Texto no seu blogue
Ana Gomes acusa os banqueiros portugueses de “esmifrar o Estado”
06.04.2011 - 18:36 Por Luciano Alvarez
A eurodeputada socialista Ana Gomes disse esta quarta-feira que “a maior parte dos banqueiros portugueses merece muito pouco crédito” e acusa-os de “ajudarem a esmifrar o Estado e viverem a sua conta”.
Para a eurodeputada “chazinho de camomila a rodos, recomenda-se” (Nuno Ferreira dos Santos)
No blogue causa nossa (http://causa-nossa.blogspot.com/), onde escreve regularmente, Ana Gomes afirma ainda: “Querem ver que tanto stress significa que nos andaram a contar mentiras sobre a resiliência dos seus testados bancos? Ignorantes, alguns pomposamente pedem uma ajuda intercalar à UE - que não existe, Barroso confirma, descartando-os liminarmente.”
Para a eurodeputada “chazinho de camomila a rodos, recomenda-se”.
“Tanto mais que, se caminharmos para a bancarrota, não iremos sozinhos - o Euro vai connosco. Antes tremerão os maninhos bancos espanhóis, alemães, franceses, britânicos e todos os que cá investiram, empurrando-nos para o endividamento fácil mas suicida”, acrescenta.
Ana Gomes salienta que “então Merkeles e seus amestrados no Conselho Europeu se assustem, acordem e façam o que há a fazer” para “salvar Portugal, mas sobretudo para salvar a Europa”. “No fundo, para se salvarem a si próprios e de si próprios”, acrescenta.
A eurodeputada socialista afirma ainda que a “maior parte dos banqueiros portugueses merece muito pouco crédito”, independentemente “do rating que lhes possam ter dado e dêem hoje as ratazanas das agências de notação”.
“Se atentarmos em tudo o que disseram, não disseram, fizeram e não fizeram: contradições, truques e passes de off shore incluídos... Doces ou salgados, os banqueiros não mandam no país. O país ficou hoje com ainda mais dúvidas sobre eles e os bancos que dirigem. Mandaria o decoro que, ao menos, afivelassem a mais elementar dose de patriotismo”, conclui.
www.publico.clix.pt
quarta-feira, 6 de abril de 2011
MANIFESTO "EM CADA ROSTO IGUALDADE"

Manifesto
Vivemos num mundo doente!
Doente, um mundo que circula indiferente perante Seres Humanos que vivem no chão da rua e comem de uma sopa nada mais que caridosa.
Doente, um mundo que assume como lei natural meia dúzia possuírem algarismos virtuais que os torna bem alimentados, bem vestidos, bem vividos, perante milhões de outros que, sem algarismos virtuais, sobrevivem de uma fome bem real.
Doente, um mundo em que a propriedade do Ter, roubou a dignidade de Ser.
Doente, um mundo que ajuíza o que cada um é pelo que cada qual possui, assim pretendendo fazer crer que entre seres iguais um possa ser mais e outro menos.
Não!
Não chegamos ao fim da História!
Porque o sabemos reclamamos um outro mundo!
Nós ousamos contrariar as regras com que nos tentam ajoelhar todos os dias.
Nós queremos construir um Mundo mais são, justo e digno para todos os seres.
Nós assumimos que o que nos estrutura enquanto Seres Humanos é a forma como vemos o outro.
E em cada rosto desconhecido, triste ou feliz, rude ou amável, amargo ou gentil vemos um Ser Humano Igual.
O Mundo que queremos é outro!
O que queremos é um Mundo de gente igual por dentro e gente igual por fora!
O Mundo que queremos é a Terra da Fraternidade - sentida, vivida e contada por José Afonso.
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
ASSOCIAÇÃO JOSÉ AFONSO
A. PEDRO RIBEIRO NA WORLD ART FRIENDS

...Convidado do mês Abril de 2011: A.Pedro Ribeiro
Submitted by admin on Tue, 04/05/2011 - 19:56
A. Pedro Ribeiro ou António Pedro Ribeiro nasceu no Porto no Maio de 68. Tem permanecido em Braga, Porto, Trofa e Vilar do Pinheiro (Vila do Conde). Está a lançar o livro de crónicas e pensamentos "Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, os Mercados e Outras Conversas" (Corpos/World Art Friends" e publicou as obras de poesia "Um Poeta no Piolho" (Corpos, 2009), "Queimai o Dinheiro" (Corpos, 2009), "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (Pirata, 2004), "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (Silêncio da Gaveta, 2001) e "Gritos. Murmúrios" (Com Rui Soares, Grémio Lusíada, 1988). É fundador da revista literária "Aguasfurtadas". Colaborou o colabora nas revistas "Piolho", "A Voz de Deus", "Cráse", "Bíblia", entre outras. Actuou como diseur/performer nos Festivais de Paredes de Coura de 2006 (ao lado de Adolfo Luxúria Canibal e Isaque Ferreira) e de 2009 (com a banda Mana Calórica) e nas "Quintas de Leitura" do Teatro Campo Alegre em Outubro de 2009 com o espectáculo "Um Poeta no Sapato", local onde regressa a 26 de Maio com a performance "Se me Pagares uma Cerveja estás a Financiar a Revolução", acompanhado de Susana Guimarães. Coordena, com Luís Carvalho, as sessões de "Poesia de Choque" no Clube Literário do Porto e tem dinamizado as sessões de poesia dos bares Púcaros e Pinguim, no Porto. Foi activista estudantil na Faculdade de Letras do Porto e no Jornal Universitário do Porto. É licenciado em Sociologia e é cronista em jornais. Há quem lhe chame provocador, agitador profissional.
1- Eu não sei se estou na moda. Mas sei que nestes tempos de agitação nacional e internacional os meus poemas e textos têm uma maior receptividade, sobretudo junto da juventude. Julgo que fenómenos como os "Homens da Luta" ou os Deolinda não tem acontecido por acaso, se bem que não se possam comparar a Zéca Afonso, José Mário Branco ou, claro, aos Doors. Contudo, creio que não podemos andar sempre agarrados ao passado. Penso que estamos a atravessar uma fase é que há muita gente que se começa a fartar dos políticos cinzentos, escravos dos mercados e de Bruxelas e mesmo da própria linguagem financeira, que só alguns iluminados entendem. Daí que um certo tipo de escrita mais subversiva, que apele à liberdade e à vida plena, entre mais nas pessoas. Acrescento, no entanto, que a moda e a fama, como há vários exemplos na história da arte, podem ser perigosas e criar ilusões desmedidas.
