Voltamos ao tédio. Afinal os gajos da SIC não pegaram em mim. Já não estou a subir. Mas também já subi de outras vezes e depois caí. Não posso voltar a cair. Voltamos ao tédio. Nada se passa. Eu disse o que tinha a dizer aos gajos. Fui honesto. Fui sincero. Fui um homem livre. Um príncipe das ideias. Um cavalheiro. Um senhor. E é isso que sou neste momento. O sucessor do Joaquim Castro Caldas. Um provocador. O último dos malditos.
Tenho uma missão. Só quando a cumprir estarei disponível para outras coisas. Mas os gajos foram ter comigo e depois não publicaram. E assim fica o "Apocalipse Now". Depois dos elogios, dos abraços, da festa fica o vazio. E lá estou eu a escrever diários. Nada mais do que diários. Regresso à Terra. Não cheguei a subir. Não cheguei a ser sublime. Não penetrei no mundo da media, do imediato. A candidatura à Presidência é apenas um pretexto para passar ideias, mensagens. As ideias que estão nos livros mas que os media não passam, não têm passado. As palavras que é preciso dizer. Agora. As palavras que vêm do coração. As palavras.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
CANDIDATURA DE ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA E "UM POETA NO PIOLHO" NO PINGUIM
sábado, 23 de janeiro de 2010
ROSA LUXEMBURGO
"Liberdade apenas para aqueles que apoiam um governo ou que são membros de um partido – por mais numerosos que eles possam ser – não é liberdade. Liberdade é sempre e exclusivamente liberdade para quem pensa diferente."
MULHERES

As mulheres que amamos dão cabo de nós quando nos deixam à espera. Mais ainda quando definitavamente não aparecem. Fazes-me sofrer, menina! Há gajas que já não me dizem nada mas tu, definitivamente, fazes-me sofrer. É tempo de pedir um fino.
Às vezes convenço-me de que estou a escrever coisas sublimes e saem coisas com palavras a mais. O que é certo é que, mesmo sem ti, continuo com a pica toda. Muitos estranjas aqui no "Piolho". Não são esses que te vão bater palmas. Há aqueles que se fartam de viajar. A mim, às vezes, basta-me viajar até ao "Piolho". Depois há os outros que estão sempre a glorificar o passado como se nós não tivessemos passado, como se tivessemos eternamente 18 anos. Olha! Até era bom voltar a ter 18 anos e saber o que sabemos agora. É o eterno retorno. Estamos sós, Gotucha. Nascemos para a solidão. Há gajos que nos saúdam mas continuamos sós. Há ainda outros que são deputados de esquerda ou eurodeputados que se queixam que viajam muito e que trabalham 16 horas por dia. Enfim, há também outros que nos vêem a escrever e perguntam se estamos a trabalhar. Vá lá! O que é facto é que tu, Alexandra, ficaste de aparecer e não apareceste. E eu estou aqui meio fodido. Só não estou completamente fodido porque Nietzsche ainda me ilumina. E ainda há gajos que mal me conhecem e se sentam à minha mesa. O "Piolho" tem isto de bom. Um gajo senta-se e fica sentado o tempo que quiser, sem que ninguém nos chateie ou maldiga. Não sou o escritor consagrado mas tenho as minhas ideias, as minhas convicções. Aliás, estou farto de falar de gajas, de mamas e de cervejas. Até acho que o sexo é uma coisa secundária. O que me eleva é a descoberta da palavra, o conhecimento de mim mesmo e do mundo. O espírito a fluir. O resto é conversa.
NIETZSCHE, "ASSIM FALAVA ZARATUSTRA"
GUERRA NO AFEGANISTÃO
SOBRE A GUERRA NO AFEGANISTÃO
O debate sobre a guerra no Afeganistão e Paquistão atingiu um ponto crítico. A opinião pública de todo o mundo tem estado atenta e opõe-se à escalada da guerra, que tem sido vendida como «nova estratégia» pelos governos mais influentes da NATO. Até os meios de comunicação convencionais reflectem este debate e desilusão.
Nós sabemos que os conflitos nunca são resolvidos através de guerras.
