post it / carla ribeiro
eu sou as personagens que tu representas
as falas que inventas
as histórias que gostarias de ter vivido
os sentimentos que sabes ter fingido
a cartilha das tuas opções
o chorrilho das tuas razões
as viagens que nunca fizeste
o grande amor que não tiveste
o talento que não é o teu
o saber que tens e que é o meu
a tua vida é o maior livro em que escrevo
nele não ficará registado tudo aquilo que não fiz
tudo aquilo que quero escrever mas de verdade temo
carla ribeiro
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
ANTÓNIO JOSÉ FORTE
NATAL DE 1964
Este ano a quadra festiva vai ser melhor do que nunca
no seu centro vai haver
um grande grande ramo de flores
que é por onde vão entrar
uns atrás dos outros de cabeça pra baixo
os rapazes de mais categoria das artes e das letras
uns atrás dos outros de mãos dadas
cantarolando com a boca cheia
e escorregando docemente escorregando
para debaixo da mesa
onde os espera Jesus
para introduzi-los na grande sala de recepção ao vómito
Quanto ao autor destes versos
aguardará um telefonema até ao último momento
mas à cautela e antes que seja tarde
já comprou um cachucho
que mandou fechar à chave no seu cofre-forte
(poema de António José Forte, in "Uma Faca Nos Dentes")
retirado de http://quintasdeleitura.blogspot.com
Este ano a quadra festiva vai ser melhor do que nunca
no seu centro vai haver
um grande grande ramo de flores
que é por onde vão entrar
uns atrás dos outros de cabeça pra baixo
os rapazes de mais categoria das artes e das letras
uns atrás dos outros de mãos dadas
cantarolando com a boca cheia
e escorregando docemente escorregando
para debaixo da mesa
onde os espera Jesus
para introduzi-los na grande sala de recepção ao vómito
Quanto ao autor destes versos
aguardará um telefonema até ao último momento
mas à cautela e antes que seja tarde
já comprou um cachucho
que mandou fechar à chave no seu cofre-forte
(poema de António José Forte, in "Uma Faca Nos Dentes")
retirado de http://quintasdeleitura.blogspot.com
domingo, 20 de dezembro de 2009
NA PAZ DO WHISKY
São quatro da manhã e escrevo. Começamos a POESIA DE CHOQUE com um só espectador. Na Casa Viva deveríamos ter ficado pelas 4 ou 5 canções. Valha-me o whisky. Valha-me o whisky oferecido, prenda de Natal, que me dá forças. O whisky não enjoa. O whisky não te engana. O whisky dá-me paz. E é na paz do whisky que estou agora. É na paz do whisky que quero ficar. Está cumprida mais uma etapa. Piolho, Clube Literário, Casa viva. Foi no Piolho que as coisas correram melhor. Estavam lá os meus amigos e as minhas amigos. Hoje, no palco, senti-me só, apesar de estar cheio de pedal. Custa um gajo estar a dar o litro e umas gajas viradas de costas para nós. Valeu a recepção algo entusiástica às quatro ou cinco primeiras canções. Valha-me a paz do whisky. Valha-me o whisky que o Toni me ofereceu. Beber por beber. Já o diz a canção. Assim vale a pena beber. Ainda fui ao "karaoke" da "Nova Onda" beber quatro minis. É sempre a abrir. Na paz do whisky. Noite fora.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
LAS TEQUILLAS NA CASA VIVA
SEMPRE A ABRIR
Leio Jim Morrison
finalmente, Jim Morrison!
