quinta-feira, 6 de maio de 2010

MANIFESTO DA CANDIDATURA DE ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


MANIFESTO DA CANDIDATURA DE ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

O poeta António Pedro Ribeiro, aderente nº 346 do Bloco de Esquerda, declara-se candidato à Presidência da República, com o apoio do Partido Surrealista Situacionista Libertário. A candidatura será apresentada no bar Púcaros, no Porto (Âlfandega) na próxima quarta, dia 12, pelas 23,30 h.


Numa era em que o mercado, a bolsa e as agências de rating comandam tudo. Numa era em que o Presidente e o Governo se limitam às contas de mercearia. Numa era em que a revolução alastra na Grécia. Numa era em que os diversos poderes nos reduzem à condição de mercadoria. Numa era em que a economia é uma treta. Numa era em que a dignidade humana percorre as ruas da amargura. Numa era em que o país só anda à batatada por causa da bola. Numa era em que a moeda cai. Numa era em que no meio do caos se faz o Carnaval. Numa era em que "a revolta torna a crise passageira". Numa era em que o melhor governo é não existir governo nenhum. Numa era em que a esmagadora maioria dos políticos mete nojo. Eu, António Pedro Ribeiro, 41 anos, declaro-me candidato à Presidência da República.
Numa era em que o tédio reina. Em que as lutas pelo poleiro já enfadam. Numa era em que começamos a ficar fartos do paleio da norma. Numa era em que já não há pachorra para as conversas da corte e para as falinhas mansas. Numa era em que o futuro se faz agora. Eu, António Pedro Ribeiro, 41 anos, declaro-me candidato à Presidência da República.


António Pedro Ribeiro ou A. Pedro Ribeiro é autor dos livros "Um Poeta no Piolho" (Corpos, 2009), "Queimai o Dinheiro" (Corpos, 2009), "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll- três edições-Pirata, 2004) e "À Mesa do Homem Só. Estórias" (Silêncio da Gaveta, 2001). É diseur e performer, tendo actuado duas vezes no Festival de Paredes de Coura em 2006 e 2009 (esta com a banda Mana Calórica) e nas "Quintas de Leitura" do Teatro Campo Alegre no Porto em 2009. Nasceu no Porto em Maio de 1968, viveu em Braga, e actualmente reside em Vilar do Pinheiro (Vila do Conde).

Com os melhores cumprimentos,

António Pedro Ribeiro
tel. 965045714
Serafim Morcela

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http://tripnaarcada.blogspot.com

SOIS MESMO CABRÕES


Os cortes no subsídio de desemprego que o Governo se prepara para aprovar já afectarão os beneficiários que recebem subsídios próximos dos 516 euros. Helena André não diz qual a poupança obtida com as novas regras

(Miguel Manso / arquivo)
Só os subsídios mais baixos e os mais altos vão escapar à nova regra que impede que a prestação ultrapasse os 75 por cento do salário líquido que o desempregado tinha no activo. Já as medidas que reduzem o salário oferecido aos desempregados afectarão a generalidade dos desempregados.

As medidas foram ontem confirmadas pela ministra do Trabalho, Helena André, no final da derradeira reunião com os representantes das confederações patronais e sindicais que terminou sem qualquer acordo. Apenas a Confederação do Comércio, o único patrão que falou depois do encontro, deu o seu "acordo de princípio". Dos sindicatos, UGT e principalmente CGTP, ouviram-se críticas à intransigência do Governo.

Os novos beneficiários do subsídio de desemprego passarão a ter de contar com um novo limite ao valor do seu subsídio, que poderá conduzir a cortes no valor da prestação próximos dos 15 por cento (ver caixa).

A própria ministra reconheceu, no final do encontro com os parceiros sociais, que o novo tecto terá impactos negativos. "Sabemos que alterar as regras do subsídio de desemprego num momento de crise implica que haja consequências menos positivas para alguns dos beneficiários, mas todos temos a consciência de que estamos sob observação [das instituições internacionais]", adiantou.

