quarta-feira, 5 de maio de 2010

RIBEIRO NO JN


Livros
0 poeta no seu habitat natural
SÉRGIO ALMEIDA
sergio@jn.pt

Encontrar num real tantas vezes agreste elementos poéticos que concretizam uma aliança improvável entre o belo e o abjecto é o desafio que norteia os escritos de A. Pedro Ribeiro, cujo mais recente livro de poesia é um tributo ao Piolho, emblemático café portuense que celebra um século de existência. Se, como dizia Oscar Wilde, "estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas", há que saudar os que,como o autor de "Declaração de amor ao primeiro-ministro", mantêm um olhar inaugural sobre as coisas,um feito que a maioria perde como decorrer dos anos. Não significa isto que o poeta vive fora da realidade ou que abdique dela para se refugiar num mundo de sonhos, atractivo e glamoroso porque impossível de ser alcançado. Como explica o próprio: "Apenas elimino as partes da realidade que não me interessam". Numa altura em que se confunde poesia do quotidiano com a poesia da vidinha, apenas susceptível de interessar aos próprios, Pedro Ribeiro assume-se como alguém com a missão de narrar a vida tal como ela é. Sem interpretações fugidias e apenas com o desejo de fixar episódios que decorrem sob os nossos olhos, mas aos quais nunca damos importância. Num dos poemas, intitula-se"poeta de café". A designação faz todo o sentido - ali sentado durante horas, consegue manter sobre as coisas um olhar ao mesmo tempo distante e próximo. O seu trabalho consiste em observar o homem no seu próprio habitat,detectar as suas minúsculas manias de grandeza e escarnecer dos que vivem unicamente para o trabalho, convencidos de tal forma da sua própria importância que se esquecem de viver.«
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Filho do Maio de 68 que apela à revolta
UM POETA NO PIOLHO
A.PEDRO RIBEIRO CORPOS EDITORA

Nascido em Maio de 1968, no Porto, António Pedro Ribeiro licenciou-se em Sociologia pela Faculdade de Letras do Porto.Dos vários livros de poesia já publicados, destacam-se "Saloon" e "Queimai o dinheiro". A sua escrita, insubmissa e rebelde, apela ao combate sem tréguas em prol de causas. Além de poeta, é performer e autor do bloque Trip na Arcada.


JORNAL DE NOTÍCIAS, 26.4.2010

A COISA-2


Quando começas a cobiçar a mulher alheia
quando o sol brilha em ti
e as pessoas dizem as tuas palavras
quando vais ao fundo e sobes à tona
quando o mundo fica a teus pés
e lês Pablo Neruda
quando até as velhas falam na revolução
então a coisa começa a ficar feita.

Quando a santa loucura vem ter contigo
e não controlas o que bebes
quando o mar te lambe os pés
e as gajas te sorriem
quando és tudo e és nada
quando a loirinha te mostra a cara
então a coisa começa a ficar preta.

Quando o sangue te corre nas veias
e a música te lava a alma
quando a brincadeira chega à confeitaria
e és livre de todas as maneiras
quando tosses
e as senhores bebem o galão
quando és o poeta
e os operários desfilam em Maio
quando és completamente louco
e elas começam a compreender
a tua loucura
quando és Hamlet
e aplaudes o jornalista
quando a mulher
fala da inocência
e as crianças
te atiram a palavra
então a coisa começa a ficar feita.

NOTÍCIAS DA GRÉCIA


Cerca de 20 mil pessoas estavam concentradas a meio do dia de hoje no centro de Atenas e 14 mil em Salónica, no quadro da greve geral organizada pelas grandes centrais sindicais gregas contra austeridade. A frente sindical do Partido Comunista reuniu cerca de 10 000 pessoas numa praça da capital grega

(Yiorgos Karahalis/ Reuters)
Perto de 10 mil manifestantes, concentrados atrás de uma faixa apelando à “luta contra as medidas anti-sociais”, escutavam discursos de dirigentes das duas grandes centrais sindicais: a Confederação dos Trabalhadores do sector privado (GSEE, um milhão de membros) e a do sector público (Adedy, 370 000 membros), antes do início do um desfile.

Cerca de 14 mil manifestantes estavam, por seu turno, reunidos em Salónica, a grande cidade do Norte da Grécia, segundo fontes policiais.

Em Atenas, numerosos cartazes exibidos pelos manifestantes exortavam a que fossem “os ricos a pagar a crise” e criticavam a UE e o FMI, que conseguiram que o governo grego aplicasse medidas rígidas de austeridade em troca de um plano de salvamento da Grécia de 110 mil milhões de euros em três anos. “O FMI e a UE roubam-nos um século de conquistas sociais”, afirmava uma das faixas.

