quarta-feira, 25 de maio de 2016

O IMPÉRIO ACABOU!

Revolução. Ressurreição. Auto-sacrifício apocalíptico. Jesus e Satã. Regresso ao Paraíso. Todo eu sou luz. Todo eu sou vinho. Dai-me mulheres belas. Deixai-vos de conversas tolas. Todo eu sou sangue, incêndio. Vendilhões, ides conhecer a minha ira! Nem vós vos safais, ó criaturas da vida tranquila. O whisky jorra. Trago a espada. Não suporto formigas agarradas ao dinheiro. Eu vim cantar e celebrar a revolução. Eu vim insultar os credos e a moral. Eu vim para além do bem e do mal. Não suporto as vossas conversas. Reino. Gozo. Sei. O Império acabou!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

QUE VIDA É ESTA?

Que sentido faz vender-se, ser explorado ou alienado? Que sentido faz entregar o nosso tempo à máquina? Que sentido faz sacrificar-se ou deixar que nos lavem o cérebro? Que vida é esta? Nós não viemos para isto. Nós viemos para celebrar, para conhecer, para criar, para amar, para nos iluminar-nos. A vida que nos é imposta é uma vida inferior, que não é própria do homem nobre. Bem sei que há pessoas que nunca perceberão isto. Bem sei que não será fácil fazer passar estas ideias. Contudo, é o que eu concluo da minha estadia aqui na Terra. Depois de ter lido os mestres, depois de ouvir os grandes, depois de ter conhecido certas pessoas, chego à síntese. Só faz sentido trazer crianças à terra se com elas celebrarmos a vida, se as educarmos no amor e no amor pela sabedoria, se lhes proporcionarmos as condições para que sejam criadoras, se lhes indicarmos o caminho da iluminação. Jesus negou o dinheiro, tal como outros, e, de facto, é absurdo viver em função de folhas de papel e de pedaços de metal.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

A VIDA É NOSSA

Braga. Hoje faço 48 anos. Já não sou um jovem. Tenho-me dedicado a observar o homem e o mundo. Para quê tanta pressa, tanta sofreguidão? Para quê perseguir a recompensa que nunca mais vem? Ou então olhar para aqueles palhaços imbecis na televisão ou para as vedetas que vivem por nós. Não, não vim para isto, tenham paciência. Aprendi com outros a liberdade. Não vim atrás da felicidade da maioria, nem vim dizer banalidades. Acredito num homem infinito, absoluto, num homem capaz de se transcender. Não sou dos macacos que seguem e trepam. Sou do homem que bebe e voa. Aos 48 anos publiquei livros, fiz performances, disse poesia, publiquei em jornais, revistas e fanzines, participei em actos revolucionários. Fiz o que havia a fazer. Cometi os meus erros, naturalmente. Não me arrependo. Nunca me vendi. Não sou como essas patas-chocas da TV. Claro que preciso de ir à TV dizer a palavra. Dizer o que os outros não dizem. Segui o caminho dos malditos. Nada a fazer, minha rica. Eles bombardeiam-nos todos os dias. Eles tentam fazer-nos a cabeça todos os dias. Docemente. Suavemente. Temos de contra-atacar. A Vida é nossa.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O INFERNO

Como é possível ser o ser humano, ao mesmo tempo, um espírito superior, capaz de grandes prodígios, de grandes obras, de gestos de pura bondade, e um merceeiro, um mercador, um escroque? E o mais preocupante é que são os pequenos os que mais se maltratam uns aos outros, os que mais se pisam, os que mais se atropelam na corrida global. Depois há esse bando de gestores, financeiros, empresários, banqueiros que vendem pai e mãe na praça pública e acumulam milhões enquanto exploram e escravizam os outros. Isto para não falar na legião de políticos corruptos, especuladores e agiotas ao serviço da máquina. Construiu-se também um sistema de lavagem ao cérebro que inculca os "valores" da competição e da rapina, sobretudo via media mas que também vem da família, da escola e do trabalho. Ou seja, um autêntico inferno de onde se safam os mais "aptos". Darwinismo social. Enquanto isso, a pobreza, o desemprego, as desigualdades sociais, as depressões, o tédio, as doenças mentais, os suicídios sobem em flecha. Como é possível tanta injustiça? Como é possível o homem tão desigual?

