sábado, 2 de outubro de 2010

O NOVO DO RUI MANUEL AMARAL

Este mês de Outubro vai estar nas melhores livrarias o novo livro do nosso amigo e companheiro Rui Manuel Amaral, "Doutor Avalanche" (Angelus Novus). Grande abraço, ó Amaral.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O NOVO DOS UHF


UHF ao vivo em Outubro
4 - 21:30 - Cine-Teatro - Lousã
14 - 15:00 - Teatro da Luz - Lisboa
22 - 22:30 - Latada Coimbra
29 - 21:30 - Auditório da Malaposta
30 - 21:30 - Auditório da Malaposta

"Porquê" novo Cd dos UHF nas lojas a 4 de Outubro: UHF em doze canções e uma pergunta: “Porquê?” Foram onze meses e meio de retiro numa vila alentejana, Vendas Novas, e todos os dias o caminho pela auto-estrada que rasga as planícies onduladas, um frio de rachar no Inverno e um calor estático no Verão. Houve tempo, em cada viagem diária, para meditar neste tempo que vivemos, no momento inseguro que cruzamos enquanto nação. Este disco é um manifesto atento, quando o artista tem consciência de que não pode ficar de fora. Será este um disco de intervenção? É, por certo, na linha de muitas canções que os UHF gravaram, de uma escola onde bebi influências, denso e sereno. Toca nas feridas, mas não guarda o queixume – aponta rumos. Quando as canções se entoam, os corações pulsam de emoção. Os doze episódios que integram este CD são o Best of de um lote que fomos gravando entre Junho de 2009 e Junho de 2010, entre o estúdio e a estrada: é, por tudo isto, um trabalho ambicioso e o maior investimento financeiro que alguma vez fizemos. Há momentos em que acreditamos muito, e este é um desses momentos. É uma afirmação política; tem o choro e a devoção do amor adulto; mantém a conversa entre os do palco e os da plateia. Vai da confissão sussurrada ao grito que a batida feroz sustenta. São dez originais e duas versões, e a reunião há muito desejada dos UHF com o técnico João Martins, responsável pelos últimos trabalhos de Da Weasel, Xutos & Pontapés e Baile Popular, com quem partilhei a produção. Tivemos a contribuição de alguns convidados. Entraram as prestações do Manuel Paulo (Hammond B3 em “A Última Prova”) e da Tuna Académica Universitária do Instituto Superior Técnico de Lisboa (coro maior em “Portugal – Somos Nós”). Como alguém me disse, depois de uma audição privada: “É um disco para ser tocado ao vivo”. Pois é, confessei.
António Manuel Ribeiro. Setembro de 2010

Assessoria de Imprensa Inha|Paula

http://www.myspace.com/uhfrock
http://www.uhfrock.com

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O BIG BROTHER E OS MACACOS

O BIG BROTHER E OS MACACOS



António Pedro Ribeiro



"Big Brother is Watching You". George Orwell no seu esplendor. Contas bancárias vigiadas, todos os passos vigiados, um fiscal em cada esquina. Só falta pagar o ar. À parte uns lampejos de liberdade controlada, que homem é este que estamos a criar? Um homem servil, cheio de medo e, por isso, cheio de invejas e ressentimentos. Um homem pessimista, niilista, o homem da "grande náusea face ao homem" que Nietzsche descreve magistralmente em "Para a Genealogia da Moral". Um homem que não cresce, que não evolui, que se agarra á carteira e à moral do mercado e da mercearia. Um homem mesquinho, pequeno, que se vai adaptando, que vai sobrevivendo, que vai vigiando e maldizendo os seus pares, que não suporta o homem livre, nobre, criador porque o inveja. Chega mesmo ao ponto de se colocar ao lado daqueles que o roubam, que o saqueiam, que o empurram ainda mais para baixo. Não, não é com um homem (e uma mulher) assim que construimos a vida. Não é com macacos vigilantes e mercadores que chegamos às alturas.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

ÀS VOLTAS, SEM CHETA

ÀS VOLTAS, SEM CHETA



António Pedro Ribeiro



Velhos conhecidos a deambular pelas ruas de Braga. Velhos conhecidos meus a cumprir o dia, às voltas, sem cheta. Da "Brasileira" à Arcada, da Arcada à "Brasileira", às voltas, sem cheta. Nos cafés já mal tolerados, às voltas, sem cheta. Por onde anda a dignidade humana, às voltas, sem cheta? Eis o que o mercado dá, às voltas, sem cheta? Que sociedade é esta que nega o homem, que o atira para a valeta? Quantos Sarkozis há por aí, quantos matam a vida, às voltas, sem cheta? À procura de um canto para dormir, às voltas, sem cheta. Pela cidade à deriva, às voltas, sem cheta. Quanto vales na Bolsa, às voltas, sem cheta? Porque não te fizeste à vidinha, às voltas, sem cheta? Porque não te adaptaste à máquina, às voltas, sem cheta? Quem fez este mundo, às voltas, sem cheta? Quem és tu hoje, às voltas, sem cheta?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