A manifestação foi convocada por ocasião de uma greve geral, a terceira desde Fevereiro, organizada pelas duas centrais sindicais.

Por seu turno, o PAME, frente sindical do Partido Comunista (KKE, ultra-ortodoxo), que recusa tradicionalmente qualquer manifestação unitária, reunia cerca de 10 000 pessoas numa outra praça da capital grega.

Os grevistas preparavam-se para se manifestar do centro da capital até ao Parlamento, onde estão a ser discutidas em comissão as medidas de rigor e de austeridade exigidas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional.


www.publico.clix.pt

AS AGÊNCIAS DE RATING

Domingo, 02 Maio 2010 00:30




As Agências de Rating

Mário Russo



Por quem as agências de Rating dobram?



“Portugal viu o risco de bancarrota subir para 28,43%, ultrapassando o Dubai e o Iraque, estando, agora, em 6º lugar. O monitor de risco da CMA Datavision abrange 66 países e a evolução do caso português é preocupante: do final do 1º trimestre de 2010 até hoje, o país passou do 26º lugar com 11,7% de risco de default para 6º hoje com 28,43%.”

Qual a credibilidade desta classificação de risco? Deve ser a mesma que confiava cegamente em Madoff e caucionou o sub-prime nos EUA. Com efeito, não é preciso ser especialista, mas apenas usar de senso comum (nem sequer o bom senso) para duvidar da seriedade destes números.


De facto, como é possível que em 31 de Março um país esteja em 26º lugar no risco de bancarrota, com 11,7%, e menos de 30 dias depois estar em 6º lugar com 28%, ou seja, mais de 140% acima? Ou a anterior classificação estava errada ou não passa de um favor para dar corpo aos interesses especulativos, diante da incompetência da UE em lidar com a dívida grega e do interesse em afundar o euro em favor do dólar.


A situação da economia portuguesa não é famosa, mas não é uma situação nova, no entanto é muito diferente da grega. É verdade que os portugueses passaram a viver acima das suas posses por irresponsabilidades políticas e ganância de banqueiros ávidos em emprestar. No entanto, hoje o fogo cruzado por que passa o estado da economia nacional só se deve a especuladores que se aproveitam do comportamento errático e lento da UE e em especial da Alemanha para a colarem à Grécia e retirar as devidas mais-valias dos movimentos de manada característicos das bolsas diante de notícias veiculadas profusamente e sem certificação por parte da imprensa.


A Grécia mantém-se sob a mira de fogo desses especuladores, por culpa própria, pode ter agora por companhia os PIGS, como depreciativamente os ricos alemães e nórdicos chamam a Portugal, Irlanda, Grécia e Spain, que mostra o quanto desejam estes países no seu seio. Eles também desejam a derrocada destes países para os forçar a sair da UE e não participarem do seu financiamento. Puro erro estratégico e de apreciação.


A queda de qualquer actual país da UE é o fim do euro e da própria União Europeia, com os reflexos convulsivos associados. O fim da Europa.


O que se conhece da economia portuguesa julga-se ser suficiente para se distinguir fortemente do caso grego, no entanto, é pena que a imprensa tradicional dê guarida a notícias, comentários e análises das agências de rating, verdadeiros guardas pretorianos de fundos especuladores e “gangsterinos”, como se fossem oráculos gregos.


São exemplos do lixo que essa imprensa produz, que condiciona comportamentos sociais e económicos a nível mundial, com consequências nefastas, que me leva a acreditar que é importante dar o grito do Ipiranga, de indignação e pugnar por uma imprensa livre dos espartilhos económicos, comprometida com a ética e deontologia profissional. Uma imprensa alternativa comprometida com a verdade.


www.freezone.pt

terça-feira, 4 de maio de 2010

JACK KEROUAC

Tens o poder de recordar às pessoas que elas são completamente livres.

HENRY MILLER


Porque me havia de ralar com o que qualquer coisa custa? Estou aqui para viver, e não para calcular. E é precisamente isso que os sacanas não querem que façamos: não querem que vivamos! Querem que passemos toda a vida a somar números. (...) Se fosse eu que governasse o barco, talvez as coisas não estivessem tão ordenadas, mas seriam com certeza mais alegres, com a breca!


O meu único objectivo na vida é chegar perto de Deus- isto é, chegar mais perto de mim próprio.

MARCHA CONTRA A EUROPA DO CAPITAL

Concentração - Marcha Ibérica contra a Europa do Capital e as suas Guerras

Praça da Liberdade – Porto

Quinta-feira, 6 de Maio 2010

18h00




Andava o mundo inebriado na folia habitual, os de cima na cibernética engorda, os de baixo obrigados à trabalheira de fazer com que a economia real se aproximasse do virtual mundo financeiro. Em vão, que a ganância é como um ar quente e, na sua ascensão, julgou-se alma imortal, não se deteve, esticou demasiado a corda, rebentou a bolha.




