sexta-feira, 15 de outubro de 2010

AMAI-VOS


AMAI-VOS

Que venha o novo homem. Que por todo o mundo se celebre o novo homem.

“Não vos inquieteis mais com o que tendes de comer e de beber”, disse Jesus. Matai o capitalismo e o mercado em vós. Matai o que há de mais vil e torpe em vós. Acreditai no novo homem. Ide de rua em rua, de casa em casa levar a palavra. Viestes ao mundo para isso. Aumentai os vossos conhecimentos e a vossa vida. Essa é a vossa riqueza. A riqueza que deveis procurar. Amai-vos. Para vos amardes verdadeiramente tereis de matar o capitalismo que todos os dias vos espetam na cabeça. Amai-vos. Mas sabei que há alguns que já não têm cura, alguns que serão sempre vossos inimigos. Salvai-vos do culto da acumulação, da competição e da riqueza. Aumentai a vossa vida. Afastai-vos do rebanho. Sede o novo homem. Acreditai em vós. Sede fortes. Sede companheiros. Afastai-vos da economia. Criai. Amai-vos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

DURÃO BARROSO E OS MERCADOS

Quando eu falo, os mercados ouvem e pode haver consequências.

A HORA DO HOMEM


Cá está o homem de novo. O mundo é o mesmo mas o homem muda. Há conversas que o elevam. Conversas que o aproximam da sabedoria. O homem filosofa mas Dionisos volta sempre. E o homem afasta-se do racional. Segue a via do artista. Triunfa sobre si mesmo. Encontra a sua essência. Mas esse não é um processo racional. O homem acasala com a loucura. Sobe à praça pública. Já é outro. Ama esse outro. Adora vestir essa pele. Quando está nesse estado é livre. Aí tem de se conter para não ficar demasiado para lá. "Custa-me deixar-te, mas tu nunca me seguirias", canta Morrison. E é mesmo isso. O homem, como outros antes, abandona o corpo. Torna-se espírito e o espírito voa. Já não está cá. Poucos, muito poucos, quase nenhuns o acompanham. E o homem, mesmo que tenha uma vida aparentemente pacata, vive na corda-bamba, na corda-bamba entre o animal e o divino. É esse o seu drama. Faz parte da legião dos loucos divinos, como Morrison ou Nietzsche. Já nada há a fazer. Seguiu essa via. No meio das estrelas sente-se em casa. Por isso é que os negócios, a banca e a vidinha o entediam. Veio para algo de maior. É um "caminheiro dos céus", como diz Henry Miller. Ama o homem interior. Por isso, por vezes, sabe que tem que ser humilde. Todavia, isso não quer dizer que se alinhe com a maioria. Tornou-se muito céptico em relação à democracia. Já não acredita na democracia representativa. O homem sabe que atingiu a idade madura, a hora das decisões definitivas. Sabe também que está mais exposto do que nunca. Ou que, pelo menos, corre riscos de exposição excessiva. Sabe que está a chegar a sua hora.

