sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

EHEHEHEH


O conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos considera as críticas de Cavaco sobre a gestão do BPN "injustas" e admite disponibilizar toda a informação necessária para provar o contrário.
O BPN foi nacionalizado em 2008 (Paulo Pimenta (arquivo))

O comunicado do banco foi emitido na sequência das críticas que o Presidente da República fez esta quarta-feira, durante o frente-a-frente televisivo com Manuel Alegre.

Durante o debate, Cavaco Silva criticou a administração do BPN nomeada pelo Governo após a nacionalização deste banco, por não ter conseguido resolver a situação e pela necessidade de sucessivas injecções de dinheiro do Estado na instituição financeira.

Hoje, o Governo optou por não comentar as declarações do Presidente. “Foi feita uma acusação muito grave à actual administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD), porque é ela a responsável pela gestão do BPN. E naturalmente compete à administração da CGD defender a sua honra”, disse o ministro da Presidência, Silva Pereira.

No documento, o conselho diz ter "disponibilidade para prestar toda a informação necessária, demonstrativa de que a gestão do BPN foi correcta, adequada, rigorosa e eficaz, tendo em conta a missão de que foi incumbida", a situação de falência técnica em que se encontrava o Banco e a crise económica do país.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O SEIO ESQUERDO DE R.P.





Em Lisboa, faz frio, no Canadá, onde se encontra Rita Pereira, faz muito mais. A solução é mesmo rumar a paragens mais quentes. A actriz e o namorado, Miguel Mouzinho, têm encontro marcado no Brasil, onde vão passar o ano.

O casal assumiu há alguns meses o namoro, depois de muita especulação na imprensa. Estão mesmo juntos e fazem o que podem para encurtar a distância que os separa.

Com Rita Pereira a estudar representação do outro lado do Atlântico e a procurar fazer carreira por lá, o encontro ficou marcado para a Bahia. É aí que o casal vai dar as boas-vindas a 2011.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A VIDA É UMA DÁDIVA




A vida é mesmo uma dádiva. De agora em diante, pregarei a vida e a vida em abundância de pão e vinho. Não mais ouvirei os fariseus dos mercados. Não mais lhes darei importância porque eles são a morte, enquanto eu trago a vida. Podem chamar-me utópico, irrealista, messiânico, que eu não ouço, não quero saber. Podem pregar-me o evangelho deles que eu não ouço.
Não, não conteis comigo no vosso circo mediático. Se for até vós, será para vos destruir. Podeis trazer até mim as mais belas das mulheres. Tremei. Porque elas podem passar-se para o meu lado. A vida é dádiva, é de graça, não é trabalho, não é sacrifício. Recuso-me a ter os vossos trabalhos. O meu "trabalho" é criar e passar a mensagem. Renasci em Braga este Natal. Companheiros, companheiras. Dançai comigo esta noite. Estaremos à entrada dos portões ao anoitecer. Dançai comigo, companheiras, companheiros. Vede como sou louco. Vede como já não temo. Vede que sou da dádiva e não do preço. Sou do banquete permanente. Da festa, da celebração mas também da solidão. Porque é da solidão que vem a sabedoria. Porque é dos livros que vem a sabedoria. Olhai-me, companheiros, companheiras. Por enquanto, ainda terei de ser Narciso, para me mostrar ao mundo. Mas deixarei de o ser um dia. Humilde para com os humildes, poderoso para com os poderosos. Eis o lema. Eis o poema. Serpente ébria. Danço. Canto. Com Deus a meus pés. Uma nova era nasce aqui. Uma era de pão e vinho mas também de celebração, de alegria. Sou louco. Como Dionisos. O Uno Primordial. O Homem. O Super-Homem. O País dos Meus Filhos. Tenho estado no deserto. Agora regresso, minha mulher, minhas mulheres. Nada tenho a ver com as leis do Reino. Aportei neste porto. Venho para o que vier. Os fantasmas dissipam-se na mente de Hamlet. Iluminações. Iluminações. Sou o Poeta. Danço em cima de Deus. Trago a palavra. Sou da dádiva. Sou da ceia. Da Primeira Ceia.

DEUSES


As iluminações voltaram
quero-te, mulher
agora posso tudo
nada nos separa
nem a raça
nem a praça
nem o credo
nem o sexo
tudo é de graça
dança
não há aqui mercados
nem charlatães
somos o mundo
não temas
sou aquele que é
aquele que cria
aquele que te quer
aquele que é homem
e mulher

iluminações
ouço a canção
vem
segue-me
a noite chama
quem me ama?
Quem me ama, ainda hoje?
Vem
não temas
vem
somos a noite
nada há a perder
vem
somos o mundo
criamos o mundo
hoje nascemos
outra vez.


