Esclarecimento de Defensor Moura:
"Depois do debate com Cavaco Silva, um jornal diário de Lisboa solicitou-me uma entrevista para esclarecimento de algumas das afirmações feitas, a que eu acedi imediatamente porque, o escasso tempo concedido aos candidatos na TV é insuficiente para a cabal explanação dos temas abordados.
Infelizmente, hoje verifico que, certamente por falta de espaço, as minhas afirmações foram muito reduzidas por aquele jornal e, por isso, decidi publicitar o meu resumo da citada entrevista:
Disse que Cavaco Silva não é isento nem leal, favoreceu amigos e correligionários e tolerou e beneficiou com negócios considerados ilícitos pela justiça, além de lhe faltar cultura política para se identificar com eventos relevantes da história recente do país, tendo eu afirmado que esses atributos são importantes na avaliação dos candidatos ao cargo de Presidente da República.
Informei ainda o referido jornal que, no Dia de Portugal de 2008, recusei a comenda de Grande Oficial da Ordem de Mérito, que o Presidente da República me quis atribuir, não só por considerar que o trabalho em Viana do Castelo tinha sido realizado por uma vasta equipa e não apenas por mim mas, também, por não aceitar ser distinguido por quem tinha tido uma série de atitudes pouco edificantes durante a preparação do evento.
No debate televisivo, fiz referência a vários factos ocorridos durante a preparação do Dia de Portugal em Viana do Castelo em 2008 que, na minha opinião, demonstram claramente que Cavaco Silva não tem perfil para ser PR e que só naquele momento, "olhos nos olhos" com o agora recandidato, senti o dever cívico de os revelar para que os portugueses o conheçam melhor, ultrapassando o poderoso aparelho de propaganda que lhe construiu a imagem de isenção e seriedade que "só em duas vidas" os outros portugueses poderiam alcançar.
A falta de isenção de Cavaco Silva foi revelada quando recusou o convite (mostrado ao jornalista) que lhe fiz para realizar o Dia de Portugal em Viana do Castelo em 2009, para encerrar as comemorações dos 750 anos do Município, antecipando-o para 2008.
Na altura o PR alegou que, sendo 2009 ano de eleições autárquicas não queria beneficiar nenhum município e, por isso, as comemorações seriam realizadas em Lisboa, com carácter mais nacional.
Afinal, em 2009 as comemorações realizaram-se num município liderado pelo PSD.
Para demonstrar o seu favorecimento de amigos e correligionários, considerei suficiente mostrar ao jornalista a proposta feita à Câmara Municipal pela Presidência da República para se contratar a fadista (Katia Guerreiro), que tinha sido mandatária da juventude na candidatura de Cavaco Silva, para um espectáculo público em Viana do Castelo.
A proposta indicava ainda um maestro e um palco especial para a actuação, tudo orçado em mais de 90 mil euros, com Iva incluído. A Autarquia recusou a proposta presidencial e realizou um espectáculo, de não menor qualidade, com artistas vianenses, que custou apenas seis mil e quinhentos euros.
Mas o despesismo da Presidência de Cavaco Silva, ainda foi mais exuberante no arranjo da sala para a cerimónia solene do Dia de Portugal. Não foi aceite a proposta da autarquia de a realizar no magnífico Teatro Municipal e, o arquitecto da equipa do PR, fez um projecto de decoração interior de um pavilhão de exposições, que constituiu uma verdadeira tenda gigante e que orçou em 165 mil euros, para um acto de apenas uma hora e meia!
Apesar de eu ter resistido o mais que pude a realizar tão grande despesa e até ter discutido o orçamento com a empresa, que fora indicada pela equipa presidencial, a Câmara Municipal teve de assumir aquele encargo perante a exigência presidencial da maior dignidade para as comemorações, sempre com a "ameaçadora hipótese" de o evento poder ser transferido para outra cidade.