EU NÃO ACEITO


EU NÃO ACEITO

António Pedro Ribeiro

Os mercados ainda não me contaminaram a mente. Sigo o caminho do bailarino, do homem livre. Apesar daquilo que me tentais espetar na cabeça todos os dias. Há alturas em que cedo, alturas em que me deixo levar pela conversa. Contudo, ainda sou capaz de me revoltar dentro de mim mesmo. Sou Quixote contra os moinhos. Não aceito. Não aceito. Posso até estar em baixo, posso até estar na merda, dizer que sim na aparência. Mas eu não aceito. Não aceito ver o Homem escravo dos mercados. Não aceito o homem caricatura de si próprio. O homem que quero não é o macaco que mercadeja, de que fala Nietzsche. Não aceito! Não vim ao mundo para isto. Posso até ser o único, ou um dos únicos, mas eu não aceito.
Já cometi muitos erros. Não sou nenhum santo. Mas eu não aceito. Serei louco, terei sido incoerente em várias ocasiões, mas eu não aceito. Podeis vir com cançonetas, poeminhas, que eu não aceito. Podeis inundar-me de imagens, de “big brothers”, de gajas boas. Eu não aceito. Podeis trazer-me TGV’s, aeroportos, SCUT’s, auto-estradas. Eu não aceito. Podeis embebedar-me com números, percentagens, cotações da bolsa. Eu não aceito. Podeis prometer-me estabilidade, sossego, emprego, segurança. Eu não aceito.
Não sou esse que quereis. Por vezes também sou dócil, amável, simpático. Mas não tenho que aceitar as vossas máximas. Amo o homem mas não tenho que me contentar com este homem, com a sub-vida dos mercados e das bolsas. Já falhei muitas vezes, não fui sempre aquele que ando a pregar. Mas não tenho que aceitar. Não sou deles- dos banqueiros, das finanças, dos governos. Muitas vezes nem sequer sigo uma lógica económica. Sou da liberdade. Mesmo quando permaneço aqui na “Motina” a espetar palavras no papel. Sobretudo aqui. Porque aqui sou completamente livre. Mesmo que isto continue a ser uma confeitaria e que os bolos e os cafés continuem à venda. Mesmo que os mercados estejam em todo o lado e também aqui.
No entanto, o bebé ri para a avó. No entanto, o bebé está vivo, respira a vida. E isso é a vida. E isso é o que realmente conta.

A HORA


A HORA


Dever cumprido. Agora o tempo é meu. Todo meu. Acredito em mim. Acredito nas minhas convicções. Sei que está a chegar a hora. A hora em que serei posto à prova. A hora em que eu e o mundo seremos um só. A hora em que tudo cairá do céu. A hora do céu na Terra. Sim, acredito. Acredito na Palavra. No homem que canta e dança. No homem que vai até ao fim. No homem que é Deus e o universo. No homem do verso. Acredito. Sou deste mundo, da Terra. Estou demasiado acelerado para os meus semelhantes mas não o consigo manifestar. Estou em transe como o Curtis. Estou doido sem estar doido. As palavras vêm ter comigo. Deixo-as fluir, não as comando. Não comando nem sou comandado. Sigo o meu caminho. Sempre o segui. Mas agora as coisas são mais claras. Este é o caminho. Como está longe o poeta de café. Como estão longe as intriguices das gente pequena. Como me sinto sublime. Como dou. Como me dou. Dar e receber, eis a minha missão. Mesmo aos pequenos tens de dar a mão. Sobretudo aos pequenos…Que contradições, que paradoxos há em ti. Por um lado, nietzscheano, revolucionário. Por outro, cristão. Gozas com a religião mas tens uma religião. És Deus mas tens de ser humilde. Até um dia…mesmo nesse dia terás de ser humilde apesar de soberbo. Tudo cai do céu para ti. És tu e mais ninguém. És tu o dono da palavra. És tu o dono da vida. Escreves. És do mundo. Não vens pregar o além. Não és o Papa. Acreditas no teu deus interior. Vais até ao fim da linha. Acreditas na Palavra. És soberbo e és humilde. A tua mãe não te compreende. És filho de Deus e do mundo. Deixas a palavra fluir. Não queres mais saber da conversa fiada. És do amor. Vens do amor. A maior parte das vezes achas o mundo uma seca. A maior parte do tempo andas entediado. És do amor. Mas és também do caos. Paradoxalmente, desejas o caos e a harmonia. As chamas e a anarquia. A bondade e a poesia. És feito da mesma matéria mas não és como eles. Às vezes, alguns e algumas aproximam-se de ti. Às vezes, há uma alegria no rosto delas. Uma alegria que não sabes explicar. Uma alegria que vem de dentro. Uma alegria que te faz subir. Assim como a música. A única amiga, a amiga íntima. É nisso que acreditas. Talvez isso seja Jesus, talvez seja Zaratustra. Como és divino. Como as palavras vêm ter contigo e te celebram. Como estás distante dos políticos e dos mercadores.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O BIG BROTHER E OS MACACOS

O BIG BROTHER


E OS MACACOS


António Pedro Ribeiro





"Big Brother is Watching You". George Orwell no seu esplendor.