Vilar do Pinheiro, 27.12.2010

O Manifesto Contra os Economistas

COMEÇAS A FICAR FODIDO, ANÍBAL


Cavaco Silva não alimenta "campanhas sujas e desonestas" sobre a sua alegada ligação ao BPN
*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***Oliveira de Azeméis, 25 dez (Lusa) - O Presidente da República e recandidato ao cargo Aníbal Cavaco Sil...



Cavaco Silva não alimenta "campanhas sujas e desonestas" sobre a sua alegada ligação ao BPN
*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***

Oliveira de Azeméis, 25 dez (Lusa) - O Presidente da República e recandidato ao cargo Aníbal Cavaco Silva disse-se hoje indisponível para alimentar "campanhas sujas e desonestas" sobre a sua alegada ligação ao Banco Português de Negócios (BPN), através de ações da Sociedade Lusa de Negócios.

Em causa estão declarações do deputado do Bloco de Esquerda João Semedo, que a semana passada acusou Cavaco Silva de dar "uma resposta manhosa" no debate televisivo com o candidato comunista Francisco Lopes, na medida em que afirmou que nunca teve "nada a ver com o caso BPN", quando afinal possui ações da Sociedade Lusa de Negócios - que detinha 100 por cento do capital do BPN.

Hoje, quando questionado sobre o assunto numa acção de campanha em Oliveira de Azeméis, Cavaco Silva declarou: "Não alimento campanhas sujas e desonestas".

Para eventuais esclarecimentos, o atual Chefe de Estado recomenda: "Quem quiser vai à página de internet da Presidência da República, se não me engano do mês de novembro de 2008".

"Os portugueses sabem muito bem que falo verdade", acrescenta Cavaco Silva. "Gostaria que os outros também fizessem o mesmo".

O mesmo assunto foi abordadoi no debate de dia 23 entre Cavaco Silva e Defensor Moura, que se tornou muito tenso, uma vez que o atual Presidente da República foi constantemente atacado pelo deputado socialista, que pôs em causa a sua isenção.

Quando Defensor Moura colocou a questão do BPN, acusando-o de ter obtido "lucros chorudos" com ações deste banco e considerando que "houve muita tolerância, e até algum benefício com negócios ilícitos ou negócios que são muito claramente estranhos para o normal da população", Cavaco Silva agradeceu.

"Ainda bem que me faz a pergunta. Eu como Presidente da República apenas o que fiz em relação ao BPN foi a aprovação do decreto de nacionalização, depois de o Governo e o Banco de Portugal me terem informado por escrito que não havia alternativa à estabilização do sistema financeiro português e que havia graves prejuízos para os depositantes", reagiu.

AYC/ATF.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Fim

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

DA LEITURA E DAS MULHERES BELAS




Tenho necessidade de ler. Livros, jornais, seja o que for. Se não ler, o meu dia não fica completo. Ler é um acto de amor, alguém o disse. Até sou capaz de amar a Fátima Lopes a brincar com as criancinhas na TV. Contudo, o mundo dela não é o meu. Penso até que já publicou livros. Deve ter escrito dessas lamechices ou desses lugares-comuns que vendem. É claro que não são essas as leituras que me atraem. Talvez a gaja transmita uma certa ternura para lá do "mainstream" que apetece beijar, tal como a Bárbara Guimarães ou a Catarina Furtado. É evidente que, por outro lado, essa coisa de andar a vender os bancos e os sabonetes não me agrada e faz delas umas putas do "mainstream". Mas eu nada tenho contra as putas. Até gosto desse jogo de chamar o homem. De vê-las abrirem-se após o acto sexual. De ouvi-las falar nos filhos e dos homens que não prestam. De ouvi-las falar na vida que as outras mulheres não conhecem. Eu próprio sou uma puta. A puta fina que vai para o palco abrir as pernas. Nas horas em que não sou essa puta, sou o homem que escreve e que se entrega à leitura. Além disso, vou aos bares falar com amigos e com amigas. Ontem o whisky devolveu-me à vida. Estava mentalmente bloqueado e o whisky abriu-me as portas. Há algo na Fátima Lopes que me irrita mas, por outro lado, há outro algo que me atrai. Parece que todas as mulheres que desejo estão ao meu alcance. Olho-as de cima, posso tê-las. Há 5,10 anos não era assim. Eram deusas inacessíveis. Agora estou teso mas olho-as de cima. A todas. Mesmo à Shakira e às beldades dos anúncios. Posso tê-las. Estou ao nível delas. Estão no meu mundo. Olho-as, cobiço-as, como à deusa-cadela da Glória de Lawrence. São minhas irmãs. São minhas. Todas elas. Posso ser insolente como Jesus, como Zaratustra. Posso dizer: eu sou a verdade e a vida. Não tenho que curvar-me diante delas nem de ninguém. Tudo é meu e nada é meu. Virá o dia em que nem sequer usarei dinheiro ou que o dinheiro me cairá do céu. Como as mulheres belas. O paleio da maior parte dos homens é muito limitado. Não satisfaz as mulheres. Eu sou o Verbo. Eu posso ser o Verbo.

