quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O PLANETA EM JOGO

Considera ser o desafio moral do século: a luta contra as alterações climáticas.

James Hansen, um dos mais eminentes estudiosos do clima, o homem que alertou para os perigos das alterações climáticas muitos anos antes de Al Gore abrir os olhos ao mundo com o seu documentário “Uma Verdade Inconveniente”, falou ao “The Guardian” nas vésperas da cimeira de Copenhaga. E o que tem a dizer não é agradável. Hansen diz que é preferível que a cimeira redunde em fracasso, dado que o ponto de partida é profundamente defeituoso. Mais valia começar tudo do zero, argumenta.Peter Andrews/Reuters


Hansen opõe-se veementemente aos esquemas de compra e venda de emissões de CO2 para a atmosfera entre nações
“Preferia que não acontecesse [um acordo em Copenhaga], se as pessoas aceitarem a cimeira como sendo a ‘via certa’, em vez de a ‘via do desastre’”, indicou Hansen, que dirige o Instituto Goddard para os Estudos Espaciais, da NASA, em Nova Iorque.

O cientista que convenceu o mundo a prestar atenção ao perigo crescente do aquecimento global é muito claro quando diz ao “The Guardian” que seria melhor para o Planeta e para as futuras gerações que a cimeira de Copenhaga acabasse num desastre. James Hansen considera que qualquer acordo que venha a emergir das negociações será tão profundamente defeituoso que mais valia começar tudo de novo a partir do zero.

“Toda a abordagem é tão profundamente errada que é melhor reavaliar a situação. Se isto for uma coisa ao estilo Quioto, então as pessoas irão demorar anos a tentar determinar o que é que aquilo quer dizer exactamente”, criticou Hansen.

Hansen começou a apresentar-se diante do Congresso americano em 1989, alertando para as consequências do aquecimento global, e fez mais do que qualquer outro cientista na educação dos políticos norte-americanos acerca das mudanças climáticas e das suas consequências.

Apesar de se considerar um relutante orador, diz que foi forçado a entrar na esfera pública depois de as catástrofes naturais se terem começado a multiplicar.

Esta entrevista ao “The Guardian” acontece numa altura em que se registaram alguns progressos na cimeira de Copenhaga, com a Índia a anunciar um limite à emissão de CO2 para a atmosfera. Os quatro maiores produtores de gases com efeito de estufa - EUA, China, UE e Índia - já se comprometeram com limites para as emissões, mas ainda há muito a fazer e muitos obstáculos a serem ultrapassados.

Hansen opõe-se veementemente aos esquemas de compra e venda de emissões de CO2 para a atmosfera entre nações. Compara este sistema às indulgências vendidas pelo Clero na Idade Média, quando os fiéis compravam a redenção das suas almas dando dinheiro aos padres. Neste caso os países ricos dão dinheiro aos países pobres em troca de emissões de carbono.

Hansen é igualmente muito crítico das actuações de Barack Obama e de Al Gore, afirmando que estes líderes mundiais falharam aquele que é considerado hoje o desafio moral da nossa era. Porque o problema do corte das emissões de CO2 para a atmosfera não se pode ajustar aos interesses políticos e económicos internacionais. “Neste tipo de assuntos não pode haver compromissos”, avalia. “Não temos um líder que seja capaz de entender o que se passa e que diga o que realmente importa dizer. Em vez disso, estamos todos a tentar continuar com os negócios de sempre”.

Apesar de tudo, Hansen permanece optimista: “Podemos já nos ter comprometido com um aumento do nível do mar em pelo menos um metro - ou mais - mas isso não quer dizer que desistamos. Porque se desistirmos, em vez de um poderemos ter de lidar com dezenas de metros. Por isso acho contraproducente as pessoas dizerem que atingimos um ponto de não retorno e que é demasiado tarde. Nesse caso, em que é que estamos a pensar: vamos abandonar o Planeta? Devemos minimizar os estragos”, vaticinou.

AI SÓCRATES, SÓCRATES!

Armando Vara terá recebido uma carta anónima no seu escritório no Millennium BCP, em Lisboa, onde o avisavam que o primeiro-ministro, José Sócrates, estava sob escuta telefónica, noticia a revista “Sábado” na sua edição de hoje.Adriano Miranda (arquivo)


O auto-suspenso vice-presidente do BCP está proibido de contactar alguns dos outros arguidos
A carta terá sido enviada meses antes e só foi encontrada pela Polícia Judiciária a 28 de Outubro, altura em que fez buscas à sede do banco no âmbito do caso Face Oculta. A revista garante também que quando os investigadores do processo leram a missiva reforçaram a convicção de que alguém tinha dito a Armando Vara para avisar José Sócrates de que as suas conversas estariam a ser gravadas, quebrando o sigilo numa das fases mais importantes do caso.