Caiu? Nem por isso. Um primeiro e enganado olhar talvez o fizesse crer. Afinal, parecia que, do estrondo, um novo mundo surgia, atrelado àquele consenso de que, dali em diante, tudo teria que ser diferente. Um olhar mais profundo, no entanto, deixaria desde logo antever que o que se pretendia era fazer com que as inocentes contribuições para amparar a queda dos culpados continuassem a vir de baixo para cima.




Mas não chegava. Porque, já o dissemos, a ganância é como um ar quente que, na ascensão, se julga alma imortal e, na vertigem, prefere não olhar para baixo. Se a corda rebentou por cima à primeira, só deixará de lhe acontecer o mesmo se, à segunda, a pressão de baixo for menor.




Se os de cima continuam a esticar a bolha destruam-se os de baixo. Isto é tudo menos o mundo novo que nos prometiam candidatos a primeiro ministro e articulistas dos jornais mais conceituados da praça. Este não é mais do que o tal mundo inebriado pela folia habitual de ver os que têm e os que não têm a apertar os cintos em direcções opostas.




Neste canto da Europa, os 10,3% de desempregados, os milhares de imigrantes mantidos na barata clandestinidade e na integradora exploração, os milhões de mais ou menos precários com as misérias congeladas, os cortes sociais, a impunidade das enjoativas mais valias, são a realidade visível desse velho mundo novo. Onde os governos até podem ter a melhor das intenções mas onde quem manda realmente governa escondido em escritórios e conselhos de administração, entretido a garantir que a corda possa continuar a esticar sem que a bolha rebente de novo.




Numa altura em que o PEC dá mais um passo na consolidação desse amanhã que chora, em que os gastos directos de Portugal com a defesa aumentam 15,8% em relação a 2009, com a colocação, no Afeganistão, de 263 militares pagos com a redução dos nossos rendimentos, a PAGAN – Plataforma Anti-Guerra Anti-NATO não tem como não se solidarizar com várias organizações ibéricas numa marcha contra a Europa do Capital e suas Guerras, que parte de Lisboa a 5 de Maio, passa pelo Porto a 6 para desembocar em Madrid dez dias depois.




Nesse sentido, convidamos-te a participar. Com o teu enfoque particular, ajuda-nos a dizer BASTA! Com faixas, bancas, flyers, tambores, bandeiras, apitos, refeições, o que quiseres. A concentração está marcada. O que lá acontece é opção de toda a gente que aparecer.






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http://groups.google.com/group/casa-viva?hl=pt-PT?hl=pt-PT

NÃO À PRIVATIZAÇÃO DOS CORREIOS

Privatização dos CTT é "escandalosa" e vai acentuar assimetrias sociais e regionais - PCP
Lisboa, 04 mai (Lusa) - O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, classificou hoje de "escandalosa" uma eventual privatização dos CTT, afirmando que irá acentuar as "assimetrias sociais e regionais".

"É uma situação escandalosa. Uma empresa que constitui um monopólio natural em que o Estado tem responsabilidades próprias, não só com os trabalhadores, mas com a população em geral", disse o líder do PCP.

Jerónimo de Sousa falava à porta dos CTT dos Restauradores, em Lisboa, onde esteve hoje de manhã a distribuir folhetos contra a privatização dos Correios.

Para o secretário geral do PCP, a venda dos CTT a investidores privados significaria "o abandono de muitas populações do interior e a redução drástica de postos de trabalho".

Sublinhando que se trata de uma empresa "que dá lucro", Jerónimo de Sousa disse que a privatização irá acentuar "as assimetrias não só sociais como também regionais".

"É de facto o exemplo gritante daquilo que o Governo pretende fazer de uma empresa estável, que dá lucro, que serve as populações e, naturalmente os trabalhadores", afirmou.

"É inaceitável a tentativa do Governo para privatizar os CTT", concluiu.

Questionado sobre a segunda semana de greve que os carteiros dos CTT iniciam hoje, o secretário geral dos CTT considerou que é justa.

"Começa a fazer-se ensaios de excluir trabalhadores, neste caso carteiros, por trabalhadores com vínculos precários em condições muito difíceis, sem direitos, com salários baixíssimos com vínculos precários", disse o líder partidário.

"Essa situação leva os trabalhadores a entrar em greve, e com razão, porque estão a antever esta manobra clara de permitir a eliminação de postos de trabalho", concluiu.

