sábado, 22 de janeiro de 2011

MANUEL ALEGRE


Almeida Santos frisa que Manuel Alegre foi o autor do Preâmbulo da Constituição
***Serviço áudio disponível em www.lusa.pt *** Porto, 21 jan (Lusa) - O presidente do PS, Almeida Santos, vincou hoje que o candidato presidencial Man...



Almeida Santos frisa que Manuel Alegre foi o autor do Preâmbulo da Constituição
***Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***

Porto, 21 jan (Lusa) - O presidente do PS, Almeida Santos, vincou hoje que o candidato presidencial Manuel Alegre foi o responsável, enquanto deputado da Assembleia Constituinte, pela redação do preâmbulo da Constituição da República.

"Pouca gente sabe isso - e importa dizê-lo agora. Manuel Alegre foi o responsável pelo Preâmbulo da Constituição, que agora a direita pretendia mudar", apontou Almeida Santos no comício de encerramento do candidato presidencial apoiado pelo PS e Bloco de Esquerda no Porto.

Tal como fizera no comício de Coimbra, Almeida Santos fez longos e rasgados elogios a Manuel Alegre, considerando que "teve uma vida rara".

"Tens uma vida de coerência. Chegaste à política cedo pela alma. Quem chega à política só aos 35 anos é porque não tem alma", disse, aparentemente numa referência crítica a Cavaco Silva.

PMF

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/fim

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

LOUÇÃ E CAVACO

Presidenciais: "Vil baixeza foi o que fez a quadrilha do BPN", resposta de Louçã a Cavaco
***Serviço áudio disponível em www.lusa.pt *** Lisboa, 20 jan (Lusa) - O líder do Bloco de Esquerda respondeu hoje aos protestos de Cavaco Silva contr...



Presidenciais: "Vil baixeza foi o que fez a quadrilha do BPN", resposta de Louçã a Cavaco
***Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***

Lisboa, 20 jan (Lusa) - O líder do Bloco de Esquerda respondeu hoje aos protestos de Cavaco Silva contra campanhas de "vil baixeza" contra si, contrapondo que "vil baixeza" foi a ação da quadrilha do Banco Português de Negócios (BPN).

Francisco Louçã fez a primeira intervenção da noite no comício da candidatura presidencial de Manuel Alegre no Coliseu dos Recreios de Lisboa.

Em vários momentos da sua intervenção, Louçã levou a plateia ao rubro, sobretudo quando estabeleceu uma ligação entre o atual chefe de Estado e o caso BPN.

"Cavaco Silva olha para nós como um aristocrata ofendido com o atrevimento da populaça e diz-nos que a crítica é vil baixeza. Mas, dr. Cavaco Silva, vil baixeza foi a fraude financeira que agora está a arruinar o país da quadrilha do BPN, dos seus ex-ministros, daqueles ex-ministros cheios de cumplicidades, que protegeram os seus, distribuindo o saque contra o nosso país, contra a nossa economia e contra o nosso povo", acusou o líder do Blcoo de Esquerda.

Louçã traçou depois um dualismo entre Cavaco Silva e Manuel Alegre.

"Não queremos um presidente da República que seja um ocultador, não queremos armários de segredos e de esqueletos em Belém. Queremos transparência e responsabilidade e um Presidente da República não pode estar a fugir da sua sombra".

De acordo com Louçã, Portugal precisa de um Presidente da República "de confiança: Manuel Alegre".

