quinta-feira, 12 de junho de 2008

Á ESPERA DA DAMA


Vêm ter comigo falar de Platão
e do destino da humanidade
e eu permaneço na esplanada
calado
à espera da dama.

O POETA PUNK


Descongela-te, cérebro!
Restitui a verve
ao poeta maldito
ao poeta punk

Fá-lo cantar
fá-lo dançar
fá-lo regressar a Dionisos
ao poeta-mago
a Zaratustra.

JIM MORRISON


A 3 de Julho de 1971 morreu Jim Morrison, o cantor/poeta dos Doors. 35 anos depois da sua morte os Las Tequillas e a Mana Calórica homenageiam o Rei Lagarto com a interpretação de algumas canções dos Doors e de poemas de Morrison nos concertos acima referidos.
Jim Morrison é um personagem fascinante que está muito para além da caricatura a que o filme de Oliver Stone ("The Doors: O Mito de uma Geração") o tentou reduzir. Jim é um personagem que está para além das canções e dos vedetismos passageiros. Jim não é um mito nem uma construção mediática. Jim abominava a autoridade e o conformismo porque se recusava a aceitar que a vida se resume a uma fórmula única e irreversível. Por isso cantou a revolta (We Want the World and We Want it NOW!) e o lado negro, mas também a travessia para um reino mais puro, mais livre. "We Could Be So Good Together". Daí o enigma. Daí o facto de os Doors resistirem à corrosão dos tempos. Daí o alcance da mensagem de Morrison ao público durante o célebre concerto de Miami: "Vamo-nos divertir, vamos fazer a revolução, venham todos para o palco...vocês não passam de um bando de idiotas condenados, metem-vos a cara na merda do mundo, agarrem no estupor do vosso amigo e amem-no!". The doors are open. Todos nós podemos ser deuses.

REGRESSO


Regresso, merda, regresso
por uma noite
por um palco
grito
rebento
parto vidros
sou quem sou
ninguém me trama

terça-feira, 10 de junho de 2008

ALMA DE ROCK N' ROLL


ALMA DE ROCK N’ ROLL

Fiquei sem a carteira profissional
Fiquei sem emprego e sem mulher
Fiquei à margem da sociedade
Mas quando ouço o Jim Morrison
Há qualquer coisa que bate dentro
Qualquer coisa que me faz dançar
E então digo: malta, isto não é o fim
Malta, ainda ides ouvir falar de mim

Ando sempre sem dinheiro
A sociedade vê-me como um inútil
Mas quando ouço o Jim Morrison
Volto aos sonhos dos dezoito anos
E há qualquer coisa que arde nas entranhas
Qualquer coisa que mexe com o meu íntimo
Qualquer coisa que queima na veia
E então digo: malta, isto não é o fim
Malta, ainda ides ouvir falar de mim

As depressões fodem-me a cabeça
Fico sem palavras
Mas quando ouço os Led Zeppelin
Há uma coisa na cabeça que se abre
Há uma alma de rock n’ roll
Qualquer coisa que me faz acreditar
E então digo: malta, isto não é o fim
Malta, ainda ides ouvir falar de mim.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

ALLEN GINGSBERG


Allen Gingsberg


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Poema de amor sobre um tema de Whitman

Entrarei silencioso no quarto de dormir e me deitarei
entre noivo e noiva,
esses corpos caídos do céu esperando nus em sobressalto,
braços pousados sobre os olhos na escuridão,
afundarei minha cara em seus ombros e seios, respirarei tua pele
e acariciarei e beijarei a nuca e a boca e mostrarei seu traseiro,
pernas erguidas e dobradas para receber,
caralho atormentado na escuridão, atacando,
levantado do buraco até a cabeça pulsante,
corpos entrelaçados nus e trêmulos,
coxas quentes e nádegas enfiadas uma na outra
e os olhos, olhos cintilando encantadores,
abrindo-se em olhares e abandono,
e os gemidos do movimento, vozes, mãos no ar, mãos entre as coxas,
mãos, na umidade de macios quadris, palpitante contração de ventres
até que o branco venha jorrar no turbilhão dos lençóis
e a noiva grite pedindo perdão
e o noivo se cubra de lágrimas de paixão e compaixão
e eu me erga da cama saciado de últimos gestos íntimos
e beijos de adeus –
tudo isso antes que a mente desperte,
atrás das cortinas e portas fechadas da casa escurecida
cujos habitantes perambulam insatisfeitos pela noite,
fantasmas desnudos buscando-se no silêncio.