A quebra do segredo por parte de alguns intervenientes está já a ser investigada pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), assim como a suposta mudança de telemóvel ou de cartão por parte de algumas das pessoas que estariam a ser escutadas. O DIAP de Coimbra vai mesmo acusar um dos arguidos do processo do crime de violação do segredo de justiça por ter disponibilizado um despacho do Ministério Público a um canal de televisão, informou a Procuradoria-Geral da República, em comunicado.

Contudo, apenas o administrador suspenso do BCP terá estado sob escuta, pelo menos entre Março e Outubro deste ano, altura em que foram gravadas conversas entre o entretanto constituído arguido no âmbito do caso Face Oculta e José Sócrates.

As certidões foram, no entanto, arquivadas pela Procuradoria-Geral da República e já tinham antes sido retiradas do processo por ter sido colocada em causa a sua legalidade. Sobre as conversas entre Vara e Sócrates colocarem alegadamente em causa o Estado de Direito e referirem intervenções do primeiro-ministro no sector da comunicação social, Pinto Monteiro nada disse, limitando-se a afirmar que nada justificava a abertura de um processo. A “Sábado” escreve, ainda, que cartas semelhantes podem ter sido enviadas a outros suspeitos do Face Oculta.

Caução de 25 mil euros

Ontem o juiz de instrução do processo Face Oculta fixou uma caução de 25 mil euros para o auto-suspenso vice-presidente do Millennium BCP e proibiu-o de contactar alguns outros arguidos. O antigo ministro ficou indiciado por um crime de tráfico de influência, menos um do que o que era pedido pelo Ministério Público.

O arguido escusou-se ao “papel de comentador,” quando lhe foi perguntado se concordava com as declarações do ministro Vieira da Silva sobre alegada “espionagem política” relativamente ao processo Face Oculta. Também questionado sobre se abordaria esta questão com o primeiro-ministro, José Sócrates, com quem manteve conversas escutadas e não validadas pelo Supremo Tribunal de Justiça, declarou: “Não tenho falado com ele, não sei se vou falar com ele, nem esse é assunto que lhe diga respeito”.

O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas. São conhecidos 18 arguidos, acusados de mais de 60 crimes, como corrupção, tráfico de influências, associação criminosa, furto, burla e receptação.

A PJ desencadeou a 28 de Outubro a operação Face Oculta em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado Manuel José Godinho, que se encontra em prisão preventiva.

No decurso da operação foram efectuadas cerca de 30 buscas, domiciliárias e a postos de trabalho, e pelo menos 18 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, ex-ministro socialista e vice-presidente do BCP, que suspendeu funções, José Penedos, presidente da REN-Redes Eléctricas Nacionais, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel José Godinho.

SOCIAL-DEMOCRATA DE MERDA!

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assumiu ontem a responsabilidade política pela guerra do Afeganistão, redefinindo por completo o envolvimento norte-americano no conflito e anunciando o prazo e as condições para uma retirada militar, já a partir de Julho de 2011.Jim Young/Reuters


Obama falou perante os cadetes em West Point
Numa comunicação ao país perante os cadetes da Academia Militar de West Point, o Presidente informou que mais 30 mil soldados americanos, que serão enviados para o teatro de guerra, “de forma acelerada e o mais rapidamente possível” ao longo dos próximos seis meses.

A sua missão, explicou, terá três objectivos: eliminar a ameaça taliban, garantir a segurança da população e treinar as forças afegãs, para quem será progressivamente transferida a responsabilidade de supervisão das diversas regiões. No total, os Estados Unidos ficarão com cerca de 100 mil tropas no Afeganistão. “Estes são os recursos necessários para recuperarmos a iniciativa e construir a capacidade do Afeganistão para permitir uma transição responsável e a saída das nossas tropas”, disse Obama.

Os custos do reforço
A escalada da guerra, continuou, terá um custo estimado de 30 mil milhões de dólares por ano, que terão de ser financiados por mais dívida pública. O novo plano prevê um idêntico reforço do contingente civil, para tarefas de apoio ao desenvolvimento, e um extenso trabalho diplomático, particularmente no Paquistão, para combater os grupos extremistas e redes terroristas neste país.

