sábado, 23 de outubro de 2010

DA GOTUCHA


DA GOTUCHA

Sente-se mais senhor. Sente-se o homem em construção, um homem nobre. Sabe que agora não há volta a dar-lhe. Não há ponto de retorno. Seguiu determinada via, seguiu a via da liberdade e da vida aumentada, seguiu os ensinamentos de Nietzsche, Morrison e Miller, apesar de haver ocasiões em que se deixa bombardear pelo sistema. É preciso que a Gotucha o compreenda. É preciso compreender também que o escritor trava batalhas terríveis consigo próprio. É preciso compreender que o capitalismo e a castração entram por nós dentro e nós temos de vencê-los. É preciso derrotar também os nossos demónios, os nossos fantasmas. Sim, a luta está dento de nós, Gotucha. É também graças à nossa vida interior que acrescentamos vida. O escritor procura o triunfo da vida. O escritor enfrenta os pregadores da morte e da economia. O escritor escreve e aguarda o avião da Gotucha. Que nada de mal aconteça à sua menina, é tudo quanto deseja. O escritor escreve à esplanada da “Padeirinha”. Está muito calor. Pouco ou nada se passa à sua frente. Sente-se mais apto para enfrentar o mundo. Sente-se mais sábio. Com mais palavras. Sente-se dono da palavra. Escreve livremente. Sente-se solto. A loira não está. Mas isso não o desmoraliza. Olha as horas. Tem que se preocupar com o avião da Gotucha. Com a Gotucha preocupa-se verdadeiramente. Fica triste quando ela está triste. Ri quando ela ri. Acredita na Gotucha. A Gotucha deu-lhe a volta à cabeça.

DE MIGUEL CARVALHO

Sabes, José?

Sabes, José? Nos quarteirões da minha cidade, voltaram os pedidos de meio frango com ar envergonhado e dinheiro contado. Na repartição dos correios, diante da minha porta, os funcionários já viram mãos alheias perto do gasganete em dias em que faltou dinheiro na caixa para pagar a pensão do mês. E há mais clientela esperando a sua vez.

Uma tragédia, José, quem havia de dizer que os nossos antigos iam morrer vivendo, de pé?

Também tenho reparado que os carrinhos de supermercado andam menos recheados, sabes? Mas deve ser das minhas vistas, tenho de mudar as lentes, certamente. Uma coisa tenho reparado e essa eu vejo bem: na hora de pagar, algo fica para trás. Um pacote, um algo que vinha e já não vem.

Nas farmácias, os velhos dizem que seleccionam medicamentos por não terem forma nem maneira de pagar a ementa dos remédios gourmet das suas eternas maleitas. Entre a doença, as dores e a boca, escolhem o pão, como não?

Olha, José, vê os portões das fábricas a fechar, o presente a definhar.

No nosso País de misérias e angústias, há um rumorejar a borbulhar, José. Ouve-se por toda a parte, até aqui ao pé, no escritório do lado, na mercearia da esquina ou no balcão do café.

Já não é só futebol, José, o penalty que é ou não é.

São conversas fartas, raivas incontidas, vidas fora-de-jogo à espera da reviravolta que nunca vem para quem sempre joga limpo.

Olha, José, vocês aí no alto discutem números, austeridade, a salvação nacional e a saúde da pátria depois do leite derramado. Mas aqui em baixo, no País terra-a-terra e na nação sem parlapié, há gente com défice de crença e paciência para acreditar de novo na sobrevivência.

Não sei, José, que dias virão a seguir.

Um dia, talvez mais cedo do que julgamos, vão juntar-se os deserdados do futuro, a polícia empobrecida e desprestigiada e os que pouco já tinham e agora não têm nada. Nesse momento, juntos, vão encher a praça. E aí, José, uma coisa eu garanto: não vai ter graça.

M.C.

http://adevidacomedia.wordpress.com

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A REVOLTA CONTINUA


França: Continuação dos protestos para a próxima semana

"Esperamos mais umas jornadas em força na próxima semana", declaram os sindicatos, indicando que as centrais sindicais não abrem mão da mobilização conseguida nas últimas semanas com sucessivas manifestações por todo o país, além das greves e bloqueios que atingem sectores vitais.