Mas as alterações não se ficam por aqui. Os desempregados vão ter que trabalhar por menos dinheiro, devido à conjugação de duas das medidas mais polémicas que o Governo apresentou aos parceiros sociais. Assim, e caso o diploma do Ministério do Trabalho passe no crivo dos deputados, os desempregados serão obrigados a aceitar um trabalho no primeiro ano de desemprego que lhes ofereça um salário igual ao subsídio, acrescido de dez por cento. Até aqui, apenas era considerado emprego conveniente (ou seja, um trabalho que o desempregado não podia recusar) o que nos primeiros seis meses oferecesse um salário igual ao subsídio de desemprego acrescido de 25 por cento. Ora como o montante do subsídio se reduzirá para a maioria dos desempregados, a bitola será sempre mais baixa.

Por exemplo, um desempregado que agora recebia um subsídio de 676 euros, seria obrigado a aceitar um trabalho que lhe propusesse, nos primeiros seis meses de desemprego, um salário de 845 euros. Com as novas regras, que o Governo não disse se se aplicam aos actuais desempregados ou só aos novos, teria que trabalhar por 702,5 euros brutos.

Só os desempregados que agora recebem pelo limite mínimo, 419,22 euros, sairão a ganhar, já que a remuneração oferecida nunca pode ser inferior ao salário mínimo de 475 euros (superior aos 461 euros que resultam da aplicação da nova fórmula).

Ontem, a ministra do Trabalho manteve o tabu sobre o impacto financeiro de todas estas alterações. Confrontada com a estimativa - divulgada pelos sindicatos no final da reunião - de uma poupança de 40 milhões de euros este ano, Helena André voltou a frisar que a revisão da lei não tem como objectivo a poupança, mas incentivar o rápido regresso dos desempregados à vida activa.

Ontem foi publicado o diploma que durante este ano permite uma majoração de 20 por cento do valor do subsídio de desemprego aos casais em que ambos estão desempregados. Esta medida atenua, nestes casos, as medidas agora propostas.

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ENGELS


CLASSES SOCIAIS NECESSÁRIAS E SUPÉRFLUAS


Frequentemente põe-se a questão de saber em que medida as diferentes classes da sociedade são úteis, ou mesmo indispensáveis. A resposta é diferente, evidentemente, para cada período histórico. Houve indubitavelmente um tempo em que a aristocracia fundiária foi um elemento inelutável e necessário da sociedade. Mas, isso foi há muito tempo, mesmo muito tempo. Depois veio a época em que a classe capitalista - a burguesia, como lhe chamam os franceses - surgiu com uma necessidade igualmente inelutável: ela lutou contra a aristocracia fundiária, cujo poder político destruiu para conquistar por seu lado a hegemonia económica e política. Contudo, desde que existem classes, nunca existiu nenhuma época em que a sociedade pudesse passar sem a classe operária. O nome e o estatuto social desta classe mudaram: o servo substituiu o escravo, até que o trabalhador livre o substituiu a ele (por trabalhador livre, deve entender-se o trabalhador libertado da servidão e desprovido de qualquer propriedade neste mundo, à excepção da sua força de trabalho).



Portanto uma coisa é inteiramente clara: quaisquer que sejam as mudanças que se possam produzir entre as camadas superiores, não produtivas, da sociedade, nenhuma sociedade puderam até agora viver sem uma classe de produtores. Uma tal classe é, portanto, necessária em todas as circunstâncias - mesmo que venha a haver um tempo em que já não exista sob a forma de classe, mas se estenda a totalidade da sociedade.



Contudo, que necessidade há hoje em dia para a existência de cada uma destas três classes?



No mínimo é um eufemismo dizer que na Inglaterra a aristocracia fundiária é uma classe inútil no plano económico, quando se tornou num cancro que corrói a Irlanda e a Escócia, cujas terras e campos despovoa. O único mérito que podem reivindicar os proprietários fundiários da Irlanda e da Escócia é o de provocar fomes que escorraçam os expropriados para o outro lado do Atlântico ou para outras paragens, substituindo-os por carneiros ou caça (…)



Mas o que dizer da classe capitalista, essa classe esclarecida e liberal que fundou o Império colonial britânico e criou a liberdade britânica; essa classe que reformou o Parlamento em 1831 (1), aboliu as leis anti-cerealíferas e reduziu as taxas aduaneiras umas atrás das outras; essa classe que deu vida às gigantescas empresas industriais, a uma imensa frota comercial e à rede ferroviária cada vez mais extensa da Inglaterra, e continua a dirigir tudo isso? Essa classe não é pelo menos tão necessária como a classe operária, que ela dirige e que conduz de progresso em progresso?