quinta-feira, 5 de maio de 2016

FAMA E BUSCA DE CONHECIMENTO

É ridículo reduzir o homem à economia, ao consumo e à produção, como se faz hoje. O homem é pensamento, é arte, é transcendência. Que faz um homem ou uma mulher estar, pura e simplesmente, sentado no café a pensar? Que faz o poeta escrever, o pintor pintar? Não são certamente as incidências dos mercados ou as flutuações das bolsas. É a interrogação acerca do sentido da vida, é a vida, a própria vida. Pode ser também o desejo de conhecer, de descobrir, de desbravar caminho.
Toda esta busca de conhecimento que me move, que move outros, nada tem a ver com o dinheiro ou com o comércio. Exige esforço mental, leitura. Mas é desinteressada. Não procura recompensas. Tal como o passar de mensagens. Vou deixar de procurar a fama. A fama já não me interessa. Valho o que valho. Eles virão ter comigo mais tarde ou mais cedo. Eu sou original, genuíno. Tenho bloqueios, é certo. Mas tenho explosões criativas. Do nada faço nascer coisas. Do nada canto novos mundos.

terça-feira, 3 de maio de 2016

O SUPER-HOMEM

De onde viemos? Do Big Bang, das estrelas. Sem dúvida que evoluímos imenso desde as cavernas. Inventámos a arte, a espiritualidade, a tecnologia. No entanto, a partir do nascimento das cidades, da constituição do poder político que nos temos dividido entre dominantes e dominados, entre explorados e exploradores. Não é justo. Não é aceitável que um ser com as capacidades do homem, que foi capaz de grandes prodígios, seja dominado pelos seus semelhantes. Esta é uma questão da espécie mas é também uma questão individual. É uma questão de gritar "eu não aceito!" ou "eu não sou inferior a nada nem a ninguém!". Têm razão os anarquistas quando proclamam "nem Deus, nem amos!". Nascemos, viemos das estrelas, fomos lançados no mundo, temos o direito de desfrutar do mundo, temos o direito à liberdade e à felicidade, sem castrações, imposições ou polícias. Somos dotados, pelo menos alguns de nós, de uma inteligência e de uma criatividade superiores. Nada ou ninguém tem o direito de nos coagir, de nos impedir de criar, de produzir, de desenvolver as nossas potencialidades ao máximo. Ninguém. Somos também dotados do amor. Dêmos. Sem cruz, sem preconceito, sem culpa. Caminhemos para o super-homem. Para a glória do homem na Terra.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

PASSIVIDADE E PASMACEIRA

Ontem só saí da cama para ver o Mário de Sá-Carneiro. Tinha estado a beber no Pátio, em Vila do Conde, com a Ana e com o António e, não sei o que me deu, estive na cama o dia (quase) todo. "Ah, que me metam entre cobertores e não me façam mais nada...". A verdade é que não li nem produzi. O que é certo é que volto à rua e esta gente está sempre na mesma. Sempre as mesmas conversas. Nenhum rasgo. Nenhum golpe de génio. Nenhum episódio digno dos romances de Henry Miller. Esta gente satisfaz-se com esta merda, com esta pasmaceira, contenta-se com a porra da rotina, não quer explosões nem revoluções. Eu, pelo contrário, quero isto a arder, a rebentar, não me conformo com "as risadas e as doces mentiras". Sinceramente vejo muita passividade nos meus semelhantes, culpo-os por aceitarem o "Big Brother" e o capitalismo. Culpo-os por, em dada altura, não se terem questionado, não se terem revoltado. Só uma pequena parte o faz. De resto, levam uma vida sem brilho, uma vida sempre igual, sem elevação, sem imaginação. São macacos que trepam em busca do dinheiro e do poder. São macacos que intrigam, que se invejam. Não, mil vezes estar só. Mil vezes permanecer a escrever. Mil vezes ser como Nietzsche. Mil vezes ser Zaratustra, o solitário. Se eu fosse pregar para o meio deles o que me aconteceria? De resto, eu até estou a apurar as minhas qualidades de pregador. Mas o que me aconteceria? A grande maioria mandar-me-ia passear. Seria? Veremos. Por outro lado, é chegada a hora de falar às multidões. Tenho consciência disso. Sou um pensador e tenho sido um pregador na escrita. Tenho pena desta gente. Sempre com a sua vidinha de compra e venda. Nenhuma novidade. Nenhuma curiosidade. Nenhuma filosofia. Eu posso ter os meus defeitos mas o mundo está quase perdido. Guerras, offshores, terrorismo, pilhagens, sacanagens, capitalismo. Aqui nada há de novo. Nem mulheres bonitas. As pessoas estão mortas. Quase todas. Não se passa nada. Absolutamente nada. A não ser na minha cabeça.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

