domingo, 21 de março de 2010

A VOZ

Não tenho chefes. Na verdade tenho um só chefe mas esse não está cá. A esse sigo, a esse venero, a esse procuro, a esse entoo cãnticos. Na verdade não é um verdadeiro chefe. Não me dá ordens, nada me impõe, a nada me obriga. Ouço-o neste momento e a sua voz é a voz da Liberdade e do Amor. Ouço-o em algumas canções na rádio, ouço-o no canto dos pássaros, ouço-o na graça das mulheres. Agora já nada tenho a temer. Todo eu sou vontade. Todo eu sou alegria. Iluminações. Vozes. Agora encontri-me. Agora todo eu sou bondade.

DESPOJAMENTO, CONHECIMENTO, CRIAÇÃO


Ao Artur Queiroz
Ao António Manuel Ribeiro
Ao Padre Mário de Oliveira

Tenho de ser despojamento, tenho de ser criação. Procuro o conhecimento do homem e da mulher. Dou-me a quem me ama. Sigo uma espécie de religião. Mas não é bem uma religião. É uma forma de vida. Talvez seja, em parte, o Jesus do padre Mário. A vida dos negócios, do lucro não me interessa. Limito-me a vir ao café, a relacionar-me superficialmente com as empregadas, a observar os patrões. Não, não sou do negócio. Nem do stress, nem da pressa, nem da pressão, nem da competição. Sou do Homem. Do homem que ri, dança e cria. Posso estar em baixo, posso estar no inferno mas é desse homem que venho. Daí a suposta serenidade excessiva, intrigante.
É a liberdade que me interessa. É pela liberdade que me bato. Se me retirarem um bocadinho que seja da minha liberdade eu já não sou o mesmo. E depois há o amor. O amor que sinto quando passas. O amor que nos eleva. O amor que nos desarma. Que nos aproxima da loucura. Sim, porque já sofremos a humilhação pública. Não, não somos do negócio. Do está sempre tudo bem. Não somos da feira nem do mercado. Por vezes descemos à praça pública mas sabemos o que a praça pública diz de nós. Às vezes até nos ama, bate-nos palmas, endeusa-nos mas outras vezes destrói-nos, diminui-nos. Também é verdade que já pouco ou nada temos a perder. Também é verdade que tudo temos a ganhar. E não devemos nada a ninguém. Podemos desejar tudo. Podemos desejar a loira que come croissants ao balcão. Podemos ser tudo o que quisermos. Numa folha de papel está o que somos. Numa folha de papel derramamos a vida. Sem àlcool. Só com a loira à nossa frente. No deserto do café. Há mais de duas horas que estamos a escrever. Escrevemos lentamente, ao ritmo do cérebro e do coração. Coração que, ainda ontem, ainda hoje batia forte, desesperado. Parecia que nos queria deixar. Mas estamos aqui. Continuamos aqui. Os homens riem e bebem àgua das pedras. Temos de ser despojamento, conhecimento, criação. Somos do Homem. Escrever o que escrevemos é o nosso trabalho na terra. Nada mais. Há dias em que vamos dizê-lo à praça pública. Há dias, noites, em que nos transformamos. Nada mais. Somos do homem e da mulher.