PMF

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/fim

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O POETA


O POETA

Desperto. De novo, desperto. As mãos tremem mas desperto. Estou no princípio. Estou no precipício mas estou também no cume. O homem sobe e o homem sabe. Espera a mulher se ela vier. Quere-a. A mulher bonita, a mulher sabida. O poeta conhece as palavras. Quer dizê-las à mulher. Sabe o que quer. Não se limita a escrever versos. Está no mundo. Bebe. É da noite. A noite arde como a mulher. Este é o poeta ... Ver maisque diz que o país está a arder. No fundo, nada tem a perder. Nasceu para isto. Vive da provocação, do desafio. Quer. É sobretudo vontade. Arde. Nasce. Sabe que o Estado o pode deter a qualquer momento. Não suporta o Estado. Em algumas coisas acha-o necessário. Mas não o suporta. Quer derrubá-lo. Já o imaginou várias vezes, já lá esteve várias vezes. Atirou-lhe pedras. Não é um santo. Por vezes até foi um bocado sacana. As pessoas do dia-a-dia na realidade não o conhecem. Poucos o conheceram na sua versão “hard”. Muda de pele. Veste a pele do humilde. Já foi humilhado na praça pública. Mas reagiu após a palavra da mulher. Consegue ser maldoso como Nero. Em determinadas situações, sob determinados céus. As pessoas não sabem. Não sabem que ele esteve várias vezes no inferno mas também já viveu o paraíso. Já não é aquele rapaz inocente dos 16 anos. Apanhou patadas. A maior parte das vezes não reage, deixa a banda tocar. Faz-se de ingénuo, inocente, ou é-o mesmo, acreditamos que sim. O Do Vale senta-se. É o poeta mas não apenas o poeta. Sabe que esta é a hora. Sabe que é a hora de andar na corda-bamba. Sabe que as greves e as manifs estão aí. É convidado para reuniões subversivas. Esta é a hora de gastar munições. Até começa a querer as gajas das televisões. É terrivelmente narcisista. Sabe ser bom e cruel. É terrivelmente sincero nas suas convicções. De certa forma, é um fanático. Espera a mulher. A mulher de sonho, que sobressai na paisagem. Não qualquer uma. Cremos mesmo que acredita nas suas convicções para lá da morte,embora nem sempre o deixe transparecer. Julga-se um iluminado. A sua luz brilha. Veio cá para algo de grande, de superior. Chega o chato do costume e corta a veia.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

POESIA DE CHOQUE

António Pedro Ribeiro e Luís Carvalho apresentam mais uma noite de POESIA DE CHOQUE amanhã, quinta, 20, pelas 22 h, no Clube Literário do Porto. A sessão conta com a intervenção da banda Bella Damião. A poesia a arder e a rasgar.

ORFEUZINHO


À minha frente o dr. Amílcar de Oliveira-estomatologista. Saúde, ó doutor! O autocarro vai para a praia de Matosinhos. Chamo o empregado. Peço uma cerveja. O quiosque forrado de revistas. A geração "nem-nem". Estão próximos de mim. Mas eu recuso-me a trabalhar, a não ser na minha arte. Alimento-me das conversas dos outros. Há vida aqui no "Orfeuzinho". O velhote cumprimenta o homem do quiosque. O empregado arruma a mesa. Tenho de escrever um poema sobre os mercados. No sábado, no Hard Club, estava cheio de pedal. E depois soube sair do palco. A partir de certo ponto, senti-me mesmo bem em palco. Há quem espere de mim um homem sóbrio e tenha uma surpresa. Se tivesse gente a trabalhar para mim poderia estar neste momento como o Coelho, naturalmente a dizer coisas diferentes. É pena. Uma oportunidade perdida. Mas haverá outras. Eu tenho um discurso claramente anti-mercados, anti-bancos, anti essa merda toda. Não sou o mesmo todos os dias. É tudo. Acredito no super-homem. No homem que transformará a Terra.

AO CARLOS PINTO


Não há dúvida que os lugares vivem das pessoas e que as pessoas vivem dos lugares. Foi-se o Carlos Pinto. Acabou o "Púcaros". Havia pessoas que só se encontravam lá, que se deixaram de encontrar. Há o "Taboo", mas não é a mesma coisa. Perdeu-se o Carlos. Perdeu-se a magia do "Púcaros", as "bocas" a propósito que o Carlos mandava, o ir para o centro do bar atirar poemas. Não, não é a mesma coisa. As cervejas que o Carlos me oferecia. "Aqui não há classes", dizia. "Isto é a anarquia", acrescentava. Por onde andas, Carlos? Que opiniões terias sobre tudo isto?

