domingo, 7 de fevereiro de 2010
Não há dúvida de que há poemas que podem ser melhorados. Hoje alterei dois: "Quero uma Mulher" e "Amor". É tudo uma questão de ritmo. E as alterações não devem ficar por aqui. Tenho de ser mais cuidadoso com os poemas do que com as prosas. Há sempre palavras a mais. O Do Vale aproxima-se de óculos de sol.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
À NOSSA MEDIDA

Teixeira dos Santos ameaça sair. Sócrates ameaça sair. A bolsa cai. O poeta é reconhecido. Os estudantes revoltam-se. Quanto pior, melhor. Tudo parece rolar em favor da revolução. E nós, revolucionários profissionais, agradecemos. Queremos o mundo. Estamos fartos de tantos rodeios. Estamos fartos do tédio. Fartos de olhar para a televisão. Deixamos de seguir os caminhos mais ortodoxos. Mas há 20 anos que sabemos perfeitamente onde queremos chegar. "Five to one, baby, one to five, no one here gets out alive...". A juventude ouve-nos, diz os nossos poemas. Isto está a ficar à nossa medida, cada vez mais.
SOU DA DÁDIVA
Não sou comerciante, não sou do mercado. Sou da dádiva, da gratuitidade, da vida. É isso a vida. A dádiva, a partilha, o amor. Se há algo que reprime essa dádiva, essa partilha, esse amor então temos de combatê-lo do primeiro ao último dia. A começar, claro, na nossa cabeça. É um combate de vida ou de morte, esse combate de que falo. Mas é o único combate que vale a pena travar. Não estou a falar de lutar pela vidinha, não estou a falar do trabalhinho, não estou a falar de tostões nem de milhões. Já me armei em carapau e apanhei nos cornos. Agora assumo a minha liberdade. Com a humildade do actor. Com o narcisismo do actor. Viemos ao mundo de graça: já o disse. Não temos de pagar a ponta de um corno pela vida. Aliás, somos o pior dos animais. Somos o animal que inventou o dinheiro.
POETA MALDITO

Sou um poeta maldito. São os jornais que o dizem, não sou eu. Venho para junto da mulher. Não sou como os outros. Olho para ela. Mas não tenho aquele paleio fácil, aquelas frases a propósito. A palavrinha a encaixar no verso. Não sou desses poetas. Escrevo o que me vem à cabeça. Não invento. Sou cru e directo. Quero as mulheres bonitas. Quero mesmo. Não sou de palavras fáceis. Sou do céu e do inferno. É esse que sou. Não tenho de fingir. Sou um actor mas não tenho de fingir. Movimento, ajo, gingo. Sou aquele que esperas. Aquele que já foi ao fim várias vezes. Aquele que, mais tarde ou mais cedo, os media revelam. Sou um mau rapaz, como dizia o AMR. Deixei de fazer o que a mãe diz. Deixei aos 18 anos, há 23 anos. Estou à procura da revolução, à procura de uma estrela. Olha, até olho para as telenovelas. Para ver como vai o mundo. Preciso saber como vai o mundo, sabes. Preciso de me rir. Preciso de ser eu mesmo. Preciso de saber lidar com a fama. Sou o poeta maldito, dizem. Vou sê-lo até ao último dos meus dias. Sou também o animal de palco. Duas cervejas perdidas ao balcão. A menina esqueceu-se delas. A mulher protesta por causa do preço do pão. A menina é boa como as da televisão. A minha foto nos jornais com a "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" na mão. Às vezes pegam, outras não. Há que saber aguentar. Só digo certas coisas em público porque me batem palmas. Se vier alguém falar comigo eu converso. Fico com o verso. O caderno do "Espero por ti, Goreti" está a terminar. Sou do mundo. Sou da porra deste mundo. Os negócios do mundo não me interessam. Mas há uma data de clientes a protestar contra o preço e a qualidade do pão. O negócio da menina bonita não corre bem. Ainda não provei o pão. Nem a menina bonita. As contas do mundo não me interessam. O homem livre não faz contas. Procura. Perfura. Faz-se feliz.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
AI SÓCRATES, SÓCRATES!
A investigação do caso Face Oculta identificou, nas escutas telefónicas, “fortes indícios” de um plano governamental para controlar alguns órgãos de comunicação social, entre os quais a TVI, revela hoje o semanário "Sol".
Nas escutas feitas a Vara, as autoridades judiciais consideraram haver material que indiciava crimes contra o Estado de Direito (Adriano Miranda)
O primeiro alerta sobre as alegadas ingerências do Governo e de quadros da confiança do Governo na comunicação social, que transpiravam da investigação do processo face Oculta, foi lançado pelo despacho do director da Polícia Judiciária de Aveiro, Teófilo Santiago.
No documento enviado ao procurador João Marques Vidal, no âmbito das escutas do Face Oculta, Teófilo Santiago reportava “entre outras situações”, que existiam “no auto indícios claros de que a administração da Portugal Telecom, por determinação, solicitação ou desejo manifestado por decisor político de primeiro níve [...] iniciou e desenvolve um processo de aquisição da TVI com o objectivo de tomar posição dominante e alterar a orientação daquela estação televisiva, que entendem hostil aos seus interesses políticos, fulanizando mesmo a questão numa jornalista”.
Depois, num despacho de Junho passado, o procurador João Marques Vidal – titular do processo Face Oculta, que investiga uma alegada rede de corrupção envolvendo negócios com resíduos – sustenta que das escutas telefónicas “resultam fortes indícios da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo” para interferir em alguns órgãos de comunicação social, afastando “jornalistas incómodos”.
