Se pudéssemos fazer todos greve e, sinceramente, negar todo e qualquer interesse naquilo que o nosso vizinho está a fazer, poderíamos conseguir novas esperanças. Poderíamos aprender a passar sem telefones, rádios e jornais, sem máquinas de qualquer espécie, sem fábricas, sem minas, sem explosivos, sem navios de guerra, sem políticos, sem davogados, sem produtos enlatados nem engenhocas, até mesmo sem lâminas de barbear, ou celofane, ou cigarros, ou dinheiro.
(Henry Miller, "O Colosso de Maroussi")
segunda-feira, 8 de junho de 2009
MEU BOM HENRY MILLER

Miller, meu bom Henry Miller,
estava eu quase na merda
e trouxeste-me o sublime
as tuas palavras são o desprendimento
o céu na Terra
a que temos direito
qualquer coisa de mágico
que me faz acreditar no Homem
o homem sem obrigações nem rotinas
o homem livre
em paz consigo mesmo
Miller, meu bom Henry Miller,
a tua leitura cura-me
cada página tua é uma bênção
que me põe em cima
e me faz acreditar
Miller, meu bom Henry Miller,
um mundo sem televisões nem jornais
um mundo sem dinheiro e sem políticos
um mundo sem mercado e sem multinacionais
o mundo em que acredito
em que me fazes acreditar
não é uma fantasia
está aqui à minha frente
e eu acredito
acredito em ti, meu bom Henry Miller,
os teus livros fazem-me crescer
e enfrentar a vidinha
que me querem vender
os teus livros fazem de mim
um homem melhor
um homem mais puro
um homem que acredita nele próprio
e na transformação do mundo.
o homem que se dá com toda a gente
permanece lá dentro
não gosto dessa gente
que está de bem com Deus e com o Diabo
que tem sempre a piada a propósito
e que inventa teorias
não gosto dessa gente
mesmo que esteja em estado de euforia
mesmo que esteja próximo da glória e do sublime
nada tenho a ver com essa gente.
permanece lá dentro
não gosto dessa gente
que está de bem com Deus e com o Diabo
que tem sempre a piada a propósito
e que inventa teorias
não gosto dessa gente
mesmo que esteja em estado de euforia
mesmo que esteja próximo da glória e do sublime
nada tenho a ver com essa gente.
sábado, 6 de junho de 2009
PARTILHA

De há uns tempos para cá
há uns gajos que vêm ter comigo
que me elogiam
que me oferecem coisas
às vezes um gajo sente-se tão só
tão encerrado nas suas ideias
tão absorto na sua criação
que não se apercebe que vai
espalhando obra pelos tascos
que os seus escritos e ditos
vão deixando rasto
vão percorrendo o seu caminho
rumo à posteridade
e há aqueles gestos límpidos
fraternos integrais
essa partilha sincera
que está muito para lá
da compra e venda.
Estou no bar, bebo e escrevo. Há anos que a situação se repete. Mas não tenho escrito nos bares. As gajas da mesa da frente falam. O bar começa a noite. Pelo menos aqui não tenho de aturar os chatos do costume. Escrevo. Ponto final. EScrevo sem objectivos. Sem pensar em livros nem em noites no Púcaros. Escrevo. A caneta vai avançando. Há malta que entra. As gajas da frente saem. Deixam as chávenas vazias. Sou o gajo só que escreve. A diferença é que já deixei obra. Apetece-me uma gaja. Uma gaja que venha sem eu a conhecer de lado nenhum. Uma gaja doida, passada que venha beber uns copos comigo. Que se esteja a cagar para o facto de eu não ter dinheiro nem trabalho. Que me venha amar ao inferno. QUe venha entre copos e noitadas. Que venha venha ao sabor da música. Que venha dentro da cerveja. Que venha até ao fim. Que venha absolutamente divina. Que venha na passerelle. Que venha no "Deslize". Que venha a deslizar. Que venha para ficar. Sou o poeta que escreve e tem horas para o metro. Sou o poeta que escreve e que tem dúvidas se vai ficar. Sou o poeta que se mete na retrete. Sou o poeta que saúda o Jesualdo. Sou o poeta à frente do cassetete. Sou o poeta Tebaldo. A minha escrita está doente. A minha escrita monta o cavalo e a Maria. A minha escrita vem-se na sacristia. Sou o bêbado que berra e canta na rua. Sou o ser que incomoda o vizinho. Sou o gajo que sobe ao palco e diz blasfémias. Sou o gajo que come a Ifigénia. Sou o mestre que queres conhecer. SOu o gajo que vai desaparecer. Sou a rebeldia que se mistura com os jovens. Sou o vampiro que te chupa o sangue. Sou o gajo que transforma a rotina num acontecimento. Sou o animal que destrói o teu casamento. Sou o monstro que vagueia pela cidade. Sou a tua identidade. Sou o gajo que está ao balcão. Sou o teu irmão. Sou o gajo que olha para as gajas. Sou o gajo que saca a canção.