A. Pedro Ribeiro @ Vortex:08

AI, ANÍBAL

A permuta que permitiu a Cavaco Silva adquirir uma vivenda na Aldeia da Coelha, em Albufeira, envolveu uma sociedade parcialmente detida por Fernando Fantasia, um homem com ligações ao universo empresarial da SLN, que deteve o BPN até à nacionalização.

Nesta transacção, que o presidente da República, a disputar a reeleição, incluiu na declaração depositada no Tribunal Constitucional, não está em causa qualquer violação da lei. Faltam, porém, elementos que permitam compreender todos os contornos da operação - desde logo, a escritura, susceptível de esclarecer o que cedeu, em troca da vivenda. Na sequência da reportagem sobre a questão publicada na semana passada pela revista "Visão", Cavaco Silva afirmou apenas, através de fonte oficial, não se recordar da data ou do local onde foi celebrada a escritura. Ontem, confrontado pelo JN através do "staff" da campanha, não prestou quaisquer informações complementares.

Segundo o documento que se encontra na Conservatória do Registo Predial de Albufeira, a permuta foi efectuada em 17 de Fevereiro de 1999 com a Constralmada. Em causa, o lote 18 da urbanização, um imóvel com cave, rés--do-chão e 1.º andar, além de logradouro, com área total de 1891 metros quadrados, que resultara da anexação de dois prédios. A caderneta predial urbana revela que o prédio na Sesmaria, registado sob o artigo matricial 18713 - resultante do artigo 18030 - obteve licença de utilização em 3 de Dezembro de 1999.

Um terço do capital da Constralmada, sociedade dissolvida em 2004, era detido pela OPI 92 - Operações Imobiliárias, empresa de Fernando Fantasia, que também adquiriu uma vivenda na urbanização algarvia, cujo usufruto passou à filha. Na urbanização, possuem também imóveis um antigo adjunto do actual presidente, Carapeto Dias e o ex-ministro Eduardo Catroga. O próprio Oliveira e Costa, ex-"homem-forte" do BPN, também ali comprou uma vivenda, hoje registada em nome da mulher, de quem entretanto se divorciou.

"100% da SLN"

Gestor de empresas outrora ligado ao grupo CUF, Fernando Fantasia assumiu a 24 de Março de 2004, perante a comissão parlamentar de inquérito à nacionalização do BPN, que empresas do grupo Sociedade Lusa de Negócios (SLN) absorveram a propriedade da OPI 92 através de sucessivas operações de aumento de capital, que chegaram a 2,2 milhões de euros, ficando ele apenas com 10%. Na comissão, foi mesmo citada a acta de uma reunião do grupo SLN, de 12 de Fevereiro de 2008, em que Oliveira e Costa afirmava que a OPI 92 era detida a 100% por Fantasia, mas na realidade era "100% da SLN".

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

REPRESSÃO

Os dirigentes sindicais detidos esta terça-feira frente á residência do primeiro-ministro foram libertados e serão esta quarta-feira presentes em tribunal.
O sindicalista José Manuel Marques (centro) foi um dos detidos

(Agência Lusa/Mário Cruz)

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Os dirigentes sindicais detidos esta terça-feira, ao final da tarde, perto da residência oficial do primeiro-ministro, após uma concentração de dirigentes, delegados e activistas sindicais da administração pública, marcada junto a S. Bento, em Lisboa, vão esta quarta-feira ser presentes a tribunal, pelas 10h.

José Manuel Marques, do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) e um sindicalista da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) foram libertados ainda ontem e, segundo, a Lusa, juntaram-se já depois das 20h aos manifestantes que continuavam no local.

Um dos dirigentes sindicais é indiciado pelo crime de desobediência e o outro por agressão à autoridade, disse o porta-voz do Comando metropolitano da PSP de Lisboa, Jorge Barreiras. “A polícia teve de fazer uma detenção por desobediência à ordem legitimamente emanada da autoridade e outra por agressão a agente da autoridade”.