A propósito da dispendiosa tenda alugada e paga por Viana do Castelo, cumpre-me denunciar que, numa clara atitude de favorecimento da Presidência de Cavaco Silva, uma tenda semelhante e para o mesmo acto em 2009, foi financiada pela Presidência da República e não pela autarquia liderada pelo PSD, certamente porque Cavaco Silva já começava a ter "preocupações com a pobreza e a fome", que agora sem pudor utiliza na campanha eleitoral , e decidiu poupar aquela despesa ao município amigo.
Mas, ainda tivemos de recusar outras dispendiosas propostas da Presidência da República, substituindo-as por realizações menos onerosas para a autarquia, como por exemplo um espectáculo multimédia para os convidados da Presidência que custava mais de 60 mil euros, substituída por uma sessão de fogo de artifício orçada em 14 mil euros, que foi oferecida aos convidados do PR e ao público vianense.
Por toda esta evidente diferença de postura, quer na gestão de dinheiros públicos, quer de isenção no exercício de cargos oficiais, achei muito estranha a vontade de Cavaco Silva me condecorar no Dia de Portugal e, em carta dirigida ao Chefe da Casa Civil, que mostrei ao jornalista como toda a correspondência relativa aos factos relatados, comuniquei que recusava receber a comenda de Grande Oficial da Ordem de Mérito.
Refira-se que estes factos ficaram sempre no restrito âmbito do meu gabinete e da vereação, porque entendi que a sua revelação perturbaria o evento que todos os vianenses desejavam ser um sucesso para o município, como foi.
Só agora decidi revelá-los, olhos nos olhos com o recandidato, por serem factos indesmentíveis e nesta altura de escolha do novo PR sentir a obrigação cívica de revelar a falta de isenção e lealdade, favorecimento e despesismo de Cavaco Silva no exercício do cargo, atributos absolutamente contrários aos que ele com despudor se atribui publicamente.
Sobre a deslealdade institucional de Cavaco Silva com o Governo, na inventona das escutas e não só, e, também, a deslealdade pessoal com os seus correligionários Fernando Nogueira e Santana Lopes, bem como sobre a forma como pactuou com os responsáveis do BPN e teve chorudos benefícios com as acções da SLN, que qualquer leigo só considera possíveis com negócios ilícitos, são factos do conhecimento público que referi de passagem no debate e a que nada pretendo acrescentar.
Devo dizer, no entanto, que ao longo dos anos, vários factos semelhantes me foram relatados por autarcas e outros protagonistas políticos que, por razões diversas, não foram revelados.
A terminar quero refutar veementemente a acusação de Cavaco Silva de que estarei a participar numa campanha suja contra o ainda Presidente da República, afirmando sem temor que sujas e altamente criticáveis foram estas e outras atitudes de Cavaco Silva no exercício do mandato presidencial e, com esta minha denúncia, pretendo que os portugueses fiquem a saber que o agora recandidato não é aquele político exemplar e acima de todas as suspeitas que a sua propaganda divulga há quase três décadas.
Estando disponível para qualquer esclarecimento complementar, apresento os melhores cumprimentos
Defensor Moura
http://www.defensormoura.com
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
ALGO DE MAIOR
Está-me reservado algo de grande, algo de maior. Sei-o agora, sei-o claramente agora. Não é somente escrever, publicar livros. Tenho uma espécie de pacto com Deus. Deus ou seja lá o que for. Não sou como os outros. Ou talvez seja a soma de todos os outros. O que é certo é que se passam coisas na minha mente que não consigo explicar. Parece que estou a regressar à infância quando pensava que o importante é o que se pensa e não o que se diz. Não consigo dormir. Falta-me o comprimido. O vento uiva. A Gotucha dorme. É aqui em Braga que devo ser eu, que devo recomeçar.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
O PORTENTO
O PORTENTO
Credores? Temos credores. As companhias de seguros, os fundos de pensões, os fundos soberanos, os bancos internacionais e os "cidadãos espalhados por esse mundo fora que nos emprestam dinheiro a juros usurários" são nossos credores, segundo Cavaco Silva. Nós somos devedores por causa dos governos de Cavaco, de Sócrates, de Durão Barroso. Somos devedores por causa das asneiras e falcatruas de Cavaco, de Sócates, de Durão. Que belas contas de mercearia. Que Presidente honesto e exemplar nós temos. Que homem corajoso e valente vamos eleger. Que homem corajoso ao serviço dos nossos "credores", dos especuladores dos mercados e das fraudes do BPN. Que exemplo para o país e para a Humanidade. Que benfeitor. Que portento de inteligência e sabedoria vamos eleger.
