domingo, 28 de fevereiro de 2010

HOMEM LIVRE

Homem livre
amas a solidão
e pertences à Terra
homem livre
queres a glória
e constróis o poema
homem livre
amas a paz
mas estás em guerra
homem livre
a tua arma é a palavra
homem livre
não serves a Deus
nem à praça
homem livre
não trabalhes
ri
goza!
Homem livre
tu pertences à Terra.

REGRESSO AO PARAÍSO


Penso no Homem
no homem e na mulher
que Deus expulsou do paraíso
penso em Morrison
e na vida que poderia ser
no homem da liberdade
no homem que sobe ao palco
para mudar o homem

penso também no homem da infância
no homem que ri e que brinca
sem segundos objectivos
penso no homem da dádiva
no homem da mesa partilhada
penso no filósofo
e na busca da sabedoria
penso na descoberta
na porta aberta
penso na morte de Deus
e no regresso ao paraíso
penso que não há regras
nem limites
penso no que poderia ser.

HENRY MILLER, "TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO"

A maravilha e o mistério da vida que são sufocados em nós quando nos tornamos membros responsáveis da sociedade.

FALTAM-ME AS AMIGAS


Faltam-me as amigas
as amigas fazem-me sentir bem
mesmo sem sexo
as amigas mexem comigo
dão-me a mão
e deixam que lhes acaricie os cabelos
ficamos horas à mesa do Piolho
e depois saimos para o jardim
e andamos às voltas
libertos.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

COISAS DO VARA

Uma semana depois de Armando Vara jurar inocência e distanciamento, o director do Sol foi ontem ao Parlamento contradizer o administrador suspenso do BCP. José António Saraiva (na foto) garantiu que, há cerca de um ano, no período financeiro mais crítico do jornal, as negociações para a entrada de um novo accionista foram dificultadas pelo BCP. "A situação foi comandada directamente pelo dr. Armando Vara", disse o jornalista.

Paulo Azevedo, o administrador da Millenium BCP Capital, sociedade que geria a participação do banco no Sol, disse à direcção "várias vezes que tinha que falar com Armando Vara porque não tinha autonomia para tomar decisões", acrescentou o director, dizendo também "presumir" que Vara "tenha tido conversas com José Sócrates sobre o Sol". Na altura, o BCP, que já quisera vender a sua quota no Sol, perante o interesse de capital angolano, disse querer comprar o resto do jornal, mas recusava a cláusula que impõe que um novo dono não mude a direcção durante os primeiros três anos.

"Ficou claro que o que o BCP queria era decapitar a direcção do Sol e interromper a sua publicação", apontou Saraiva, considerando que o BCP tentou constituir-se como um "verdadeiro cavalo de Tróia".

O director acusou ainda a Cofina - que teve uma quota durante seis meses - de querer "fazer o trabalho sujo" de "limpar" o jornal, fingindo que vendia a sua participação, mas entregando-a a "um assessor" seu, Alberto do Rosário. O director disse mesmo ter sido recriminado pelo presidente da Cofina, Paulo Fernandes. "Vocês deviam ser menos contra o Governo", ter-lhe-ia dito o empresário.

O BCP foi accionista do Sol desde o lançamento, em 2006, Estava contratualizado que se manteria por cinco anos, mas quis sair logo ao fim de um ano. A situação agudizou-se em 2008, quando a linha de crédito do BCP foi cortada, o banco negou um patrocínio já prometido a uma iniciativa do jornal e, tal como a Cofina, retirou os administradores.

Saraiva não tem dúvidas de que esta tentativa de "asfixia financeira" se deve aosdossiersincómodos para o Governo e contou que o subdirector Mário Ramires recebeu um telefonema de "uma pessoa muito próxima do primeiro-ministro" - cujo nome se negou a revelar em público, mas aceitou enviar por carta à comissão - fazendo depender a resolução dos problemas financeiros do jornal (através do BCP) da não publicação de mais notícias sobre o processo Freeport. O director do Sol enviou mais tarde uma carta referindo o nome do jornalista Eduardo Fortunato de Almeida. "Tenho recebido ameaças de morte, em cartas anónimas, a mim e à minha família. Mas não é isso: isto é uma ameaça de uma pessoa que conhecemos", disse o director.

