O TRATADO DE LISBOA
António Pedro Ribeiro
Os 27 assinaram o Tratado de Lisboa. Sócrates, inchado, continua insuportavelmente arrogante. A TV imbeciliza. O povo come.
A Europa continua a ser construída nas costas dos cidadãos. Os cidadãos coçam as costas da Europa. Os cidadãos dão à costa na Europa. Os cidadãos comem. Sócrates, inchado, irrita-se. O povo come. Sócrates engole sapos e incha. Sócrates irrita. Sócrates imbeciliza.
A TV dá cultura aos cidadãos. Os cidadãos comem TV. Sócrates come TV. A cultura vai ter com os cidadãos. Os cidadãos comem cultura. Sócrates come cultura. A TV é uma benção de Deus. Deus vê TV. Deus fala com Sócrates. Sócrates é Deus.
Os 27 assinaram o Tratado Reformador. Durão Barroso está nas nuvens. Mais um passo de gigante na construção da Europa. Durão Barroso tem a Europa a seus pés. Durão Barroso é Deus.
Os programas da tarde da TV entretêm e educam. Os programas da tarde combatem o suicídio e a depressão. Os programas da tarde deprimem-se e suicidam-se. Sócrates e Durão Barroso vêm os programas da tarde. Sócrates e Durão deprimem, entretêm e educam. Sócrates e Durão são palhaços. O povo come.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
PÁTIO
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
O líder do PSD
pede ao primeiro-ministro
para pedir desculpa
ao país
o líder do PSD
pede ao primeiro-ministro
mais polícia para o país
o líder do PSD
pede um polícia
para cada português
o líder do PSD
faz um broche ao país.
A dona do café
é uma perigosa revolucionária
a dona do café
manda todos os políticos
para a prisão
a dona do café
manda todos os malandros
trabalhar
a dona do café
resolve todos os problemas
do país
a dona do café
faz um broche ao país.
pede ao primeiro-ministro
para pedir desculpa
ao país
o líder do PSD
pede ao primeiro-ministro
mais polícia para o país
o líder do PSD
pede um polícia
para cada português
o líder do PSD
faz um broche ao país.
A dona do café
é uma perigosa revolucionária
a dona do café
manda todos os políticos
para a prisão
a dona do café
manda todos os malandros
trabalhar
a dona do café
resolve todos os problemas
do país
a dona do café
faz um broche ao país.
domingo, 9 de dezembro de 2007
UM POETA A MIJAR

LANÇAMENTO DO LIVRO "UM POETA A MIJAR" DE A. PEDRO RIBEIRO
O livro "Um Poeta a Mijar" (Corpos Editora) de A. Pedro Ribeiro vai ser lançado no próximo dia 21, sexta, pelas 22,30 h, no bar Real Feytoria, no Porto (à Ribeira). "Um Poeta a Mijar" sucede a "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro. Manifestos do Partido Surrealista Situacionista Libertário" (Objecto Cardíaco, 2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (2004), "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (Silêncio da Gaveta, 2001) e a "Gritos. Murmúrios" (com Rui Soares, Grémio Lusíada, 1988). "Um Poeta a Mijar" combina o surrealismo e o Dada com o beatnick, a mulher e a noite com o palco e a loucura.
A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto em Maio de 1968, viveu em Braga, no Porto e na Trofa e actualmente reside em Vilar do Pinheiro (Vila do Conde). Diz regularmente poesia no norte do país, tendo actuado no Festival de Paredes de Coura de 2006 ao lado de Adolfo Luxúria Canibal e de Isaque Ferreira. Em 2005 alguns órgãos de comunicação social noticiaram uma candidatura sua à Presidência da República. Integra as bandas Mana Calórica- www.myspace.com/manacalorica- e Las Tequillas. Foi fundador e é colaborador da revista Aguasfurtadas.
tel. 229270069.
UM POETA
POESIA NO PALÁCIO
RECITAL DE POESIA DE 2006 E JANTAR COM POESIA A MOTE
14 DE DEZEMBRO, SEXTA, PALÁCIO FRONTEIRA-LISBOA
19,00 h- Recital de poemas publicados em 2006 de autores com menos de 50 anos
Leitura: Antónia Brandão, Fernando Mascarenhas e Pedro Sena-Lino.
Poemas de: Afonso de Melo, Alexandre Nave, A. Pedro Ribeiro, Catarina Nunes de Almeida, Fernando de Castro Branco, Frederico Mira George, HEnrique Dinis da Gama, Joana Serrado, João Habitualmente, João Pedro Mésseder, João Rios, Jorge Melícias, JOrge Reis-Sá, José Félix Duque, JOsé Rui Teixeira, Luís Adriano Carlos, Manuel de Freitas, Paula Gândara, Pedro Sena-Lino, Pedro Teixeira Neves, Rui Lage e valter hugo mãe.
14 DE DEZEMBRO, SEXTA, PALÁCIO FRONTEIRA-LISBOA
19,00 h- Recital de poemas publicados em 2006 de autores com menos de 50 anos
Leitura: Antónia Brandão, Fernando Mascarenhas e Pedro Sena-Lino.
Poemas de: Afonso de Melo, Alexandre Nave, A. Pedro Ribeiro, Catarina Nunes de Almeida, Fernando de Castro Branco, Frederico Mira George, HEnrique Dinis da Gama, Joana Serrado, João Habitualmente, João Pedro Mésseder, João Rios, Jorge Melícias, JOrge Reis-Sá, José Félix Duque, JOsé Rui Teixeira, Luís Adriano Carlos, Manuel de Freitas, Paula Gândara, Pedro Sena-Lino, Pedro Teixeira Neves, Rui Lage e valter hugo mãe.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
OBRIGADO, JOANA