sexta-feira, 19 de março de 2010

FILHO DE DEUS


I am the son of God. Sou o filho de Deus. Passo a noite em claro. Deambulo pela casa. Sou o filho de Deus. Dizem que ainda não cheguei onde quero chegar. Só a espaços. Sou o filho de Deus. Dizem até, agora, que tenho utilidade pública. Sou o filho de Deus. Mas às vezes até sou o anticristo. Ainda não cheguei onde quero chegar na palavra escrita. Tenho variações. Há dias, como hoje, em que vou da merda ao ouro em dois tempos, em que sou capaz do melhor e do pior. Sempre fui assim. É madrugada. Os pássaros cantam lá fora. Estou a subir. Já desci hoje. Tenho 41 anos. O que fiz até hoje? Dei-me ao mundo e fugi do mundo. Tive medo. Já senti medo do homem e até da mulher. As mulheres protegem-te mais, são mais doces, quando o são. Sim, tive medo. Fui um cobarde. Mas também houve alturas em que me fiz ao mundo de peito feito. Em que enfrentei a fera. Em que disse o que tinha a dizer. Sou o filho de Deus. I am the son of God. Não tenho de ser humilde. Não tenho de me rebaixar perante coisa nenhuma. Ainda assim apetece-me refugiar-me entre as mulheres. Dizem que algumas têm medo de mim. Estranham a minha calma excessiva. Dizem que sou estranho. Que não sou como os outros. E, de facto, eu não tenho a palavra fácil. Falo pouco. Só em certas ocasiões sou um bom conversador. Quando algo ou alguém me entusiasma. Como agora.
Sou o filho de Deus. Escrevo às sete da madrugada. Nem sequer sei se Deus existe nem quero saber. Quero escrever o que nunca foi escrito. Quero escrever como Homero, Shakespeare ou Nietzsche. Não quero ser um poeta de prémios ou de conferências. Farto-me do poeta de café.
Sou o filho de Deus. Descasco uma laranja sobre o papel. O sumo derrama-se como sangue. Sou aquele que procurais. Sou o filho de Deus. Sou aquele por quem esperais.

quarta-feira, 17 de março de 2010

GRAÇA


A menina é bonita
dá gosto vir assim ao café
com meninas bonitas

loira alta de laço brasileira
nem sequer apetece sair daqui
deveria haver meninas bonitas
em todo o lado
a vida assim é mais linda
e o poeta trabalha com alegria
o poeta compõe o poema
com toda a graça
e o poema é de graça
tal como a menina.
Vá lá que um gajo ainda pode micar o cu das gajas para se entreter. Senão era a pasmaceira total.

Lá se foi a Carina. Venho à Padeirinha por causa da Carina e já não há Carina. Pelo menos por hoje. Há uma brasileira boazona mas não há Carina. A TV passa imbecilidades. O patrão matulão refugia-se na arrecadação. O Tavares chega e saúda-me. É a padeirinha sem a Carina.

O MEDO DO PAPÃO

Ich bin ein frei Mann. A professora de alemão é porreira mas eu não estou a apanhar a pedalada. Há mulheres que fogem de mim porque me acham estranho, demasiado calmo. Há pessoas que se sentam e conversam ao domingo e outras que andam cheias de pressa, sempre com medo do relógio e do patrão que vem de chicote. Que merda de vida é esta? Sempre cheios de medo. Tendes instantes em que vos ris, em que até gozais mas depois volta o medo. Tendes de voltar a casa com medo da noite. TEndes de arrumar as coisas com medo do papão. Entrais em pânico por causa da revolução. Eu também tenho as minhas paranóias, os meus medos, mas vocês são demais. Viveis no medo, no tédio e na morte. Precisais de alguém que vos controle. Precisais sempre do patrão e do papão. Não, não quero ser como vós. Os meus medos não são esses. Passais a vida a trabalhar para o patrão ou para o papão.

TRAFULHAS

"As pessoas precisam de entender que estão a ser burladas. O País não pode continuar a ser dirigido por trafulhas..."
(Dr. Medina Carreira)

PRIVATIZAÇÕES

BE acusa Governo de "leiloar o país" com programa de privatizações e de estar a "fazer um frete" à direita
Lisboa 17 mar (Lusa) - O BE deixou hoje duras críticas ao programa de privatizações anunciado pelo Governo no âmbito do Programa de Estabilidade e Cre...

Lisboa 17 mar (Lusa) - O BE deixou hoje duras críticas ao programa de privatizações anunciado pelo Governo no âmbito do Programa de Estabilidade e Crescimento, considerando que se trata de "leiloar o país" e "um frete" que o executivo está a fazer à direita.

"As contas são claras. O Estado perde muito mais do que ganha. O que o Governo prevê poupar por ano, com a lista interminável de privatizações, é igual aos dividendos que, também por ano, ganha só com os CTT e a EDP", afirmou o deputado do BE Pedro Filipe Soares, numa declaração política no plenário da Assembleia da República.