MENINO E BAILARINO

Creio que já sou capaz de expor as minhas ideias em público fluentemente, sem recorrer à cábula, como ontem no "Rés-da-Rua". Obrigado, "Rés-da-Rua"! Sim, já não é só dizer poemas, é ser o profeta do apocalipse, modéstia à parte, diante da menina bonita. Penso que chegarei lá, a Jesus, a Marx, a Bakunine, a Jim Morrison, a Nietzsche. As minhas capacidades mentais e espirituais estão intactas, até se estão a alargar. E depois aparece este anjo a varrer. Pedro, és uma estrela. E já não estás teso. Aprendeste na selva com alguns amigos, com algumas amigas. Aprendeste nos livros e nas canções. Aprendeste na noite, nos bares e com as putas. És mesmo uma puta do rock n' roll. Não és do sucesso, do mainstream, não vendes aos milhares. No entanto, sabes que a tua hora chegará. Normalmente até és boa pessoa mas tens aquele jeito dionisíaco, demoníaco que te faz gritar e partir vidros. És o mais louco dos poetas. Brindas ao caos, bebes até cair. A dama chama-te. É linda. Varre o chão. E eu sou Satã. Sade. Maldoror. As gajas belas fazem-me beber. Especialmente quando servem o Senhor. Eu era um puto tímido e inocente que pensava muito. Dava a mão à Gina, a minha namorada do Colégio da Trofa. É um mundo que já não existe. Ganhei vícios. Apanhei patadas. Tornei-me uma estrela do rock n' roll. Mesmo não reconhecida. Eles e elas vêm ter comigo nos bares, nas discotecas. Eh, pá! Sou diferente. Sou uma puta. Sinto-me no céu entre as mulheres. E, aliás, o que é que tenho a perder? Nada! Absolutamente nada! Posso reinar. Tenho a vida toda à minha frente. Ainda não parti como tu, Jim. Sou louco divino. Felizmente tenho amigos e amigas do coração. Atravesso a melhor fase da minha vida, à parte os problemas físicos, Gotucha. Ando de bar em bar à procura. Santa loucura, como tu, António Manuel Ribeiro. Como tu, Jaime. Como tu, Zé Pacheco. Farto-me da maioria dos homens. São uns atrasados mentais. Só quero mulheres bonitas. Danço com os deuses e com os espíritos. Sou Xamã, sou Dionisos. Louco, em delírio, como Hamlet. Shakespeare está aqui. Dostoievski está aqui. Morrison está aqui. A vida é um experimento permanente, como dizia Nietzsche. Sou o menino e o bailarino. O resto é conversa.

domingo, 17 de abril de 2016

O HOMEM PRÁTICO E O HOMEM DAS IDEIAS

Os homens vivem em dois mundos. O mundo prático, material, do dinheiro, do trabalho, da sobrevivência e o mundo a que chamo superior, das ideias, da criação, da iluminação. Os homens que vivem no mundo "prático" jamais serão capazes de se ultrapassar, de voar e até de se compreenderem. Pelo contrário, os homens que criam alcançam um nível de prazer, de satisfação muito superior uma vez que tocam a maravilha e atingem o infinito. Os homens pequenos, "práticos", desdenham dos homens das ideias pois consideram-nos utópicos, fantasistas. No entanto, agarrados à terra, jamais atingirão a beatitude, os reinos de luz que os homens das ideias e dos ideais são capazes de alcançar. Os homens das ideias, por seu turno, como são da liberdade e não conhecem limites, conseguem desvendar os mistérios do homem e do universo e voam nos céus da hybris e da sabedoria.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

A EDUCAÇÃO EM LIBERDADE

Segundo Leonardo Coimbra, "compete à educação tornar o homem livre. (...) Para isso, a educação tem de ser integral, não desprezando nenhuma das necessidades do espírito humano, nem se escravizando a qualquer preconceito. Assim, ela será científica e filosófica. A educação deve dar o homem a si mesmo, à família, à Humanidade, ao Universo."
Com efeito, compete à educação, em vez de formatar/domesticar os jovens, proporcionar-lhes o máximo desenvolvimento das suas capacidades. Não pode haver qualquer tipo de castração. A criança e o jovem devem estar integrados num processo de descoberta permanente, de experimento permanente, como falava Nietzsche. Só assim, e através da fraternidade universal, uniremos os tesouros interiores aos tesouros exteriores. Só assim seremos seres humanos integrais, plenos. Só assim passaremos do caos reinante à harmonia.

