sexta-feira, 20 de novembro de 2009

CHUPA, Ó SÓCRATES


Desemprego vai ultrapassar barreira dos 10 por cento em 2010
19.11.2009 - 10h01
Por Vítor Costa
DR

Angel gurria, secretário-geral da OCDE
A economia portuguesa vai recuar 2,8 por cento em 2009 retomando o crescimento em 2010, mas apenas a uma taxa de 0,8 por cento, uma décima de ponto percentual abaixo do crescimento previsto para o conjunto da zona euro. O desemprego ultrapassará os 10 por cento em 2010.

Os valores foram avançados hoje nas últimas previsões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), onde se aponta ainda para que o desemprego em Portugal continue a crescer em 2010, para os 10,1 por cento. Em 2011, com a economia a crescer 1,5 por cento, a taxa de desemprego voltará para níveis de apenas um dígito, ainda assim, deverá ser de 9,9 por cento.

Segundo as previsões da organização sedeada em Paris, a economia nacional bateu no fundo no segundo trimestre de 2009, mas deverá continuar com um crescimento anémico face ao forte endividamento externo que apresenta. O défice da balança corrente será equivalente a 9,7 por cento do Produto Interno Bruto este ano, acelerando para 10,7 e 11,1 por cento em 2010 e 2011.

Ao nível das contas públicas, as previsões da OCDE também não trazem boas notícias para Portugal, com esta instituição a prever que o défice orçamental continue a crescer. Assim, caso estas estimativas se concretizem, o défice corresponderá a 6,7 por cento do PIB em 2009, a 7,6 por cento no próximo ano e a 7,8 por cento em 2011, valores que, ainda assim, ficam abaixo das previsões avançadas pela Comissão Europeia que apontam para valores em redor dos 8 por cento do produto. Recorde-se que o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos já fez saber que apresentará uma nova estimativa para o valor do défice público quando forem conhecidos os dados da execução orçamental de Outubro, o que deverá acontecer amanhã.

A degradação das contas públicas resulta, em grande parte, da quebra acentuada das receitas fiscais, face à actual conjuntura de crise, mas também da despesa efectuada na tentativa de relançamento da actividade económica. Segundo a OCDE, o esforço público feito pelo Estado português para o relançamento da economia permitiu dar um impulso de 1,1 por cento ao PIB e, deste esforço, três quintos resultaram de medidas do lado da despesa.

Em matéria de preços, a OCDE confirma que a variação da taxa de inflação será negativa este ano (-0,9 por cento), mas retomará o crescimento em 2010 e 2011, com taxas de 0,7 e um por cento, respectivamente.



Como melhorou a economia

Os dados divulgados pela OCDE permitem verificar que a aceleração da economia portuguesa, depois da recessão prevista para este ano, será feita com base em quase todas as componentes da procura interna e externa, mas será, no essencial, feita com base na procura interna.

Apesar de em 2009, a recuperação da economia portuguesa ter sido assente nas exportações, embora também tenha havido uma aceleração da procura interna, segundo as previsões da OCDE, as exportações líquidas (exportações menos as importações) apenas darão um contributo para o crescimento do PIB em 2010 de 0,1 pontos percentuais, quando em 2009 esse contributo terá sido de 1,5 pontos.

Caberá, assim, à procura interna o papel de motor da retoma. Segundo a OCDE, o consumo privado deverá crescer no próximo ano a uma taxa de 0,6 por cento, contra uma quebra de um por cento em 2009. Também o investimento passará a taxas de crescimento positivas: depois de um recuo de 13,6 por cento em 2009, deverá registar um crescimento de 0,6 por cento no próximo ano e de 0,9 por cento em 2011. A única componente da procura interna que deverá registar uma desaceleração será, assim, o consumo público que, depois de um crescimento de 1,4 por cento este ano deverá desacelerar para um crescimento de 0,6 por cento em 2010 e 2011.