2- Penso que isso também tem que ver com a resposta anterior. Eu não escrevo só textos subversivos ou sarcásticos mas creio que no contexto actual há um conjunto de pessoas que não se revê em certa poesia mais lírica, que eu respeito, e que aderem mais a algo que tenha a ver com a revolução interior, com as questões que colocam a si próprias no dia-a-dia, com a revolta pura e simples perante um mundo que não serve. Digo poesia há mais de 22 anos, já fui vaiado, já tive recepções indiferentes, mas também tive, digamos assim, noites de glória, onde há pessoas que se comovem e que vem falar comigo no fim. Eu não vou dizer que falo a linguagem do cidadão comum, nem sequer ando atrás de maiorias, mas penso que, e este último livro é também um livro de reflexão, que a minha linguagem, talvez por influência do jornalista que já fui, não é hermética nem difícil e fala da vida concreta, não a vida da mecearia, mas, muitas vezes, a vida do homem que vai ao café ou ao bar e observa os outros, sendo também actor. Por outro lado, para dizer bem um texto meu ou de outro, eu tenho de senti-lo. Penso que é também por viver sobretudo os meus textos que as pessoas aderem mais.
3- A política, para mim, não faz sentido sem a arte. Como diziam os surrealistas é impossível separar os problemas do amor, da liberdade, da revolução. Fui militante do PSR e do Bloco de Esquerda e candidato a várias coisas mas fartei-me da separação dirigentes/dirigidos e duma linguagem eleitoralista, quase sempre económica, que não questiona o que estamos a fazer aqui, o sentido da vida. Eu intervenho na praça pública. Ainda há dias fui dizer poemas contra os mercados e os banqueiros para a Avenida dos Aliados. Tenho colaborado com organizações anarquistas. Mas sei que o essencial é a construção de um homem novo, na esteira de Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller e mesmo Jesus, um homem livre que dance e cante, que ultrapasse o homem pequeno dos mercados, da competição e da mercearia. É por esse homem que me bato
4- O momento mais alto da minha carreira foi a actuação no Festival de Paredes de Coura 2006 ao lado do Adolfo Luxúria Canibal e do Isaque Ferreira. Foi no Centro Cultural. Estavam 500/600 pessoas. Eu improvisei. As pessoas riam, divertiam-se, tive uma ovação enorme. Depois veio a bad trip. A fama subiu-me à cabeça...ouvia vozes, tive alucinações.
5- Quero que os meus livros andem por todo o lado, como a Bíblia.
Obras marcantes:
"Assim Falava Zaratustra", Nietzsche.
"Plexus", Henry Miller.
"Os Cantos de Maldoror", Lautréamont.
Fonte de inspiração:
Algumas mulheres.
Tudo o que me rodeia.
Filme Preferido:
"Appocalipse Now", Francis Ford Coppola.
Canção de Eleição:
"The End" dos Doors.
Imagem:
a morte de Che Guevara.
Palavra:
Livre.
Jantar:
com aquela que amo.
www.worldartfriends.com
CAOS
ALTRI SGPS 1,654 -0,121% BANCO BPI SA 1,233 2,154% BANIF SGPS 0,810 0,124% BCO ESP.SANT 2,818 1,623% BCP NOM. 0,582 2,827% BRISA 4,805 0,292% CIMPOR 5,020 -0,377% EDP 2,758 0,547% EDP RENOVAVE 4,835 -2,520% GALP ENERGIA 15,500 -0,513% J.MARTINS 11,475 -0,131% MOTA ENGIL 1,795 1,700% PORTUCEL 2,485 0,689% PT TELECOM 8,260 -0,229% REN 2,519 0,399% SEMAPA 8,520 0,472% SONAE 0,814 0,123% SONAE IND. S 1,558 -1,0
Director-geral do FMI diz que o principal problema é o financiamento dos bancos e a dívida privadaPortugal volta hoje ao mercado
Bancos compram hoje dívida pela última vez antes de suspenderem financiamento ao Estado
06.04.2011 - 09:13 Por PÚBLICO
9 de 16 notícias em Economia
« anteriorseguinte »O Estado faz hoje uma nova emissão de dívida no mercado, que poderá ser a última nos moldes actuais. Espera-se que alguns bancos portugueses assegurem o êxito do leilão, que poderá contar com uma ajuda complementar, a do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social.
Mas este leilão, cujo montante indicativo se situa entre os 750 mil e os mil milhões de euros, deverá ser o último a contar com a participação dos bancos nacionais, que já fizeram saber que não pretendem continuar a financiar o Estado português.
Ontem, circulavam informações nos meios financeiros de que um dos compradores potenciais dos bilhetes de tesouro seria o fundo de capitalização da Segurança Social. O envolvimento do instituto que gere o orçamento da Segurança Social visaria assegurar o sucesso da emissão, realizada em condições extremamente adversas: cortes sucessivos do rating da República,
para níveis próximos de “lixo”, e a escalada dos juros da dívida pública.
www.publico.clix.pt
Director-geral do FMI diz que o principal problema é o financiamento dos bancos e a dívida privadaPortugal volta hoje ao mercado
Bancos compram hoje dívida pela última vez antes de suspenderem financiamento ao Estado
06.04.2011 - 09:13 Por PÚBLICO
9 de 16 notícias em Economia
« anteriorseguinte »O Estado faz hoje uma nova emissão de dívida no mercado, que poderá ser a última nos moldes actuais. Espera-se que alguns bancos portugueses assegurem o êxito do leilão, que poderá contar com uma ajuda complementar, a do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social.
Mas este leilão, cujo montante indicativo se situa entre os 750 mil e os mil milhões de euros, deverá ser o último a contar com a participação dos bancos nacionais, que já fizeram saber que não pretendem continuar a financiar o Estado português.
Ontem, circulavam informações nos meios financeiros de que um dos compradores potenciais dos bilhetes de tesouro seria o fundo de capitalização da Segurança Social. O envolvimento do instituto que gere o orçamento da Segurança Social visaria assegurar o sucesso da emissão, realizada em condições extremamente adversas: cortes sucessivos do rating da República,
para níveis próximos de “lixo”, e a escalada dos juros da dívida pública.
www.publico.clix.pt
terça-feira, 5 de abril de 2011
A. PEDRO RIBEIRO ENTRE OS MALDITOS SEGUNDO VALTER HUGO MÃE
Diário da Madeira
Sexo, pilas, drogas e outros prazeres e maldições. O dia estava bonito e os escritores da segunda mesa do Festival Literário da Madeira deixaram-se de precauções. Libertaram o verbo e, com isso, foram malditos, como o tema proposto. Uma sessão, portanto, sem tabus, a caminho de uma definição do que poderá ser isso de escritores malditos.