Dos Líquidos
Devo dizer com orgulho que ja tive este poeta a dormir (e ressonar) na minha sala (sim, sala) depois de uma magnifica discussão politica, terminada com uma francesinha no Café novo, e que tivemos até de chamar a policia porque esta senhora que vos escreve esqueceu-se das chaves dentro de casa.
O A. Pedro dizia - calma, calma. Devia ser dos efeitos do molho picante das francesinhas...Este poema deu um grande salto, Pedro. Parabéns.
"Um Poeta a Mijar" é o título do novo livro de A. Pedro Ribeiro, publicado pela Corpos Editora. O livro vai ser lançado dia 21 de Dezembro, sexta, pelas 22, 30 horas no bar Real Feytoria, no Porto (à Ribeira). "Um Poeta a Mijar" situa-se entre o surrealismo, o dadá e o beatnick, entre a mulher e os bares, entre o palco e a loucura. "Um Poeta a Mijar" sucede a "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (2004), "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (2001) e a "Gritos. Murmúrios" (1988).
BORBOLETAS
PEDRO RIBEIRO + FERNANDA PEREIRA
Borboletas na Internet disquete cassete sai e mete na Rosete que nos submete e promete ceias de Natal à entrada do centro comercial à saída do Telejornal cacetete tête-à-tête confidencial dá-me a tua morada a tua namorada o teu portal envia-me um postal uma queca no matagal uma mulher fatal e diz aos putos para parar com o cagaçal não me trates mal não me ponhas mole, ó Amaral.
Chiclete na net orgia na retrete revista coquete croquetes amor de trotinete atómica supersónica harmónica filarmónica filantrópica psicotrópica Mónica, volta aos meus braços aos meus cansaços aos meus bagaços aos meus palhaços em pedaços laços estilhaços calhamaços caracóis duquesa de Góis rouxinóis prato de rissóis cachecóis em Cascais aos casais jornais informais ais aias saias sais minerais saque no cais de embarque um traque no Iraque tic-tac xeque-mate Camarate serrote garrote pote pichote Senhora do Ó tende piedade do Tó que anda metido no pó Aniki-bobó às quartas-feiras dentro das eiras dentro das freiras dentro das frieiras na àgua das torneiras no universo dos Pereiras das colmeias e das onomatopeias ah já dá cá cara de amenduá meu xará vem cá saravá em Dakar junto ao mar
recomeçar dar as cartas cavalgar inventar assassinar penar pinar reinar alcatroar albatroz fêmea feroz fêmea atroz fêmea atrás fêmea com gás que leva e traz prazeres em ruínas suíças preguiças tesão que não sobe mulher que fode mulher que pede e escraviza e sodomiza Torre de Pisa rio Tamisa camisa falsa alça alce alface vegetal tribunal Cabral ao comité central ministros no bacanal com o teu soutien acampado na Lousã no comício do Louçã na casca da maçã a anciã masturba-se turva-se lava-se conserva-se foda-se! Latas de sardinhas minhas campainhas picuinhas lingrinhas xoninhas xanax pentax de alcoolemia cloreto de Eufémia mezinhas da Roménia Ofélia à janela Hamlet dentro dela omelete de cabidela cidadela sitiada aguarela sentinela ao relento rebento em movimento sedento sebento sardento sargento lá dentro whisky alento talento.
http://tratadodebotanica.blogspot.com
DO PARAÍSO

1
O empregado do "Piolho"
traz-me a torrada
e simpatiza comigo
O pintor
simpatiza comigo
e aprecia a minha poesia
O Rocha
simpatiza comigo
e chama-me pelo telefone
A Maria do "Nova Europa"
simpatiza comigo
e entrega-me as chaves
O paraíso está à vista.
2
Vou às sessões de poesia
dizer poesia
e as pessoas batem palmas
Vou à confeitaria
e a empregada felicita-me
por não fumar
Saio à rua
e as pessoas saúdam-me
Escrevo poemas
e olho para as gajas
Decididamente
o paraíso está à vista.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
O FUTEBOL E O PAÍS