A função económica da classe capitalista residia efectivamente no facto de ter criado o moderno sistema das indústrias movidas a vapor e dos meios de comunicação, e de ter varrido do seu caminho todos os obstáculos económicos e políticos que travavam ou impediam o desenvolvimento desse sistema. Enquanto a classe capitalista desempenhou essa função, era indubitavelmente uma classe necessária, dadas as circunstâncias mencionadas. Mas a questão consiste em saber se actualmente ela ainda é necessária. Continuará a desempenhar a sua função específica, que consiste em dirigir e alargar a produção social em proveito de toda a sociedade? Vejamos isso mais de perto.



Consideremos, em primeiro lugar, os meios de comunicação, que representam a infra-estrutura do modo de produção capitalista. Constatamos que o telégrafo se encontra nas mãos do governo. Os caminhos-de-ferro assim como uma grande parte dos vapores de alto-mar não são propriedade de capitalistas individuais, que dirigem a sua própria empresa, mas sim de sociedades por acções, cuja gestão está confiada a empregados assalariados os quais são funcionários que ocupam, sob todos os pontos de vista, a posição de trabalhadores mais cultos e mais bem pagos que a média.



No que diz respeito aos directores e accionistas, ambos sabem perfeitamente que o trust funciona tanto melhor se os primeiros não se intrometerem na direcção da empresa e se os segundos não se imiscuírem no controlo dos negócios. De facto, um controlo muito frouxo e a maior parte das vezes superficial é a única função que resta aos proprietários da empresa. Deste modo, constatamos que os proprietários capitalistas destas gigantescas empresas não têm nenhuma função a preencher além da que consiste em embolsar duas vezes por ano os seus dividendos. A função social do capitalista passou neste caso para as mãos de agentes remunerados, enquanto o capitalista continua a embolsar, sob a forma de dividendos, a remuneração pelas funções que há muito tempo deixou de exercer.

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quarta-feira, 5 de maio de 2010

NOTÍCIAS DE ATENAS

Polícia de Atenas em "estado de alerta geral" devido a onda de violência
Atenas, 05 mai (Lusa) - A Polícia de Atenas foi colocada em "estado de alerta geral" devido à onda de violência que provocou hoje a morte de três pess...



Polícia de Atenas em "estado de alerta geral" devido a onda de violência
Atenas, 05 mai (Lusa) - A Polícia de Atenas foi colocada em "estado de alerta geral" devido à onda de violência que provocou hoje a morte de três pessoas no centro da capital grega, disse uma fonte policial à agência AFP.

Duas mulheres e um homem morreram num incêndio numa sucursal bancária do centro de Atenas, que foi atingida por 'cocktails' molotov lançados por jovens encapuzados à margem de uma manifestação, segundo os bombeiros.

O incêndio foi extinto por duas dezenas de bombeiros, apoiados por vários veículos, segundo a mesma fonte.

Dois edifícios administrativos também no centro de Atenas foram entretanto incendiados também com 'cocktails' molotov. Num dos edifícios funciona uma repartição de finanças, no outro serviços municipais, segundo a polícia e os bombeiros.

Atenas é hoje palco de uma manifestação - cerca de 30 000 pessoas ao princípio da tarde, segundo a polícia - organizada no âmbito da greve geral convocada pelas grandes centrais sindicais gregas contra as medidas de austeridade aprovadas pelo governo socialista grego.