Instalações petrolíferas em todo o país continuam a ser alvo de acções diversas dos trabalhadores em greve, os 14 depósitos de combustível continuam bloqueados, apesar das intervenções das forças da polícia, que têm ordens Nicolas Sarkozy…

O aeroporto de Marselha esteve ontem bloqueado durante algumas horas e as 12 refinarias francesas continuam em greve por tempo indeterminado. A situação faz com que o abastecimento de combustível seja intermitente e cada vez mais escasso, com 3.200 estações de serviço encerradas, de um total de 12.300 postos em toda a França.

O final de semana é também decisivo porque na sexta-feira as escolas francesas encerram para as férias intercalares de Todos-os-Santos, o que poderá ter impacto no nível de mobilização dos estudantes do ensino secundário e universitário.

Os estudantes juntaram-se ao movimento de contestação e greve que refuta o novo regime de reformas, levando na prática ao encerramento de cerca de 400 liceus em todo o país e de, pelo menos, quatro universidades, devido ao bloqueio de instalações e, em vários pontos do país, havendo notícias de confrontos com as forças de repressão, a exemplo do centro da cidade de Lyon.

http://lutapopularonline.blogspot.com

ESTA NOITE A POESIA DE CHOQUE ENCHEU-SE DE GENTE BONITA

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

MANIFESTO DA CANDIDATURA DO POETA ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


MANIFESTO DA CANDIDATURA DO POETA ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA



Numa era em que a vida se faz e se joga em função dos mercados e, por isso, não é vida. Numa altura em que o governo corta nos salários, nas pensões, no subsídio de desemprego, no rendimento social de inserção e sobe nos impostos, nas SCUT's, nos preços dos bens essenciais e no preço dos medicamentos. Numa era em que o discurso económico já era porque é entediante, castrador como a "vida" dos mercados e de todos os que a seguem: Sócrates, Cavaco, Durão Barroso e companhia. Numa era de banqueiros, bolsas, especuladores e outros predadores. Numa era em que o PS e o PSD brincam ao orçamento, um orçamento que não serve, que penaliza a maioria dos portugueses. Numa era de "Big Brothers" e de uma "vida" quotidiana vazia. Numa era em que muitos não têm nada ou quase nada e outros dormem na rua. Eu, António Pedro Ribeiro, 42 anos, poeta e performer, declaro-me candidato à Presidência da República.

Porque é preciso dizer que isto não é vida. É preciso dizer que não somos mais do que ninguém mas temos a certeza de que isto assim não presta. O capitalismo e os seus agentes estão a matar o Homem e a Vida. Viram o homem contra si próprio. Instalam o medo, a inveja, o ressentimento, a intriga. É preciso dizer que não é mais possível o homem assim. Como se vê nas manifestações de França, Grécia, Islândia e Espanha. É preciso dizer que o homem está a ser amputado. É preciso dizer que queremos outro homem, outra vida. Ela existe e está aqui, dentro do homem. Não nos céus nem na fantasia.



António Pedro Ribeiro ou A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto no Maio de 68. Viveu em Braga e reside actualmente em Vilar do Pinheiro (Vila do Conde). É licenciado em Sociologia pela Faculdade de Letras do Porto. É autor dos livros "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Queimai o Dinheiro" (Corpos, 2009), "Um Poeta no Piolho" (Corpos, 2009), "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (Pirata, 2004), "Á Mesa do Homem Só" (Silêncio da Gaveta, 2001) e "Gritos. Murmúrios" (com Rui Soares, Grémio Lusíada, 1988). Foi fundador da revista literária "Aguasfurtadas" e actuou como diseur e performer nos Festivais de Paredes de Coura de 2006 (com Adolfo Luxúria Canibal e Isaque Ferreira) e de 2009 (com a banda Mana Calórica), nas "Quintas de Leitura" do Teatro Campo Alegre em 2009 e no Festival de Poesia do Condado de Salvaterra do Minho (Espanha) em 2007. Foi activista estudantil na Faculdade de Letras do Porto e no Jornal Universitário do Porto. É aderente do Bloco de Esquerda e foi militante do PSR, tendo sido candidato às Juntas de Freguesia de Vila do Conde (2001) e da Póvoa de Varzim (2005) pelo BE e à Assembleia da República pelo círculo de Braga pelo PSR em 1991 e 1995 (mandatário distrital). Em 2003 na Póvoa de Varzim, foi acusado, com a organização Frente Guevarista Libertária, de ter derrubado a estátua do Major Mota, presidente da Câmara no regime salazarista e dirigente da Legião Portuguesa. Prepara o livro "Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, os Mercados e Outras Conversas". É responsável (com Luís Carvalho) pelas noites de "Poesia de Choque" no Clube Literário do Porto e participa regularmente nas noites de poesia do Púcaros e do Pinguim no Porto.