MANIFESTO POR UM PAÍS LIVRE DE POBRES

MANIFESTO POR UM PAÍS LIVRE DE POBRES

POBRES, NÃO! ESTRANGEIROS, NUNCA! ANARQUISTAS, JAMAIS!

Acabou, finalmente, a pobreza, a pedincha e a anarquia dos mesmos de sempre.
Nasce uma Nova Sociedade, inspirada pelo pequeno grande Sarkozy e regida pela ciência aritmética dos mercados, pelas inspiradas leis da indústria, comércio e finança!
Agora, todos os pobres, todos os estrangeiros, os anarquistas, iconoclastas, ateus, revoltosos e inadaptados terão um rumo a seguir. Criaremos novas normas, uma nação nova, leis que todos terão de seguir, de forma ordeira e exemplar, segundo o modelo 2177-A do Diário da Republica - IIª série. Os pobres, os estrangeiros, os anarquistas e os demais, serão examinados cuidadosamente nos Laboratórios da Direcção Geral dos Assuntos Fiscais, para avaliar do seu estado físico, mental e, sobretudo, financeiro.
Os que merecerem a aprovação dos Serviços serão devidamente normalizados, desinfectados e hermeticamente fechados!
O critério fundamental para a aprovação prende-se com a saúde financeira de cada espécimen, de acordo com as seguintes regras:
1 – Só é permitida a estadia em Portugal, aos estrangeiros com emprego, que não tenham dívidas de qualquer espécie, como por exemplo, renda de casa, merceeiro, água, luz, telefone, prestações de carro e electrodomésticos. Também incorrem em expulsão os indivíduos de nacionalidade estrangeira que procurem eximir-se ao pagamento do transporte colectivo, da quota do seu clube de futebol ou qualquer outro pagamento.
2- Todos os pobres nacionais que não tenham emprego, ou incorram em dívidas descritas no ponto 1, perderão a nacionalidade portuguesa.
3 – Não é permitida a estadia em Portugal a indivíduos sem nacionalidade definida.
4 – Todos os anarquistas, iconoclastas, ateus, revoltosos e inadaptados, serão submetidos a exames periódicos por parte do Observatório de Segurança.
5 – Todos os indivíduos referidos em 4, que não corresponderem aos parâmetros estabelecidos pelo Observatório de Segurança, particularmente por representarem um perigo para a ordem pública e a tranquilidade dos espíritos ou se revelarem pobres, perderão a nacionalidade portuguesa.
Todos os indivíduos que sejam expulsos do país, terão direito a uma passagem de avião, só de ida.
Os processos de expulsão democrática serão integrados num nível de gestão industrial, organizada e gerida como uma fábrica de enchidos!!!
Expulsões sim; mas muito humanas, com licença e autorização.
Expulsões, sim; mas homologadas pela ASAE e restantes organismos oficiais
Expulsemos os pobres, os heréticos, os anarquistas e demais espécimen deste tipo e marchemos, cantando e rindo, com as carteiras recheadas!
Mais uma vez daremos o exemplo ao mundo. Construiremos um mundo asséptico e inodoro, onde não cabem os pobres, os estrangeiros se forem pobres, e todos os revoltosos. Todos aqueles que não dão garantias de solvabilidade não interessam à nossa Pátria.
Todos terão de se submeter às leis supremas do mercado.
Só importam os úteis, produtivos e rentáveis!!!

DIRECÇÃO GERAL DA COLONIZAÇÃO DAS MENTES

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A DITADURA DAS MAIORIAS

A DITADURA DAS MAIORIAS




António Pedro Ribeiro




A democracia é a ditadura das maiorias.




A maior parte das vezes a maioria vem do homem pequeno, do rebanho, daquele que teme a solidão, por isso tende a imbecilizar-se. O homem da maioria vai normalmente atrás do rebanho. Teme ficar mal visto pelo grupo, pela maioria. Segue as opiniões dominantes, as opiniões do tem que ser, da maioria.