Os secretários da Defesa, Robert Gates, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, estiveram no Congresso para reforçar perante os legisladores as razões apresentadas pelo Presidente sobre a “importância vital” da operação no Afeganistão para a segurança interna dos Estados Unidos — e também dos seus aliados.

Esse é um argumento que todos os republicanos aceitam (a bancada da oposição saudou a decisão, criticando apenas o seu calendário para a saída das tropas), mas que não colhe junto de muitos democratas. A maioria alega que a Al-Qaeda foi desmembrada no Afeganistão e que os EUA não podem confiar no Governo de Hamid Karzai, vencedor de eleições indiscutivelmente fraudulentas.

A partir de Kandahar, o centro nevrálgico dos taliban no Afeganistão, o comandante das tropas americanas e responsável pela operação da NATO, general Stanley McChrystal, elogiou a decisão do Presidente Obama e saudou a “clarificação da missão”, que “garante aos parceiros afegãos o tempo, espaço e capacidade para defender o seu país”.

O general confirmou que uma parte dos recursos será usada para “romper, desmantelar e derrotar a Al-Qaeda”, impedindo a sua reorganização no Afeganistão e no Paquistão.

Mas o foco da operação, como já su-
blinhara Obama, tem a ver com a estabilização da segurança das populações e o treino e formação das forças afegãs, que poderão crescer dos actuais 190 mil efectivos para cerca de 400 mil em quatro anos.

Obama deu às chefias militares exac-
tamente aquilo que elas pediram — e até mais depressa do que elas imaginariam. Esta quarta-feira, já alguns especialistas se questionavam sobre a capacidade do Exército para responder tão depressa às ordens do Presidente. O chefe do Pentágono garantiu, porém, que a primeira unidade de fuzileiros está pronta a avançar já nas próximas duas ou três semanas.

O Presidente tornou claro que os EUA não avançarão para o capítulo do nation-building, que, frisou, é responsabilidade exclusiva do Governo, instituições e sociedade afegã. “A única nação que estou interessado em construir é a minha”, declarou.

A pressão do prazo
Mas, mais significativamente, Obama deu aos militares um prazo de 18 meses para serem bem sucedidos na sua missão. O Presidente não anunciou a retirada total das tropas a partir de Julho de 2011; disse que nessa altura seriam reavaliadas as opções dos Estados Unidos. Presume-se que o Presidente decidirá, então, se vale a pena continuar no Afeganistão.

Como muitos analistas assinalavam, o ponto fulcral da nova estratégia de Obama tem a ver com a sua “transparência”, não só em termos do âmbito da missão como da sua responsabilidade política. Ao estabelecer datas, o Presidente americano pressiona o seu Exército, os seus aliados da NATO e os governos do Afeganistão e do Paquistão para agir e obter resultados. Mas assume pessoalmente o maior risco: a revisão da estratégia cai em cima da data da sua (previsível) campanha para a reeleição.

E, para contrariar os seus críticos, o Presidente ousou mesmo fazer uma comparação com a guerra do Vietname, uma ferida ainda aberta na sociedade americana. “Ao contrário do Vietname, operamos no âmbito de uma coligação de 43 países que reconhecem a legitimidade da nossa acção. E mais importante, ao contrário do Vietname, o povo americano foi traiçoeiramente atacado a partir do Afeganistão, e continua a ser um alvo para os extremistas que operam ao longo da sua fronteira”, sublinhou

BANDIDO! FILHO DA PUTA DE BANDIDO!

Armando Vara foi indiciado por um crime de tráfico de influências e saiu do DIAP de Aveiro sujeito ao pagamento de uma caução de 25 mil euros e proibido de entrar em contacto com quatro dos arguidos do processo Face Oculta.Adriano Miranda


Armando Vara
Os quatro arguidos com quem não poderá contactar são Manuel José Godinho (o principal arguido neste processo), Namércio Cunha, Maribel Rodrigues e João Godinho, respectivamente um dos colaboradores de Godinho, a sua secretária e seu filho.

Segundo o seu advogado, Armando Vara poderá ausentar-se do país.

Vara, que irá recorrer da decisão, afirmou-se "muito frustrado" com a aplicação destas medidas de coacção. "Há características muito estranhas na justiça portuguesa, como fazerem julgamentos na praça pública", afirmou.

