quarta-feira, 10 de março de 2010

NÃO, NÃO EM DEUS


Não, não em Deus
não no deus do sacrifício
e da obediência
não no deus que nos quer
servis e humildes
não no Deus
que nos enviou o dilúvio
e nos expulsou do paraíso
não, não em Deus
mas na Vontade
na vontade de criar
na vontade da mulher
que vem
e se insinua
não, não em Deus
nem no dever
na obrigação
mas na Verdade
que somos
que procuramos
sem cessar
não, não em Deus
mas na Música
que nos eleva
que nos purifica
que nos faz livres

Não, não em Deus
nem na norma
na negação da carne
mas na Vida
na festa
na descoberta
que faz de nós deuses
que faz de nós crianças.


"Motina", 8.2.2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

O POETA FALA AOS ANJOS


O POETA FALA AOS ANJOS

Agora compreendo, temos de celebrar a mulher. A mulher livre. Por isso tantas vezes a provocámos. A mulher sagrada. Como Maria Madalena. Que nos dá à luz e nos dá a luz. Que nos dá o amor.


O sagrado feminino tem sido espezinhado ao longo dos tempos pelas Igrejas, pelos poderes. Só assim se explicam tantas guerras, tanta ganância, tanta luta pelo poder. A revolução anarquista e surrealista passa pelas mulheres. Daí o endeusamento da mulher feito pelos surrealistas.


As mulheres têm um poder de que nem sempre têm consciência. O poder de criar vida, o poder de dar o amor. Sim, agora compreendo. Não pode haver contradição entre o amor e a revolução. Amamos as mulheres. Dissemos, escrevemos aquelas palavras, aqueles palavrões, só para as provocar, para as despertar.


É uma bênção olhar para a mulher amada, para a mulher que passa. É uma bênção, sermos abençoados pelo Sol. Mas a mulher tem de ter noção de quão abençoada é. Eis uma das missões do poeta.


O poeta está cá para cantar a mulher, a beleza da mulher. O poeta está cá para derrubar o capitalismo mas ao fazê-lo deve celebrar a mulher. O poeta não pode ter um discurso puramente político, puramente marxista ou anarquista social.


Olha o anjo que entrou. O poeta tem de falar aos anjos. O poeta tem de voltar à adolescência, quando falava de paz, amor e anjos. O poeta tem de ser a criança sábia. O poeta nada tem a ver com o primeiro-ministro nem com os poderes.


O poeta fala outra linguagem. O poeta anda sempre em demanda do Graal. O poeta não vive no mundo dos políticos nem dos empresários, nem dos financeiros, nem dos bolsistas.


O poeta torna-se naquele que é. O poeta é livre. O poeta quer a mulher livre. O poeta quer o homem livre. O poeta é a própria liberdade. O poeta quer a união sagrada.

domingo, 7 de março de 2010

INFÂNCIA

Chegar mais perto de mim mesmo
através da mulher que me dá o pão
que me dá o vinho
atingir Deus
comunicar com Deus
através da mulher
ler o livro do mundo
ir até ao fundo
ser a Liberdade
e a Verdade
morder a vida
rir sem limites
como um doido
ir à procura do Reino
num café quase deserto
brindar, de novo,
à infânccia.

A NASCER OUTRA VEZ

Ontem no art 7 senti-me nas minhas quintas. Vi os jovens a reagir, vi-os a trautear "When the Music's Over", ouvi-os a discutir o mundo. Poderia ter optado por outra ordem, poderia ter escolhido outros textos mas assim esteve bem. Estou contente comigo mesmo. estou na estrada do excesso e da sabedoria, caro Blake. Agora há que continuar. Não há que hesitar. O mundo é meu. O mundo está à minha disposição. Estou a fazer o que deveria fazer. Não tenho de ceder. Não tenho de me rebaixar. Estou a nascer outra vez.

OH, GOD


Oh, God!
Gingas que gingas
entras na confeitaria
Oh, God!
O mundo começa aqui
calças de ganga
cabelo negro
Oh, God!
EStou rendido
aos teus pés
deposito as armas
Oh, God!
Gingas que gingas
abres-me a cabeça
Oh, God!
Esperas o pão
dou graças à vida.

JURAMENTO SEM BÍBLIA- TIAGO MOITA


JURAMENTO SEM BÍBLIA

Sobre as lápides tumulares de Père-Lachaise
Aonde repousam as cinzas dos últimos lobos
Trovadores da decadência da realidade absoluta
Eu juro!
Nunca trair a minha alma!
Nunca trair as minhas palavras!