SCA/MDR.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Fim

RIBEIRO NO JN


Livros
0 poeta no seu habitat natural
SÉRGIO ALMEIDA
sergio@jn.pt

Encontrar num real tantas vezes agreste elementos poéticos que concretizam uma aliança improvável entre o belo e o abjecto é o desafio que norteia os escritos de A. Pedro Ribeiro, cujo mais recente livro de poesia é um tributo ao Piolho, emblemático café portuense que celebra um século de existência. Se, como dizia Oscar Wilde, "estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas", há que saudar os que,como o autor de "Declaração de amor ao primeiro-ministro", mantêm um olhar inaugural sobre as coisas,um feito que a maioria perde como decorrer dos anos. Não significa isto que o poeta vive fora da realidade ou que abdique dela para se refugiar num mundo de sonhos, atractivo e glamoroso porque impossível de ser alcançado. Como explica o próprio: "Apenas elimino as partes da realidade que não me interessam". Numa altura em que se confunde poesia do quotidiano com a poesia da vidinha, apenas susceptível de interessar aos próprios, Pedro Ribeiro assume-se como alguém com a missão de narrar a vida tal como ela é. Sem interpretações fugidias e apenas com o desejo de fixar episódios que decorrem sob os nossos olhos, mas aos quais nunca damos importância. Num dos poemas, intitula-se"poeta de café". A designação faz todo o sentido - ali sentado durante horas, consegue manter sobre as coisas um olhar ao mesmo tempo distante e próximo. O seu trabalho consiste em observar o homem no seu próprio habitat,detectar as suas minúsculas manias de grandeza e escarnecer dos que vivem unicamente para o trabalho, convencidos de tal forma da sua própria importância que se esquecem de viver.«
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Filho do Maio de 68 que apela à revolta
UM POETA NO PIOLHO
A.PEDRO RIBEIRO CORPOS EDITORA

Nascido em Maio de 1968, no Porto, António Pedro Ribeiro licenciou-se em Sociologia pela Faculdade de Letras do Porto.Dos vários livros de poesia já publicados, destacam-se "Saloon" e "Queimai o dinheiro". A sua escrita, insubmissa e rebelde, apela ao combate sem tréguas em prol de causas. Além de poeta, é performer e autor do bloque Trip na Arcada.


JORNAL DE NOTÍCIAS, 26.4.2010

A COISA-2


Quando começas a cobiçar a mulher alheia
quando o sol brilha em ti
e as pessoas dizem as tuas palavras
quando vais ao fundo e sobes à tona
quando o mundo fica a teus pés
e lês Pablo Neruda
quando até as velhas falam na revolução
então a coisa começa a ficar feita.

Quando a santa loucura vem ter contigo
e não controlas o que bebes
quando o mar te lambe os pés
e as gajas te sorriem
quando és tudo e és nada
quando a loirinha te mostra a cara
então a coisa começa a ficar preta.

Quando o sangue te corre nas veias
e a música te lava a alma
quando a brincadeira chega à confeitaria
e és livre de todas as maneiras
quando tosses
e as senhores bebem o galão
quando és o poeta
e os operários desfilam em Maio
quando és completamente louco
e elas começam a compreender
a tua loucura
quando és Hamlet
e aplaudes o jornalista
quando a mulher
fala da inocência
e as crianças
te atiram a palavra
então a coisa começa a ficar feita.

NOTÍCIAS DA GRÉCIA


Cerca de 20 mil pessoas estavam concentradas a meio do dia de hoje no centro de Atenas e 14 mil em Salónica, no quadro da greve geral organizada pelas grandes centrais sindicais gregas contra austeridade. A frente sindical do Partido Comunista reuniu cerca de 10 000 pessoas numa praça da capital grega

(Yiorgos Karahalis/ Reuters)
Perto de 10 mil manifestantes, concentrados atrás de uma faixa apelando à “luta contra as medidas anti-sociais”, escutavam discursos de dirigentes das duas grandes centrais sindicais: a Confederação dos Trabalhadores do sector privado (GSEE, um milhão de membros) e a do sector público (Adedy, 370 000 membros), antes do início do um desfile.

Cerca de 14 mil manifestantes estavam, por seu turno, reunidos em Salónica, a grande cidade do Norte da Grécia, segundo fontes policiais.