Que o meu amigo Angel
me ofereceu
estou ao balcão da patroa bonita
passo a tarde na cama
e agora estou-me a desforrar
vendo uns livros
saco algum cacau
e depois venho bebê-lo aqui
os gajos de sempre
pedem futebol
a vida é uma seca
e não é o futebol
que a vai mudar
escrevo
e nem sequer tenho
muita vontade de escrever
é o que rola
e o que dá
amanhã: concerto na Casa Viva
ontem três espectadores
na Poesia de Choque
umas vezes a glória
outras o deserto
assim vai o artista
bebe mais uma
é sempre a abrir
e a Carlinha em Amarante
e a Gotucha na Madeira
está a dar o Braga
oxalá ganhe
se perder, paciência
não vivemos disto
vivemos do rock n' roll
é isso que vamos
mostrar amanhã
com o Henrique
grande Henrique
senhor da guitarra
vamos até de madrugada
isto está seco
vamos regá-lo com cerveja
e o Rocha já telefona
e peço mais uma
e a gaja dá-ma
dá-me cervejas
mas cobra-mas
é assim em todo o lado
ninguém dá nada a ninguém
só nos emprestam canetas
as canetas valem pouco
no mercado
o mercado dita tudo
é uma merda
grande merda
de mundo nos deste,
ó Deus!
Não é este o mundo que quero
eu quero festa
eu quero celebração
canto o mundo que não existe
mas já existiu
no tempo dos sátiros e dos xamãs
no tempo de Morrison e Zaratustra
isto apesar da senhora da noite
ser muito simpática
mas esse mundo que canto
já não existe
existiu, a espaços, na minha vida
sim, a espaços, eu fui o rei
capaz de tudo
de ir até ao infinito
mas agora tudo quanto vejo
é tédio
e homens a discutir futebol
assim vai a vida
assim vai o artista
ontem estava quase bêbado
apesar dos três espectadores
está a sair mais um épico
és boa
dás-me broa
vestida de negro
não percebes nada de futebol
e ainda bem
criticas o Saramago
e que se foda!
O Saramago é um romancista
não é um profeta
como o padre Mário
está frio
anda aquecer-me, querida!
Está tudo a zero
ninguém se chega à frente
e eu escrevo estas merdas
já não é a "Mulher Ausente"
o Braga joga mas não marca
joga-se tudo no domingo
Benfica-Porto
o país pára
a dona fuma
"não há brilho no que vejo"
dizias tu, António
não sei como é que
os teus versos não são mais citados
ã dona diz que gosta
de tirar fotografias às flores
oferece-lhe flores, ó anarca!
Tens flores no teu quintal
vais até ao fim
e o Braga marca.
"Nova Onda", 18.12.2009
BRAGA CAMPEÃO DE INVERNO
O Sporting de Braga venceu esta sexta-feira o Paços de Ferreira, por 1-0, no jogo que abriu a 14.ª jornada da Liga Sagres e garantiu a liderança independentemente do resultado do Benfica-FC Porto de domingo. O único golo do encontro foi apontado por Meyong, já no período de compensações da primeira parte. O camaronês que somou o quarto golo na Liga, igualando os seus colegas Hugo Viana e Alan. A vitória sobre a equipa pacense isolou provisoriamente o Sporting de Braga no comando do campeonato nacional, com 33 pontos. O Benfica poderá contudo voltar a colar-se pontualmente à equipa orientada por Domingo Paciência caso vença o “clássico” de domingo com o FC Porto, no Estádio da Luz, em Lisboa. O Paços de Ferreira mantém a 11.ª posição da tabela da primeira Liga, com 14 pontos. A ronda prossegue sábado com os jogos entre o Vitória de Guimarães e o Rio Ave, que tem início às 19:15 horas, e o Vitória de Setúbal-Sporting, no Estádio do Bonfim, a partir das 21:15.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
MORTOS
Estais mortos
comunicais mortos
obedeceis mortos
viveis mortos
amais mortos
e assim permanecereis
por mil anos
até ao romper
do feitiço.
comunicais mortos
obedeceis mortos
viveis mortos
amais mortos
e assim permanecereis
por mil anos
até ao romper
do feitiço.
