A Celebração Do Lagarto
LEÕES NA RUA
Leões na rua & deambulando
Cães com o cio, enfurecidos, espumando
Uma besta encurralada no coração da cidade
O corpo da sua mãe
Apodrecendo no chão veronil
Ele abandonou a cidade
Foi para o Sul
E atravessou a fronteira
Deixou o caos & a desordem
Para trás
Por cima do ombro
Uma manhã ele acordou num hotel verde
Com uma estranha criatura gemendo ao seu lado.
Suada lamacenta da sua pele brilhante.
Estão todos?
Estão todos?
Estão todos?
A cerimónia está prestes a começar.
ACORDEM
ACORDEM!
Vocês não se lembram onde foi
Terá este sonho parado?
A serpente era ouro pálido acetinada & encolhida
Tínhamos medo de tocá-la.
Os lençóis eram quentes e mortas prisões.
E ela estava a meu lado, velha,
Ele é, não; jovem.
O seu escuro cabelo ruivo.
A suave pele branca.
Agora, corre para o espelho da casa-de-banho,
Olha!
Ela vem para cá.
Não consigo viver em cada lento século do seu movimento.
Deixo a minha bochecha escorregar
O ladrilho fresco e suave
Sente o bom e frio sangue borbulhante.
Os silvos suaves, serpentes de chuva...
UM PEQUENO JOGO
Antes eu tinha um pequeno jogo
Gostava de rastejar no meu cérebro
Penso que sabes qual o jogo que me refiro
Refiro-me a um jogo chamado Enlouquecer
Agora devias tentar este pequeno jogo
Apenas fecha os olhos e esquece o teu nome
esquece o mundo, esquece as pessoas
E nós ergueremos um campanário diferente.
Este pequeno jogo é divertido de fazer.
Apenas fecha os olhos, impossível perder
E eu estou aqui, eu vou também
Liberta controlo, estamos a atravessar
OS HABITANTES DA COLINA
Bem no fundo do cérebro
Passando bem o limiar da dor
Onde nunca há nenhuma chuva
E a chuva cai suavemente sobre a cidade
E sobre as cabeças de todos nós
E no labirinto de correntes por baixo
Sossegada e celeste presença de
Nervosos habitantes do monte nos suaves montes de volta
Répteis com fartura
Fósseis, cavernas, frescas elevações de ar
Cada casa repete um molde
Janela rolou
Um carro de besta trancado contra a manhã
Todos dormem agora
Cobertores silenciosos, espelhos livres
Pó cega debaixo das camas de casais legítimos
Enrolados em lençóis
E filhas, enevoada com sémen
Olhos nos seus mamilos
Esperem! Ouve um massacre aqui
Não pares para falar ou olhar em volta
As tuas luvas e o leque estão no chão
Vamos sair da cidade
Vamos de fuga
E tu és aquela que eu quero me vir!!
NÃO TOCAR NA TERRA
Não tocar na terra, não ver o sol
Nada mais a fazer a não ser fugir, fugir, fugir
Vamos fugir, vamos fugir
Casa no topo do monte, a lua jaz quieta
Sombras nas árvores testemunhando a brisa selvagens
Anda, querida, foge comigo
Vamos fugir
Foge comigo, foge comigo, foge comigo
Vamos fugir
A mansão é amena no topo do monte
Ricos são os quartos e os confortos lá
Vermelhos são os braços de luxuosas cadeiras
E não vais saber nada até entrares lá dentro
Corpo morto do Presidente no carro do condutor
O motor funciona a cola e alcatrão
Anda connosco, não vamos muito longe
Para Este conhecer o Czar
Foge comigo, foge comigo, foge comigo
Vamos fugir
Alguns foras-de-lei vivem junto ao lago
A filha do ministro está apaixonada pela serpente
Que vive num poço junto à estrada
Acorda, rapariga, Estamos quase em casa
Sol, sol, sol
Queima, queima, queima
Lua, lua, lua
Apanhar-te-ei em breve... em breve... em breve!
Eu sou o Rei Lagarto
Posso fazer qualquer coisa
OS NOMES DOS REINOS
Nós chegamos dos rios e auto-estradas
Nós chegamos de florestas e cascatas
Nós chegamos de Carson e Springfield
Nós chegamos de Phoenix encantada
E posso dizer-te os nomes dos Reinos
Posso dizer-te as coisas que sabes
Ouvindo por um punhado de silêncio
Trepando vales até à sombra
O PALÁCIO DO EXÍLIO
Durante sete anos habitei no livre Palácio do Exílio
Jogando estranhos jogos com as raparigas da ilha
Agora estou de volta à terra dos justos
E dos fortes e dos sábios
Irmãos e irmãs da pálida floresta
Crianças da noite
Quem de entre vós fugirá com a caça?
Agora a noite chega com a sua legião púrpura
Metam-se nas vossas tendas e nos vossos sonhos
Amanhã entramos na cidade do meu nascimentoQuero estar preparado.
"O GÊNERO DE LIBERDADE MAIS IMPORTANTE, É SERES VERDADEIRO / TROCAS A TUA REALIDADE POR UM PERSONAGEM / TROCAS OS TEUS SENTIDOS POR UMA ATUAÇÃO/ DESISTES DA CAPACIDADE E EM TROCA POES UMA MÁSCARA/ NÃO PODE HAVER UMA REVOLUÇÃO EM GRANDE-ESCALA, SE ANTES NÃO HOUVER REVOLUÇÃO INDIVIDUAL DA PESSOA/ PRIMEIRO TEM QUE ACONTECER CÁ DENTRO."
"As pessoas precisam de Fios
Escritores, heróis, estrelas,
dirigentes
Para dar sentido à vida
O barco de areia de uma criança virado
para o sol.
Soldados de plástico na guerra suja
em miniatura. Fortalezas.
Navios de Guerra de Garagem.
Rituais, teatro, danças
Para reafirmar necessidades Tribais & memórias
um chamamento para o culto, unindo
acima de tudo, um estado anterior,
um desejo da família & a
magia certa da infância."
"No primeiro brilho do Éden nós corremos para o mar, ficando por lá, na praia da liberdade
Esperando pelo sol.
Você não percebe que agora que a primavera chegou,
é hora de viver ao sol difuso?
Esperando pelo sol
sperando que você venha até aqui
Esperando que você me diga o que deu errado
Essa é a vida mais estranha que eu já conheci"
(Waiting for The Sun)
"Sabem do febril progresso sob as estrelas?
Sabem que nós existimos?
Esqueceram porventura as chaves do Reino?
Já foram dados à luz e estão vivos?
Vamos reinventar os deuses e os mitos das idades;
Celebrar símbolos do mais fundo das antigas florestas (Esqueceram as lições da guerra pretérita)
[...]
Sabem que temos sido levados
à matança por almirantes plácidos
e que lentos generais gordos se tornam
obscenos com o sangue jovem"
(Fragmento de Uma Oração Americana)
sexta-feira, 29 de abril de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
RIBEIRO VOLTA A BRAGA

APRESENTAÇÃO DE "NIETZSCHE, JIM MORRISON, HENRY MILLER, OS MERCADOS E OUTRAS CONVERSAS" NO SUBURA (BRAGA)
A. Pedro Ribeiro apresenta o livro "Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, os Mercados e Outras Conversas" (Corpos/WorLd Art Friends) no bar Subura em Braga (à Sé) na próxima quinta, dia 28, pelas 22,30 h. A. Pedro Ribeiro ou António Pedro Ribeiro é autor dos livros de poesia e manifestos "Queimai o Dinheiro" (Corpos, 2009), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Um Poeta no Piolho" (corpos, 2009), "Saloon" (edições Mortas, 2007), "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (Pirata, 2004), "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (silêncio da Gaveta, 2001) e "Gritos. Murmúrios" (com Rui Soares, Braga, Grémio Lusíada, 1988). Foi fundador da revista "Aguasfurtadas" e tem colaborado em diversas revistas e fanzines como "Portuguesia", "Piolho", "A Voz de Deus" ou "Cráse".
"Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, os Mercados e Outras Conversas" fala da construção e superação do Homem, da vida pela vida em oposição à não-vida, à vidinha do mercado e dos mercados, às percentagens das bolsas e dos banqueiros que nos espetam na cabeça todos os dias. Do grito "Queremos o mundo e exijimo-lo agora!" de Morrison, em oposição aos políticos do regime, aos pregadores da morte e da mercearia, ao homem pequeno de Nietzsche. Fala da vida enquanto dádiva, celebração, excesso, na esteira de Miller. Do homem nobre, do menino e do bailarino, do criador dionisíaco que tomará conta da Terra depois da queda do capitalismo predador dos mercados.