Contas bancárias vigiadas, todos os passos vigiados, um fiscal em cada esquina.


Só falta pagar o ar.


À parte uns lampejos de liberdade controlada, que homem é este que estamos a criar?


Um homem servil, cheio de medo e, por isso, cheio de invejas e ressentimentos.


Um homem pessimista, niilista, o homem da "grande náusea face ao homem" que Nietzsche descreve magistralmente em "Para a Genealogia da Moral".


Um homem que não cresce, que não evolui, que se agarra á carteira e à moral do mercado e da mercearia.


Um homem mesquinho, pequeno, que se vai adaptando, que vai sobrevivendo, que vai vigiando e maldizendo os seus pares, que não suporta o homem livre, nobre, criador porque o inveja.


Chega mesmo ao ponto de se colocar ao lado daqueles que o roubam, que o saqueiam, que o empurram ainda mais para baixo.


Não, não é com um homem (e uma mulher) assim que construimos a vida.


Não é com macacos vigilantes e mercadores que chegamos às alturas.


www.freezone.pt

BAPTISTA-BASTOS

*A PÁTRIA NÃO É DE TODOS*




*«Na mesma ocasião em que Pedro Passos Coelho se reunia com vistoso grupo de economistas, uma das televisões quis saber o que pensam os portugueses da actual situação.Uns murmuraram a sua atroz ignorância, outros a sua melancólica indiferença. Até que uma mulher de idade avançada, com a
desconfiança pregada nos olhos e a sabedoria procedente de todas as agruras, respondeu: "Não acredito em nada nem em ninguém. Eles estão lá para se encher."*

*É o sentimento geral. A impotência associada à resignação; seja: o pior que pode acontecer a uma sociedade, abjurante das virtudes do civismo. Não é só o rotativismo de poder, disputado entre, apenas, dois partidos, que causa esta indolência moral. É a péssima qualidade intelectual dos políticos. É a clara evidência de que dividem o "bolo" entre eles, substituindo-se nas administrações, nos bancos, nas grandes empresas, aumentando os
vencimentos a seu bel-prazer, auferindo-se bónus e mordomias escandalosos. Vem nos jornais. Nada do que digo ou escrevo é resultado de qualquer rancor: factos são factos.*

*Pedro Passos Coelho ouviu, daqueles santos sábios, o que queria ouvir. E

eles também não queriam ou não sabiam dizer outra coisa. Isto anda tudo
ligado, e as relações políticas, entre aparentes adversários, são grandes

rábulas, alimentadas pelo embuste e pela mentira. Penso, no entanto, que
o presidente do PSD devia escutar vozes dissonantes, opiniões divergentes
que permitissem uma análise mais clara e acertada. Claro que não é só Passos Coelho que ouve o que deseja ouvir. Todos os outros dirigentes, Sócrates incluído, e na primeira linha, seguem a música de idêntica mazurca.*

*Os sábios que se reuniram com Passos Coelho são muitos daqueles que
pertenceram a governos execráveis, culpados de tudo o que de pior nos tem
acontecido. Quase todos eles detêm reformas de luxo, duas e três, e
atrevem-se a debitar, para as televisões, patrióticas lições salvíficas.
Uma vergonha! Um deles, com deficiências de fala e escuma aos cantos da boca, trabalhou seis meses no banco do Estado e recebe uma reforma vitalícia de três mil e seiscentos contos (moeda antiga) pelo denodado esforço desenvolvido. Cito-o com frequência por entender que o cavalheiro é o retrato típico de uma situação abominável.*

*Quem pode acreditar em gente deste jaez e estilo? Em gente
desavergonhada que tem, escancaradas, as televisões, para dizer sempre o mesmo, ou seja: coisa alguma de importante. Afinal, de que falaram os quase vinte sábios?