CANTO DOIDO
O caminho da solidão e da loucura. É por aí que tenho seguido. Por muito doloroso que seja. É esse também o caminho da sabedoria. Há uma luz, ao longe, que me guia. Uma voz que me chama. Desde a mais tenra infância que me distingo dos outros. Desde a mais tenra infância que mantenho monólogos comigo mesmo, mundos interiores. Têm sido esses monólogos, esses mundos interiores que me têm mantido vivo. Estou só na "Motina" neste final de tarde. Mas há qualquer coisa que me empurra. As palavras duras e ternas do padre Mário. A sabedoria de Nietzsche e Henry Miller. A memória do meu pai. Tudo isso faz de mim mais forte, mais humano. "Humano, Demasiado Humano". E é este o caminho que devo seguir. Não há que ser niilista ou pessimista. É o meu caminho. O caminho da solidão e da loucura. O caminho da criação e da loucura. É só que crio, que invento mundos, estradas, personagens. "A estrada do excesso conduz ao palácio da sabedoria", escreveu William Blake. É por aí que eu vou. Não tenho limites. Não tenho fronteiras. Canto o meu canto doido às sete da tarde na "Motina". Canto o meu canto doido na aldeia deserta. Canto o meu canto doido e ainda te espero. Canto o meu canto doido e estou para lá disto tudo. Canto o meu canto doido e estou para lá de vós todos. Canto o meu canto doido e amo a minha loucura. Canto o meu canto doido na estrada da solidão. Canto o meu canto doido e vou até ao fim. Canto o meu canto doido e estou para lá de todos os limites. Canto o meu canto doido e tudo é pequeno diante da minha loucura.
SONHEI QUE ERA REI

SONHEI QUE ERA REI
Sonhei com era rei
De um país que não existe
Um país de justiça
Um país sem crimes
Sonhei que era rei
De um país que não existe
Um país sem bancos nem bolsas
Nem chulos exploradores
Sonhei que era rei
De um país que não existe
Um país sem fome
Um país sem guerra
Um país onde os homens
Se tratam como irmãos
Sonhei que era rei
De um país que não existe
Um país de sol
Um país de luz
Um país onde se busca
A Verdade e a Sabedoria
Sonhei que era rei
De um país que não existe
Um país sem dinheiro
Nem trabalho
Um país onde o homem
É dono do seu tempo.
16.12.2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
POESIA DE CHOQUE

POESIA DE CHOQUE NO CLUBE LITERÁRIO
A. Pedro Ribeiro e Luís Carvalho apresentam mais uma sessão de POESIA DE CHOQUE na próxima quinta, 17, pelas 21,30 h no Clube Literário do Porto. A sessão conta com a presença do guitarrista Carlos Andrade. Mais uma noite para a poesia rebelde e maldita. As sessões de POESIA DE CHOQUE têm lugar nas terceiras quintas de cada mês.
D. ROSA
A D. Rosa regressou
à "Motina"
já tinha saudades da D. Rosa
a D. Rosa é sempre amável comigo
e eu lá lancei o "Poeta no Piolho"
estiveram lá amigos e desconhecidos
e agora volto à vida de todos os dias
à "Motina" dos cafés,
da escrita e da leitura
e até apareceu a menina bonita
é a esta que deveria oferecer o poema
mas ando sem coragem.
à "Motina"
já tinha saudades da D. Rosa
a D. Rosa é sempre amável comigo
e eu lá lancei o "Poeta no Piolho"
estiveram lá amigos e desconhecidos
e agora volto à vida de todos os dias
à "Motina" dos cafés,
da escrita e da leitura
e até apareceu a menina bonita
é a esta que deveria oferecer o poema
mas ando sem coragem.
O PLANETA EM JOGO
Países em desenvolvimento suspendem participação nos grupos de trabalho em Copenhaga
14.12.2009
Agências
Os países africanos, apoiados pelo G77 – que representa 130 países em desenvolvimento – suspenderam a sua participação nos grupos de trabalho nas negociações climáticas a decorrer em Copenhaga.
