segunda-feira, 26 de março de 2012

DA REVOLUÇÃO


Dia 22 de Março houve pessoas agredidas no Porto e em Lisboa nas manifestações. Jornalistas inclusivé. O capitalismo dos mercados não esconde a face fascista. Eis o que está por detrás dos apelos à ordem e ao trabalho de Passos Coelho e quejandos. Eis o que esconde o país bem-comportado e cumpridor que eles nos tentam vender. Eis a ditadura real sob o manto da democracia burguesa. Para acabar com a ditadura ou com a barbárie só há uma solução: a revolução. Revolução. Eis a palavra que eles temem. Eis a palavra que vem dos socialistas utópicos, de Marx, de Bakunine, de Che Guevara. Eis a luta contra os imperialismos alemão, chinês e norte-americano. Tomemos a rua, companheiros. O capitalismo não tem saída. Por muitas fantasias, por muitas tardes sossegadas que nos espetem nos cornos. Muita gente começa a compreender. Mas é preciso ler alguns poetas, alguns escritores, alguns filósofos. A Europa está moribunda. Começa a chegar a hora. Começamos a despertar do longo sono. Unamo-nos aos companhiros da Grécia. Combatamos o fascismo capitalista. Bebamos à nova era, ao fim dos bancos e dos especuladores. Dancemos. Celebremos o novo dia. Venceremos, irmãos, venceremos. Esta é a nossa hora.

sexta-feira, 23 de março de 2012

SÃO DIFERENTES DE MIM AS MULHERES


São diferentes de mim as mulheres. Mas são vaidosas como eu. Passeiam-se como primas-donas. São diferentes de mim as mulheres. Ainda não as consegui compreender. Só à noite quando bebem. Não pensam como eu. Normalmente não são quixotescas. São diferentes de mim as mulheres. Queria aproximar-me mais delas. São diferentes de mim as mulheres. Mas prestam culto a Dionisos e às musas. Se não fosse o dinheiro seriam completamente loucas. São diferentes de mim as mulheres.

AMOR, LIBERDADE, POESIA


O amor, a imaginação poética opõe-se ao calculismo do burguês, segundo Rousseau que, tal como Platão, tenta recapturar a poesia do mundo. Daí que a verdadeira poesia seja banida do quotidiano capitalista. "A terra não está já povoada de espíritos e nada apoia mais as aspirações humanas. Os homens só podem afectar-se uns aos outros pela força ou por motivos de lucro", diz Allan Bloom. É ao amor e à poesia que compete mudar o mundo. E também à liberdade. Já o diziam os surrealistas. Não escutemos mais as patranhas da economia, a economia tem destruído o homem.

quarta-feira, 21 de março de 2012

HAMLET


Já tive delírios. Segundo Platão, já tive a dádiva da divindade. Quando me imaginava Deus, quando queria atravessar para o outro lado, eu era esse, o iluminado. Quando apareci nos arredores da Póvoa sem saber como, quando me passei com a imagem do cristo crucificado na Páscoa de Braga, eu era esse, tocado pelo divino. Esta vida do realismo, do racionalismo económico não o entende. Serei mesmo um rei vindo de outras eras, um rei que deseja ardentemente a revolução. Um ser que é fundamentalmente alma. Que é capaz de dizer o que há muito não é dito, talvez desde Camelot. Um rei amaldiçoado em busca do Graal. Ser ou não ser Hamlet?

PRIMA-DONA


Ter a ideia. Não basta ter uma boa ideia para escrever um bom poema. Há que manter um ritmo. Há que soar melhor. Há que trabalhar o poema. Mesmo que eu nunca tenha sido um trabalhador. Sou mais uma "prima-dona", daquelas que entram em campo e dão dois ou três toques de classe, tipo Pablo Aimar. Nunca fui de correr muito. Não sou, nunca serei, um trabalhador.

sábado, 17 de março de 2012

O POETA E A MULHER BELA-2


Não há dúvida que as mulheres atraentes, que as mulheres que despertam o desejo sexual nos fazem escrever, nos fazem atingir estados sublimes, magníficos. Para o artista é muito mais custoso viver sem a mulher bela, sem a mulher amada, mesmo que esta esteja apenas na sua imaginação. Mas se estiver na presença dela tanto melhor. É ela que se exibe, que se passeia pelos salões. É ela que põe o poeta fora de si, que o faz subir às alturas. O poeta deveria viver rodeado de mulheres belas, em vez de se deixar domesticar pela máquina, pelo mundo da luta pela existência. Não, o poeta não pode estar aí, o poeta é de uma espécie difedrente, o poeta veio para cantar a mulher bela.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A ALMA DO POETA