Em relação à divulgação das escutas do processo Face Oculta, Saraiva sustentou que o jornal não violou a lei nem a privacidade dos visados. "Não fazemos jornalismo voyeurista. As conversas estão cheias de grosserias, palavrões, apartes e de insultos pessoais, limpámos isso", revelou.

Para Saraiva, Sócrates "não tem uma relação incómoda, ele tem uma vocação dirigida de controlo da comunicação social".

O director do Sol não tem dúvidas em afirmar que "há uma conivência do poder judicial com o poder político" e considera haver factos suficientes para dizer que "há encobrimento do poder político pelo poder judicial".

Questionado pelo PS sobre se é a líder do PSD que dá substancia política aos editoriais do Sol, Saraiva descartou a crítica: "Se nós municiamos Manuela Ferreira Leite? Não sei. Se nos municia, posso dizer que não. Talvez nenhum jornal como o Sol foi tão crítico à actual direcção. Todos os líderes do PSD têm sido zurzidos." Maria Lopes e Sofia Rodrigues

DA VIDA HUMANA

DA VIDA HUMANA

António Pedro Ribeiro

Vários canais de televisão passam documentários sobre a vida animal, alguns deles só passam documentários sobre a vida animal. Esses programas escalpelizam tudo sobre a vida animal: a vida sexual das anacondas, a reprodução dos crocodilos, o comportamento social dos leões. O impressionante é que não há nenhum programa assim sobre a vida humana. O aprofundamento da psicologia, da sociologia, da filosofia é posto de lado pelas televisões. Tal não acontece por acaso. Não convém aos media e aos poderes que o Homem se questione e questione a sua condição. O cidadão comum, o "homem médio" deve continuar a ser isso mesmo. Deve ficar pela rama, pelo superficial, pelo mediático, pelo elementar. Se houvesse um ou mais programas que sistematicamente questionassem a verdadeira vida isso seria perigoso para os poderes. Mas questionar a vida, a verdadeira vida é o que realmente interessa. Viemos ao mundo para isso. No dia em que questionarmos realmente a vida contra a morte e o adormecimento quotidiano que nos impõem aí seremos completamente livres, aí poderemos derrubar todos os poderes.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A GRÉCIA EM LUTA


Grécia paralisada pela maior greve geral

Protesto
Ontem
A Grécia esteve quase paralisada, ontem, quarta-feira, devido à greve geral, convocada pelas grandes centrais sindicais para criticar as medidas rigorosas adoptadas pelo Governo socialista para tirar o país de uma crise financeira sem precedentes.
Não houve transportes, os serviços públicos e escolas estiveram fechados. Hoje, não haverá jornais.
No centro de Atenas houve mesmo confrontos entre jovens e a Polícia, que utilizou gás lacrimogéneo. Manifestantes, com capacetes, tentaram aproximar--se dos grandes hotéis do centro da capital e a Polícia entrou em acção para os impedir. Os jovens lançaram coquetéis molotov contra os policiais e atingiram algumas lojas, antes de correr para a Universidade de Atenas. A paralisação dos transportes aéreos e marítimos começou logo à meia-noite, assim como em quase todos os serviços ferroviários.
Os autocarros e o metro funcionaram em Atenas para levar os grevistas para as manifestações programadas pelos sindicatos no centro da capital a partir do meio-dia. Os taxistas não aderiram à greve.
A greve provocou o fecho de escolas, serviços públicos e tribunais, bancos, hospitais e até grandes empresas do sector público funcionaram a meio gás.
O país também esteve privado das informações nas rádios e canais de televisão, já que o Sindicato de Jornalistas aderiu ao movimento e decidiu punir quem furasse a greve.
Jornal de Notícias 25/2/2010