Com a soberba que os caracteriza, indicaram os mesmos remédios para a
superação da crise: cortes nas despesas da saúde, da educação, e da
previdência; rebaixamento de salários na função pública; acaso a supressão
do décimo terceiro mês; redução nas pensões, aumentos nos medicamentos.



É o pacote consuetudinário sugerido por quem, de facto, não dispõe de outras ideias e soluções que não sejam as do breviário neoliberal. A OCDE,
considerava "muito credível", veio rezar semelhante litania. E ai de quem a
desmonte! É logo considerado comunista ou afim. Um pouco de decência não faria mal.*

*Observe-se os rostos desta gente. Atente-se no que dizem, prometem,
formula. Não conseguem mobilizar ninguém, nem concentrar moções sentimentos, exactamente porque os não possuem. No começo da revolução de Abril, o Governo lançou um alerta e um apelo: Um Dia de Trabalho para a Nação. O País aceitou o pedido e a invocação. E foi um belo momento de unidade nacional, uma acção colectiva de patriotismo e de esperança absolutamente inesquecível. E só a má-fé ou a má consciência podem distorcer o que foi um extraordinário acontecimento político e social.*

*As frases daquela mulher, na televisão, ressoam como uma tragédia: "Não
acredito em nada nem em ninguém. Eles estão lá para se encher." E a
verdade é que o enriquecimento surpreendentemente rápido de muitos deles; a pesporrência arrogante da esmagadora maioria desses senhoritos é mais do que desacreditante: é sórdido.*

*Os jornais e as revistas, de vez em quando, publicam os nomes, os
rendimentos, as casas luxuosas, os iates, os carros topo de gama dos que
nos exigem sacrifícios, suor, renúncia, abnegação. Exigem mas não praticam.
E, se o fazem, as beliscaduras nas suas fortunas são tão delicadas, tão
suaves que eles nem dão por isso. Quando se tira a um reformado o mais escasso dos cêntimos as dificuldades que daí advêm são de tal monta, e as
consequências imediatas são terríveis.*

*Os sábios que foram dizer a Passos Coelho o que este, comovidamente,
queria ouvir, não estão ao lado de quem sofre e está na mó de baixo. A
indiferença nnca ocultada, a ganância jamais dissimulada, o luxo em tempo algum encoberto (bem pelo contrário) constituem eloquentes testemunhos da casta a que pertencem. Portugal continua a ser, como escreveu João de Barros, "país padrasto e pátria madrasta" - para muitos, bem entendido, e "ridentetor rão de malandros" [ Filinto Elísio, "Sátiras"] para os que se ajustam. »*


Por Baptista-Bastos.

domingo, 10 de outubro de 2010

DEPUTADO ESFOMEADO

Crise: Deputado esfomeado reivindica jantar na cantina da AR
O deputado do PS Ricardo Gonçalves gostava de ter a cantina da AR aberta ao jantar. Isto porque 3700€/mês que aufere "não dão para tudo". Fiquei com um "aperto no coração" ao ler isto.
Tiago Mesquita (www.expresso.pt)
9:00 Terça feira, 5 de Outubro de 2010



Pensava que nada me podia surpreender na política, mas eis que um deputado me acorda para a triste realidade: Portugal. O absurdo é o limite. O horizonte da estupidez ganha novos desígnios e contornos todo o santo dia. Ao deputado Ricardo Rodrigues dos gravadores junta-se agora o deputado Ricardo Gonçalves das refeições.

Se o primeiro meteu gravadores no bolso. Este afirma que o que lhe põem no bolso não chega para tudo, mesmo que seja um valor a rondar os 3700€/ mês. Uma miséria. "Se abrissem a cantina da Assembleia da República à noite, eu ia lá jantar. Eu e muitos outros deputados da província. Quase não temos dinheiro para comer" Correio da Manhã (vou fazer uma pausa para ir buscar uns kleenex...)