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Sunday, December 21, 2008
Teoricamente 5000 pessoas podem ler os meus escritos. A revista "Um Café" publicou o meu texto "Poetas de Café" e traz uma prosa com referências ao meu livro "Saloon" e às minhas idas ao "Púcaros". Já era suficiente para me sentir nas nuvens. Só que as gajas não aparecem. As gajas não aparecem e eu estou só no "Piolho" a escrever numa sexta á noite. O argumento para o hipotético filme rola. A cerveja também.
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Sunday, December 21, 2008
Teoricamente 5000 pessoas podem ler os meus escritos. A revista "Um Café" publicou o meu texto "Poetas de Café" e traz uma prosa com referências ao meu livro "Saloon" e às minhas idas ao "Púcaros". Já era suficiente para me sentir nas nuvens. Só que as gajas não aparecem. As gajas não aparecem e eu estou só no "Piolho" a escrever numa sexta á noite. O argumento para o hipotético filme rola. A cerveja também.
CRIAÇÃO E CASTRAÇÃO

CRIAÇÃO E CASTRAÇÃO
“Por poetas entendo aqui todos os que habitam nas regiões do espírito e da imaginação. É sua missão seduzir-nos, tornar intolerável este limitado mundo que nos aprisiona”, escreveu Henry Miller em “O Tempo dos Assassinos”. Os poetas, os grandes poetas são magos, emissários de um outro mundo, são “caminheiros do céu” que nos falam de coisas que hão-de vir e de coisas há muito passadas.
“O que pertence ao domínio do espírito, do eterno, escapa a toda e qualquer explicação. A linguagem do poeta corre paralelamente à voz interior quando esta se aproxima da infinitude do espírito”, prossegue Miller. Os poetas vêm do Uno Primordial de Nietzsche e de Dionisos, daquela idade áurea perdida em que a vida era, nas palavras de Arthur Rimbaud, “um banquete em que todos os corações se abriam e em que todos os vinhos corriam”. E continua o poeta das “Iluminações”: “Vamos fazer o Natal sobre a Terra…agora, já, estão-me a ouvir? Não queremos esperar por caramelos no céu!”, o que remete para o grito de Jim Morrison : “We Want The World And We WAnt it…Now!” (“When The Music’s Over”).
Criar é uma festa mas pressupõe a descida aos infernos. “Aprendi a minha profissão no inferno”, confessou Léo Ferré. “A estrada que conduz ao Céu passa pelo Inferno”, acrescenta Henry Miller. Mas não há alegria comparável à do criador, do poeta, porque a criação não tem outra finalidade para lá de si própria. E esse poeta é um criador, um xamã, um feiticeiro ébrio que canta, dança e ri, que faz da arte uma festa e que torna absurda a sociedade capitalista e castradora.
Posted by apedroribeiro at 12:57 PM 0 comments
Tuesday, December 9, 2008
ENGRAVATADOS
Três engravatados arrastam três gajas bonitas para o café. Estou a ver que é preciso andar engravatado para arrastar gajas bonitas. Nada me move contra os engravatados. Não se deve avaliar as pessoas pela gravata. Simplesmente, não gosto que me imponham regras de conduta.