Para Valter Hugo Mãe, maldito começou por ser o que a dona Alicinha lhe chamava, quando ele roubava cachos de uvas do seu quintal. Só mais tarde se tornou terreno literário, quando com 15 ou 16 anos passou a comprar livros da editora Hiena. Malditos passaram a ser Baudelaire, Genet, Artaud e outros que tais. "Levava os livros como sangue de um crime dentro da pasta da escola que parecia pingar no chão um rasto vermelho", recordou o autor de A máquina de fazer espanhóis. "Os textos a pesarem-me na pasta haveriam de ser muitos, e eu sempre corado quando alguém percebia que não estava a ler as carochices inventadas para entreter os povos e anestesiar-lhes o pensamento". Foi este sentimento que o levou a pensar: "O escritor maldito será, por isso, aquele que tendencialmente lemos às escondidas, por representar um compromisso desconfortável, talvez induzindo a uma concordância com as ideias destemperadas que veicula. Noutro sentido, estando vivo, maldito pode ser o que nos cria um frisson entre o susto e o expectante que tanto nos fascina como nos desregula no cara a cara." E com o tempo uma conclusão impôs-se: "Na realidade, vistos com nitidez, os malditos são invariavelmente moralistas e jogam com o que nos pode ofender para que, ofendidos, pronunciemos a culpa e procuremos a terapia. Dito isto, explica-se simplesmente, os malditos são, afinal, boas pessoas".
Pegando em alguns exemplos que Valter Hugo Mãe deu - Lautréamont, Eduardo Pitta, Alberto Pimenta, José Emílio-Nelson, Isabel de Sá, A. Pedro Ribeiro e sobretudo Adília Lopes -, Isabela Figueiredo afirmou logo a abrir: "Não há nenhuma arte que não seja maldita. A arte é sempre amoral e imoral". Que maldição é esta? "Mostar que os escritores são pessoas normais, nem melhores, nem piores. E revelam o que nos mandam calar na família, na igreja, na escola e na sociedade". E que temas são esses? "O que é privado: o sexo, o pé de atleta, a hipocrisia, as relações de interesse, no fundo, a lama e a merda de que somos feitos".
Foi essa liberdade que mais impressionou Sandro William Junqueira, quando descobriu a obra de Herberto Helder. E, entre vários exemplos, que não deixaram de quebrar outros tantos tabus, atirou: "Gosto de leitores que me dão pancada. Porque essa é uma das funções da literatura: dar uma outra visão das coisas."
A sessão ia animada, com muitas perguntas por parte do público, até que Raquel Ochoa, da plateia, lançou mais lenha para a fogueira: "E o que acham dos escritores que escrevem sob o efeito de qualquer droga ou alucinogénico?". O dia estava mesmo bonito, como no poema de Adília Lopes ("um dia tão bonito/ e eu não fornico").
No fim, Violante Saramago recolocou a questão: não será o escritor maldito também aquele que propõe rupturas sociais? "A ver como respondo a esta confusão", brincou Valter Hugo Mãe. E sintetizando, disse: "O que me interessa é saber o que é isto de ser mais do que uma pessoa e viver em sociedade. E os malditos que me interessam são os que têm um pensamento político". E fechou: "Não fumo cigarros, nem tomo drogas, nem bebo café ou álcool. A minha única alienação é aquela que entra pelos livros adentro".
Posted by Luís Ricardo Duarte at 5:20 PM Email This
BlogThis!
Share to Twitter
Share to Facebook
Share to Google Buzz
Labels: Diário da Madeira
Sexo, pilas, drogas e outros prazeres e maldições. O dia estava bonito e os escritores da segunda mesa do Festival Literário da Madeira deixaram-se de precauções. Libertaram o verbo e, com isso, foram malditos, como o tema proposto. Uma sessão, portanto, sem tabus, a caminho de uma definição do que poderá ser isso de escritores malditos.
Para Valter Hugo Mãe, maldito começou por ser o que a dona Alicinha lhe chamava, quando ele roubava cachos de uvas do seu quintal. Só mais tarde se tornou terreno literário, quando com 15 ou 16 anos passou a comprar livros da editora Hiena. Malditos passaram a ser Baudelaire, Genet, Artaud e outros que tais. "Levava os livros como sangue de um crime dentro da pasta da escola que parecia pingar no chão um rasto vermelho", recordou o autor de A máquina de fazer espanhóis. "Os textos a pesarem-me na pasta haveriam de ser muitos, e eu sempre corado quando alguém percebia que não estava a ler as carochices inventadas para entreter os povos e anestesiar-lhes o pensamento". Foi este sentimento que o levou a pensar: "O escritor maldito será, por isso, aquele que tendencialmente lemos às escondidas, por representar um compromisso desconfortável, talvez induzindo a uma concordância com as ideias destemperadas que veicula. Noutro sentido, estando vivo, maldito pode ser o que nos cria um frisson entre o susto e o expectante que tanto nos fascina como nos desregula no cara a cara." E com o tempo uma conclusão impôs-se: "Na realidade, vistos com nitidez, os malditos são invariavelmente moralistas e jogam com o que nos pode ofender para que, ofendidos, pronunciemos a culpa e procuremos a terapia. Dito isto, explica-se simplesmente, os malditos são, afinal, boas pessoas".
Pegando em alguns exemplos que Valter Hugo Mãe deu - Lautréamont, Eduardo Pitta, Alberto Pimenta, José Emílio-Nelson, Isabel de Sá, A. Pedro Ribeiro e sobretudo Adília Lopes -, Isabela Figueiredo afirmou logo a abrir: "Não há nenhuma arte que não seja maldita. A arte é sempre amoral e imoral". Que maldição é esta? "Mostar que os escritores são pessoas normais, nem melhores, nem piores. E revelam o que nos mandam calar na família, na igreja, na escola e na sociedade". E que temas são esses? "O que é privado: o sexo, o pé de atleta, a hipocrisia, as relações de interesse, no fundo, a lama e a merda de que somos feitos".
Foi essa liberdade que mais impressionou Sandro William Junqueira, quando descobriu a obra de Herberto Helder. E, entre vários exemplos, que não deixaram de quebrar outros tantos tabus, atirou: "Gosto de leitores que me dão pancada. Porque essa é uma das funções da literatura: dar uma outra visão das coisas."