Os 192 países-membros da ONU foram convidados a participar na Conferência Internacional sobre o Afeganistão em Londres a 28 de Janeiro de 2010. Esta conferência foi convocada por Gordon Brown depois de Nicolas Sarkozy e de Angela Merkel a terem anunciado há alguns meses atrás. Provavelmente, os únicos membros de governos aí presentes serão representantes dos países ocidentais e dos seus estados vassalos. Pode-se esperar pouco mais do que uma reavivar da campanha pública com vista a arrebanhar apoio à sua «nova estratégia» para a guerra, inspirada pela NATO.
Os movimentos para a Paz, as ONG pelos Direitos Humanos, os partidos políticos, sindicatos e indivíduos de todo o mundo que lutam pela paz, a justiça e a liberdade irão encontrar-se nesta ocasião. Temos apelado às organizações e activistas de todo o mundo para se juntarem a nós e se comprometerem na procura de uma solução comum e pacífica ao nível internacional para este beco-sem-saída do Afeganistão.
Um fim para a guerra obriga a que as tropas da NATO sejam retiradas do Afeganistão. Globalmente, precisamos e portanto estamos a trabalhar para, a dissolução e desmantelamento da NATO em ordem a contribuir para a segurança internacional. A NATO pode apenas trazer mais guerra. Nunca foi (e nunca virá a ser) uma organização destinada à nossa protecção e segurança. Depois de cerca de 9 anos de presença da NATO no Afeganistão, a situação actual reflecte a verdadeira natureza da NATO: uma aliança militar concebida para impor a vontade das elites dos países ocidentais.
São precisas respostas políticas e civis à crise no Afeganistão e Paquistão. Têm de respeitar as decisões do povo afegão e requerem soluções que envolvam todos os países vizinhos. Tais respostas poderiam incluir um programa não-militar sob liderança da ONU para substituir os militares sob mandato do ISAF no Afeganistão.
O Afeganistão precisa realmente de um real processo de reconstrução, em termos materiais, políticos e sociais e isto não se pode levar a cabo com balas, bombas e bombardeiros
Berlim, Boston, Londres, Paris
O debate sobre a guerra no Afeganistão e Paquistão atingiu um ponto crítico. A opinião pública de todo o mundo tem estado atenta e opõe-se à escalada da guerra, que tem sido vendida como «nova estratégia» pelos governos mais influentes da NATO. Até os meios de comunicação convencionais reflectem este debate e desilusão.
Nós sabemos que os conflitos nunca são resolvidos através de guerras.
Os 192 países-membros da ONU foram convidados a participar na Conferência Internacional sobre o Afeganistão em Londres a 28 de Janeiro de 2010. Esta conferência foi convocada por Gordon Brown depois de Nicolas Sarkozy e de Angela Merkel a terem anunciado há alguns meses atrás. Provavelmente, os únicos membros de governos aí presentes serão representantes dos países ocidentais e dos seus estados vassalos. Pode-se esperar pouco mais do que uma reavivar da campanha pública com vista a arrebanhar apoio à sua «nova estratégia» para a guerra, inspirada pela NATO.
Os movimentos para a Paz, as ONG pelos Direitos Humanos, os partidos políticos, sindicatos e indivíduos de todo o mundo que lutam pela paz, a justiça e a liberdade irão encontrar-se nesta ocasião. Temos apelado às organizações e activistas de todo o mundo para se juntarem a nós e se comprometerem na procura de uma solução comum e pacífica ao nível internacional para este beco-sem-saída do Afeganistão.
Um fim para a guerra obriga a que as tropas da NATO sejam retiradas do Afeganistão. Globalmente, precisamos e portanto estamos a trabalhar para, a dissolução e desmantelamento da NATO em ordem a contribuir para a segurança internacional. A NATO pode apenas trazer mais guerra. Nunca foi (e nunca virá a ser) uma organização destinada à nossa protecção e segurança. Depois de cerca de 9 anos de presença da NATO no Afeganistão, a situação actual reflecte a verdadeira natureza da NATO: uma aliança militar concebida para impor a vontade das elites dos países ocidentais.
São precisas respostas políticas e civis à crise no Afeganistão e Paquistão. Têm de respeitar as decisões do povo afegão e requerem soluções que envolvam todos os países vizinhos. Tais respostas poderiam incluir um programa não-militar sob liderança da ONU para substituir os militares sob mandato do ISAF no Afeganistão.