Face a este cenário, a OCDE alerta que existem riscos nas suas previsões que resultam essencialmente de duas condições: que se verifique a prevista retoma da zona euro, a segunda que tem a ver com a implementação, ou não, de um plano nacional de consolidação das contas públicas. Segundo a OCDE, caso não seja implementado um plano credível de redução do défice por parte das autoridades nacionais, as condições de acesso ao crédito por parte do Estado e do sector privado poderão degradar-se criando entraves á recuperação da economia.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

IGUAIS AOS DEUSES


Acordo de madrugada. Penso que sou um rei em cima do palco. As mulheres acham-me piada e riem-se para mim. Ontem só bebei cinco cervejas. Tenho bebido muitas mais noutras noites. Pensava que depois de ter ido ao Campo Alegre as mulheres bonitas me viriam dar beijos na boca. Afinal, não. É a mesma rotina de sempre. É como um gajo em frente ao computador a teclar. Terei algo que os outros não têm. Ando na demanda do Graal, procuro os moinhos de Quixote. A anarquia vem ter comigo. Estou mesmo muito bem disposto. Poderia ter conversas espirituosas com muita gente. Fá-los-ia rir. Pelo menos não ando para aí a partir os vidros dos carros. O que até nem era má ideia. Anjo em chamas. Por onde andas? Por aí, atrás da minha loucura. Os meus berros são de louco. Cambaleio pelo palco. Faz-me falta o Henrique. Ando a ouvir as canções todas das Las Tequillas no youtube. Diz a palavra. Quero ir para o palco. O meu reino por um palco. A plateia aborrece-se, entendia-me. Sempre as pessoas normais a fazer as coisas normais. Sempre as pessoas a dizer avé-maria ao chefe, ao Sócrates, ao Cavaco. Sempre atrás do dinheiro e do estatuto social. Sempre fechadas na família. Sempre a fingir que estão bem. Sempre a criticar o parceiro do lado. Não! Não é isso que quero. Afastei-me dessa via. Não sou mesquinho, não sou merceeiro. Estou do lado da liberdade. Do lado do criador. Do bailarino. Vim para aqui de graça para criar. Assim devo continuar. Assim é o Artista. Provoco os outros. Faço-os rir. Para isso vim ao mundo. Nada a fazer. A vida não é só comer, beber e sacar dinheiro. Estamos aqui para algo de muito mais alto, de mais sublime. Estamos aqui para sermos iguais aos deuses.

Chego a casa cheio de pedal. Estive no "Piolho" e no "Gato Vadio". Acredito na revolução. Só acredito na revolução. Estou farto de ver toda a gente a pastar. É preciso acção! Dar cabo de uns bancos. Ocupar as ruas. Estou farto de reuniões e de meias-palavras. É preciso destruir o capitalismo. Deitar abaixo os amigos do Vara e do Dias Loureiro que estão no PS e no PSD. É preciso acabar com a corrupção. Com os filhos da puta que nos roubam. É preciso começar tudo de novo.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

HAKIM BEY


Tuesday, August 26, 2008
Nietzsche e os Dervixes

Rendan, ``Os Espertos''. Os sufis usam um termo técnico, rend (adjetivo rendi, plural rendan), para designar alguém ``esperto o suficiente para beber vinho em segredo sem ser pego'': a versão dervixe da ``dissimulação permissível'' (tagiyya, que permite aos xiitas mentir sobre sua verdadeira afiliação para evitar perseguições e favorecer o propósito de sua propaganda).
Na esfera do ``caminho'', o rend esconde seu estado espiritual (hal) para contê-lo, trabalhá-lo alquimicamente, expandi-lo. Esta ``esperteza'' explica muito dos sigilos das Ordens, embora continue sendo verdade que muitos dervixes realmente quebraram as regras do Islã (shariah), ofendem a tradição (sunnah) e insultam os costumes de sua sociedade - o que lhes dá razão para um segredo real.

Ignorando-se o caso de ``criminosos'' que usam o sufismo como uma máscara - ou melhor, não o sufismo em si, mas o dervixismo, que na Pérsia é quase um sinônimo de maneiras transigentes e, portanto, de relaxamento social, um estilo de amoralidade genial e pobre, mas elegante - a definição acima ainda pode ser considerada tanto num sentido literal quanto metafórico. Isto é: alguns sufis violam a Lei ao mesmo tempo permitem que ela exista e continue a existir; e eles o fazem por motivos espirituais, como um exercício da vontade (himmah).

Nietzsche diz em algum lugar que um espírito livre não se move para que as regras ou mesmo para que sejam reformuladas, uma vez que é apenas quebrando as regras que ele se conscientiza de sua vontade de querer. Uma pessoa precisa provar (para si mesma, se não alguém mais) sua capacidade de romper com as regras do rebanho, de fazer sua própria lei e ainda assim não cair presa do rancor e do ressentimento próprios das almas inferiores que definem a lei e os costumes em QUALQUER sociedade. A pessoa precisa, com efeito, de um equivalente individual da guerra para atingir a transformação do espírito livre - necessita de uma estupidez inerente contra a qual possa medir o seu próprio movimento e inteligência.