Já pouco nos atrai na democracia, na partidocracia.


Defendemos, como Platão, um governo de filósofos. Um governo de homens e mulheres justos, eticamente irrepreensíveis, sábios.


Nada vemos disso nos governos de hoje, por isso temos o que temos: corrupção, charlatanice, prepotência, mercearia, imbecilidade.


Já pouco nos diz a democracia.


Os partidos, mesmo os de esquerda, permanecem ancorados à economia, à linguagem redutora da economia, isto é, ao mercado e à mercearia.


Nada dizem de substancialmente novo, de elevado, de sublime.


Aspiram à maioria.


Tentam convencer o rebanho.


Nada mais.


Nós, caminheiros da solidão, não somos deles.


Nunca poderíamos ser como eles.


in www.freezone.pt

O HOMEM DA LIBERDADE

António Pedro Ribeiro




O homem da liberdade percorre a cidade em busca da luz. O homem da liberdade percorre a idade em busca do amor.


O homem da liberdade tornou-se naquele que é. O homem da liberdade cansa-se da conversa rotineira dos outros homens. O homem da liberdade quer novos homens, novas conversas.


O homem da liberdade percorre a cidade e as ideias vêm. O homem da liberdade percorre a liberdade.


O homem da liberdade não vê a liberdade no homem, sobretudo naquele que lhe está mais próximo. O homem da liberdade mesmo assim acredita no homem, no homem que não está completamente perdido. O homem da liberdade não quer saber que muitos dos outros homens não queiram saber dos seus escritos.


O homem da liberdade percorre a cidade em busca da liberdade. O homem da liberdade é da cidade mesmo que a cidade o não o compreenda.


O homem da liberdade faz do dias um novo começo. O homem da liberdade não quer o mesmo que os outros homens.


O homem da liberdade fica a noite inteira no jardim com a Carlinha. O homem da liberdade não tem medo da noite.


O homem da liberdade olha a mulher e deseja-a mas não tem as preocupações do homem comum. O homem da liberdade saúda o homem comum mas não o segue. O homem da liberdade não trabalha como o homem comum. O homem da liberdade não é como o homem comum e o homem comum sabe-o. O homem comum, no fundo, inveja o homem da liberdade. O homem comum inveja a liberdade e o desprendimento do homem da liberdade.


O homem da liberdade não é da realidade, é da liberdade.


O homem da liberdade dispensaria perfeitamente os pagamentos e o dinheiro.


O homem da liberdade é deste mundo mas não é deste mundo. O homem da liberdade vive aquilo que é e aquilo que escreve.


O homem da liberdade não está morto nem velho. O homem da liberdade não envelhece.


O homem da liberdade está satisfeito consigo mesmo mas quer ainda mais.


O homem da liberdade não aparece no Telejornal nem está preocupado com isso.


O homem da liberdade está e não está dentro do fogo. O homem da liberdade é o fogo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

NO FRATERNIZAR

Novo Livro do Apocalipse ou da Revelação

segundo ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO, Poeta



São três Textos-Poema. Em forma de prosa.

Chegaram-me por mail. Numa primeira reacção à leitura do Livro.

Ao seu Autor, só dias de­­pois o vi num recital de Poesia e o abracei pela 1.ª vez!



Caro padre Mário,
o seu livro e o seu Jesus inspiraram-me este texto.
Um grande abraço.