HÁ UMA SEMANA

Há uma semana estava com aquele pedal
hoje nem por isso
podia ter ido ao Porto
mas não fui
vão pintar um poema meu na parede
e eu não vou ver
paciência
há uma semana estava com aquele pedal
hoje nem por isso
até escrevi cinco poemas
até voltei a escrever no quintal
hoje, nada
ou quase nada
as palavras custam a sair
as senhoras queixam-se que não têm
ninguém para conversar
a D. Rosa conversa comigo
sou o gajo solitário
que vem à confeitaria
há uma semana estava próximo do sublime
hoje nem por isso
apenas escrevo umas coisas
cumpro o exercício diário
nem sequer procuro ser incisivo ou mordaz
é o que sai
a D. Rosa conversa com toda a gente
e eu aqui a lamentar-me
está um gajo sempre a lamentar-se- já diz o Oliveira
mas há gente mesmo mesquinha
sempre a meter-se na vida dos outros
sempre a comentar
é certo que quando um gajo escreve
também está a comentar
mas não é da mesma forma
se toda a gente fosse como a D. Rosa
o mundo seria melhor
continuo a alongar-me muito nos poemas
são poemas filosóficos
Ah! Se isto me desse para viver
se me pagassem o que escrevo
se me comprassem os livros todos
deveria ter ido ao Porto
nem sei porque não fui
amanhã vou votar no MRPP
1% já não está mau
1% é um bom "score" para o partido revolucionário
era o que tinha o PSR nos bons velhos tempos
talvez até dê para eleger o Garcia Pereira
nas legislativas
1% é um bom "score", mais uns votos
e convertemo-nos ao sistema
foi o que aconteceu ao Bloco
há uma semana estava com aquele pedal
hoje nem por isso.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
A GAJA BOA

um café agradável
uma gaja boa
mais nada
absolutamente mais nada
o mundo sorri ao poeta
mas parece que vai fechar
a gaja boa lê
o poeta escreve sobre ela
é bem bonita
oxalá lhe viesse parar aos braços
o poeta bebe e pensa
o empregado limpa o chão
isto está prestes a fechar
mas o poeta ainda escreve
se fosse a outro café
não via a gaja boa
não teria o prazer de partilhar
o mesmo espaço com ela
isto está a fechar
mas não deixa de ser uma bênção
poder olhar para as gajas boas e bonitas.
O REI

Escrevo, pura e simplesmente, escrevo
acabo de beber duas cervejas
e continuo a ler o "tratado do Estilo" de Aragon
observo a campanha eleitoral
nunca liguei tão pouco a uma campanha como a esta
só me interessam o POUS, o MRPP e o PPM
estes últimos dizem que está tudo mal
o que faz falta é um rei
não deixam de ter a sua razão
um rei sim, mas não um rei qualquer
um rei como Artur
um rei místico, um rei surreal
um rei que dance na pista
um rei que dê a volta
um rei que comande a revolta
um rei que mande foder
os direitinhos e os amigos da finança
um rei que dança
um rei que canta
um rei que espeta a lança
um rei com pança
escrevo, pura e simplesmente, escrevo
e isto não precisa de ter uma explicação lógica
por acaso até descendo de um rei
e não quero saber do politicamente correcto
quando dizemos os nossos poemas
certo tipo de poemas
expômo-nos mais
essa é que é essa
há gajos que estão sempre à defesa
não os suporto
nem às suas falinhas mansas
que se fodam!
O que é preciso é curtir
curtir a noite toda
sem papas na língua
não é questão de taxar as bolsas e o capitalismo
como defende o Bloco de Esquerda
há que dar cabo das bolsas e do capitalismo
dinamitar as bolsas e o capitalismo!
É a única solução que vejo para esta merda
se for preciso um rei para isso
que venha esse rei
de uma vez por todas
acabemos com isto
basta de conversa
acabemos com isto
basta de conversa
acabemos com isto
basta de conversa...
quinta-feira, 4 de junho de 2009
DAI-ME NOTÍCIAS

O velhote demora uma eternidade a ler o jornal
e eu aqui ávido de notícias frescas
quero comer e beber notícias
sem notícias não existo
estou nas vossas mãos, ó jornalistas
jornalistas, alimentai-me!