A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto em pleno Maio de 68. Tem vivido em Braga, Porto, Trofa, Póvoa de Varzim e Vilar do Pinheiro (Vila do Conde). Frequentou os liceus Sá de Miranda e Alberto Sampaio em Braga e licenciou-se em Sociologia pela Faculdade de Letras do Porto. Foi activista estudantil na Faculdade de Letras do Porto e no Jornal Universitário do Porto. É actualmente candidato a deputado pelo PCTP/MRPP através do círculo eleitoral do Porto e já foi também candidato a deputado pelo PSR por Braga em 1991 e 1995 e candidato às Juntas de Freguesia de Vila do Conde e Póvoa de Varzim pelo Bloco de Esquerda em 2001 e 2005, respectivamente. Define-se como anarquista-nietzscheano-guevarista. Actuou como diseur e performer nos Festivais de Paredes de Coura de 2006 (ao lado de Adolfo Luxúria Canibal e Isaque Ferreira) e de 2009 (com a banda Mana Calórica), no Festival de Poesia de Salvaterra do Minho (Espanha) em 2007 e no Teatro Campo Alegre, nas "Quintas de Leitura" em 2009, local onde regressa a 26 de Maio próximo, acompanhado de Susana Guimarães, com a performance "Se Me Pagares Uma Cerveja Estás a Financiar a Revolução", integrado no evento "A Vida no Campo". É organizador, com Luís Carvalho, das noites de "Poesia de Choque" no Clube Literário do Porto e tem dinamizado diversas sessões de poesia nos bares Púcaros e Pinguim, no Porto, no antigo Deslize (Braga), no Pátio (Vila do Conde), bem como na Casa das Artes em Famalicão. Considera-se um homem liv
REVOLUÇÃO NO IÉMEN

Iêmen: A revolução árabe derrubará mais um?
Mais um governo está prestes a cair no Mundo Árabe. Após a Tunísia e o Egito, agora a ditadura de Ali Abdullah Saleh, que governa há trinta e dois anos o país, pode estar vivendo seus últimos dias. Aliado dos EUA no combate da Al-Qaeda, o país vive também conflitos ao norte (com a oposição minoritária xiita) e separatismo ao sul. Situado no extremo sudoeste da Península Árabe, é uma das nações mais pobres da região. Contudo, o que ocorrer por lá pode ter forte repercussão e se alastrar para a Arábia Saudita, que faz fronteira ao norte. O fim iminente da ditadura é indicado por uma proposta de transição política, feita há dias pelo Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Inteiramente composto por aliados dos Estados Unidos – Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Barein, Omã e Emirados Árabes – o CCG parece julgar a queda de Saleh inevitável. Busca uma saída não-traumática. O debate atual no Iêmen é precisamente sobre o caráter da transição política para um novo regime.
As mobilizações que desestabilizaram a ditadura começaram no final de Janeiro, contra a alta taxa de desemprego e a corrupção. Exigiam mais liberdade política. Ao longo desses meses, os protestos multiplicaram-se e assumiram caráter de luta contra o regime. Conflagrações políticas e tentativas de solução ocorreram sem sucesso. O governo recorreu a repressão violenta e provocou dezenas de mortes – mas isolou-se cada vez mais. A proposta do CCG busca uma saída negociada. Ela dá trinta dias para que Saleh deixe o poder. Ao 29° dia, o Parlamento decretará a imunidade do presidente e seus aliados. Um governo provisório será formado e dois meses depois ocorrerão eleições presidenciais.
Formado principalmente por estudantes e jovens, o setor que exige democratização ampla do país rejeita tal negociação. Mesmo após a proposta feita pelo CCG , protestos e repressão continuam. Hoje (26/4), mobilizações em Taez causaram três feridos; em Aden, outros três. Na capital, Saana, dezenas de milhares de pessoas fizeram sit-in pedindo a saída do presidente e seu julgamento.
Mas há um setor disposto a aceitar o acordo. Ontem, após conversa com o embaixador norte-americano, a vacilante oposição parlamentar decidiu fazer parte do governo de transição, chamado “de unidade nacional”. Denominada Fórum Comum e composta por dissidentes do poder, nacionalistas, islâmicos e ditos socialistas, apoiou a proposta de transição negociada apresentada pelo CCG. Na semana que vem, o secretário geral deste grupo de países, Abdullatif al-Zayani, viajará a Saana para definir concretamente os detalhes de dia e local do acordo de saída de Saleh e os outros pontos relacionados a transição negociada.
A reivindicação de lideranças estudantis, tais como Abdel Malik al Yusufi, é a mudança completa do regime, sem imunidade e concessões a Saleh e seus aliados. Nota para a imprensa lida ontem pelo jovem ativista Abdullah Al Sholif, do Comitê Organizativo da Revolução da Juventude, declara que a deportação e julgamento de Saleh e seus familiares é inegociável e que a posição dos grupos moderados, de apoio à imunidade, não representa a posição dos jovens. A nota exorta a população a não aceitar a amnistia.
Além da crise política, o Iêmen está passando por um aumento do custo de vida com a alta dos preços de alimentos e combustíveis. Pode ser mais um ingrediente convulsivo na atual conjuntura. Apesar de não se saber qual será o desenlace do processo, já está clara a delimitação política dos campos. A esta altura, o fim de mais uma ditadura aliada a Washington parece certa. Resta aguardar os próximos acontecimentos para saber o caráter da transição e o futuro do país.
Texto de Luís Nagao, retirado de Outras Palavras
VITORINO MAGALHÃES GODINHO
“O ruir do Império Soviético foi também a ruína do Ocidente, que permitiu a formação de um novo império – o império americano –, sem controlo e em moldes ultrapassados: continua a ser proibido estudar Darwin nas escolas, há perseguições às clínicas que praticam o aborto, há ataques à mão armada... Há meios de matar – a partir da transformação introduzida pela informática –, que estão ao alcance de qualquer pessoa. Foi tudo tão rápido, deu-se um vazio e uma incapacidade de organização para resistir, para orientar essa mutação para outros sentidos. Perderam-se as balizas. A humanidade perdeu o controlo. Inclusive, as estruturas económicas mudaram por completo. O capitalismo ruiu, como ruiu o estalinismo. Não há mais capitalismo. O que há é uma organização de redes mafiosas que controlam o mundo”, disse então. E manifestou também o seu mal-estar pela situação política em Portugal. “A minha opinião é a de que, hoje, não existe democracia. O grande erro é partir-se do princípio que se construiu uma democracia, quando não se chegou a construir uma democracia”, comentou então Vitorino Magalhães Godinho.
WWW.PUBLICO.CLIX.PT
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
OTELO E A NOVA REVOLUÇÃO

Eduardo Lourenço, que assina o prefácio do livro "O dia inicial", escreve que o 25 de Abril foi "o dia de pura glória de Otelo e não terá outro maior". Talvez por isso Otelo Saraiva de Carvalho insista na ideia que, no dia 26, a sua missão estava cumprida e o seu desejo era voltar a dar aulas na Academia Militar. Não foi assim e, 37 anos depois, Otelo defende, com a mesma convicção de outros tempos, a democracia directa e justifica os excessos do PREC. "Exorbitei muitas vezes as minhas funções, eu reconheço isso, mas a revolução era para se fazer ou não?", diz a certa altura desta conversa o operacional de Abril, que, perante a insistência sobre os métodos utilizados durante o chamado período revolucionário em curso, remata com um "tinha de ser assim, pá". Foi nessa altura que mudámos de assunto para falar do país, do FMI, do governo ou das próximas eleições. Otelo resume o que pensa e sente numa frase: "O desgosto é grande."
No livro "O tempo inicial" relata o fim da acção que desenvolve no Posto de Comando e sublinha que ficou sozinho. Às 13 horas do dia 25 de Abril, quando toda a gente festejava nas ruas, o Otelo era um homem só?
Aquela gente toda que estava no Posto de Comando saiu para ir ver a alegria que estava nas ruas e eu dei comigo sozinho. Arrumei as coisas - as granadas e as pistolas que tinham para ali ficado - e fui-me embora. Estava sozinho. O Sanches Osório e o Lopes Pires disseram, mais tarde, que estiveram lá até ao dia 27, mas quando eu saí não estava lá ninguém. Apaguei a luz, fechei a porta, meti-me no carro e fui para casa. A minha missão estava cumprida.
E foi para casa?
Fui. Eu despedi-me da minha mulher no dia 23 e fui dormir à Pontinha nessa noite por uma questão de precaução. No dia 24 fui para o Posto de Comando. Na noite de 23 a minha mulher não sabia ainda o que eu era no movimento e expliquei- -lhe: "Vou fazer uma revolução. Aqueles papéis que eu andava a escrever estão relacionados com as missões que estão distribuídas e eu vou coordenar. Eu vou amanhã iniciar a revolução."
E qual foi a reacção da sua mulher?
Ela perguntou o que é que podia acontecer se nós fôssemos derrotados e eu disse-lhe: "Não, olha, na sexta-feira estou cá para almoçar contigo." Quando saí do Posto de Comando fui para casa e disse-lhe: "Vamos almoçar."
Estamos numa situação de crise grave. Não só financeira, como económica e política. Há o risco de haver uma nova ruptura como no 25 de Abril de 1974?
Estão a ser criadas condições para isso. Curiosamente o poder capitalista acaba sempre por se encaminhar para o suicídio. Estes regimes capitalistas, regimes da burguesia, têm tendência para isso. Vão sempre encontrando novas formas de se manter no poder, mas a verdade é que se vão suicidando.
Encontra algum paralelo entre o fim da ditadura e os tempos que estamos a viver?