MCL.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/fim

sexta-feira, 30 de abril de 2010

NOTÍCIAS DA GRÉCIA


Grécia: A luta aumenta contra o PEC na rua…

Os esbirros da polícia grega intervieram ontem, 29/04, contra manifestantes que contestavam as medidas que o governo quer impor sobre quem trabalha, medidas que irão ainda agravar mais as condições de vida. Os agentes usaram gás lacrimogéneo e os manifestantes responderam na mesma moeda nas redondezas do Ministério das Finanças. Esta situação tem se repetido nos últimos dias na capital grega.



O FMI e a UE preparam-se para aplicar medidas, o pacote está a ser negociado com o governo sabujo grego. Os trabalhadores da função pública devem perder este ano, se as medidas forem para adiante, os dois meses de subsídios de férias e de natal. Haverá outras medidas atingem compensações não salariais, como subsídios a trabalhadores pelo uso de computadores ou pontualidade… O anterior plano (em que os “mercados não acreditaram”) previa 4,8 mil milhões de euros (2% do PIB) em reduções de despesa e menos um terço no 14º mês…



Os sindicatos preparam-se para novas greves contra este plano draconiano (já agora uma ajuda à cultura geral: Drácon, de onde vem a palavra, era um legislador grego do século VII a.C., considerado injusto).



Esta mesma luta tem de os trabalhadores portugueses de assumir sem desfalecimentos, impondo desde já uma Greve Geral Nacional contra o PEC, colocar na rua a contestação para derrubar este governo e os seus serventuários. É tempo de ruptura contra este sistema capitalista, sem delongas.

http://lutapopularonline.blogspot.com

REGIONAL SANJOANENSE

SECÇÃO: Política

Candidatura apresentada em S. João da Madeira
António Pedro Ribeiro na corrida à Presidência da República



O poeta António Pedro Ribeiro esteve em S. João da Madeira a apresentar o seu manifesto poético e político, bem como a sua candidatura anarquista à Presidência da República. Combater comportamentos quase fascistas e uma maior atenção aos pobres e desempregados são as suas principais prioridades da sua candidatura à cadeira de Belém.
António Pedro Ribeiro, poeta, anarquista, “diseur” e “performer”, veio, quinta- -feira, dia 4, a S. João da Madeira apresentar o seu manifesto poético e político, bem como a sua candidatura anarquista à Presidência da República. Durante a apresentação, que decorreu no Art7-Bar, nas Galerias Avenida, o candidato afirmou que cada vez mais os partidos são as pessoas e não as cores e ideais políticos. Em declarações à nossa reportagem, o candidato diz que vê um primeiro-ministro “suspeito de controlar a comunicação social, tem comportamento quase fascista e arrogante”. Por outro lado, “temos um Presidente da República conivente”. É isso “que vou tentar combater, pois nenhum partido olha os desempregados e para os pobres”.
António Pedro Ribeiro nasceu no Porto em 1968. É autor de vários livros, foi activista estudantil na Faculdade de Letras do Porto e no Jornal Universitário do Porto. Fez performances poéticas no Festival de Paredes de Coura. Diz regularmente poesia em bares.
O candidato referiu que a sua corrida à presidência não pactua com “negociações e sindicatos em busca de influências, estatutos e poderes”. A candidatura de António Pedro Ribeiro é essencialmente de um homem livre que está contra a economia de mercado e a social-democracia de mercado que “nos infernizam a vida”.

“Nenhum partido olha os desempregados e para os pobres”

Segundo António Pedro Ribeiro, a sua candidatura tem uma vertente de “ruptura contra todas as formas de capitalismo, estejam elas na bolsa, nos bancos ou no grande capital”.
«Poema de Amor Inocente, em Jeito de Manifesto Autárquico para a Cidade do Porto», «Futebol-Dada», «Se me Pagares uma Cerveja estás a Financiar a Revolução», «Carta à Minha Mãe», «O Dia Triunfal», «Homem Livre» e a já célebre «Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro» foram alguns dos poemas e manifestos ditos pelo poeta. António Pedro Ribeiro não separa os referidos poemas e manifestos da sua candidatura. “Vivemos dominados pela economia e pela linguagem económica: uma linguagem pobre, castradora, entediante, feita de percentagens, PIB’s, contas, bancos”, disse. “Está tudo no mercado, tudo na bolsa, tudo se compra, tudo se vende”, acrescentou. Para o poeta, que vê cada vez mais gente deprimida, triste, descrente, “uma sociedade, como a do mercado, que faz as pessoas infelizes, não presta”. Mas, para a combater o discurso económico dos partidos de esquerda já não é eficaz. Daí falar-se no “Homem livre”, na construção do Homem, na recuperação da vida.

“Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro”

“Temos um primeiro-ministro fascista. Temos um Presidente da República conivente, ao serviço do grande mercado e da linguagem mercantil da morte. Que alma têm estes homens? É preciso falar na vida”, disse o poeta que, seguidamente, declamou o poema/canção «When The Music’s Over», de Jim Morrison.
Interrogado sobre as primeiras medidas que tomaria, caso fosse eleito presidente, António Pedro Ribeiro respondeu que encerraria a Bolsa e que tentaria tirar os sem-abrigo da rua, dando-lhes comida, bebida e abrigo. “Se há dinheiro para os TGV’s também tem de haver para os que nada têm”, justificou.
Questionado se receia que as pessoas não o levem muito a sério, disse que “não sou político. Sou poeta”.No entanto, lembra que, “se não tivesse feito alguns disparates ao longo da vida, a esta altura já teria apodrecido de tédio ou de depressão”. Porém, “custa sempre reagir às provocações quando insultam, principalmente, aqueles que amamos”, rematou.



Por: António Gomes Costa

O HOMEM LIVRE

O HOMEM LIVRE
O HOMEM LIVRE


António Pedro Ribeiro




Às vezes perguntam-me o que vou fazer no dia seguinte.


O dia seguinte é, muitas vezes, o dia livre, sem compromissos, sem encontros marcados.


Acordo, almoço, vou até ao café ler e escrever.


A maior parte das vezes não se passa nada de extraordinário, passa uma gaja boa, uma cara bonita, como quiserem,


as beatas falam da vida alheia.


Algumas vezes é mesmo entediante. Mas é meu.


O tempo é meu e só meu. A vida é minha e só minha. Ninguém ma tira.


Não há aqui patrões nem horários.


Não há ninguém em cima de mim a dizer-me o que devo fazer.


Não há nada acima de mim.


Sou livre.


Posso ter só uns trocos no bolso. Mas sou livre.


Absolutamente livre.


Vós não sois.


Sou livre. Sou meu deus e meu senhor.


Sou livre.



in FREE ZONE-INFORMAÇÃO ALTERNATIVA
www.freezone.pt
press@freezone.pt

POIS, POIS, FILHOS, SOIS MUITO BONS...

Rui Rio demite-se do Metro do Porto alegando que não está "disponível para ser enxovalhado"
Porto, 29 abr (Lusa) Rui Rio anunciou hoje que vai pedir a sua demissão de administrador não executivo de Metro do Porto alegando não estar "disponíve...



Rui Rio demite-se do Metro do Porto alegando que não está "disponível para ser enxovalhado"
Porto, 29 abr (Lusa) Rui Rio anunciou hoje que vai pedir a sua demissão de administrador não executivo de Metro do Porto alegando não estar "disponível para ser enxovalhado".

"Para mim basta", afirmou hoje o presidente da Câmara do Porto em conferência de imprensa.

O Ministério das Finanças mandou recentemente vários autarcas com a acumulação de administradores não executivos daquela empresa repor os salários recebidos desde 1 de janeiro de 2007.

Os autarcas que terão que devolver os salários auferidos são Rui Rio (Porto), Marco António Costa (Gaia), Mário de Almeida (Vila do Conde) e Valentim Loureiro (Gondomar), todos eles ausentes na conferência de imprensa.

JF/MSP

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Fim

quarta-feira, 28 de abril de 2010

GOD IS DEAD. THE DOORS ARE OPEN


GOD IS DEAD
THE DOORS ARE OPEN

ao Sérgio Almeida

António Pedro Ribeiro

God is dead. The doors are open. Deus morreu. As portas estão abertas. Começa aqui o olhar inaugural, o canto dos pássaros, o novo mundo. Estive hoje na cidade e vi sinais nas caras, nas mulheres. Agora apetece-me ir para o paraíso. Mas o paraíso agora, NOW! Não daqui a 100 ou a 1000 anos. Acho que encontrei o Graal. Que estou para além do bem e do mal. Por isso, já não me sinto poeta de café. Mas sim necessitado de companheiros, companheiras que acompanhem o meu canto.
Este é o começo do novo mundo. Sem políticos, capitalistas ou bolsistas. A bolsa cai. Bate no fundo. E eu quero mesmo o mundo. O Paraíso agora, aqui na Terra. E ela vem e ela vem...

NEM CHEFES, NEM DEUSES, NEM PAPAS


GATO VADIO, PORTO, 14 de Maio

Recepção lustral e quase veemente ao Papa Bento XVI



Nem chefes, nem Deuses, muito menos Papas!





O microfone debruado a ouro que as santas mãos do Papa arrebanharão no dia 14 de Maio na cidade do Porto é a metáfora mais ergonómica e doiradinha da cópula eclesiástica que, secularmente, “enraba” consciências prontas para a Papo-mania.