O administrador suspenso do BCP reafirmou-se inocente e disse ter a certeza de que irá ser ilibado neste processo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

RECTIFICAÇÃO

Aliás, "Primeiro-Ministro" está em www.youtube.com/watch?v=Haxz5m0jrR8.

PRIMEIRO-MINISTRO NO YOUTUBE

A canção "Primeiro-Ministro" da Mana Calórica já está disponível no youtube em www.youtube.com/watch?v=Haxz5mOjrR8.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009


Hoje dormi a tarde toda
também andava a dormir pouco
ontem o "Pinguim" estava cheio
e tive uma boa recepção
já estou com as provas do livro
mais um para a colecção
o álcool dá-me problemas de enjoo
e o poema está uma merda
estou no café da senhora bonita
e o pessoal discute crimes
não apareci na TVI
e, por isso, não sou uma estrela
cada vez mais me comparam ao Joaquim
ontem no "Pinguim" foi assim
bebo e, por enquanto,
não há sintomas
vou bebendo até ficar fodido
não sou o Joaquim
mas sigo-lhe os passos
é o meu destino
é o meu fim
os outros dizem os meus poemas
e eu não arranjo namorada
a senhora fala do desperdício da vida
é muito simpática
apesar de dizer mal do Saramago
hoje poderia ter ido ao cinema
ver o "Capitalismo"
do Michael Moore
mas fico aqui a beber cervejas
vida de poeta
o que se há-de fazer?
Não sou daqueles
poetas bem comportadinhos
que vão às conferências
e se dão com os ministros
e com os presidentes de Cãmara
sou do outro lado
do lado do Jim
do lado do Joaquim
há mais de vinte anos
que é assim
nem sequer tenho tido
depressões
e o álcool voltou a bater
aqui no café
da senhora bonita
bebo cervejas
e não tenho de me
preocupar com as horas
dormi a tarde toda
e a manhã
hoje só tenho de rever
as provas do livro
já estão meias revistas
a TV dá futebol inglês
e dá gosto ver a bola entrar
gosto de futebol-espectáculo
não o posso negar
não tenho que ser anti-futebol
às vezes sou
mas isso faz parte
da roupagem do poeta maldito
como me chamaram na rádio
o àlcool bate
e eu continuo a beber
não é como ontem
que andava a chá
a saúde já não é famosa
uso uma máscara para dormir
ich bin ein dichter
ando a estudar alemão
mas não me esforço nada
o Rocha reapareceu
no "Orfeuzinho"
já sentia a falta dele
também entra no livro
"Um Poeta no Piolho"
como o Do Vale
estão convertidos ao estrelato
e um gajo bebe
se não dá a uns
dá a outros
só se fala de futebol
do preço dos jogadores
e um gajo bebe
nem sequer lê
só o jornal
e o poema chega ao fim
já chateava.

"Nova Onda", 1.12.2009

BRAGA CAMPEÃO

Um golo em cada uma das metades do jogo entre o Sp. Braga e a U. Leiria deu a vitória aos minhotos por 2-0, no jogo que encerrou a 11.ª jornada do campeonato.

Numa noite em que se pedia uma vitória para voltar a isolar-se no primeiro lugar, o Sporting de Braga não desperdiçou a oportunidade. Os homens do Minho mostraram que têm capacidade para superar qualquer tipo de pressão e que a candidatura ao título é mais que uma mera ilusão.

Lito Vidigal, que por castigo viu o jogo da bancada, até se pode dar por satisfeito. É que, pelo que se viu, principalmente na primeira parte, o resultado poderia ser bem mais amargo. Domingos Paciência tem todas as razões para sonhar.

A vitória foi ainda mais importante, porque a equipa vinha de uma derrota em Guimarães e este jogo com a U. Leiria servia para testar a capacidade de reacção dos minhotos, com a pressão suplementar de se poder isolar no primeiro lugar. Mas o Sp. Braga passou com distinção na prova e regressa ao topo com estilo e uma ponta de sorte, mas, acima de tudo, com um futebol de qualidade.