Considerando que todos os anos se irá perder dinheiro com as privatizações, o deputado do BE acusou os socialistas de fazer "um feroz ataque" ao bem público.

"A opção privatizadora não serve para garantir a estabilidade das contas públicas, é um ataque às posições estratégicas que o Estado detém, degradando as contas públicas", criticou, acusando o Governo de "levar a cabo o maior frete à direita que alguma vez foi feito no nosso país" com esta política de privatizações.

"O Programa de Estabilidade e Crescimento é o casamento entre o PS e a direita sem convenção antenupcial", sublinhou.

Insistindo que privatizar empresas que entregam dividendos ao Estado e que asseguram serviços fundamentais "é um disparate económico e uma ofensa contra a democracia", Pedro Filipe Soares assinalou ainda que nenhum programa de privatizações estava nos compromissos eleitorais do PS, nem no programa do Governo.

"O PS tinha um programa oculto de privatizações que não queria revelar aos portugueses", sublinhou.

Juntando-se às críticas do BE, o deputado do PCP Bruno Dias salientou ainda a necessidade de colocar a questão das privatizações no centro do debate político, considerando que "caiu a máscara ao PS" com programa agora anunciado.

"O PS leva a cabo aquilo que o PSD e o CDS gostariam de fazer", acusou.

VAM.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/fim

POESIA DE CHOQUE


António Pedro Ribeiro e Luís Carvalho apresentam mais uma sessão de POESIA DE CHOQUE no Clube Literário do Porto na próxima quinta, 18, pelas 22,00 h. A poesia a abrir e a arder.

domingo, 14 de março de 2010

PRIVATIZE-SE O AR!

"Um Governo que privatiza os correios não é socialista". Não é nem nunca foi e esse é só mais um motivo.


A rapina do serviço público de correspondência e transporte de volumes começou há bastantes anos com a chegada da multinacional DHL e, depois outras se seguiram.
Entretanto veio a saga do Banco Postal, com intervenientes vários e que continua sem desenlace; mas decerto que os CTT já arcaram com custos avultados em estudos para o efeito

Anos atrás (governo PSD/CDS) na gloriosa gestão de um tal Carlos Horta e Costa a privatização esteve na ordem do dia. A ideia era vender os postos dos correios aos empregados, podendo estes de seguida rendabilizar o negócio acrescentando ao negócio postal outros mercados, fosse a venda de hortaliça ou serviços de lavandaria. O importante seria desenvolver o espirito empresarial dos compradores.

O mesmo Horta e Costa e outros capangas estão envolvidos num processo judicial que dura há anos por causa da venda por x de um prédio dos CTT em Coimbra a uma empresa imobiliária que logo a revendeu por nx. Estão a perceber? Entaõ percebem também porque ninguém foi preso nem o processo acaba


A propósito, em 2008, o governo socratóide permitiu a entrada de uma empresa - Takargo - no transporte ferroviário de mercadorias, depois da entrada da Fertagus em 1999 no de passageiros.
Entretanto a dívida da CP aumenta e o seu prejuizo acumulado anda perto dos 4000 M euros.
Ah, um pequeno pormenor, a tal Takargo pertence à... Mota-Engil!!!

O mundo é pequeno, não é?

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Um Governo que privatiza os correios não é socialista



Abrir ao capital privado novos mercados praticamente protegidos da concorrência foi uma das linhas de orientação do Novo Trabalhismo de Blair e Brown. A degradação do serviço de caminhos de ferro que se seguiu é hoje um facto incontroverso.

O último episódio da saga privatizadora do Novo Trabalhismo é o serviço dos correios (Royal Mail). A privatização tem sido adiada porque, depois de muitas tropelias na liberalização de alguns serviços postais que dão lucro, encontrou uma forte oposição da opinião pública. Avaliando a fase de 'abertura do mercado', o relatório Hooper afirmava "não ter havido benefícios significativos da liberalização para as pequenas e médias empresas e para as famílias. Estes acreditam que o serviço da Royal Mail oferece uma boa relação qualidade-preço tal como está."