O FUTEBOL E O PAÍS
O futebol pára o país
O país e o futebol jantaram juntos
O país, o futebol e o jantar
Reuniram-se na Junta de Freguesia
A água é o sangue da Terra
O que importa é que seja um bom jogo
E que ganhe o melhor
O país janta frango
O frango e o país foram ao futebol
O país deu um frango
O que importa é que seja um bom jogo
E que ganhe o melhor
O futebol encanta multidões
As multidões e o futebol comem frango
O futebol, o frango e as multidões
Comem o país
O que importa é que seja um bom jogo
E que ganhe o melhor
O Rocha é um analista reputado
O futebol, o frango e o Rocha
Banharam-se na Praia da Rocha
O futebol e o país foram às putas
O que importa é que seja um bom jogo
E que ganhe o melhor.
1.12.2007
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
MANIFESTO ANTI-TRABALHO

Estou farto dos velhos
que mandam os malandros trabalhar
estou farto do paleio imbecil
do Governo e da televisão
estou farto das Finanças
e da Segurança Social!
Que se foda o dinheiro!
O Sócrates que vá trabalhar!
Quero passar passar o dia
a escrever poemas
e a olhar para as gajas.
Estou farto de défices,
de percentagens e de economistas!
Estou farto de racionalistas,
de ponderações e de analistas!
Estou farto de santas, de seitas
e da moral!
Estou farto dos políticos
e das directivas do comité central!
Estou farto do Rocha, do Makukula
e do país!
Que se foda o dinheiro!
Não quero trabalhar!
Quero passar o dia
a escrever poemas
e a olhar para as gajas.
PARTIDO SURREALISTA SITUACIONISTA LIBERTÁRIO
DOIS POETAS
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AO RUI LAGE
Dois poetas marcaram encontro
no café "Ceuta"
um poeta espera pelo outro
que nunca mais chega
um poeta bebe café e pensa
um poeta enlouquece à mesa
Dois poetas conversam no café "Ceuta"
dois poetas bebem café
e falam de poesia
dois poetas abandonam o café
e percorrem as ruas
dois poetas conversam na rua
dois poetas conversam
dois poetas.
QUOTIDIANO
Os deuses dançam a meus pés
mas o quotidiano não se altera
Mantenho diálogos absurdos com o Rocha
mas o quotidiano não se altera
Tenho pensamentos sublimes
mas o quotidiano não se altera
Tenho explosões constantes
mas o quotidiano não se altera
O doutor persegue-me por todo o lado
mas o quotidiano não se altera
O país ama o futebol
e o quotidiano não se altera
O país, o Rocha e o doutor
vão ao futebol
e o quotidiano não se altera
O país, o Rocha, o futebol e o quotidiano
andam metidos na heroína
e o quotidiano não se altera
A heroína vai ao futebol
e o quotidiano não se altera.
2.12.2007
mais em http://partido-surrealista.blogspot.com
mas o quotidiano não se altera
Mantenho diálogos absurdos com o Rocha
mas o quotidiano não se altera
Tenho pensamentos sublimes
mas o quotidiano não se altera
Tenho explosões constantes
mas o quotidiano não se altera
O doutor persegue-me por todo o lado
mas o quotidiano não se altera
O país ama o futebol
e o quotidiano não se altera
O país, o Rocha e o doutor
vão ao futebol
e o quotidiano não se altera
O país, o Rocha, o futebol e o quotidiano
andam metidos na heroína
e o quotidiano não se altera
A heroína vai ao futebol
e o quotidiano não se altera.
2.12.2007
mais em http://partido-surrealista.blogspot.com
sábado, 1 de dezembro de 2007
CABELOS BRANCOS
CABELOS BRANCOS
Os cabelos
Vão ficando brancos
As amigas morrem
Ao telefone
Conversas
Que se repetem
A cidade
perde o encanto.
Set. 2004.
Os cabelos
Vão ficando brancos
As amigas morrem
Ao telefone
Conversas
Que se repetem
A cidade
perde o encanto.
Set. 2004.
LUZ

Luz! Luz! Faça-se luz!
Possuído por um deus
celebro festins interiores
Luz! luz! Faça-se luz!
Em busca de iluminações
atiro-me contra as paredes
Luz! Luz!
Pedaços de mim
esvoaçam sublimes
Luz! Luz!
Meu canto doido
para lá dos homens!
Luz! Luz!
Para lá das montanhas
para lá das cidades!
Luz! Luz!
À mesa do café
percorro eternidades
Luz! Luz!
Ao poeta das trevas
ao vagabundo das eras!
Luz! Luz!
Dá-me vinhos, licores
mostra-me a saída!
Luz! Luz!
Ilha dos amores,
minha rainha!
Luz! Luz!
Meu canto doido
e um deus
que dança
a meus pés.
A. Pedro Ribeiro, Motina/Clássico Real, 1.12.2007.
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