NEM SEQUER

PRECISO DE DEUS
Escrevo. São seis da madrugada. Não consigo dormir. Escrevo o que vem do coração. Sou Jesus. Sou Morrison. Sou Nietzsche. Amo a Humanidade. A Humanidade despojada de Poder e de Dinheiro. O meu único poder é o poder da palavra. Ultimamente tenho feito os outros rir. Se calhar, tenho de virar o disco. Cantar o caos e o amor. Este será um grande dia. Se não adormecer entretanto percorrerei as ruas de Braga manhã cedo. Percorrerei as ruas de Braga em busca de glória. Percorrerei as ruas de Braga e amarei o humano dos homens e das mulheres. O humano que resta nos corações dos homens e das mulheres. E levarei comigo o padre Mário. O livro do padre Mário, Novo Livro do Apocalipse ou da Revelação, faz-me renascer como o Plexus, de Henry Miller. Já não sou o mesmo. Tenho mesmo uma missão na Terra. Escreverei livros e levarei a mensagem seja onde for. “Queimai o Dinheiro” já é um sinal, “Da Merda até Deus” será outro. Mas tenho de publicar as minhas prosas. Neste tom profético que já tem sido publicado na Voz da Póvoa. Acredito no Homem, sou forçado a acreditar no Homem como Che Guevara acreditava. Não tenho nada a perder. Este é o caminho que tenho de seguir. Não há aqui dogmas, não há meias-palavras, não há cedências ao capitalismo ou ao Grande Irmão. Eu, António Pedro Ribeiro, 41 anos, renasço esta madrugada. Abençoado pela luz do padre Mário Oliveira. Abençoado pelo palco e pelos aplausos. Fascinado pela demanda do Graal, que é a mulher, que é Madalena. Eu, António Pedro Ribeiro, 41 anos, declaro-me revolucionário, filho das flores e do Maio de 68. Amante da Paz e da Liberdade. Poeta do caos e do amor. Profeta da rebeldia.
Estou em Braga e este é um dia triunfal, um dos mais felizes da minha vida. Tenho apenas uns trocos mas sou feliz. Abençoado por Zaratustra e pelos pássaros da manhã. Sou a criança sábia. Estou a regressar á infância. Não tenho de fazer pactos com a social-democracia nem com os Sócrates deste mundo. Não tenho de me ajoelhar diante do grande capital ou dos senhores do dinheiro. Sou um homem livre. Escrevo o que quero. Assumo o que quero. Sou o que quero. Nem sequer preciso de Deus, caro padre Mário. Basta-me o Jesus que expulsou os vendilhões do templo. Expulsar os vendilhões do templo, é isso que temos de fazer agora. Expulsar os senhores do dinheiro, do poder e da vida. Expulsá-los da vida. Eis a nossa missão na Terra. Demandar o Graal, o sagrado feminino, o amor das mulheres. Não devemos nada a ninguém. Entraremos na casa das pessoas como Jesus e Sócrates [o filósofo grego]. Sem dinheiro. Somos deuses. Comportamo-nos como reis no mundo do dinheiro, da intriga, da mercearia. Não podemos ser iguais aos outros. Nascemos de graça, na graça do divino. Nascemos e vivemos na dádiva, no coração, no espírito. Somos absolutamente livres. Amamos a eternidade do instante. Por isso, às vezes somos doidos, completamente fora. Não temos limites. Não somos formatados pela tradição ou pelo medo. Dançamos na corda-bamba de Nietzsche. Provocamos como Debord, como os surrealistas, como os dadaístas. Gozamos com o quotidiano imbecil dos outros porque queremos provocá-los, trazer-lhes a luz. E é a luz que vemos neste momento. A luz que queremos trazer aos outros, aos que ainda não estão completamente mortos para a vida. É a vida que queremos, não a vidinha das trocas, do mercado e do tédio. Sentimo-nos iluminados mas não somos mais do que os outros. Apenas diferentes. E exigimos sermos respeitados como tal. Somos do mundo. Deste mundo e não do outro. Profundamente deste mundo. “Humanos, Demasiado Humanos”. Desde a infãncia que pensamos mais do que os outros, que questionamos mais do que os outros, que observamos a realidade mais do que os outros. Nascemos com um dom. Já atravessamos muitos desertos, muitas idades de dor mas agora estamos curados. Estamos de volta à Idade do Ouro dos anos 80 e 90. Mas mais sábios, mais purificados, mais livres. Estamos prontos para enfrentar a cidade. Chegamos à idade de passar a mensagem. Este é o poema. O poema em prosa que há muito queríamos escrever. O poema bendito e maldito. O início do novo livro. O livro que pretende mudar a face da Terra. O livro que se dirige ao mundo. O livro que escrevo com o meu próprio sangue.



JESUS E O SUPER-HOMEM

Poderia acreditar num Jesus como o do padre Mário. Um Jesus que rejeita a Religião e a Igreja, que rejeita as hierarquias da Igreja. Poderia acreditar num Jesus que, como Nietzsche, rejeita o Deus do sacrifício, da submissão, da não-vida. Poderia acreditar num Jesus que, como Vaneigem, se opõe ao Deus-dinheiro e ao Poder. Num Jesus que rejeita o Deus do Templo, a confissão e as missas. Poderia acreditar nesse Jesus rebelde, insubmisso, que acredita na Humanidade e na transformação da sociedade. Um Jesus ao lado dos injustiçados, dos pobres, dos que nada têm, que rejeita a opulência das Igrejas. Um Jesus revolucionário que está pela Paz, desarmado, contra as guerras. Poderia acreditar num Jesus que promove a bondade e o humano. Poderia acreditar nesse Jesus. Mas hesito. Sou céptico. Tenho dúvidas. No entanto, essa ideia de um Jesus anti-capitalista que combate a idolatria do Dinheiro e do Poder não deixa de me atrair. Essa ideia de um Jesus a expulsar os vendilhões do templo. Essa ideia de que todos podemos ser Jesus. É claro que Nietzsche dizia que Jesus foi o único dos cristãos. É claro que Nietzsche diz que o homem pode superar-se: passar sucessivamente de camelo, a leão e a criança. Que pode tornar-se um deus, o super-homem. Mas não estaremos a falar da mesma coisa?