A religião, que poderia ser um caminho de ligação no ser humano entre as ideias que professa e aquilo que mais fundo tem dentro de si, foi quase sempre dominada e manipulada em absoluto pelas hierarquias religiosas, ora como meio político de salvação terrena das elites eclesiásticas (salvação através do lucro e do esbulho, da ostentação e do privilégio, da sociedade anónima e empresarial do Vaticano à Casa da Sorte de Fátima, etc), ora como escabrosa moral da morte. A ideia de morte que empesta e prevalece na homilia do catolicismo é a santa-inoculação com que a Igreja insiste em vacinar os crentes e de onde dimana o seu poder, o seu autoritarismo e a sua imunidade. Mais de um século depois da anunciada morte de Deus, como afirmação plena da vida humana e extracção do tumor da metafísica, a demolição do discurso da “morte” levada a cabo por Nietzsche será capaz de apontar à saciedade o odor moribundo e doentio que sairá da boca cínica do Papa Ratzinger?



Sendo a “nossa” Igreja (“nossa”, cá do cerejal lusitano!) vítima do seu próprio veneno original e fenecendo a olhos vistos, aconchegando-se cada vez mais no reduto do seu próprio luto, nunca esta temática nos aqueceu nem arrefeceu. Na verdade, julgamos que a Igreja portuguesa está condenada a ser a mais competitiva agência de turismo prá’ terceira idade e, com o tempo, lá terá de ir em excursão ao Moulin Rouge e à Feira do Erotismo (erotismo? Onde?) de Gondomar, mercado obligè!



Contudo, não poderíamos deixar em claro a passagem no dia 12, 13 e 14 de Maio, de tanta iniquidade e despotismo histórico à nossa frente e, principalmente, de ter entre nós o padre Mário de Oliveira para uma longa e esperada conversa…







Além do programa Cine-Documental proposto (começa esta quinta-feira!), abaixo encontrará informações úteis quer sobre o padre Mário de Oliveira, quer excertos de um recente artigo do jornal Público sobre o envolvimento do Papa no encobrimento de um caso de abuso sexual a menores cometido por um padre católico na Californication...





Selecção e Organização: Gato Vadio e Miguel Marques. Cartaz sobre desenho de Maja Marek.





Programa:



Salesman,(1968)

Albert and David Maysles, Charlotte Zwerin

Quinta-feira, dia 29 de Abril, 22h

Entrada Livre



Sinopse:

Salesman foi um marco do documentário norte-americano, seguindo a vida diária de quatro vendedores porta-a-porta que tentam desesperadamente vender Bíblias de luxo. Os funcionários da empresa que fazia estas bíblias ilustradas, ornadas e extremamente caras, encontram a implacável rejeição constante de pessoas pobres ou da classe média baixa. O desespero e a angústia, sentimentos tão caros ao catolicismo, parecem contaminar a vida destes vendedores.



86min.









Jesus Camp (2006)

Rachel Grady e Heidi Ewing

Quinta-feira, dia 6 de Maio, 22h

Entrada Livre



Sinopse:

Jesus Camp espalhou a controvérsia nos EUA. Realizado por Rachel Grady e Heidi Ewing, documenta o dia-a-dia de um acampamento de verão, o “Pentecostal / Charismatic summer camp”, promovido para as crianças aprenderem e praticarem os seus "dons proféticos" e poderem "levar de volta a América a Cristo". De acordo com o distribuidor, o documentário "não vem com nenhum ponto de vista pré-concebido" e tenta ser um "retrato honesto e imparcial de uma facção da comunidade cristã evangélica".

A controvérsia à volta do filme espoletou uma onda de debates em vários programas de televisão.
Jesus Camp foi nomeado para os Óscares de Hollywood na categoria de Melhor Documentário.

85min







Crimes Sexuais e o Vaticano (2006)

Colm O'Gorman

Quinta-feira, dia 13 de Maio, 22h

Entrada Livre



Sinopse:

Crimes Sexuais e o Vaticano é um documentário filmado por Colm O'Gorman, que foi violado por um padre católico da diocese de Ferns em County Wexford, na Irlanda, quando tinha 14 anos de idade.

Filmado para a série de documentários da BBC Panorama, traz a lume os crimes de abuso sexual cometidos por padres católicos e denuncia a política de silenciamento e encobrimento activo do Vaticano, imposta há mais de vinte anos pelo documento secreto Crimen Sollicitationis, defendido à época pelo cardeal Joseph Ratzinger.



O padre Seán Fortune foi acusado de 66 crimes de assédio, atentado ao pudor e por outros crimes graves de abuso sexual a oito crianças. Na véspera do seu julgamento, suicidou-se.

A investigação de Colm e da BBC levou à renúncia do Dr. Brendan Comiskey, o bispo da diocese de Ferns.



39 min.





Nem chefes, nem Deuses, muito menos Papas!