O Afeganistão precisa realmente de um real processo de reconstrução, em termos materiais, políticos e sociais e isto não se pode levar a cabo com balas, bombas e bombardeiros
Berlim, Boston, Londres, Paris
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Passam por mim escritores famosos, com nome na praça, mas nenhum se compara a ti, ó poeta das alturas!
Passam por mim pessoas e mais pessoas, mas ninguém se compara a ti, ó filósofo do "Anticristo"!
Passam por mim noites e noites, dias e dias, mas nada se compara a ti, ó Zaratustra!
Passam por mim todas as loucuras mas nenhuma se compara a ti, ó sábio das montanhas! Passam por mim todos os povos e idiomas, mas nenhum se compara a ti, ó grande Zaratustra!
CANDIDATURA DE ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA E "UM POETA NO PIOLHO" NO PINGUIM

APRESENTAÇÃO DA CANDIDATURA DE ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA E "UM POETA NO PIOLHO" NO PINGUIM
António Pedro Ribeiro, poeta anarquista e aderente nº 346 do Bloco de Esquerda, apresenta a sua candidatura à Presidência da República e apresenta também o seu livro "Um Poeta no Piolho" no bar Pinguim, no Porto, na próxima segunda, dia 25, pelas 23,00 h.
MANIFESTO DA CANDIDATURA DE ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO
Esta é, sobretudo, uma candidatura anti-mercado e anti-capitalista. Esta é, sobretudo, uma candidatura pelo Homem e pela Vida. Esta é uma candidatura que não aceita que o homem se reduza a uma mercadoria, a um objecto de compra e venda, ao macaco do lucro e da mercearia. Esta é uma candidatura que não faz o jogo dos partidos nem dos sindicatos, que nada negoceia porque nada há a negociar com o capitalismo. Esta é a candidatura que não está na Bolsa e que defende a extinção da Bolsa. Esta é a candidatura que se opõe aos banqueiros e ao mercado. Esta é a candidatura que diz que o homem nasce de graça, que o homem nada tem a pagar pela vida, que a Vida deve ser livre e gratuita. Esta é a candidatura que diz que a vida está muito para além da vidinha, da sub-vida do trabalho, da rotina e do quotidiano cinzento e vazio. Esta é a candidatura que fala do homem livre, do homem que cria e ri. Do homem que é afecto e mesa partilhada, do homem que está para lá da democracia burguesa. Do homem que não é da economia nem da finança nem do sacar dinheiro nem do desenrascanço. Do homem que ama, dança, canta e quer. Do homem sem chefes nem hierarquias.
E também:
Dar de comer a quem tem fome.
Dar de beber a quem tem sede.
Dar abrigo a quem não tem abrigo.
UM POETA NO PIOLHO
"Um Poeta no Piolho" é uma homenagem aos 100 anos do café "Piolho" feitos à mesa da cerveja e das mulheres que vêm ou não vêm. É o percurso de mais de 20 anos do poeta no "Piolho" em torno de discussões literárias, políticas ou amorosas, é a homenagem aos empregados e aos gerentes do "Piolho", a todos aqueles que por lá passam e continuam a passar, a todas aqueles que fizeram e que fazem do "Piolho" um café com História e recheado de estórias todos os dias.
António Pedro Ribeiro ou A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto no Maio de 1968. É autor dos livros "Queimai o Dinheiro" (Corpos, 2009), "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006) e "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (Silêncio da Gaveta, 2001), entre outros. Foi fundador da revista literária "Aguasfurtadas" e colaborou nas revistas "Cráse", "Bíblia", "Conexão Maringá" e "A Voz de Deus", entre outras. Foi activista estudantil na Faculdade de Letras do Porto e no Jornal Universitário do Porto. Fez performances poéticas no Festival de Paredes de Coura 2006 e 2009 (com a banda Mana Calórica) e recentemente nas "Quintas de Leitura" do Teatro Campo Alegre (Outubro de 2009). Diz regularmente poesia nos bares Púcaros e Pinguim e no Clube Literário (Poesia de Choque).
