sexta-feira, 29 de maio de 2015

FILOSOFIA E "VIDA PRÁTICA"

Certa gente das classes populares diz que somos uns teóricos, que não passámos pelas coisas, que só nos baseamos nos livros, nos médicos, nos cientistas e nos filósofos. É assim em relação ao álcool e às drogas. A verdade é que, para o bem e para o mal, temos a dupla experiência. Sobretudo em relação ao álcool. As psiquiatras e as psicólogas bem dizem para deixarmos de beber de um dia para o outro. Tal é impossível. Só se me começar a doer qualquer coisa ou se apanhar uma doença. Há dias em que beber cerveja é como beber copos de água. Vai uma e outra e mais outra, não pára, desde que não fique enjoado. Dizem-me que os ingleses bebem até cair, é a maneira deles celebrarem. É o “No Future” dos Sex Pistols. Será por isso que torço pelos clubes ingleses e pela selecção de Inglaterra? Será que tenho sangue inglês? Bom, de qualquer modo, muitos desses espertinhos que por aí andam, esses espertinhos que desprezam os livros e o saber livresco pouco ou nada sabem, pois não se interrogam sobre os verdadeiros problemas da existência nem problematizam a sociedade, dão uns palpites, mais nada. E, pior do que isso, recusam-se a aprender, quedando-se pela ignorância.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

É TEMPO DE ZARATUSTRA

Braga, casa da Patrícia. Bebo sangria. Queria passar uma mensagem de esperança no novo mundo. Apesar de ver muitos a cair. Quanto a mim, bebo e não fico bêbado. Um dia destes vou-me tramar. Mas também o que me resta? O mundo dos normaizinhos, daqueles que não são capazes de um pensamento elevado. Daqueles que dão o cu ao capital, daqueles que se vendem todos os dias. Não, mil vezes não! Não quero essa vida. Eu venho dos mestres. Eu bebo do cálice do excesso e da sabedoria. Não, não me confundas com eles, com os capitalistas. Eu não sou sequer da mesma espécie. Já na infância era diferente. O meu pai sabia. Eu posso ser igual aos maiores. Elegi como inimigos os que amam o poder e o dinheiro. Odeio os que castram e os que controlam. Sou o homem da liberdade. Eh, poderosos, daqui vos desafio! Não passais de um bando de um imbecis endinheirados encerrados nas vossas torres. A mim não me enganais pois nada tenho a perder. Aliás, começam a chegar os meus dias. Mas vós, vós aí, que só quereis sol, praia e boa mesa, que não vos importais, que não pensais, que não questionais, a vossa vidinha está a chegar ao fim. É tempo de Zaratustra. Do homem que voa e agita. Começamos a perder o medo. Enfrentamos os merceeiros e os agiotas. É nosso o Grande Meio-Dia. Amamos, sim, amamos. Somos espírito e coração. Rimo-nos de desprezo nas vossas caras. Venceremos, sim, venceremos.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A PEQUENA MINORIA