Contudo, a percepção do público é muito mais desfavorável que a linguagem cautelosa do relatório oficial. Em artigo no Guardian, Seumas Milne escrevia: "Longe de "funcionar" ou prestar o serviço, a abertura de alguns segmentos às empresas privadas está a destruir uma rede pública que está no coração dos negócios e da vida social da Grã-Bretanha."

Este último aspecto é central para compreendermos por que razão os socialistas nunca privatizariam os correios. Recordo aqui um livro de Jean Gadrey (Nova Economia Novo Mito, Instituto Piaget) onde se lê o seguinte sobre o serviço prestado pelos correios (p. 149):

"Em geral, esta organização é um serviço de proximidade que, em particular no quadro das suas estações e dos seus balcões, recebe "o público", todos os públicos. A qualidade deste acolhimento é diversa e por vezes problemática em termos de expectativas, mas algo de importante se desenrola ali, que de novo tem a ver com os laços sociais: os agentes no balcão consagram uma parte considerável do seu tempo a ajudar pessoas com dificuldades ou "deficiências diversas" (analfabetismo ou dificuldades de compreensão dos procedimentos, pobreza, isolamento...), ligadas a formas de exclusão identificáveis. (...) A organização tolera por enquanto estes comportamentos não rentáveis ... também porque o monopólio que ela detém sobre uma parte das suas actividades ainda lhe permite libertar os recursos necessários. Mas já surgem pressões para os reduzir. (...) Assim, esta empresa [pública] contribui para produzir integração social, que consideramos um bem colectivo a dois níveis, territorial por um lado, social por outro, a fim de manter a ligação da população às redes constitutivas da pertença a uma sociedade desenvolvida que são o correio, o vale do correio, a conta postal ou a caderneta A [serviços financeiros básicos em França]."

Se a coesão social está no âmago do pensamento socialista, então só posso esperar que os socialistas deste País não deixem passar à prática a anunciada intenção do Governo de privatizar os correios de Portugal. Há certamente outras fontes de receita. Apenas é preciso ver com atenção o que se passa com os rendimentos do capital e com os negócios da urbanização de terrenos.
Os socialistas têm de levantar-se e dizer "BASTA, os Correios de Portugal são nossos"!

FILHOS DA PUTA

França
Relatório acusa ex-dirigentes da France Telecom de nada fazerem perante vaga de suicídios
Um relatório da inspecção do trabalho que investiga a onda de suicídios de trabalhadores da France Telecom acusa antigos dirigentes de topo de nada fazerem perante as consequências do seu plano de reorganização da empresa

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O documento indica que os últimos suicídios na France Telecom «não são casos particulares» e estão relacionados com a política de reorganização e gestão posta em marcha a partir de 2006.

O diário francês Le Parisien publica hoje excertos do relatório, enviado para a Procuradoria de Paris, no qual a inspectora Sylvia Catala fala de «assédio moral» no seio do operador francês de telecomunicações.

Segundo a responsável, os mais altos cargos da empresa foram alertados «em diversas ocasiões» por médicos, sindicalistas e inspectores laborais sobre «os efeitos sobre a saúde dos trabalhadores» que estava a ter a política de reorganização da empresa.

Apesar disso, acrescenta o relatório, foram apenas aplicadas medidas para remediar o «sofrimento» do quadro de pessoal.

As acusações dirigem-se, em concreto, contra três directores, entre eles, o antigo presidente Didier Lombard, recentemente substituído no cargo por Sthéphane Richard.

A inspectora argumenta que os cerca de quarenta suicídios ocorridos nos últimos anos são consequência do 'Plan Next', posto em marcha em 2006 para melhorar o rendimento, eficácia e produtividade da empresa.

Esse plano previa a supressão de 22 mil postos em três anos e a transferência forçada de 11 mil trabalhadores.

Lusa / SOL

sexta-feira, 12 de março de 2010

VIVE L' ANARCHIE!