ZIZEK


Slavoj Zizek é um dos maiores pensadores da Europa. O filósofo e sociólogo esloveno escreve sobre temas como Lenine, ciberespaço, pós-modernismo, pós-Marxismo ou Alfred Hitchcock. Foi no Festival de Cinema de Sarajevo que a euronews falou com Zizek, acerca de cinema, dos Balcãs e de multiculturalismo. Na capital da Bósnia-Herzegovina, o Festival de Cinema desempenha um papel relevante para reconstruir a auto-confiança da cidade. Sarajevo esteve cercada quatro anos durante a Guerra da Bósnia.

euronews: O senhor é convidado do Festival de Cinema de Sarajevo… qual é o papel dos filmes e do cinema na sociedade de hoje?

Slavoj Zizek: Primeiro, eu continuo a ser um marxista à moda antiga. Portanto, eu acho que o cinema é hoje um campo de batalha ideológica, alguma batalha decorre aí e até podemos ver isso claramente no que respeita à horrível Guerra dos Balcãs. Temos alguns filmes acerca disto que são autênticos, mas, infelizmente, os maiores sucessos não o são. Esse é o caso do “Underground” do Emir Kusturica. Eu acho que esse filme é quase uma trágica – eu não diria que é uma falsificação equívoca – no sentido em que: “Que imagem é que esse filme te dá da ex-Jugoslávia?” A de uma parte do mundo maluca, onde as pessoas fornicam, bebem e lutam todo o tempo. Ele exibe um certo mito que o Oeste gosta de ver aqui nos Balcãs: este mítico outro, que permanece durante um longo período.

euronews: Como explica este fenómeno?

Slavoj Zizek: Pode dizer-se ironicamente que os Balcãs estão estruturados como o inconsciente da Europa. A Europa põe e projecta todos os seus segredos sujos, obscenidades e por aí fora nos Balcãs. É por isso que a minha fórmula para o que está a acontecer nos Balcãs não é como as pessoas usualmente dizem que são apanhadas nos seus velhos sonhos, que não podem enfrentar a realidade ordinária pós-moderna. Não, eu diria que elas são apanhadas nos sonhos, mas não nos seus sonhos – nos sonhos europeus. O filósofo francês Gilles Deleuze disse uma coisa maravilhosa: “Se fores apanhado nos sonhos dos outros, estás feito”. Portanto, o cinema deve mostrar precisamente que este folclore excêntrico em alguns lugares pode fazer parecer que somos todos parte de um mundo global.

euronews: Sarajevo é também uma cidade simbólica para o multiculturalismo, mas tem uma opinião muito particular acerca da tolerância multicultural, não tem?

Slavoj Zizek: Eu acho que aqui já tivemos o suficiente desta ideologia multicultural, que para mim, pelo menos, é frequentemente um racismo invertido, designadamente quando as pessoas vêm cá. Normalmente, multiculturalistas diriam: “Oh, eu quero entender como tu és diferente”. Não, o que se deve entender fundamentalmente é que eles aqui não são diferentes – apenas coisas diferentes lhes aconteceram e para o tornar tolerável para nós, que gostaríamos de ter evitado a guerra, no Ocidente fizemos as pessoas diferentes. O que precisamos hoje em dia é de códigos de conduta, não de mais entendimento. Eu acho que nos deveríamos opor totalmente a esta chantagem liberal de que temos que nos entender uns aos outros. Não, o mundo é demasiado complexo, não podemos. Detesto pessoas. Não quero entender as pessoas. Quero ter um certo código em que eu não entendo o teu estilo de vida e tu não entendes o meu, mas podemos coexistir.

euronews: Por que razão podemos sentir aqui, em Sarajevo, desilusão, após a detenção de Radovan Karadzic?