A luta actual é uma luta pela posse da mente dos homens, escreve Erich Fromm. Uma luta desigual visto que que nós não controlamos os media, nem a família, nem a escola. Apenas publicamos uns textos aqui e ali em nome próprio ou do partido, apenas dizemos uns poemas em bares e noutros lugares, apenas temos umas discussões com amigos, conhecidos ou eventualmente desconhecidos. Sabemos que há pais e professores que ensinam aos seus filhos e alunos o caminho da sabedoria ou andam lá perto, mas são uma minoria, uma pequena minoria. É isso que somos: uma pequena minoria. Esta tarde, em Braga, n’ “A Brasileira”, onde desejaria passar o resto dos meus dias constato que somos uma pequena minoria. Uma pequena minoria que se apercebe, que apesar de nos ser permitido escrever livremente n’ “A Brasileira” e de publicar estes escritos no Facebook, no “Fraternizar” e, em alguns casos, na página do leitor do “Jornal de Notícias”, que a democracia burguesa é uma farsa, que apesar de depositarmos o boletim de voto na urna o nosso voto é apenas um entre 8 ou 9 milhões e quem manda realmente no país são personagens que não elegemos como os banqueiros ladrões, os especuladores, os capitalistas, a Ângela Merkel, o Obama, os burocratas de Bruxelas. Vejo, meus amigos, que apesar da aparente tranquilidade das pessoas, o medo impera e com ele os vários tipos de violência. Não, não estamos em Atenas nem sequer numa Roma sem escravos nem imperadores. Não há diálogo com o desconhecido. Há mulheres bonitas. Há crianças. Há brincadeiras. Há sorrisos. Há Braga. No entanto, a corrida prossegue. A luta pelo lugar, pela existência. A barbárie capitalista. Não faz sentido estar sempre a correr atrás do dinheiro. Não faz sentido ser escravo de coisa nenhuma. Não faz sentido ser prisioneiro do absurdo. Eu penso, porra! Eu tenho ideias próprias. Exijo o paraíso, exijo o céu na Terra! Nenhum polícia me impede de exigir o paraíso, nenhum capitalista me impede de exigir o céu na Terra! Esta tarde, aqui em Braga, n’ “A Brasileira”, renasço. Poderia ir gritar para a rua. Acordai, imbecis! O paraíso está à vista! Dêmos as mãos, companheiros, companheiras. O capitalismo é um tigre de papel. Tudo desaba. Podemos vencer a batalha da mente. Sim, podemos. Prossigamos a nossa viagem. Espalhemos a Boa Nova. Continuemos a escrever e a fazer política, a discutir, a dizer poesia. Continuemos a procurar os media. Precisamos deles mesmo que sejam nossos inimigos. Sim, estamos na estrada certa. Contudo, precisamos dos nossos companheiros, das nossas companheiras. Precisamos formar um movimento. E, sim, precisamos de dialogar mais com o desconhecido como Sócrates, como Jesus. Precisamos passar a mensagem.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

OBEDECE. ACEITA.

O êxito individual e o lucro financeiro a curto prazo, eis os valores do capitalismo de inspiração norte-americana. Salve-se quem puder, que os pobres e os doentes vão trabalhar em vez de esperarem auxílio do Estado, em vez de se entregarem ao vício e à preguiça. Não penses que os comentadores televisivos pensam por ti, que os actores das telenovelas vivem por ti, que o Passos, o Portas e os grandes empresários pensam por ti. Deixa-te levar. Estamos no paraíso. É uma maravilha. Toda a gente ama toda a gente. Ninguém se atropela. Sacrifica-te. Trabalha. Cumpre as horas e as tarefas. Não vieste cá para questionar nem para ler livros. Sê igual aos outros. Segue a felicidade da maioria. Obedece. Porque hás-de pôr em causa? Vê séries e filmes americanos, concursos imbecis. Para que te hás-de preocupar? Quem se preocupa? Segue o rebanho. Consome. Faz o teu trabalho. Sê uma máquina. Esquece os livros que leste. Adapta-te. Sê mais um. Não levantes ondas. Olha para a TV. Absorve as imagens. Engole. Aceita.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

O POETA DE AGOSTINHO

Sou reconhecido como poeta
Mesmo aqui em Vilar do Pinheiro
Vou falando com mais gente
Ontem estive com novos amigos
No “Pinha Doce”
Bebi bastante
Depois da reunião do partido
Partido que vai ter uma surpresa
Mas, afinal de contas,
Sou um homem livre
Preciso divulgar as minhas ideias
Não vou ficar parado
Sou um homem livre
Nada está acima de mim
Nem Deus nem Estado
Precisava, sim, de uma mulher
Que me amasse
Elas vão seguindo a minha carreira
Mas poucas se aproximam
Enfim, será uma questão de tempo
O poeta vadio
O poeta de Agostinho