Credores? Temos credores. As companhias de seguros, os fundos de pensões, os fundos soberanos, os bancos internacionais e os "cidadãos espalhados por esse mundo fora que nos emprestam dinheiro a juros usurários" são nossos credores, segundo Cavaco Silva. Nós somos devedores por causa dos governos de Cavaco, de Sócrates, de Durão Barroso. Somos devedores por causa das asneiras e falcatruas de Cavaco, de Sócates, de Durão. Que belas contas de mercearia. Que Presidente honesto e exemplar nós temos. Que homem corajoso e valente vamos eleger. Que homem corajoso ao serviço dos nossos "credores", dos especuladores dos mercados e das fraudes do BPN. Que exemplo para o país e para a Humanidade. Que benfeitor. Que portento de inteligência e sabedoria vamos eleger.
DO CAVACO
Aníbal Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que estavam despejando bilhões através das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de Portugal. Eleito fundamentalmente porque ele é considerado "sério" e "honesto" (em terra de cegos, quem vê é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.
Sua política de betão foi bem concebida, mas como sempre, mal planejada, o resultado de uma inepta, descoordenada e, às vezes inexistente localização no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo. Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.
O resultado, concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam.
Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini. Mazerati. Foram organizadas c açadas de javalí em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficou a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a perderem o controle e a participarem. Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político.
E ele é um dos melhores.
PRAVDA
Sua política de betão foi bem concebida, mas como sempre, mal planejada, o resultado de uma inepta, descoordenada e, às vezes inexistente localização no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo. Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.
O resultado, concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam.
Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini. Mazerati. Foram organizadas c açadas de javalí em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficou a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a perderem o controle e a participarem. Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político.
E ele é um dos melhores.
PRAVDA
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
EHEHEHEH

O conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos considera as críticas de Cavaco sobre a gestão do BPN "injustas" e admite disponibilizar toda a informação necessária para provar o contrário.
O BPN foi nacionalizado em 2008 (Paulo Pimenta (arquivo))
O comunicado do banco foi emitido na sequência das críticas que o Presidente da República fez esta quarta-feira, durante o frente-a-frente televisivo com Manuel Alegre.
Durante o debate, Cavaco Silva criticou a administração do BPN nomeada pelo Governo após a nacionalização deste banco, por não ter conseguido resolver a situação e pela necessidade de sucessivas injecções de dinheiro do Estado na instituição financeira.
Hoje, o Governo optou por não comentar as declarações do Presidente. “Foi feita uma acusação muito grave à actual administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD), porque é ela a responsável pela gestão do BPN. E naturalmente compete à administração da CGD defender a sua honra”, disse o ministro da Presidência, Silva Pereira.
No documento, o conselho diz ter "disponibilidade para prestar toda a informação necessária, demonstrativa de que a gestão do BPN foi correcta, adequada, rigorosa e eficaz, tendo em conta a missão de que foi incumbida", a situação de falência técnica em que se encontrava o Banco e a crise económica do país.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
O SEIO ESQUERDO DE R.P.