Anarquistas às vezes postulam uma sociedade ideal sem lei. Os poucos experimentos anarquistas que lograram um breve êxito (os makhnovistas, Catalunha) fracassaram em sobreviver às condições da guerra que originaram sua existência - dessa forma, não temos meios de saber empiricamente se tais experimentos poderiam ter sobrevivido no início da paz.

Alguns anarquistas, no entanto - como nosso falecido amigo, a ``Marca'' stirneriana italiana -, e até mesmo alguns que eram comunistas e socialistas, participaram de toda sorte de levantes e revoluções, porque encontraram, no momento da insurreição em si, o tipo de liberdade que buscavam. Enquanto a utopia tem, até agora, sempre fracassado, os anarquistas individualistas ou existencialistas têm logrado êxito visto que têm obtido (embora brevemente) a realização de sua vontade durante a guerra.

As restrições de Nietzsche aos ``anarquistas'' são sempre endereçadas ao tipo mártir comunista-igualitário narodnik, cujo idealismo ele via como mais um sobrevivente do moralismo pós-cristão - embora ele algumas vezes os elogie por ao menos terem a coragem de se revoltar contra a autoridade majoritária. Ele nunca menciona Stirner, mas acredito que teria classificado o rebelde individualista como um dos mais altos tipos de ``criminosos'', que representavam para ele (assim como para Dostoievski) seres humanos muito superiores à multidão, mesmo se tragicamente traídos por suas próprias obsessões e possíveis motivos de vingança ocultos.

O super-homem nietzschiano, se existisse, teria de compartilhar, até certo grau, dessa ``criminalidade'', mesmo se superasse todas as suas obsessões e compulsões, simplesmente porque sua lei nunca poderia concordar com a lei das massas, do Estado e da sociedade. Sua necessidade de ``guerra'' (seja literal ou metafórica) poderia até mesmo persuadi-lo a participar da revolta, tenha ela assumido a forma de insurreição ou apenas uma boemia orgulhosa.

Para ele, uma ``sociedade sem lei'' poderia Ter valor apenas enquanto pudesse medir sua própria liberdade contra a sujeição de outros, contra seus ciúmes e ódios. As breves ``utopias piratas'' sem lei de Madagascar e do Caribe, a República de Fiume de D’Annunzio, a Ucrânia ou Barcelona - essas experiências o atrairiam, porque prometia o tumulto do porvir e até mesmo a possibilidade do ``fracasso'' em vez da bucólica sonolência de uma ``perfeita'' (e portanto morta) sociedade anarquista.

Na ausência de tais oportunidades, esse espírito livre teria desdenhado perder tempo com agitações para reformas, com protestos, com sonhos visionários, com todo tipo de ``martírio revolucionário'' - em suma, com a maior parte da atividade anarquista contemporânea. Para ser rendi, para beber vinho em segredo e não ser pego, para aceitar as regras a fim de violá-las e assim atingir a elevação espiritual ou o transe energético do perigo e da aventura, a epifania privada da superação de toda polícia interior ao mesmo tempo em que se engana toda autoridade externa - tal poderia ser uma meta válida para esse espírito e essa poderia ser sua definição de crime.

(Incidentalmente, acho que esta leitura talvez explique a insistência de Nietzsche pela MÁSCARA, pela natureza dissimulada do proto-super-homem, que perturba até mesmo os comentarias mais inteligentes, embora algo liberais, como Kaufman. Os artista por mais que Nietzsche os ame, são criticados por contar segredos. Talvez ele tenha falhado ao considerar que - parafraseando Allen Ginsberg - este é nosso modo de nos tornarmos ``grandes''; e também que - parafraseando Yeats - até mesmo o mais verdadeiro dos segredos torna-se uma outra máscara.)

Sobre o movimento anarquista de hoje: pelo menos uma vez, gostaríamos nós de pisar num solo onde as leis são abolidas e o último padre é enforcado com as tripas do último burocrata? Sim, claro. Mas não nutrimos grandes expectativas. Há certas causas (para citar Nietzsche de novo) que nunca abandonamos completamente, nem que seja apenas em função da mera insipidez de todos os nosso inimigos. Oscar Wilde poderia ter dito que não se pode ser um cavalheiro sem ser um pouco anarquista - uma paradoxo necessário, como a ``aristocracia radical'' de Nietzsche.