A sessão ia animada, com muitas perguntas por parte do público, até que Raquel Ochoa, da plateia, lançou mais lenha para a fogueira: "E o que acham dos escritores que escrevem sob o efeito de qualquer droga ou alucinogénico?". O dia estava mesmo bonito, como no poema de Adília Lopes ("um dia tão bonito/ e eu não fornico").
No fim, Violante Saramago recolocou a questão: não será o escritor maldito também aquele que propõe rupturas sociais? "A ver como respondo a esta confusão", brincou Valter Hugo Mãe. E sintetizando, disse: "O que me interessa é saber o que é isto de ser mais do que uma pessoa e viver em sociedade. E os malditos que me interessam são os que têm um pensamento político". E fechou: "Não fumo cigarros, nem tomo drogas, nem bebo café ou álcool. A minha única alienação é aquela que entra pelos livros adentro".
Posted by Luís Ricardo Duarte at 5:20 PM Email This
BlogThis!
Share to Twitter
Share to Facebook
Share to Google Buzz
Labels: Diário da Madeira
sexta-feira, 1 de abril de 2011
LANÇAMENTO DO LIVRO "NIETZSCHE, JIM MORRISON, HENRY MILLER..."
A. Pedro Ribeiro lança o livro "Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, os Mercados e Outras Conversas" (Corpos/World Art Friends) amanhã, sábado, dia 2, pelas 22,00 h no Plano B no Porto. O evento inclui o lançamento de livros de outros autores e performances de Ex-Ricardo de Pinho Teixeira, Luís Carvalho e A. Pedro Ribeiro.
quinta-feira, 31 de março de 2011
WE WANT THE WORLD AND WE WANT IT NOW!
WE WANT THE WORLD AND WE WANT IT NOW!
António Pedro Ribeiro
Os tempos estão a mudar. As revoluções da Tunísia e do Egipto, as convulsões na Grécia, na Islândia, em Inglaterra, no Médio Oriente, no Norte de África e mesmo em Portugal, na sequência do 12 de Março, provam que há muita gente que já não vai na cantiga dos sacrossantos mercados, dos banqueiros e dos políticos ao seu serviço. Parece que se perdeu o medo de sair à rua. E nem tudo se explica pelas condições económicas: o desemprego, a precariedade, a pobreza, o aumento do preço dos bens essenciais, os cortes nas regalias sociais, a perda de poder de compra. Há um novo homem que se levanta, que reclama a vida, que não aceita mais ser escravo de coisa nenhuma. Ainda está confuso esse homem, ainda não se libertou totalmente das leis do mercado e da mercearia. Mas, sobretudo a juventude, tem protagonizado uma luta não dirigida, sem chefes nem partidos, uma luta que lembra o Maio de 68 e o grito de Jim Morrison há 40 anos atrás: "We want the world and we want it NOW!"
António Pedro Ribeiro
Os tempos estão a mudar. As revoluções da Tunísia e do Egipto, as convulsões na Grécia, na Islândia, em Inglaterra, no Médio Oriente, no Norte de África e mesmo em Portugal, na sequência do 12 de Março, provam que há muita gente que já não vai na cantiga dos sacrossantos mercados, dos banqueiros e dos políticos ao seu serviço. Parece que se perdeu o medo de sair à rua. E nem tudo se explica pelas condições económicas: o desemprego, a precariedade, a pobreza, o aumento do preço dos bens essenciais, os cortes nas regalias sociais, a perda de poder de compra. Há um novo homem que se levanta, que reclama a vida, que não aceita mais ser escravo de coisa nenhuma. Ainda está confuso esse homem, ainda não se libertou totalmente das leis do mercado e da mercearia. Mas, sobretudo a juventude, tem protagonizado uma luta não dirigida, sem chefes nem partidos, uma luta que lembra o Maio de 68 e o grito de Jim Morrison há 40 anos atrás: "We want the world and we want it NOW!"
segunda-feira, 28 de março de 2011
ACÇÃO DIRECTA
Acção Directa
Grupo de jovens faz protesto simbólico nas sedes do BPN
28.03.2011 - 07:43 Por Ana Cristina Pereira
A mensagem foi colada, às cinco da manhã, no vidro da sede do BPN no Porto: “O vosso roubo custou 13 milhões de salários mínimos”.
Dois promotoras da iniciativa depois da colagem de cartazes
(Fernando Veludo/nFACTOS)
A cena repetiu-se em várias cidades por volta da mesma hora – um pouco mais cedo em Braga. Assinado: “E o povo, pá? eopovopa.wordpress.com”. Um comunicado explica a opção deste grupo de dezenas de jovens pela clandestinidade: “Não importa quem somos, mas aquilo que nos junta. Somos gente farta da falta de oportunidades e cansada do discurso mentiroso que afirma que ‘não há outro caminho’. Somos gente cujo investimento e sacrifício dos pais na nossa educação resultou em desemprego e precariedade.”
O que querem? “Vimos dizer que não nos tomem por parvos.” Porquê este banco? “Quando falamos do buraco nas contas públicas deixado pelo BPN referimo-nos a 6500 milhões de euros, ou seja, mais de 13 milhões de salários mínimos.” O PÚBLICO acompanhou toda a acção no Porto
Grupo de jovens faz protesto simbólico nas sedes do BPN
28.03.2011 - 07:43 Por Ana Cristina Pereira
A mensagem foi colada, às cinco da manhã, no vidro da sede do BPN no Porto: “O vosso roubo custou 13 milhões de salários mínimos”.
Dois promotoras da iniciativa depois da colagem de cartazes
(Fernando Veludo/nFACTOS)
A cena repetiu-se em várias cidades por volta da mesma hora – um pouco mais cedo em Braga. Assinado: “E o povo, pá? eopovopa.wordpress.com”. Um comunicado explica a opção deste grupo de dezenas de jovens pela clandestinidade: “Não importa quem somos, mas aquilo que nos junta. Somos gente farta da falta de oportunidades e cansada do discurso mentiroso que afirma que ‘não há outro caminho’. Somos gente cujo investimento e sacrifício dos pais na nossa educação resultou em desemprego e precariedade.”