A forma como chegou ao primeiro golo é um exemplo claro do estado de graça que, além da qualidade, acompanha a formação de Domingos Paciência. Os bracarenses, que até tinham entrado mal na partida (estiveram mesmo perto de sofrer o golo aos 4’), conseguiram, no minuto seguinte, marcar um dos golos que por certo ficará como dos mais estranhos desta Liga: Paulo César sobre a esquerda tira um cruzamento inofensivo, Bruno Miguel e Hélder Gaúcho fazem que cortam, mas não tocam na bola e no meio de tanta hesitação o guarda-redes Duricic acabou por ficar fora do lance. Um golo caído do céu, sem que os bracarenses tivessem feito um único remate.

O golo teve a virtude de acordar a formação da casa, uma equipa que não está na liderança por acaso. É uma equipa com jogadores experientes, de qualidade e com capacidade de oferecerem uma intensidade muito forte ao futebol bracarense. A defesa parece de betão e conta à frente com um Vandinho irrepreensível. Tanto a defender, como na primeira fase de construção de jogo ofensivo. Depois, João Pereira e Alan constituem uma ala direita muito forte e Paulo César no flanco oposto também consegue dar largura ao jogo. Sobra ainda Mossoró que dá um toque de requinte ao jogo da equipa (menos na finalização). A supremacia foi tal que nem se deu pela ausência de Hugo Leal.

Ao intervalo, os bracarenses venciam apenas por um golo apenas graças ao desperdício de Alan e Mossoró. Um resultado demasiado curto para tanto volume de jogo. Mas, neste aspecto, diga-se, a exibição notável do guarda-redes leiriense, que até ficou mal no lance do primeiro golo, também ajudou. Duricic realizou várias excelentes defesas.

A U. Leiria foi sempre uma equipa inferior. Mesmo quando o Sp. Braga tirou o pé do acelerador na segunda metade. O bonito remate de Matheus, aos 69’, limitou-se a colocar alguma justiça no resultado.


POSITIVO
João Pereira, Alan e Mossoró
Um trio que transformou a vida num inferno à União de Leiria. O resultado foi magro demais para o futebol que estes três jogadores produziram. Mereciam muito mais, embora aos dois últimos custe a aceitar que tenham errado tanto no derradeiro remate.

Duricic
O guarda-redes sérvio teve culpas no primeiro golo, que foi no mínimo estranho. Mas no que restou do encontro, e foram mais de 85’, conseguiu evitar uma goleada ao realizar uma série de grandes defesas.

NEGATIVO
Bruno Miguel e Hélder Gaúcho
Foram a imagem de uma União de Leiria que não fez nada para ganhar e muito para perder. Ficaram os dois a olhar para o cruzamento de Paulo César e acabaram por confundir o seu guarda-redes, contribuindo para o primeiro golo da partida.


Ficha de jogo
Jogo no Estádio Axa, em Braga.
Assistência 8168 espectadores

Sp. Braga Eduardo 6, João Pereira 7, Moisés 6, Rodriguez 6, Evaldo 6, Vandinho 7, Madrid 6, Mossoró 7 (Osvaldo -, 88’), Alan 7, Paulo César 6 (Adriano -, 78’) e Meyong 5 (Matheus 7, 62’).
Treinador Domingos Paciência
U. Leiria Duricic 6, Hugo Gomes 5, Bruno Miguel 4, Diego Gaúcho 4, Paulo Vinicius 5, André Santos 5, Vítor Moreno 6 (Marco Soares -, 78’), Elias 5, Silas 5 (Cássio -, 84’), Carlão 6, Ouattara 5 (Tiago Luís 6, 46’).
Treinador Lito Vidigal

Árbitro João Ferreira 7, de Setúbal.
Amarelos João Pereira (7’), Ouattara (35’).

Golos 1-0, por Paulo César, aos 5’; 2-0, por Matheus, aos 69’.


notícia actualizada às 23h

FIDEL NOBEL DA PAZ


Um grupo de cidadãos argentinos e de outros países lançou na internet uma recolha de assinaturas para se avançar com uma candidatura do antigo Presidente cubano Fidel Castro a Prémio Nobel da Paz de 2010, anunciou ontem na Havana o site oficial de informações Cubadebate.cu.
Os signatários estão a recolher propostas de movimentos sociais, culturais, universitários, de direitos humanos e políticos para que se formalize a candidatura, baseada nos progressos cubanos nos campos da saúde e da educação.

"Cuba, sob a presidência de Fidel Castro até Julho de 2006, não deixou de progredir tanto na saúde como numa indústria biotecnológica que se encontra no topo das semelhantes do Terceiro Mundo", lê-se no abaixo-assinado, que destaca o facto de tudo isso ter sido conseguido apesar de 47 anos de bloqueio norte-americano.

