 4 de março de 2017

O PAPEL DA EXTREMA-ESQUERDA

José Sócrates, Ricardo Salgado, Carlos Costa, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, Paulo Núncio, Maria Luís Albuquerque, Assunção Cristas. Uma corja de vendilhões, de bandidos. Ricardo Salgado é apontado pelo Ministério Público como o principal corruptor de José Sócrates. O empresário luso-angolano Hélder Bataglia revelou ter recebido instruções expressas do ex-banqueiro do BES no sentido de se encontrar com Carlos Santos Silva, o amigo de Sócrates, e fazer-lhe chegar 12 milhões de euros na Suíça que depois seguiram para o ex-primeiro-ministro. Com o caso "Marquês" e com os offshores o país está a arder. O caos está instalado. Marcelo está atrapalhado. Olha os gajos lixados, a fugir às perguntas. O povo pode acordar e os sectores mais radicais da esquerda e os anarquistas podem reforçar-se. Saibamos interpretar os factos. Saibamos pegar fogo ao poder e ao dinheiro. Saibamos jogar o jogo, de uma vez por todas.

quarta-feira, 1 de março de 2017

JUVENTUDE

Haja juventude. Finalmente, juventude. Morte às famílias! Morte ao tédio! Viva o Carnaval! Miúdas bonitas, loucas no concerto, na performance a gingar. Morte às velhas! Viva o Croft! Viva a festa! Viva o Whisky! Fora com os mexericos. Fora com os vizinhos. E que se foda o dinheiro! É mesmo para estoirar. Estais mortos. Viveis mortos. Porra, prefiro mil vezes a juventude irresponsável aos caretas. I wanna give you my love. Canta o Plant. A vida a fluir no meio do deserto. Morrison, alive she cried. A tua conversa já me interessa, miúda. Trabalhar? Que trabalhem os outros. Eu não trabalho, eu crio. Eu danço como Zaratustra. Sou o deus que dança e ri. Não dançais, minhas bacantes? Estou como o Jim Morrison. Só não tenho a conta bancária dele, não é, ó Lacerda moralista? No entanto, vimos todos dos mesmos céus, das mesmas estrelas. Sou como Morrison, como Nietzsche, como Plant, como Curtis. Sou inspirado, iluminado, como disse a menina. Ao menos aqui vêem-se gajas novas. Não é a pasmaceira do costume. A cerveja arde. Só as miúdas dançam.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

A CIDADE LIVRE DE ZECA AFONSO

Mesmo antes de nascermos a "sociedade" já determina uma boa parte do que vamos ser. Mesmo antes de nascermos já somos dinheiro e trabalho. Mesmo antes de nascermos a vida já está algo deteriorada. E depois metem-nos o medo, a insegurança, a ignorância na cabeça. Poucos conseguimos ser nós mesmos. Poucos somos como Sócrates ou Jesus. Cedo nos privam da juventude e da infância. Cedo nos impõem "juízo". E só às vezes nos libertamos: concertos rock, danças, rebeliões, manifestações políticas ou artísticas. Urge, urge mesmo acabar com esta prisão que nos sufoca e com os nossos carrascos no sentido de construir a cidade livre que cantava Zeca Afonso.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

PREGUIÇA MENTAL

Penso que é um caso de preguiça mental. As pessoas não se esforçam, acomodam-se, não querem saber mais. Isso passa-se com muita gente. Mesmo com gente licenciada que se recusa a pegar num bom livro depois de acabar o curso. Depois dá nisto: somos governados e controlados por imbecis. Gente incapaz de discutir uma ideia, de estabelecer um diálogo produtivo. Só se agarram ao dinheiro, ao poder e à sobrevivência. Não vivem o presente, não criam, não celebram. Passam a vida numa competição feroz, devoram-se uns aos outros na arena. Tudo porque não são capazes de se elevar, de buscar a sabedoria.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

XAMÃ URBANO

No café da Vera. As coisas até me correm de feição. O Nelson de Oliveira chama-me xamã urbano desde o Brasil. O livro deve estar a sair. Sim, segui uma via errática mas fui construindo um caminho, uma "carreira". Fiz por isso. Às vezes abusei. Provavelmente teria que o fazer. Segui ideias, ideais. Mudei de partido, de concepção política. Presentemente só acredito numa federação de comunas livres ou num governo de filósofos, como Platão. De resto, vejo o povo agarrado ao dinheiro. Nem sequer têm noção de que o poder e as armas têm mais importância do que o dinheiro. No entanto, só dão valor ao dinheiro. Claro que o poder corrompe. Só aqueles que estão desapegados do poder como Sócrates ou Jesus se dirigem aos outros, aos poderosos, como se tivessem poder. Sem armas, é esta a via que devemos seguir. Falar como os xamãs, como os profetas. O Nelson de Oliveira afirma que eu ridicularizo isto tudo: o capitalismo, os media, as vedetas, a corrida feroz em que vejo os humanos envolvidos. Mas eu tenho momentos de fraqueza. Não sou sempre Diógenes nem Zaratustra. Bom, pelo menos, sou um poeta com uma história. A minha vida não tem sido em vão.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

NÃO ACEITAMOS A NÃO-VIDA

Sim, caro Vítor, a maioria das pessoas não se interessa pelos temas fundamentais. Não põem em causa a alienação capitalista, nem têm uma visão espiritual das coisas. Às vezes parece que andamos a pregar no deserto. No entanto, ainda acredito que os jovens e as crianças podem transformar o mundo. Por isso é que o sistema se preocupa tanto com as crianças, que as ocupa tanto, que lhes retira o tempo de jogo, brincadeira e invenção. Sim, caro Vítor, não tenho dúvidas de que temos razão. Não embarcamos na linguagem mediática e superficial dos comentadores. Aprofundamos as questões. Filosofamos. Detestamos o útil, o prático, o pragmático. Não aceitamos a não-vida do tédio.