O poeta vem à cidade
ao Piolho
olha para a bola
escreve
esteve a ler Aristóteles
comprou Henry Miller
"Um Diabo no Paraíso"
nos livros usados
recebeu dinheiro
do "Queimai o Dinheiro"
por isso está aqui
a beber cerveja
a Susana não vem
o telefone não toca
há mais intelectuais
no Piolho
outros olham a bola
é um desperdício de tempo
ficar a olhar 1,30 hora
para a bola
mas também não há meninas
com quem falar
o poeta escreve
os empregados circulam
este é um mundo cão
apesar da aparente serenidade
da aparente simpatia
o poeta sabe-o
lê os sábios
talvez a solução
seja deitar tudo abaixo
construir uma cidade nova
uma cidade governada
por filósofos
como Platão e Sócrates defendiam
concretizar isso
em vez de andar aqui
a aturar os bárbaros da bola
sim, que o poeta
se passeie entre eles
como entre os animais
o poeta é superior
tem a alma
e a ideia
vem dos céus
vem das estrelas.


Porto, Piolho, 14.3.2012

ENTREVISTA A A.PEDRO RIBEIRO EM "A VOZ DA PÓVOA"


Poemas com Cafeína

José Peixoto

Nasceu no Porto em Maio de 1968, no mesmo ano e mês em que, em Paris, a juventude estudantil se manifestava contra o conservadorismo de uma Europa anquilosada. Actualmente António Pedro Ribeiro vive em Vilar de Pinheiro. É licenciado em Sociologia e assume-se como um revolucionário da palavra. Colaborador de diversas revistas, é autor de nove livros de poesia e um de prosa poética. Em Novembro de 2011, publicou “Café Paraíso” nas Edições Bairro dos Livros.


A Voz da Póvoa – No percurso do poeta há sempre uma mesa de café?



António Pedro Ribeiro

António Pedro Ribeiro – Este livro vem na sequência de outros como: “à mesa do homem só”, “Sallon” e “um poeta no piolho”. Tenho escrito essencialmente nos cafés. E tem sido essa vivência dos cafés que tem marcado a minha escrita nos últimos anos. Neste livro há uma recolha de poemas premeditada. Alguns estavam completamente esquecidos no computador, outros andavam desaparecidos em papéis.


A.V.P. – Como é que se consegue concentrar num café?


A.P.R. – Consigo perfeitamente escrever com o ruído do Piolho, da Brasileira de Braga, do Guarda Sol da Póvoa, do Pátio ou dos cafés da minha aldeia. O ruído às vezes até ajuda. As conversas, o empregado de mesa, o gerente, o homem que berra, o bêbado, o louco, os teóricos e os revolucionários de café. São tudo personagens que surgem. Não é necessariamente o silêncio que me faz escrever.


A.P.R. – Onde considera que o livro Café Paraíso se separa dos anteriores?


A.P.R. – O culto do álcool e das noitadas existe menos. É mais o café da tarde e menos o bar da noite. Continua a existir a mulher, mas já não é uma figura de culto. É a mulher que passa, que enche o café, a mulher bonita, a empregada de mesa a quem nós às vezes oferecemos poemas. A mulher que te faz escrever.


A.V.P: - A sua poesia exige um leitor com o ouvido no mundo?


A.P.R. – Na televisão há uma máquina de propaganda que está ao serviço dos mercados, dos governos, das comissões europeias, dos bancos centrais europeus e FMI. Às vezes acho que se trata de uma manipulação completa, mas tenho que prestar atenção para poder reflectir, filtrar a notícia e escrever o que penso. A pessoa nem sempre consegue dominar essa máquina que lhe é impingida.


A.V.P. – Há um outro poeta mais atento às coisas do sentimento?


A.P.R. – Há o poeta da alma, mesmo que digam que somos corpo. Apesar das teorias da psicanálise, acho que existe uma alma. E é a alma que nos distingue dos animais e de outros homens que já deixaram de ser homens. Com isso vem o amor, a liberdade, a curiosidade. A curiosidade é fundamental para descobrir. Enquanto tiver curiosidade continuarei a fazer coisas.


A.V.P: - A “Poesia de Choque” é tal como o nome diz ou há lugar para o amor?