Isso não é apenas uma questão de dandismo espiritual, mas também de compromisso existencial com uma espontaneidade subjacente, com um ``Tao'' filosófico. Apesar do desperdício de energia pela sua Própria falta de forma o anarquismo, entre todos os ISMOS, aproxima-se daquele único tipo de forma que pode nos interessar hoje, aquele estranho atrator, a forma do caos, que (uma última citação) se deve ter dentro de si, no caso de dar à luz a uma estrela dançarina.

-- Equinócio de Primavera, 1989
Posted by Timóteo Pinto at 11:28 AM
Labels: dervixes, Nietzsche, sufismo

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POESIA DE CHOQUE

Amanhã, quinta, 19, pelas 21,30 h, há POESIA DE CHOQUE no Clube Literário do Porto. Com Luís Carvalho, António Pedro Ribeiro e poetas guineenses. A abrir.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

JESUS E O SUPER-HOMEM


Poderia acreditar num Jesus como o do padre Mário. Um Jesus que rejeita a Religião e a Igreja, que rejeita as hierarquias da Igreja. Poderia acreditar num Jesus que, como Nietzsche, rejeita o Deus do sacrifício, da submissão, da não-vida. Poderia acreditar num Jesus que, como Vaneigem, se opõe ao Deus-dinheiro e ao Poder. Num Jesus que rejeita o Deus do Templo, a confissão e as missas. Poderia acreditar nesse Jesus rebelde, insubmisso, que acredita na Humanidade e na transformação da sociedade. Um Jesus ao lado dos injustiçados, dos pobres, dos que nada têm, que rejeita a opulência das Igrejas. Um Jesus revolucionário que está pela Paz, desarmado, contra as guerras. Poderia acreditar num Jesus que promove a bondade e o humano. Poderia acreditar nesse Jesus. Mas hesito. Sou céptico. Tenho dúvidas. No entanto, essa ideia de um Jesus anti-capitalista que combate a idolatria do Dinheiro e do Poder não deixa de me atrair. Essa ideia de um Jesus a expulsar os vendilhões do templo. Essa ideia de que todos podemos ser Jesus. É claro que Nietzsche dizia que Jesus foi o único dos cristãos. É claro que Nietzsche diz que o homem pode superar-se: passar sucessivamente de camelo, a leão e a criança. Que pode tornar-se um deus, o super-homem. Mas não estaremos a falar da mesma coisa?

O LIVRO DO PADRE MÁRIO ENCHARCADO


Escrevi umas coisas no "Big Ben"
mas não consigo percebê-las
entrei no metro sem bilhete carregado
e apanhei uma molha daquelas
estive de bar em bar
com o Costa e com o Fred
estivemos a ensaiar
e a ver a bola
no "Big Ben" às quatro da manhã
o patrão chamou-me a atenção
por eu estar quase a dormir
ontem passei o dia a dormir
e hoje não estou a 100%
só espero que o livro do padre Mário
não se tenha estragado irremediavelmente
com a chuva
a leitura estava a fascinar-me
mesmo não sendo um crente em Jesus
há pessoas que vêm ter comigo na noite
a elogiar a prestação no Campo Alegre
quando receber o dinheiro
vai ser uma festa
por uns dias
ao ritmo a que tenho gasto
não aguenta muito
o casal bebe sumo e leite chocolatado
e eu hoje provavelmente
não vou beber cerveja
faz-me falta a D. Rosa
tem piada que o caderno
ficou pouco danificado
comparado com o livro
deveria ser ao contrário
coitado do padre Mário!
Mas as suas ideias vão resistir
se o livro fosse da biblioteca
lá teria de o pagar
é preciso ver o lado positivo da coisa
e cá estou eu na "Motina"
a ouvir música
e a escrever sobre o quotidiano
uma gaja boa veio ao pão
ontem houve uma letra
que se enquadrou na música
"Só beber, nem sequer escrever"
há uma semana ainda estava
em Braga
naquele dia triunfal
em que escrevi noite fora
em que percorri a cidade
de manhãzinha
como há muito não fazia
e agora estou aqui
já é noite
olho para os carros lá fora
o casal come mistas
a Maria corta fiambre
ainda é cedo
e eu preocupado com o livro
do padre Mário
ficou lá em casa a secar
o homem entra
e dá as boas tardes
viva a monarquia!
Diria o D. António Simões do Vale
se estivesse aqui
até o bêbado deixou de aparecer
já não há aqui figuras marcantes
só a canção do Bryan Adams
e a Maria a fazer os trocos
o poema, esse, lá prossegue
enquanto a tinta durar
e as palavras vierem
ter comigo
os bolos na vitrine
e eu quase teso
a minha maior preocupação
continua a ser o livro do padre Mário
quero lê-lo até ao fim.