Em Atenas, numerosos cartazes exibidos pelos manifestantes exortavam a que fossem “os ricos a pagar a crise” e criticavam a UE e o FMI, que conseguiram que o governo grego aplicasse medidas rígidas de austeridade em troca de um plano de salvamento da Grécia de 110 mil milhões de euros em três anos. “O FMI e a UE roubam-nos um século de conquistas sociais”, afirmava uma das faixas.

A manifestação foi convocada por ocasião de uma greve geral, a terceira desde Fevereiro, organizada pelas duas centrais sindicais.

Por seu turno, o PAME, frente sindical do Partido Comunista (KKE, ultra-ortodoxo), que recusa tradicionalmente qualquer manifestação unitária, reunia cerca de 10 000 pessoas numa outra praça da capital grega.

Os grevistas preparavam-se para se manifestar do centro da capital até ao Parlamento, onde estão a ser discutidas em comissão as medidas de rigor e de austeridade exigidas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional.


www.publico.clix.pt

AS AGÊNCIAS DE RATING

Domingo, 02 Maio 2010 00:30




As Agências de Rating

Mário Russo



Por quem as agências de Rating dobram?



“Portugal viu o risco de bancarrota subir para 28,43%, ultrapassando o Dubai e o Iraque, estando, agora, em 6º lugar. O monitor de risco da CMA Datavision abrange 66 países e a evolução do caso português é preocupante: do final do 1º trimestre de 2010 até hoje, o país passou do 26º lugar com 11,7% de risco de default para 6º hoje com 28,43%.”

Qual a credibilidade desta classificação de risco? Deve ser a mesma que confiava cegamente em Madoff e caucionou o sub-prime nos EUA. Com efeito, não é preciso ser especialista, mas apenas usar de senso comum (nem sequer o bom senso) para duvidar da seriedade destes números.


De facto, como é possível que em 31 de Março um país esteja em 26º lugar no risco de bancarrota, com 11,7%, e menos de 30 dias depois estar em 6º lugar com 28%, ou seja, mais de 140% acima? Ou a anterior classificação estava errada ou não passa de um favor para dar corpo aos interesses especulativos, diante da incompetência da UE em lidar com a dívida grega e do interesse em afundar o euro em favor do dólar.


A situação da economia portuguesa não é famosa, mas não é uma situação nova, no entanto é muito diferente da grega. É verdade que os portugueses passaram a viver acima das suas posses por irresponsabilidades políticas e ganância de banqueiros ávidos em emprestar. No entanto, hoje o fogo cruzado por que passa o estado da economia nacional só se deve a especuladores que se aproveitam do comportamento errático e lento da UE e em especial da Alemanha para a colarem à Grécia e retirar as devidas mais-valias dos movimentos de manada característicos das bolsas diante de notícias veiculadas profusamente e sem certificação por parte da imprensa.


A Grécia mantém-se sob a mira de fogo desses especuladores, por culpa própria, pode ter agora por companhia os PIGS, como depreciativamente os ricos alemães e nórdicos chamam a Portugal, Irlanda, Grécia e Spain, que mostra o quanto desejam estes países no seu seio. Eles também desejam a derrocada destes países para os forçar a sair da UE e não participarem do seu financiamento. Puro erro estratégico e de apreciação.


A queda de qualquer actual país da UE é o fim do euro e da própria União Europeia, com os reflexos convulsivos associados. O fim da Europa.


O que se conhece da economia portuguesa julga-se ser suficiente para se distinguir fortemente do caso grego, no entanto, é pena que a imprensa tradicional dê guarida a notícias, comentários e análises das agências de rating, verdadeiros guardas pretorianos de fundos especuladores e “gangsterinos”, como se fossem oráculos gregos.


São exemplos do lixo que essa imprensa produz, que condiciona comportamentos sociais e económicos a nível mundial, com consequências nefastas, que me leva a acreditar que é importante dar o grito do Ipiranga, de indignação e pugnar por uma imprensa livre dos espartilhos económicos, comprometida com a ética e deontologia profissional. Uma imprensa alternativa comprometida com a verdade.


www.freezone.pt

terça-feira, 4 de maio de 2010

JACK KEROUAC

Tens o poder de recordar às pessoas que elas são completamente livres.