Em Lisboa, faz frio, no Canadá, onde se encontra Rita Pereira, faz muito mais. A solução é mesmo rumar a paragens mais quentes. A actriz e o namorado, Miguel Mouzinho, têm encontro marcado no Brasil, onde vão passar o ano.
O casal assumiu há alguns meses o namoro, depois de muita especulação na imprensa. Estão mesmo juntos e fazem o que podem para encurtar a distância que os separa.
Com Rita Pereira a estudar representação do outro lado do Atlântico e a procurar fazer carreira por lá, o encontro ficou marcado para a Bahia. É aí que o casal vai dar as boas-vindas a 2011.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
A VIDA É UMA DÁDIVA

A vida é mesmo uma dádiva. De agora em diante, pregarei a vida e a vida em abundância de pão e vinho. Não mais ouvirei os fariseus dos mercados. Não mais lhes darei importância porque eles são a morte, enquanto eu trago a vida. Podem chamar-me utópico, irrealista, messiânico, que eu não ouço, não quero saber. Podem pregar-me o evangelho deles que eu não ouço.
Não, não conteis comigo no vosso circo mediático. Se for até vós, será para vos destruir. Podeis trazer até mim as mais belas das mulheres. Tremei. Porque elas podem passar-se para o meu lado. A vida é dádiva, é de graça, não é trabalho, não é sacrifício. Recuso-me a ter os vossos trabalhos. O meu "trabalho" é criar e passar a mensagem. Renasci em Braga este Natal. Companheiros, companheiras. Dançai comigo esta noite. Estaremos à entrada dos portões ao anoitecer. Dançai comigo, companheiras, companheiros. Vede como sou louco. Vede como já não temo. Vede que sou da dádiva e não do preço. Sou do banquete permanente. Da festa, da celebração mas também da solidão. Porque é da solidão que vem a sabedoria. Porque é dos livros que vem a sabedoria. Olhai-me, companheiros, companheiras. Por enquanto, ainda terei de ser Narciso, para me mostrar ao mundo. Mas deixarei de o ser um dia. Humilde para com os humildes, poderoso para com os poderosos. Eis o lema. Eis o poema. Serpente ébria. Danço. Canto. Com Deus a meus pés. Uma nova era nasce aqui. Uma era de pão e vinho mas também de celebração, de alegria. Sou louco. Como Dionisos. O Uno Primordial. O Homem. O Super-Homem. O País dos Meus Filhos. Tenho estado no deserto. Agora regresso, minha mulher, minhas mulheres. Nada tenho a ver com as leis do Reino. Aportei neste porto. Venho para o que vier. Os fantasmas dissipam-se na mente de Hamlet. Iluminações. Iluminações. Sou o Poeta. Danço em cima de Deus. Trago a palavra. Sou da dádiva. Sou da ceia. Da Primeira Ceia.
DEUSES

As iluminações voltaram
quero-te, mulher
agora posso tudo
nada nos separa
nem a raça
nem a praça
nem o credo
nem o sexo
tudo é de graça
dança
não há aqui mercados
nem charlatães
somos o mundo
não temas
sou aquele que é
aquele que cria
aquele que te quer
aquele que é homem
e mulher
iluminações
ouço a canção
vem
segue-me
a noite chama
quem me ama?
Quem me ama, ainda hoje?
Vem
não temas
vem
somos a noite
nada há a perder
vem
somos o mundo
criamos o mundo
hoje nascemos
outra vez.
Vilar do Pinheiro, 27.12.2010
COMEÇAS A FICAR FODIDO, ANÍBAL

Cavaco Silva não alimenta "campanhas sujas e desonestas" sobre a sua alegada ligação ao BPN
*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***Oliveira de Azeméis, 25 dez (Lusa) - O Presidente da República e recandidato ao cargo Aníbal Cavaco Sil...