Carla Bento e A. Pedro Ribeiro apresentam a performance "Vive l'Anarchie-Terrorismo Poético" no Riba Kafee em Ribeirão (Trofa) nesta sexta, 12, pelas 22,00 h. A liberdade vai andar uma vez mais à solta.

ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO NO "REGIONAL" DE SÃO JOÃO DA MADEIRA


SECÇÃO: Política

Candidatura apresentada em S. João da Madeira
António Pedro Ribeiro na corrida à Presidência da República


O poeta António Pedro Ribeiro esteve em S. João da Madeira a apresentar o seu manifesto poético e político, bem como a sua candidatura anarquista à Presidência da República. Combater comportamentos quase fascistas e uma maior atenção aos pobres e desempregados são as suas principais prioridades da sua candidatura à cadeira de Belém.
António Pedro Ribeiro, poeta, anarquista, “diseur” e “performer”, veio, quinta- -feira, dia 4, a S. João da Madeira apresentar o seu manifesto poético e político, bem como a sua candidatura anarquista à Presidência da República. Durante a apresentação, que decorreu no Art7-Bar, nas Galerias Avenida, o candidato afirmou que cada vez mais os partidos são as pessoas e não as cores e ideais políticos. Em declarações à nossa reportagem, o candidato diz que vê um primeiro-ministro “suspeito de controlar a comunicação social, tem comportamento quase fascista e arrogante”. Por outro lado, “temos um Presidente da República conivente”. É isso “que vou tentar combater, pois nenhum partido olha os desempregados e para os pobres”.
António Pedro Ribeiro nasceu no Porto em 1968. É autor de vários livros, foi activista estudantil na Faculdade de Letras do Porto e no Jornal Universitário do Porto. Fez performances poéticas no Festival de Paredes de Coura. Diz regularmente poesia em bares.
O candidato referiu que a sua corrida à presidência não pactua com “negociações e sindicatos em busca de influências, estatutos e poderes”. A candidatura de António Pedro Ribeiro é essencialmente de um homem livre que está contra a economia de mercado e a social-democracia de mercado que “nos infernizam a vida”.

“Nenhum partido olha os desempregados e para os pobres”

Segundo António Pedro Ribeiro, a sua candidatura tem uma vertente de “ruptura contra todas as formas de capitalismo, estejam elas na bolsa, nos bancos ou no grande capital”.
«Poema de Amor Inocente, em Jeito de Manifesto Autárquico para a Cidade do Porto», «Futebol-Dada», «Se me Pagares uma Cerveja estás a Financiar a Revolução», «Carta à Minha Mãe», «O Dia Triunfal», «Homem Livre» e a já célebre «Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro» foram alguns dos poemas e manifestos ditos pelo poeta. António Pedro Ribeiro não separa os referidos poemas e manifestos da sua candidatura. “Vivemos dominados pela economia e pela linguagem económica: uma linguagem pobre, castradora, entediante, feita de percentagens, PIB’s, contas, bancos”, disse. “Está tudo no mercado, tudo na bolsa, tudo se compra, tudo se vende”, acrescentou. Para o poeta, que vê cada vez mais gente deprimida, triste, descrente, “uma sociedade, como a do mercado, que faz as pessoas infelizes, não presta”. Mas, para a combater o discurso económico dos partidos de esquerda já não é eficaz. Daí falar-se no “Homem livre”, na construção do Homem, na recuperação da vida.

“Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro”

“Temos um primeiro-ministro fascista. Temos um Presidente da República conivente, ao serviço do grande mercado e da linguagem mercantil da morte. Que alma têm estes homens? É preciso falar na vida”, disse o poeta que, seguidamente, declamou o poema/canção «When The Music’s Over», de Jim Morrison.
Interrogado sobre as primeiras medidas que tomaria, caso fosse eleito presidente, António Pedro Ribeiro respondeu que encerraria a Bolsa e que tentaria tirar os sem-abrigo da rua, dando-lhes comida, bebida e abrigo. “Se há dinheiro para os TGV’s também tem de haver para os que nada têm”, justificou.
Questionado se receia que as pessoas não o levem muito a sério, disse que “não sou político. Sou poeta”.No entanto, lembra que, “se não tivesse feito alguns disparates ao longo da vida, a esta altura já teria apodrecido de tédio ou de depressão”. Porém, “custa sempre reagir às provocações quando insultam, principalmente, aqueles que amamos”, rematou.