Este plano, segundo o despacho citado pelo "Sol", envolvia o controlo da TVI, o afastamento do seu director-geral, José Eduardo Moniz, e da jornalista Manuela Moura Guedes, e a aquisição dos jornais PÚBLICO e "Correio da Manhã".
O procurador fala num “esquema” para interferir “em órgãos de comunicação social considerados adversários, visando claramente a obtenção de benefícios eleitorais”. Isto, segundo o procurador do Ministério Público de Aveiro, indiciaria um “crime de atentado contra o Estado de direito”. Marques Vidal solicitava, por isso, a extracção de cópia de uma série de escutas telefónicas.
O juiz de instrução António Gomes, de Aveiro, foi mais longe e, no seu despacho em que autoriza as cópias, menciona o envolvimento directo de José Sócrates. O despacho, citado pelo "Sol", diz haver “indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o senhor primeiro-ministro”.
Excertos das escutas reveladas pelo “Sol” revelam ainda nomes de intervenientes favoráveis às alegadas jogadas do Governo para controlar a comunicação social como a escolha do “homem da informação, o Paulo Baldaia”, referindo-se ao director da TSF, rádio da Controlinveste, que detém também o “Diário de Notícias” e “Jornal de Notícias”.
E revelam ainda a estratégia de Zeinal Bava, director da Portugal Telecom, para que, na aquisição de parte da Media Capital se arranjasse “maneira de, não dizendo que não ao Sócrates, fazer a operação de forma que ele nunca aparece”, através de engenharias participadas pelos bancos.
Posteriormente, a suspeita lançada em torno do conteúdo das escutas foi arquivada pelo Procurador-Geral da República.
www.publico.clix.pt
Nas escutas feitas a Vara, as autoridades judiciais consideraram haver material que indiciava crimes contra o Estado de Direito (Adriano Miranda)
O primeiro alerta sobre as alegadas ingerências do Governo e de quadros da confiança do Governo na comunicação social, que transpiravam da investigação do processo face Oculta, foi lançado pelo despacho do director da Polícia Judiciária de Aveiro, Teófilo Santiago.
No documento enviado ao procurador João Marques Vidal, no âmbito das escutas do Face Oculta, Teófilo Santiago reportava “entre outras situações”, que existiam “no auto indícios claros de que a administração da Portugal Telecom, por determinação, solicitação ou desejo manifestado por decisor político de primeiro níve [...] iniciou e desenvolve um processo de aquisição da TVI com o objectivo de tomar posição dominante e alterar a orientação daquela estação televisiva, que entendem hostil aos seus interesses políticos, fulanizando mesmo a questão numa jornalista”.
Depois, num despacho de Junho passado, o procurador João Marques Vidal – titular do processo Face Oculta, que investiga uma alegada rede de corrupção envolvendo negócios com resíduos – sustenta que das escutas telefónicas “resultam fortes indícios da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo” para interferir em alguns órgãos de comunicação social, afastando “jornalistas incómodos”.
Este plano, segundo o despacho citado pelo "Sol", envolvia o controlo da TVI, o afastamento do seu director-geral, José Eduardo Moniz, e da jornalista Manuela Moura Guedes, e a aquisição dos jornais PÚBLICO e "Correio da Manhã".
O procurador fala num “esquema” para interferir “em órgãos de comunicação social considerados adversários, visando claramente a obtenção de benefícios eleitorais”. Isto, segundo o procurador do Ministério Público de Aveiro, indiciaria um “crime de atentado contra o Estado de direito”. Marques Vidal solicitava, por isso, a extracção de cópia de uma série de escutas telefónicas.
O juiz de instrução António Gomes, de Aveiro, foi mais longe e, no seu despacho em que autoriza as cópias, menciona o envolvimento directo de José Sócrates. O despacho, citado pelo "Sol", diz haver “indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o senhor primeiro-ministro”.
Excertos das escutas reveladas pelo “Sol” revelam ainda nomes de intervenientes favoráveis às alegadas jogadas do Governo para controlar a comunicação social como a escolha do “homem da informação, o Paulo Baldaia”, referindo-se ao director da TSF, rádio da Controlinveste, que detém também o “Diário de Notícias” e “Jornal de Notícias”.
E revelam ainda a estratégia de Zeinal Bava, director da Portugal Telecom, para que, na aquisição de parte da Media Capital se arranjasse “maneira de, não dizendo que não ao Sócrates, fazer a operação de forma que ele nunca aparece”, através de engenharias participadas pelos bancos.
Posteriormente, a suspeita lançada em torno do conteúdo das escutas foi arquivada pelo Procurador-Geral da República.
www.publico.clix.pt
PLANO PARA CONTROLO DOS MEDIA
2010/FEV/05
Suspeitas de plano para controlo dos média têm de ser esclarecidas
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) exige uma averiguação urgente e até às últimas consequências das suspeitas de existência de um plano para controlar órgãos de informação, envolvendo o Governo e diversas personalidades.
O SJ, em comunicado distribuído na sequência da divulgação pelo semanário “Sol” do conteúdo de despachos de magistrados e de escutas telefónicas a várias personalidades da área dos negócios e da política, considera que as suspeitas suscitadas pelos referidos documentos - uma conspiração inspirada pelo próprio primeiro-ministro para controlar órgãos de informação – é demasiado grave, pelo que exige a sua “averiguação urgente até às últimas consequências e a publicitação das respectivas conclusões sem ambiguidades”.
No documento, o SJ lamenta que o “Sol” não tenha respeitado o “dever deontológico de ouvir as pessoas objecto dos trabalhos” hoje publicados, sublinhando que, para além de isso “constituir um direito dos visados e do público”, a audição de todos eles “poderia contribuir para o esclarecimento cabal dos factos que se impõe”.