Vilar do Pinheiro, "Motina", 16.11.2009

EZLN


Desde Suiza e Italia se escucha el grito solidario: ¡Primero nuestr@s pres@s!
A los presos y a las presas políticas en México y en el mundo
A los pueblos en lucha en todo el planeta
A La Otra Campaña en México y a la Zezta Internacional
A la Red Nacional Contra la Represión y por la Solidaridad de México

El Colectivo Zapatista “Marisol” de Lugano (Suiza), el Observatorio América Latina del centro social XM24 de Bolonia (Italia) y el colectivo Nodo Solidale de Roma (Italia) comunicamos que, en la medida de nuestras posibilidades, queremos demostrar que no existen fronteras y que la geografía del poder, hecha de alambres de púas y aduanas, no nos puede impedir de reconocer a los hermanos y las hermanas secuestradas en todo el planeta por resistir al embestida neoliberalista.

En México, igual que en otros rincones dolidos de esta Tierra, l@s luchadores sociales son perseguid@s, torturad@s, asesinad@s por ejército, policía y grupos paramilitares. En México, como en Palestina por ejemplo, y también en Italia y Suiza, los últimos de los últimos son l@s que cargan con el peso de toda la sociedad que l@s explota, l@s discrimina, l@s despoja y finalmente, cuando se inconforman, l@s reprime. En Europa son l@s migrantes, l@s pobres que huyen de los países arruinados por las transnacionales occidentales, quienes les toca esta suerte; en la digna Palestina son l@s mism@s nativ@s de estas tierras, los y las palestinas, quienes son explotad@s y exterminad@s por el ejército invasor de Israel y por el silencio cómplice de los Estados del mundo; en México el despojo sigue desde hace más de 500 años contra l@s indígenas, en particular, y los sectores populares, más en general.

Pero en México, como en Europa o en Palestina – y en otros parajes – hay hombres y mujeres que pagan un precio más alto por resistir, por no venderse, por no negociar su dignidad e historia con el Poder. Cuando no se les asesina, se les secuestra en las cárceles de máxima seguridad, arrebatándol@s a los movimientos, a las familias, a la vida. Pero hasta desde las mazmorras más profundas, estos hombres y estas mujeres que consideramos un ejemplo, escaban trincheras y disparan sus mensajes de libertad: ¡ni un paso atrás!

Hoy, entonces, queremos sumarnos a la Campaña “Primero Nuestr@s Pres@s” convocada por La Otra Campaña en México. Nuestra pequeña aportación, por la liberación de est@s compañer@s que desde las celdas nos animan con rabia y voluntad, será la de hacer el posible para que el nombre y la resistencia de est@s luchadores sociales no quede en el olvido y se haga pública también a miles de kilómetros de distancia. Su resistencia es un ejemplo, porque quienes defienden los bosques, las tierras, el agua, las tradiciones, su diferencia y especificidad (étnica, de clase o de género), están defendiendo la humanidad, están defendiendo una riqueza colectiva, material e imaginaria, contra el despojo violento del capitalismo.

En esta guerra que el capitalismo declaró, sabemos con certidumbre con quiénes estamos: ¡con nuestr@s compañer@s pres@s!

Recordamos en particular, con estas palabras, nuestros hermanos zapotecos Abraham Ramírez Vásquez, Juventino García Cruz y Noel García Cruz de la Alianza Magonista Zapatista (AMZ), detenidos en su comunidad, Santiago Xanica, en enero de 2005, por el tirano de Oaxaca, Ulises Ruiz Ortiz (responsable también de casi treinta asesinatos de luchadores sociales durante las protestas del 2006). A ellos mandamos un abrazo fraterno y pedimos a tod@s de no olvidarlos, de asumir su lucha por la defensa de la tierra y el territorio, porque eso es el espacio vital por defender, en donde florece el otro mundo posible, ése en equilibrio con la naturaleza y todos los seres vivos.

Así como nos enseñan las comunidades autónomas zapatistas, en el Chiapas rebelde y digno del Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN), pese las constantes agresiones para/militares que sufren.