Por: António Gomes Costa

quinta-feira, 11 de março de 2010

OLH'Ó VARA!

Quanto ganhou Armando Vara, em 2008, por 9 dias de trabalho

No RELATÓRIO SOBRE O GOVERNO DA SOCIEDADE, da Caixa Geral de Depósitos, referente a 2008 (publicado em Abril de 2009), que segue em anexo (pags. 504-542), em PDF, pode observar-se no quadro da página 540 que:





Armando António Martins Vara, vogal do Conselho de Administração, terminou o seu mandato em 09/01/2008. Portanto, conforme se informa: em 2008, por ter trabalhado 9 dias na CGD como vogal da Administração, Armando Vara teve direito a uma remuneração base de 23736,95 € (à média de cerca de 2637,44 € por dia), tendo por conseguinte recebido uma verba superior ao vencimento mensal a que teria direito (18550,00 €) se tivesse trabalhado, em condições normais, todo o mês. Depois, em 16 de Janeiro de 2008, seguiu para a Administração do BCP, acompanhando Santos Ferreira e Vítor Lopes Fernandes, também administradores cessantes da CGD.



Além do vencimento total de Janeiro de 2008, Vara também deve ter recebido algum "prémio de produtividade" e/ou alguma outra "alcavala", ou então houve algum motivo de justa causa.

Refere-se nessa página 540 que terminaram também o mandato em 09/01/2008 os seguintes administradores (indicando-se também os respectivos vencimentos base nesses 9 dias):



Carlos Jorge Ramalho Santos Ferreira (presidente, que recebeu 33648,42€, à média de cerca de 3738,71 € por dia), António Manuel Maldonado Gonelha (vice-presidente, com 28601,14 €), José Joaquim Berberan Santos Ramalho (vogal, com 22691,31 € [este também com os apelidos Santos e Ramalho terá algum parentesco com o Santos Ferreira?]), Vitor Manuel Lopes Fernandes (vogal, com 23553,17 €) e Maria Celeste Ferreira Lopes Cardona (vogal, com 23553,17 €).

Todos estes administradores receberam, assim, em 9 dias, verbas superiores aos vencimentos mensais a que tinham direito, pois na página 521 há a seguinte informação:



"6.1. ESTATUTO REMUNERATÓRIO FIXADO EM 2008



Mesa Assembleia Geral



Presidente - Senha de presença no valor de 897,84 euros;



Vice-Presidente - Senha de presença no valor de 698,32 euros;



Secretário - Senha de presença no valor de 498,80 euros.





Conselho Administração



Administradores Executivos



Presidente - Remuneração de 26.500,00 euros, 14 vezes por ano;



Vice-Presidente - Remuneração de 22.525,00 euros, 14 vezes por ano;



Vogais - Remuneração de 18.550,00 euros, 14 vezes por ano.





Conselho Fiscal



Presidente - Remuneração de 5.300,00 euros, 14 vezes por ano;



Vogais - Remuneração de 3.975,00 euros, 14 vezes por ano."