É o seguinte o texto, na íntegra, do Comunicado do SJ:
SJ exige esclarecimento urgente de suspeitas sobre Governo
1.O semanário “Sol” divulgou hoje o conteúdo de despachos de magistrados e de escutas telefónicas tendo como alvos várias personalidades da área dos negócios e da política, que alegadamente fariam parte de uma conspiração inspirada pelo próprio primeiro-ministro para controlar órgãos de informação, cuja gravidade, a confirmar-se a veracidade dos factos subjacentes, não pode ser escamoteada, exigindo-se a sua averiguação urgente até às últimas consequências e a publicitação das respectivas conclusões sem ambiguidades.
2.Tal averiguação deve ser feita de forma transparente, desde logo pelas instâncias com competência para tal, nomeadamente a Entidade Reguladora para a Comunicação Social e a própria Assembleia da República.
3.As imputações alegadamente contidas nas referidas escutas e agora divulgadas pelo referido semanário são demasiado graves para fazermos de conta que não existem, sob pena de se alimentar a suspeita insustentável de que o Governo manipula órgãos de informação e jornalistas e de que estes não passam de serventuários à sua disposição.
4.Concretamente, importa esclarecer com urgência o país se o primeiro-ministro deu ou não deu instruções a alguém para que fosse desencadeada uma dupla operação de controlo editorial de empresas de comunicação social e de afastamento de jornalistas do seu eventual desagrado; ou se de alguma maneira consentiu na sua realização.
5.Concretamente, deve ficar cabalmente esclarecido se houve ou não intervenção das personalidades às quais são publicamente atribuídos actos e assacadas responsabilidades no alegado “plano” do Governo para controlar órgãos de informação e perseguir jornalistas.
6.É de lamentar que o “Sol” não tenha feito acompanhar o seu direito-dever de escrutínio de factos de relevante interesse público, mesmo depois de terem sido objecto de decisão judicial, do dever deontológico de ouvir as pessoas objecto dos trabalhos publicados hoje. Além de constituir um direito dos visados e do público, a audição de todos eles acrescentaria certamente muito ao desígnio essencial do jornalismo, que é informar, e poderia contribuir para o esclarecimento cabal dos factos que se impõe.
7.Este episódio é mais um a somar ao rol de incidentes nas relações entre o poder político e o poder económico com incidência na área da Comunicação Social e constitui mais um argumento a somar ao debate, recorrente no espaço público, sobre a crise de independência dos meios de informação e dos jornalistas.
8.Trata-se de um debate que o próprio Sindicato dos Jornalistas entende dever promover, pelo que se propõe organizar – tão breve quanto possível - uma conferência nacional para discutir as relações entre o poder económico e o poder político e os constrangimentos à liberdade de imprensa que delas possam derivar. O objectivo é realizar um fórum aberto a todos os jornalistas, responsáveis editoriais, gestores e actores políticos, bem como investigadores.
Lisboa, 5 de Fevereiro de 2010
A Direcção
Suspeitas de plano para controlo dos média têm de ser esclarecidas
O Sindicato dos Jornalistas (SJ) exige uma averiguação urgente e até às últimas consequências das suspeitas de existência de um plano para controlar órgãos de informação, envolvendo o Governo e diversas personalidades.
O SJ, em comunicado distribuído na sequência da divulgação pelo semanário “Sol” do conteúdo de despachos de magistrados e de escutas telefónicas a várias personalidades da área dos negócios e da política, considera que as suspeitas suscitadas pelos referidos documentos - uma conspiração inspirada pelo próprio primeiro-ministro para controlar órgãos de informação – é demasiado grave, pelo que exige a sua “averiguação urgente até às últimas consequências e a publicitação das respectivas conclusões sem ambiguidades”.
No documento, o SJ lamenta que o “Sol” não tenha respeitado o “dever deontológico de ouvir as pessoas objecto dos trabalhos” hoje publicados, sublinhando que, para além de isso “constituir um direito dos visados e do público”, a audição de todos eles “poderia contribuir para o esclarecimento cabal dos factos que se impõe”.
É o seguinte o texto, na íntegra, do Comunicado do SJ:
SJ exige esclarecimento urgente de suspeitas sobre Governo
1.O semanário “Sol” divulgou hoje o conteúdo de despachos de magistrados e de escutas telefónicas tendo como alvos várias personalidades da área dos negócios e da política, que alegadamente fariam parte de uma conspiração inspirada pelo próprio primeiro-ministro para controlar órgãos de informação, cuja gravidade, a confirmar-se a veracidade dos factos subjacentes, não pode ser escamoteada, exigindo-se a sua averiguação urgente até às últimas consequências e a publicitação das respectivas conclusões sem ambiguidades.
2.Tal averiguação deve ser feita de forma transparente, desde logo pelas instâncias com competência para tal, nomeadamente a Entidade Reguladora para a Comunicação Social e a própria Assembleia da República.
3.As imputações alegadamente contidas nas referidas escutas e agora divulgadas pelo referido semanário são demasiado graves para fazermos de conta que não existem, sob pena de se alimentar a suspeita insustentável de que o Governo manipula órgãos de informação e jornalistas e de que estes não passam de serventuários à sua disposição.
4.Concretamente, importa esclarecer com urgência o país se o primeiro-ministro deu ou não deu instruções a alguém para que fosse desencadeada uma dupla operação de controlo editorial de empresas de comunicação social e de afastamento de jornalistas do seu eventual desagrado; ou se de alguma maneira consentiu na sua realização.
5.Concretamente, deve ficar cabalmente esclarecido se houve ou não intervenção das personalidades às quais são publicamente atribuídos actos e assacadas responsabilidades no alegado “plano” do Governo para controlar órgãos de informação e perseguir jornalistas.