O POETA E JESUS




É, de novo, madrugada. O poeta arde. Não sabe se é Jesus ou se está em Jesus. Não sabe se o que está a viver é o princípio de uma alucinação ou se é algo mais, capaz de unir os povos da Terra. Tal como Jesus, o poeta quer derrubar os banqueiros e os mercados mas hesita quanto ao uso da violência. Vê as montras partidas e os carros incendiados em Paris, Roma, Atenas e acredita que a revolução passa por aí. Também Jesus apelou ao fogo e à espada. Também Jesus era provocador e insolente. "No mundo tereis aflições, mas tende confiança! Eu venci o mundo", disse. Venceremos o mundo, derrubaremos o poder. Companheiros, companheiras. Aproxima-se a hora. Contudo, o poeta ainda tem dúvidas. Teme a barbárie pura. Deseja o amor entre os homens mas odeia os governantes, os mercadores, os banqueiros. Quer um mundo novo e um homem novo despidos da moeda e da mercearia.
É, de novo, madrugada. O poeta arde. Não sabe se é Jesus ou filho de Jesus. A mente e o coração expandem-se. O poeta sente que está a iniciar uma nova vida. Uma vida de entrega ao próximo e ao longínquo, sem caridadezinhas. O poeta sabe que, sendo naturalmente irresponsável, tem responsabilidades. Como Nietzsche, cria, dança em redor da sabedoria. As suas palavras vão chegar mais longe. Sabe-o. Os próximos dias poderão ser decisivos. O poeta chegou onde queria. Não haverá mais escritos menores, gratuitos. O poeta é de graça e é da graça. Canta, ri. O mundo está a seus pés, tal como as mais belas das mulheres. Se bem que seja necessária alguma pudência com as mulheres. Mas o poeta começa a conhecer as mulheres. Já não é o rapaz ingénuo dos 18 anos. As ideias vêm. O cérebro quase rebenta. O poeta quer construir um mundo novo. Acredita. É isso que o distingue dos outros. Hesita entre a paz e a espada. Sabe que a morte espreita. Mas vai continuar. É para isso que veio ao mundo. Acredita. É do mundo. Vai ao fundo do ser. Vive. É. Está a chegar a hora, companheiros, companheiras. Chegou o tempo de cerrar fileiras. O poeta sabe que a manhã virá. E com ela a luz. Mas também a vida da rotina. Talvez ainda não amanhã, domingo. Mas segunda-feira. O poeta escreve e os homens dormem. Já não é Natal. O poeta nasceu outra vez. Vai pregar na praça. Vai sujeitar-se ao desprezo dos homens e das mulheres. Mas vai chegar a muita gente. Dentro e fora dos livros. O poeta é aquele que quer ser. Pensa na amada. Pensa que o amor também pode vir através da espada. Os galos cantam. Pedro não o nega. Está a escrever verdadeiramente como os mestres. É aqui que queria chegar. Ou melhor, está é uma das etapas do processo. O poeta já quase não sente medo. Prossegue. Escreve madrugada fora. Está na casa da mãe e dos irmãos. Consulta o Evangelho de João. Vive. Chama o pai. Ele ouve-o. A voz do pai ecoa na sua mente. Está em paz. Há outra vida na mente. Uma vida sem economistas nem conta-corrente.