O corte de 5% nos salários irá obrigá-lo, como "deputado da província", a apertar o cinto e consequentemente o estômago, levando-o a sugerir com ironia mas com seriedade (!?) a abertura da cantina da AR para poder jantar. Uma espécie de Sopa dos Pobres mas sem pobres e sem vergonha. Só com políticos, descaramento e sopa.

"Tenho 60 euros de ajudas de custos por dia. Temos de pagar viagens, alojamento e comer fora. Acha que dá para tudo? Não dá" Valerá a pena acrescentar alguma coisa? Não me parece. Só dizer que as almôndegas que comi ao jantar não se vão aguentar no estômago durante muito tempo depois de ter feito copy/paste desta declaração

Mas continuando a dar voz ao Sr. Deputado: "Estamos todos a apertar o cinto, e os deputados são de longe os mais atingidos na carteira". Pois é, coitadinhos, andam todos a pão e água. Alguns são meninos para largar os bifes do Gambrinus.

Bem sabemos que os grandes sacrificados do novo pacote de austeridade do Governo vão ser os senhores deputados. Ninguém tinha dúvidas quanto a isto. E ajuda a explicar o "aperto de coração" que o Primeiro-Ministro sentiu ao ter de tomar estas "medidas duras". Sabia perfeitamente que ao fazê-lo estava a alterar os hábitos alimentares do Sr. Deputado Ricardo Gonçalves, o que é lamentável.

Que tal um regresso à província com o ordenado mínimo e um pacote senhas do Macdonalds? Ser deputado não é o serviço militar obrigatório. Pela parte que me toca de cidadão preocupado está dispensado. Não o quero ver passar necessidades.

Há quem sobreviva com pensões de valor equivalente a 4 dias de ajudas de custo do senhor deputado. Quem ganha o ordenado mínimo está habituado a privações, paciência. Agora com 3700€ por mês e 60€/dia de ajudas compreendo que seja mais difícil saber onde cortar. Podíamos começar por cortar na pouca-vergonha. Mas isso seria pedir demais.

sábado, 2 de outubro de 2010

AMIGOS, ESTAMOS DE VOLTA

Depois de mais de quatro meses de quase ausência devido à falta do computador de casa, estamos de volta. Esperamos que o Trip na Arcada de agora em diante seja um companheiro fiel. Esperamos também os vossos comentários, sugestões e críticas.

Abraço,
António Pedro Ribeiro.

O NOVO DO RUI MANUEL AMARAL

Este mês de Outubro vai estar nas melhores livrarias o novo livro do nosso amigo e companheiro Rui Manuel Amaral, "Doutor Avalanche" (Angelus Novus). Grande abraço, ó Amaral.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O NOVO DOS UHF


UHF ao vivo em Outubro
4 - 21:30 - Cine-Teatro - Lousã
14 - 15:00 - Teatro da Luz - Lisboa
22 - 22:30 - Latada Coimbra
29 - 21:30 - Auditório da Malaposta
30 - 21:30 - Auditório da Malaposta

"Porquê" novo Cd dos UHF nas lojas a 4 de Outubro: UHF em doze canções e uma pergunta: “Porquê?” Foram onze meses e meio de retiro numa vila alentejana, Vendas Novas, e todos os dias o caminho pela auto-estrada que rasga as planícies onduladas, um frio de rachar no Inverno e um calor estático no Verão. Houve tempo, em cada viagem diária, para meditar neste tempo que vivemos, no momento inseguro que cruzamos enquanto nação. Este disco é um manifesto atento, quando o artista tem consciência de que não pode ficar de fora. Será este um disco de intervenção? É, por certo, na linha de muitas canções que os UHF gravaram, de uma escola onde bebi influências, denso e sereno. Toca nas feridas, mas não guarda o queixume – aponta rumos. Quando as canções se entoam, os corações pulsam de emoção. Os doze episódios que integram este CD são o Best of de um lote que fomos gravando entre Junho de 2009 e Junho de 2010, entre o estúdio e a estrada: é, por tudo isto, um trabalho ambicioso e o maior investimento financeiro que alguma vez fizemos. Há momentos em que acreditamos muito, e este é um desses momentos. É uma afirmação política; tem o choro e a devoção do amor adulto; mantém a conversa entre os do palco e os da plateia. Vai da confissão sussurrada ao grito que a batida feroz sustenta. São dez originais e duas versões, e a reunião há muito desejada dos UHF com o técnico João Martins, responsável pelos últimos trabalhos de Da Weasel, Xutos & Pontapés e Baile Popular, com quem partilhei a produção. Tivemos a contribuição de alguns convidados. Entraram as prestações do Manuel Paulo (Hammond B3 em “A Última Prova”) e da Tuna Académica Universitária do Instituto Superior Técnico de Lisboa (coro maior em “Portugal – Somos Nós”). Como alguém me disse, depois de uma audição privada: “É um disco para ser tocado ao vivo”. Pois é, confessei.
António Manuel Ribeiro. Setembro de 2010