RUI MANUEL AMARAL E CANDIDATURA PRESIDENCIAL DE APR NA POESIA DE CHOQUE


O escritor Rui Manuel Amaral é o convidado de mais uma sessão de POESIA DE CHOQUE a ter lugar no Clube Literário do Porto, hoje, quinta, 21, pelas 22,00 h. Rui Amaral vai ler textos do seu último livro, recém-editado, "Doutor Avalanche" (Angelus Novus). Simultaneamante, António Pedro Ribeiro lança os seus manifestos à Presidência da República. Luís Carvalho diz outros poemas a abrir e a arder.

FALA, FALA, QUE COMEÇAS A CAIR

"Está na altura de acabar com os bloqueios", diz ministro do Interior francês
Paris, 20 out (Lusa) - O ministro do Interior francês, Brice Hortefeux, afirmou hoje, em Paris, que "está na altura de acabar com os bloqueios" a inst...



"Está na altura de acabar com os bloqueios", diz ministro do Interior francês
Paris, 20 out (Lusa) - O ministro do Interior francês, Brice Hortefeux, afirmou hoje, em Paris, que "está na altura de acabar com os bloqueios" a instalações de combustível, de forma a evitar uma paralisia da economia nacional.

"O direito à greve não dá o direito a impedir de trabalhar e de circular", declarou Brice Hortefeux numa conferência de imprensa realizada às 07:30 (06:30 em Lisboa), repetindo o essencial das declarações feitas na véspera, na Normandia, pelo Presidente da República francês, Nicolas Sarkozy.

O ministro do Interior confirmou que as forças de segurança desbloquearam 21 depósitos de combustível desde sexta-feira, incluindo três hoje de madrugada, numa altuyra em que a região oeste de França "está ameaçada de falta de combustível", segundo disse Hortefeux.

"A imensa maioria dos franceses não tem de aguentar a lei de uma minoria", afirmou também Brice Hortefeux, referindo-se à mobilização dos sindicatos contra o novo regime de reformas, que na terça-feira levou cerca de 3,5 milhões de pessoas (1,1 milhões, segundo a polícia) a 270 manifestações em todo o país.

PRM

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O texto abaixo, "O Senhor", é inspirado no "FMI" de José Mário Branco.

O SENHOR


A imagem da Fátima Lopes. As mulheres batem palmas.
Depois vem a publicidade. Automóveis. Lotarias. Donas de casa de barriga inchada a comer iogurtes. Champôs. Passerelles. Golos. A Catarina Furtado a fazer propaganda aos bancos. A Fátima Lopes a fazer propaganda aos hamburgueres. Uma gaja de guarda-chuva e outro automóvel. Seguros. Bancos, outra vez os bancos. Futebolistas a fazer a barba. Aspiradores. Electrodomésticos. Gajas. Automóveis, outra vez automóveis. O ministro das Finanças. Este é o melhor dos mundos. A televisão dá-te tudo: iogurtes, champôs, clubes de futebol, guarda-chuvas, aspiradores, giletes, automóveis, seguros, o dinheiro todo dos bancos, o ministro das Finanças, as gajas da passerelle, a Fátima Lopes, a Bárbara Guimarães, a Catarina Furtado. Rende-te. Obedece ao Senhor, ao Sócrates, ao Cavaco, ao Durão Barroso. Eles dão-te tudo. Obedece. Bate palmas. Fica calado. Este é o melhor dos mundos. Não há alternativa. Há para uns líricos que dizem que não. São uns sonhadores incorrigíveis, alguns deles já estão no manicómio. Não lhes ligues. O Governo, o Presidente e os mercados, sobretudo os mercados, tratam de ti. Eles e a Fátima Lopes tratam da tua felicidade. Não te preocupes. O ministro das Finanças faz os cálculos todos por ti. Está tudo no orçamento. Não te preocupes. Eles dão-te tudo. Eles têm tudo previsto. Obedece. Bate palmas. Fica calado. Não questiones. Não penses. O ministro das Finanças pensa por ti. Os mercados resolvem todos os teus problemas. Não estejas deprimido. Não vale a pena ficar deprimido. A ministra da Saúde trata-te da saúde. Dá-te todos os anti-depressivos de borla.
Estás entregue a gente cristã, benfeitora, altruísta. Estás em grande. Reina. Continua a olhar para a TV. Não percas as palavras sábias e avisadas do ministro das Finanças, do primeiro-ministro, do Presidente, do PSD. Come-as. Saboreia-as. Banqueteia-te com elas. Agradece. Obedece. Nada te pára. Agora és um Senhor.

