domingo, 11 de maio de 2014
ALMA E CÉU
Não sou um revolucionário tradicional nem um militante normal. Sou um poeta, um escritor, um intelectual. Tenho um partido- o MRPP- mas não sigo a cartilha oficial. Penso que a revolução acontecerá dentro de 20 ou 30 anos. O homem está a ser assassinado, a natureza está a ser destruída. Está tudo na mão dos mercados, dos especuladores, dos salteadores. Estamos num casino. Os poderes políticos obedecem ao casino, aos grandes grupos financeiros. Nada disto é feito em prol do desenvolvimento da humanidade. Os poderes querem que os povos permaneçam na cegueira e na ignorância enquanto facturam e avançam. A ciência e a tecnologia avançaram extraordinariamente mas não respondem às questões fundamentais nem resolvem os grandes problemas do homem. Quem somos? Porque viemos? O que fazemos aqui? A pobreza e a miséria alastram. Além das revoltas que têm acontecido na Europa e na América Latina já se adivinham grandes catástrofes naturais. O capitalismo rebentará. Não somos apenas corpo e Terra, somos também alma e céu. Alguns de nós perseguimos a poesia, a beleza, a sabedoria. Temos de ser mais. Viemos para nos realizarmos, não para sermos escravos, não para sermos autómatos. Temos em nós algo de divino. Não podemos aceitar que a vida se resuma a comer, beber e ganhar dinheiro. Temos capacidades mentais e espirituais prodigiosas. Juntêmo-nos. Revoltemo-nos. Construamos um mundo novo.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
SERES SEM ALMA
Passos Coelho e Paulo Portas são castradores, inimigos da vida. Além de baixarem os salários e as pensões e de aumentarem os impostos, roubam-nos a vida. Para eles e para os comentadores do regime, a vida resume-se ao negócio, ao empreendorismo, aos mercados, à finança. São seres sem alma que seguem a cartilha de Merkel e do capitalismo. A sua função é destruir o homem, afastá-lo do belo e do maravilhoso. Mas nós sabemos que o homem vem do céu e vem da Terra. Nós sabemos que o homem quando sair da cegueira vai ser capaz de voar. Vai descobrir em si a divindade e a santidade. E nunca mais se deixará enganar. Há um outro mundo dentro deste mundo. Um mundo de alma e espírito, um mundo de amor, bem e liberdade. Passos e Portas são tão limitados. Agarrados à conta e aos jogos de poder estão nos antípodas da vida livre. Da vida que vem da sabedoria, dos céus, do eterno. Descubramos o homem interior, o homem que dança e ri. O homem que faz e vive a poesia.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
VIRTUOSOS
Temos de ser virtuosos, justos e procurar a sabedoria. Eis porque viemos. Não para levar uma vida fútil. Não para combater os nossos iguais. Viemos para ser poetas, escritores, diseurs. Não temos de ter outro trabalho. A vida é muito mais do que a sobrevivência. A vida é espírito. São o espírito e o pensamento que nos mantêm vivos. Até poderíamos passar a vida a pensar. Não temos de pagar a vida. Não temos de pagar coisa nenhuma. Procuramos a paz interior mas também a revolução. A maior parte das pessoas não sabe o que veio fazer à vida. Não sabem que nos devemos construir do nascimento ao momento presente. Não deveríamos precisar de ganhar a vida. Ansiamos pelo grande banquete gratuito. Ao homem sem dinheiro como Sócrates ou Jesus. Deveríamos ser convidados para ir às casas das pessoas. Deveríamos falar na praça pública. É evidente que há muita gente com fome, muita gente desempregada, os impostos sobem, os salários diminuem tal como as pensões. Mas nós viemos falar do homem livre, do homem que é pensamento e acção. Viemos dizer que muitos são controlados mesmo que não tenham noção disso. Viemos dizer que a ciência e a tecnologia conheceram avanços extraordinários mas o homem é o mesmo das tragédias de Shakespeare. Alguns homens estão mesmo ao nível dos macacos. Não são capazes de ter uma conversa elevada. Procuram o poder, o estatuto, a riqueza. Como estão longe dos filósofos de Platão. Virtude, justiça, amor, liberdade, sabedoria. Muitos nem sequer são capazes de pegar num livro, permanecem voluntariamente na ignorância. Outros vivem da rapina, do trepar por cima do outro. Não, não contemos com essa gente. A revolução será feita por uma minoria esclarecida.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
A ECONOMIA DA FRATERNIDADE
“Primeiro a família trata de a domesticar (à criança) (…) de maneira que ela desempenhe muito bem o seu papel na sociedade. Ou, por outro lado, mete-se na escola que vai dar a continuação, que vai fazer dela um profissional acima de um ser humano, mais importante do que um ser humano.”