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
ENTREVISTA DE APR NO JORNAL "A VOZ DA PÓVOA"
SECÇÃO: Cultura
Entrevista a A. Pedro Ribeiro
Por José Peixoto
Poesia de Choque
A. Pedro Ribeiro
A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto, em 1968 e vive em Vilar do Pinheiro, Vila do Conde. É Licenciado em Sociologia. Foi fundador da revista literária Aguasfurtadas e colaborador de revistas e fanzines como a “Portuguesia”, “Cráse”, “Voz de Deus”, revista “Bíblia”, e “Conexão Maringá”, do Brasil. O último dos oito livros de poesia publicados tem o título, “Um Poeta no Piolho” e foi lançado em Dezembro de 2009. Pedro Ribeiro também diz poesia e faz performances poéticas e poético-musicais.
A Voz da Póvoa – Qual a razão de comemorar os 100 anos do Piolho com um livro?
A. Pedro Ribeiro – A ideia partiu do escritor Raul Simões Pinto, que me convidou a reunir os poemas escritos naquele café. Alguns poemas perderam-se, outros aparecem nos vários livros que fui publicando. Tem também poemas inéditos escritos no Piolho a partir de Junho último.
A.V.P. – Cafés como o Piolho são referências que começam a rarear nas cidades?
A.P.R. – O Piolho tem uma história de encontro de opositores ao regime, tanto da área política como artística. A tertúlia ainda se mantém viva. Já vivi naquele lugar grandes discussões literárias e políticas. O Piolho no Porto, a Brasileira em Braga, o antigo Diana Bar ou o Guarda Sol na Póvoa, são espaços que tem uma certa especificidade. Não é um lugar onde vais simplesmente beber uma cerveja ou tomar um café, tem uma história, uma vivência que vem de longe. Infelizmente alguns vão desaparecendo.
A.V.P. – A que se deve o facto de ultimamente publicar com mais regularidade?
A.P.R. – Tem a ver com o ritmo da escrita. Escrevo praticamente todos os dias e vou publicando nos meus blogs. Há sempre cinco ou dez pessoas que lêem. A partir daí faço uma selecção. Mas há sempre textos que ficam para trás e só mais tarde é que são recuperados e publicados em livro.
A.V.P. – O ritmo do espectáculo tem acompanhado o ritmo da escrita?
A.P.R. – As duas coisas estão ligadas, mas são distintas. A escrita é fundamentalmente um acto solitário, mesmo que estejas a escrever num lugar cheio de gente. Quando estou acompanhado não escrevo. Não troco um amigo por um texto ou um poema. Já o acto de estar em palco é dar alguma coisa. Não dependes só de ti, mas também das reacções do público. Boas ou más, lido com ambas.
A.V.P. – Os palcos de Paredes de Coura e do Teatro Campo Alegre, definem o poeta?
A.P.R. – Espero que sim, até porque fui dizer poemas meus e as reacções do público foram muito positivas. Talvez devido ao tipo de textos que seleccionei, com uma temática ligada à vida boémia, textos que falam do sexo, da mulher fatal, das gajas boas. São textos que resultam bem em certos sítios, para um certo público. Mas há lugares onde digo Mário Cesariny, Jim Morrison, Allen Guinsberg ou Nietzsche.
A.V.P. – Cita e recita muito Nietzsche é porque assim falava Zaratustra?
A.P.R. – Estou a ler pela quarta vez esse livro. O Nietzsche fascina-me quando fala da superação do homem, que não é este homem pequeno das mercearias, das contas, dos orçamentos, do homem económico. Como diz o padre Mário de Oliveira, o homem é afecto e espírito, ou deveria ser sobretudo isso. Mas esse homem é destruído por esta sociedade capitalista. Mas há também o homem artista, que canta que dança, que está ai.
A.V.P. – Sente que o artista deve ser cada vez mais interventivo?