Cavaco Silva não alimenta "campanhas sujas e desonestas" sobre a sua alegada ligação ao BPN
*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***
Oliveira de Azeméis, 25 dez (Lusa) - O Presidente da República e recandidato ao cargo Aníbal Cavaco Silva disse-se hoje indisponível para alimentar "campanhas sujas e desonestas" sobre a sua alegada ligação ao Banco Português de Negócios (BPN), através de ações da Sociedade Lusa de Negócios.
Em causa estão declarações do deputado do Bloco de Esquerda João Semedo, que a semana passada acusou Cavaco Silva de dar "uma resposta manhosa" no debate televisivo com o candidato comunista Francisco Lopes, na medida em que afirmou que nunca teve "nada a ver com o caso BPN", quando afinal possui ações da Sociedade Lusa de Negócios - que detinha 100 por cento do capital do BPN.
Hoje, quando questionado sobre o assunto numa acção de campanha em Oliveira de Azeméis, Cavaco Silva declarou: "Não alimento campanhas sujas e desonestas".
Para eventuais esclarecimentos, o atual Chefe de Estado recomenda: "Quem quiser vai à página de internet da Presidência da República, se não me engano do mês de novembro de 2008".
"Os portugueses sabem muito bem que falo verdade", acrescenta Cavaco Silva. "Gostaria que os outros também fizessem o mesmo".
O mesmo assunto foi abordadoi no debate de dia 23 entre Cavaco Silva e Defensor Moura, que se tornou muito tenso, uma vez que o atual Presidente da República foi constantemente atacado pelo deputado socialista, que pôs em causa a sua isenção.
Quando Defensor Moura colocou a questão do BPN, acusando-o de ter obtido "lucros chorudos" com ações deste banco e considerando que "houve muita tolerância, e até algum benefício com negócios ilícitos ou negócios que são muito claramente estranhos para o normal da população", Cavaco Silva agradeceu.
"Ainda bem que me faz a pergunta. Eu como Presidente da República apenas o que fiz em relação ao BPN foi a aprovação do decreto de nacionalização, depois de o Governo e o Banco de Portugal me terem informado por escrito que não havia alternativa à estabilização do sistema financeiro português e que havia graves prejuízos para os depositantes", reagiu.
AYC/ATF.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Fim
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
DA LEITURA E DAS MULHERES BELAS

Tenho necessidade de ler. Livros, jornais, seja o que for. Se não ler, o meu dia não fica completo. Ler é um acto de amor, alguém o disse. Até sou capaz de amar a Fátima Lopes a brincar com as criancinhas na TV. Contudo, o mundo dela não é o meu. Penso até que já publicou livros. Deve ter escrito dessas lamechices ou desses lugares-comuns que vendem. É claro que não são essas as leituras que me atraem. Talvez a gaja transmita uma certa ternura para lá do "mainstream" que apetece beijar, tal como a Bárbara Guimarães ou a Catarina Furtado. É evidente que, por outro lado, essa coisa de andar a vender os bancos e os sabonetes não me agrada e faz delas umas putas do "mainstream". Mas eu nada tenho contra as putas. Até gosto desse jogo de chamar o homem. De vê-las abrirem-se após o acto sexual. De ouvi-las falar nos filhos e dos homens que não prestam. De ouvi-las falar na vida que as outras mulheres não conhecem. Eu próprio sou uma puta. A puta fina que vai para o palco abrir as pernas. Nas horas em que não sou essa puta, sou o homem que escreve e que se entrega à leitura. Além disso, vou aos bares falar com amigos e com amigas. Ontem o whisky devolveu-me à vida. Estava mentalmente bloqueado e o whisky abriu-me as portas. Há algo na Fátima Lopes que me irrita mas, por outro lado, há outro algo que me atrai. Parece que todas as mulheres que desejo estão ao meu alcance. Olho-as de cima, posso tê-las. Há 5,10 anos não era assim. Eram deusas inacessíveis. Agora estou teso mas olho-as de cima. A todas. Mesmo à Shakira e às beldades dos anúncios. Posso tê-las. Estou ao nível delas. Estão no meu mundo. Olho-as, cobiço-as, como à deusa-cadela da Glória de Lawrence. São minhas irmãs. São minhas. Todas elas. Posso ser insolente como Jesus, como Zaratustra. Posso dizer: eu sou a verdade e a vida. Não tenho que curvar-me diante delas nem de ninguém. Tudo é meu e nada é meu. Virá o dia em que nem sequer usarei dinheiro ou que o dinheiro me cairá do céu. Como as mulheres belas. O paleio da maior parte dos homens é muito limitado. Não satisfaz as mulheres. Eu sou o Verbo. Eu posso ser o Verbo.