6.É de lamentar que o “Sol” não tenha feito acompanhar o seu direito-dever de escrutínio de factos de relevante interesse público, mesmo depois de terem sido objecto de decisão judicial, do dever deontológico de ouvir as pessoas objecto dos trabalhos publicados hoje. Além de constituir um direito dos visados e do público, a audição de todos eles acrescentaria certamente muito ao desígnio essencial do jornalismo, que é informar, e poderia contribuir para o esclarecimento cabal dos factos que se impõe.
7.Este episódio é mais um a somar ao rol de incidentes nas relações entre o poder político e o poder económico com incidência na área da Comunicação Social e constitui mais um argumento a somar ao debate, recorrente no espaço público, sobre a crise de independência dos meios de informação e dos jornalistas.
8.Trata-se de um debate que o próprio Sindicato dos Jornalistas entende dever promover, pelo que se propõe organizar – tão breve quanto possível - uma conferência nacional para discutir as relações entre o poder económico e o poder político e os constrangimentos à liberdade de imprensa que delas possam derivar. O objectivo é realizar um fórum aberto a todos os jornalistas, responsáveis editoriais, gestores e actores políticos, bem como investigadores.
Lisboa, 5 de Fevereiro de 2010
A Direcção
GLÓRIA-PARTE IV

Escrevo. São seis da madrugada. Não consigo dormir. Escrevo o que vem do coração. Sou Jesus. Sou Morrison. Sou Nietzsche. Amo a Humanidade. A Humanidade despojada de Poder e de Dinheiro. O meu único poder é o poder da palavra. Ultimamente tenho feito os outros rir. Se calhar, tenho de virar o disco. Cantar o caos e o amor. Este será um grande dia. Se não adormecer entretanto percorrerei as ruas de Braga manhã cedo. Percorrerei as ruas de Braga em busca de glória. Percorrerei as ruas de Braga e amarei o humano dos homens e das mulheres. O humano que resta nos corações dos homens e das mulheres. E levarei comigo o padre Mário. O livro do padre Mário, o "Novo Livro do Apocalipse ou da Revelação" faz-me renascer como o "Plexus" de Henry Miller. Já não sou o mesmo. Tenho mesmo uma missão na Terra. Escreverei livros e levarei a mensagem seja onde for. "Queimai o Dinheiro" já é um sinal, "Da Merda até Deus" será outro. Mas tenho de publicar as minhas prosas. Neste tom profético que já tem sido publicado na "Voz da Póvoa". Acredito no Homem, sou forçado a acreditar no Homem como Che Guevara acreditava. Não tenho nada a perder. Este é o caminho que tenho de seguir. Não há aqui dogmas, não há meias-palavras, não há cedências ao capitalismo ou ao Grande Irmão. Eu, António Pedro Ribeiro, 41 anos, renasço esta madrugada. Abençoado pela luz do padre Mário Oliveira. Abençoado pelo palco e pelos aplausos. Fascinado pela demanda do Graal, que é a mulher, que é Madalena. Eu, António Pedro Ribeiro, 41 anos, declaro-me revolucionário, filho das flores e do Maio de 68. Amante da Paz e da Liberdade. Poeta do caos e do amor. Profeta da rebeldia.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
A CAIR, A CAIR
Bolsa de Madrid perde 5,7 por cento
Bolsa de Lisboa já cai mais de cinco por cento
04.02.2010 - 15h25
Por PÚBLICO
O principal índice da Bolsa de Lisboa, o PSI 20, está a cair 5,16 por cento, acompanhando a forte desvalorização da bolsa de Madrid, a cair 5,7 por cento.
Todos os mercados europeus agravaram as quedas ao início da tarde, numa altura em que os mercados norte-americanos abriram também com fortes perdas.
Depois da situação grega, são as contas públicas de Portugal e Espanha que justificam boa parte das descidas nas bolsas, situação que está também a gerar um aumento dos juros da dívida pública dos dois países.
A queda da bolsa de Lisboa é a maior desde Setembro de 2008, altura em que os mercados reagiram em pânico à falência do Lehman Brothers.
Neste momento, a bolsa portuguesa apresenta uma desvalorização anual superior a 12 por cento, uma das maiores quedas acumuladas a nível internacional.
Entre as maiores quedas do índice continuam os bancos e as construtoras nacionais, com quedas entre seis e sete por cento.
Actualizado às 16 hora
Bolsa de Lisboa já cai mais de cinco por cento
04.02.2010 - 15h25
Por PÚBLICO
O principal índice da Bolsa de Lisboa, o PSI 20, está a cair 5,16 por cento, acompanhando a forte desvalorização da bolsa de Madrid, a cair 5,7 por cento.
Todos os mercados europeus agravaram as quedas ao início da tarde, numa altura em que os mercados norte-americanos abriram também com fortes perdas.
Depois da situação grega, são as contas públicas de Portugal e Espanha que justificam boa parte das descidas nas bolsas, situação que está também a gerar um aumento dos juros da dívida pública dos dois países.
A queda da bolsa de Lisboa é a maior desde Setembro de 2008, altura em que os mercados reagiram em pânico à falência do Lehman Brothers.
Neste momento, a bolsa portuguesa apresenta uma desvalorização anual superior a 12 por cento, uma das maiores quedas acumuladas a nível internacional.
Entre as maiores quedas do índice continuam os bancos e as construtoras nacionais, com quedas entre seis e sete por cento.
Actualizado às 16 hora
O ARTIGO DE OPINIÃO DE MÁRIO CRESPO

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”.
Mário Crespo (Público)
Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.
Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa
MÁRIO CRESPO
O jornalista da SIC Mário Crespo afirmou hoje que "começa a haver demasiados 'problemas' resolvidos em Portugal", referindo-se a jornalistas que terão sido afastados de órgãos de comunicação social por serem vozes incómodas para o Governo.
(Pedro Cunha (arquivo))
"Nesta direcção do JN, sou um problema resolvido; Moura Guedes é um problema resolvido na direcção da TVI; José Eduardo Moniz é um problema resolvido na direcção da Media Capital; José Manuel Fernandes é um problema resolvido no PÚBLICO", disse Mário Crespo, em Guimarães, onde vai fazer uma intervenção nas jornadas parlamentares do CDS.
"Começa a haver demasiados 'problemas' resolvidos em Portugal e é altura de nos consciencializarmos das soluções que estão a ser aplicadas não as mistificarmos com nada", disse.
Numa crónica divulgada ontem no site do Instituto Sá Carneiro (depois da recusa do JN em a publicar), Mário Crespo revela que terá sido referenciado pelo primeiro-ministro como "um problema a resolver", durante um almoço com os ministros dos Assuntos Parlamentares e da Presidência, num restaurante em Lisboa.
Essa conversa, em que Sócrates também se terá referido ao profissional da SIC como um "louco", chegou ao conhecimento de Mário Crespo através de uma outra pessoa, numa mesa próxima. O jornalista assegura que nunca irá revelar o nome dessa pessoa, e confirma que era Nuno Santos, director-geral da SIC, que também estava no restaurante naquele dia, numa outra mesa.
Em reacção ao termo "calhandrice" utilizado por fonte não identificada do Ministério dos Assuntos Parlamentares para se referir a este caso, Crespo diz ser "extraordinário". "Só alguém que conhece bem o seu significado é que o usaria. Eu nunca me lembro de ter usado o termo", disse.
Questionado pelos jornalistas qual a razão de o artigo ter sido publicado no site do instituto ligado ao PSD, Mário Crespo diz não saber como é que isso aconteceu. O jornalista assegura que, no domingo, enviou o texto pelas vias normais (para dois endereços de e-mail do JN) e só na segunda de manhã foi alertado para a publicação no site do Instituto por uma notícia no site do jornal PÚBLICO.
O jornalista afirma ter, ontem de manhã, contactado Zita Seabra (da editora Altheia), para publicar um livro em que essa crónica será um "elemento determinante". O livro é lançado já na quinta-feira, com prefácio de Medina Carreira.
(Pedro Cunha (arquivo))
"Nesta direcção do JN, sou um problema resolvido; Moura Guedes é um problema resolvido na direcção da TVI; José Eduardo Moniz é um problema resolvido na direcção da Media Capital; José Manuel Fernandes é um problema resolvido no PÚBLICO", disse Mário Crespo, em Guimarães, onde vai fazer uma intervenção nas jornadas parlamentares do CDS.
"Começa a haver demasiados 'problemas' resolvidos em Portugal e é altura de nos consciencializarmos das soluções que estão a ser aplicadas não as mistificarmos com nada", disse.
Numa crónica divulgada ontem no site do Instituto Sá Carneiro (depois da recusa do JN em a publicar), Mário Crespo revela que terá sido referenciado pelo primeiro-ministro como "um problema a resolver", durante um almoço com os ministros dos Assuntos Parlamentares e da Presidência, num restaurante em Lisboa.
Essa conversa, em que Sócrates também se terá referido ao profissional da SIC como um "louco", chegou ao conhecimento de Mário Crespo através de uma outra pessoa, numa mesa próxima. O jornalista assegura que nunca irá revelar o nome dessa pessoa, e confirma que era Nuno Santos, director-geral da SIC, que também estava no restaurante naquele dia, numa outra mesa.
Em reacção ao termo "calhandrice" utilizado por fonte não identificada do Ministério dos Assuntos Parlamentares para se referir a este caso, Crespo diz ser "extraordinário". "Só alguém que conhece bem o seu significado é que o usaria. Eu nunca me lembro de ter usado o termo", disse.
Questionado pelos jornalistas qual a razão de o artigo ter sido publicado no site do instituto ligado ao PSD, Mário Crespo diz não saber como é que isso aconteceu. O jornalista assegura que, no domingo, enviou o texto pelas vias normais (para dois endereços de e-mail do JN) e só na segunda de manhã foi alertado para a publicação no site do Instituto por uma notícia no site do jornal PÚBLICO.