HENRY MILLER


Porque me havia de ralar com o que qualquer coisa custa? Estou aqui para viver, e não para calcular. E é precisamente isso que os sacanas não querem que façamos: não querem que vivamos! Querem que passemos toda a vida a somar números. (...) Se fosse eu que governasse o barco, talvez as coisas não estivessem tão ordenadas, mas seriam com certeza mais alegres, com a breca!


O meu único objectivo na vida é chegar perto de Deus- isto é, chegar mais perto de mim próprio.

MARCHA CONTRA A EUROPA DO CAPITAL

Concentração - Marcha Ibérica contra a Europa do Capital e as suas Guerras

Praça da Liberdade – Porto

Quinta-feira, 6 de Maio 2010

18h00




Andava o mundo inebriado na folia habitual, os de cima na cibernética engorda, os de baixo obrigados à trabalheira de fazer com que a economia real se aproximasse do virtual mundo financeiro. Em vão, que a ganância é como um ar quente e, na sua ascensão, julgou-se alma imortal, não se deteve, esticou demasiado a corda, rebentou a bolha.




Caiu? Nem por isso. Um primeiro e enganado olhar talvez o fizesse crer. Afinal, parecia que, do estrondo, um novo mundo surgia, atrelado àquele consenso de que, dali em diante, tudo teria que ser diferente. Um olhar mais profundo, no entanto, deixaria desde logo antever que o que se pretendia era fazer com que as inocentes contribuições para amparar a queda dos culpados continuassem a vir de baixo para cima.




Mas não chegava. Porque, já o dissemos, a ganância é como um ar quente que, na ascensão, se julga alma imortal e, na vertigem, prefere não olhar para baixo. Se a corda rebentou por cima à primeira, só deixará de lhe acontecer o mesmo se, à segunda, a pressão de baixo for menor.




Se os de cima continuam a esticar a bolha destruam-se os de baixo. Isto é tudo menos o mundo novo que nos prometiam candidatos a primeiro ministro e articulistas dos jornais mais conceituados da praça. Este não é mais do que o tal mundo inebriado pela folia habitual de ver os que têm e os que não têm a apertar os cintos em direcções opostas.




Neste canto da Europa, os 10,3% de desempregados, os milhares de imigrantes mantidos na barata clandestinidade e na integradora exploração, os milhões de mais ou menos precários com as misérias congeladas, os cortes sociais, a impunidade das enjoativas mais valias, são a realidade visível desse velho mundo novo. Onde os governos até podem ter a melhor das intenções mas onde quem manda realmente governa escondido em escritórios e conselhos de administração, entretido a garantir que a corda possa continuar a esticar sem que a bolha rebente de novo.




Numa altura em que o PEC dá mais um passo na consolidação desse amanhã que chora, em que os gastos directos de Portugal com a defesa aumentam 15,8% em relação a 2009, com a colocação, no Afeganistão, de 263 militares pagos com a redução dos nossos rendimentos, a PAGAN – Plataforma Anti-Guerra Anti-NATO não tem como não se solidarizar com várias organizações ibéricas numa marcha contra a Europa do Capital e suas Guerras, que parte de Lisboa a 5 de Maio, passa pelo Porto a 6 para desembocar em Madrid dez dias depois.




Nesse sentido, convidamos-te a participar. Com o teu enfoque particular, ajuda-nos a dizer BASTA! Com faixas, bancas, flyers, tambores, bandeiras, apitos, refeições, o que quiseres. A concentração está marcada. O que lá acontece é opção de toda a gente que aparecer.






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http://groups.google.com/group/casa-viva?hl=pt-PT?hl=pt-PT

NÃO À PRIVATIZAÇÃO DOS CORREIOS

Privatização dos CTT é "escandalosa" e vai acentuar assimetrias sociais e regionais - PCP
Lisboa, 04 mai (Lusa) - O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, classificou hoje de "escandalosa" uma eventual privatização dos CTT, afirmando que irá acentuar as "assimetrias sociais e regionais".