A.P.R. – O artista não tem que ser como os outros e levar aquela vida regrada e certinha. Deve ir mais longe, quebrar rotinas, ser um desalinhado. As pessoas podem não estar de acordo com tudo o que tu dizes ou escreves, mas aquilo mexe com elas. Esse é o objectivo.
www.vozdapovoa.com
Entrevista a A. Pedro Ribeiro
Por José Peixoto
Poesia de Choque
A. Pedro Ribeiro
A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto, em 1968 e vive em Vilar do Pinheiro, Vila do Conde. É Licenciado em Sociologia. Foi fundador da revista literária Aguasfurtadas e colaborador de revistas e fanzines como a “Portuguesia”, “Cráse”, “Voz de Deus”, revista “Bíblia”, e “Conexão Maringá”, do Brasil. O último dos oito livros de poesia publicados tem o título, “Um Poeta no Piolho” e foi lançado em Dezembro de 2009. Pedro Ribeiro também diz poesia e faz performances poéticas e poético-musicais.
A Voz da Póvoa – Qual a razão de comemorar os 100 anos do Piolho com um livro?
A. Pedro Ribeiro – A ideia partiu do escritor Raul Simões Pinto, que me convidou a reunir os poemas escritos naquele café. Alguns poemas perderam-se, outros aparecem nos vários livros que fui publicando. Tem também poemas inéditos escritos no Piolho a partir de Junho último.
A.V.P. – Cafés como o Piolho são referências que começam a rarear nas cidades?
A.P.R. – O Piolho tem uma história de encontro de opositores ao regime, tanto da área política como artística. A tertúlia ainda se mantém viva. Já vivi naquele lugar grandes discussões literárias e políticas. O Piolho no Porto, a Brasileira em Braga, o antigo Diana Bar ou o Guarda Sol na Póvoa, são espaços que tem uma certa especificidade. Não é um lugar onde vais simplesmente beber uma cerveja ou tomar um café, tem uma história, uma vivência que vem de longe. Infelizmente alguns vão desaparecendo.
A.V.P. – A que se deve o facto de ultimamente publicar com mais regularidade?
A.P.R. – Tem a ver com o ritmo da escrita. Escrevo praticamente todos os dias e vou publicando nos meus blogs. Há sempre cinco ou dez pessoas que lêem. A partir daí faço uma selecção. Mas há sempre textos que ficam para trás e só mais tarde é que são recuperados e publicados em livro.
A.V.P. – O ritmo do espectáculo tem acompanhado o ritmo da escrita?
A.P.R. – As duas coisas estão ligadas, mas são distintas. A escrita é fundamentalmente um acto solitário, mesmo que estejas a escrever num lugar cheio de gente. Quando estou acompanhado não escrevo. Não troco um amigo por um texto ou um poema. Já o acto de estar em palco é dar alguma coisa. Não dependes só de ti, mas também das reacções do público. Boas ou más, lido com ambas.
A.V.P. – Os palcos de Paredes de Coura e do Teatro Campo Alegre, definem o poeta?
A.P.R. – Espero que sim, até porque fui dizer poemas meus e as reacções do público foram muito positivas. Talvez devido ao tipo de textos que seleccionei, com uma temática ligada à vida boémia, textos que falam do sexo, da mulher fatal, das gajas boas. São textos que resultam bem em certos sítios, para um certo público. Mas há lugares onde digo Mário Cesariny, Jim Morrison, Allen Guinsberg ou Nietzsche.
A.V.P. – Cita e recita muito Nietzsche é porque assim falava Zaratustra?
A.P.R. – Estou a ler pela quarta vez esse livro. O Nietzsche fascina-me quando fala da superação do homem, que não é este homem pequeno das mercearias, das contas, dos orçamentos, do homem económico. Como diz o padre Mário de Oliveira, o homem é afecto e espírito, ou deveria ser sobretudo isso. Mas esse homem é destruído por esta sociedade capitalista. Mas há também o homem artista, que canta que dança, que está ai.
A.V.P. – Sente que o artista deve ser cada vez mais interventivo?
A.P.R. – O artista não tem que ser como os outros e levar aquela vida regrada e certinha. Deve ir mais longe, quebrar rotinas, ser um desalinhado. As pessoas podem não estar de acordo com tudo o que tu dizes ou escreves, mas aquilo mexe com elas. Esse é o objectivo.