À conversa com o Padre Mário de Oliveira

Sexta-feira, 14 de Maio, 22h



Viridiana (1961)

Luis Buñuel

Sábado, 15 de Maio, 22h





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(Artigo escrito pelo padre Mário de Oliveira no Jornal Fraternizar, edição n.º 177, de Abril-Junho 2010)

Papa Bento XVI vem a Fátima caucionar um crime, porventura ainda pior que o da pedofilia, que o clero de Ourém cometeu, em 1917, contra três crianças daquela freguesia

Pelos vistos, nos próximos dias 12, 13 e 14 de Maio, o papa Bento XVI, vem mesmo a Portugal, concretamente, Lisboa, Fátima e Porto, sem querer saber para nada de tudo o que ultimamente está a ser revelado na comunicação social sobre os inúmeros e escabrosos casos de pedofilia, ocorridos no interior da Igreja, inclusive, com clérigos em cargos de grande visibilidade e cujos bispos, no passado, foram seus cúmplices (o próprio papa, na qualidade de Cardeal Ratzinger, à frente da Congregação para a Doutrina da Fé, terá feito de conta, quando, há anos, foi sabedor de um desses casos mais escabrosos). No mínimo, é uma insensatez que o papa Bento XVI está a cometer. Perante tudo o que está a ser divulgado (e, em muitos casos, até já confirmado pelos Tribunais de cada país), o papa Bento XVI, se tivesse um mínimo de pudor (o Poder monárquico absoluto nunca será capaz de semelhante qualidade humana, habituado que está a excomungar quem não diz com ele, quem dissente dele, mesmo por fidelidade a Jesus, o Evangelho Vivo de Deus Criador, nosso Abbá, entre nós e connosco) já teria anunciado, nesta data, urbi et orbi, que essa e outras viagens “pastorais” de chefe de Estado do Vaticano ficariam canceladas sine die. Tanto mais, quanto, que, no caso presente de Fátima, das três crianças da freguesia, escolhidas e arregimentadas em 1917 pelo clero de Ourém (o clero não olhou a meios só para, com aquela montagem das “aparições” de Maio a Outubro, tentar pôr de novo as populações a rezarem o terço, todos os dias, a frequentarem a missa ritualizada ao domingo e a regressarem à tenebrosa prática das primeiras nove sextas-feiras de cada mês; já agora, porque não as primeiras doze sextas-feiras do ano?! O que faziam os clérigos confessores nos três meses restantes?!).

Sim. Em verdade, em verdade vos digo: o, teologicamente imbecil, fenómeno das “aparições” de Fátima foi, perversa e metodicamente, preparado pelo clero de Ourém, e, por isso, perfaz uma barbaridade de todo o tamanho, certamente, pior, muito pior, que os inúmeros casos de pedofilia, à excepção, porventura, daqueles casos mais escabrosos. Hoje, sabemos bem quais foram os resultados dessa barbaridade, com tudo de crime sem perdão (desculpem a força da expressão literária, mas é a única apropriada, neste caso): – duas das três crianças, Jacinta e Francisco, irmãos de sangue e primos direitos de Lúcia, a mais velha das três e vizinha, porta-com-porta das outras duas (como se vê, ficou tudo em família!), quando a Pneumónica, poucos meses depois das “aparições”, atingiu o concelho de Ourém (como vêem, nem a senhora de Fátima lhe valeu! Pudera! E como havia de lhe valer, se aquilo é tudo mentira e invenção do clero de Ourém?!), não lhe resistiram, de tão fraquinhas que andavam com todos aqueles estúpidos “sacrifícios pela conversão dos pecadores”. Morreram ambas, num total abandono, por parte do clero de Ourém que, meses antes, as havia utilizado para aqueles perversos fins moralistas. Morreram as duas devoradas por indescritíveis dores e mergulhadas em horrendas alucinações, sobretudo a Jacinta, sozinha no Hospital D. Estefânia, em Lisboa (é um facto histórico, senhoras, senhores, não é invenção minha, nem do Jornal Fraternizar). E quanto à outra menina sobrevivente, a mais velhinha, é absolutamente obsceno o que o clero de Ourém e o próprio Bispo auxiliar do Patriarcado, candidato a Bispo e, depois Bispo titular efectivo, da restaurada Diocese de Leiria, lhe fizeram (já, então, pelo andar da carruagem, era previsível que Fátima viria a ser a galinha de ovos de oiro da Igreja em Portugal e da Cúria Romana e, por isso, uma e outra se apressaram a restaurar a Diocese!...). Obrigaram Lúcia, pela força – e com um chorrilho de mentiras clericais à mistura, de que ela era “vidente”, etc e tal – a sair de Fátima e da família. Sequestraram-na até à morte, primeiro, no então Asilo de Vilar, Porto, depois, num convento de Doroteias em Tui, Galiza, onde lhe foi imposto pelo confessor que tinha de ser freira, e, finalmente, freira de total clausura no Convento das Carmelitas, em Coimbra. Horrendo! Só mesmo de clero celibatário à força, eunuco à força, não, obviamente, eunuco pelo Reino /Reinado de Deus! A pobre rapariga tinha a terceira classe, quando a sequestraram, e assim ficou (ou pouco mais!), pelo resto da vida. E à mãe dela, que sempre disse que a conhecia bem e que aquela sua filha era compulsivamente mentirosa e vaidosa (por isso, nunca acreditou nem na filha nem nas “aparições”), nem mesmo na hora da sua agonia, deixaram que ela visse a filha; tão pouco, permitiram que, pelo menos, a mãe ouvisse a voz da filha pelo telefone! (Digam lá, se os sacerdotes e as freiras do Ídolo Religioso não são cruelmente vingativos e sádicos?!). Ora, é este horrendo crime e esta mentira sem perdão, que o papa Bento XVI vem caucionar com a sua visita de chefe de estado do Vaticano a Portugal e a Fátima, numa altura em que sobem de tom e de número, os clamores de inúmeras vítimas de casos de pedofilia, cometidos por clero, inclusive, de grande visibilidade, todos funcionários exemplares do Institucional Religioso-Eclesiástico católico. Haja modos e pudor, meu irmão Ratzinger!