O jornalista afirma ter, ontem de manhã, contactado Zita Seabra (da editora Altheia), para publicar um livro em que essa crónica será um "elemento determinante". O livro é lançado já na quinta-feira, com prefácio de Medina Carreira.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
TELEJORNAL

Telejornal
Colocado por Blogger Convidado em política nacional, televisão em 2 de Fevereiro de 2010
O gerente do café explica o funcionamento do mesmo aos clientes. O primeiro-ministro
diz que ganhou a batalha da governabilidade. O governo mantém o aeroporto e a alta velocidade. O ministro das Obras Públicas discursa. o “pivot” do Telejornal é sério e usa gravata. O primeiro-ministro garante que o aumento do défice não foi descontrolo. O país janta e vê o Telejornal. O presidente da Junta anda descontrolado e bate uma punheta. O gerente do café continua a explicar o funcionamento do mesmo. O Orçamento é bom para o país. O ministro das Finanças admite que se engana. A deputada do CDS é boa…para o país. O défice dispara. As agências de rating controlam. O Bloco de Esquerda é bom para o país. Os deputados do Bloco de Esquerda são sérios mas não usam gravata. O gerente do café gosta de Coca-Cola. O governo já aguentou 100 dias. As garrafas estão expostas. O gerente arrota teses de doutoramento acerca do funcionamento do café. O primeiro-ministro é sério e usa gravata. Além disso, nunca se enerva. O primeiro-ministro é bom…para o país. O Presidente da República é sério e usa gravata. O líder do CDS também. O primeiro-ministro dá dinheiro aos bebés. O primeiro-ministro quer casar com a Carochinha. O primeiro-ministro e todos os ministros são bons…para o país. O gerente analisa agora a problemática da cerveja. O Presidente da República é sério e não bebe cerveja. O PPM quer referendar a monarquia. O PPM é sério e usa gravata. A autarca corrupta não vai a julgamento. O Obama continua a pregar. O gerente do café também. Todos os homens do poder são sérios e usam gravata. O Presidente da República é sério, honesto e usa gravata. Uma bombista suícida detonou explosivos em cima dos peregrinos. O México continua cheio de pistoleiros. O Presidente da República é sério, honesto, usa gravata e quer a estabilidade do país. O Leixões defronta o Marítimo. O gerente do café já resolveu todos os problemas da Humanidade. A brasileira alapa o cu ao balcão. O poeta escreve o que vê, o que ouve e o que lhe vem à cabeça. O Presidente da República é sério, honesto, usa gravata, quer a estabilidade do país e não apanha bebedeiras. O primeiro-ministro é bom…para o país e também não apanha bebedeiras. O ministro das Finanças é sério, honesto e usa gravata. Todos os homens públicos são bons…por natureza. A televisão promove os “Ídolos”. Os “Ídolos” são sérios, honestos, querem a estabilidade do país mas não usam gravata. O presidente da Câmara é bom…para a cidade. O TGV mantém-se, apesar do aumento da dívida pública. A sabedoria do gerente do café faz o meu cérebro dar voltas. O poeta é bom…mas também é mau, não quer a estabilidade do país, apanha bebedeiras e não usa gravata. O Pesidente da República é sério, honesto, usa gravata, quer a estabilidade do país, não apanha bebedeiras e só percebe de finanças. O ministro das Finanças é bom…para o país. O Presidente da República, o primeiro-ministro, o ministro das Finanças, todos os ministros, a oposição, o Orçamento, o presidente da Câmara, o presidente da Junta, o “pivot” do telejornal, o Leixões, os “Ídolos”, os pistoleiros mexicanos, a bombista suícida, os empresários dos carrosséis, o CDS, o PPM, o Bloco de Esquerda e o gerente do café são bons…para o país. A Beyoncé mostra as mamas. A Beyoncé é boa…para o país.
ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO, Candidato à Presidência da República
http://www.aventar-eu/tag/antonio-pedro-ribeiro/
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
TERCEIRO MANIFESTO DA CANDIDATURA DE ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Eu, António Pedro Ribeiro, poeta, diseur, performer, sociólogo, aderente nº 346 do Bloco de Esquerda, sou candidato à Presidência da República porque não estou à espera do PS de Sócrates, um Sócrates que é arrogante e quer amordaçar toda a crítica. Sou candidato porque o Bloco de Esquerda é, neste momento, com excepção das suas correntes trotskistas e revolucionárias minoritárias, como a FER, um partido perfeitamente institucionalizado que apenas pretende reformar o capitalismo. Sou candidato porque é preciso combater a ditadura do económico e da linguagem económica e contabilística de que Cavaco e Sócrates são executantes e servidores e, por isso, pregadores da morte e do darwinismo social. Sou candidato contra o mercado e a mercearia, contra a existência quadrada de tédio e de morte que nos vendem todos os dias. Sou candidato contra a lógica dos ganhos e das perdas, do custo e do prejuízo, da competição e da competividade. Sou candidato pela liberdade e pela vida. Sou candidato contra o poder e as hierarquias. Sou candidato pela erradição da pobreza, sobretudo da miséria, por aqueles que têm fome e sede e não têm abrigo. Sou candidato porque sou anarquista.
Sou candidato porque o Homem não pode ser conta, percentagem, orçamento, porque o Homem é muito mais do que isso, porque o Homem é espírito, afecto, vontade, mesa partilhada.
Vilar do Pinheiro, Vila do Conde, 1 de Fevereiro de 2010,
António Pedro de Basto e Vasconcelos Ribeiro da Silva
http://partido-surrealista.blogspot.com
http://tripnaarcada.blogspot.com
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
O HOMEM É INFINITO

O homem é infinito. Tem sede de infinito. Nunca se poderá reduzir ao mercado e à economia. Haverá sempre homens que não o aceitarão. Não o aceitarão nunca. Para esses homens não é possível descer tão baixo. Eles não suportam a linguagem dos economistas. Odeiam-na, do mesmo modo que odeiam o homem pequeno, o homem da intriga e da mercearia. São os homens superiores de Nietzsche. Eles existem. Andam por aí. Nem tudo está perdido. O homem canta. O homem dança. O homem ri. Nem tudo está perdido. Existe o homem livre.
O HOMEM DA PALAVRA

Sou um homem da Palavra mas de poucas palavras. Normalmente falo pouco. Só falo muito quando estou muito entusiasmado com alguém ou com alguma coisa. Ou quando estou com os copos. Por outro lado, tenho necessidade de amor, de uma atmosfera de afecto, de uns elogios, para me sentir falador. Confesso que tenho necessidade de ser narcisista, de ser a prima-dona para que a palavra flua.