sexta-feira, 15 de maio de 2015

47 ANOS

47 anos. O percurso de uma vida. Cometi as asneiras, os erros que cometi. Tive que cometê-los. Não me arrependo. Foi um longo percurso desde o menino tímido da escola primária até aqui. Os meus pais esperariam de mim outra carreira quando eu estava no liceu e tinha boas notas mas depois veio a doença e veio a minha mudança quase total. Os Pink Floyd, os Doors, Nietzsche, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa. As saídas à noite em Braga, a rádio, os concertos. A revolta contra a Faculdade de Economia, contra a economia em si mesma. A Faculdade de Letras, as listas R e Z para a associação de estudantes, o JUP, a luta anti-praxe e anti-propinas, o Piolho das tertúlias, a noite do Porto, o Luso, a política, o PSR. Sim, fui crescendo. A Leonor em Braga. A casa da Rua Nova de Santa Cruz. Sim, fui construindo. Hoje sou poeta, escritor, pensador, cronista, diseur, performer. Ainda não cheguei onde quero chegar mas já produzi 13 livros, já dei muitos espectáculos, já cheguei a muita gente. Sim, hoje sinto-me mais senhor. Vejo muitos a caírem na droga, no alcoolismo, na depressão. Vejo um mundo cruel de servos e senhores. Vejo-me à mesa a beber. Sou o poeta marginal, maldito, não sou do mainstream. Ainda que apareça nos jornais.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

NA CONFEITARIA DA CASA

Na “Confeitaria da Casa”
Às cinco da tarde
O poeta pensa
Pensa que há dias
Em que vive noutro mundo
Um mundo fora da vida prática
Do útil
Do dinheiro
Tal como Platão e Aristóteles
O poeta despreza o dinheiro
Acha que a avidez do lucro
Destrói o homem
O poeta pensa
Num grande banquete gratuito
Onde os homens se sentam à mesa
E discutem filosofia e literatura
O poeta pensa em Sócrates e em Jesus
Na bondade, na vontade, na liberdade
O poeta tem tido visões, iluminações
Trilhou o seu próprio caminho
Rumo à noite
Rumo aos bares
E, de vez em quando,
Tem conversas que elevam
Conversas que falam
Da alma, do espírito
Da vida interior
Na “Confeitaria da Casa”
O poeta cansa-se do tédio
Da vida previsível
Que os homens levam
Dos inimigos da vida
Que não nos querem
Deixar viver
Acha-os imbecis
Porque não vêem a flor
Porque não vêem o amor
O poeta é um criador
Tem em si
O belo
O maravilhoso
A divindade
E dança
Ah! Como dança!

sábado, 9 de maio de 2015

O HOMEM AMEAÇADO

A somar ao caos e à barbárie capitalistas, o planeta está em perigo, o homem está em perigo. Como diz Leonardo Boff, nos seus discursos oficiais os chefes de Estado, os empresários e os principais economistas quase nunca abordam os limites do planeta e os constrangimentos que isso pode trazer para a nossa civilização. Não queremos que os nossos filhos e netos, olhando para trás, nos amaldiçoem porque sabíamos das ameaças e pouco ou nada fizemos para escapar da tragédia. Temos estado a destruir a natureza e a consumir ilimitadamente. Teremos que respeitar os ciclos naturais. Só temos feito remendos perante um caso de vida ou de morte. Daí que coloquemos a questão. Devido à incúria dos poderes nos próximos 10, 20, 30 anos poderemos assistir a grandes catástrofes naturais e a grandes epidemias que destruirão o capitalismo e obrigarão o homem a reorganizar-se. Talvez então caminharemos, ou então seremos forçados a isso, para o comunitarismo ou para o anarquismo. Como disse Sartre, o homem ou luta pela liberdade ou aceita ser uma coisa.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O DEUS-DINHEIRO

Eis o que significa venerar o deus-dinheiro, segundo George Orwell. Arranjar uma ocupação estável, triunfar, vender a alma por uma moradia. Converter-se no dócil cidadão que chega a casa às 8 para comer empadão com carne e ligar a televisão. A maioria dos empregados é do tipo duro, americano e empreendedor- o tipo para o qual nada no mundo é sagrado, excepto o dinheiro. O dinheiro comanda tudo, divide os homens, divide-os em classes. Nunca uma sociedade adulou tanto o dinheiro. Não é justo que um homem pise a Terra para viver na miséria. Não é justo ver esses ladrões nadar em milhões. Temos o poder do pensamento, da ideia, de compreender o mundo, não é justo que estejamos aqui a contar os trocos. Nem temos que levar uma vida estúpida. Porque a vida é celebração, festa e também busca da sabedoria. Não queremos ser escravos do dinheiro, nem do que quer que seja. O dinheiro é o contrário do amor.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