O que querem? “Vimos dizer que não nos tomem por parvos.” Porquê este banco? “Quando falamos do buraco nas contas públicas deixado pelo BPN referimo-nos a 6500 milhões de euros, ou seja, mais de 13 milhões de salários mínimos.” O PÚBLICO acompanhou toda a acção no Porto
domingo, 27 de março de 2011
PADRE MÁRIO DE OLIVEIRA

E AGORA, PORTUGAL? Ai do Povo Português se não vê a tempo! Cai o Governo, mas mantêm-se o José Sócrates e todos os outros chefes dos Partidos Políticos, com assento na Assembleia da República, os mesmos que têm arrastado e continuarão a ARRASTAR o País para os Grilhões do Poder Financeiro, o inferno global do Século XXI
Nenhuma Surpresa de última hora. O Poder Político, qual demónio, acaba de arrastar com ele todos os chefes dos Partidos Políticos, com assento na Assembleia da República. Nem o PCP, de Jerónimo, Metalúrgico-de-fato-e-gravata-e-pose-de-Executivo, nem o BE, de Francisco Louçã, Prof universitário, que faz do Parlamento, a sua primeira Cátedra e, sempre que o primeiro-ministro fala, exibe, impreterivelmente, aquele seu cínico sorriso que politicamente o suicida (não há um camarada dele que o aconselhe a ter uma outra postura nos debates?!), são capazes de reconhecer que eles próprios, juntamente com os restantes chefes dos Partidos Políticos, são parte do Problema, em que está mergulhado o País, nunca parte da Solução.
Falta-lhes Maturidade Humana. Falta-lhes Inteligência Cordial. Falta-lhes Humildade. Falta-lhes Verdade. O Poder que já são e têm, e as indisfarçáveis ambições de mais e mais Poder do que aquele que já são e têm, cega-os por completo. Tanto quanto cega o Paulo Portas do PP-CDS (mas então não é que este campeão do Chico-Espertismo dos chefes de Partidos Políticos, já deixa entender, nas entrelinhas, que, nas próximas eleições, há possibilidades de ser ele o mais votado e, por isso, ser indigitado como o próximo primeiro-ministro do País?!), ou o demagogicamente contido Passos Coelho, do PSD.
O Poder Político nunca é parte da Solução. É sempre parte do Problema. Em Portugal. E em qualquer outro País da Europa e do Mundo. Onde há Poder Político, não há Política Praticada. Onde há Poder Político, há Mentira e Assassínio Institucionalizados. Não há Gratuidade, Fragilidade Humana Desarmada, muito menos, Maiêutica. E só a Fragilidade Humana Desarmada e Maiêutica é via de Saúde / Salvação de um País e do Mundo. Nunca os chefes dos Partidos Políticas, alguma vez, o reconhecerão. Está-lhes vedado aos seus esfomeados olhos de mais Poder e de mais Domínio.
Enquanto o Palácio de São Bento estiver de pé e a funcionar, como sede do Parlamento e do Governo de Portugal, o País nunca chegará a usufruir de Saúde / Salvação. Porque a única via que conduz à Saúde / Salvação de um País, Portugal ou outro qualquer país do Mundo, é a Política Praticada. Ora, um Partido Político – seria como pedir ao Lobo Esfaimado que proteja e defenda o Frágil Cordeiro! – jamais conseguirá ser Política Praticada. Sempre será Poder Político, Hoje, todo ele, o Executor-mor dos projectos e das ambições do Poder Económico-Financeiro, ou o Mercado Global. O Poder Político, partidário, ou governativo, é a Mão Esquerda do Poder Financeiro, hoje, o Mercado Global. Tanto faz dizer-se de Direita ou de Esquerda, é sempre a Mão Esquerda do Poder Financeiro. Tal como o Poder Sacerdotal-Religioso é a sua Mão Direita. São três Poderes distintos, mas um só verdadeiro: – o Poder Financeiro ou o Mercado Global.
É óbvio que nenhuma Universidade do Mundo, Confessional ou Laica, alguma vez, dirá estas coisas às novas gerações que as frequentam. Todas são criação do Poder Financeiro e financiadas por ele. Para o servirem, e aos seus interesses. Cabe-lhes formatar a mente e a consciência de cada nova geração que vem ao Mundo, para que haja total unanimidade entre os chamados Intelectuais, todos obrigatoriamente Intelectuais não-orgânicos, a menos que, primeiro, Renunciem a ter Cátedra cativa nalguma delas. Coisa mais difícil de suceder, do que um camelo passar pelo buraco duma agulha! De modo que, após concluírem a sua formação académica universitária, as novas gerações passem a integrar algum dos três Poderes.
Dos três, o que, hoje, está aí mais à mão de semear, é, sem dúvida, o Poder Sacerdotal-Religioso. É tão Obsoleto e tão Inútil, que as novas gerações já nem para ele conseguem olhar, quanto mais, integrar! Já o Poder Político continua ainda bastante Sedutor e Tentador. Porque dá a sensação às novas gerações, de que lhes abre a porta de acesso ao Poder Financeiro. Mas é pura Ilusão! Nunca as novas gerações passarão de Funcionários Prostituídos do Poder Financeiro. Aliás, o Poder Financeiro, é, hoje, praticamente, inacessível às novas gerações, reduzidas que ficam a ser seus Funcionários Prostituídos, a vida inteira. Porque o Poder Financeiro é ferozmente Monárquico. Quer dizer, não pode ser mais do que um, que é o que significa ser ferozmente Monárquico! Durante Séculos, o Poder que hoje é Financeiro, foi sobretudo, Económico. E, nessa fase histórica, estava repartido por várias mãos. Desde que chegou ao patamar do Financeiro – o Século XXI é o primeiro na História! – é só um. A sua Bíblia proclama ao Mundo: Escutai, Povos todos da Terra: O Dinheiro é o Vosso único Deus! Não tereis outros deuses além do Dinheiro. Só ao Dinheiro adorareis e obedecereis. Só ao Dinheiro recorrereis. Eis a Idolatria, como nunca antes se conheceu na História dos Povos!