Somos também informados na mesma página 540 que, ainda em 2008, Armando Vara recebeu, também da CGD, 23742,72 € de férias não gozadas (Que grande trabalhador!! Nem parou para gozar férias!! Mas não teve fins de semana prolongados?), naturalmente referentes ao mês de férias de 2007. Tal, somado com o normal subsídio de férias (14.º mês de vencimento), representa mais do que uma duplicação do ordenado mensal de férias a que ele tinha direito. Por outro lado também recebeu 117841,03 € de Participação nos Lucros/Prémios de Gestão (referentes, naturalmente, a 2007 e pagos em 2008), o que representou cerca de mais de 6 ordenados mensais extra, além dos 14 normais e do subsídio de férias extra. Em suma, podemos concluir que o ano de 2007 foi muito bom para Armando Vara que ganhou globalmente na CGD, nesse ano, o equivalente a cerca de 21,63 ordenados mensais nas funções que lhe estavam atribuídas. Note-se que neste total não se contabilizou o que lhe foi devido e já respeitante expressamente a 2008. Mas ele tinha outras "alcavalas", conforme se pode observar no quadro da página 540 (relativamente à atribuição de um cartão de crédito da empresa, à aposentação, etc.).

Uma outra curiosidade referente a Armando Vara, que vem nessa mesma página 540: em 2008 teve direito a 961,87 € de Gastos de utilização de telefones (com a indicação de: Reporta a custos com comunicações móveis e de dados). Devem ter sido gastos relativos aos tais 9 dias na CGD (ainda que talvez possa ter tido direito a retroactivos de 2007), pois, conforme podemos observar, o vogal da Administração Rodolfo Lavrador, em todo o ano de 2008, teve direito a 12151,93 € de Gastos de utilização de telefones (o que dá para este uma média de 1012, 66 € por mês!!).



Assim se confirma que Armando Vara é um compulsivo utilizador de telemóveis (depois não se queixe de ter altas probabilidades de ser apanhado em escutas!!).

Mas atenção:



Armando Vara duplicou o seu salário quando mudou da CGD para o BCP!!



No BCP Vara passou a vice-presidente do Conselho de Administração Executivo.

Mas também recebeu outro prémio da CGD.

Armando Vara foi promovido na Caixa um mês e meio depois de ter saído para a administração do BCP!!

O ex-administrador da CGD e ex-quadro da instituição, com a categoria de director, foi promovido ao escalão máximo de vencimento, ou seja, o nível 18, o que terá reflexos para efeitos de reforma.

A promoção, do escalão 17 para o 18, foi decidida pelo conselho de administração a 27 de Fevereiro de 2008, já pela administração de Faria de Oliveira, que ascendeu ao cargo após a saída de Carlos Santos Ferreira e dos administradores Armando Vara e Vítor Manuel Lopes Fernandes para a administração do maior banco privado.

Tendo sido admitido na CGD em 17 de Setembro de 1984, de acordo com informação oficial fornecida pela Caixa, "Armando Vara desvinculou-se da CGD no dia 15 de Janeiro de 2008". A acta da reunião da administração de 27 de Fevereiro de 2008 refere que, "na sequência da cessação de funções de administrador da CGD do dr. Armando António Martins Vara, quadro da instituição com a categoria de director, o conselho deliberou a sua promoção ao nível 18 e os seguintes ajustamentos remuneratórios: remuneração de base - 18 E ; II IT de 47 por cento; RC E RER no valor de 2000 euros e 3000 euros, respectivamente". Esta alteração terá um efeito positivo na reforma em montantes que dependem do momento e da forma em que acontecer.

A instituição esclareceu que, "como é prática comum do grupo, todos os administradores quadros da CGD, quando deixam de o ser, atingem o nível 18 em termos de graduação interna". Fonte oficial da instituição acrescentou ainda "que o Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos cumpriu, desta forma, o estabelecido internamente, agindo retroactivamente, numa das primeiras reuniões do conselho de administração, após alteração da estrutura governativa da instituição, como sempre é feito".

Já agora, vejamos o que, de relevante, se encontra neste Relatório sobre o Governo da Sociedade 2008 quanto a princípios éticos e, portanto, no reflexo que tal projecta no que se refere ao respeito e ao atendimento que deve merecer qualquer cliente.

Nas páginas 510-511 consta:

"2.1.1. CÓDIGO DE CONDUTA

Em Fevereiro de 2008, a CGD aprovou o Código de Conduta da Instituição, que contempla e sistematiza os princípios gerais e as regras de conduta aplicáveis a todos os colaboradores e órgãos sociais, e que devem reger a actividade da empresa.

