domingo, 31 de janeiro de 2010

DA VIDA


Não sou comerciante, não sou do mercado. Sou da dádiva, da gratuitidade, da vida. É isso a vida. A dádiva, a partilha, o amor. Se há algo que reprime essa dádiva, essa partilha, esse amor então temos de combatê-lo do primeiro ao último dia. A começar, claro, na nossa cabeça. É um combate de vida ou de morte esse combate de que falo. Mas é o único combate que vale a pena travar. Não estou a falar de lutar pela vidinha, não estou a falar do trabalhinho, não estou a falar de tostões nem de milhões. Já me armei em carapau e apanhei nos cornos. Agora assumo a minha liberdade. Com a humildade do actor. Com o narcisismo do actor. Viemos ao mundo de graça: já o disse. Não temos de pagar a ponta de um corno pela vida. Aliás, somos o pior dos animais. Somos o animal que inventou o dinheiro.

CRÓNICA


Já não tenho papel para escrever mas continuo a escrever. Até escrevo num guardanapo. Mudou a menina da padaria. Esta tem umas boas mamas e não é feia de cara. Estes gajos devem pagar miseravelmente para as gajas andarem sempre a mudar. Escravidão. Horários da revolução industrial. O dinheiro que se ganha não dá para nada. Assim, de facto, mais vale não trabalhar. Estamos na estrada certa. Olhamos para as gajas. Micamos o cu e as mamas. Quantas vezes já dissemos isto? Já chateia a conversa, ó poeta.

sábado, 30 de janeiro de 2010

POETAS MALDITOS


Poetas Malditos – Adolfo Simões Müller Abril 17, 2007
Arquivado em: Adolfo Simões Müller, poesia — looking4good @ 12:42 pm

Malditos poetas, que disseram tudo
e tudo tão bem dito!

Malditos poetas, que me deixam mudo,
sem um ai, uma súplica ou um grito!

Raios os partam, cada qual maldito!

Malditos, que roçaram no seu voo,
com asas de veludo
o infinito!

Malditos poetas: Eu os abençoo…

Adolfo Simões Müller (n. em Lisboa 18 Ago 1909, m. 17 Abr 1989)

Dizem que eu tenho de dar um grande salto para chegar lá. Não me parece. Acho que, a espaços, já lá cheguei. Escrevo demais, tenho escrito demais- é esse o problema. A loira não é má. Já lá estive. Quero chupar-lhe as mamas. É bonita.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010


E as gajas não páram de limpar. Definitivamente, não sou como os outros. Não sou do negócio. Não sou do mercado. Divirto-me com o que sobra. Rio-me. Divirto-me com a vida. Gozo. Mas há muito tempo que não me rio a valer. Há muito tempo que não vem a gargalhada sarcástica, satânica. O que será preciso para ela vir de novo? Estas séries vampirescas na TVI despertam-me um bocadinho. Há um poder só teu. Um poder de que tomas consciência agora. As gajas falam. A série acaba. Há gente que entra. Sou candidato. Escrevo à mesa, como sempre. Sou um poeta. Mas não sou apenas um poeta. QUero o mundo! O Tavares continua a falar com toda a gente. Dá-se com toda a gente. Tem paleio para toda a gente. Fala com as gajas. Não o invejo. Sou do mundo. Quero o mundo! Sei perfeitamente onde quero chegar. Há 20 anos que o sei. A "Padeirinha" perdeu claramente clientela. TEnho de falar ao mundo. Mas não de qualquer maneira.

HAITI

Caos
motins
pilhagens
o homem reduzido
à besta
a imagem no ar
mortos à sobremesa

BRAGA CAMPEÃO


Depois de ter vencido em casa o FC Porto e o Benfica, foi a vez de o líder da Liga bater o Sporting (1-0). Bastou um golo de Paulo César para vincar ainda mais o estatuto do Sp. Braga de candidato ao título.

Num jogo em que o Sp. Braga entrou a mandar e no qual foi a equipa a colocar maior pressão sobre o adversário, o Sporting até podia ter empatado já aos 89', quando Yannick Djaló desperdiçou um passe magistral de Matías Fernandez com um remate ao lado. Já no período de descontos, Matías ainda cabeceou para uma grande defesa de Eduardo e Miguel Veloso assustou com um remate de longe.