(Agostinho da Silva, “Vida Conversável”)
Na ânsia da sobrevivência, na ânsia de vir a ter dinheiro e sucesso, a família e a escola esquecem a construção do ser humano. Descura-se o saber pelo saber, a criação, a descoberta. Como afirma Agostinho da Silva, as pessoas têm o direito de comer mesmo que não trabalhem. Temos de sair deste mundo de competição, de rapina, temos de passar de uma economia de concorrência, de luta para uma economia de fraternidade. Temos de ser a criança sábia de Nietzsche. Não temos dúvidas de que à civilização técnica de massa e de rebanho, que ao caos e à barbárie sucederá um novo mundo de amor, paz, liberdade e sabedoria. Pode ser daqui a 20, 30 ou 100 anos mas ela virá. Não é possível o homem tão escravizado, tão manietado pelos media e pelos mercados, tão cheio de medo. Não é possível o homem deixar de ser homem. Não é possível anular a vida.
(Agostinho da Silva, “Vida Conversável”)
Na ânsia da sobrevivência, na ânsia de vir a ter dinheiro e sucesso, a família e a escola esquecem a construção do ser humano. Descura-se o saber pelo saber, a criação, a descoberta. Como afirma Agostinho da Silva, as pessoas têm o direito de comer mesmo que não trabalhem. Temos de sair deste mundo de competição, de rapina, temos de passar de uma economia de concorrência, de luta para uma economia de fraternidade. Temos de ser a criança sábia de Nietzsche. Não temos dúvidas de que à civilização técnica de massa e de rebanho, que ao caos e à barbárie sucederá um novo mundo de amor, paz, liberdade e sabedoria. Pode ser daqui a 20, 30 ou 100 anos mas ela virá. Não é possível o homem tão escravizado, tão manietado pelos media e pelos mercados, tão cheio de medo. Não é possível o homem deixar de ser homem. Não é possível anular a vida.
domingo, 27 de abril de 2014
O NOVO MUNDO
Com Henry Miller redescubro a vida, a vida autêntica. Olho as mulheres. Desejo-as. Se lhes pudesse contar o que sei agora ficariam confusas, poriam as suas ideias em causa. Algumas delas, claro. Não vinguei como professor. Só dei aulas durante um mês em Lagos. Ainda assim devo ter deixado algo de mim naqueles putos. A tal educação libertária. Enfim, gostava de voltar a ensinar as crianças e os jovens. Deixar-lhes a mensagem do novo mundo. Do novo mundo que aí vem sem capitalismo, sem dinheiro, sem polícias. É claro que para lá chegar atravessaremos o caos e a barbárie. Eles estão aí com o capitalismo. A minha missão é esclarecer as consciências. Vem aí o novo mundo. Preparai-vos. Andais perdidos, enganados com o capitalismo, com a máquina. Sois reduzidos a sub-homens, a escravos. Mas haja esperança. Vem aí o novo mundo. Acabou o tempo das risadas e das doces mentiras, cantou Jim Morrison. Vem aí o novo homem. Dancemos. Chegou a hora.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
HOJE, NA CASA AMARELA, GUIMARÃES, ÀS 22h
A Noite de Poesia da Casa Amarela de 23 de Abril terá o seguinte formato:
1ª parte
«À conversa com ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO» - Poemas do autor ditos pelo próprio
«Microfone aberto» - para quem quiser dizer textos seus ou de outros poetas
«Microfone aberto» - para quem quiser dizer textos seus ou de outros poetas
2ª Parte
Actuação do grupo «FOTOCÓPIAS» - Rock Português anos 80
Actuação do grupo «FOTOCÓPIAS» - Rock Português anos 80
Apareçam! Começa às 22h00. Vai ser uma grande noite!
segunda-feira, 21 de abril de 2014
O DRAMA DO POETA
"Que tinha para dizer ao mundo que fosse tão desesperadamente importante? Que tinha para dizer que não tivesse sido dito antes, e milhares de vezes, por homens infinitamente mais dotados do que eu? (...) Em que sentido era eu único?"