OLHA A DEMOCRACIA!

Chanceler alemã afirma que construção de uma sociedade multicultural falhou e alerta comunidade imigrante: “sentimo-nos ligados a valores cristãos. Quem não aceitar isto, não tem lugar aqui”.
Artigo | 19 Outubro, 2010 - 11:31

Angela Markel discursava para militantes da Junge Union (JU) sobre integração de imigrantes na Alemanha. Foto de cgommel, Flickr. Angela Merkel, chanceler alemã, afirmou, perante uma plateia constituída por militantes da Junge Union (JU) - organização juvenil conjunta dos partidos conservadores União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU), que "a perspectiva de que poderíamos construir uma sociedade multicultural, vivendo lado a lado e gozando da companhia uns dos outros, falhou. Falhou completamente".

Num discurso marcado por uma manifesta aproximação à direita, e segundo escreve a “Associated Press”, Angela Merkel defendeu ainda que “Subsidiar os imigrantes” não basta, a Alemanha tem o direito de “fazer-lhes exigências”.

O sucesso da integração dos imigrantes é, nas palavras de Merkel, da sua exclusiva responsabilidade. Os mesmos terão que adoptar a cultura e os valores alemães. A responsável alemã alerta: “sentimo-nos ligados a valores cristãos. Quem não aceitar isto, não tem lugar aqui”.

O secretário-geral do Conselho Geral dos Judeus na Alemanha, Stephan Kramer, já veio criticar aquele que considera ser um discurso xenófobo, orientado para fins eleitoralistas.

Polémica em torno da integração dos imigrantes

Segundo noticia o Deutsche Welle, a polémica em torno da integração dos imigrantes agudizou-se mediante as declarações proferidas em Agosto pelo então membro do conselho de administração do Bundesbank, Thilo Sarrazin, que associou a subsidio dependência e a criminalidade à população muçulmana na Alemanha.

Na noite anterior ao discurso da chanceler alemã, o líder da CSU e governador da Baviera, Horst Seehofer, já havia afirmado que os imigrantes no país têm que aceitar a “cultura predominante” e que a Alemanha não se podia transformar “na previdência social para o mundo inteiro”, rematando que “o multiculturalismo está morto”.

As declarações de Angela Merkel virão, neste contexto, aprofundar o clima de desconfiança, apreensão e até mesmo xenofobia contra os cerca de 16 milhões de imigrantes que vivem no país, e, em especial, contra a comunidade muçulmana, que conta com aproximadamente 5 milhões de pessoas.