Para trás, já tinham ficado um livre perigosíssimo de Hugo Viana, alguns lances quezilentos (o mais evidente dos quais protagonizado por Saleiro, com uma entrada duríssima sobre Alan) e uma lesão delicada de Eduardo, quando prendeu o pé direito no relvado após uma saída da baliza.

www.publico.clix.pt

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

ESCRITORES MALDITOS

ESCRITORES MALDITOS
EM DEBATE NO DOLCE VITA

A irreverência, a insubmissão e o espírito livre vão andar à solta na
próxima edição de “Cultura no Centro”, a realizar no dia 30 de Janeiro às 17
horas, no piso 2 do Dolce Vita Porto.

Num tempo em que escapar à submissão imposta por todos os tipos de poderes é
uma tarefa cada vez mais árdua, o que é ser um escritor maldito hoje? Como
pode a literatura contribuir para a consciência crítica de uma nação? E de
que forma devem os autores lidar com a crescente interferência do plano
económico? Estes são apenas alguns dos tópicos a abordar num debate onde os
autores presentes vão ler textos de sua autoria e no qual será possível
encontrar títulos das Edições Mortas.

*A Literatura: bênção ou maldição?
*30 de Janeiro, às 17 horas
*Dolce Vita Porto (piso 2)

A. Dasilva O.
Humberto Rocha
A. Pedro Ribeiro
Raul Simões Pinto
Virgílio Liquito*

*“Cultura no centro” é o título de uma série de debates organizados por
Sérgio Almeida, jornalista do “Jornal de Notícias”. Nos últimos sábados de
cada mês, às 17 horas, a cultura está no centro das atenções no Dolce Vita
Porto, com a discussão de temas ancorados na realidade.

TÉDIO

Voltamos ao tédio. Afinal os gajos da SIC não pegaram em mim. Já não estou a subir. Mas também já subi de outras vezes e depois caí. Não posso voltar a cair. Voltamos ao tédio. Nada se passa. Eu disse o que tinha a dizer aos gajos. Fui honesto. Fui sincero. Fui um homem livre. Um príncipe das ideias. Um cavalheiro. Um senhor. E é isso que sou neste momento. O sucessor do Joaquim Castro Caldas. Um provocador. O último dos malditos.
Tenho uma missão. Só quando a cumprir estarei disponível para outras coisas. Mas os gajos foram ter comigo e depois não publicaram. E assim fica o "Apocalipse Now". Depois dos elogios, dos abraços, da festa fica o vazio. E lá estou eu a escrever diários. Nada mais do que diários. Regresso à Terra. Não cheguei a subir. Não cheguei a ser sublime. Não penetrei no mundo da media, do imediato. A candidatura à Presidência é apenas um pretexto para passar ideias, mensagens. As ideias que estão nos livros mas que os media não passam, não têm passado. As palavras que é preciso dizer. Agora. As palavras que vêm do coração. As palavras.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

CANDIDATURA DE ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA E "UM POETA NO PIOLHO" NO PINGUIM


António Pedro Ribeiro, poeta anarquista e maldito, apresenta a sua candidatura à Presidência da República na segunda, 25, às 23 h no Pinguim Café no Porto. Apresenta também, à mesma hora e no mesmo local, o livro "Um Poeta no Piolho" (Corpos). The doors are open.

sábado, 23 de janeiro de 2010

ROSA LUXEMBURGO

"Liberdade apenas para aqueles que apoiam um governo ou que são membros de um partido – por mais numerosos que eles possam ser – não é liberdade. Liberdade é sempre e exclusivamente liberdade para quem pensa diferente."

MULHERES


As mulheres que amamos dão cabo de nós quando nos deixam à espera. Mais ainda quando definitavamente não aparecem. Fazes-me sofrer, menina! Há gajas que já não me dizem nada mas tu, definitivamente, fazes-me sofrer. É tempo de pedir um fino.
Às vezes convenço-me de que estou a escrever coisas sublimes e saem coisas com palavras a mais. O que é certo é que, mesmo sem ti, continuo com a pica toda. Muitos estranjas aqui no "Piolho". Não são esses que te vão bater palmas. Há aqueles que se fartam de viajar. A mim, às vezes, basta-me viajar até ao "Piolho". Depois há os outros que estão sempre a glorificar o passado como se nós não tivessemos passado, como se tivessemos eternamente 18 anos. Olha! Até era bom voltar a ter 18 anos e saber o que sabemos agora. É o eterno retorno. Estamos sós, Gotucha. Nascemos para a solidão. Há gajos que nos saúdam mas continuamos sós. Há ainda outros que são deputados de esquerda ou eurodeputados que se queixam que viajam muito e que trabalham 16 horas por dia. Enfim, há também outros que nos vêem a escrever e perguntam se estamos a trabalhar. Vá lá! O que é facto é que tu, Alexandra, ficaste de aparecer e não apareceste. E eu estou aqui meio fodido. Só não estou completamente fodido porque Nietzsche ainda me ilumina. E ainda há gajos que mal me conhecem e se sentam à minha mesa. O "Piolho" tem isto de bom. Um gajo senta-se e fica sentado o tempo que quiser, sem que ninguém nos chateie ou maldiga. Não sou o escritor consagrado mas tenho as minhas ideias, as minhas convicções. Aliás, estou farto de falar de gajas, de mamas e de cervejas. Até acho que o sexo é uma coisa secundária. O que me eleva é a descoberta da palavra, o conhecimento de mim mesmo e do mundo. O espírito a fluir. O resto é conversa.