Ou o Povo Português vê tudo isto a tempo, e age politicamente, em coerência, ou continua a ir às eleições escolher os seus Opressores e os seus Carrascos, cobradores de impostos. Sem nunca se aperceber que, de cada uma delas, sai cada vez mais Roubado, Assassinado, Destruído. Todos os Messias são falsos. A começar pelo que, há quase dois mil anos, dá pelo nome de Cristo! Ou os Povos Crescem de dentro para fora e conseguem chegar ao patamar da Fragilidade Humana Desarmada e Maiêutica, e são Povos Humanos, Livres, Autónomos e Sujeitos dos seus próprios destinos e dos destinos do Planeta, ou acabam cada vez mais Roubados, Assassinados, Destruídos. Juntamente com o Planeta! Acordemos! E deixemos de ser Populações Ingénuas que acabam sempre a fazer o jogo do Poder Financeiro Global. Deixemos de continuar a confiar os nossos destinos a Messias Salvadores. Cresçamos, de dentro para fora, e Assumamo-nos como Sujeitos das nossas próprias vidas e da vida do Planeta!
www.jornalfraternizar.pt.vu
A REVOLUÇÃO SILENCIADA DA ISLÂNDIA
Crise financeira mundial
Islândia. O povo é quem mais ordena. E já tirou o país da recessão
por Joana Azevedo Viana, Publicado em 26 de Março de 2011 .A crise levou os islandeses a mudar de governo e a chumbar o resgate dos bancos. Mas o exemplo de democracia não tem tido cobertura
Nem o frio pára o povo: duas revoluções pacíficas já levaram a grandes mudanças céu guarda/kameraphoto 1/1 + fotogalería .Os protestos populares, quando surgem, são para ser levados até ao fim. Quem o mostra são os islandeses, cuja acção popular sem precedentes levou à queda do governo conservador, à pressão por alterações à Constituição (já encaminhadas) e à ida às urnas em massa para chumbar o resgate dos bancos.
Desde a eclosão da crise, em 2008, os países europeus tentam desesperadamente encontrar soluções económicas para sair da recessão. A nacionalização de bancos privados que abriram bancarrota assim que os grandes bancos privados de investimento nos EUA (como o Lehman Brothers) entraram em colapso é um sonho que muitos europeus não se atrevem a ter. A Islândia não só o teve como o levou mais longe.
Assim que a banca entrou em incumprimento, o governo islandês decidiu nacionalizar os seus três bancos privados - Kaupthing, Landsbanki e Glitnir. Mas nem isto impediu que o país caísse na recessão. A Islândia foi à falência e o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrou em acção, injectando 2,1 mil milhões de dólares no país, com um acrescento de 2,5 mil milhões de dólares pelos países nórdicos. O povo revoltou-se e saiu à rua.
Lição democrática n.º 1: Pacificamente, os islandeses começaram a concentrar-se, todos os dias, em frente ao Althingi [Parlamento] exigindo a renúncia do governo conservador de Geir H. Haarde em bloco. E conseguiram. Foram convocadas eleições antecipadas e, em Abril de 2009, foi eleita uma coligação formada pela Aliança Social-Democrata e o Movimento Esquerda Verde - chefiada por Johanna Sigurdardottir, actual primeira-ministra.
Durante esse ano, a economia manteve-se em situação precária, fechando o ano com uma queda de 7%. Porém, no terceiro trimestre de 2010 o país saiu da recessão - com o PIB real a registar, entre Julho e Setembro, um crescimento de 1,2%, comparado com o trimestre anterior. Mas os problemas continuaram.
Lição democrática n.º 2: Os clientes dos bancos privados islandeses eram sobretudo estrangeiros - na sua maioria dos EUA e do Reino Unido - e o Landsbanki o que acumulava a maior dívida dos três. Com o colapso do Landsbanki, os governos britânico e holandês entraram em acção, indemnizando os seus cidadãos com 5 mil milhões de dólares [cerca de 3,5 mil milhões de euros] e planeando a cobrança desses valores à Islândia.
Algum do dinheiro para pagar essa dívida virá directamente do Landsbanki, que está neste momento a vender os seus bens. Porém, o relatório de uma empresa de consultoria privada mostra que isso apenas cobrirá entre 200 mil e 2 mil milhões de dólares. O resto teria de ser pago pela Islândia, agora detentora do banco. Só que, mais uma vez, o povo saiu à rua. Os governos da Islândia, da Holanda e do Reino Unido tinham acordado que seria o governo a desembolsar o valor total das indemnizações - que corresponde a 6 mil dólares por cada um dos 320 mil habitantes do país, a ser pago mensalmente por cada família a 15 anos, com juros de 5,5%. A 16 de Fevereiro, o Parlamento aprovou a lei e fez renascer a revolta popular. Depois de vários dias em protesto na capital, Reiquiavique, o presidente islandês, Ólafur Ragnar Grímsson, recusou aprovar a lei e marcou novo referendo para 9 de Abril.
Lição democrática n.º 3: As últimas sondagens mostram que as intenções de votar contra a lei aumentam de dia para dia, com entre 52% e 63% da população a declarar que vai rejeitar a lei n.o 13/2011. Enquanto o país se prepara para mais um exercício de verdadeira democracia, os responsáveis pelas dívidas que entalaram a Islândia começam a ser responsabilizados - muito à conta da pressão popular sobre o novo governo de coligação, que parece o único do mundo disposto a investigar estes crimes sem rosto (até agora).
Na semana passada, a Interpol abriu uma caça a Sigurdur Einarsson, ex-presidente-executivo do Kaupthing. Einarsson é suspeito de fraude e de falsificação de documentos e, segundo a imprensa islandesa, terá dito ao procurador-geral do país que está disposto a regressar à Islândia para ajudar nas investigações se lhe for prometido que não é preso.
Para as mudanças constitucionais, outra vitória popular: a coligação aceitou criar uma assembleia de 25 islandeses sem filiação partidária, eleitos entre 500 advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais, etc. A nova Constituição será inspirada na da Dinamarca e, entre outras coisas, incluirá um novo projecto de lei, o Initiative Media - que visa tornar o país porto seguro para jornalistas de investigação e de fontes e criar, entre outras coisas, provedores de internet. É a lição número 4 ao mundo, de uma lista que não parece dar tréguas: é que toda a revolução islandesa está a passar despercebida nos media internacionais.
Jornal i
Islândia. O povo é quem mais ordena. E já tirou o país da recessão
por Joana Azevedo Viana, Publicado em 26 de Março de 2011 .A crise levou os islandeses a mudar de governo e a chumbar o resgate dos bancos. Mas o exemplo de democracia não tem tido cobertura
Nem o frio pára o povo: duas revoluções pacíficas já levaram a grandes mudanças céu guarda/kameraphoto 1/1 + fotogalería .Os protestos populares, quando surgem, são para ser levados até ao fim. Quem o mostra são os islandeses, cuja acção popular sem precedentes levou à queda do governo conservador, à pressão por alterações à Constituição (já encaminhadas) e à ida às urnas em massa para chumbar o resgate dos bancos.
Desde a eclosão da crise, em 2008, os países europeus tentam desesperadamente encontrar soluções económicas para sair da recessão. A nacionalização de bancos privados que abriram bancarrota assim que os grandes bancos privados de investimento nos EUA (como o Lehman Brothers) entraram em colapso é um sonho que muitos europeus não se atrevem a ter. A Islândia não só o teve como o levou mais longe.