A informação foi prestada por um ministro ocidental que pediu anonimato. De acordo com este responsável, os países em desenvolvimento consideram que a conferência de Copenhaga está a negligenciar a importância da renovação dos compromissos, para lá de 2012, dos países industrializados, no âmbito do Protocolo de Quioto.
“Eles abandonaram os grupos de trabalho e recusam, por agora, o processo ministerial” definido pela presidente dinamarquesa da conferência, Connie Hedegaard, comentou.
Estas nações pedem uma reunião dos ministros exclusivamente dedicada às formas de prolongar Quioto depois de 2012, data em que expira este tratado assinado em 1997. Esta manhã, a Argélia pediu, em nome do grupo africano (com 53 países) uma sessão ministerial plenária dedicada apenas ao futuro de Quioto. "Se não, vamos perder tudo", insistiu Kemal Djemouia. Este negociador responsável pela Argélia acusou os países desenvolvidos de tentarem "fazer colapsar" as negociações de 192 nações.
"Já estamos em alerta vermelho, estamos numa encruzilhada", comentou Victor Ayodeji Fodeke, chefe da delegação nigeriana. De acordo com este responsável, a China e a Índia apoiam a posição africana. "Pensam como nós que Quioto não deve morrer".
Segundo Yvo de Boer, o mais alto responsável climático nas Nações Unidas, os países africanos "não têm a intenção de bloquear seja o que for" mas pedem mais atenção para o Protocolo de Quioto.
O ministro britânico da Energia e Clima, Ed Miliband, expressou esta manhã a sua simpatia para com os países em desenvolvimento que "não querem que a via do Protocolo de Quioto morra antes de serem criados novos instrumentos vinculativos".
"Mas também penso que os países em desenvolvimento compreendem que para as partes de Quioto assinarem um tratado parcial agora, com tantos países de fora, seria irresponsável para o clima", acrescentou. Um tal acordo significaria "aceitar que continuariamos com apenas alguns países no tratado".
Ao final da manhã estavam a decorrer negociações entre os responsáveis do grupo africano e Hedegaard.
"A incerteza actual sobre o futuro do Protocolo de Quioto criou muitas desconfianças e recentimentos nas negociações", salientou Kim Carstensen, da WWF.
Os países em desenvolvimento querem prolongar Quioto, que obriga os países ricos - excepto os Estados Unidos - a reduzir emissões de gases com efeito de estufa até 2012, e estão dispostos a trabalhar um novo acordo, separado, para os países em desenvolvimento. Mas a maioria dos países ricos quer transformar Quioto num novo acordo com obrigações para todas as nações. Além disso, defendem que as negociações devem privilegiar um único processo negocial porque os Estados Unidos estão fora de Quioto. Receiam vir a assinar um novo Quioto e que Washington deslize para um regime menos ambicioso, ao lago dos países em desenvolvimento.
O Protocolo de Quioto é o único instrumento legal e vinculativo contra as alterações climáticas. Mas não compromete os países em desenvolvimento.
Quioto compromete quase 40 nações industrializadas para reduzirem as suas emissões 5,2 por cento em média, em relação a 1990, até 2012. Os Estados Unidos recusaram ratificar Quioto alegando que deixava de fora os países em desenvolvimento e que iria custar muito à sua economia. Mas o novo Presidente Barack Obama mudou a política climática e quer participar nos esforços para reduzir emissões num novo acordo.
14.12.2009
Agências
Os países africanos, apoiados pelo G77 – que representa 130 países em desenvolvimento – suspenderam a sua participação nos grupos de trabalho nas negociações climáticas a decorrer em Copenhaga.
A informação foi prestada por um ministro ocidental que pediu anonimato. De acordo com este responsável, os países em desenvolvimento consideram que a conferência de Copenhaga está a negligenciar a importância da renovação dos compromissos, para lá de 2012, dos países industrializados, no âmbito do Protocolo de Quioto.