www.vozdapovoa.com
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
MANIFESTO DA CANDIDATURA DE ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Esta é, sobretudo, uma candidatura anti-mercado e anti-capitalista. Esta é, sobretudo, uma candidatura pelo Homem e pela Vida. Esta é uma candidatura que não aceita que o homem se reduza a uma mercadoria, a um objecto de compra e venda, ao macaco do lucro e da mercearia. Esta é uma candidatura que não faz o jogo dos partidos nem dos sindicatos, que nada negoceia porque nada há a negociar com o capitalismo. Esta é a candidatura que não está na Bolsa e que defende a extinção da Bolsa. Esta é a candidatura que se opõe aos banqueiros e ao mercado. Esta é a candidatura que diz que o homem nasce de graça, que o homem nada tem a pagar pela vida, que a Vida deve ser livre e gratuita. Esta é a candidatura que diz que a vida está muito para além da vidinha, da sub-vida do trabalho, da rotina e do quotidiano cinzento e vazio. Esta é a candidatura que fala do homem livre, do homem que cria e ri. Do homem que é afecto e mesa partilhada, do homem que está para lá da democracia burguesa. Do homem que não é da economia nem da finança nem do sacar dinheiro nem do desenrascanço. Do homem que ama, dança, canta e quer. Do homem sem chefes nem hierarquias.
E também:
Dar de comer a quem tem fome.
Dar de beber a quem tem sede.
Dar abrigo a quem não tem abrigo.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
RIBEIRO À PRESIDÊNCIA

CANDIDATURA DE ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
APRESENTAÇÃO DO LIVRO "UM POETA NO PIOLHO" NO PÚCAROS
António Pedro Ribeiro, poeta anarquista, diseur, performer e aderente nº 346 do Bloco de Esquerda anuncia na próxima quarta, 20, pelas 23,30 h, no bar Púcaros no Porto (à Alfândega) a sua candidatura à presidência da República nas Presidenciais/2011. O anúncio da candidatura coincide com a apresentação do livro "Um Poeta no Piolho" (Corpos Editora) no mesmo local e à mesma hora. A candidatura de António Pedro Ribeiro, embora respeite muito a figura de Manuel Alegre enquanto poeta e humanista, vai contra os entendimentos de mercearia entre o Bloco de Esquerda e o PS de Sócrates que se desenha em torno da candidatura do poeta. A candidatura de António Pedro Ribeiro é a candidatura do homem livre que está contra a economia de mercado e a social-democracia de mercado que nos enfernizam a vida. A candidatura de António Pedro Ribeiro é uma candidatura de ruptura contra todas as formas de capitalismo, estejam elas na bolsa, nos bancos ou no grande capital. É uma candidatura que não pactua com negociações e sindicatos em busca de influências, estatutos e poderes. É uma candidatura pela vida no sentido nietzscheano, pela vida autêntica, plena sem patrões nem grandes irmãos. É uma candidatura que olha para os desempregados e para os pobres sem estatísticas nem contas de mercearia. Todo o ser humano tem direito à sua subsistência e algo mais. Não tem de andar a mendigar coisa nenhuma. A candidatura de António Pedro Ribeiro é uma candidatura de rebelião e de ruptura com o instituído que acredita, com Rosa Luxemburgo, que os problemas não se resolvem no Parlamento mas sim na rua. Acredita também que o capitalismo destrói o homem e que, portanto, deve ser derrubado nas ruas como tem sido tentado na Grécia e em França. Acredita também que o melhor governo é não existir governo nenhum e que os partidos de esquerda (PCP, Bloco de Esquerda) têm feito, muitas vezes, o jogo do sistema aceitando migalhas do poder.
"Um Poeta no Piolho" é uma homenagem aos 100 anos do café "Piolho" feitos à mesa da cerveja e das mulheres que vêm ou não vêm. É o percurso de mais de 20 anos do poeta no "Piolho" em torno de discussões literárias, políticas ou amorosas, é a homenagem aos empregados e aos gerentes do "Piolho", a todos aqueles que por lá passam e continuam a passar, a todas aqueles que fizeram e que fazem do "Piolho" um café com História e recheado de estórias todos os dias.