Assim que a banca entrou em incumprimento, o governo islandês decidiu nacionalizar os seus três bancos privados - Kaupthing, Landsbanki e Glitnir. Mas nem isto impediu que o país caísse na recessão. A Islândia foi à falência e o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrou em acção, injectando 2,1 mil milhões de dólares no país, com um acrescento de 2,5 mil milhões de dólares pelos países nórdicos. O povo revoltou-se e saiu à rua.
Lição democrática n.º 1: Pacificamente, os islandeses começaram a concentrar-se, todos os dias, em frente ao Althingi [Parlamento] exigindo a renúncia do governo conservador de Geir H. Haarde em bloco. E conseguiram. Foram convocadas eleições antecipadas e, em Abril de 2009, foi eleita uma coligação formada pela Aliança Social-Democrata e o Movimento Esquerda Verde - chefiada por Johanna Sigurdardottir, actual primeira-ministra.
Durante esse ano, a economia manteve-se em situação precária, fechando o ano com uma queda de 7%. Porém, no terceiro trimestre de 2010 o país saiu da recessão - com o PIB real a registar, entre Julho e Setembro, um crescimento de 1,2%, comparado com o trimestre anterior. Mas os problemas continuaram.
Lição democrática n.º 2: Os clientes dos bancos privados islandeses eram sobretudo estrangeiros - na sua maioria dos EUA e do Reino Unido - e o Landsbanki o que acumulava a maior dívida dos três. Com o colapso do Landsbanki, os governos britânico e holandês entraram em acção, indemnizando os seus cidadãos com 5 mil milhões de dólares [cerca de 3,5 mil milhões de euros] e planeando a cobrança desses valores à Islândia.
Algum do dinheiro para pagar essa dívida virá directamente do Landsbanki, que está neste momento a vender os seus bens. Porém, o relatório de uma empresa de consultoria privada mostra que isso apenas cobrirá entre 200 mil e 2 mil milhões de dólares. O resto teria de ser pago pela Islândia, agora detentora do banco. Só que, mais uma vez, o povo saiu à rua. Os governos da Islândia, da Holanda e do Reino Unido tinham acordado que seria o governo a desembolsar o valor total das indemnizações - que corresponde a 6 mil dólares por cada um dos 320 mil habitantes do país, a ser pago mensalmente por cada família a 15 anos, com juros de 5,5%. A 16 de Fevereiro, o Parlamento aprovou a lei e fez renascer a revolta popular. Depois de vários dias em protesto na capital, Reiquiavique, o presidente islandês, Ólafur Ragnar Grímsson, recusou aprovar a lei e marcou novo referendo para 9 de Abril.
Lição democrática n.º 3: As últimas sondagens mostram que as intenções de votar contra a lei aumentam de dia para dia, com entre 52% e 63% da população a declarar que vai rejeitar a lei n.o 13/2011. Enquanto o país se prepara para mais um exercício de verdadeira democracia, os responsáveis pelas dívidas que entalaram a Islândia começam a ser responsabilizados - muito à conta da pressão popular sobre o novo governo de coligação, que parece o único do mundo disposto a investigar estes crimes sem rosto (até agora).
Na semana passada, a Interpol abriu uma caça a Sigurdur Einarsson, ex-presidente-executivo do Kaupthing. Einarsson é suspeito de fraude e de falsificação de documentos e, segundo a imprensa islandesa, terá dito ao procurador-geral do país que está disposto a regressar à Islândia para ajudar nas investigações se lhe for prometido que não é preso.
Para as mudanças constitucionais, outra vitória popular: a coligação aceitou criar uma assembleia de 25 islandeses sem filiação partidária, eleitos entre 500 advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais, etc. A nova Constituição será inspirada na da Dinamarca e, entre outras coisas, incluirá um novo projecto de lei, o Initiative Media - que visa tornar o país porto seguro para jornalistas de investigação e de fontes e criar, entre outras coisas, provedores de internet. É a lição número 4 ao mundo, de uma lista que não parece dar tréguas: é que toda a revolução islandesa está a passar despercebida nos media internacionais.
Jornal i
REVOLTA EM LONDRES

Manifestação poderá ser a maior desde protestos contra guerra no Iraque em 2003
Londres: Meio milhão de manifestantes saiu à rua para protestar contra medidas de austeridade
26.03.2011 - 13:10 Por Luísa Teixeira da Mota
Centenas de milhares de pessoas desfilaram em Londres para protestar as medidas de austeridade do Governo. Os números variam bastante, mas cerca de meio milhão de pessoas terá participado na manifestação, que teve confrontos com a polícia e destruição de lojas no centro da cidade.
A polícia é alvo de ataques com tinta dos manifestantes (Foto: Paul Hackett/Reuters)
« anterior123456789seguinte »
Desde estudantes a pensionistas, passando por trabalhadores do sector público, todos se juntam para criticar os cortes apresentados pelo Governo de coligação britânico para diminuir o défice. A manifestação, marcada desde Outubro, acontece três dias depois de ter sido apresentado o orçamento de 2011 e é chamada “Marcha pela Alternativa”.
Mais de 800 autocarros e pelo menos dez comboios foram reservados para trazer pessoas de todo o país até à capital pela federação de sindicatos britânica que organizou a manifestação, a Trades Union Congress.
Mas, apesar de anunciada como uma marcha pacífica, foram registados conflitos entre polícia e manifestantes. Foram atiradas garrafas e tintas para várias montras de lojas em Oxford Street, como a Top Shop, cujo proprietário é acusado de fugir aos impostos, bem como o hotel Ritz, as vitrines dos
bancos Santander e Lloyds, bem como um stand da Porsche. A montra de um café “Starbucks” foi também atingida e os manifestantes pintaram símbolos de anarquia nas paredes.
O ministro da Educação, Michael Gove, disse à BBC que compreendia que as pessoas estivessem aborrecidas e preocupadas, mas que o Governo - uma coligação entre conservadores e liberais democratas - estava perante uma tal situação económica que era obrigado a tomar medidas para que as finanças públicas pudessem regressar a um equilíbrio.
“Não acabem com a Grã-Bretanha”; “não aos cortes”, “defendamos os nossos serviços públicos”, são alguns dos slogans que entoam os manifestantes, empunhando cartazes.
O líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, que acusa o Governo de fomentar “políticas de divisão” que relembram os anos 80 de Margaret Thatcher, condenou a violence, mas defendeu a grande maioria dos manifestantes, que disse defenderem a visão da grande maioria do Reino Unido.