“Eles abandonaram os grupos de trabalho e recusam, por agora, o processo ministerial” definido pela presidente dinamarquesa da conferência, Connie Hedegaard, comentou.
Estas nações pedem uma reunião dos ministros exclusivamente dedicada às formas de prolongar Quioto depois de 2012, data em que expira este tratado assinado em 1997. Esta manhã, a Argélia pediu, em nome do grupo africano (com 53 países) uma sessão ministerial plenária dedicada apenas ao futuro de Quioto. "Se não, vamos perder tudo", insistiu Kemal Djemouia. Este negociador responsável pela Argélia acusou os países desenvolvidos de tentarem "fazer colapsar" as negociações de 192 nações.
"Já estamos em alerta vermelho, estamos numa encruzilhada", comentou Victor Ayodeji Fodeke, chefe da delegação nigeriana. De acordo com este responsável, a China e a Índia apoiam a posição africana. "Pensam como nós que Quioto não deve morrer".
Segundo Yvo de Boer, o mais alto responsável climático nas Nações Unidas, os países africanos "não têm a intenção de bloquear seja o que for" mas pedem mais atenção para o Protocolo de Quioto.
O ministro britânico da Energia e Clima, Ed Miliband, expressou esta manhã a sua simpatia para com os países em desenvolvimento que "não querem que a via do Protocolo de Quioto morra antes de serem criados novos instrumentos vinculativos".
"Mas também penso que os países em desenvolvimento compreendem que para as partes de Quioto assinarem um tratado parcial agora, com tantos países de fora, seria irresponsável para o clima", acrescentou. Um tal acordo significaria "aceitar que continuariamos com apenas alguns países no tratado".
Ao final da manhã estavam a decorrer negociações entre os responsáveis do grupo africano e Hedegaard.
"A incerteza actual sobre o futuro do Protocolo de Quioto criou muitas desconfianças e recentimentos nas negociações", salientou Kim Carstensen, da WWF.
Os países em desenvolvimento querem prolongar Quioto, que obriga os países ricos - excepto os Estados Unidos - a reduzir emissões de gases com efeito de estufa até 2012, e estão dispostos a trabalhar um novo acordo, separado, para os países em desenvolvimento. Mas a maioria dos países ricos quer transformar Quioto num novo acordo com obrigações para todas as nações. Além disso, defendem que as negociações devem privilegiar um único processo negocial porque os Estados Unidos estão fora de Quioto. Receiam vir a assinar um novo Quioto e que Washington deslize para um regime menos ambicioso, ao lago dos países em desenvolvimento.
O Protocolo de Quioto é o único instrumento legal e vinculativo contra as alterações climáticas. Mas não compromete os países em desenvolvimento.
Quioto compromete quase 40 nações industrializadas para reduzirem as suas emissões 5,2 por cento em média, em relação a 1990, até 2012. Os Estados Unidos recusaram ratificar Quioto alegando que deixava de fora os países em desenvolvimento e que iria custar muito à sua economia. Mas o novo Presidente Barack Obama mudou a política climática e quer participar nos esforços para reduzir emissões num novo acordo.
domingo, 13 de dezembro de 2009
O NOVO HOMEM
O NOVO HOMEM
António Pedro Ribeiro
O capitalismo é maléfico na sua essência. O capitalismo, alicerçado na trindade Poder/Dinheiro/Religião, como diz o padre Mário de Oliveira, é um sistema que nos converte em máquinas de compra e venda, em mercadorias, que destrói o que há de mais profundamente humano em nós. O capitalismo rouba-nos a vida. Torna-nos macacos a trepar para cima de outros macacos em busca da banana, do tacho, do dinheiro, do lucro, como diz Nietzsche. É tempo de dizer que não viemos ao mundo para isto. Não viemos ao mundo para o tédio ou para a fome. O homem não é, não pode ser troca ou mercado. O homem veio ao mundo gratuitamente, veio em busca da liberdade, do amor, da Verdade. Como é possível que nos tenhamos deixado descer tão baixo? Somos homens ou somos ratos? O que é que o império da finança, dos bancos, das bolsas e do poder nos dá? Tédio, fome e morte. É tempo de reagir. Destruamos o capitalismo pedra a pedra. Acabemos com todas as formas de idolatria e alienação. Só assim nascerá o novo homem, profundamente humano, imensamente livre.