Assessoria de Imprensa Inha|Paula

http://www.myspace.com/uhfrock
http://www.uhfrock.com

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O BIG BROTHER E OS MACACOS

O BIG BROTHER E OS MACACOS



António Pedro Ribeiro



"Big Brother is Watching You". George Orwell no seu esplendor. Contas bancárias vigiadas, todos os passos vigiados, um fiscal em cada esquina. Só falta pagar o ar. À parte uns lampejos de liberdade controlada, que homem é este que estamos a criar? Um homem servil, cheio de medo e, por isso, cheio de invejas e ressentimentos. Um homem pessimista, niilista, o homem da "grande náusea face ao homem" que Nietzsche descreve magistralmente em "Para a Genealogia da Moral". Um homem que não cresce, que não evolui, que se agarra á carteira e à moral do mercado e da mercearia. Um homem mesquinho, pequeno, que se vai adaptando, que vai sobrevivendo, que vai vigiando e maldizendo os seus pares, que não suporta o homem livre, nobre, criador porque o inveja. Chega mesmo ao ponto de se colocar ao lado daqueles que o roubam, que o saqueiam, que o empurram ainda mais para baixo. Não, não é com um homem (e uma mulher) assim que construimos a vida. Não é com macacos vigilantes e mercadores que chegamos às alturas.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

ÀS VOLTAS, SEM CHETA

ÀS VOLTAS, SEM CHETA



António Pedro Ribeiro



Velhos conhecidos a deambular pelas ruas de Braga. Velhos conhecidos meus a cumprir o dia, às voltas, sem cheta. Da "Brasileira" à Arcada, da Arcada à "Brasileira", às voltas, sem cheta. Nos cafés já mal tolerados, às voltas, sem cheta. Por onde anda a dignidade humana, às voltas, sem cheta? Eis o que o mercado dá, às voltas, sem cheta? Que sociedade é esta que nega o homem, que o atira para a valeta? Quantos Sarkozis há por aí, quantos matam a vida, às voltas, sem cheta? À procura de um canto para dormir, às voltas, sem cheta. Pela cidade à deriva, às voltas, sem cheta. Quanto vales na Bolsa, às voltas, sem cheta? Porque não te fizeste à vidinha, às voltas, sem cheta? Porque não te adaptaste à máquina, às voltas, sem cheta? Quem fez este mundo, às voltas, sem cheta? Quem és tu hoje, às voltas, sem cheta?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

MANIFESTO POR UM PAÍS LIVRE DE POBRES

MANIFESTO POR UM PAÍS LIVRE DE POBRES

POBRES, NÃO! ESTRANGEIROS, NUNCA! ANARQUISTAS, JAMAIS!