Talvez pela teimosia na continuidade de uma política que já não é aceite. O aumento do desemprego e do custo de vida, que leva a uma cada vez maior dificuldade do povo, pode levar também a uma eclosão social que, sendo do tipo de uma insurreição popular sem nenhuma organização, sem nenhum comando, pode levar a um desastre. Por outro lado, se houver algum comando sobre essa insurreição levada a cabo ou por partidos ou por Forças Armadas pode vir a transformar-se numa nova ditadura. Correm-se sempre riscos, mas é o próprio regime que vai criando condições para ser abatido. Foi o que aconteceu com o fascismo em Portugal, que demorou muito tempo, mas acabou por acontecer.
Imagina hoje as Forças Armadas a tomarem alguma posição contra o regime?
Não, as circunstâncias são diferentes. Em 1974 as Forças Armadas estavam numa guerra colonial e era obrigatório o serviço militar. Com excepção do quadro permanente, os outros eram compelidos à prestação do serviço militar e quando se dá a oportunidade de alterar o sistema essa massa enorme tem tendência a apoiar uma acção deste género. Actualmente as Forças Armadas têm corpos de voluntários - houve uma redução enormíssima do número de efectivos - que ganham ajudas de custo e estão bem. Só se poderá criar condições no âmbito militar para uma revolta se o governo, a certa altura em desespero, começar a reduzir as vantagens económicas. Começar a reduzir os salários, as pensões ou a retirar regalias como o 13.o mês ou o 14.o mês.
O que pode acontecer com as medidas de austeridade que estamos a negociar com as instituições europeias?
O que vai acontecer agora, com a intervenção do FMI, se atingir os militares pode criar condições para uma revolta.
Se Marcello Caetano tem resolvido o problema da guerra colonial, o 25 de Abril não teria existido?
Se tivesse encontrado uma solução política para a guerra colonial acho que sim, mas já não ia a tempo. O grande culpado da guerra colonial foi o Salazar. O Marcello Caetano ficou com o menino nos braços e não teve força para encontrar uma solução política.
Vasco Lourenço diz que, se fosse ele a comandar, não teria sido o general Spínola a ir receber o poder de Marcello Caetano. Podia ter sido diferente?
Eu queria que fosse o Salgueiro Maia, mas o Marcello Caetano tinha aquela perspectiva de entregar o poder a um general e o livro "Portugal e o Futuro" tinha o nosso apoio. Há até um encontro, na rua, em que o general ia no carro e parou num semáforo vermelho, baixou o vidro e disse-me: "Otelo, o Marcello não quer que eu publique o livro." E eu disse: "O meu general tem de publicar." E então ele diz-me que o Marcello tinha dito que se demitia. Eu respondi-lhe: "Mas é isso que a gente quer e nós apoiamos." Portanto já havia um conjunto de circunstâncias que fizeram com que eu, com a concordância do Vítor Alves e do Charais [Franco Charais], tenha dito ao Spínola que estava mandatado para receber o poder.
Preferia que tivesse sido o Salgueiro Maia?
Podia ter sido entregue a um capitão, mas quem é que geria a política? A perspectiva de serem os generais a formarem uma Junta de Salvação Nacional foi uma proposta do Vítor Alves, que era um homem muito realista, e quando o Vasco Lourenço e outros voluntaristas diziam nós vamos ganhar o poder, eu dizia que não me sentia politicamente preparado para agarrar nas responsabilidades políticas do país. E para que a revolução fosse reconhecida em todo o mundo tínhamos de ter generais, e com o maior prestígio possível. O novo poder em Portugal foi reconhecido imediatamente em todo o mundo, mas se tivéssemos sido nós a tomar conta da situação o terceiro mundo era capaz de aplaudir, mas o mundo ocidental não.
Qual foi a participação de Spínola no 25 de Abril?
O Spínola colaborou à distância. O grupo político liderado pelo Vítor Alves entregava-me as bases programáticas que o Melo Antunes tinha deixado em 23 de Março e iam limando aquilo que poderia ser mais agressivo. E eu levava isso a um major spínolista, que todos os dias frequentava a casa do general, e ele dizia quais eram as suas discordâncias em relação a algumas frases. As frases ou os vocábulos tipo "fascista" ou "democracia" o Spínola cortava para não tornar aquilo um texto muito político. Depois disso eu voltava a entregar ao Vítor Alves. O resultado é que no 25 de Abril o programa político do MFA, alterado em algumas coisas pelo próprio Spínola, estava preparado para ser difundido. O Spínola estava hipotecado a esse programa.
O Otelo chegou a ser convidado para primeiro-ministro?
Fui convidado para tudo, mas recusei sempre.
Como é que foi gerindo o poder?
Com dificuldade. Logo a seguir ao 25 de Abril eu remeti-me ao meu cargo de professor na Academia Militar. E quando fui esperar o Vasco Lourenço, que regressou dos Açores no dia 28, eu disse logo que a minha missão estava cumprida. O Vasco Lourenço disse-me: "Tu és maluco, agora é que isto vai começar." Mas eu achei que a minha missão estava cumprida e fui mesmo para a Academia Militar.
Mas depois mudou de ideias...
Uns dias depois fui chamado para me apresentar na Cova da Moura e o Charais veio ter comigo e disse-me: "Nós estamos a preparar um decreto-lei que vai ser lançado dentro de dias, que é o Copcon [Comando Operacional do Continente] para acções de vigilância e de defesa da revolução e vais ser tu o comandante-adjunto e o general Costa Gomes assume o comando. A malta quer que sejas tu." E eu disse: "Eh pá, mas que chatice, mas para quê isso?" Depois fui chamado ao Spínola - ao gabinete do Presidente da República provisório -, que me disse que eu iria ser o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas.
E não aceitou.
E eu disse: "Não vou de certeza, não quero promoção nenhuma, não quero nada a cheirar a regalia." E, nessa altura, o Monge [Manuel Monge] propõe-me para a Região Militar de Lisboa e eu muito a contragosto lá aceitei. Mas também disse: "Vocês não esperem que eu vá ser um general tipo altos estudos militares. Vou ser um general revolucionário e depois não fiquem escamados comigo quando eu começar a tomar atitudes que transcendem os valores do regulamento de disciplina militar."
A verdade é que houve muita gente que não gostou que o Otelo tivesse ultrapassado os seus poderes.
Essa exorbitância decorreu naturalmente pelo facto de durante o PREC [Período Revolucionário em Curso] ter havido uma desresponsabilização total de todos os sectores da actividade pública. Os ministros existiam não sei para quê. Vinha gente ter comigo ao Copcon a dizer que era preciso resolver o problema na fábrica, porque o administrador tinha fugido para o Brasil com o dinheiro, e eu dizia que isso era com o Ministério do Trabalho, mas eles de lá diziam que o Copcon é que resolvia. As ocupações do Alentejo começaram por uma decisão minha. Os trabalhadores vieram ter comigo a dizer que estavam à rasca, porque se ouvia falar muito da reforma agrária, mas a verdade é que os latifundiários todos os dias estavam a levar o gado e a deixar as terras abandonadas.
Disse-lhes que a solução era ocupar as terras...
Disse-lhes para ocuparem as terras e dei ordens à GNR que os deixasse à vontade para começarem a trabalhar. Em pouco mais de uma semana um milhão e duzentos mil hectares de terras foram ocupados.
Que reacção houve a essa decisão?
O Vítor Alves disse-me: "És maluco, mandaste ocupar as terras." Exorbitei muitas vezes as minhas funções, eu reconheço isso, mas a revolução era para se fazer ou não?
Tomava essas decisões sozinho ou ouvia outras pessoas?
Nada, porque os conselhos eram sempre do género "tem calma, isso resolve-se daqui a três meses". Considerei que havia a legitimidade revolucionária.
Hoje reconhece que cometeu muitos excessos?
Reconheço, mas faria tudo outra vez. Não me arrependo daquilo que fiz. O único excesso que podia ter evitado foram os mandados de captura em branco, mas tinha uma diversidade tão grande de funções que não tinha a possibilidade...
... de fazer tudo ao mesmo tempo?
Eu era a única entidade no país que podia assinar mandados de captura. Ora eu era comandante da Região Militar de Lisboa, era comandante do Copcon. Eu saía do Copcon às quatro da manhã e no outro dia já lá estava às nove. E se fosse preciso um mandado de captura a meio da noite? Eu pensei que era preciso racionalizar e deixava dez mandados de captura por preencher. Foi uma decisão do Costa Gomes. É uma ordem que me é dada e o Costa Gomes invoca a legitimidade revolucionária. A Constituição tinha sido abolida. Uma revolução ou se faz a sério ou não e não podemos aplicar num processo revolucionário os ditames de uma democracia. Tinha de ser assim, pá.
Ficou surpreendido com o resultado das primeiras eleições, a seguir ao 25 de Abril, que deram a vitória ao PS?
As eleições foram uma aposta nossa. No prazo de um ano o objectivo era realizar eleições e até fiquei feliz, porque vi que o PCP, que se arvorava em dono da verdade e líder das massas, ficou em terceiro lugar.
Mário Soares diz que numa viagem a Lusaka em que os dois falaram pela primeira vez o Otelo se identificou como um socialista tipo Olof Palme...
Não me lembro disso, mas é possível que tenha reproduzido essa frase, que eu tinha ouvido do Vasco Gonçalves.
Do Vasco Gonçalves?
O Vasco Gonçalves tinha-me dito que seria bom, dentro de dois anos, ter uma democracia do tipo sueco.
E mais tarde conheceu Olof Palme.
