domingo, 18 de dezembro de 2011

SOBRE LOBO ANTUNES

Definitivamente, não consigo perceber o Lobo Antunes. Não sei. Não consigo entrar na sua escrita. Até gosto do paleio do homem mas não consigo entrar na escrita. Enfim, não sou obrigado a gostar da escrita dele. Já tenho os meus escritores. Henry Miller, Nietzsche, Stefan Zweig, Pessoa, Shakespeare, Saramago. E outros mais. Não sou obrigado a gostar de todos. Nem dos mais badalados da actualidade. Vou tentar acabar o "Ulisses" de James Joyce. Enfim, há aqueles que nos abrem a cabeça e os outros. Aqueles que são promovidos a torto e a direito e os outros que prosseguem viagem, como eu próprio.
Os homens falam e falam e eu vou escrevendo. É para isso que estou aqui. Não conto estórias, a não ser de mim mesmo mas escrevo, continuo a escrever. Para preencher as horas, para combater a solidão e a doença. Em vez de conversar, escrevo. Aqui, na aldeia do meu pai, onde só converso com a D. Rosa, com o historiador e com o barbeiro. Não sou Eduardo Lourenço nem Agostinho da Silva mas sou certamente um pensador. Um homem que dedica a sua vida ao pensdamento. Desde miúdo. Que cria frases e versos na folha. Que sente falta da menina. Que disfarça a loucura com a pose do intelectual à mesa. Que é capaz de permanecer horas à mesa. Que é capaz de se manter sereno.