O POETA E JESUS

É, de novo, madrugada. O poeta arde. Não sabe se é Jesus ou se está em Jesus. Não sabe se o que está a viver é o princípio de uma alucinação ou se é algo mais, capaz de unir os povos da Terra. Tal como Jesus, o poeta quer derrubar os banqueiros e os mercados mas hesita quanto ao uso da violência. Vê as montras partidas e os carros incendiados em Paris, Roma, Atenas e acredita que a revolução passa por aí. Também Jesus apelou ao fogo e à espada. Também Jesus era provocador e insolente. "No mundo tereis aflições, mas tende confiança! Eu venci o mundo", disse. Venceremos o mundo, derrubaremos o poder. Companheiros, companheiras. Aproxima-se a hora. Contudo, o poeta ainda tem dúvidas. Teme a barbárie pura. Deseja o amor entre os homens mas odeia os governantes, os mercadores, os banqueiros. Quer um mundo novo e um homem novo despidos da moeda e da mercearia.
É, de novo, madrugada. O poeta arde. Não sabe se é Jesus ou filho de Jesus. A mente e o coração expandem-se. O poeta sente que está a iniciar uma nova vida. Uma vida de entrega ao próximo e ao longínquo, sem caridadezinhas. O poeta sabe que, sendo naturalmente irresponsável, tem responsabilidades. Como Nietzsche, cria, dança em redor da sabedoria. As suas palavras vão chegar mais longe. Sabe-o. Os próximos dias poderão ser decisivos. O poeta chegou onde queria. Não haverá mais escritos menores, gratuitos. O poeta é de graça e é da graça. Canta, ri. O mundo está a seus pés, tal como as mais belas das mulheres. Se bem que seja necessária alguma pudência com as mulheres. Mas o poeta começa a conhecer as mulheres. Já não é o rapaz ingénuo dos 18 anos. As ideias vêm. O cérebro quase rebenta. O poeta quer construir um mundo novo. Acredita. É isso que o distingue dos outros. Hesita entre a paz e a espada. Sabe que a morte espreita. Mas vai continuar. É para isso que veio ao mundo. Acredita. É do mundo. Vai ao fundo do ser. Vive. É. Está a chegar a hora, companheiros, companheiras. Chegou o tempo de cerrar fileiras. O poeta sabe que a manhã virá. E com ela a luz. Mas também a vida da rotina. Talvez ainda não amanhã, domingo. Mas segunda-feira. O poeta escreve e os homens dormem. Já não é Natal. O poeta nasceu outra vez. Vai pregar na praça. Vai sujeitar-se ao desprezo dos homens e das mulheres. Mas vai chegar a muita gente. Dentro e fora dos livros. O poeta é aquele que quer ser. Pensa na amada. Pensa que o amor também pode vir através da espada. Os galos cantam. Pedro não o nega. Está a escrever verdadeiramente como os mestres. É aqui que queria chegar. Ou melhor, está é uma das etapas do processo. O poeta já quase não sente medo. Prossegue. Escreve madrugada fora. Está na casa da mãe e dos irmãos. Consulta o Evangelho de João. Vive. Chama o pai. Ele ouve-o. A voz do pai ecoa na sua mente. Está em paz. Há outra vida na mente. Uma vida sem economistas nem conta-corrente.