Tive com ele na Suécia e gostei muito dele. Expus-lhe a minha perspectiva sobre a democracia directa e ele disse-me que isso era utópico e que não era possível implementar esse modelo no mundo ocidental. Não consegui convencê-lo.
Nem ele a si?
Nem ele a mim, mas é possível que eu tenha dito isso ao Mário Soares e na altura era essa a minha perspectiva. Eu tinha aderido facilmente ao programa do MFA, mas o PREC abriu o horizonte para outra possibilidade, de criar um modelo novo de regime, que era a democracia directa.
Um modelo com que nenhum partido concordava. Quais foram os líderes políticos que conheceu melhor?
O Sá Carneiro, conheci-o muito pouco. O Freitas do Amaral, nunca tinha falado com ele até há três anos, no lançamento de um livro, em que ele veio ter comigo e eu gostei de o conhecer, mas com quem eu tive mais contactos foi com o PS.
E com Cunhal?
Tivemos um contencioso sério por causa das presidenciais de 76. Durante o PREC ele promoveu um jantar em casa do Silva Graça, que foi comer para a cozinha com a mulher e com as filhas e deixou-nos a sós.
Cunhal não estava a gostar do rumo dos acontecimentos e convocou-o para o levar para o lado do PCP?
Tivemos um bate-papo violento. Ele começou a fazer críticas ao MFA e a dizer que o MFA devia fazer isto e aquilo. E eu disse-lhe: "Ó doutor, eu não lhe vou dizer o que é que deve fazer no Partido Comunista. Eu considero que o PC tem tido acções muito más, por vezes, que são prejudiciais à revolução e se quiser eu faço aqui uma lista do que é que o seu partido tem feito, mas não lhe admito que me dê orientações, porque o MFA não tem nada a ver consigo, nem com nenhum partido, e se eu precisar de orientações peço ao Melo Antunes..."
Nunca teve boas relações com Álvaro Cunhal?
Não. Foi o meu principal inimigo
Já com Mário Soares foi diferente.
Uma relação cordial. O Mário Soares e o Almeida Santos convidaram-me várias vezes para ser cabeça-de-lista do PS nas eleições para a Assembleia da República. E uma vez num jantar no Hotel Altis havia uma mesa com a malta toda da Internacional Socialista. O Soares, o Willy Brandt, o Shimon Peres... e a certa altura fui chamado para a mesa. O Soares levanta-se e logo a seguir levanta-se aquela malta toda da Internacional Socialista e eu pensei ''eh pá o que é isto?'' Apresenta-me o Willy Brandt, que era o presidente da Internacional Socialista, e diz-lhe: "O Otelo, o nosso herói, que nós já temos tentado trazer para o partido, mas ele não gosta de nós." E eu disse-lhe: "Os melhores amigos que eu tenho são no campo político do PS, mas eu não gosto de partidos."
Candidatou-se à presidência da República sem o apoio de nenhum partido. Não queria o poder, mas candidatou-se a Presidente...
Sabia que tinha poucas hipóteses de vencer com um candidato como o Eanes, que eu não tinha dúvida de que iria ganhar à primeira volta. Concorri para saber o que é que as minhas ideias valiam perante o povo. A ideia era uma democracia participativa, com as pessoas a participarem activamente e diariamente e não só de quatro em quatro anos.
Teve o apoio, entre outros, de Ferro Rodrigues, que mais tarde foi líder do PS.
Foi em casa dele que lancei os GDUP. Eu tinha vindo de Cuba e tinha visto essa ideia de poder popular. Eram os grupos dinamizadores de unidade popular, que surgiram como a base de apoio da candidatura, que não tinha nenhum partido a apoiá--la. Foi um êxito notável e a minha satisfação é verificar que hoje há no país gente que pertenceu aos GDUP que são presidentes de câmara. Ficou aí uma semente, que não sei se irá dar alguma erva.
Continua a culpar o PCP por ter sido preso preventivamente durante cinco anos, na sequência do caso FP-25?
Hoje não tenho dúvida nenhuma. Foi o secretariado do PCP que, quando em 84 anunciei que ia ser cabeça-de-lista da FUP [Força de Unidade Popular] por Lisboa ao parlamento, resolveu meter-me na prisão para impedir outro desastre eleitoral, como em 1976. E tenho dito isto sem que exista da parte da direcção do PCP alguma palavra em contrário.
Disse que se soubesse como o país ia ficar não tinha feito o 25 de Abril. Arrependeu-se?
Eu reportei-me à situação em que vivíamos antes do 25 de Abril para dizer que os jovens de hoje, que são obrigados a emigrar, estavam numa situação idêntica à nossa com uma guerra injusta. E o que digo é que se não tivesse havido o movimento dos capitães, eu isolado possivelmente teria sido obrigado a sair do país e não teria feito a revolução.
Vasco Lourenço diz que essa declaração é incompreensível.
Por causa dessa frase, que foi explorada como um sound byte, tenho recebido muitas mensagens a dizer que de facto a classe política pôs o país de rastos. A frase não foi bem entendida. O que eu digo é que as pessoas isoladas não conseguem um combate capaz de provocar alterações. Quando se juntam esforços então, sim, vale a pena.
Valeu a pena ter feito o 25 de Abril?
Sim, bolas. O derrube da ditadura e a possibilidade de sermos livres vale sempre a pena. É irrefutável.
http://www.ionline.pt/conteudo/119121-otelo-o-regime-esta-criar-condicoes-ser-abatido-como-aconteceu-com-o-fascismo?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter
MANIFESTO ELEITORAL DO PCTP/MRPP

MANIFESTO ELEITORAL
A alternativa à fome e à miséria existe:
um governo democrático e patriótico!
ESTAS ELEIÇÕES SÃO UMA FRAUDE!
Neste momento, e a pretexto das eleições, toda a Direita se une para procurar convencer o Povo Português de que lhe não restaria outra hipótese que não fosse a de aceitar a canga em cima do pescoço, voltar a votar no PS ou no PSD e assim permitir que estes levem a cabo a política de fome, miséria e desemprego que, agora de braço dado e a mando directo do FMI e da União Europeia, nos pretendem continuar a aplicar, e que todos nós já conhecemos perfeitamente: despedimentos e desemprego, cortes nos salários e nas pensões, confisco dos subsídios de férias e de Natal, diminuição dos magros subsídios, a começar pelo de desemprego, aumento dos impostos, agravamento do custo de vida e privatizações de tudo o que seja rentável para o grande capital.
Estas eleições são assim e desde já uma gigantesca fraude, porquanto tudo está a ser preparado (desde a vinda do FMI precisamente nesta altura até às entrevistas e debates só com os partidos políticos do poder) para que os vencedores de tais eleições sejam aqueles partidos (PS e PSD) que precisamente conduziram o País à ruína em que actualmente se encontra e que agora chamaram para cá o mesmo FMI!
Ora, esta manobra chantagista e fraudulenta não pode passar em claro e os trabalhadores portugueses não podem permitir que os partidos que atraiçoaram o País decidam agora das eleições e se alcandorem de novo ao Poder, depois de terem enganado sucessivamente os eleitores, prometendo-lhes uma coisa para lhes sacar os votos e passando a fazer rigorosamente o contrário logo que se apanharam no Governo.
Na verdade, estas eleições são convocadas para resolver os problemas do défice e da dívida. Porém, e como se vê, tais problemas já têm afinal uma “solução” antecipadamente imposta pela “Troika” e esta manobra usurpa ao Povo Português a sua soberania.
O VOTO NO PS E NO PSD É UM VOTO DE TRAIÇÃO!
Quem atraiçoou o Povo Português e o País, quem conduziu uma política sistemática de liquidação da nossa capacidade produtiva, e transformou Portugal, que tem hoje de importar mais de 80% daquilo que consome, numa sub-colónia do imperialismo germânico, quem, sempre prometendo riqueza e progresso, utilizou os fundos europeus para arrancar vinhas e árvores, abandonar campos, abater a frota pesqueira, fechar fábricas e minas, quem criou toda a sorte de habilidades e trafulhices jurídico-financeiras como as “parcerias público–privadas” ou as empresas municipais e quem quer agora pôr os que vivem do seu trabalho e sobretudo as gerações futuras a pagar as consequências dessa politica criminosa não pode merecer um só voto que seja dos trabalhadores conscientes!
Votar no PS ou no PSD (acolitados pelo CDS) é aceitar que devemos pagar a dívida que os banqueiros e políticos corruptos contraíram, é concordar com o cortes salariais, com a contratação precária e com os despedimentos arbitrários, é ceder ao medo e à chantagem e é aceitar a política que aqueles que tudo têm e nada fazem e se foram enchendo à tripa - forra nos querem afinal impor.
LUTAR CONTRA A TRAIÇÃO E A FOME PASSA POR VOTAR PCTP/MRPP!
O Povo Português deve sublevar-se e deve dizer a tudo isto muito claramente “NÃO, não vou por aí!”. Deve denunciar e desmascarar os partidos que lhe mentiram e o atraiçoaram, deve erguer-se e lutar contra as medidas anti-populares que eles defendem, a começar pelos cortes nos salários. Deve recusar-se a pagar uma dívida que não é dele, pois que não foi ele que a contraiu nem foi contraída em seu benefício, mas que está a hipotecar o futuro não apenas dos nossos filhos, mas também já dos nossos netos!