Eu não como pão nem carne
como notícias
desespero pelo Telejornal
as notícias fazem-me escrever
são a minha matéria-prima
dai-me notícias!
Dai-me notícias que eu sufoco
o velhote nunca mais sai da página 7
e eu a precisar do jornal como de pão para a boca
dai-me notícias!
Não vivo sem elas
as notícias são a minha vida
dai-me políticos, desastres, crimes
alimentai o meu espírito consumista
dai-me notícias
de manhã até à noite
dai-me notícias
para eu me sentir gente
dai-me notícias
e eu até beijo o Presidente
dai-me notícias
senão fico doente
dai-me notícias
tenho de estar a par do mundo
dai-me notícias
senão vou ao fundo
dai-me notícias
as notícias são a minha vida.
INCISIVO
Tenho de ser incisivo
escrever com uma certa raiva
tenho de ser incisivo
matar com as palavras
deixar o público KO
mandar tudo às urtigas
tenho de ser incisivo
escrever frases curtas
provocar explosões
soltar as rédeas
tenho de ser incisivo
provocar gargalhadas
dizer maluquices
e algumas caralhadas.
escrever com uma certa raiva
tenho de ser incisivo
matar com as palavras
deixar o público KO
mandar tudo às urtigas
tenho de ser incisivo
escrever frases curtas
provocar explosões
soltar as rédeas
tenho de ser incisivo
provocar gargalhadas
dizer maluquices
e algumas caralhadas.
A FELICIDADE É UMA MULHER

Há realmente livros que literalmente
nos abrem a cabeça
"Tratado do Estilo" de Louis Aragon
"A Economia Parasitária" de Raoul Vaneigem
e isto não é conversa de telenovela!
Há frases de Aragon, de Vaneigem, de Nietzsche
que nos fazem avançar anos e anos
o paraíso natural não existe
só existem paraísos artificiais
isto entra em contradição com o que tenho escrito
ultimamente
o futebol é uma droga, a religião é uma droga
os efeitos variam de pessoa para pessoa
é tudo uma questão de carência
há bocado aqui no café estava um gajo
a discorrer sobre os malefícios da Europa,
sobre os malefícios do capitalismo
e o homem tem razão!
Afinal nesta terra sempre há gente que pensa!
Nem tudo se resume ao comer e beber
e ao ram-ram da vidinha
há algo mais do que isso
eu acredito no paraíso natural, caro Aragon!
Não o paraíso dos cristãos ou dos muçulmanos
não sei se é preciso alguma droga para lá chegar
Pronto, chega uma loira
e cá temos o Paraíso!
E até agora só bebi uma cerveja!
A felicidade é uma mulher,
já dizia Nietzsche
é isso: a felicidade é uma mulher!
Mas não qualquer uma!
Há mulheres que estão cá para nos fazerem felizes
ou para termos a ilusão disso
há realmente livros que nos abrem a cabeça
e a felicidade aqui tão perto
aparentemente tão à mão de semear
mas é uma ilusão
a gaja é inacessível
foi somente um instante de felicidade
instantes de felicidade- é o que temos!
Mas continuamos a sentir aquela coisa
não sei
e eis que se arma uma bruta discussão!
A mulher não quer Seguro!
Os gajos dos Seguros são todos uns aldrabôes!
Porra! Mas a gaja era mesmo linda
era a felicidade
devia chamar-se Felicidade!
Eu vi a Felicidade
tive a Felicidade diante dos olhos,
meu caro Aragon!
A Felicidae é uma mulher.