55% da população alemã pensa que os árabes são "pessoas indesejáveis"

O estudo, recentemente divulgado, da Fundação Friedrich Ebert, que a Lusa cita, conclui que cerca de 58 por cento dos alemães são a favor da limitação da liberdade religiosa dos muçulmanos na Alemanha. Os resultados deste estudo demonstram, igualmente, que 30% dos inquiridos considera que o país foi "invadido por estrangeiros" e que 55% pensa que os árabes são "pessoas indesejáveis". 30% acredita ainda que os 16 milhões de imigrantes só procuraram a Alemanha para usufruir de benefícios sociais.

www.esquerda.net

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

MANIFESTO ANTI-GOVERNO, ANTI-ORÇAMENTO E ANTI-MERCADOS


O Governo não tem que me dizer o que devo fazer. O Governo não tem que dizer que eu devo levar uma vida frugal. A minha vida não está no Orçamento. Não aceito a minha vida reduzida a percentagens e estatísticas. O Governo e o Orçamento não me podem proibir de sair à noite nem de beber copos. Nem o Governo, nem o Orçamento, nem ninguém me podem impedir de escrever, de ter ideias e de olhar para as gajas.
Estou farto dos apelos ao diálogo do Presidente da República. Não sou do Presidente, nem do Governo, nem do Orçamento, nem dos mercados. Recuso-me a dialogar com essa gente. Não confio nessa gente. Aliás, ainda ninguém me explicou quem são os mercados. Os mercados nunca me foram apresentados. Só sei que o Presidente, o Governo, o Orçamento, o PSD, os banqueiros, a Comissão Europeia e o Estados Unidos obedecem aos mercados. Os mercados estão em todo o lado e entram no cérebro das gentes. Estou farto dos mercados! Os mercados e a economia enchem-me de tédio e de morte. Os mercados e o Governo não comandam a minha vida. Os mercados e o Governo não pertencem à vida.

domingo, 17 de outubro de 2010

RECUSO TUDO QUANTO NÃO SEJA VIDA

RECUSO TUDO QUANTO NÃO SEJA VIDA



Recuso tudo quanto não seja vida



Já apanhei

com as grandes depressões

já apanhei com o Sócrates,

com o Cavaco

com os "yuppies"

e com a SIDA

já dormi em bancos de jardim,

na praia,

na rua

já vi a guerra do Iraque

e a do Afeganistão

e o triunfo da economia



Recuso tudo quanto não seja vida



Farto-me das meias-medidas

do medo do patrão, do papão

do tédio da mercearia



Recuso tudo quanto não seja vida



Li Nietzsche, ouvi Morrison

desatinei com a contabilidade

tripei na Faculdade

segui a outra via



Recuso tudo quanto não seja vida



Conheci a Gotucha

andei nas manifs

tornei-me naquele que cria



Recuso tudo quanto não seja vida



Quero agarrá-la

quero possuí-la

como à mulher

da confeitaria



Recuso tudo quanto não seja vida.

TEIXEIRA E A INSACIABILIDADE DOS MERCADOS

Teixeira dos Santos: "Não vejo muito mais por onde ir se os mercados nos exigirem mais"
17.10.2010 - 07:40 Por Sérgio Aníbal, João d´Espiney

1 de 16 notícias em Economia
Teixeira dos Santos confia que as medidas do OE terão um impacto positivo imediato. Mas mantém o aviso em relação à "insaciabilidade" dos mercados.

www.publico.clix.pt

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

MANIFESTO DA CANDIDATURA DO POETA ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


MANIFESTO DA CANDIDATURA DO POETA ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA



Numa era em que a vida se faz e se joga em função dos mercados e, por isso, não é vida. Numa altura em que o governo corta nos salários, nas pensões, no subsídio de desemprego, no rendimento social de inserção e sobe nos impostos e no preço dos medicamentos. Numa era em que o discurso económico já era porque é entediante, castrador como a "vida" dos mercados e de todos os que a seguem: Sócrates, Cavaco, Durão Barroso e companhia. Numa era de banqueiros, bolsas, especuladores e outros predadores. Numa era de "Big Brothers" e de uma "vida" quotidiana vazia, maçadora. Numa era em que muitos não têm nada ou quase nada e outros dormem na rua. Eu, António Pedro Ribeiro, 42 anos, poeta e performer, declaro-me candidato à Presidência da República.

Porque é preciso dizer que isto não é vida. É preciso dizer que não somos mais do que ninguém mas temos a certeza de que isto assim não presta. O capitaismo e os seus agentes estão a matar o Homem e a Vida. Viram o homem contra si próprio. Instalam o medo, a inveja, o ressentimento, a intriga. É preciso dizer que não é mais possível o homem assim. Como se vê nas manifestações de França, Grécia, Islândia e Espanha. É preciso dizer que o homem está a ser amputado. É preciso dizer que queremos outro homem, outra vida. Ela existe e está aqui, dentro do homem. Não nos céus nem na fantasia.