domingo, 10 de abril de 2016

"PANAMA PAPERS": A PODRIDÃO VAI REBENTAR

Que podridão imensa esta dos "Panama Papers". Assim funciona o capitalismo actual. A evasão fiscal, a roubalheira dos offshores significam receita perdida para os estados porque são os impostos dos trabalhadores que sustentam os orçamentos dos países. Tu, leitor, neste momento estás a ser roubado por esses abutres. Políticos, milionários, banqueiros, empresários, futebolistas, artistas coexistem nos paraísos fiscais com as elites da delinquência global, da corrupção, do terrorismo, do tráfico de armas. David Cameron, Vladimir Putin, altos dirigentes chineses, o presidente da Argentina, o já demitido primeiro-ministro da Islândia, Marine Le Pen, a irmã do rei de Espanha fazem parte de uma extensa lista de bandidos sem quaisquer valores, cujos únicos objectivos na vida são perpetuarem-se no poder a qualquer custo ou então acumular riquezas e riquezas e explorar os outros. 
Ao que se sabe, os portugueses têm 69 mil milhões de euros em paraísos fiscais, dos quais 36 mil milhões estão na Suíça. Aquele valor corresponde a cerca de 40% do PIB português de 2015! Há hoje 43 empresas offshore activas que tiveram participação de portugueses no escândalo financeiro dos Documentos do Panamá. Luís Portela, dono da Bial, Manuel Vilarinho, ex-presidente do Benfica, e Ilídio Pinho, empresário, estão envolvidos. O já extinto Grupo Espírito Santo (GES) de Ricardo Salgado manteve em segredo no Panamá durante 21 anos um gigantesco "saco azul" por onde passaram mais de 300 milhões de euros. Ricardo Salgado e José Manuel Espírito Santo não disseram a verdade à comissão parlamentar de inquérito do BES.
Enquanto isso, o Estado português gastou nos últimos 20 anos tanto com o Rendimento Social de Inserção (5,6 mil milhões de euros) como com a falência do BPN. Nos últimos cinco anos o número de beneficiários do RSI diminuiu drasticamente. Segundo os números da Segurança Social, em 2010 eram 525 mil. Em 2015, apenas 295 mil. A pobreza e as desigualdades aumentam a olhos vistos. Que país. Que mundo. Para lá do que é a máquina de propaganda mercantil, somos governados e controlados por vigaristas. Os vendilhões do templo e os agiotas estão por todo o lado. O dinheiro que poderia ser aplicado em alimentação, escolas, hospitais, cultura, esbanjado em negócios sujos, em especulação, em ostentação. Isto não pode continuar. Isto vai mesmo rebentar.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

QUE VIDA É ESTA?

O capitalismo vai-nos negando a vida e vai-nos lavando os cérebro. Com efeito, se formos a ver a vida da maioria das pessoas resume-se a isto: nascem, são lançados no mundo, brincam durante uns anitos, depois vão à escola, aprendem umas coisas mas a máquina começa a domesticá-los, a fazer-lhes a cabeça, depois continuam a estudar, chegam à adolescência, os media, a escola e a família castram-nos, encaminham-nos para o mercado, cortam-lhes as asas e a imaginação, depois vão trabalhar, ainda fazem umas asneiras, ainda saem ligeiramente dos trilhos, no entanto, continuam a meter-lhes a droga do sistema no cérebro, assim assentam, casam ou não, têm ou não filhos, vêem TV, envelhecem, morrem. Que vida é esta? Que porra de vida é esta? Mais vale dar um tiro nos cornos. O que é que realmente viemos fazer aqui?

terça-feira, 29 de março de 2016

PARA O INFERNO COM TELEMÓVEIS E COMPUTADORES!