(Henry Miller, "Nexus")
Eis o grande drama do poeta, do escritor. Não as futilidades que muitos escrevem. Seremos únicos? Vêm-nos à cabeça coisas que os outros não pensam? Não estaremos sempre a trabalhar? A mente e o espírito produzem continuamente. Neste momento sou um bêbado inspirado. Saí da caverna. Vejo claramente a luz. O que tenho a dar pertence ao mundo inteiro. Outros foram ou são muito mais dotados do que eu. Outros mudaram o mundo com a sua arte, com a sua palavra. Eu sou apenas um aprendiz de filósofo. Caminho entre os homens. Venho ao café beber cerveja e ler Henry Miller. Só tenho conversa para alguns, normalmente na cidade. Ultimamente tenho-me sentido mais solto, especialmente com as mulheres. Tenho o tal paleio do caos, do fim do dinheiro, do poeta alucinado. Enfim, conversas com copos. Há quem ache piada aos meus ditos e principalmente aos meus escritos. Aprendi contigo, Jaime. Arranjam-se uns trocos, bebem-se umas cervejolas. E já nos julgamos imortais. De qualquer forma, não temos de nos andar sempre a lamentar, não temos de nos auto-culpabilizar como os cristãos. Fizemos o que havia a fazer. E ainda temos muito a fazer aqui na Terra.
(Henry Miller, "Nexus")
Eis o grande drama do poeta, do escritor. Não as futilidades que muitos escrevem. Seremos únicos? Vêm-nos à cabeça coisas que os outros não pensam? Não estaremos sempre a trabalhar? A mente e o espírito produzem continuamente. Neste momento sou um bêbado inspirado. Saí da caverna. Vejo claramente a luz. O que tenho a dar pertence ao mundo inteiro. Outros foram ou são muito mais dotados do que eu. Outros mudaram o mundo com a sua arte, com a sua palavra. Eu sou apenas um aprendiz de filósofo. Caminho entre os homens. Venho ao café beber cerveja e ler Henry Miller. Só tenho conversa para alguns, normalmente na cidade. Ultimamente tenho-me sentido mais solto, especialmente com as mulheres. Tenho o tal paleio do caos, do fim do dinheiro, do poeta alucinado. Enfim, conversas com copos. Há quem ache piada aos meus ditos e principalmente aos meus escritos. Aprendi contigo, Jaime. Arranjam-se uns trocos, bebem-se umas cervejolas. E já nos julgamos imortais. De qualquer forma, não temos de nos andar sempre a lamentar, não temos de nos auto-culpabilizar como os cristãos. Fizemos o que havia a fazer. E ainda temos muito a fazer aqui na Terra.
sábado, 19 de abril de 2014
EM BRAGA À SOLTA
Estou em Braga. De novo n´"A Brasileira". Espero a Gotucha. Observo as gentes. O louco que entra. As pessoas passam na rua. Está sol. É Primavera. Namorados vêm abraçados. Entra a patroa bonita. Foi aqui que me descobri. Foi aqui que me fui tornando poeta. Aqui os mexericos incomodam-me menos. Aqui reino. Apesar de já não conhecer quase ninguém. O menino chora. Há muitos anos que já não vejo a Natércia. Ensinou-me muita coisa, ensinou-me a dizer poesia. Também nunca mais vi o Rui e o Jorge. Já não sou o rapaz dos 18 anos. Estou mais sábio, sem dúvida. Li muitos livros entretanto. As barbas estão brancas. Estou em Braga à solta.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
PAZ PODRE
Tenho os dias para mim. Isso ninguém me tira. Posso ler, estudar, vadiar. Posso escrever o novo livro. Não tenho de submeter-me a chefes nem a horários. De certa forma, estou fora do capitalismo. As pessoas ainda riem, conversam, trocam delicadezas mas, de facto, fazem parte do rebanho, daqueles que obedecem. Vão à escola, à faculdade mas não problematizam o sentido da vida. Sabem é comerciar, fazer negócio. Vivem presas. A maioria não é capaz de um comentário elevado, digno de um ser humano livre. Não é capaz de vociferar contra o sistema que faz deles escravos. São simpáticos, é certo. No entanto, falta-lhes alma, nobreza, grandeza. São os homens pequenos, os homens das meias-medidas, contentam-se com as pequenas coisas, não anseiam pelo super-homem, não querem conquistar a Terra. Na verdade, querem que o mundo permaneça tal qual é. Preocupam-se com o seu sustento e pouco mais. Não têm iniciativa. A única iniciativa que têm é a defesa dos seus e dos seus negócios. Não pensam em dirigir-se aos demais, em denunciar a situação, em lançar um jornal. Deixam ser-se influenciados pelos outros, só influenciam no sentido da normalização. Ah! Como me irrita esta paz podre, esta simpatia plástica. Como me irrita esta aceitação da lavagem ao cérebro, das vedetas televisivas. Não há nada de profundo. Não há Shakespeare, nem Dostoievski, nem Nietzsche. O amor reduz-se a círculos muito restritos. Não se alarga. O capitalismo é o contrário do amor. Reduz tudo à tecnologia, à bolsa, à eficácia. Daí que muitas vezes fiquemos deprimidos, vencidos, sem saída. Daí que não sejamos quem somos.