ALBERTO PIMENTA


Alberto Pimenta - Filho da puta
I
O pequeno filho-da-puta
é sempre
um pequeno filho-da-puta;
mas não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não tenha
a sua própria
grandeza,
diz o pequeno filho-da-puta.


no entanto, há
filhos-da-putaque nascem
grandesefilhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o pequeno filho-da-puta.
de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos,diz ainda
o pequeno filho-da-puta.


o pequeno
filho-da-puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o pequeno
filho-da-puta.


no entanto,
o pequeno filho-da-puta
tem orgulho
em ser
o pequeno filho-da-puta.
todos os grandes
filhos-da-puta
são reproduções em
ponto grande
do pequeno
filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.


dentro do
pequeno filho-da-puta
estão em ideia
todos os grandes filhos-da-puta,
diz o
pequeno filho-da-puta.
tudo o que é mau
para o pequeno
é mau
para o grande filho-da-puta,
diz o pequeno filho-da-puta.

o pequeno filho-da-puta
foi concebido
pelo pequeno senhor
à sua imagem
e semelhança,
diz o pequeno filho-da-puta.

é o pequenofilho-da-puta
que dá ao grande
tudo aquilo de que
ele precisa
para ser o grande filho-da-puta,
diz o
pequeno filho-da-puta.
de resto,
o pequeno filho-da-puta vê
com bons olhos
o engrandecimento
do grande filho-da-puta:
o pequeno filho-da-puta
o pequeno senhor
Sujeito Serviçal
Simples Sobejo
ou seja,
o pequeno filho-da-puta.

II
o grande filho-da-puta
também em certos casos começa
por ser
um pequeno filho-da-puta,
e não há filho-da-puta,
por pequeno que seja,
que não possa
vir a ser
um grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.

no entanto,
há filhos-da-puta
que já nascem grandes
e filhos-da-puta
que nascem pequenos,
diz o grande filho-da-puta.

de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos, diz ainda
o grande filho-da-puta.

o grande filho-da-puta
tem uma grande
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o grande filho-da-puta.

por isso
o grande filho-da-puta
tem orgulho em ser
o grande filho-da-puta.

todos
os pequenos filhos-da-puta
são reproduções em
ponto pequeno
do grande filho-da-puta,
diz o grande filho-da-puta.
dentro do
grande filho-da-puta
estão em ideia
todos os
pequenos filhos-da-puta,
diz o
grande filho-da-puta.

tudo o que é bom
para o grande
não pode
deixar de ser igualmente bom
para os pequenos filhos-da-puta,
diz
o grande filho-da-puta.

o grande filho-da-puta
foi concebido
pelo grande senhor
à sua imagem e
semelhança,
diz o grande filho-da-puta.

é o grande filho-da-puta
que dá ao pequeno
tudo aquilo de que ele
precisa para ser
o pequeno filho-da-puta,
diz o
grande filho-da-puta.
de resto,
o grande filho-da-puta
vê com bons olhos
a multiplicação
do pequeno filho-da-puta:
o grande filho-da-puta
o grande senhor
Santo e Senha
Símbolo Supremo
ou seja,
o grande filho-da-puta.

GOMES LEAL


Alucina-me a cor! A rosa é como a lira,
a lira pelo tempo há muito engrinaldada,
e é já velha a união, a núpcia sagrada,
entre a cor que nos prende e a nota que suspira.

Se a terra, às vezes, cria a flor que não inspira,
a teatral camélia, a branca enfastiada,
muitas vezes, no ar, perpassa a nota alada
como a perdida cor dalguma flor, que expira...