O LONGO POEMA

Nos últimos dias tenho-me sentido particularmente bem
de bem com o mundo
apesar de não concordar com ele
a consciência está tranquila
o espírito leve
a escrita flui
as pessoas são simpáticas
sinto-me a caminho de uma nova Idade do Ouro
apesar dos telejornais
e das campanhas eleitorais
apesar da coscuvilhice das vizinhas
e da maledicência
sinto-me em cima
realmente em cima
não é que o poema seja brilhante
não é que ele mude a face da Terra
mas sinto-me realmente bem
em paz comigo mesmo
a caminho de qualquer coisa de novo
qualquer coisa de puro
uma nova fase na minha vida
e as pessoas vêm ter comigo
apreciam a minha poesia
dizem que o último livro é o melhor
apesar de, por vezes, me estender demasiado
como agora
parece que estou no psiquiatra
a expôr o meu estado de espírito
e apetece-me beijar a Joana
que limpa o cortador do fiambre
e eis a femme fatale cá do sítio
que entra com o namorado
estou numa fase em que me atiro a todas
apesar de ter namorada
e lá me vou contentando com os trocos que tenho
este poema talvez não seja grande coisa
para dizer em público
mas a coisa lá vai fluindo
no Sábado escrevi cinco
bem sei que tenho as minhas megalomanias
mas temos de ser algo narcisistas
senão começam a ter pena de nós
nunca liguei tão pouco a uma campanha eleitoral
como a esta
talvez esteja a ficar apolítico
como alguém já disse
talvez esteja a perder os preconceitos
não sei que importância isto terá para o cidadão comum
o que eu queria mesmo era que uma destas gajas bonitas
que não conheço de lugar nenhum
viesse falar comigo
isso é que era a vida
isso é que era a espontaneidade
mas isso não vai acontecer
já o sei
as pessoas fecham-se muito em grupos
só a D. Rosa é que meteu conversa comigo
o calor aperta
e as gajas descascam-se
até aqui em Vilar do Pinheiro
se começa a ver alguma coisa
e este poema está pouco incisivo
não é daqueles a matar
vai rodeando, rodeando
os poemas são o reflexo do nosso pensamento
a taxa de desemprego subiu para 9,3%
as notícias do país também interferem no poema
os poemas são o reflexo do nosso pensamento, dizia,
com uns cortes, com umas correcções
a verdade é que as gajas só vêm falar connosco
espontaneamente quando estão bêbadas
e nós também somos um bocado assim
em resumo: deveríamos andar sempre bêbados
e o mundo seria melhor
e depois vem a "Hallelujah" do Jeff Buckley
e o mundo fica melhor
até acreditamos que existe algo de superior
talvez até Deus
não, definitavamente acho, como Henry Miller,
que isso a que chamamos Deus está dentro de nós
e isso, efectivamente, nada tem a ver
com o que dizem os economistas, os eurodeputados, os eurocratas
não, este definitavamente não é um poema
para ser dito em público
não tem aquele ritmo
não é suficientemente mordaz
talvez já estejamos a falar demais
- como diria o meu pai-
o poema já tem um comprimento apreciável
não é que os poemas se meçam aos palmos
mas não me vou pôr para aqui a dizer poemas
de 15 ou 20 minutos
como a gaja que há dias aqui disse a "Tabacaria"
e pronto! Lá estou eu a falar para o público do "Púcaros"
quanto estou na confeitaria "Motina"
deveria falar para esta gente
mas esta gente não me ouve
está focada na vidinha de todos os dias
não me vou armar em profeta
talvez eu, no fundo, seja um pregador
como disse o Sindulfo
bem, acho que vou dizer só uma parte do poema
sempre posso usar esse truque
afinal de contas, venho aqui todas as semanas
gastar saliva
alguma coisa há-de ficar de toda esta prosa
ando a escrever textos muito longos
- já o diz a Alexandra-
não consigo dar a estocada final
vou rodeando, rodeando- já o disse
já me estou a repetir
e assim acaba.