A Escola Latino-Americana de Medicina, com mais de 20.000 alunos de quase 100 países, e alfabetização de milhões de pessoas e um programa oftalmológico que já operou gratuitamente 1,6 milhões são apresentados como dados a favor de Fidel.

No entanto, segundo as regras do Comité Nobel, as candidaturas não podem ser propostas por grupos de cidadãos, mas sim por deputados, ministros, anteriores laureados e certos professores universitários, destaca a AFP.

Aos 83 anos, o antigo Presidente, que foi substituído por seu irmão Raul, continua a ser o primeiro secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba e ainda há nove dias foi convidado pelo Chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, para visitar Caracas num dos próximos meses.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Acordei bem disposto. Fui ao café ler o jornal. Estou mesmo como nas melhores alturas dos anos 80 e 90. Cheio de pedal e de criatividade. A depressão está longe, mesmo longe. Os deuses sorriem para mim. Ouço Cure, como nos anos 80. Isto vai mesmo dar uma volta. Acredito. Agora acredito.

domingo, 29 de novembro de 2009

BEBES E ENVENENAS-TE


Bebes e envenenas-te
cumpres as horas
no café central

falta-te alguém
com quem falar
com quem manter
uma conversa
se tivesses ido ao Porto
ao café filosófico
não terias esse problema
mas não quiseste ir
não foste
não quiseste apanhar chuva
e agora eis-te aqui
sem ninguém com quem falar
só um ou dois conhecidos
nem o barbeiro nem a D. Rosa
e como tens dinheiro
envenenas-te
já fizeste as leituras de hoje
acabaste o Sade e o Ginsberg
interrompeste o padre Mário
não se passa nada
aqui no café central
nem te apetece ir para casa
o dia já vai longo
começou de manhã
e não há grande coisa a dizer
só tédio e televisão
bebes e envenenas-te
a barriga inchada
como nunca
a vida sem leitura
é uma seca
e não há gajas para micar.

ÀGUA DAS PEDRAS


Ando a àgua das pedras
tenho bebido muito
só ontem foram nove
antes do jantar
na sexta
até deitei cerveja fora
naquele intervalo
entre o metro das 0,30
e o das seis da manhã
são horas que tenho de preencher
queimei o dinheiro todo
das minis do "77"
à burguesia das galerias
com incursões ao "Piolho"
e ao "Pipa Velha"
e o grande final
no "Big Ben"
à conversa com um travesti
cheio de humanidade

ando a àgua das pedras
saí de casa de manhã
normalmente só saio de manhã
para ir ao médico
ou se rebentar uma revolução
ontem o "Púcaros" apareceu na TVI
e eu não estava lá
acabei agora mesmo de ler o marquês
que comprei no "Gato Vadio"
entre o vício e a virtude
a hipocrisia dos magistrados
dos senhores da lei e do poder
tenho de cortar na bebida
além do fígado
estou a ficar sem cacau
os enjoos são frequentes
um gajo perde o pedal
agora até durmo
com um aparelho
por causa da apneia
durmo melhor
por isso me levanto tão cedo
vejo os misseiros da manhã
aqui no "Natural"
não se está nada mal
o gerente também é daqueles
que se quer dar com toda a gente
parece um lacaio do Senhor
um adepto dessas seitas
que dizem que "Deus é Amor"
a mim saúda-me
porque não sabe
das minhas actividades subversivas
das minhas curvas
ultimamente nem tenho feito nada de mais
limito-me a beber e a olhar para os outros
a analisar in loco a sociedade consumista
até parece que voltámos à Idade Média
dou uma moeda de dois ao mendigo
e pressinto o Santo Graal
talvez esteja finalmente no meu tempo
na Era do Espírito
e eu sou um dos eleitos
um daqueles que fala
à multidão.


"Natural", 29.11.2009

XENOFOBIA NA SUIÇA

A Suíça aprovou hoje, por mais de 57 por cento, os apelos da extrema-direita a que seja proibida a construção de novos minaretes no país, indicam os resultados oficiais do referendo efectuado nos 26 cantões.Dario Bianchi/REUTERS


Há alguns dias, só 37 por cento das pessoas consultadas pela televisão DRS se diziam dispostas a apoiar a proibição
O maior partido nacional, o Partido do Povo da Suíça (SVP, segundo as iniciais em alemão), alega que os minaretes ou torres erguidos no topo dos templos muçulmanos são um símbolo do islão militante.