Deve dizer claramente que não queremos e não precisamos do FMI e dos burocratas e banqueiros da União Europeia, que não trazem ajuda alguma a Portugal e que devem ser de imediato mandados embora.
Os deputados do PCTP/MRPP travarão, com firmeza e sem desfalecimentos, esta batalha de vida ou de morte pelo futuro do País, e ocuparão nela a primeira linha de combate.
O seu programa de luta – para o qual conclamam o apoio de todos os trabalhadores e demais elementos do Povo conscientes – assenta nos seguintes pontos essenciais:
1 – “FMI E TROIKA FORA DE PORTUGAL!” – Não são cá precisos e vieram agora a Portugal apenas para garantir que serão os Partidos da traição os que ganharão estas eleições.
2 – “QUEM CRIOU A DÍVIDA?” - Realização de uma auditoria independente para determinar quanto, a quem e porquê se deve (auditoria que nem o PS e o PSD nem a “Troika” querem que se faça porque bem sabem que, uma vez conhecidos os respectivos resultados, nenhum cidadão aceitaria dar nem mais um cêntimo que fosse do seu magro salário).
3 – “NÃO PAGAMOS!” - Recusa do pagamento da dívida dos Bancos e do Estado (só a “intervenção” no BPP e no BPN representou 2000 milhões de euros!!) que nos asfixia por completo.
4 – “NÃO AOS CORTES SALARIAIS, AOS DESPEDIMENTOS E ÀS PRIVATIZAÇÕES!” – Os trabalhadores portugueses devem, e em solidariedade com os restantes trabalhadores europeus, em particular os gregos e os irlandeses, opor-se resolutamente a que, para manter e financiar os lucros fabulosos da Banca nacional e estrangeira, os seus salários (que já são dos mais baixos de toda a União Europeia) sejam ainda assim objecto de qualquer espécie de cortes ou sejam feitos despedimentos. Nem mais uma só privatização!
5 – “POR UM GOVERNO DEMOCRÁTICO E PATRIÓTICO!” – Reunião de todas as forças democráticas e patrióticas – levando para esse efeito a cabo todos os debates e discussões que forem necessários – com vista à criação de um governo democrático e patriótico, com uma política totalmente diferente da do FMI e dos dois Partidos da Direita (PS e PSD), acolitados pelo CDS, e com um programa assente essencialmente num plano de desenvolvimento da economia nacional baseado em criteriosos investimentos produtivos nas áreas da Agricultura, das Pescas, da Indústria e da Tecnologia e num plano de combate ao desemprego. Na verdade, sem economia nunca deixaremos de ser os escravos da Europa!
ELEGER DEPUTADOS DO PCTP/MRPP FACILITA ESTA UNIDADE E DÁ VOZ A QUEM NÃO TEM VOZ!
É, pois, absolutamente imperioso que o PS e o PSD não tenham a maioria nas próximas eleições. E para isso é precisa uma política de unidade da esquerda.
Ora, a eleição de deputados do PCTP/MRPP não apenas sustenta e facilita essa política de unidade democrática e patriótica como constitui também uma garantia de que, qualquer que seja o governo eventualmente imposto pelo FMI, ele terá sempre contra uma voz firme, incorruptível, em suma, uma voz dos que não têm voz.
Os deputados do PCTP/MRPP são deputados contra o FMI e contra a “Troika”, contra o pagamento da dívida, contra os cortes salariais e contra os despedimentos, por um governo democrático que una todas as pessoas que querem defender o Povo e salvar o País.
Por isso, caros concidadãos, no próximo dia 5 de Junho votem contra as políticas do FMI e os partidos da traição, votem contra os cortes salariais e os despedimentos, e contra o pagamento da dívida, votem por um governo democrático e patriótico ao serviço do Povo, defendam o futuro dos vossos filhos e dos vossos netos, votem PCTP/MRPP!
FMI E TROIKA FORA DE PORTUGAL!
NÃO PAGAMOS A DÍVIDA, QUE NÃO É NOSSA!
CONTRA OS CORTES SALARIAIS E OS DESPEDIMENTOS! CONTRA AS PRIVATIZAÇÕES!
POR UM GOVERNO DEMOCRÁTICO E PATRIÓTICO, COM UM PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA NACIONAL!
Lisboa, 20 de Abril de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
REVOLTA NO IÉMEN
Movimento estudantil não aceita
Saleh aceita sair do poder no Iémen a troco de imunidade
23.04.2011 - 21:48 Por PÚBLICO
O Presidente do Iémen, Ali Abdallah Saleh, aceitou este sábado a proposta do Conselho de Cooperação do Golfo para deixar o cargo no prazo de trinta dias a troco de imunidade para si e para a família, anunciou o The Wall Street Journal, citando um conselheiro presidencial, Tariq Shami.
Os países vizinhos disseram a Saleh que está totalmente isolado (Khaled Abdullah/Reuters)
O desfecho de uma crise que dura há três meses surgiu depois de os países vizinhos deste Estado da Península Arábica terem deixado claro, durante a semana passada, que Saleh perdera e estava completamente isolado. O Conselho de Cooperação do Golfo, liderado pela Arábia Saudita, fez ainda saber que esta era a última hipótese de Saleh deixar o lugar com dignidade, disseram dois diplomatas árabes à Reuters.
“O Presidente aceitou. Apesar de ter o direito constitucional de se manter no poder, está disposto a abandonar o lugar de sua livre vontade”, disse Tariq Shami.
No último mês, Saleh, que está no poder há 32 anos, rejeitara várias propostas de outros negociadores e reafirmara que só abandonaria o posto em 2013.
Esta reviravolta coloca agora toda a pressão na oposição, que se fraccionou desde o início da contestação ao regime, a 27 de Janeiro. As duas facções da oposição enfrentaram-se nas ruas da capital, Sanaa, sendo que cada um dos lados está apoiados por diferentes corpos militares armados com tanques. Ontem, ambas aceitaram a cláusula da imunidade.
A partida se Saleh pode abrir caminho para um processo de transição pacífico, depois de receios de eclosão da violência generalizada. Mas a oposição necessita de convencer o movimento estudantil, que manteve nas ruas a revolta contra o regime, apesar da repressão armada, a aceitá-la.
Mal a aceitação foi conhecida, milhares de estudantes encheram as ruas de Sanaa, a capital iemenita, em protesto. “Nós, os jovens da revolução, rejeitamos qualquer proposta que não responsabilize Saleh pela morte de mais de 140 revolucionários”, lia-se num comunicado da organização de estudantes. “A proposta prevê que Saleh deixe o poder em trinta dias e nós exigimos a sua partida imediata. É contra a vontade do povo e a favor do opressor Saleh.”
“[A imunidade] é uma questão importante. Os estudantes querem ver Saleh julgado”, disse Mohammed Qahtan, porta-voz do comité que une os partidos da oposição.
O plano de transição prevê que Ali Abdallah Saleh transfira os seus poderes para o vice-presidente, Abdu Hadi. O filho e sobrinhos do Presidente conservam o controlo das forças de segurança — o Iémen é considerado um aliado fundamental pelos Estados Unidos na luta contra a Al-Qaeda — durante 60 dias, de forma a não haver quebras nas operações.
Saleh aceita sair do poder no Iémen a troco de imunidade
23.04.2011 - 21:48 Por PÚBLICO
O Presidente do Iémen, Ali Abdallah Saleh, aceitou este sábado a proposta do Conselho de Cooperação do Golfo para deixar o cargo no prazo de trinta dias a troco de imunidade para si e para a família, anunciou o The Wall Street Journal, citando um conselheiro presidencial, Tariq Shami.
Os países vizinhos disseram a Saleh que está totalmente isolado (Khaled Abdullah/Reuters)
O desfecho de uma crise que dura há três meses surgiu depois de os países vizinhos deste Estado da Península Arábica terem deixado claro, durante a semana passada, que Saleh perdera e estava completamente isolado. O Conselho de Cooperação do Golfo, liderado pela Arábia Saudita, fez ainda saber que esta era a última hipótese de Saleh deixar o lugar com dignidade, disseram dois diplomatas árabes à Reuters.
“O Presidente aceitou. Apesar de ter o direito constitucional de se manter no poder, está disposto a abandonar o lugar de sua livre vontade”, disse Tariq Shami.
No último mês, Saleh, que está no poder há 32 anos, rejeitara várias propostas de outros negociadores e reafirmara que só abandonaria o posto em 2013.
Esta reviravolta coloca agora toda a pressão na oposição, que se fraccionou desde o início da contestação ao regime, a 27 de Janeiro. As duas facções da oposição enfrentaram-se nas ruas da capital, Sanaa, sendo que cada um dos lados está apoiados por diferentes corpos militares armados com tanques. Ontem, ambas aceitaram a cláusula da imunidade.
A partida se Saleh pode abrir caminho para um processo de transição pacífico, depois de receios de eclosão da violência generalizada. Mas a oposição necessita de convencer o movimento estudantil, que manteve nas ruas a revolta contra o regime, apesar da repressão armada, a aceitá-la.