É TUDO A MESMA TROPA
Queria que integrassem os órgãos sociais do Efisa
Mail de Abdool Vakil para Oliveira Costa revela critério de recrutamento de figuras socialistas
04.06.2009 - 07h28
Por Cristina Ferreira
Pedro Cunha/PÚBLICO (arquivo)
Abdool Vakil descreveu a Oliveira Costa vários nomes do universo socialista
Abdool Vakil, então presidente do Banco Efisa, sugeriu a José Oliveira Costa, no início da década, a pedido deste e segundo critério definidos pelo ex-presidente da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), um conjunto de nomes do universo do Partido Socialista (PS) para integrarem os órgãos sociais do Efisa, a instituição financeira que funciona como braço de investimento do Banco Português de Negócios (BPN).
O e-mail enviado a Oliveira e Costa por Vakil e que agora é matéria reservada à Comissão de Inquérito Parlamentar à supervisão ao BPN, foi trocado no início da década, quando era primeiro-ministro António Guterres.
O Grupo SLN/BPN evidenciava-se antes da nacionalização por ser um projecto difuso, sustentado em relações pessoais de Oliveira Costa e Dias Loureiro, e que funcionava como um pólo de atracção de negócios não financeiros. O grupo desenvolveu-se apoiado numa base política, ligada sobretudo a uma facção do PSD, constituída por ex-membros dos governos de Cavaco Silva e de Durão Barroso, e com ligações ao mundo dos negócios. O banco caracterizava-se ainda por ter políticos no activo nos órgãos sociais e a desempenhar um papel determinante nos destinos do grupo.
Para além de Oliveira Costa e de Dias Loureiro, pelos órgãos sociais do BPN passaram nomes como o de Daniel Sanches (ex-ministro da Administração Interna de Santana Lopes e antigo director dos serviços secretos no tempo em que Dias Loureiro era ministro), ou o de Lencastre Bernardo (ex-director dos serviços de estrangeiros e fronteiras). À frente do Conselho Superior esteve vários anos Rui Machete (presidente da Fundação Luso Americana) e dirigente do PSD. Entre os accionistas (e clientes), o grupo conta, por exemplo, com Joaquim Coimbra (da direcção de Manuela Ferreira Leite), Arlindo Carvalho (ex-ministro de saúde) ou Gilberto Madail.
Apesar dos vários nomes do universo socialista sugeridos por Vakil a Oliveira Costa, apenas José Lamego, Augusto Mateus e Guilherme Oliveira Martins chegaram a assumir funções, mais concretamente, no conselho superior do Banco Efisa.
O e-mail de Abdool Vakil para Oliveira Costa
Meu caro,
No tocante a este assunto, para além do nome que sugeriu que foi o do Doutor Oliveira Martins que julgo não ser o mais provável porque não é para Presidente, lembrei-me de alguns outros nomes que lhe submeto para uma apreciação prévia e para estabelecermos uma hierarquização para que eu possa então seguir a lista por essa ordem.
Os nomes que me ocorrem dentro do critério que foi definido são:
Vera Jardim - advogado com nome na Praça, Deputado pelo PS e ex-Ministro da Justiça; muito próximo do actual PR (e também amigo do Neto Valente dado que este foi há anos colega do escritório Jardim, Sampaio e Caldas);
João Cravinho - nome bem conhecido, Deputado do PS e ex-Super Ministro do Equip Social, etc, conheço-o bem, já fez o favor de dar alguma colaboração ao Banco Efisa a título gracioso porque quando saiu do governo achou que não devia logo trabalhar para o banco que era prestador de serviços ao Ministerio que comandou. Entretanto, como isso já foi há algum tempo, pode ser que já possa aceitar. (Disse-me na altura que tinha aceite um lugar no Conselho Consultivo do Banco do Rendeiro).
Prof. Augusto Mateus - PS muito bem inserido na máquina do Partido ; ex-Ministro da Economia; meu antigo aluno e com quem tenho excelente relação.
Dr. Fernando Castro que foi Ch de Gabinete e ao que se diz o Mentor do então Ministro Pina Moura, muito bem inserido dentro dos meios políticos onde se move com muita discrição mas com grande eficácia. Dou-me bem com ele; veio há dias almoçar comigo ao banco; está de momento ligado à General des Eaux em Portugal.
Alberto Costa - Deputado pelo PS, advogado e muito ligado ao António Vitorino com quem também me dou bem. Foi Ministro da Administração Interna e é também uma pessoa discreta.