A.P.R. – Eu e o Luís Beirão tentámos fugir à poesia mais lírica. Convidamos uma certa poesia de intervenção ou Beatnick. Não tem que ser necessariamente de subversão política. Há também lugar para a harmonia sem choque. Podemos dizer poemas de amor mas não é propriamente do Eugénio de Andrade. No Clube Literário chegámos a ter a sala completamente cheia. Agora acontece no café Olimpo.


A.V.P. – Nasceu em Maio de 68. Acredita que essa revolução pode repetir-se?


A.P.R. – Hoje as razões voltaram a não ser só materiais. Há também uma voz que grita a liberdade. Em parte isso acontece na Grécia onde, para além de razões materiais, há uma revolução pela liberdade. Uma revolta contra todo um sistema. Contra a tal máquina. As imagens repetem-se: os carros incendiados e a polícia. Acho que mais tarde ou mais cedo vai acontecer uma revolução como a de Maio de 68.

quarta-feira, 14 de março de 2012

FILHO DO ROCK N' ROLL


Apesar de estar a estudar a "Poética"
de Aristóteles
sinto-me um filho do rock n' roll
vós não compreendeis, miúdas
deixastes de ouvir o Lou Reed
ouvis pastilha
e uns pimbazecos
deixastes o rock n' roll

houve um tempo
em que tinhas curiosidade, querida
em que me pedias para ver
os meus livros e os meus discos
com a cara do Lou, do Morrison, do Curtis
agora não
é só vidinha
mesmo que sejas simpática
e me tragas a cerveja
não conheces o bom rock n' roll
pouco conheces, na verdade
a não ser as tuas unhas
e o teu baton
além da forma como seduzes, boneca
já não conheces o rock n' roll.


Confeitaria Ni, Telha, 13.3.2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

DO ÚLTIMO HOMEM


Segundo Allan Bloom ("Gigantes e Anões"), para Nietzsche, a democracia liberal é o lar do "Último Homem", um ser sem coração e sem convicções, uma marioneta dedicada à preservação e ao conforto. Eu vejo esse "Último Homem" aqui no café. Apenas sente amor pela família e aproxima-se dos outros homens graças ao medo da morte e da solidão. De resto, nada de elevado, de nobre, as conversas são perfeitamente banais e superficiais. O último homem, o homem burguês deixa-se levar por cançonetistas pimba, por programas que exploram os sentimentos primários, por "reality-shows", por notícias manipuladas. Não há convicções, tanto se vota no PSD como no PS. O último homem fala do sustento, do conforto, das doenças, do dinheiro ao fim do mês. Em suma, uma tremenda vulkgaridade, um bocejo permanente. Deseja-se que as crianças sigam a linha dos pais e que venham a ganhar muito dinheiro, porque isso corresponde á felicidade. Daí que as crianças estejam limitadas à partida, apesar dos beijos e dos carinhos, a menos que se venham a revoltar contra a máquina. No fundo, estamos perante um sub-homem, incapaz de criar, que se limita a reproduzir o sistema e a imitar, por medo, o parceiro do lado. Não há qualquer enriquecimento ou engrandecimento do eu nem criação de valores. Estamos muito longe do homem superior de Nietzsche.

sábado, 10 de março de 2012

QUE VIMOS FAZER AO MUNDO?


Nascemos livres, gratuitamente. Depois tornamo-nos crianças, brincamos, aprendemos com os nossos pais várias coisas, aprendemos a ler e a escrever. Vamos para a escola. Apesar do tempo que permanecemos na escola, que gastamos a fazer os deveres de casa, brincamos, brincamos muito, rimo-nos imenso, gozamos. Somos livres, espontâneos, apesar da autoridade paternal. Depois chegamos à adolescência. Tornamo-nos tristes, no nosso caso muito pouco faladores. A escola, o liceu, começa a impôr-nos modelos, valores, formatações, a orientar-nos para o mercado e para a "vida prática". Ainda assim falamos com os nossos colegas e amigos. Começamos a questionar o mundo, a discutir os problemas, a descobrir a música e a literatura. Há aqueles que não descobrem, que não evoluem, que se limitam a imitar o dominante por medo de perder o grupo. Nunca seguimos o grupo, começámos a ler livros, a falar com as raparigas, depois vimos certos filmes. Entrámos na faculdade, começámos a sair à noite, a beber, divertiamo-nos sem limites, aparte as depressões. Muitos passam por essa fase de rebeldia mas depois assentam, casam, convertem-se ao tédio e à televisão. Nós entrámos em ruptura com a economia na Faculdade de Economia. Punhamos a máquina em causa. Envolvemo-nos em questões políticas, nas propinas, no PSR. Continuamos a divertir-nos, excepto quando estávamos em depressão. Esta poderia durar meses. Outros tornaram-se quadros políticos nas juventudes partidárias, nos partidos do sistema. Nós tivemos sempre a nossa loucura, bebíamos, dançávamos, questionávamos a máquina de propaganda. Tivemos amores. Sobretudo um. Trabalhámos em jornais. Publicámos livros de poesia. Dissemos poesia nos bares, em Paredes de Coura, no Campo Alegre. Hoje estamos convencidos que a nossa via não é a do trabalho nem a da acumulação de dinheiro nem a auto-conservação. Descobrimos o sentido da vida, a grandeza, o homem nobre. Estamos aqui para desenvolver ao máximo as nossas potencialidades e a nossa personalidade. Estamos aqui para aprender, para transmitir os nossos conhecimentos, para atingir o sublime, para descobrir a mulher. Procuramos os grandes, os mestres, os sábios, procuramos também o amor e a amizade. Tentamos expressá-lo na nossa escrita. Aumentamos a vida, com Henry Miller. Somos de novo crianças livres. Somos curiosos e criadores. Ambicionamos mudar o mundo e o homem. Eis o que fazemos aqui.