ESPERO POR TI, GORETI
Espero por ti, Goreti
às quatro da manhã no "Big Ben"
espero por ti, Goreti
apesar de estares na Madeira
a mares de mim
a mares das àguas
que bebo aqui
espero por ti, Goreti
no meio da fala da puta
da puta que fala
e dos chulos que se amontoam
em redor
espero por ti, Goreti
apesar de ter gasto o cacau todo
nos bares das redondezas
depois da entrevista na Rádio Casa Viva
depois da Idade Média
no "Armazém do Chá"
e dos outros sítios da moda
onde um gajo se sente como o Lou Reed
"Take a walk on the wild side"
espero por ti, Goreti
porque hoje no "Piolho"
até vi o Santo Graal
e dei dois euros ao mendigo
espero por ti, Goreti
no meio dos rufias
da noite
após uma hora de conversa
com o Zé Pacheco
o escultor
que me passou três euros para a mão
sem eu lhe pedir nada
e a puta que fala
e não se cala
e já as conheces há 2000 anos
e continuas a entrar nas casas
como entravas
e a puta que beija
e a puta que vai
e o empregado
que fala nos quintos do inferno
e até já me sinto nas minhas quintas
até já volto a pedir cerveja
e sou a estrela
e a barriga enche
e o Adriano goza
e o marquês de Sade
já ninguém se escandaliza
mal sabem elas
as palavras do divino
espero por ti, Goreti
e ando a estoirar o dinheiro
do Campo Alegre
assim, assim
como se fosse nada
e a puta fala
não há aqui
estrelas do rock n' roll
só há o gajo
a escrever à mesa
e o pessoal que fala
como a puta
de boina
brasileira
que bebe
e já não saca
mas dá lições de moral
à clientela
e que se vai
e nos deixa sós
com umas estranjas
espero por ti, Goreti
e sinto-me como Allen Ginsberg
sabes, tens razão
há pessoas que não valem
a ponta de um corno
mas o Sócrates hoje até foi derrotado
na Assembleia da República
e os gajos só falam
da pen e das gigas
e já não há putas
nem travestis
resta-me esperar pelo metro
e aturar estes matrecos
que não dizem
a ponta de um corno
espero por ti, Goreti
e o "Big Ben" já não é
o que era
por todo o lado
me tratam
como ao príncipe da Baviera
já não sou o que era
quando armava confusões
e não tinha um tostão
amanhã não vou sair da aldeia
vou dar dinheiro aos de lá
sempre é a terra do meu pai
não me fica mal
o pessoal junta-se todo nos mesmos sítios
e depois os outros ficam às moscas
é tudo uma questão de moda
top-model
como tu poderias ser
e entram os freaks
e pedem sanduíches
e o rock n' roll rola
e telefonei a horas à minha mãe
agora durmo com máscara
por causa da apneia
vai-te deitar, mãe
não fiques à minha espera
que eu hoje estou no rock
ando a fazer observação participante
como se dizia na Faculdade
e já só tenho vontade
de continuar a escrever
espero por ti, Goreti
e já não putas no "Big Ben"
anda tudo bem comportadinho
a falar de cabos e "playstations"
como o Rocha
que apareceu no "Orfeuzinho"
e me pagou o cafézinho
não suporta o Red e o freak
mas eu não tenho preconceitos
aprendi com o Nietzsche
já o disse na entrevista
espero por ti, Goreti
a mulher e a namorada
estão entretidas com o computador
enquanto o gajo olha para a TVI
até parece que os gajos
me querem filmar
sou uma estrela
há gajos que me reconhecem
mas as gajas não me dão
beijos na boca
deve ser por causa da barriga
por causa do pão
e dos fritos
a cerveja já não conta
até a deito fora
a partir de certa hora
é veneno
mas juro que no "Piolho"
bebi o Graal
estava a micar uma gaja
que estava a escrever
eu conheço-a
não sei de onde
até ensaiei em Vila do Conde
na praia
onde há gajos a pescar
espero por ti, Goreti
e há gajos que dão
as boas noites
a toda a gente
que se armam
em presidente
e o Sócrates
e o Vara
e o Godinho
são todos um docinho
e um gajo aqui a contar os trocos
deviam ir todos presos
apesar do Reinaldo
e dos indefesos
ide todos dar uma volta!
O homem controla
e ordena
mas isto está uma bruta seca
espero por ti, Goreti
e vou ter de pedir mais cerveja
é mais forte do que eu
estes gajos fazem-me a cama
e só me pedem cartão
e eu vou até
ao fim do filão
este pessoal dos bares
desconhece o "Big Ben"
fica mesmo junto à estação da Trindade
não há que enganar
está tudo fodido
mas é o que está a dar
espero por ti, Goreti
e aparecem gajas
para um gajo olhar
nem são grande coisa
até vou mijar
espero por ti, Goreti
e até dou espectáculo
faço piruetas
equilibrismo
e nem sequer fui dançar
as putas falam comigo
mas eu já gastei o cacau
sou o maior
sou um carapau
espero por ti, Goreti
e nunca escrevi como hoje
se me tivesses ligado
era outra dose
espero por ti, Goreti
não sou o Pablo Neruda
sou mais como o Ginsberg
espero por ti, Goreti
e esta merda não muda
um gajo bem diz umas coisas
mas a gaja é surda
espero por ti, Goreti
e não se passa nada
o cabrão fala, fala
e nunca mais é de madrugada
o gerente é inteligente
e põe-me doente
anda tudo com um sorriso
"Pepsodent"
espero por ti, Goreti
o relógio não avança
e não se passa nada
ninguém fala do Sócrates
nem do Vara
anda tudo de tola avariada
espero por ti, Goreti
e sabes que espero
e sabes que te quero
até ao fim.
Porto, "Big Ben", sábado, Novembro 2009.