sexta-feira, 11 de abril de 2014
A REGRESSÃO DO ESPÍRITO
Gente que vai passando os dias, que vai sobrevivendo, que quer moldar os filhos para o sucesso a qualquer preço. Assim não se vive. Cumprem-se os dias, cumprem-se as horas. Não há um rasgo, um grito, uma blasfémia. Há uma grande preocupação com as notas escolares, não com a busca de sabedoria, muitos aspectos desta são postos de lado, só interessa o saber instrumental, útil. Raros são aqueles que filosofam à mesa. Raros são aqueles que discutem a verdadeira vida. Raros são aqueles que se reúnem no "Banquete" de Platão e Sócrates. Não se trata apenas de discutir umas palavras de ordem como fazem os partidos de esquerda. Trata-se de discutir tudo. Do nascimento até à morte. O homem, a criança, vem ao mundo cheia de potencialidades. Só que a família e a escola começam a impor-lhe preconceitos, a empurrá-la para a competição e para o mercado. Daí que haja muitos adolescentes frustrados, infelizes. A escola não lhes ensina a verdadeira vida. Não lhes diz que a vida pode ser uma autêntica festa e uma busca da sabedoria. Os jovens até podem ter uns anos de festa, de embriaguez mas logo são empurrados para o trabalho, para o assentar, para a obrigação. Acaba-se a festa, perde-se a curiosidade pelo conhecimento, mata-se a vida, a verdadeira vida. Vivemos, quando muito, a prestações. Não seguimos os xamãs, não revelamos curiosidade pelos deuses e espíritos interiores. Levamos uma existência castrada. Só a tecnologia progride e, por vezes, é limitadora. O espírito parece ter regredido.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
AGOSTINHO DA SILVA
Segundo Agostinho da Silva, ter um trabalho é diferente de ter uma ocupação. Um trabalho é algo de imposto, de obrigatório, de desgastante. Uma ocupação é algo que se escolhe, uma vocação, algo de livre. Agostinho defendia que os desempregados deveriam frequentar uma universidade inteiramente livre para combaterem o tédio. É o tal menino da vida gratuita, que não está sujeito a nenhuma espécie de disciplina. As pessoas de hoje estão muito ansiosas, obcecadas pelo dinheiro, muitas perderam o gozo de brincar, de criar, o espírito de vadiagem que também se faz por dentro. Com Agostinho temos o homem livre, o homem sábio, o homem que desenvolve todas as suas potencialidades.