"É uma situação escandalosa. Uma empresa que constitui um monopólio natural em que o Estado tem responsabilidades próprias, não só com os trabalhadores, mas com a população em geral", disse o líder do PCP.

Jerónimo de Sousa falava à porta dos CTT dos Restauradores, em Lisboa, onde esteve hoje de manhã a distribuir folhetos contra a privatização dos Correios.

Para o secretário geral do PCP, a venda dos CTT a investidores privados significaria "o abandono de muitas populações do interior e a redução drástica de postos de trabalho".

Sublinhando que se trata de uma empresa "que dá lucro", Jerónimo de Sousa disse que a privatização irá acentuar "as assimetrias não só sociais como também regionais".

"É de facto o exemplo gritante daquilo que o Governo pretende fazer de uma empresa estável, que dá lucro, que serve as populações e, naturalmente os trabalhadores", afirmou.

"É inaceitável a tentativa do Governo para privatizar os CTT", concluiu.

Questionado sobre a segunda semana de greve que os carteiros dos CTT iniciam hoje, o secretário geral dos CTT considerou que é justa.

"Começa a fazer-se ensaios de excluir trabalhadores, neste caso carteiros, por trabalhadores com vínculos precários em condições muito difíceis, sem direitos, com salários baixíssimos com vínculos precários", disse o líder partidário.

"Essa situação leva os trabalhadores a entrar em greve, e com razão, porque estão a antever esta manobra clara de permitir a eliminação de postos de trabalho", concluiu.

MCL.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/fim

sexta-feira, 30 de abril de 2010

NOTÍCIAS DA GRÉCIA


Grécia: A luta aumenta contra o PEC na rua…

Os esbirros da polícia grega intervieram ontem, 29/04, contra manifestantes que contestavam as medidas que o governo quer impor sobre quem trabalha, medidas que irão ainda agravar mais as condições de vida. Os agentes usaram gás lacrimogéneo e os manifestantes responderam na mesma moeda nas redondezas do Ministério das Finanças. Esta situação tem se repetido nos últimos dias na capital grega.



O FMI e a UE preparam-se para aplicar medidas, o pacote está a ser negociado com o governo sabujo grego. Os trabalhadores da função pública devem perder este ano, se as medidas forem para adiante, os dois meses de subsídios de férias e de natal. Haverá outras medidas atingem compensações não salariais, como subsídios a trabalhadores pelo uso de computadores ou pontualidade… O anterior plano (em que os “mercados não acreditaram”) previa 4,8 mil milhões de euros (2% do PIB) em reduções de despesa e menos um terço no 14º mês…



Os sindicatos preparam-se para novas greves contra este plano draconiano (já agora uma ajuda à cultura geral: Drácon, de onde vem a palavra, era um legislador grego do século VII a.C., considerado injusto).



Esta mesma luta tem de os trabalhadores portugueses de assumir sem desfalecimentos, impondo desde já uma Greve Geral Nacional contra o PEC, colocar na rua a contestação para derrubar este governo e os seus serventuários. É tempo de ruptura contra este sistema capitalista, sem delongas.

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REGIONAL SANJOANENSE

SECÇÃO: Política

Candidatura apresentada em S. João da Madeira
António Pedro Ribeiro na corrida à Presidência da República



O poeta António Pedro Ribeiro esteve em S. João da Madeira a apresentar o seu manifesto poético e político, bem como a sua candidatura anarquista à Presidência da República. Combater comportamentos quase fascistas e uma maior atenção aos pobres e desempregados são as suas principais prioridades da sua candidatura à cadeira de Belém.
António Pedro Ribeiro, poeta, anarquista, “diseur” e “performer”, veio, quinta- -feira, dia 4, a S. João da Madeira apresentar o seu manifesto poético e político, bem como a sua candidatura anarquista à Presidência da República. Durante a apresentação, que decorreu no Art7-Bar, nas Galerias Avenida, o candidato afirmou que cada vez mais os partidos são as pessoas e não as cores e ideais políticos. Em declarações à nossa reportagem, o candidato diz que vê um primeiro-ministro “suspeito de controlar a comunicação social, tem comportamento quase fascista e arrogante”. Por outro lado, “temos um Presidente da República conivente”. É isso “que vou tentar combater, pois nenhum partido olha os desempregados e para os pobres”.
António Pedro Ribeiro nasceu no Porto em 1968. É autor de vários livros, foi activista estudantil na Faculdade de Letras do Porto e no Jornal Universitário do Porto. Fez performances poéticas no Festival de Paredes de Coura. Diz regularmente poesia em bares.
O candidato referiu que a sua corrida à presidência não pactua com “negociações e sindicatos em busca de influências, estatutos e poderes”. A candidatura de António Pedro Ribeiro é essencialmente de um homem livre que está contra a economia de mercado e a social-democracia de mercado que “nos infernizam a vida”.