A manifestação estava integrada numa acção nacional de luta contra os cortes salariais, a realizar na segunda quinzena de Fevereiro.

Era mais uma concentração naquele local e nada indicava que pudesse terminar daquela forma. O corpo de polícia, segundo informação oficial, é um corpo experimentado que está habituado às manifestações perto da residência oficial do primeiro-ministro. “É uma rotina”: estabelece-se um cordão e polícias e manifestantes costumam mesmo conversar. Desta vez não foi assim.

Os sindicalistas presentes aprovaram uma moção contra os cortes salariais impostos por uma política de austeridade que, dizem, pouco incomoda os mais privilegiados. E uma delegação foi entregá-la à residência oficial. Os incidentes aconteceram então, quando os trabalhadores já desmobilizavam.
Uma delegação de sindicalistas quis descer a Calçada da Estrela, é o que contam Francisco Brás, do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), e Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública.

Francisco Brás não tem a certeza, mas acredita que um grupo de sindicalistas teria uma reunião no Parlamento. É isso que também diz Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, ao garantir que alguns dos presentes tinham audição marcada na Comissão Parlamentar de Educação e tentaram deslocar-se para a Assembleia da República.

A polícia não deixou passar. “De repente, a polícia fez um cordão e impediu-nos de passar”, conta Francisco Brás. “Toda a situação que se gerou foi completamente disparatada”, afirma ainda. “Uma situação desajustada”.

“O que aconteceu foi a detenção de dois manifestantes por desobediência à ordem de permanecerem a mais de 100 metros da residência oficial”, conta o oficial do Comando da PSP contactado pelo PÚBLICO. Havia uma barreira e verificou-se “uma violação” dessa barreira.

A reacção da polícia gerou confusão. Os ânimos exaltaram-se e o cordão policial fez-se valer da força. “A polícia carregou”, refere-se num comunicado da Frente Comum. “Sem qualquer justificação”, a polícia começou “a bater indiscriminadamente”. Francisco Brás afirma que se tentou, em vão, falar com os responsáveis da polícia.

As imagens captadas no local retratam a balbúrdia criada. Um polícia de bastão levantado a ameaçar os manifestantes na Calçada da Estrela, enquanto uma polícia empurra outro manifestante para o afastar do perímetro da residência oficial. No mesmo local, um sindicalista tenta esquivar-se à mão de um polícia que parece apertar-lhe o pescoço. Noutra foto, percebe-se o cordão policial formado na Rua Borges Carneiro, a tentar suster a manifestação, para – noutra fotografia – acabar por se romper e deixar passar os manifestantes. Pressente-se a tensão do lado dos manifestantes e a força que os polícias tiveram de empregar para segurar a manifestação.

No final, segundo a CGTP, foram detidos três sindicalistas: dois do STAL e outro da Frente Comum. Um deles foi mesmo algemado. A PSP diz que eram dois: um foi detido por desobediência e outro por violência. Todos foram levados para a esquadra de Alcântara, no Largo do Calvário.
O comunicado da Frente Comum divulgado esta terça-feira, ao final da tarde, sublinha que o Governo mandou a polícia reprimir a manifestação e que se tratou de um atentado ao direito constitucional de reunião

ROSAS E CAVACO

Fernando Rosas (BE) diz que BPN é "subproduto" do "cavaquismo" e que Cavaco está a "derrapar"
***Serviço áudio disponível em www.lusa.pt *** Vila Real, 17 jan (Lusa) - O dirigente do BE Fernando Rosas fez hoje um violento ataque a Cavaco Silva,...



BE

Fernando Rosas (BE) diz que BPN é "subproduto" do "cavaquismo" e que Cavaco está a "derrapar"
***Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***

Vila Real, 17 jan (Lusa) - O dirigente do BE Fernando Rosas fez hoje um violento ataque a Cavaco Silva, considerando que este candidato está a "derrapar" para o descontrolo verbal e que o Banco Português de Negócios (BPN) é um "subproduto" do "cavaquismo".