Acabou, finalmente, a pobreza, a pedincha e a anarquia dos mesmos de sempre.
Nasce uma Nova Sociedade, inspirada pelo pequeno grande Sarkozy e regida pela ciência aritmética dos mercados, pelas inspiradas leis da indústria, comércio e finança!
Agora, todos os pobres, todos os estrangeiros, os anarquistas, iconoclastas, ateus, revoltosos e inadaptados terão um rumo a seguir. Criaremos novas normas, uma nação nova, leis que todos terão de seguir, de forma ordeira e exemplar, segundo o modelo 2177-A do Diário da Republica - IIª série. Os pobres, os estrangeiros, os anarquistas e os demais, serão examinados cuidadosamente nos Laboratórios da Direcção Geral dos Assuntos Fiscais, para avaliar do seu estado físico, mental e, sobretudo, financeiro.
Os que merecerem a aprovação dos Serviços serão devidamente normalizados, desinfectados e hermeticamente fechados!
O critério fundamental para a aprovação prende-se com a saúde financeira de cada espécimen, de acordo com as seguintes regras:
1 – Só é permitida a estadia em Portugal, aos estrangeiros com emprego, que não tenham dívidas de qualquer espécie, como por exemplo, renda de casa, merceeiro, água, luz, telefone, prestações de carro e electrodomésticos. Também incorrem em expulsão os indivíduos de nacionalidade estrangeira que procurem eximir-se ao pagamento do transporte colectivo, da quota do seu clube de futebol ou qualquer outro pagamento.
2- Todos os pobres nacionais que não tenham emprego, ou incorram em dívidas descritas no ponto 1, perderão a nacionalidade portuguesa.
3 – Não é permitida a estadia em Portugal a indivíduos sem nacionalidade definida.
4 – Todos os anarquistas, iconoclastas, ateus, revoltosos e inadaptados, serão submetidos a exames periódicos por parte do Observatório de Segurança.
5 – Todos os indivíduos referidos em 4, que não corresponderem aos parâmetros estabelecidos pelo Observatório de Segurança, particularmente por representarem um perigo para a ordem pública e a tranquilidade dos espíritos ou se revelarem pobres, perderão a nacionalidade portuguesa.
Todos os indivíduos que sejam expulsos do país, terão direito a uma passagem de avião, só de ida.
Os processos de expulsão democrática serão integrados num nível de gestão industrial, organizada e gerida como uma fábrica de enchidos!!!
Expulsões sim; mas muito humanas, com licença e autorização.
Expulsões, sim; mas homologadas pela ASAE e restantes organismos oficiais
Expulsemos os pobres, os heréticos, os anarquistas e demais espécimen deste tipo e marchemos, cantando e rindo, com as carteiras recheadas!
Mais uma vez daremos o exemplo ao mundo. Construiremos um mundo asséptico e inodoro, onde não cabem os pobres, os estrangeiros se forem pobres, e todos os revoltosos. Todos aqueles que não dão garantias de solvabilidade não interessam à nossa Pátria.
Todos terão de se submeter às leis supremas do mercado.
Só importam os úteis, produtivos e rentáveis!!!

DIRECÇÃO GERAL DA COLONIZAÇÃO DAS MENTES

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A DITADURA DAS MAIORIAS

A DITADURA DAS MAIORIAS




António Pedro Ribeiro




A democracia é a ditadura das maiorias.




A maior parte das vezes a maioria vem do homem pequeno, do rebanho, daquele que teme a solidão, por isso tende a imbecilizar-se. O homem da maioria vai normalmente atrás do rebanho. Teme ficar mal visto pelo grupo, pela maioria. Segue as opiniões dominantes, as opiniões do tem que ser, da maioria.


Já pouco nos atrai na democracia, na partidocracia.


Defendemos, como Platão, um governo de filósofos. Um governo de homens e mulheres justos, eticamente irrepreensíveis, sábios.


Nada vemos disso nos governos de hoje, por isso temos o que temos: corrupção, charlatanice, prepotência, mercearia, imbecilidade.


Já pouco nos diz a democracia.


Os partidos, mesmo os de esquerda, permanecem ancorados à economia, à linguagem redutora da economia, isto é, ao mercado e à mercearia.


Nada dizem de substancialmente novo, de elevado, de sublime.


Aspiram à maioria.


Tentam convencer o rebanho.


Nada mais.


Nós, caminheiros da solidão, não somos deles.


Nunca poderíamos ser como eles.


in www.freezone.pt