domingo, 26 de dezembro de 2010
VÉSPERA DE NATAL

São seis da madrugada. Estou, de novo, em Braga. É véspera de Natal. "Deixaremos os palácios do poder na solidão da sua miséria e iremos paa outro lado", gritam os estudantes em Itália. Eis a revolução dionisíaca. Eis a rebelião que cospe nos palácios do poder e surge onde menos se espera. Pode até ser aqui, na pena do poeta, que escreve em Braga às seis da madrugada. No silêncio da caneta verde. Aproxima-se o Grande Meio-Dia. Escutai-me, companheiras, companheiros. Estamos a atravessar para o outro lado. Break On Through to the Other Side, como cantava Morrison. Escutai-me. Estou lúcido novamente. As irmãs estão desavindas mas eu estou lúcido. O menino veio ter comigo, abraçou-se a mim e eu fiquei lúcido. Solto palavras que não sei de onde vêm. Este é, de novo, o dia triunfal. "Deixaremos os palácios do poder na solidão da sua miséria". Eis o chamamento. Zaratustra está aqui. "Estaremos à entrada dos portões ao raiar da aurora". Eis o canto dos pássaros da manhã. Sou louco. Danço contigo, minha rainha. Desafio-vos daqui, ó palácios do poder e dos mercados. É por ser louco que já não vos temo. E hoje é, de novo, o dia triunfal. Nasço aqui, de novo. Os meus pais voltaram a unir-se. São meus a noite e o dia. É noite, ainda. Ouço o cântico dos rios e da lua, como Zaratustra. Mas o dia não tarda. Desta vez, terei mesmo de seguir irredutivelmente a via. Sou louco. Tenho os séculos em mim. Vim para junto das mulheres. Elas dão-me de comer e de beber. E eu posso cantar. Sou louco. Mas não tenho de andar sempre a exibir a minha loucura. Procuro-me nas paredes. Trepo a minha mente. Sou aquele que veio para a glória. Há carros a passar lá fora. "Deixaremos os palácios do poder na solidão da miséria". Deixemos o poder entregue à miséria. Vivamos o dia tiunfal, o Grande Meio-Dia. Dancemos e cantemos na praça. Derrubemos as lojas dos vendilhões, como Jesus. Queimemos o dinheiro. É noite. Ao raiar da aurora estaremos à entrada dos portões. Não quero dormir. Dionisos afaga-me os cabelos. Afasto-me dos agentes da ordem. Os miúdos berram. Por enquanto aqui ainda não partem montras. Desprezo tudo quanto é contrário à vida. É noite. Mas o dia não tarda.
APOIO A MANUEL ALEGRE

APOIO A MANUEL ALEGRE
António Pedro Ribeiro
E depois ainda há o lado místico. Aquilo que não está nos autocarros que passam. Que, em certa medida, me faz apoiar Manuel Alegre, mesmo sabendo que ele aceita a democracia burguesa e eu não. Mas há qualquer coisa na postura do poeta de "Praça da Canção", qualquer coisa na forma de se expressar que nos traz um certo Portugal messiânico, sebastianista, que vem de Camões, de Pessoa, de Agostinho da Silva. Uma certa pátria que eu não rejeito, que está para lá da anarquia e da democracia, a tal que poucos alcançam, talvez até o Quinto Império. Por isso e pelo seu passado anti-fascista apoio Manuel Alegre, mesmo sendo anarquista e anti-capitalista. É claro que também há aquele ódio de estimação contra Cavaco Silva. Um Cavaco agarrado aos mercados que prega a não-vida. Um Cavaco que é a face mais vil da economia. Um Cavaco ligado às fraudes e aos amigos do BPN, como apontou Defensor Moura. Um Cavaco que é preciso derrubar porque não presta.
sábado, 25 de dezembro de 2010
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