BRAGA CAMPEÃO

Os bracarenses derrotaram em casa o U. Leiria por 2-1 e igualaram, com mais uma partida disputada, o FC Porto na liderança do campeonato.

Frente ao último classificado, responsável por uma das duas derrotas dos minhotos na Liga, o Sp. Braga sentiu algumas dificuldades.

Os bracarenses chegaram ao intervalo a vencer por 1-0, golo apontado pelo defesa brasileiro Douglão aos 24 minutos, e no recomeço da segunda parte Lima aumentou para 2-0. O avançado brasileiro apontou o 17.º golo na prova.

Apesar do mau momento que atravessa, o U. Leiria ainda conseguiu reagir e reduziu aos 62 minutos, com um golo de Bruno Moraes, mas a equipa treinada por Leonardo Jardim segurou a vantagem que garante a 11.ª vitória consecutiva

A ALMA


Existe uma alma. Isto não pode ser só comer, beber, acumular e trocar dinheiro. Existe uma alma feita de amor, beleza, virtude. Existe uma alma que cria, que escreve, que pinta, que ensina, que ri. Existe uma alma que distingue o homem superior, que o torna grande, divino, que se afasta do macaco, do ser trepador, competidor. Existe uma alma que afasta o homem dos outros homens, que o aproxima deles quando pressente a verdade. Existe uma alma que faz o homem dançar.

QUERO UMA MULHER


Quero uma mulher que me ampare, que acarinhe a minha arte e a minha filosofia. Quero uma mulher que me dê filhos par que eu os possa ensinar no caminho do entusiasmo e da virtude. Quero uma mulher que me mexa nos cabelos e que faça despertar o super-homem. Quero uma mulher selvagem que vá comigo até ao infinito e à Criação.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O SENTIDO DA VIDA























O SENTIDO DA VIDA

Qual o sentido da vida?
Desenvolver ao máximo as nossas potencialidades aqui na terra, engrandecer a nossa alma através da arte, do conhecimento, do prazer, da beleza.
Conhecer as grandes obras, os grandes homens, questioná-los.
Procurar entre os nossos contemporâneos aqueles que nos ensinam e aqueles que nos amam.
Provocar a discussão, sabendo que muitos estão já irremediavelmente perdidos nos seus medos e na mera sobrevivência.
Combater o obscurantismo, a ignorância, a tirania.
E como defendem Marx, Rimbaud, Breton, transformar o mundo, mudar a vida.



O POETA E A MULHER BELA

Como diz Sócrates, o poeta é um enviado dos deuses. Bailarino de Dionisos, atinge o êxtase, sai fora de si, canta o amor e o vinho. O poeta procura a beleza, a mulher bela em todos os lugares. Ama-a, adora-a, oferece-lhe poemas, flores, puxa-a para si, tenta arrancá-la do mundo do útil e do conforto.
Os poetas que não são assim limitam-se a fazer jogos de palavras, a escrever sem coração, são os ... poetas do cálculo e da mercearia. É castrador viver sem paixão, sem desejo, sem magia, sem entrega à mulher amada. E é a mulher que exalta o poeta, como afirma Kierkegaard, é a mulher, que apesar de toda a sua natureza selvagem e também por isso, que faz o poeta maior, que o leva a criar o grande poema. Sobretudo nestes tempos de quase barbárie.