domingo, 26 de dezembro de 2010

VÉSPERA DE NATAL


São seis da madrugada. Estou, de novo, em Braga. É véspera de Natal. "Deixaremos os palácios do poder na solidão da sua miséria e iremos paa outro lado", gritam os estudantes em Itália. Eis a revolução dionisíaca. Eis a rebelião que cospe nos palácios do poder e surge onde menos se espera. Pode até ser aqui, na pena do poeta, que escreve em Braga às seis da madrugada. No silêncio da caneta verde. Aproxima-se o Grande Meio-Dia. Escutai-me, companheiras, companheiros. Estamos a atravessar para o outro lado. Break On Through to the Other Side, como cantava Morrison. Escutai-me. Estou lúcido novamente. As irmãs estão desavindas mas eu estou lúcido. O menino veio ter comigo, abraçou-se a mim e eu fiquei lúcido. Solto palavras que não sei de onde vêm. Este é, de novo, o dia triunfal. "Deixaremos os palácios do poder na solidão da sua miséria". Eis o chamamento. Zaratustra está aqui. "Estaremos à entrada dos portões ao raiar da aurora". Eis o canto dos pássaros da manhã. Sou louco. Danço contigo, minha rainha. Desafio-vos daqui, ó palácios do poder e dos mercados. É por ser louco que já não vos temo. E hoje é, de novo, o dia triunfal. Nasço aqui, de novo. Os meus pais voltaram a unir-se. São meus a noite e o dia. É noite, ainda. Ouço o cântico dos rios e da lua, como Zaratustra. Mas o dia não tarda. Desta vez, terei mesmo de seguir irredutivelmente a via. Sou louco. Tenho os séculos em mim. Vim para junto das mulheres. Elas dão-me de comer e de beber. E eu posso cantar. Sou louco. Mas não tenho de andar sempre a exibir a minha loucura. Procuro-me nas paredes. Trepo a minha mente. Sou aquele que veio para a glória. Há carros a passar lá fora. "Deixaremos os palácios do poder na solidão da miséria". Deixemos o poder entregue à miséria. Vivamos o dia tiunfal, o Grande Meio-Dia. Dancemos e cantemos na praça. Derrubemos as lojas dos vendilhões, como Jesus. Queimemos o dinheiro. É noite. Ao raiar da aurora estaremos à entrada dos portões. Não quero dormir. Dionisos afaga-me os cabelos. Afasto-me dos agentes da ordem. Os miúdos berram. Por enquanto aqui ainda não partem montras. Desprezo tudo quanto é contrário à vida. É noite. Mas o dia não tarda.

APOIO A MANUEL ALEGRE


APOIO A MANUEL ALEGRE

António Pedro Ribeiro

E depois ainda há o lado místico. Aquilo que não está nos autocarros que passam. Que, em certa medida, me faz apoiar Manuel Alegre, mesmo sabendo que ele aceita a democracia burguesa e eu não. Mas há qualquer coisa na postura do poeta de "Praça da Canção", qualquer coisa na forma de se expressar que nos traz um certo Portugal messiânico, sebastianista, que vem de Camões, de Pessoa, de Agostinho da Silva. Uma certa pátria que eu não rejeito, que está para lá da anarquia e da democracia, a tal que poucos alcançam, talvez até o Quinto Império. Por isso e pelo seu passado anti-fascista apoio Manuel Alegre, mesmo sendo anarquista e anti-capitalista. É claro que também há aquele ódio de estimação contra Cavaco Silva. Um Cavaco agarrado aos mercados que prega a não-vida. Um Cavaco que é a face mais vil da economia. Um Cavaco ligado às fraudes e aos amigos do BPN, como apontou Defensor Moura. Um Cavaco que é preciso derrubar porque não presta.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

NA CATEDRAL DO CONSUMO ESCREVO AS PALAVRAS DA LOUCURA

A MORTE E O MERCADO

A morte enriquece

Posted: 22 Dec 2010 05:06 AM PST

O vosso avô é velho? E tem um seguro de vida?
Ora bem, chegou a altura de pôr o velhote a render.

Peguem no seguro (se o avô oferecer resistência podem ameaça-lo), liguem para a empresa Life Partners, vendam o seguro e fiquem com o dinheiro. Com o qual podem sempre comprar uma prenda (não muito cara) para o velhote, que afinal merece uma parte (pequena) do dinheiro.

Esta é a ideia dum novo business que está a florescer nos Estados Unidos. Empresas como Life Partners apostam na morte do beneficiário do seguro. Como é que ninguém ainda tinha pensado nisso?