No Teatro de Vila Real, que se encontrava cheio, o docente universitário e dirigente do Bloco de Esquerda fez um dos discursos mais aplaudidos da noite.

E nem mesmo a "gaffe" que cometeu a meio do discurso, dizendo que o campo de Cavaco Silva era o do PSD e PS - um tique de linguagem, como disse um dirigente socialista à agência Lusa -, impediu que Fernando Rosas fosse longamente aplaudido no final da sua intervenção.

"Não é preciso ter nascido duas vezes, como disse Cavaco Silva, para perceber que a sua campanha está a derrapar na inquietação, com perda de controlo verbal, ataques insultuosos aos seus adversários, usando expressões como vil, baixeza ou campanha suja", disse.

Segundo o historiador e ex-deputado, na presente campanha eleitoral tem de colocar-se a seguinte pergunta: "Estamos ou não perante uma questão política, quando queremos saber em que condições um homem que é Presidente da República vendeu ações que não estão cotadas na bolsa, com lucro de 140 por cento, a um banco que é formado pelos seus amigos políticos, em que grande parte deles estão a responder criminalmente por atentado contra a economia e as finanças públicas".

Na sua intervenção, o professor universitário provocou risos na plateia quando reintroduziu a expressão de Cavaco Silva de que é necessário nascer duas vezes para se ser tão sério como ele.

"Ainda bem que ninguém nasceu duas ou três vezes, caso contrário tínhamos o país povoado de cavacozinhos autoritários a envenenar-nos todos os dias", contrapôs, num discurso em que atual chefe de Estado também foi acusado de populismo.

"Populismo significa fingir que se é amigo dos pobres. Ser amigo dos pobres não é criar as sopas do Cavaco iguais às sopas do Sidónio [Pais] algumas décadas atrás", apontou Fernando Rosas, condenando depois "a caridadezinha de sopas para os pobres".



PMF

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/fim

ODISSEIA NO PIOLHO


Estou no Piolho e bebo
o Piolho está quase vazio
estive a falar com o Simões
e os empregados
falam de futebol
não fui correcto com a Gotucha
e agora estou a beber
e a olhar para as gajas
da televisão

Não me espetes os mercados nos cornos!
Os mercados são a negação da vida
os mercados castram a potência
e a alegria
não me atires os poetas da emenda
quero escrever o que me vem à cabeça
não estou à venda nos mercados

Chega o anão
desta vez não torce pela selecção
dirige-se à casa de banho
e eu escrevo
a minha arma é a caneta
a Fátima Lopes olha para mim
realmente antes andar bêbado
do que gramar esta merda

Sou o poeta dos cafés e dos bares
tusso
a Gotucha já não me liga
não deveria tê-la tratado assim
mas agora estou aqui
tenho a vida toda à minha frente
não sou um gajo consagrado
mas já tenho aparecido nos jornais
estou contra Deus
não suporto o Presidente
ainda assim vou votar
mas sou de mim
não pertenço a nenhuma corte
por isso ando sozinho
não sou de ninguém
deixei o partido
sigo o caminho
que conduz a mim mesmo