"O Poder tem o condão de reduzir os seres humanos a coisas, mercadorias, objectos. (...) Já houve regimes totalitários, ditaduras, fascismos. Mas é a primeira vez na História que o Poder financeiro (...) se afirma sobre todo o Planeta e o próprio Universo. Já nem é Poder económico, como nos séculos passados. Só Poder financeiro. E global. Devora a Economia. A Política. O meio ambiente. A Vida. Até devora a mente das populações onde já se alojou como em sua própria casa. As quais, por isso, deixam o ser, para serem coisas, mercadorias, objectos, cadáveres ambulantes que respiram ar cada vez mais envenenado. Autoproclama-se Deus omnipotente, omnisciente e omnipresente. (...) A descriação global".
(Padre Mário de Oliveira, "Pratico, Logo Sou")
Esta gente não se apercebe de que o poder financeiro, aliado ao poder político e ao poder mediático, está a destruir a Vida e o Homem. A grande maioria prossegue nas suas vidinhas, como se nada fosse, e não ouve nem lê Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, Jesus, Walt Whitman, William Blake, Sócrates, Platão, Aristóteles, Marx, Bakunine, o padre Mário de Oliveira, Agostinho da Silva. A grande maioria limita-se a cumprir os seus dias, as suas tarefas sempre iguais, a morrer dia após dia enquanto é escravizada e alienada. A grande maioria passa a vida a dormir. É preciso um grito, um trovão que os acorde! Ou então teremos que ser nós, a minoria, a unir-nos, a juntar-nos em comunhão, em assembleias livres. Nada queremos com os palácios do poder! Ignoremos as figuras fantasmagóricas televisivas. Juntêmo-nos em redor da fogueira. Ergamos o novo mundo. Na paz, no amor, na liberdade, na poesia. Sim, nós descobrimos a maravilha. Anjos e fadas dançam no nosso espírito. Mas também demónios. Saibamos extrair deles a sabedoria selvagem de Zaratustra. Brinquemos com a criança sábia. Completemos o poema. Filosofemos. Discutamos a polis. Não mais relógios. Não mais obrigações. Não mais telemóveis. A Terra é nossa. Abandonai tudo.
"Para o inferno com telefones e computadores! Vão simplesmente ao teatro, ocupem filas inteiras nas plateias e nas galerias, ouçam o mundo e vejam as imagens vivas!", clama Anatoli Vassiliev, encenador e fundador da Escola de Teatro de Moscovo.
Ao inferno com telemóveis, televisões e computadores! Subamos ao palco. Vivamos, simplesmente, a vida. Sejamos nós os protagonistas e não essas figuras do ecrã. Abandonemos os trabalhos, as canseiras e os sacrifícios. Tornêmo-nos nós mesmos de uma vez por todas.

sexta-feira, 25 de março de 2016

EM BRAGA, A CELEBRAR O APOCALIPSE

EM BRAGA, A CELEBRAR O APOCALIPSE

Hoje é daqueles dias em que escrevo sem parar
são coisas armazenadas nos últimos tempos
o caos, o apocalipse, as bombas, o terrorismo, o capitalismo
andei por Braga de bar em bar
a celebrar o apocalipse
não sei explicar
talvez eu seja mesmo uma espécie de profeta
o poeta dos novos tempos
talvez eu seja mesmo um predestinado
um cavaleiro do Santo Graal 
o que é certo é que certos poemas, certos textos
batem certo
como profecias
estou aqui e estou além
whisky, dá-me forças
que eu estou a chegar lá
ai, como ardes
como fazes de mim um rei
afastai-vos, ó versejadores da corte,
nada tenho a ver convosco!
Sou da raça dos malditos
dos renegados de todas as eras
mas agora chegou a nossa vez
de triunfar
nós, os vencidos da vida
os suicidas
os deprimidos
vamos triunfar
sobre vós ó moedeiros imbecis
de qualquer forma,
o caos está instalado
nada há a perder
dancemos
celebremos o novo mundo
o novo nascimento da espécie
bebamos até ao fim
brindemos ao caos
e ao super-homem
o deus-dinheiro morreu.

quinta-feira, 24 de março de 2016

O APOCALIPSE

É o caos. O apocalipse. O "Apocalypse Now" de Coppola com Marlon Brando no papel de xamã. Jim Morrison, o outro xamã, tinha razão. "The End". "Perdidos num romano deserto de lágrimas/ com todas as crianças atacadas pela loucura". Terrorismo e capitalismo batem-se na arena global. Fanáticos de Alá chacinam inocentes, enquanto que a sociedade mercantil vai matando o Homem. No future. Não há saída e muitos escolhem o caminho do fanatismo religioso, de Marine Le Pen ou de Donald Trump. Tudo vai acabar para começar de novo. O homem chacina-se e atropela-se na arena. Este mundo não tem cura. Um novo mundo nascerá das cinzas, um mundo de amor, de paz, de criação, de liberdade, de irmãos. O super-homem reinará sobre a Terra.