Também o Mário Cristina de Sousa poderia ser um bom nome mas está neste momento ligado à CGD e daí que, mesmo sendo um bom amigo, não possa. Mas fica aqui como uma mera sugestão mas que não me parece viável.
Podemos falar sobre este assunto quando entender conveniente.
AV
Mail de Abdool Vakil para Oliveira Costa revela critério de recrutamento de figuras socialistas
04.06.2009 - 07h28
Por Cristina Ferreira
Pedro Cunha/PÚBLICO (arquivo)
Abdool Vakil descreveu a Oliveira Costa vários nomes do universo socialista
Abdool Vakil, então presidente do Banco Efisa, sugeriu a José Oliveira Costa, no início da década, a pedido deste e segundo critério definidos pelo ex-presidente da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), um conjunto de nomes do universo do Partido Socialista (PS) para integrarem os órgãos sociais do Efisa, a instituição financeira que funciona como braço de investimento do Banco Português de Negócios (BPN).
O e-mail enviado a Oliveira e Costa por Vakil e que agora é matéria reservada à Comissão de Inquérito Parlamentar à supervisão ao BPN, foi trocado no início da década, quando era primeiro-ministro António Guterres.
O Grupo SLN/BPN evidenciava-se antes da nacionalização por ser um projecto difuso, sustentado em relações pessoais de Oliveira Costa e Dias Loureiro, e que funcionava como um pólo de atracção de negócios não financeiros. O grupo desenvolveu-se apoiado numa base política, ligada sobretudo a uma facção do PSD, constituída por ex-membros dos governos de Cavaco Silva e de Durão Barroso, e com ligações ao mundo dos negócios. O banco caracterizava-se ainda por ter políticos no activo nos órgãos sociais e a desempenhar um papel determinante nos destinos do grupo.
Para além de Oliveira Costa e de Dias Loureiro, pelos órgãos sociais do BPN passaram nomes como o de Daniel Sanches (ex-ministro da Administração Interna de Santana Lopes e antigo director dos serviços secretos no tempo em que Dias Loureiro era ministro), ou o de Lencastre Bernardo (ex-director dos serviços de estrangeiros e fronteiras). À frente do Conselho Superior esteve vários anos Rui Machete (presidente da Fundação Luso Americana) e dirigente do PSD. Entre os accionistas (e clientes), o grupo conta, por exemplo, com Joaquim Coimbra (da direcção de Manuela Ferreira Leite), Arlindo Carvalho (ex-ministro de saúde) ou Gilberto Madail.
Apesar dos vários nomes do universo socialista sugeridos por Vakil a Oliveira Costa, apenas José Lamego, Augusto Mateus e Guilherme Oliveira Martins chegaram a assumir funções, mais concretamente, no conselho superior do Banco Efisa.
O e-mail de Abdool Vakil para Oliveira Costa
Meu caro,
No tocante a este assunto, para além do nome que sugeriu que foi o do Doutor Oliveira Martins que julgo não ser o mais provável porque não é para Presidente, lembrei-me de alguns outros nomes que lhe submeto para uma apreciação prévia e para estabelecermos uma hierarquização para que eu possa então seguir a lista por essa ordem.
Os nomes que me ocorrem dentro do critério que foi definido são:
Vera Jardim - advogado com nome na Praça, Deputado pelo PS e ex-Ministro da Justiça; muito próximo do actual PR (e também amigo do Neto Valente dado que este foi há anos colega do escritório Jardim, Sampaio e Caldas);
João Cravinho - nome bem conhecido, Deputado do PS e ex-Super Ministro do Equip Social, etc, conheço-o bem, já fez o favor de dar alguma colaboração ao Banco Efisa a título gracioso porque quando saiu do governo achou que não devia logo trabalhar para o banco que era prestador de serviços ao Ministerio que comandou. Entretanto, como isso já foi há algum tempo, pode ser que já possa aceitar. (Disse-me na altura que tinha aceite um lugar no Conselho Consultivo do Banco do Rendeiro).