O SVP, que é contra a forte imigração existente neste país europeu de 7,6 milhões de habitantes, crê que as torres a partir das quais os crentes são normalmente chamados à oração, nos países muçulmanos, representam uma reivindicação político-religiosa de se alcançar mais poder.

No entanto, das 180 mesquitas existentes na Suíça, para servir uma comunidade de 400.000 muçulmanos, só quatro é que têm minaretes; e nenhum deles está a ser actualmente utilizado para o apelo à oração.

Alguns dias antes desta ida às urnas, apenas 37 por cento das pessoas consultadas pela televisão estatal DRS se diziam dispostas a apoiar a proibição dos minaretes.

Os primeiros resultados vão no sentido de que a votação favorável às pretensões da extrema-direita foi essencialmente nos cantões de língua alemã, enquanto nos de língua francesa se votou preferencialmente contra.

O Governo de Berna pedira à população que votasse contra a proposta apresentada, pois que isso causaria “incompreensão no estrangeiro e prejudicaria a imagem da Suíça”.

QUANDO GINSBERG TE SOBE À CABEÇA


Quando Ginsberg
te sobe à cabeça
e estás no café central
de Vilar do Pinheiro
a beber cerveja
e agora até olham para ti
como se fosses
uma celebridade
com vários livros
em cima da mesa
Ginsberg, Sade,
"Literatura Marginalizada"
de Arnaldo Saraiva,
a revista Cráse do Nuno Brito
e uns escritos
do amigo Cláudio Mur
são 6,30
já é noite
e o dia a começar
já li o "Jornal de Notícias"
já me informei acerca
da derrota do Sócrates
no Parlamento

interrompi a leitura do Ginsberg
já me deu a volta à cabeça
outra vez
muito mais que o filme rasca
e adolescente
que passa na TV
e que ninguém vê
vou fazer como ontem
vou andar de tasco em tasco
à deriva
como os situacionistas
e que se foda a chuva!
Não somos daqueles
merdosos com medo de tudo
não há gajas em Vilar do Pinheiro
só as empregadas do café
aqui as gajas não saem à rua
ficam em casa a masturbar-se
mais logo vem o Sporting-Benfica
disso depende o futuro da humanidade
de resto, só se vêem velhotes
a dormir em frente ao jornal
alguns falam
trocam impressões
acerca da chuva
e Ginsberg
sobe-me à cabeça
no café central.

ESPERO POR TI, GORETI-2

Espero por ti, Goreti
e ainda há gajos que dão
as boas noites
a toda a gente
que se armam
em presidente
e o Sócrates
e o Vara
e o Godinho
são todos um docinho
deviam ir todos presos
apesar do Reinaldo
e dos indefesos
ide todos dar uma volta
o homem controla
e ordena
e isto está uma bruta seca
espero por ti, Goreti
e vou ter de pedir mais cerveja
é mais forte do que eu
estes gajos fazem-me a cama
e só me pedem cartão
e eu vou até
ao fim do filão
este pessoal dos bares
desconhece o "Big Ben"
fica mesmo junto à estação
não há que enganar
está tudo fodido
mas é o que está a dar
espero por ti, Goreti
e aparecem gajas
para um gajo olhar
não são grande coisa
até vou mijar
espero por ti, Goreti
e até dou espectáculo
faço piruetas
equilibrismo
e até nem fui dançar
as putas falam comigo
mas eu já gastei o cacau
sou o maior
sou um carapau
espero por ti, Goreti
e nunca escrevi como hoje
se me tivesses ligado
era outra dose
espero por ti, Goreti,
não sou o Pablo Neruda
sou mais como o Ginsberg
levo tudo à bruta
espero por ti, Goreti
e esta merda não muda
um gajo bem diz umas coisas
mas a gaja é surda
espero por ti, Goreti
e não se passa nada
o cabrão fala, fala
e nunca mais é
de madrugada
o gerente inteligente
mas põe-me doente
e anda tudo com
um sorriso "pepsodent"
espero por ti, Goreti
e isto nunca mais acaba
o relógio não avança
e não se passa nada
ninguém fala do Sócrates
nem do Vara
anda tudo de tola avariada
espero por ti, Goreti
e sabes que te espero
e sabes que te quero
até ao fim.


Porto, "Big Ben", Novembro de 2009.