O NOVO HOMEM

O capitalismo é maléfico na sua essência. O capitalismo, alicerçado na trindade Poder/Dinheiro/Religião, como diz o padre Mário de Oliveira, é um sistema que nos converte em máquinas de compra e venda, em mercadorias, que destrói o que há de mais profundamente humano em nós. O capitalismo rouba-nos a vida. Torna-nos macacos a trepar para cima de outros macacos em busca da banana, do tacho, do dinheiro, do lucro, como diz Nietzsche. É tempo de dizer que não viemos ao mundo para isto. Não viemos ao mundo para o tédio ou para a fome. O homem não é, não pode ser troca ou mercado. O homem veio ao mundo gratuitamente, veio em busca da liberdade, do amor, da Verdade. Como é possível que nos tenhamos deixado descer tão baixo? Somos homens ou somos ratos? O que é que o império da finança, dos bancos, das bolsas e do poder nos dá? Tédio, fome e morte. É tempo de reagir. Destruamos o capitalismo pedra a pedra. Acabemos com todas as formas de idolatria e alienação. Só assim nascerá o novo homem, profundamente humano, imensamente livre.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O problema mais profundo da cultura é o da criação da nossa humanidade por nós próprios.
(Jean Lacroix, "Crise da Democracia, Crise da Civilização")

HENRY MILLER

Nenhuma mulher pode resistir à dádiva do amor absoluto.

terça-feira, 27 de julho de 2010

vive l' anarchie!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Terás as mulheres que quiseres. O novo mundo é teu. Goza-o!

Fala com os jovens e com as crianças. Passa-lhes a palavra. Sê tu próprio. Torna-te naquele que és.


Cheios de dinheiro e de posses e o cérebro e o coração cheios de nada.

Podes, de facto, ser um profeta.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

POESIA DE CHOQUE

António Pedro Ribeiro e Luís Carvalho apresentam mais uma sessão de POESIA DE CHOQUE na próxima quinta, 15, pelas 22h no Clube Literário do Porto. A poesia a abrir e a arder uma vez mais. Actuação musical dos Bella Damião.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

DO GRANDE POETA

DO GRANDE POETA



António Pedro Ribeiro





Os grandes poetas são magos, são xamãs.


Vivem a experiência do "desregramento dos sentidos", como dizia Rimbaud.


Vivem desesperadamente o instante. Para compensar o grande tédio da existência quotidiana vivem uma vida interior riquíssima, intensíssima. Vivem uma embriaguez permanente mesmo quando estão parados à mesa ou ao balcão.


Passam do céu ao inferno, do inferno ao céu numa só tarde como se dizia de Rimbaud e de Baudelaire. Vão beber cervejas ao inferno, como dizia Cesariny de Rimbaud, e regressam.


O cidadão comum cruza-se com eles mas raramente os compreende.


Aproxima-se dele quando ele vai beber cervejas. Mas não o acompanha ao inferno.


Não é capaz. Teme o inferno, teme descer às profundezas de si mesmo.


Mas há qualquer coisa nas mulheres, em certas mulheres, que as aproxima do poeta.


Qualquer coisa que não é troco nem troca, qualquer coisa que se aproxima de Deus, da ideia de Deus, do amor enquanto divindade.


É certo que também há homens, amigos, companheiros que se aproximam do poeta. Que bebem copos com ele mas que não podem acompanhá-lo ao inferno. Nem sequer alguns que se dizem poetas, escritores, diseurs.


Até podem ter a retórica mas falta-lhes o fogo.


Jamais conseguirão criar nas condições em que o faz o poeta.


Não é uma questão de jogos de palavras. Não é uma questão de acertar na palavrinha.


É uma questão de vivência, de contacto com o fogo da criação.


É uma questão de jogar o jogo da loucura.


De não ter medo de ir atrás da loucura como se vai atrás do inferno.


De não ir atrás das conveniências e do senso comum.


De ser infinito dentro do finito.


In FREEZONE