Prof. Augusto Mateus - PS muito bem inserido na máquina do Partido ; ex-Ministro da Economia; meu antigo aluno e com quem tenho excelente relação.
Dr. Fernando Castro que foi Ch de Gabinete e ao que se diz o Mentor do então Ministro Pina Moura, muito bem inserido dentro dos meios políticos onde se move com muita discrição mas com grande eficácia. Dou-me bem com ele; veio há dias almoçar comigo ao banco; está de momento ligado à General des Eaux em Portugal.
Alberto Costa - Deputado pelo PS, advogado e muito ligado ao António Vitorino com quem também me dou bem. Foi Ministro da Administração Interna e é também uma pessoa discreta.
Também o Mário Cristina de Sousa poderia ser um bom nome mas está neste momento ligado à CGD e daí que, mesmo sendo um bom amigo, não possa. Mas fica aqui como uma mera sugestão mas que não me parece viável.
Podemos falar sobre este assunto quando entender conveniente.
AV
terça-feira, 2 de junho de 2009
PIOLHO

Estou no "Piolho" e escrevo
uma vez mais
peço uma cervejola ao empregado
e lembro-me do Jaime Lousa
isto hoje só com cerveja é que vai
não estou como no Sábado
mas estou contente comigo mesmo
a cada gota de cerveja a palavra flui
olha! Aliás, o Estado deveria fornecer-me
cerveja gratuitamente, deveria pagar-me em cerveja
para eu escrever mais
o Fred foi renovar o passe
e eu aqui a olhar para o imbecil do Jorge Gabriel
vá lá que a televisão está sem som
aqui no "Piolho" é assim
faz 100 anos
e eu há cerca de 20 que venho cá
tertúlias, copos, reuniões políticas e literárias
namoros até
e cafés, muitos cafés
gajas boas
porque raio terei de falar sempre nas gajas boas?
Porque raio é que as gajas boas aparecem sempre?
Ainda hoje estive com uma
não, ela não ia gostar que a tratasse assim
pronto, estive com uma velha amiga
a conversar
nada mais
estivemos a conversar e eu nem sequer
lhe falei na Boa Nova que quero transmitir
às mulheres
às mulheres, especialmente às mulheres
talvez elas me ouçam
talvez ouçam este pobre rapaz
em conflito com o mundo
este rapaz que nos últimos dias
tem ouvido os Joy Division
e não deixa de ter uma certa tristeza
uma melancolia insolúvel
e que vai bebendo à medida que escreve
pensa que tem o mundo na mão
mas não tem
o mundo escapa-se-lhe
o mundo esgota-se
como a cerveja
Porra! Nunca mais fico bêbado!
Bebo e nunca mais fico bêbado!
Quero ficar bêbado como o Joaquim Castro Caldas!
Quero ficar bêbado como o Jim Morrison!
Mas não consigo
o dinheiro não chega para isso
vá lá que há amigas e amigos
que me vão emprestando uns trocos
e eu queria mesmo ficar bêbado!
Cantar na rua
dizer disparates
os gajos dos bares deveriam fornecer-me
gratuitamente álcool para eu produzir
e ficar bêbado
já há quem o faça
mas é só uma pequena percentagem
uma pequena minoria
já o disse! Não nasci para trabalhar!
O meu trabalho é este
e beber também faz parte do meu trabalho
é isto que não entendeis, ó teóricos!
É isto que não entendeis, ó poetas da corte!
Beber e escrever
beber, viver e escrever
e peço mais uma
o cacau ainda dá
e vou bebendo
o empregado já compreende a minha linguagem
até me dá cartões!
e agora até dizem que sou o poeta das gajas
Gajas? Até parece que sou um Casanova!
Enfim, quem tem fama quer proveito
mas esta é a história da minha vida
beber por beber
já bebi mais do que agora
quando trabalhava gastava 80% do salário em àlcool
o resto em livros
e lá ia levando a vida
não me tenho que me andar a orgulhar dessa merda
o que é facto é que a cerveja se vai esgotando
e chega o Fred
e a escrita esgota-se.
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