Exigimos, entonces, también la liberación inmediata de l@s compañer@s que siguen:

En Chiapas (por rechazar el despojo de sus tierras en nombre del progreso):
Antonio Gómez Saragos, Gerónimo Gómez Saragos, Alberto Patishtán Gómez, Rosario Díaz Méndez, Manuel Aguilar Gómez;
En el estado de Campeche (por resistir y organizarse contra las altas tarifas de energía eléctrica): Sara López González, Joaquín Aguilar Méndez, Guadalupe Borjas Contreras;
En el estado de México: Ignacio del Valle Medina, Felipe Álvarez Hernández y Héctor Galindo Gochicoa (en la cárcel de máxima seguridad por los hechos de Atenco, sentenciados a 67 y 112 años), Jorge Alberto Ordóñez Romero, Román Adán Ordóñez Romero, Alejandro Pilón Zacate, Juan Carlos Estrada Cruces, Julio César Espinoza Ramos, Inés Rodolfo Cuellar Rivera, Edgar Eduardo Morales Reyes, Óscar Hernández Pacheco, Narciso Arellano Hernández (los nueve sentenciados a 31 años de prisión por los hechos de Atenco);
En la Capital: Víctor Herrera Govea (detenido por la represión del 2 de octubre de 2009)
Nello stato di Guerrero: Máximo Mojica Delgado, María De los Ángeles Hernández Flores, Santiago Nazario Lezma (los tres por luchar por la vivienda, acusados de secuestro);
Nello stato di Nayarit: Tomás de Jesús Barranco;
Nello stato di Oaxaca: (Por la represión en la región Loxicha, desde 13 años en la cárcel): Agustín Luna Valencia, Álvaro Sebastián Ramírez, Justino Hernández José, Mario Ambrosio Martínez, Fortino Enríquez Hernández, Eleuterio Hernández García, Abraham García Ramírez, Zacarías P. García López, Juan Manuel Martínez Moreno;
En el marco de la Campaña Internacional “Primero Nuestr@s Pres@s”, presentamos las siguientes actividades:
El Colectivo Zapatista “Marisol” de Lugano organizará un evento solidario en el centro social Molino (Suiza), con la presentación de un libro acerca las resistencias del México de abajo, música y debate con el filosofo John Holloway, sábado 14 de noviembre de 2009.
El colectivo Nodo Solidale de Roma organizará, en solidaridad a l@s pres@s polític@s, un evento nocturno en la okupa Ateneo Squat, Dragoncello, Roma (Italia), con charla y conciertos, el viernes 27 de noviembre. El día siguiente, sábado 28 de noviembre, en la Universidad de Tor Vergata (Roma) organizará, en el marco de una jornada anticarcelaria, también una mesa informativa con material audiovisual sobre la prisonía política en México.
En Bolonia (Italia), jueves 19 de noviembre, en el centro social XM24, se realizará una noche informativa multimedial en donde habrá un espacio dedicado a dar visibilidad y profundizar el asunto de l@s pres@s políticos en México. También habrá mesas con material informativo, documentales, entrevistas allá grabadas, y, durante la noche, se hará un enlace en videoconferencia con unos compañeros presentes en México.
En los cuatro eventos se publicarán los nombres y las resistencias de los presos y las presas de La Otra Campaña, para romper el cerco de la indiferencia que engendra el Poder y retomar la memoria y la dignidad que aúna a quienes luchamos, desde cada rincón del planeta, por acabar con la barbarie capitalista.
Por un mundo sin rejas: ¡Libertad para l@s pres@s polític@s!
Nunca más cárceles, nunca más fronteras, nunca más Estados.

Colectivo Zapatista “Marisol” de Lugano (Suiza) - http://czl.noblogs.org/
Observatorio América Latina del Centro Social XM24 de Bolonia (Italia) http://reporter.indivia.net/
Colectivo Nodo Solidale de Roma (Italia) http://www.autistici.org/nodosolidale/
Chove a cântaros lá fora. Ontem passei o dia na cama. Hoje estou a pé às 5:30 da manhã. Será este mais um dia triunfal? Ou será apenas para compensar o dia anterior? Ouço Caetano Veloso. "Você é Linda". E lembro-me da Gotucha. Ainda estou sonolento. Talvez seja melhor voltar a deitar-me.

domingo, 15 de novembro de 2009

ESTÁ TUDO FEITO

O esclarecimento foi dado ao início da noite, em comunicado, pela Procuradoria-Geral da República.

“O Senhor Presidente do STJ, no exercício de competência própria e exclusiva, julgou nulo o despacho do Juiz de Instrução Criminal que autorizou e validou a extracção de cópias das gravações relativas aos produtos em causa e não validou a gravação e transcrição de tais produtos, ordenando a destruição de todos os suportes a eles respeitantes”, lê-se no documento.