Antes, tinha discursado aos manifestantes, naquela que foi a sua maior audiência de sempre. "Lutamos para preservar, proteger e defender os nossos serviços, porque representam o melhor do país que amamamos", declarou, em Hyde Park.
Miliband pediu ainda ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, que olhasse para a "grande sociedade" que saía à rua para protestar contra a política do Governo conservador.
"Uma grande sociedade unida contra o que o Governo está a fazer ao país. Hoje comparecemos não como uma minoria, mas como a voz da maioria popular deste país", acrescentou o líder da oposição.
De acordo com uma sondagem levada a cabo pelo jornal "The Guardian" e pela ICM, a população britânica está dividida no que toca aos cortes: em 1014 pessoas inquiridas, 35 por cento acredita que vão longe demais; 28 por cento entende que são os necessários; 29 por cento diz que não suficientes; e 8 por cento diz não ter opinião.
Mas de acordo com uma outra sondagem publicada na sexta-feira, parece haver unanimidade no que toca à hostilidade às medidas do Governo: 64 por cento dos inquiridos entende que o Executivo deve rever a sua política de austeridade.
www.publico.clix.pt
sexta-feira, 25 de março de 2011
VIVOS

Caos, desordem, anarquia. Eis onde chegamos. Podemos até apelar á harmonia, ao diálogo entre os homens de boa vontade. Mas chegámos a um ponto onde não é mais possível voltar atrás. Chegamos ao ponto do agora ou nunca. No país, no mundo, declaramos guerra à finança. No país, no mundo, recusamos o nuclear e a ditadura dos mercados. No país, no mundo, somos um só. Recusamos o macaco da compra e venda. Somos do espírito e do coração. Somos aquele que dança. É o fim das "doces mentiras", como dizia Morrison. Chegámos ao fim da linha. Bebemos à saúde do primeiro homem. Estamos a voltar ao tempo das propinas. Recusamo-nos a pagar a vida. Nascemos de borla. Deveríamos prosseguir na vida de borla. Nada nos deita abaixo agora. Somos o mundo. Acreditamos nos filósofos, acreditamos nos homens de cabeça erguida. Não suportamos o hermetismo das contas que só alguns entendem. Não suportamos mais a mesquinhez da finança. Estamos vivos. Aqui permaneceremos. Somos políticos mas não como os outros. Só nos falta andar de bar em bar a espalhar a rebeldia. Somos loucos. Assistimos á queda do Império. é isto mesmo...a queda do Império. O Império está a cair, meus amigos, companheiros, camaradas. Está ao nosso alcance, ao alcance da ponta dos dedos.
A QUEDA DO GRANDE CASTRADOR

Sócrates caiu. O grande castrador, o suspeito de vigarice, o senhor dos cortes, o pau-mandado de Merkel e dos mercados finalmente caiu. Agora importa continuar a sair para a rua. Fazer com que o previsível governo PSD/CDS também não se aguente. Tornar o país ingovernável. Radicalizar posições, provocar o caos e a revolução. Através de eleições nunca se irá lá. O PCP e o BE juntos dificilmente passarão dos 20%. É precisa uma revolução como no Egipto, como na Tunísia, como na Grécia. É preciso tomar a rua. É preciso também celebrar a vida. Que não está nos mercados, que não está em Bruxelas. Não mais imposições, não mais castrações. Celebremos Dionisos. Peguemos fogo aos bancos e ao capitalismo. Estamos fartos desses abutres, estamos fartos desses cães assassinos que nos roubam o ser e a vida. Celebremos. Juntemo-nos no banquete permanente. Somos senhores e não escravos, senhores sem escravos. Merda para as obrigações e para o trabalho! Dediquemo-nos apenas à revolução, à transformação do mundo. Sejamos deuses. Nada está acima de nós. Celebremos a noite e o dia.
POESIA/MANIF CONTRA OS MERCADOS E PELA VIDA

POESIA/MANIF CONTRA OS MERCADOS E OS BANQUEIROS E PELA LIBERDADE LIVRE
Os mercados, os banqueiros, os grandes empresários e os políticos ao seu serviço roubam-nos a vida. Os poetas e diseurs António Pedro Ribeiro e Susana Guimarães dizem poesia e manifestam-se contra os mercados e pela liberdade livre no próximo sábado, 26, pelas 16,00 h na Avenida dos Aliados (junto à estátua de D. Pedro). Participem!
quarta-feira, 23 de março de 2011
O PARAÍSO QUE DEUS NOS ROUBOU

Alea Jacta est. A partir de ontem, nada será como antes. O menino encontrou-se com a natureza. É o homem global. Tem seguidores. Hesita entre a violência e a não-violência. Já não é o mero escritor. Chega a mais gente. Quer, agora, as mulheres bonitas. Hesitante ainda, fala como um senhor. É genuíno, dizem. Cria mundos, como na infância. Encontrou Morrison e depois Nietzsche. Nunca mais foi o mesmo. Sabe agora que tem responsabilidades e um papel a cumprir. Não tem que dizer o que os políticos dizem. Fala do homem a construir. Do homem que não se contenta com a mera sobrevivência, com o comer e beber, comprar e vender. Não se pode contentar com o macaco. O homem pode ser divino, pode ser Deus ou Jesus. Não tem que se reduzir a um ser medroso, intimidado pelos poderes, pelos patrões, pelos mercados. O homem só pode ser livre. E deve ser capaz de acreditar que está a mudar o mundo. Escrevendo, expondo-se publicamente, discutindo. Nada está acima do Homem. Nem deuses nem relógios. Não se pode impôr à minha vida. Nem Deus, nem Estado. Sou um deus como Brando no "Apocalipse Now". Sou um deus no meio do caos. Tu também podes sê-lo. Amamos. Amamos mas odiamos o homem pequeno e o mercado. Não suportamos mais o homem pequeno. Não glorificamos a classe operária. O povo despreza o artista e o revolucionário. E vem a gaja. E pára o mundo. Abençoada seja a beleza. Abençoada a beleza que se funde com a criação. Estamos a assistir ao renascimento do homem, ao homem que dá os primeiros passos, que vai á conquista do mundo, que demanda o Graal. Eis o homem, o cowboy solitário do bar, o pistoleiro que controla, que provoca, que é diferente dos outros. O homem da demanda. Que não vai atrás das multidões, da maioria. Que reclama o mundo e a vida, o paraíso que Deus nos roubou.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