Mário, Presbítero da Igreja do Porto



P.S.

Meu irmão Ratzinger, Bispo de Roma: aceitas uma sugestão que aqui te adianto?! Cancela esta viagem e todas as outras já agendadas para outros países. E, em vez dessa montra de vaidade e de ostentação de Poder Eclesiástico, que estás sempre disposto a protagonizar, convida à conversão, a Igreja universal, da qual és o principal animador. Não, obviamente, a estafada conversão pregada ao longo dos séculos pelo Moralismo Eclesiástico, hoje mais do que rançoso, mas a conversão proclamada /exigida por Jesus, o do Deus do Reino /Reinado-de-Deus. Perdoa, mas se calhar, nem tu saberás, sobretudo, por força dos Privilégios de que desfrutas na Igreja e no Mundo, o que significa o verbo CONVERTER-SE, utilizado por Jesus, logo a abrir a sua Missão na Galileia, por meados do ano 28 desta nossa era comum. Humildemente, te digo: Significa renunciarmos, duma vez por todas e por toda a vida, ao Deus-Ídolo Religião, e abrirmo-nos alegremente ao Deus Criador, nosso Abbá, o de Jesus, que nos habita e é mais íntimo a nós do que nós próprios, os seres humanos todos, mulheres e homens, em radical igualdade. És capaz de semelhante decisão? Fico abraçado a ti, cheio de Esperança Teológica, a de Jesus!

terça-feira, 27 de abril de 2010

CABRÕES DE MERDA

Apoios aos desempregados

Patrões exigem fim do limite mínimo do subsídio de desemprego
27.04.2010 - 09:30 Por PÚBLICO

11 de 27 notícias em Economia
« anteriorseguinte »A Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) vai propor ao Governo que o subsídio de desemprego não tenha qualquer limite mínimo. O objectivo da medida, que promete gerar polémica, é evitar que alguém possa ganhar mais estando no desemprego do que a trabalhar. António Saraiva é o actual presidente da CIP

(Shamila Mussa)
Esta é uma das propostas que amanhã será discutida na reunião da Comissão Permanente de Concertação Social, onde serão analisadas as alterações ao subsídio de desemprego previstas no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). De acordo com o “Diário Económico”, a CIP defende ainda a redução do subsídio de desemprego, à medida que a situação de desemprego se prolonga, e que uma parte do subsídio social de desemprego seja pago em vales sociais.

Mas as propostas de alteração dos patrões vão mais longe. Para a Confederação do Turismo, só deve beneficiar do subsídio de desemprego quem não tenha outros meios de subsistência e os desempregados devem ser obrigados a prestar serviço social.

Estas medidas estão em total colisão com a posição da CGTP, que recusa quaisquer alterações que fragilizem os desempregados ou reduzam o seu rendimento. A confederação sindical alerta ainda que as propostas de trabalho recebidas pelos desempregados são precárias e oferecem baixos salários, o que pode ser pernicioso para a economia. A UGT que só hoje se deverá divulgar a sua posição, também deverá opor-se a mudanças tão definitivas com as propostas pelos patrões.

No PEC o Governo avisa que vai tomar medidas para incentivar os desempregados a regressar ao mercado de trabalho e, para isso, quer reduzir a relação entre o salário e o subsídio de desemprego e reduzir o valor dos salários que obrigam um desempregado a aceitar uma oferta de trabalho.