António Pedro Ribeiro ou A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto no Maio de 1968. É autor dos livros "Queimai o Dinheiro" (Corpos, 2009), "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006) e "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (Silêncio da Gaveta, 2001), entre outros. Foi fundador da revista literária "Aguasfurtadas" e colaborou nas revistas "Cráse", "Bíblia", "Conexão Maringá" e "A Voz de Deus", entre outras. Foi activista estudantil na Faculdade de Letras do Porto e no Jornal Universitário do Porto. Fez performances poéticas no Festival de Paredes de Coura 2006 e 2009 (com a banda Mana Calórica) e recentemente nas "Quintas de Leitura" do Teatro Campo Alegre (Outubro de 2009). Diz regularmente poesia nos bares Púcaros e Pinguim e no Clube Literário (Poesia de Choque). "Um Poeta no Piolho" será apresentado pelo poeta Anthero Monteiro e pelo editor da Corpos Ricardo de Pinho Teixeira. O diseur Luís Carvalho dirá poemas do livro.
No dia seguinte, 21, quinta, pelas 22,00 h, António Pedro Ribeiro volta a apresentar a sua candidatura no Clube Literário do Porto, acompanhado por Luís Carvalho e pelo músico Luís Almeida, durante a habitual sessão de POESIA DE CHOQUE que tem lugar todas as terceiras quintas de cada mês.
Com os melhores cumprimentos,
António Pedro Ribeiro.
tel. 965045714
http://tripnaarcada.blogspot.com
http://partido-surrealista.blogspot.com
CANDIDATO Á PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
DO HOMEM

Safar-se. Arranjar um emprego. Sacar dinheiro. Sobreviver. Eis a que se resume a existência humana. Eis o que nos metem na cabeça ao longo dela. Que pobreza! Vir ao mundo para isto. Crescer para isto. Condicionar todos os passos em função da pequena esperteza, da safadeza. É isto o homem pequeno. O homem pequeno está por todo o lado. Este ainda é o tempo do homem pequeno. Reconhecido e respeitado por amealhar o maior quinhão, a maior parcela. A poesia, a filosofia são meros adornos subordinados à lógica do mercado e do desenrascanço. Não há aqui qualquer grandeza ou nobreza, não se questiona o homem, não se procura a evolução, o crescimento da espécie humana. Não há qualquer evolução, qualquer tentativa de superação, a superação do homem pela qual Nietzsche e outros filósofos se bateram. Macacos, macacos que trepam, sobrevivem e mercadejam. Não passam disso mesmo os homens pequenos. A ciência e o conhecimento estão reduzidos à lógica dos macacos. Acumula-se dinheiro, bens, poder, influências como se acumulam bananas. Para quê Platão? Para quê Nietzsche? Se continuamos reduzidos à lógica do sustento, da sub-vida. Não é possível o homem descer tão baixo. Não é possível ver a vida resumida a isto. Aliás, as imagens das pilhagens, do save-se quem puder no Haiti são sintomáticas. É o primarismo, o primatismo levado ao extemo, mesmo entre intelectuais. Não. O homem não é isto, não pode ser isto. Isto não é um jogo de futebol. A bola a rolar, a contabilidade dos ganhos e das perdas, a mercearia. O homem nasceu para se superar, para ser igual aos deuses, para ser ele próprio um deus ou, se quisermos, o super-homem. E o homem supera-se na criação, no afecto, no conhecimento, nas mesas partilhadas. O homem é questionamento e vontade. O homem não é submissão, conformismo, aceitação. "Viver segundo a minha vontade ou não viver", disse Nietzsche. O homem é criação e vontade. Não precisa de Deus nem de deuses. Não precisa sequer de governantes, nem de deputados, nem de chefes. O homem é tudo e nada. Não conduz nem é conduzido. Vive. Canta. Dança. Ri. Acredita em si mesmo. Ama. Supera-se. É livre. É caminho e fim em si mesmo.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
DOS FILHOS
Há poemas meus que são autênticos "hits", que fazem parte duma espécie de "Best Of": "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro", "O Poeta e as Gajas Boas", "O Beijo na Boca", "O Poema". Não entendo como há editoras que me rejeitam. A minha forma de escrever é original. Já o disse. Não sou o melhor seleccionador. Mas não faço outra coisa senão escrever...e ler. Vivo da escrita. Vivo literalmente da escrita. Os meus textos são todos meus filhos. À falta de amigos e de amigas tenho os meus filhos. Uns ficam. Outros são rejeitados. Outros ainda ressuscitam. Mas são todos meus filhos. Amo-os. Nascem de mim. Sou o criador. A mãe que os pare. E o criador é livre e feliz.
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