“Nenhum partido olha os desempregados e para os pobres”

Segundo António Pedro Ribeiro, a sua candidatura tem uma vertente de “ruptura contra todas as formas de capitalismo, estejam elas na bolsa, nos bancos ou no grande capital”.
«Poema de Amor Inocente, em Jeito de Manifesto Autárquico para a Cidade do Porto», «Futebol-Dada», «Se me Pagares uma Cerveja estás a Financiar a Revolução», «Carta à Minha Mãe», «O Dia Triunfal», «Homem Livre» e a já célebre «Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro» foram alguns dos poemas e manifestos ditos pelo poeta. António Pedro Ribeiro não separa os referidos poemas e manifestos da sua candidatura. “Vivemos dominados pela economia e pela linguagem económica: uma linguagem pobre, castradora, entediante, feita de percentagens, PIB’s, contas, bancos”, disse. “Está tudo no mercado, tudo na bolsa, tudo se compra, tudo se vende”, acrescentou. Para o poeta, que vê cada vez mais gente deprimida, triste, descrente, “uma sociedade, como a do mercado, que faz as pessoas infelizes, não presta”. Mas, para a combater o discurso económico dos partidos de esquerda já não é eficaz. Daí falar-se no “Homem livre”, na construção do Homem, na recuperação da vida.

“Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro”

“Temos um primeiro-ministro fascista. Temos um Presidente da República conivente, ao serviço do grande mercado e da linguagem mercantil da morte. Que alma têm estes homens? É preciso falar na vida”, disse o poeta que, seguidamente, declamou o poema/canção «When The Music’s Over», de Jim Morrison.
Interrogado sobre as primeiras medidas que tomaria, caso fosse eleito presidente, António Pedro Ribeiro respondeu que encerraria a Bolsa e que tentaria tirar os sem-abrigo da rua, dando-lhes comida, bebida e abrigo. “Se há dinheiro para os TGV’s também tem de haver para os que nada têm”, justificou.
Questionado se receia que as pessoas não o levem muito a sério, disse que “não sou político. Sou poeta”.No entanto, lembra que, “se não tivesse feito alguns disparates ao longo da vida, a esta altura já teria apodrecido de tédio ou de depressão”. Porém, “custa sempre reagir às provocações quando insultam, principalmente, aqueles que amamos”, rematou.



Por: António Gomes Costa

O HOMEM LIVRE

O HOMEM LIVRE
O HOMEM LIVRE


António Pedro Ribeiro




Às vezes perguntam-me o que vou fazer no dia seguinte.


O dia seguinte é, muitas vezes, o dia livre, sem compromissos, sem encontros marcados.


Acordo, almoço, vou até ao café ler e escrever.


A maior parte das vezes não se passa nada de extraordinário, passa uma gaja boa, uma cara bonita, como quiserem,


as beatas falam da vida alheia.


Algumas vezes é mesmo entediante. Mas é meu.


O tempo é meu e só meu. A vida é minha e só minha. Ninguém ma tira.


Não há aqui patrões nem horários.


Não há ninguém em cima de mim a dizer-me o que devo fazer.


Não há nada acima de mim.


Sou livre.


Posso ter só uns trocos no bolso. Mas sou livre.


Absolutamente livre.


Vós não sois.


Sou livre. Sou meu deus e meu senhor.


Sou livre.



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