António Pedro Ribeiro ou A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto no Maio de 68. Viveu em Braga e reside actualmente em Vilar do Pinheiro (Vila do Conde). É licenciado em Sociologia pela Faculdade de Letras do Porto. É autor dos livros "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Queimai o Dinheiro" (Corpos, 2009), "Um Poeta no Piolho" (Corpos, 2009), "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (Pirata, 2004), "Á Mesa do Homem Só" (Silêncio da Gaveta, 2001) e "Gritos. Murmúrios" (com Rui Soares, Grémio Lusíada, 1988). Foi fundador da revista literária "Aguasfurtadas" e actuou como diseur e performer nos Festivais de Paredes de Coura de 2006 (com Adolfo Luxúria Canibal e Isaque Ferreira) e de 2009 (com a banda Mana Calórica), nas "Quintas de Leitura" do Teatro Campo Alegre em 2009 e no Festival de Poesia do Condado de Salvaterra do Minho (Espanha) em 2007. Foi activista estudantil na Faculdade de Letras do Porto e no Jornal Universitário do Porto. É aderente do Bloco de Esquerda e foi militante do PSR, tendo sido candidato às Juntas de Freguesia de Vila do Conde (2001) e da Póvoa de Varzim (2005) pelo BE e à Assembleia da República pelo círculo de Braga pelo PSR em 1991 e 1995 (mandatário distrital). Em 2003 na Póvoa de Varzim, foi acusado, com a organização Frente Guevarista Libertária, de ter derrubado a estátua do Major Mota, presidente da Câmara no regime salazarista e dirigente da Legião Portuguesa. Prepara o livro "Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, os Mercados e Outras Conversas". É responsável (com Luís Carvalho) pelas noites de "Poesia de Choque" no Clube Literário do Porto e participa regularmente nas noites de poesia do Púcaros e do Pinguim no Porto.

PORTAGENS NAS SCUTS SÃO ROUBO

Portagens nas SCUT no Grande Porto "são um roubo e não podemos chamar a polícia" - comissão de utentes
Paços de Ferreira, 15 out (Lusa) - O representante da Comissão de Utentes da Scut do Grande Porto (A41/A42), Gonçalo Oliveira, considerou hoje "um rou...



Portagens nas SCUT no Grande Porto "são um roubo e não podemos chamar a polícia" - comissão de utentes
Paços de Ferreira, 15 out (Lusa) - O representante da Comissão de Utentes da Scut do Grande Porto (A41/A42), Gonçalo Oliveira, considerou hoje "um roubo e uma violência inimaginável" a cobrança de portagens naquela autoestrada.

"Se algum gatuno me quiser roubar mais 100 euros, eu defendo-me. Se três me tentarem roubar, eu chamo a polícia. Mas quem é que eu devo chamar quando os três 'gatunos' são os três partidos, o PS, o PSD e o CDS, que se uniram na Assembleia da República para inviabilizar a lei das portagens?", questionou, em declarações à Lusa.

Falando junto à Scut que liga o Vale do Sousa à cidade do Porto, Gonçalo Oliveira garantiu que "o povo não vai aguentar esta situação".

Afirmou que os políticos desses partidos, além da preocupação que têm com o défice, deviam estar sensibilizados com o problema de muitos habitantes poderem não ter dinheiro "para ir trabalhar, para produzir riqueza".

"Isto que está aqui a acontecer hoje é de tal forma mau e grave que é uma hipocrisia esses partidos aqui no distrito do Porto, nas câmaras municipais, dizerem que as portagens são más, mas em Lisboa, na Assembleia da República já dizem que as portagens são boas", vincou.

Gonçalo Oliveira garantiu ainda que a comissão de utentes "não baixou os braços", prometendo novas ações de protesto para defender "quem precisa desta autoestrada para ganhar a sua vida".

As portagens nas Scut do Norte Litoral, Grande Porto e Costa de Prata começaram a ser cobradas às 00:00 de hoje.

APM.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico ***

Lusa/fim