Eu juro escrever as trovas da revolta
Da revolta semântica dos sublinhados provocadores
Contra a letargia estéril que anestesiou a escrita
Eu juro reabrir as feridas do peito moribundo
Da prostituta da babilónia
E soltar das suas entranhas
A alba das palavras que dão cor à poesia

Eu juro! Todos os poetas estão do meu lado!
Todas as pedras são minhas testemunhas!
Que quando o príncipe dos poetas
Declamar o seu último canto
Morrison, Ginsberg, Pessoa, Kerouak e Blake
Se erguerão dos seus túmulos caiados
Transformar-se-ão em balas perdidas
E matarão os fascistas que detém o poder
Da torre de Babel

Nunca trairei as minhas palavras!
Nunca trairei a poesia!
Diante das lápides tumulares de Père-Lachaise
Aonde repousam as cinzas eternas
Dos narradores do absoluto
Eu Juro!...

TIAGO MOITA Dezembro de 2004

OSHO

SER LOUCO É SER SÃO

O mundo tem conhecido pessoas tão bonitas, tão
loucas! Na verdade todas as grandes pessoas no mundo
foram um pouco loucas – aos olhos da multidão. Suas
loucuras tiveram expressão porque elas não eram miseráveis,
elas não tinham medo da morte, elas não estavam
preocupadas com o trivial. Elas estavam viven...do cada
momento com totalidade e intensidade e, por causa dessa
totalidade suas vidas se tornaram uma linda flor –elas
estavam cheias de fragrância, de amor, de vida e de riso.
Mas isso certamente fere milhões de pessoas que
estão ao seu redor. Elas não podem aceitar a idéia de que
você tenha alcançado alguma coisa que elas perderam; elas
tentarão de todas as maneiras torna-lo infeliz. A condenação
delas nada mais é do que o esforço em torna-lo infeliz, para
destruir sua dança, tirar a sua alegria – de medo que você
possa voltar ao rebanho." (OSHO)

sexta-feira, 5 de março de 2010

RIBEIRO NO ART 7


O poeta António Pedro Ribeiro esteve ontem no bar Art 7 em São João da Madeira a apresentar o seu manifesto poético e político, bem como a sua candidatura anarquista à Presidência da República. "Poema de Amor Inocente em Jeito de Manifesto Autárquico para a Cidade do Porto", "Futebol-Dada", "Se me Pagares uma Cerveja estás a Financiar a Revolução", "Carta à Minha Mãe", "O Dia Triunfal", "Homem Livre" e a já célebre "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" foram alguns dos poemas e manifestos ditos pelo poeta. António Pedro Ribeiro não separa os referidos poemas e manifestos da sua candidatura. " Vivemos dominados pela economia e pela linguagem económica: uma linguagem pobre, castradora, entediante feita de percentagens, PIB's, contas, bancos", disse. "Está tudo no mercado, tudo na bolsa, tudo se compra, tudo se vende", acrescentou. Para o poeta ,que vê cada vez mais gente deprimida, triste, descrente, "uma sociedade, como a do mercado, que faz as pessoas infelizes não presta". Mas para a combater o discurso económico dos partidos de esquerda já não é eficaz. Daí falar-se no "Homem livre", na construção do Homem, na recuperação da vida.
"Temos um primeiro-ministro controleiro, vigarista e até fascista. Temos um Presidente da República conivente, ao serviço do grande mercado e da linguagem mercantil da morte. Que alma têm estes homens? É preciso falar na vida", disse o poeta que seguidamente disse o poema/canção "When The Music's Over" de Jim Morrison. Interrogado sobre as primeiras medidas que tomaria caso fosse eleito Presidente António Pedro Ribeiro respondeu que encerraria a Bolsa e que tentaria tirar os sem-abrigo da rua, dando-lhes comida, bebida e abrigo. "Se há dinheiro para os TGV's também tem de haver para os que nada têm", justificou.
A sessão foi aberta a todos os presentes como tem acontecido no Art 7 e o público jovem compareceu à chamada. Angel Pinho, A. Da Silva O., Tiago Moita, Luís Carvalho e Manuela Correia, entre outros, disseram poemas seus e de outros e Carlos Andrade esteve à guitarra.

JÁ NÃO ESTÁ MAU DE TODO

Quase 60 por cento dos portugueses pensa que o primeiro-ministro mentiu no Parlamento quando disse que não sabia que a PT estava interessada em comprar a TVI, diz uma sondagem da Intercampus encomendada pelo PÚBLICO. Foi uma mentira injustificável, diz também a maioria dos 1015 inquiridos. Mas Sócrates deve continuar a governar.

quinta-feira, 4 de março de 2010

A GRÉCIA NAS RUAS

04-Mar-2010

Coligação de esquerda grega chama os trabalhadores e a juventude a derrubarem nas ruas "o maior ataque contra o trabalho desde a queda da ditadura".
Comunicado divulgado esta quarta-feira pelo Syriza:

"O governo grego anunciou um conjunto de medidas contra a crise económica.

O anúncio foi feito de forma cínica e brutal.

As medidas anunciadas constituem o maior ataque contra o trabalho desde a queda da ditadura. O governo põe em prática as mais extremas políticas neoliberais, sujeitando a economia grega aos humores dos mercados especulativos e do capital bancário internacional.

