quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

UM TAL FERNANDO ASSIS PACHECO


Vivo com ele há anos suficientes

para poder dizer que o reconheceria

num dia de Novembro no meio da bruma

é como uma pessoa de família


adorava os pais mas tinha medo

quando zangados se punham aos gritos

e se chamavam nomes odiosos

não invento nada vi-o crescer comigo


chorava então desabaladamente

e eu com ele sentindo-nos perdidos

o cobertor puxado sobre a cabeça

seria trágico se não fosse ridículo


mesmo depois a noite que urinasse

no pijama era um protesto civil

encharcou assim grande parte das Beiras

não lhe perguntem se foi feliz.


F. ASSIS PACHECO, in "Respiração Assistida" (1995).

1 comentário:

Rui Lage disse...

Vénias a Assis Pacheco, o Mestre.