Morte aos mercados!
Os mercados não comandam
a minha vida
o Presidente e o Governo
não me dizem o que tenho de fazer
sou completamente livre
olhai!
Sou completamente livre
não estou nos gráficos
nem nas estatísticas
teria vergonha
de usar gravata
não procuro emprego
nem o caralho que seja
estou vivo
hoje, no Piolho, às 19:51
não dependo de nada
a não ser da cerveja, do papel
e da caneta
sinto-me iluminado
sou de mim
vivo
mando foder os mercados
e a castração social
não me deis a mão
estou bêbado
embriagado da vida
não sou o intelectual sisudo
não sou o ser respeitável
sou meu
metei os mercados pelo cu acima!
Não estou ao serviço de seita nenhuma
não tenho que prestar contas a ninguém
rio
gozo
cuspo nas caras mercantis
tenho uma fé inquebrantável no homem novo
mostro-me ao mundo
mas não estou à venda na praça
não me atireis pecentagens
não me coloqueis na bolsa
sou completamente livre
escrevo o que me apetece
não quero compromissos
nem conversas mansas
sou sobretudo vontade
permaneço aqui no Piolho
os mercados não me entram
pelos cornos acima
olho para o cu da gaja
sou completamente eu
não há aqui leis
só a cerveja que vem
às vezes vejo a bola
mas também não sou dela
estou bêbado
não tenho vergonha de estar bêbado
continuo a escrever
a minha vida é escrever
sou egocêntrico
mas, ao menos, não me deixo converter
alguém há-de ler-me
não tenho que estar
preocupado com isso
sou ébrio
não estou a competir
em nenhum campeonato
não ando atrás de ninguém
não sigo os fazedores de opinião
existo aqui e agora
há alturas como esta
em que não tenho quaisquer regras
a barriga incha
que se foda!
Enquanto estiver vivo
derramarei palavras
no papel
enquanto estiver vivo
berrarei essas palavras
porque não sou dos mercados
porque não suporto o Presidente
porque amo a mulher ausente

Iluminações
é o que tenho
iluminações
no Piolho às 20:23
não me peçam para obedecer
a uma qualquer bandeira
a Pátria que vá
para a puta que a pariu!
Estou hoje mais vivo do que nunca
pouso os óculos
hoje sou Quixote
hoje enfrento os moínhos
grito como o Do Vale
faço discursos à nação
poderia ser candidato
não devo mesmo nada a ninguém
remo contra a maré
não sou niilista
não sou derrotista
tenho fé no homem que aí vem
espeto a caneta na folha
sou do bem mas tenho maldade
sou o homem que escreve à mesa~do Piolho
não sou o Lobo Antunes
nem o José Luís Peixoto
escrevo livremente
o que vem da veia
não tenho grandes preocupações
com a forma
e depois vou berrar
estas coisas ao Pinguim
era lá que estava o Joaquim
e eu sou uma espécie de sucessor
deliro-dizem
vou até ao fim
Odisseia no Piolho
morte aos mercados
e aos seus profetas!
Dai-me poetas,
àcidos, profetas
dai-me para a veia
que eu já não vou cair
olho para a gaja
sou Hamlet
príncipe da Dinamarca
ouço vozes
delírios
dou-me ao mundo
não espereis de mim lirismos
versos bonitos
sou aquele que regressa.

Porto, Piolho, 17.1.2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

DA VIDA

E veio o poema. Tenho, de facto, o direito de passar o dia a pensar e de passar alguma coisa do que penso para o papel. A Constituição não me obriga a procurar emprego nem a andar atrás do dinheiro. Aliás, acho essas actividades absolutamente mesquinhas e primárias. O que importa é a vida por si mesma. Não as patranhas que nos impõem. A partir da adolescência começam a impor-nos o mundo do trabalho e da norma. Castram-nos com a economia. O que vale é que comecei a interessar-me pela literatura e pela filosofia.
Desde a infância que sou do pensamento e da vida interior. Esse pensamento e essa vida interior têm-se refinado. Quando estou perfeitamente lúcido acho os pressupostos da "vida prática" absolutamente ridículos. Sempre em busca do safar-se, do andar sofregamente atrás de uma tábua de salvação. A vida não pode ser andar permanentemente de calças na mão, permanentemente com medo disto e daquilo. A vida é ousar. A vida é desafiar o instituído. A vida não pode ser o tem que ser, nem o que está determinado por fora. A vida é mandar os deuses à merda. A vida é ser dono do seu próprio destino. A vida é andar à solta. A vida é certamente rir, gozar com os poderes e, se possível, acabar com eles. É claro que a vida também é poder, vontade de poder. Mas um poder interior que clama por liberdade. Um poder que rasga a timidez e as castrações. Um poder sem limites, dionisíaco, uma potência que quer saltar cá para fora, que, no artista, no criador, tem uma força impressionante. É da vida que tenho que viver, não do dinheiro, não do emprego, não do mercado. É da vida que venho. Não há que ter medo. Por isso, às vezes, rebento.