O comunicado explica que a 26 de Junho e a 3 de Julho "foram recebidas na Procuradoria-Geral da República duas certidões remetidas pelo Departamento de Investigação e Acção Penal de Aveiro, entregues pelo Procurador-Geral Distrital de Coimbra e extraídas do processo conhecido por 'Face Oculta', acompanhadas de vinte e três CD, contendo escutas". José Sócrates intervinha em seis das escutas transcritas.

A Procuraria nota que no despacho do DIAP de Aveiro e no despacho do Juiz de Instrução Criminal "sustentava-se que existiam indícios da prática de um crime de atentado ao Estado de Direito".

O documento sublinhou ainda que "contrariamente ao que alguma comunicação social tem noticiado, seguiram-se todos os procedimentos normais, sem qualquer demora (como se vê das datas referidas), e que entre o Procurador-Geral da República e o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça existiu completa concordância no que respeita ao caso concreto".

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

GLÓRIA-PARTE IV


Escrevo. São seis da madrugada. Não consigo dormir. Escrevo o que vem do coração. Sou Jesus. Sou Morrison. Sou Nietzsche. Amo a Humanidade. A Humanidade despojada de Poder e de Dinheiro. O meu único poder é o poder da palavra. Ultimamente tenho feito os outros rir. Se calhar, tenho de virar o disco. Cantar o caos e o amor. Este será um grande dia. Se não adormecer entretanto percorrerei as ruas de Braga manhã cedo. Percorrerei as ruas de Braga em busca de glória. Percorrerei as ruas de Braga e amarei o humano dos homens e das mulheres. O humano que resta nos corações dos homens e das mulheres. E levarei comigo o padre Mário. O livro do padre Mário, o "Novo Livro do Apocalipse ou da Revelação" faz-me renascer como o "Plexus" de Henry Miller. Já não sou o mesmo. Tenho mesmo uma missão na Terra. Escreverei livros e levarei a mensagem seja onde for. "Queimai o Dinheiro" já é um sinal, "Da Merda até Deus" será outro. Mas tenho de publicar as minhas prosas. Neste tom profético que já tem sido publicado na "Voz da Póvoa". Acredito no Homem, sou forçado a acreditar no Homem como Che Guevara acreditava. Não tenho nada a perder. Este é o caminho que tenho de seguir. Não há aqui dogmas, não há meias-palavras, não há cedências ao capitalismo ou ao Grande Irmão. Eu, António Pedro Ribeiro, 41 anos, renasço esta madrugada. Abençoado pela luz do padre Mário Oliveira. Abençoado pelo palco e pelos aplausos. Fascinado pela demanda do Graal, que é a mulher, que é Madalena. Eu, António Pedro Ribeiro, 41 anos, declaro-me revolucionário, filho das flores e do Maio de 68. Amante da Paz e da Liberdade. Poeta do caos e do amor. Profeta da rebeldia.

GLÓRIA-PARTE III


São 7 horas e eu permaneço a pé. A Gotucha não está e a Fernanda está a dormir. Há muito que não escrevia um texto tão longo. Os olhos ardem. Mas eu tenho de continuar. Ouvem-se já alguns carros lá fora. Acho que já não me vou deitar. Hoje vai ser um dia triunfal. Tudo o indica. Estou vivo. Sigo a vida autêntica. Estou despojado. Só tenho uma caneta, um caderno e um livro. Os pássaros cantam. Amo vertiginosamente a vida. Apetece-me andar pela cidade de manhã. Amá-la. é a minha cidade. Não tenho trabalhos nem compromissos. Só a minha missão. Sei perfeitamente onde quero chegar. estou iluminado. Em comunhão com Morrison, Nietzsche e Jesus. Mas tenho de continuar a cantar o caos. Tenho de seguir a minha via. É quase dia. Nasce o Grande Dia da minha vida. 9 de Novembro de 2009. Nunca mais serei o mesmo.