BEBO

Bebo e vou continuar a beber
Porque tu não me queres
Porque tu te afastas
E o álcool é o único remédio
A única cura
E eu sou o poeta bêbado
O poeta beatnick
Deixei de ser hippie
Há uns anos
Escrevo com toda a raiva
Aqui n’ “A Brasileira”
Pode ser que ainda telefones
Que dês sinais de vida
Ainda te amo
A loucura por vezes
Apodera-se de nós
Não sei explicar
Bebo e vou continuar a beber
À saúde dos bêbados
Dos desalinhados
É pena que venha o Marques
E não a empregada bonita
Bonita como tu
Que agora não me queres
Por isso bebo
Ninguém tem nada com isso
Sou poeta
Escrevo versos
E digo-os em público
Não suporto polícias
Nem controleiros
Nem que me digam
O que fazer
Sou poeta
Escrevo versos.

domingo, 26 de abril de 2015

A REVOLUÇÃO PERMANENTE

Segundo Herbert Marcuse, a tecnologia tornou-se um inaudito instrumento de coerção. Os média e os computadores que controlam os nossos pagamentos e movimentos na Internet constituem o moderno "Big Brother", a nova polícia. A sociedade brutalizou-se, desumanizou-se. Na TV assistimos a programas imbecis que nos fazem a cabeça e nos afectam a inteligência. Aparentemente nada é imposto. Mas acabamos por ser levados. Meus amigos, é uma questão de vida ou de morte. A nossa sociedade nega um mundo verdadeiramente novo e, portanto, o indivíduo deve travar uma oposição total contra o sistema, não em nome de uma classe, mas em nome do género humano ameaçado de destruição, como diz Rudi Dutchke. Quanto mais as "democracias" se tornam manipuladas, quanto mais se transformam em democracias controladas e tendentes a limitar os direitos democráticos, as liberdades e as possibilidades dos cidadãos, tanto mais se torna necessário acompanhar o nosso trabalho com uma oposição extraparlamentar, acrescenta Marcuse. Não somos, portanto, contra a participação nas eleições burguesas nem contra a entrada no Parlamento a fim de divulgar as nossas ideias. No entanto, pensamos que há um trabalho extraparlamentar a fazer junto dos estudantes, dos intelectuais, dos operários, da pequena burguesia. Um trabalho de revolução permanente.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

A MALVADEZ DAS TELENOVELAS

As telenovelas ensinam a malvadez, o passar por cima. Ao mesmo tempo, junto com a publicidade, atiram-nos para uma falsa felicidade. Tem que estar sempre tudo bem. Se te deprimes, se estás triste, és posto de lado. Quando, na verdade, há cada vez mais gente infeliz, com doenças mentais. E a culpa não é nossa, ao contrário do que dizem certos psiquiatras ou psicólogos. A culpa é de um sistema que atrofia, que está nas mãos de um punhado de imbecis que controlam a finança, a política e os media. Quem são eles mais do que nós? Que direito têm eles de controlar as nossas vidas? Nós viemos de graça. Nós viemos desfrutar da vida. Não viemos competir, não viemos guerrear-nos uns aos outros em busca do emprego, do estatuto, da carreira. Nós não somos escravos da TV, nem dos relógios, nem da máquina. Nós temos que discutir estas coisas, reflectir sobre elas. Só assim seremos senhores de nós mesmos. Senão eles vão tomar conta das nossas mentes. Senão vamos ficar sós, infelizes e frustrados. Senão nunca mais caminharemos livres sobre a Terra.

domingo, 19 de abril de 2015

O POETA A PRESIDENTE!