NÃO ME ATIRES...


Não me atires mercados, leilões, dívidas
não sou desse mundo
nem quero ser
sou da palavra que fere,
que mata
ando por aqui à solta
não tenho obrigações nem negócios
estou simplesmente aqui
a agarrar o dia
não me atires empregos, horários,
preocupações
não me contamines
tenho o direito
de passar o dia a pensar
não me atires relógios, televisões
não me faças correr
atrás do dinheiro
ou do que quer que seja
tenho o direito
de permanecer aqui sentado
não tenho que dar-te explicações.


Porto, Piolho, 15.1.2011

Estou a desabituar-me de escrever poesia. Começa a ser preocupante. Se bem que, por exemplo, este texto pudesse vir na forma de verso. Mas parece que estou a perder o jeito. É preciso ter cuidado. Não posso deixar de ser o poeta. O poeta que escreve no Piolho, que já dedicou um livro ao Piolho. O poeta que quer dizer algo ao mundo, que está aqui porque quer estar aqui. Há muita gente aqui hoje no Piolho, mas ninguém conhecido. Hoje tenho uma performance no Hard Club. Tenho de me precaver. Há algum tempo que não subo ao palco. Tenho de ser brilhante hoje. Queria escrever algo de novo mas corro o risco de ser redundante.

domingo, 16 de janeiro de 2011

PCTP/MRPP

PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES PCTP/MRPP)

VOTAR EM MANUEL ALEGRE
PARA DERROTAR CAVACO SILVA!


O objectivo principal dos trabalhadores e do povo português nas próximas eleições presidenciais é derrotar Cavaco Silva.

Cavaco Silva é, com José Sócrates, o principal responsável pela gravíssima crise em que o país se encontra, não apenas pelos dez anos em que foi primeiro-ministro, mas também pela cobertura e incentivo que, enquanto Presidente da República, prestou às medidas celeradas do governo Sócrates contra os trabalhadores e o povo português.

É preferencialmente em torno de Cavaco Silva que a direita hoje se organiza para, ultrapassando a solução reaccionária mas pífia de Passos Coelho, preparar uma alternativa musculada e de cariz fascista ao governo Sócrates, antes que este seja derrubado, como se impõe, pela força e combatividade da luta popular.

Cavaco Silva é, além disso, um encobridor activo e um beneficiário directo de uma das maiores fraudes financeiras que alguma vez ocorreu em Portugal (centrada no banco BPN), a qual, contando com o apoio e cumplicidade do actual primeiro-ministro, originou um enorme buraco negro que engoliu já cerca de 5 mil milhões de euros retirados dos impostos pagos pelo povo português.

Manuel Alegre é o único candidato em condições de impor uma derrota a Cavaco Silva na segunda volta das eleições presidenciais. O apoio oportunista, envergonhado e equívoco do PS a esta candidatura não deverá desmobilizar o voto dos democratas e patriotas à candidatura de Manuel Alegre. Esse voto deve ser dado maciçamente já no dia 23, para impedir uma eventual vitória de Cavaco Silva à primeira volta e para criar a mobilização necessária para derrotar o candidato da direita na segunda volta.

A eleição de Manuel Alegre para a Presidência da República não resolverá os problemas que estão a mergulhar as famílias trabalhadoras em Portugal nas mais iníquas condições de desemprego, de fome e de miséria. Sobre isto não deve existir qualquer espécie de ilusão. Só a luta revolucionária das massas trabalhadoras poderá impor uma solução de governo do povo e para o povo. Mas a mobilização maciça do eleitorado de esquerda e democrata para eleger Manuel Alegre, derrotando Cavaco Silva, é, nas condições presentes, um passo de extraordinária importância para que os objectivos daquela luta possam vir a ser alcançados.

NO PRÓXIMO DIA 23, VOTA MANUEL ALEGRE!

Lisboa, 16 de Janeiro de 2011.

O Comité Central do PCTP/MRPP


www.pctpmrpp.org pctp@pctpmrpp.org