Há plantas ideais dum cântico divino,
irmãs do oboé, gémeas do violino,
há gemidos no azul, gritos no carmesim...

A magnólia é uma harpa etérea e perfumada
e o cacto, a larga flor, vermelha, ensanguentada,
tem notas marciais: soa como um clarim!

António Duarte GOMES LEAL nasceu em Lisboa a 6 de Junho de 1848 e aí faleceu, meio louco, a 29 de Janeiro de 1921. Passou meteoricamente pelo Curso Superior de Letras. Panfletário e anticlerical, sofreu a morte da irmã Maria Fausta (1875), do pai (1876) e da mãe (5 de Maio de 1910), após o que, solitário e desamparado, se converteu ao catolicismo. Para não morrer de fome, o Parlamento atribuiu-lhe uma pensão de 600 mil réis anuais. É autor de uma obra desigual, que vai desde o ultra-romantismo ao surrealismo, passando pelo realismo, parnasianismo e simbolismo. O seu principal título de glória é «Claridades do Sul» (1875; reed., revista e aumentada, em 1901), donde extraímos «Som e Cor»

Soneto e ficha bibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe, 2004»

sábado, 7 de junho de 2008


A vizinha meteu o telemóvel
na máquina de lavar
as empregadas falam
do pulso do Quim

TRABALHO


QUEM INVENTOU O TRABALHO NÃO TINHA O QUE FAZER OU O TRABALHO DANIFICA O HOMEM

O que sobra de centelha humana, de criatividade possível, em ser acordado do sono às 6 da manhã, sacudidos nos ônibus suburbanos, ensurdecido pelo barulho das máquinas, sugado e vaporizado pelas tarefas sem sentido, pelos controles estatísticos, pelos prazos apertados e empurrado no fim do dia para os saguões dos terminais de ônibus (essas catedrais de partida para o inferno nos dias de semana e no fútil e falso paraíso dos fins de semana), quando a multidão comunga na fadiga e no embrutecimento.

Da aniquilação da energia na juventude, à ferida aberta da velhiçe, a vida é estilhaçada pelos golpes do trabalho forçado.
Nunca uma civilização chegou a um tal grau de desprezo pela vida.

O tripálium é um instrumento de tortura. A palavra labor significa dor. alguma leviandade existe em esquecer a origem destas palavras.

A ditadura do trabalho produtivo tem por missão enfraquecer biológicamente o maior número depessoas, castrá-las e embrutecê-las coletivamente, a fim de torná-las receptíveis às mais medíocres, às menos viris, as mais escrotas ideologias que já existiram na história da mentira.

(Raoul Vaneigen, deturnado por Ari Podredecançassoapósumdiadetrabalho Almeida)
Agora é ele falando aí gente!:
- Galerinha do mal, ontem à noite rolou mais um massíssimo ataque, mas como fui torturado pelo trabalho creio que só amanhã recuperarei a humanidade necessária pra digitar o relato. Acho que segunda eu posto. enmquanto isso: FAÇAM A REVOLUÇÃO NOSSA DE CADA DIA!

::: posted by ARI ALMEIDA at 7:28 PM

sexta-feira, 6 de junho de 2008

ubu bubu bibi bobo bubu ubu bué de bué

UBU


Na "Motina" a ler "Ubu" de Jarry. Na "Motina" a rir da estupidez cruel e mesquinha do Ubu. Com o Ubu a pensar na Bubu.
LEIO OBRAS SUBLIMES E CONTINUO DEPRIMIDO.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Venho ao café ler e tudo quanto me rodeia é tédio. Nada me surpreende aqui, longe de ti, Carlinha.

CARLA


Ma petite Carla a fumar e a charrar atravessa a ponte de Amarante e cumprimenta meio mundo a caminho do Parque Florestal. Maluquinha, maradinha, és livre, como te abraço a cabecinha. Em Amarante a beber café e copos enquanto cantas Variações no karaoke. Maluquinha, maradinha, paz freak, bebedeiras, revolução global forever, morte ao trabalho!