António Pedro Ribeiro
O capitalismo é maléfico na sua essência. O capitalismo, alicerçado na trindade Poder/Dinheiro/Religião, como diz o padre Mário de Oliveira, é um sistema que nos converte em máquinas de compra e venda, em mercadorias, que destrói o que há de mais profundamente humano em nós. O capitalismo rouba-nos a vida. Torna-nos macacos a trepar para cima de outros macacos em busca da banana, do tacho, do dinheiro, do lucro, como diz Nietzsche. É tempo de dizer que não viemos ao mundo para isto. Não viemos ao mundo para o tédio ou para a fome. O homem não é, não pode ser troca ou mercado. O homem veio ao mundo gratuitamente, veio em busca da liberdade, do amor, da Verdade. Como é possível que nos tenhamos deixado descer tão baixo? Somos homens ou somos ratos? O que é que o império da finança, dos bancos, das bolsas e do poder nos dá? Tédio, fome e morte. É tempo de reagir. Destruamos o capitalismo pedra a pedra. Acabemos com todas as formas de idolatria e alienação. Só assim nascerá o novo homem, profundamente humano, imensamente livre.
sábado, 12 de dezembro de 2009
TÉDIO E MORTE
O que é que me dais?
Tédio e morte
percorro o mundo
e o mundo aborrece-me
aborrece-me de morte
O que é que me dais?
Tédio e morte
não me dizeis nada de novo
estais mortos
viveis mortos
comunicais mortos
percorro os vossos cafés
as vossas mercearias
e o que me dais?
Tédio e morte
só sacais
só quereis moedas e notas
e o que me dais?
Tédio e morte.
Tédio e morte
percorro o mundo
e o mundo aborrece-me
aborrece-me de morte
O que é que me dais?
Tédio e morte
não me dizeis nada de novo
estais mortos
viveis mortos
comunicais mortos
percorro os vossos cafés
as vossas mercearias
e o que me dais?
Tédio e morte
só sacais
só quereis moedas e notas
e o que me dais?
Tédio e morte.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
UM POETA NO PIOLHO

UM POETA NO PIOLHO
Integrado nas comemorações dos 100 anos do café Piolho, no Porto, A. Pedro Ribeiro lança o livro "Um Poeta no Piolho" (Corpos Editora), só com textos escritos no Piolho, no próximo sábado, 12, pelas 17 h. A apresentação do livro vai estar a cargo do escritor Raúl Simões Pinto e conta também com a presença do editor Ricardo de Pinho Teixeira. A. Pedro Ribeiro é autor dos livros de poesia e manifestos "Queimai o Dinheiro" (Corpos, Março de 2009), "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006), "Sexo, Noitadas e Rock n' Roll" (Pirata, 2003) e "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (Silêncio da Gaveta, 2001). Foi fundador da revista literária "Aguasfurtadas" e colaborador de diversas revistas e fanzines como "Portuguesia", "Cráse", "Voz de Deus", "Bíblia" e "Conexão Maringá" (Brasil). Diz poesia e faz performances poéticas e poético-musicais, tendo actuado nos Festivais de Paredes de Coura 2006 e 2009 e recentemente nas "Quintas de Leitura" do Teatro Campo Alegre. Foi activista estudantil na Faculdade de Letras do Porto, onde se licenciou em Sociologia. Foi jornalista e é cronista. É vocalista das bandas Mana Calórica e Las Tequillas.
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