Slavoj Zizek: A verdadeira tragédia é, como alguns inteligentes políticos bósnios realçaram, que basicamente Karadzic teve sucesso. O seu programa foi que uma grande parte da Bósnia deveria ser reservada e etnicamente limpa para os sérvios. Foi isto que efectivamente aconteceu: a República Srpska é 51 por cento do território e tem menos 10 por cento dos outros, não sérvios. Portanto, a ironia é… isto é como César morreu, César ganhou… para isto é demasiado tarde. Esta é a hipocrisia: condena-se o homem, o projecto vingou.

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VIOLAM CABRA E SÃO FORÇADOS A CASAR COM O ANIMAL

25 Fevereiro 2010 - 15h10

Dois jovens apanhados em Moçambique
Violam cabra e são forçados a casar com o animal

Dois jovens de Matsinho, Gondola, centro de Moçambique, foram apanhados pela polícia a manter relações sexuais com uma cabra e agora os donos do animal exigem indemnização e casamento. O caso está em tribunal.




O caso de "flagrante delito" aconteceu na semana passada, no distrito de Manica, e fonte ligada ao dono da cabra disse à agência Lusa que o mesmo exige que os jovens sejam condenados em tribunal a casar com o animal.

Os jovens, cuja identidade não foi revelada, terão sido apanhados a manter relações com a cabra no âmbito de uma espécie de ritual satânico.

"Um dos jovens estava nu enquanto segurava a cabeça, e outro a fazer sexo com o animal", contou uma testemunha a propósito da detenção policial.

Mário Creva, a testemunha, disse que o caso se deu numa pequena mata na zona de Mbucuta, arredores do posto administrativo de Matsinho.

"Recebi o caso e já remeti ao tribunal. Mas os jovens serão ouvidos em juízo por furto simples qualificado e não necessariamente por prática sexual, pois a nossa Constituição não acomoda este tipo de acto", disse à Agência Lusa Leonides Mapasse. Fora do processo-crime, acrescentou o magistrado, o ofendido (proprietário da cabra) pode intentar processo civil e moral contra os dois jovens pela prática sexual com a cabra.

CORREIO DA MANHÃ

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Às vezes diz-se que a poesia é emoção. Mas o poema é amiúde imagem e sobretudo ideia. A consubstanciação de uma ideia.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O HOMEM DO MUNDO

Se vivesse na Grécia antiga talvez fosse um rei. Ou talvez fosse condenado à morte como Sócrates. Não que me queira comparar a Sócrates. Mas essa viagem em que os vejo embarcados: família, trabalho, casa, francamente não me agrada. Produzo. Estou sempre a produzir alguma coisa. O raciocínio vai evoluindo. Às vezes até galopa. Não tenho de ser igual aos outros. Segui outra via. Nem sequer é correcto dizer que eu só escrevo sobre gajas, mamas, cafés e cerveja. Não tenho culpa que alguns desses textos sejam os que têm mais palmas. Escrevo sobre o Homem, sobre o sentido da vida. Escrevo. E às vezes escrevo só para mim. Não gosto de trabalhar. Nem tenho de obedecer a chefes, hierarquias, normas, intrigas. O meu único chefe foi o Artur Queiroz. E nem sequer estava sempre de acordo com ele. Ensinou-me muitas coisas muito para lá do jornalismo. É daqueles gajos que te marcam: como o Zé Pacheco, como o Jaime Lousa, como o António Manuel Ribeiro, como o padre Mário, como o A. Dasilva O., como o Joaquim Castro Caldas.
Às vezes limito-me a reproduzir as conversas dos outros. Não há dúvida que o pessoal se diverte mais à mesa com umas cervejolas à frente. Já era assim na Grécia. São as mesas parilhadas do padre Mário de Oliveira. Como estou só produzo. Chamo o Adriano e peço mais uma. É o filme do costume aqui no Piolho.
Sou um solitário. Mas gosto da praça pública. Prefiro os cafés grandes, citadinos, cosmopolitas. Lá está a conversa a fugir para o Piolho. Dizem que não faço nada mas também dizem que sou tanta coisa: poeta, mago, actor, diseur, performer, filósofo, profeta. Confesso que também sou um bocado narcisista. Mas também se não o fosse já tinha caído na merda de vez. Agora estou realmente a escrever "o livro". Sei que é para esse livro que confluem as minhas energias. Não, não sou o homem do trabalho nem da família. Sou o homem do mundo. É isso. Às vezes toco a coisa. Sei perfeitamente onde quero chegar. Tenho seguido caminhos pouco ortodoxos. Sei que não vou lá por linhas rectas. Acredito. Tenho fé. E não é só em mim. É na vida. No homem a construir. Na ideia.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