GLÓRIA-PARTE II

O DIA TRIUNFAL

António Pedro Ribeiro


Estou em Braga e este é um dia triunfal, um dos mais felizes da minha vida. Tenho apenas uns trocos mas sou feliz. Abençoado por Zaratustra e pelos pássaros da manhã. Sou a criança sábia. Estou a regressar á infância. Não tenho de fazer pactos com a social-democracia nem com os Sócrates deste mundo. Não tenho de me ajoelhar diante do grande capital ou dos senhores do dinheiro. Sou um homem livre. Escrevo o que quero. Assumo o que quero. Sou o que quero. Nem sequer preciso de Deus, caro padre Mário. Basta-me o Jesus que expulsou os vendilhões do templo. Expulsar os vendilhões do templo, é isso que temos de fazer agora. Expulsar os senhores do dinheiro, do poder e da vida. Expulsá-los da vida. Eis a nossa missão na Terra. Demandar o Graal, o sagrado feminino, o amor das mulheres. Não devemos nada a ninguém. Entraremos na casa das pessoas como Jesus e Sócrates. Sem dinheiro. Somos deuses. Comportamo-nos como reis no mundo do dinheiro, da intriga, da mercearia. Não podemos ser iguais aos outros. Nascemos de graça, na graça do divino. Nascemos e vivemos na dádiva, no coração, no espírito. Somos absolutamente livres. Amamos a eternidade do instante. Por isso, às vezes somos doidos, completamente fora. Não temos limites. Não somos formatados pela tradição ou pelo medo. Dançamos na corda-bamba de Nietzsche. Provocamos como Debord, como os surrealistas, como os dadaístas. Gozamos com o quotidiano imbecil dos outros porque queremos provocá-los, trazer-lhes a luz. E é a luz que vemos neste momento. A luz que queremos trazer aos outros, aos que ainda não estão completamente mortos para a vida. É a vida que queremos, não a vidinha das trocas, do mercado e do tédio. Sentimo-nos iluminados mas não somos mais do que os outros. Apenas diferentes. E exigimos sermos respeitados como tal. Somos do mundo. Deste mundo e não do outro. Profundamente deste mundo. "Humanos, Demasiado Humanos". Desde a infãncia que pensamos mais do que os outros, que questionamos mais do que os outros, que observamos a realidade mais do que os outros. Nascemos com um dom. Já atravessamos muitos desertos, muitas idades de dor mas agora estamos curados. Estamos de volta á Idade do Ouro dos anos 80 e 90. Mas mais sábios, mais purificados, mais livres. Estamos prontos para enfrentar a cidade. Chegàmos à idade de passar a mensagem. Este é o poema. O poema em prosa que há muito queríamos escrever. O poema bendito e maldito. O início do novo livro. O livro que pretende mudar a face da Terra. O livro que se dirige ao mundo. O livro que escrevo com o meu próprio sangue.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

GLÓRIA-PARTE I


É madrugada. Não consigo dormir. Estou na casa da gotucha e da Fernanda. Mas a Gotucha está na Madeira. Depois da Biblioteca de Vila do conde, depois do Campo Alegre, depois da Velha-a-Branca, toquei a glória mas não consegui agarrá-la. Os convites não chovem. Os aplausos vêm mas não são suficientes. O que é a glória? É mais do que a fama, mais do que o reconhecimento. É ser deus, é ser apenas espírito. É aí que eu quero chegar. Está-me a bater o padre Mário! Está-me a bater esse Jesus que nada tem a ver com a Igreja, com o Dinheiro, com o Poder. Jim Morrison também andava por aí. O que eu quero é estar no bar, no Art 7, a beber cervejas e a filosofar. É assim que me sinto feliz. Não há volta a dar-lhe. Sou um pregador, à minha maneira. prego o Super-Homem de Nietzsche. Prego o despojamento de Jesus, o único dos cristãos. Abomino o Poder, o Dinheiro, os Executivos, a Igreja. Acredito no homem humano. "Humano, Demasiado Humano". Não no chacal, no predador, no competidor. É por isso que estou aqui. Acredito que estou a atravessar para um reino mais puro, mais livre, como dizia Jim Morrison. Morrison, profeta como Jesus, como Zaratustra. É preciso regressar à montanha da àguia e da serpente. é preciso voltar ao lago do antigamente. É preciso voltar ao mago, a Merlin. É preciso abandonar todas as convenções, todos os preconceitos. É preciso voltar a nascer.

CARLOS VAZ

"O Estrangulador de Bonecos de Neve- Curtas" de Carlos Vaz é um conjunto de micro-narrativas que prima por uma imaginação contagiante e por uma ironia cortante. Textos como "O Rei Zarolho e os Poetas", o "Assassino de Escritores" ou o "cão Feliz" remetem para o "poeta Assassinado" de Appolinaire, para o humor dos surrealistas, para os poemas de Alberto Pimenta ou mesmo para o "non-sense" hilariante dos "Monty Python". Ao falar no absurdo, no ofício da escrita, Carlos Vaz traz-nos um humor desconcertante, inteligente, original e, por vezes, a roçar a genialidade. Faz-nos questionar a vida, o sentido da vida e reinventa a própria vida. Carlos Vaz é um criador, na verdadeira acepção da palavra.