Mal a aceitação foi conhecida, milhares de estudantes encheram as ruas de Sanaa, a capital iemenita, em protesto. “Nós, os jovens da revolução, rejeitamos qualquer proposta que não responsabilize Saleh pela morte de mais de 140 revolucionários”, lia-se num comunicado da organização de estudantes. “A proposta prevê que Saleh deixe o poder em trinta dias e nós exigimos a sua partida imediata. É contra a vontade do povo e a favor do opressor Saleh.”
“[A imunidade] é uma questão importante. Os estudantes querem ver Saleh julgado”, disse Mohammed Qahtan, porta-voz do comité que une os partidos da oposição.
O plano de transição prevê que Ali Abdallah Saleh transfira os seus poderes para o vice-presidente, Abdu Hadi. O filho e sobrinhos do Presidente conservam o controlo das forças de segurança — o Iémen é considerado um aliado fundamental pelos Estados Unidos na luta contra a Al-Qaeda — durante 60 dias, de forma a não haver quebras nas operações.
REPRESSÃO NA SÍRIA

Tanques e tropas entraram na cidade de Deraa, na Síria
25.04.2011 - 10:17 Por PÚBLICO
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A cidade de Deraa, no Sudoeste da Síria, amanheceu esta segunda-feira com a entrada de militares e tanques leais ao regime de Bashar al-Assad que abriram fogo sobre a população.
Protestos em Damasco (Reuters)
A cidade é um dos pontos mais fortes de protesto contra o regime. Segundo grupos já foram mortas 350 pessoas desde o começo das revoltas, diz a Reuters, mas este fim-de-semana tem sido especialmente sangrento. No domingo, morreram pelo menos 13 pessoas na cidade de Jabla, adiantou a BBC News.
Testemunhos à AFP dizem que ao início da manhã desta segunda-feira entrou na cidade de Deraa uma força militar de 3000 homens. Com tanques a colocarem-se no centro da cidade e com atiradores a irem até aos telhados das casas.
“Há corpos deitados nas ruas e não conseguimos recuperá-los”, disse um dos activistas citados pela AFP.
Segundo um outro activista, citado pela televisão Al-Jazeera, as tropas estão a disparar. “Os homens estão a disparar em todas as direcções e estão a avançar atrás dos tanques que os protegem”, disse Abdullah Al-Harriri.
Também as cidades de Damasco e Durma estão a ser invadidas pelas forças militares, adianta a Reuters. Uma jornalista da Al-Jazeera defende que esta segunda-feira marca uma diferença no comportamento do regime que desde há um mês tem vindo a ser contestado nas ruas das cidades.
Até agora as forças militares estavam a reagir aos protestos. “Hoje, estamos a ver uma táctica diferente com os militares a entrarem nas cidades”, disse Rula Amin, que obteve testemunhos de pessoas que viram os militares a entrarem e a vasculharem nas casas e a fazerem prisões.
Os revoltosos “esperavam que os militares não fossem envolvidos”, disse. “E sentem que isto é apenas o início de uma repressão muito séria.”
www.publico.clix.pt
NIETZSCHE, MORRISON, MILLER E OS MERCADOS EM BRAGA

APRESENTAÇÃO DE "NIETZSCHE, JIM MORRISON, HENRY MILLER, OS MERCADOS E OUTRAS CONVERSAS" NO SUBURA (BRAGA)
A. Pedro Ribeiro apresenta o livro "Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, os Mercados e Outras Conversas" (Corpos/WorLd Art Friends) no bar Subura em Braga (à Sé) na próxima quinta, dia 28, pelas 22,30 h. A. Pedro Ribeiro ou António Pedro Ribeiro é autor dos livros de poesia e manifestos "Queimai o Dinheiro" (Corpos, 2009), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Um Poeta no Piolho" (corpos, 2009), "Saloon" (edições Mortas, 2007), "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (Pirata, 2004), "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (silêncio da Gaveta, 2001) e "Gritos. Murmúrios" (com Rui Soares, Braga, Grémio Lusíada, 1988). Foi fundador da revista "Aguasfurtadas" e tem colaborado em diversas revistas e fanzines como "Portuguesia", "Piolho", "A Voz de Deus" ou "Cráse".
"Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, os Mercados e Outras Conversas" fala da construção e superação do Homem, da vida pela vida em oposição à não-vida, à vidinha do mercado e dos mercados, às percentagens das bolsas e dos banqueiros que nos espetam na cabeça todos os dias. Do grito "Queremos o mundo e exijimo-lo agora!" de Morrison, em oposição aos políticos do regime, aos pregadores da morte e da mercearia, ao homem pequeno de Nietzsche. Fala da vida enquanto dádiva, celebração, excesso, na esteira de Miller. Do homem nobre, do menino e do bailarino, do criador dionisíaco que tomará conta da Terra depois da queda do capitalismo predador dos mercados.
A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto em pleno Maio de 68. Tem vivido em Braga, Porto, Trofa, Póvoa de Varzim e Vilar do Pinheiro (Vila do Conde). Frequentou os liceus Sá de Miranda e Alberto Sampaio em Braga e licenciou-se em Sociologia pela Faculdade de Letras do Porto. Foi activista estudantil na Faculdade de Letras do Porto e no Jornal Universitário do Porto. É actualmente candidato a deputado pelo PCTP/MRPP através do círculo eleitoral do Porto e já foi também candidato a deputado pelo PSR por Braga em 1991 e 1995 e candidato às Juntas de Freguesia de Vila do Conde e Póvoa de Varzim pelo Bloco de Esquerda em 2001 e 2005, respectivamente. Define-se como anarquista-nietzscheano-guevarista. Actuou como diseur e performer nos Festivais de Paredes de Coura de 2006 (ao lado de Adolfo Luxúria Canibal e Isaque Ferreira) e de 2009 (com a banda Mana Calórica), no Festival de Poesia de Salvaterra do Minho (Espanha) em 2007 e no Teatro Campo Alegre, nas "Quintas de Leitura" em 2009, local onde regressa a 26 de Maio próximo, acompanhado de Susana Guimarães, com a performance "Se Me Pagares Uma Cerveja Estás a Financiar a Revolução", integrado no evento "A Vida no Campo". É organizador, com Luís Carvalho, das noites de "Poesia de Choque" no Clube Literário do Porto e tem dinamizado diversas sessões de poesia nos bares Púcaros e Pinguim, no Porto, no antigo Deslize (Braga), no Pátio (Vila do Conde), bem como na Casa das Artes em Famalicão. Considera-se um homem livre.
domingo, 24 de abril de 2011
NUCLEAR NÃO, OBRIGADO!

Em Tóquio, milhares disseram “adeus” ao nuclear
24.04.2011
AFP
Milhares de pessoas manifestaram-se hoje no centro de Tóquio para dizer “adeus” ao nuclear e pedir o desenvolvimento de energias renováveis, depois do acidente na central de Fukushima 1, há mês e meio.
Erguendo cartazes onde se lia “Bye Bye Genpatsu” (Adeus nuclear), os manifestantes desfilaram pelas ruas da capital, a partir do Parque de Yoyogi. Entre os participantes, crianças e famílias inteiras.
“Estamos preocupados. Antes de Fukushima, nunca pensei nisto. Mas agora precisamos fazê-lo, pelos nossos filhos”, explicou Hiroshi Iino, 43 anos, que veio à manifestação por uma “mudança de energia” com a sua mulher e os dois filhos, com cinco e nove anos.
Esta é a segunda vez que Yoko Onuma, professora de 48 anos, desde às ruas para se manifestar, desde o acidente com a central nuclear de Fukushima 1. “Antes, não tinha consciência dos perigos do nuclear”, disse. “Mas hoje, é preciso mobilizar todas as pessoas, como aconteceu em outros países, como na Alemanha, por exemplo”.
Para Junichi Sato, director-executivo da organização Greenpeace no Japão e um dos organizadores da manifestação, a mobilização relativamente fraca no país até agora explica-se com o drama dos 28 mil mortos e desaparecidos no sismo e tsunami de 11 de Março. “Até aqui, a prioridade estava concentrada nas vítimas”, explicou. “No estrangeiro, a problemática era diferente. Agora, o debate energético vai subir de tom” no Japão.
A poucos quilómetros, uma outra manifestação. Organizada com o slogan “Anti-Tepco” – nome da empresa operadora da central nuclear -, a marcha saiu do Parque de Shiba e reuniu alguns milhares de pessoas.
A questão de uma eventual saída do nuclear ainda não foi debatida abertamente no palco político japonês. “Não podemos passar sem energia nuclear mas devemos reflectir nos planos e no calendário de construção das nossas centrais”, comentou na sexta-feira o número dois do partido de centro-esquerda no poder, Katsuya Okada.
A energia nuclear representava, antes do tsunami de 11 de Março e a suspensão do funcionamento de uma dezena de reactores, perto de 30 por cento da electricidade consumida no Japão. A Tepco estima que serão precisos nove meses para pôr um fim à crise nuclear.
REVOLTA NO IÉMEN

Manifestações prosseguem
Oposição do Iémen dividida sobre a imunidade garantida ao Presidente Saleh
24.04.2011 - 19:13 Por PÚBLICO
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15 de 15 notícias em Mundo
« anteriorA instabilidade política continua a ameaçar o Iémen, apesar da notícia de que o Presidente Ali Abdallah Saleh sairá do poder nos próximos 30 dias. Isto porque o acordo que Saleh aceitou lhe garante imunidade, a si e à sua família, e a oposição está fraccionada sobre a questão.