HENRY MILLER, "TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO"

Costumava dizer para comigo que, se havia Deus, me encontraria com Ele calmamente e Lhe cuspiria na cara.


Onde há frio há pessoas que se esfalfam a trabalhar e que, quando têm filhos, lhes pregam o evangelho do trabalho.

SÓCRATES É MAFIOSO, FASCISTA E EXECRÁVEL. PONTO FINAL.

CHOQUE NO CLUBE

Hoje, 23, terça, às 22,00 h, há POESIA DE CHOQUE no Clube Literário do Porto com Luís Carvalho e António Pedro Ribeiro. Simultaneamente haverá mais uma apresentação pública da candidatura presidencial de APR.

Pelo Comité Central do PSSL,
Serafim Morcela.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

DISCURSO À NAÇÃO


Discurso de António Pedro Ribeiro, candidato à Presidência da República, poeta, diseur, performer, anarquista a proferir na próxima terça, pelas 22,00h, no Clube Literário do Porto durante a sessão de POESIA DE CHOQUE e na próxima quinta no Art 7 Menor em São João da Madeira pelas 22,30h.

DISCURSO À NAÇÃO

"It's all fucked up!", "Está tudo fodido!", como dizia o Jim Morrison. Nem rei nem rock. O governo na mão de vigaristas, de vendedores da banha da cobra. O homem reduzido ao elementar, aos instintos primários, à mera sobrevivência. Uma terra inóspita de gente deprimida, desesperada. "All the children are insane/waiting for the summer rain". "Todas as crianças atacadas pela loucura/ à espera da chuva de Verão". This is the end. Isto é definitavamente o fim ou talvez o novo começo.
Não me venhas agora dizer que a revolução não está próxima. Não me venhas agora dizer que está tudo morto, que nada há a fazer.
Só a revolução vale a pena. A revolução é a única solução. Afastai de mim o vosso paleio mansinho. Afastai de mim os vossos negócios e a vossa conversa de velhas. Não quero saber de niilismos nem de derrotismos. Não trabalho nem me sacrifico. Só trabalho, só me sacrifico em prol da revolução. E ela está próxima. E ela sorri. Vem ter comigo cada vez mais à medida que te enterras na depressão. Vem ter comigo mais e mais. Vem ter comigo quanto mais me dais este ambiente de pasmaceira. Não há outra saída. Vivemos estes anos todos para chegar aqui. Passamos todos estes infernos para chegar aqui. Somos do mundo. Somos daqui. Estamo-nos a cagar para o além! Queremos o aqui e o agora! Os vindouros que venham a seu tempo. Isto é nosso! Isto é absolutamente nosso! Não há aqui primeiros-ministros, nem Presidentes, nem executivos vigaristas e imbecis. Isto é o Homem, porra! Isto não està à venda nem está cotado na bolsa! Isto és tu, sou eu, é o Homem, porra! Estamos a falar do amor. Estamos a falar da dignidade. Estamos a falar da construção do Homem. Estamos fartos do homem dos bancos, do homem da bolsa, do homem do hipermercado. Tudo isso falhou. Tudo isso está morto. Tudo isso destruiu o homem. Estamos a falar da reconstrução. Estamos a falar do começar de novo. Estamos a falar da criação. Não me venhas com discursos conciliadores nem com porreirismos de pacotilha. Estamos a falar do que vai ser. Estamos a falar do que é.


António Pedro Ribeiro, Vila do conde, pátio, 20.2.2010.