De facto faz sentido: qual a graça em receber o dinheiro uma vez mortos? Fica mais simpático antes, não depois de ter deixado este mundo.

E porque não investir na morte? Pois é disso que estamos a falar.

O aspecto ainda mais mórbido é que Life Partners não compra o seguro de vida da pessoa idosa: convence investidores a compra-lo. E quando o velhote morrer, o investidor fica com o valor do seguro. Entretanto, claro, o idoso recebe logo o dinheiro, sem ter de morrer por isso.

Desta forma, o investidor que adquire o seguro torce para a morte do velhote. Quanto mais depressa este morrer, de facto, tanto maior será o lucro, pois os valores reembolsados descem com o passar dos anos.

E se o velhote não morrer? Pode ser um idoso teimoso. E malcriado também, pois desta forma o investidor perde dinheiro. Mas não muito, pois cedo ou tarde o velhote morre. Por isso é só esperar que a Natureza faça o trabalho dela..

Mas quem é Life Partners?
É uma empresa sediada no Texas e avaliada na Bolsa de Wall Street, fundada por Brian Pardo. Que, com esta ideia, ganha 1.061.637 Dólares por ano. Nada mal para um coveiro.

As acções da Life Partners começaram com um valor de 2-3 Dólares, mas nos últimos dois anos ganharam bastante e agora alcançaram os 18 Dólares. Em 2010 o útil líquido será de 29 milhões de Dólares.

Agora é só esperar para ver qual será a próxima fronteira da decência que a Bolsa conseguirá atropelar.




Fonte: Life Partner, Forbes.

FÁTIMA LOPES


A CAIXA QUE ADORMECEU O MUNDO
TVI + FÁTIMA LOPES = VERGONHA




Chama-se "Agora é que conta", passa na TVI" e é apresentado por Fátima Lopes.
O programa começa com dezenas de pessoas a agitar uns papéis.
Os papéis são contas por pagar. Reparações em casa, prestações do carro, contas da electricidade ou de telefone. A maioria dos concorrentes parece ter, por o que diz, muito pouca folga financeira.
E a simpática Fátima, sempre pronta a ajudar em troca de umas figuras mais ou menos patéticas para o País poder acompanhar, presta-se a pagar duzentos ou trezentos euros de dívida.
"Nos tempos que correm", como diz a apresentadora - e "os tempos que correm" quer sempre dizer crise -, a coisa sabe bem.
No entretenimento televisivo, o grotesco é quase sempre transvestido de boas intenções.

Os concorrentes prestam-se a dar comida à boca a familiares enquanto a cadeira onde estão sentados agita, rebolam no chão dentro de espumas enormes ou tentam apanhar bolas de ping-pong no ar. Apesar da indigência absoluta do programa, nada disto é novo. O que é realmente novo são as contas por pagar transformadas num concurso "divertido".

Ao ver aquela triste imagem e a forma como as televisões conseguem transformar a tristeza em entretenimento, não consigo deixar de sentir que esta é a "beleza" do Capitalismo:
Tudo se vende, até as pequenas desgraças quotidianas de quem não consegue comprar o que se vende..

Houve um tempo em que gente corajosa se juntava para lutar por uma vida melhor e combater quem os queria na miséria. E ainda há muitos que não desistiram. Mas a televisão conseguiu de uma forma extraordinariamente eficaz o que os séculos de repressão nem sonharam:
Pôr a maioria a entreter-se com a sua própria desgraça.
E o canal ainda ganha uns cobres com isso.
Diz-se que esta caixa mudou o Mundo.
Sim: consegue pôr tudo a render. Até as consequências da maior crise em muitas décadas.

Entretanto a apresentadora recebe 40.000€ por mês.
Foi este o valor da transferência da SIC para a TVI. Uma proposta irrecusável segundo palavras da própria.

A pobre da Fátima Lopes só ganha 1290 euros por dia!!!.
Brincando com miséria dos outros, pobre povo português, sem alternativas, mas miseravelmente felizes.

Este artigo de Daniel Oliveira é sobre aquilo que nunca vi na TVI, mas que se visse reagiria, também, com indignação. É algo de escabroso que se houvesse um pouco de decência já não estaria a ser transmitido. Usar os desgraçados é um abuso intolerável, é brincar com as pessoas e a sua miséria.
PAGAR AS DÍVIDAS e fazer disso um espectáculo é obsceno.
A TVI torna-se, assim, uma obscenidade !…

ANTÓNIO CARNEIRO (ABS)