Manifestação de estudantes junto da Universidade de Sanaa (Ammar Awad/Reuters)
Hoje, os opositores ao regime de 33 anos, encheram as ruas da capital do país, Sanaa, rejeitando o acordo traçado pelo Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico e aceite por Saleh, que contudo ainda não o assinou. Este prevê que o Presidente entregue o poder nos próximos 30 dias a troco de imunidade.
Os partidos da oposição, que no sábado fizeram saber que aceitavam este termo polémico do acordo, voltaram a fraccionar-se. No tema imunidade, mas sobretudo sobre outra alínea do documento que estipula a formação de um Governo de unidade, juntando as duas principais formações da oposição.
Yaseen Noman, presidente do maior grupo da oposição, a União Conjunta de Partidos, disse à BBC que não aceitam participar num Executivo conjunto e que não irão forçar os manifestantes a pararem com os protestos.
Num comunicado, a Organização dos Jovens da Revolução, constituída maioritariamente por estudantes universitários, fez saber que rejeita a proposta "se Saleh não for responsabilizado pela morte de mais de 140 manifestantes".
A polémica em torno do futuro do Governo e do futuro do Presidente Saleh fez-se sentir em todo o país e, esta tarde, realizaram-se protestos em 14 cidades, segundo as agências noticiosas.
Ibrahim al Baadani, uma conhecida figura da oposição da cidade de Ibb, disse à CNN que ficou "surpreendido" quando soube que a oposição aceitou a imunidade para o actual chefe de Estado e a permanência do chefe de Estado no cargo maus 30 dias. "Nós continuaremos com os protestos pacíficos enquanto ele não sair do poder", frisou.
A proposta dos países do Golfo preconiza a criação de um Governo de unidade que prepare o país para eleições legislativas e presidenciais no prazo de dois meses após a partida do Presidente.
E se alguns opositores e analistas diziam que a demora de Saleh em assinar o acordo pode significar que está a jogar com a fractura da oposição, uma fonte dizia à CNN que o Presidente está mesmo convencido a saír, apenas manobra para que todos aceitem as suas condições. "Ele sabe que o seu tempo acabou e, sendo um animal político, vai continuar a movimentar-se até que esteja tudo como ele quer", disse um seu confidente árabe que pediu à CNN para não ser identificado.
Ataque em Aden
Noutro ponto da Síria, cinco soldados e um membro de uma tribo morreram durante uma emboscada a um combóio militar perto da cidade portuária de Aden.
Os atacantes dispararam armas automáticas e lançaram granadas contra o combóio e tentaram apoderar-se dos alimentos e combustível que os militares transportavam para abastecer o destacamento estacionado nas montanhas de Al Aar.
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25 DE ABRIL, SEMPRE!

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Miguel Cardina: “O património cívico e simbólico do 25 de Abril está em erosão”
24.04.2011 - 20:16 Por Sofia Rodrigues
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2 de 2 notícias em Política
« anteriorPreocupações do presente com uma referência do passado. Um grupo de 74 portugueses nascidos depois de 1974 assinou um Manifesto para que a revolução de Abril não seja esquecida.
Alguns subscritores pertencem ao movimento Geração à Rasca (Daniel Rocha)
É preciso “manter vivo o património cívico e simbólico do 25 de Abril que está em erosão”, justifica Miguel Cardina, historiador, e um dos subscritores do texto intitulado “O inevitável é inviável”.
Na lista (que não se quis compor de notáveis) constam nomes como o dos humoristas Ricardo Araújo Pereira, Jel, Marta Rebelo, ex-deputada do PS, mas também elementos do movimento Geração à Rasca e muitos anónimos – médicos, engenheiros e estudantes.
Como é que surgiu a ideia do manifesto?
A proximidade do 25 de Abril tornava urgente a tomada de posição sobre Portugal. O 25 de Abril tem sido uma comemoração com discursos de circunstância. Os discursos dominantes, nomeadamente dos políticos, rasuram completamente o combate de democrático, de luta por direitos. Essa dimensão tem desaparecido. Há uma espécie de consensualização do 25 de Abril que está tornar-se num outro 5 de Outubro que é comemorado como data fundante mas que é secundarizado. Comemoramos o 25 de Abril, mas ao mesmo tempo vermos algumas perversões no dia-a-dia. Corremos o risco sério de perdermos o conjunto de direitos, de conquistas e de lutas que foram o 25 de Abril.
Este manifesto é um grito de alerta?
Sim, de preocupação de gente que não existia no 25 de Abril de 1974. Vivemos num tempo em que quem manda é o FMI e os consensos alargados. Democracia não é isso, pressupõe debate e discussão de ideias. Era bom que neste momento eleitoral os partidos apresentassem alternativas e as pessoas decidissem. O que estamos a ver é uma espécie de apagamento do processo eleitoral. Convinha que os partidos fizessem política e não arranjos prévios. O manifesto é também um convite a que as pessoas saiam à rua, cada um com os seus activismos, para manter vivo o património cívico e simbólico do 25 de Abril que está em erosão.
Partilham o desencanto de Otelo Saraiva de Carvalho sobre a revolução?
Falo em nome pessoal. Acho que o país está melhor depois do 25 de Abril. Não acho que não tenha servido para nada. Muitas das conquistas de Abril estão de pé, é preciso é defendê-las. Uma ruptura política e democrática não se constrói com gestos heróicos e individuais. O 25 de Abril foi feito por muitas pessoas anónimas e feito de muita esperança. Uma pessoa não pode ficar dona de um momento colectivo.
JORGE TAXA
DATA 6 – Cerca de 1850 / 1880 d. C –
Karl Marx escreve: “Se o homem é formado pelas circunstâncias, é preciso formar as circunstâncias humanamente”.
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DATA 7 – Cerca de 1885 d. C. –
Nietzsche escreve: “Temos sempre de defender os fortes dos fracos”.
Nietzsche também escreve: “Oportunidades iguais para os iguais; oportunidades desiguais para os desiguais – que tal esta equidade?”.
*****
DATA 8 – Ano 1945 d. C. –
Numa lista do clímax d’O Triunfo dos Porcos, de George Orwell, lê-se: “Todos os animais são iguais, mas há alguns que são mais iguais do que os outros”.
DATA 9 – Cerca da década de 90 do Século XX d. C. –
Agustina Bessa-Luís afirma: “José Saramago é um produto das circunstâncias”.
*****
DATA 10 – Poucas semanas ou talvez um mês depois –
José Saramago propõe o nome de Agustina para um prestigiante prémio literário.
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DATA 11 – Poucas semanas ou talvez um mês depois – ainda na década de 90, Século XX, d. C. –
Agustina Bessa-Luís, ainda na sequência desta discussão, responde: “Pelos vistos, tenho de mudar de política”.
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DATA 12 – Por volta da passagem do 2º milénio d. C. –
José Saramago propõe – mais ou menos com estas palavras – a seguinte hipótese: “Quando morrer o último homem existente no Universo – isto é: quando a espécie humana se extinguir em absoluto –, então acabará, com esse homem, a ideia de Deus”.
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DATA 13 – Ano 2093 d. C. –
É deliberada, por unânime plebiscito e em pleno consensus universalis, a radical abolição do dinheiro, a absoluta supressão do capital (recicla-se o papel das notas para cadernos, por exemplo, e o metal das moedas funde-se para, por exemplo, dar origem a partes metálicas de aviões). Não se dá o “igual para todos”, não se dá o “todos com as mesmas coisas, não se dá a “divisão ou partilha, de bens e recursos, igualitária”. Não. É muito diferente. Os recursos naturais já estão de tal maneira optimizados que já só há abundância, abundância, abundância... É dizer: tudo sobeja para todos, tudo sobra, sobra sempre. É até abolido o trabalho, a cargo dos humanóides robots – necessariamente, segundo Roger Penrose, desalmados e insensíveis, sem que, porventura, patenteiem um amável antropomorfismo, mas sem que lhes aflore, a um coração ou a uma consciência de que são destituídos, algum ressentimento ou despeito por não passarem de úteis servos dos terráqueos que somos –. Por outro lado, nenhum humano será impedido de trabalhar, se assim o entender.
*****
AINDA A DATA 13 – Ano 2093 d. C. –
Estando os trabalhos constrangedores a cargo dos humanóides robots (ou a cargo dos humanos que de livre e espontânea vontade os quiserem praticar), resta à demais humanidade – talvez uma esmagadora maioria –; resta-lhes tornarem-se filósofos, artistas ou investigadores científicos – e só o fazem quando muito bem lhes apetece –.
*****
AINDA A DATA 13 – Ano 2093 d. C. –
Efectua-se clinicamente o desmantelamento de seja que religião existir. Efectua-se o esclarecimento – por meio de espirituosos diálogos, por sua vez, por meio de filósofos-médicos calmos e pacientes –; efectua-se a “desevangelização” dos crentes, efectua-se a Libertação dessa terrível e fatal patologia que os possui.