às quatro da manhã no "Big Ben"
espero por ti, Goreti
apesar de estares na Madeira
a mares de mim
a mares das àguas
que bebo aqui
espero por ti, Goreti
no meio da fala da puta
da puta que fala
e dos chulos que se amontoam
em redor
espero por ti, Goreti
apesar de ter gasto o cacau todo
nos bares das redondezas
depois da entrevista na Rádio Casa Viva
depois da Idade Média
no "Armazém do Chá"
e dos outros sítios da moda
onde um gajo se sente como o Lou Reed
"Take a walk on the wild side"
espero por ti, Goreti
porque hoje no "Piolho"
até vi o Santo Graal
e dei dois euros ao mendigo
espero por ti, Goreti
no meio dos rufias
da noite
após uma hora de conversa
com o Zé Pacheco
o escultor
que me passou três euros para a mão
sem eu lhe pedir nada
e a puta que fala
e não se cala
e já as conheces há 2000 anos
e continuas a entrar nas casas
como entravas
e a puta que beija
e a puta que vai
e o empregado
que fala nos quintos do inferno
e até já me sinto nas minhas quintas
até já volto a pedir cerveja
e sou a estrela
e a barriga enche
e o Adriano goza
e o marquês de Sade
já ninguém se escandaliza
mal sabem elas
as palavras do divino
espero por ti, Goreti
e ando a estoirar o dinheiro
do Campo Alegre
assim, assim
como se fosse nada
e a puta fala
não há aqui
estrelas do rock n' roll
só há o gajo
a escrever à mesa
e o pessoal que fala
como a puta
de boina
brasileira
que bebe
e já não saca
mas dá lições de moral
à clientela
e que se vai
e nos deixa sós
com umas estranjas
espero por ti, Goreti
e sinto-me como Allen Ginsberg
sabes, tens razão
há pessoas que não valem
a ponta de um corno
mas o Sócrates hoje até foi derrotado
na Assembleia da República
e os gajos só falam
da pen e das gigas
e já não há putas
nem travestis
resta-me esperar pelo metro
e aturar estes matrecos
que não dizem
a ponta de um corno
espero por ti, Goreti
e o "Big Ben" já não é
o que era
por todo o lado
me tratam
como ao príncipe da Baviera
já não sou o que era
quando armava confusões
e não tinha um tostão
amanhã não vou sair da aldeia
vou dar dinheiro aos de lá
sempre é a terra do meu pai
não me fica mal
o pessoal junta-se todo nos mesmos sítios
e depois os outros ficam às moscas
é tudo uma questão de moda
top-model
como tu poderias ser
e entram os freaks
e pedem sanduíches
e o rock n' roll rola
e telefonei a horas à minha mãe
agora durmo com máscara
por causa da apneia
vai-te deitar, mãe
não fiques à minha espera
que eu hoje estou no rock
ando a fazer observação participante
como se dizia na Faculdade
e já só tenho vontade
de continuar a escrever
espero por ti, Goreti
e já não putas no "Big Ben"
anda tudo bem comportadinho
a falar de cabos e "playstations"
como o Rocha
que apareceu no "Orfeuzinho"
e me pagou o cafézinho
não suporta o Red e o freak
mas eu não tenho preconceitos
aprendi com o Nietzsche
já o disse na entrevista
espero por ti, Goreti
a mulher e a namorada
estão entretidas com o computador
enquanto o gajo olha para a TVI
até parece que os gajos
me querem filmar
sou uma estrela
há gajos que me reconhecem
mas as gajas não me dão
beijos na boca
deve ser por causa da barriga
por causa do pão
e dos fritos
a cerveja já não conta
até a deito fora
a partir de certa hora
é veneno
mas juro que no "Piolho"
bebi o Graal
estava a micar uma gaja
que estava a escrever
eu conheço-a
não sei de onde
até ensaiei em Vila do Conde
na praia
onde há gajos a pescar
espero por ti, Goreti
e há gajos que dão
as boas noites
a toda a gente
que se armam
em presidente
e o Sócrates
e o Vara
e o Godinho
são todos um docinho
e um gajo aqui a contar os trocos
deviam ir todos presos
apesar do Reinaldo
e dos indefesos
ide todos dar uma volta!
O homem controla
e ordena
mas isto está uma bruta seca
espero por ti, Goreti
e vou ter de pedir mais cerveja
é mais forte do que eu
estes gajos fazem-me a cama
e só me pedem cartão
e eu vou até
ao fim do filão
este pessoal dos bares
desconhece o "Big Ben"
fica mesmo junto à estação da Trindade
não há que enganar
está tudo fodido
mas é o que está a dar
espero por ti, Goreti
e aparecem gajas
para um gajo olhar
nem são grande coisa
até vou mijar
espero por ti, Goreti
e até dou espectáculo
faço piruetas
equilibrismo
e nem sequer fui dançar
as putas falam comigo
mas eu já gastei o cacau
sou o maior
sou um carapau
espero por ti, Goreti
e nunca escrevi como hoje
se me tivesses ligado
era outra dose
espero por ti, Goreti
não sou o Pablo Neruda
sou mais como o Ginsberg
espero por ti, Goreti
e esta merda não muda
um gajo bem diz umas coisas
mas a gaja é surda
espero por ti, Goreti
e não se passa nada
o cabrão fala, fala
e nunca mais é de madrugada
o gerente é inteligente
e põe-me doente
anda tudo com um sorriso
"Pepsodent"
espero por ti, Goreti
o relógio não avança
e não se passa nada
ninguém fala do Sócrates
nem do Vara
anda tudo de tola avariada
espero por ti, Goreti
e sabes que espero
e sabes que te quero
até ao fim.
Porto, "Big Ben", sábado, Novembro 2009.
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