O actual estrangulamento financeiro da economia grega é consequência do modelo neoliberal prevalecente na União Europeia de hoje.

As medidas do novo governo vão afundar o país numa profunda e longa depressão, ao mesmo tempo que constituem um ataque total que visa a reversão das relações laborais, dos rendimentos e do sistema de segurança social.

Os governos das últimas décadas, tanto do Pasok quanto da Nova Democracia, têm grande responsabilidade pela ruptura das redes produtivas do país e pelo aprofundamento e as distorções do modelo produtivo nacional.

A luta massiva e unitária do povo trabalhador para derrubar estas medidas é a única forma, assim como a única esperança de uma mudança de rumo a ser seguida pela Grécia e pela Europa.

Apelamos a todas as trabalhadoras e trabalhadores, e à juventude da Grécia a ir para as ruas desde amanhã."

ALBAS


Acabei por não ir à homenagem ao Alba. É uma falha. Admiro o sebastião Alba. Vi-o várias vezes mas nunca falei com ele. Andava pelas ruas de Braga. Era um poeta. Um verdadeiro poeta. Um poeta que vivia e dormia na rua. Um poeta do mundo. Rejeitado pela sociedade do parece bem e do consumo. Rejeitado pelo homem que não compreende o homem livre. Era isso que ele era. Um homem livre.

quarta-feira, 3 de março de 2010

RIBEIRO E HABITUALMENTE

Garfield & Bart disse...

Não sei se gostarás ou provalvelmente já conheces, mas a nova vaga de poetas Portugueses também é muito gira, vê João Habitualmente e A. Pedro Ribeiro, é mais alternativo e recorrem ao vernáculo, mas com imensa graça e sentido crítico em relação aos nossos dias. Alguns dos poemas podes ver aqui http://laranjeira.com/poesiamaldita

FILOSOFAR

Filosofar. É o que realmente gosto de fazer. Ter o saber e atirá-lo às feras. Agitar as conversas. Sentir o poder da palavra. O cérebro a fluir. A ideia a nascer das cinzas.

A LIBERDADE VAI ANDAR À SOLTA

MANIFESTO E CANDIDATURA

António Pedro Ribeiro apresenta o seu manifesto e a sua candidatura à Presidência da república no Art 7 em São João da Madeira na próxima quinta, dia 4, pelas 22,30 h. A liberdade vai andar à solta.

Pelo comité central do PSSL,
Serafim Morcela.

DISCURSO À NAÇÃO

DISCURSO À NAÇÃO

"It's all fucked up!", "Está tudo fodido!", como dizia o Jim Morrison. Nem rei nem rock. O governo na mão de vigaristas, de vendedores da banha da cobra. O homem reduzido ao elementar, aos instintos primários, à mera sobrevivência. Uma terra inóspita de gente deprimida, desesperada. "All the children are insane/waiting for the summer rain". "Todas as crianças atacadas pela loucura/ à espera da chuva de Verão". This is the end. Isto é definitavamente o fim ou talvez o novo começo.
Não me venhas agora dizer que a revolução não está próxima. Não me venhas agora dizer que está tudo morto, que nada há a fazer.
Só a revolução vale a pena. A revolução é a única solução. Afastai de mim o vosso paleio mansinho. Afastai de mim os vossos negócios e a vossa conversa de velhas. Não quero saber de niilismos nem de derrotismos. Não trabalho nem me sacrifico. Só trabalho, só me sacrifico em prol da revolução. E ela está próxima. E ela sorri. Vem ter comigo cada vez mais à medida que te enterras na depressão. Vem ter comigo mais e mais. Vem ter comigo quanto mais me dais este ambiente de pasmaceira. Não há outra saída. Vivemos estes anos todos para chegar aqui. Passamos todos estes infernos para chegar aqui. Somos do mundo. Somos daqui. Estamo-nos a cagar para o além! Queremos o aqui e o agora! Os vindouros que venham a seu tempo. Isto é nosso! Isto é absolutamente nosso! Não há aqui primeiros-ministros, nem Presidentes, nem executivos vigaristas e imbecis. Isto é o Homem, porra! Isto não està à venda nem está cotado na bolsa! Isto és tu, sou eu, é o Homem, porra! Estamos a falar do amor. Estamos a falar da dignidade. Estamos a falar da construção do Homem. Estamos fartos do homem dos bancos, do homem da bolsa, do homem do hipermercado. Tudo isso falhou. Tudo isso está morto. Tudo isso destruiu o homem. Estamos a falar da reconstrução. Estamos a falar do começar de novo. Estamos a falar da criação. Não me venhas com discursos conciliadores nem com porreirismos de pacotilha. Estamos a falar do que vai ser. Estamos a falar do que é.


António Pedro Ribeiro, Vila do conde, pátio, 20.2.2010.