Nem sequer se exclui desta razia sem gota de sangue – desta razia das religiões, dos padres, dos papas, dos beatos, das beatas, dos “sobrenaturais”, dos “Aléns”, dos alienados, destes tumores malignos – cancros – da epiderme do planeta (e, se for preciso extirpá-los de catacumbas...); – não se exclui desta razia nem sequer o budismo. Budismo que parece, também ele, querer descartar-se que, também ele, é uma religião. Na realidade, devemos admitir que o budismo é um estádio niilista mais avançado que o niilismo cristão, um estádio mais serôdio – é para onde a Europa, é para onde o Ocidente, caminham.
Mas nós não queremos eliminar nem o desejo nem a obliquidade agressiva da Eris. Nós dizemos: “Desejo”; nós dizemos: “Estrela”; nós dizemos: “Acontecimento”. A hipótese de Saramago estava errada: os humanos sobrevivem, mas Deus, antes, desapare_Céu.
Karl Marx escreve: “Se o homem é formado pelas circunstâncias, é preciso formar as circunstâncias humanamente”.
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DATA 7 – Cerca de 1885 d. C. –
Nietzsche escreve: “Temos sempre de defender os fortes dos fracos”.
Nietzsche também escreve: “Oportunidades iguais para os iguais; oportunidades desiguais para os desiguais – que tal esta equidade?”.
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DATA 8 – Ano 1945 d. C. –
Numa lista do clímax d’O Triunfo dos Porcos, de George Orwell, lê-se: “Todos os animais são iguais, mas há alguns que são mais iguais do que os outros”.
DATA 9 – Cerca da década de 90 do Século XX d. C. –
Agustina Bessa-Luís afirma: “José Saramago é um produto das circunstâncias”.
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DATA 10 – Poucas semanas ou talvez um mês depois –
José Saramago propõe o nome de Agustina para um prestigiante prémio literário.
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DATA 11 – Poucas semanas ou talvez um mês depois – ainda na década de 90, Século XX, d. C. –
Agustina Bessa-Luís, ainda na sequência desta discussão, responde: “Pelos vistos, tenho de mudar de política”.
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DATA 12 – Por volta da passagem do 2º milénio d. C. –
José Saramago propõe – mais ou menos com estas palavras – a seguinte hipótese: “Quando morrer o último homem existente no Universo – isto é: quando a espécie humana se extinguir em absoluto –, então acabará, com esse homem, a ideia de Deus”.
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DATA 13 – Ano 2093 d. C. –
É deliberada, por unânime plebiscito e em pleno consensus universalis, a radical abolição do dinheiro, a absoluta supressão do capital (recicla-se o papel das notas para cadernos, por exemplo, e o metal das moedas funde-se para, por exemplo, dar origem a partes metálicas de aviões). Não se dá o “igual para todos”, não se dá o “todos com as mesmas coisas, não se dá a “divisão ou partilha, de bens e recursos, igualitária”. Não. É muito diferente. Os recursos naturais já estão de tal maneira optimizados que já só há abundância, abundância, abundância... É dizer: tudo sobeja para todos, tudo sobra, sobra sempre. É até abolido o trabalho, a cargo dos humanóides robots – necessariamente, segundo Roger Penrose, desalmados e insensíveis, sem que, porventura, patenteiem um amável antropomorfismo, mas sem que lhes aflore, a um coração ou a uma consciência de que são destituídos, algum ressentimento ou despeito por não passarem de úteis servos dos terráqueos que somos –. Por outro lado, nenhum humano será impedido de trabalhar, se assim o entender.
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AINDA A DATA 13 – Ano 2093 d. C. –
Estando os trabalhos constrangedores a cargo dos humanóides robots (ou a cargo dos humanos que de livre e espontânea vontade os quiserem praticar), resta à demais humanidade – talvez uma esmagadora maioria –; resta-lhes tornarem-se filósofos, artistas ou investigadores científicos – e só o fazem quando muito bem lhes apetece –.
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AINDA A DATA 13 – Ano 2093 d. C. –
Efectua-se clinicamente o desmantelamento de seja que religião existir. Efectua-se o esclarecimento – por meio de espirituosos diálogos, por sua vez, por meio de filósofos-médicos calmos e pacientes –; efectua-se a “desevangelização” dos crentes, efectua-se a Libertação dessa terrível e fatal patologia que os possui.
Nem sequer se exclui desta razia sem gota de sangue – desta razia das religiões, dos padres, dos papas, dos beatos, das beatas, dos “sobrenaturais”, dos “Aléns”, dos alienados, destes tumores malignos – cancros – da epiderme do planeta (e, se for preciso extirpá-los de catacumbas...); – não se exclui desta razia nem sequer o budismo. Budismo que parece, também ele, querer descartar-se que, também ele, é uma religião. Na realidade, devemos admitir que o budismo é um estádio niilista mais avançado que o niilismo cristão, um estádio mais serôdio – é para onde a Europa, é para onde o Ocidente, caminham.
Mas nós não queremos eliminar nem o desejo nem a obliquidade agressiva da Eris. Nós dizemos: “Desejo”; nós dizemos: “Estrela”; nós dizemos: “Acontecimento”. A hipótese de Saramago estava errada: os humanos sobrevivem, mas Deus, antes, desapare_Céu.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
OS MALDITOS SEGUNDO VALTER HUGO MÃE
Cadeirão Voltaire
Saltar para o conteúdoInícioSFC ← Festival Literário da Madeira: segunda mesaFestival Literário da Madeira: a solidariedade da concorrência →Abril 2, 2011 · 15:54 ↓ Jump to CommentsFestival Literário da Madeira: os escritores malditos
valter hugo mãe conta que a primeira vez que lhe chamaram maldito foi quando roubou uvas num quintal, em miúdo, e a dona da fruta lhe disse “maldito cachorro, vou dizer à tua mãe” . Depois vieram os livros da Hiena, “essa editora toda maldita”, que lhe deu Baudelaire e Genet, entre outros, e cujos livros, transportados na mochila, lhe davam a ideia de deixar um rasto de sangue à passagem da mala. E os episódios sucedem-se: o elogio de Alberto Pimenta e a acusação da professora, dizendo que estava a encher os colegas “de porcarias”, as histórias de Adília Lopes, distribuindo pagelas, ou de Isabel de Sá, fugindo de encontros e respondendo que não a tudo o que se lhe pergunta, ou de A. Pedro Ribeiro entrando num hipermercado com um faclhaão na mão e gritando palavras contra o capitalismo. E encerra dizendo que ‘não é maldito quem quer’. Já se desconfiava.
Mantendo os seus gestos de professora, Isabela Figueiredo avança para a semântica da palavra ‘maldito’, para depois afirmar que “a maldição é mostrarmos que somos gente, nem melhores nem piores do que os outros”. E entre as maldições várias da nossa condição, fica a certeza de que o muito que nos une, entre escatologias e humores vários, se torna subversiva quando se revela.
Sandro William Junqueira partilha com a audiência a descoberta juvenil da Poesia Toda, de Herberto Helder, e o modo como essa descoberta foi fundacional para a sua noção de liberdade na escrita, ainda que nessa altura tenha percebido muito pouco do que leu naqueles versos.
Paulo Sérgio Beju expressa o seu desconforto por estar no meio de escritores, ele que é ilustrador, e depois de uma facadinha no excesso de laranja da ilha (a cor, não a fruta), deixa o humor tomar conta da sala. E ainda que algumas das histórias que conta, à volta dos enganos que o nome de valter hugo mãe costuma provocar, já sejam conhecidas de uma pequena parte da audiência, nem por isso o efeito é menor.
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valter hugo mãe conta que a primeira vez que lhe chamaram maldito foi quando roubou uvas num quintal, em miúdo, e a dona da fruta lhe disse “maldito cachorro, vou dizer à tua mãe” . Depois vieram os livros da Hiena, “essa editora toda maldita”, que lhe deu Baudelaire e Genet, entre outros, e cujos livros, transportados na mochila, lhe davam a ideia de deixar um rasto de sangue à passagem da mala. E os episódios sucedem-se: o elogio de Alberto Pimenta e a acusação da professora, dizendo que estava a encher os colegas “de porcarias”, as histórias de Adília Lopes, distribuindo pagelas, ou de Isabel de Sá, fugindo de encontros e respondendo que não a tudo o que se lhe pergunta, ou de A. Pedro Ribeiro entrando num hipermercado com um faclhaão na mão e gritando palavras contra o capitalismo. E encerra dizendo que ‘não é maldito quem quer’. Já se desconfiava.
Mantendo os seus gestos de professora, Isabela Figueiredo avança para a semântica da palavra ‘maldito’, para depois afirmar que “a maldição é mostrarmos que somos gente, nem melhores nem piores do que os outros”. E entre as maldições várias da nossa condição, fica a certeza de que o muito que nos une, entre escatologias e humores vários, se torna subversiva quando se revela.
Sandro William Junqueira partilha com a audiência a descoberta juvenil da Poesia Toda, de Herberto Helder, e o modo como essa descoberta foi fundacional para a sua noção de liberdade na escrita, ainda que nessa altura tenha percebido muito pouco do que leu naqueles versos.
Paulo Sérgio Beju expressa o seu desconforto por estar no meio de escritores, ele que é ilustrador, e depois de uma facadinha no excesso de laranja da ilha (a cor, não a fruta), deixa o humor tomar conta da sala. E ainda que algumas das histórias que conta, à volta dos enganos que o nome de valter hugo mãe costuma provocar, já sejam conhecidas de uma pequena parte da audiência, nem por isso o efeito é menor.
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