O Código de Conduta encontra-se publicado no Sistema de Normas Internas, acessível através da Intranet por todos os colaboradores, bem como no site da CGD, estando assim igualmente acessível ao público em geral."

A seguir, observamos ainda na página 511 deste relatório da CGD:

"2. CUMPRIMENTO DE LEGISLAÇÃO E REGULAMENTAÇÃO

Toda a actividade da CGD é norteada pelo cumprimento rigoroso das normas legais, regulamentares, éticas, deontológicas e boas práticas, existindo um sistema de controlo interno para monitorizar esse cumprimento.



Neste contexto, a CGD adopta um comportamento eticamente irrepreensível na aplicação de normas de natureza fiscal, de branqueamento de capitais, de concorrência, de protecção do consumidor, de natureza ambiental e de índole laboral."



Na página 525 podemos ler o seguinte:

"Ética

A CGD actua segundo princípios éticos, que se concretizam no respeito pela legislação, pelas normas internas e códigos de conduta voluntários. Neste contexto, a CGD desenvolve um conjunto de acções internas, de que são exemplo as acções de formação aos vários quadros, sobre a aplicação de normas e legislação de cariz fiscal, de branqueamento de capitais, de concorrência, de protecção do cliente, entre outras. A promoção do bem-estar ambiental e social no desenrolar das actividades do Grupo CGD, incentivando o respeito pelo Ambiente e promovendo a igualdade de oportunidades entre todos os colaboradores, constituem também vectores essenciais nos padrões éticos existentes. Foi neste enquadramento que, em Fevereiro de 2008, o Código de Conduta da CGD foi aprovado, sendo aplicável a todos os colaboradores e a todos os membros dos órgãos sociais. Este documento contempla e sistematiza todos os princípios gerais que devem ser seguidos, de forma a que a Caixa seja, e continue a ser, um banco exemplar."



Neste mesmo relatório, na página 528, pode ler-se o seguinte:

"7.5. NOMEAÇÃO DE UM PROVEDOR DO CLIENTE

Na CGD, para além da existência e disponibilização do livro de reclamações, o direito de reclamação dos clientes e dos cidadãos em geral, bem como a apresentação de sugestões, pode ser exercido em qualquer ponto da Rede Comercial, ou através do serviço Caixadirecta Telefone ou no Espaço Cliente no sítio www.cgd.pt, estando as regras de gestão e tratamento das reclamações claramente definidas em Ordens e Instruções de Serviço internas.

A CGD dá particular ênfase à gestão e tratamento das reclamações, na dupla perspectiva de melhoria de serviço ao cliente e de controlo interno

As reclamações e sugestões são tratadas e acompanhadas, com o máximo rigor e celeridade, por uma estrutura dedicada, o Gabinete de Apoio ao Cliente, criado em 2008 e que funciona na dependência directa do Conselho de Administração. Este Gabinete garante a centralização, a análise, o tratamento e a resposta a todas as reclamações e sugestões, qualquer que seja o canal de contacto e o suporte utilizado pelo Cliente. Para tanto, e quando necessário, recorre a outras áreas internas da Caixa ou a Empresas do Grupo, salvaguardando a segregação de funções e a independência relativamente ao órgão da estrutura que possa constituir o objecto da reclamação.

Neste contexto, a CGD entendeu que não se justificava a nomeação de um Provedor do Cliente."



Quem quiser saber mais alguma curiosidade referente a este relatório da CGD, faça o respectivo download, abra-o e utilize nalgumas páginas uma visibilidade de 150% ou até de 200% (como a 540 em que figura o quadro sobre REMUNERAÇÃO DOS MEMBROS DOS ÓRGÃOS SOCIAIS).



Este relatório passou, inesperadamente, a ter uma importância superior à que os seus autores naturalmente previam, devido ao escandaloso caso "Face Oculta", pois permite algumas sugestivas informações sobre um dos principais protagonistas deste processo (Armando Vara) e, por tabela, sobre outras personalidades.



Como eles sabem tratar da vidinha deles ! ! !