O POETA A PRESIDENTE!

No Piolho
O poeta escreve
Já aqui escreveu
Muitas vezes
Já aqui travou
Discussões violentas
Ultimamente não se tem
Exaltado tanto
Não faltam motivos
A opressão
A ditadura
As pessoas não têm consciência
Vêm cá jantar calmamente
O poeta escuta o Fred
O encantador
O macaco de Deus
Esse tem vergonha
Da Humanidade
O poeta vem à cidade
Ouve os estrangeiros
Cheios de nota
Enquanto que ele
Está quase sem cheta
Não é justa
A distribuição da riqueza
Uns nadam em milhões
Outros sem nada
O poeta apela à revolta
Mas vê esta gente parada
A olhar para a bola
Por isso escreve
A ver se alguém o lê
Talvez se candidate
A Presidente
No fundo, nada há a perder
Sempre aparece nos media
A difundir as suas ideias
O poeta é um incendiário
O mais louco dos homens
O poeta sabe-o
Apenas se tem mantido
Mais prudente
O poeta a Presidente!




Porto, Piolho, 16.4.15

terça-feira, 14 de abril de 2015

A DEPRESSÃO

Segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses, 17% dos portugueses sofrem de depressão ao longo da vida. No ano passado foram vendidas 8 milhões de embalagens de antidepressivos em Portugal, o que dá uma média de cerca de 23 mil por dia. Ainda assim a percentagem declarada da população com depressão está aquém da realidade já que muita gente não pede ajuda por causa por causa do estigma. A maioria das depressões são determinadas por factores externos, nomeadamente por uma sociedade que condena os seres humanos ao tédio, a trabalhos repetitivos, ao controle exercido pelos media que exibem programas imbecis, infantilizantes, notícias narcotizantes, comentadores que nos fazem a cabeça, que nos dão um circo, um parque de diversões. Por outro lado, as pessoas estão cada vez mais isoladas em frente ao computador, em frente à Internet, deixam de se encontrar, de celebrar a vida e por isso se se deprimem cada vez mais. A depressão implica a perda de auto-estima, a falta de vontade de ter uma vida social e o sentimento de que o futuro nada tem para oferecer. A depressão castra a vontade de viver, torna o raciocínio mais lento e reduz a capacidade de comunicação.

domingo, 12 de abril de 2015

A MENTE PRODIGIOSA


A mente humana é prodigiosa. É capaz das maiores obras, capaz de ir até ao infinito. Claro que também é capaz do mal e tem sido. Ao longo dos milénios a Humanidade não tem sido capaz de resolver os grandes problemas da existência. Muitos sofrem, muitos passam fome, enquanto que um punhado de privilegiados nadam nos milhões e no poder. É intrigante como um ser com tantas capacidades continua a maltratar tanto o seu irmão, o seu semelhante por questões de ganância, inveja, domínio. Em vez de um governo de homens sábios, íntegros, justos como defendiam Sócrates e Platão ou de pequenas comunidades autónomas, de comunas, temos governos de corruptos, de ladrões, de gente sem qualquer ética, de burgueses, de capitalistas. Nas escolas, na família e nos media incentiva-se o sucesso fácil, a competividade, o passar por cima em vez do gosto pelo conhecimento e pela sabedoria. Na verdade, não se aproveita o potencial humano, o culto do pensamento, o abrir da alma e do coração. Na verdade, não se aprofunda o humano, o ser interior, o sonho. Fica-se pelo limite estreito da vida quotidiana, pelo trabalho aborrecido, quase sempre sem graça, pelo homem sem visão, sem altura. Existe o caminho do bem, da verdade, da virtude. Não me venham dizer que o capitalismo é eterno. Se temos consciência de que o nosso pensamento, de que a nossa mente é infinita então podemos matar em nós o capitalismo e a ganância. Basta que cheguemos a mais gente. Criemos então grandes obras, grandes edificações em prol da nova sociedade. Nós somos capazes. Nós vamos à lua e às estrelas. Nós viajamos no cosmos. Nós somos xamãs. Nós falamos com os espíritos.