domingo, 6 de abril de 2014
EU VIVO O QUE ESCREVO
Agora que caminho em direcção à sabedoria, agora que sou o poeta, o escritor, o quase filósofo, as coisas parecem-me mais claras. De facto, ao longo destes anos, tenho procurado uma espécie de luz, de sagrado, que vivi nas minhas fases eufóricas, nas minhas trips, mas também nestes estados de hipomania. O pensamento acelera e eu sou alma em busca da virtude, da beleza. Nunca experimentei os ácidos mas esta mistura de álcool com medicamentos e com a própria criação poética produz o tal "efeito coca". Durmo muito menos, estou muito mais desperto e confiante em mim próprio. Na verdade, penso que estou a chegar onde queria em termos de escrita. O Rui Azevedo Ribeiro diz que a poesia é superior mas eu estou convicto de que a prosa está mais solta, menos repetitiva. Neste momento, sou mesmo o criador à maneira nietzscheana. Sem falsas modéstias. As minhas leituras produzem efeito. Como Henry Miller tento aumentar a vida. Procuro chegar às pessoas. Influenciá-las. Dizer-lhes que não têm de ser escravas. Que há um mundo para lá da "realidade", do útil, do "prático". Um mundo de invenção e descoberta. O reino da liberdade absoluta. A minha vida está aqui. Eu vivo o que escrevo. Não faço floreados nem grandes remendos. Talvez fale demasiado sobre mim. Talvez devesse inventar outros personagens. No entanto, não tenho sido capaz. Mas com a produção que levo hoje tudo é possível.
terça-feira, 1 de abril de 2014
9 ANOS DE "TRIP NA ARCADA"
Este blogue faz nove anos. Agradeço a todos que me visitaram, que me visitam, que me comentam. E que a trip continue na Arcada.
sexta-feira, 28 de março de 2014
PRISIONEIROS
As pessoas não têm conversas profundas. Falam de trivialidades, de mexericos, da vidinha. Não filosofam. Não lêem os grandes livros. Não aprofundam a alma. Limitam-se a sobreviver, a cumprir os dias. Não fazem a hora. Correm para casa, estão cheias de medo. Não se interessam pelos poetas, pelos filósofos. Contam os trocos e vivem em função deles. Ouvem as notícias e os comentadores e não os questionam. Levam uma vida de prisioneiros. Nem sequer desenvolvem a sua vida interior. Fecham-se na família. Não vão discutir para a praça pública. Não exercem a democracia. Não são livres. Não são plenas. Não explodem, não se revoltam contra o instituído. Queixam-se. Choramingam. Falam de doenças. Não estão interessadas em aperfeiçoar a humanidade. Os pais querem o sucesso dos filhos, o sucesso a qualquer preço. Votam em dirigentes sem escrúpulos, sem humanidade. Não vivem. Não se educam, não se cultivam. Só lhes interessa o material, o instrumental. Por isso fazem do dinheiro e do mercado deuses. Verdadeiramente não estão interessados no progresso do homem, no desenvolvimento da alma. Deixaram de acreditar nos mitos, nas lendas. Guiam-se pelo útil, pelo interesse. Raramente amam. Não têm horizontes. Não buscam o poético, o sublime. Não buscam a virtude, a sabedoria. São homens pequenos, vencidos. São incapazes de um rasgo, de um golpe de asa. Não criam. Estão mortos. Obedecem.
quarta-feira, 26 de março de 2014
O VERDADEIRO HOMEM
Leio "Assim Falava Zaratustra" pela sétima vez. Não conheço obra mais genial. O criador, o bailarino, o homem superior entram em mim. A vida, o amor e a liberdade são meus. Afasto-me do homem pequeno, do mercador, do merceeiro, afasto-me dos macacos que trepam, dos poderes, do grande dinheiro. Tudo é grandeza e nobreza. Zaratustra, tu ensinas-me a viver. Há dias, noites em que me exibo na praça pública, em que procuro a companhia das mais belas mulheres. Ou então estou aqui na aldeia. A enriquecer-me, a ler-te, a estudar-te, a desenvolver as minhas potencialidades. Sinto-me preparado para o grande meio-dia, para a revolução, para a glória. Tomaremos Lisboa. Ocuparemos as praças. Ocuparemos os palácios do poder. Devolveremos o homem ao homem, a espécie à espécie, o mundo ao mundo. Cantaremos nas caras do capital. O verdadeiro homem não é o lacaio, não é o escravo, não é o que procura a felicidade da maioria. O verdadeiro homem é aquele que é único, aquele que se basta a si mesmo, aquele que ri. O verdadeiro homem é o homem do grande amor, do grande espírito, da grande alma. É aquele que se dá, que ensina, que transmite a sabedoria. O verdadeiro homem não se contenta com conversas banais, é aquele que provoca, que desafia, que faz pensar. É aquele que quebra a rotina, o tédio, o quotidiano vazio e previsível. O verdadeiro homem é Zaratustra.
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