NIETZSCHE, "ASSIM FALAVA ZARATUSTRA"


Tirai-nos este Deus! Mais vale não haver Deus, mais vale cada um fazer o seu destino guiando-se pela sua cabeça, mais vale tornarmo-nos loucos, mais vale ser cada um de nós o seu próprio Deus! (Nietzsche, "Assim Falava Zaratustra")

GUERRA NO AFEGANISTÃO

SOBRE A GUERRA NO AFEGANISTÃO


O debate sobre a guerra no Afeganistão e Paquistão atingiu um ponto crítico. A opinião pública de todo o mundo tem estado atenta e opõe-se à escalada da guerra, que tem sido vendida como «nova estratégia» pelos governos mais influentes da NATO. Até os meios de comunicação convencionais reflectem este debate e desilusão.
Nós sabemos que os conflitos nunca são resolvidos através de guerras.

Os 192 países-membros da ONU foram convidados a participar na Conferência Internacional sobre o Afeganistão em Londres a 28 de Janeiro de 2010. Esta conferência foi convocada por Gordon Brown depois de Nicolas Sarkozy e de Angela Merkel a terem anunciado há alguns meses atrás. Provavelmente, os únicos membros de governos aí presentes serão representantes dos países ocidentais e dos seus estados vassalos. Pode-se esperar pouco mais do que uma reavivar da campanha pública com vista a arrebanhar apoio à sua «nova estratégia» para a guerra, inspirada pela NATO.

Os movimentos para a Paz, as ONG pelos Direitos Humanos, os partidos políticos, sindicatos e indivíduos de todo o mundo que lutam pela paz, a justiça e a liberdade irão encontrar-se nesta ocasião. Temos apelado às organizações e activistas de todo o mundo para se juntarem a nós e se comprometerem na procura de uma solução comum e pacífica ao nível internacional para este beco-sem-saída do Afeganistão.

Um fim para a guerra obriga a que as tropas da NATO sejam retiradas do Afeganistão. Globalmente, precisamos e portanto estamos a trabalhar para, a dissolução e desmantelamento da NATO em ordem a contribuir para a segurança internacional. A NATO pode apenas trazer mais guerra. Nunca foi (e nunca virá a ser) uma organização destinada à nossa protecção e segurança. Depois de cerca de 9 anos de presença da NATO no Afeganistão, a situação actual reflecte a verdadeira natureza da NATO: uma aliança militar concebida para impor a vontade das elites dos países ocidentais.

São precisas respostas políticas e civis à crise no Afeganistão e Paquistão. Têm de respeitar as decisões do povo afegão e requerem soluções que envolvam todos os países vizinhos. Tais respostas poderiam incluir um programa não-militar sob liderança da ONU para substituir os militares sob mandato do ISAF no Afeganistão.

O Afeganistão precisa realmente de um real processo de reconstrução, em termos materiais, políticos e sociais e isto não se pode levar a cabo com balas, bombas e bombardeiros



Berlim, Boston, Londres, Paris

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010


Passam por mim escritores famosos, com nome na praça, mas nenhum se compara a ti, ó poeta das alturas!
Passam por mim pessoas e mais pessoas, mas ninguém se compara a ti, ó filósofo do "Anticristo"!
Passam por mim noites e noites, dias e dias, mas nada se compara a ti, ó Zaratustra!
Passam por mim todas as loucuras mas nenhuma se compara a ti, ó sábio das montanhas! Passam por mim todos os povos e idiomas, mas nenhum se compara a ti, ó grande Zaratustra!