MAMAS
As mamas de Cláudia
Trouxeram-me o café e um copo de água
E empurraram-me ao balcão
A brasileira arrefece a coxa
Com cerveja
E olha para mim
Enquanto faço crítica literária
À esplanada do "Xaphariz"
E leio um poema
De Jorge de Sena
Os foguetes estalam no ar
E os UHF soltam os cavalos na Apúlia.
A ARDER
"O poeta embriagado
insultava o universo."
(Rimbaud)
O país a arder
e eu também
o país a chorar
e eu a enlouquecer
aos berros
pelas ruas da aldeia
a insultar Deus e o presidente
e a uivar led zeppelin
o país a arder
e eu a beber
copo sobre copo
sem parar
o país a arder
e eu a discutir
com o estalajadeiro
a exibir o cartão do partido
e a carteira profissional
a oferecer poemas às meninas
e a dar-lhes treta
o país a arder
e eu a sofrer
a cambalear
livre, embriagado
animal de palco
o país em fogo
e eu em chamas
anjo em chamas
o país a arder
e eu a delirar.
MUSA
Gigantes de pedra
majestosos
vastidões verdes
precipícios
Eis os teus cabelos
a raiz
os lugares
onde acasalas
onde és plena.
(poemas de A. Pedro Ribeiro)
in http://quintasdeleitura.blogspot.com
terça-feira, 20 de outubro de 2009
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
MARIA MADALENA

Todo o amor
de uma mulher como tu
em Dezembro
todo o amor
sagrado
que ilumina
Rosa
que vens dos séculos
da noite dos séculos
que amaste Jesus
que carregas o fruto
que és o Graal
que foste banida do templo
e das escrituras
que és o amor
que dás a vida
juro defender-te
dos senhores das guerras
dos senhores das terras
dos senhores das bolsas
acredito no sagrado feminino
acredito na rosa
acredito no cálice
Irmãs,
este é o reino
o solitário percorreu o caminho
que conduz a ele mesmo
Zaratustra voltou a descer
da montanha
consumemos a união sagrada
dancemos nas praças
celebremos o dia
o cálice
a lâmina
enterremos de vez
estes dias de tristeza.
"Motina", 16.10.2009
O POETA TEM DE FALAR AOS ANJOS

Agora compreendo. Temos de celebrar a mulher. A mulher livre. Por isso tantas vezes a provocámos. A mulher sagrada. Como Maria Madalena. Que nos dá à luz e nos dá a luz. Que nos dá o amor. O sagrado feminino tem sido espezinhado ao longo dos tempos pelas Igrejas, pelos poderes. Só assim se explicam tantas guerras, tanta ganância, tanta luta pelo poder. A revolução anarquista e surrealista passa pelas mulheres. Daí o endeusamento da mulher feito pelos surrealistas. As mulheres têm um poder de que nem sempre têm consciência. O poder de criar vida, o poder de dar o amor. Sim, agora compreendo. Não pode haver contradição entre o amor e a revolução. Amamos as mulheres. Dissemos, escrevemos aquelas palavras, aqueles palavrões, só para as provocar, para as despertar.
É uma bênção olhar para a mulher amada, para a mulher que passa. É uma bênção sermos abençoados pelo sol. Mas a mulher tem de ter noção do quão abençoada é. Eis uma das missões do poeta. O poeta está cá para cantar a mulher, a beleza da mulher. O poeta está cá para derrubar o capitalismo mas ao fazê-lo deve celebrar a mulher. O poeta não pode ter um discurso puramente político, puramente marxista ou anarquista social. Olha o anjo que entrou. O poeta tem de falar aos anjos. O poeta tem de voltar aos 16 anos quando falava de paz, amor e anjos. O poeta tem de ser a criança sábia. O poeta nada tem a ver com o primeiro-ministro nem com os poderes. O poeta fala outra linguagem. O poeta anda sempre em busca do Graal. O poeta não vive no mundo dos políticos nem dos empresários, nem dos financeiros, nem dos bolsistas. O poeta torna-se naquele que é. O poeta é livre. O poeta quer a mulher livre. O poeta quer o homem livre. O poeta é a própria liberdade. O poeta quer a união sagrada.
ANIMAL POLÍTICO

No "Piolho"
o Sócrates fala sem som
e é sem som
que ele deveria continuar
assim já não engana ninguém
já não faz jogos de retórica
foi assim que o Joaquim Castro Caldas
o deixou em Famalicão
há quatro anos atrás
assim sem pio é que estás bom
aquele ar sério, grave
arrogante
governamental
aquele sorriso maquinal
que vem, de vez em quando,
a gravata
a pose
o movimento dos lábios
o piscar dos olhos
toda a sobriedade
do animal político
daquele que vive do e para o voto
daquele que nos comanda
daquele que nos saca a vida.
"Piolho", 15.10.2009
18 POR CENTO SÃO POBRES
Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza
18 por cento dos portugueses são pobres e a situação tende a piorar
16.10.2009 - 07h39 Lusa
O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza assinala-se sábado, numa altura em que 18 por cento dos portugueses são pobres. Uma realidade que as instituições de apoio social dizem estar a agravar-se.
Segundo a Assistência Médica Internacional (AMI), os seus centros Porta Amiga apoiaram no primeiro semestre deste ano mais 10 por cento de pessoas do que no mesmo período do ano anterior.
"Estes valores demonstram uma nítida tendência para um crescente número de casos de pobreza persistente. A grande maioria destas pessoas encontra-se em plena idade activa, entre os 21 e os 59 anos de idade", pode ler-se num comunicado daquela organização.
Além disso, a AMI destaca que há cada vez mais novos casos de pobreza. No primeiro semestre deste ano "foram 1836 as pessoas que recorreram pela primeira vez ao apoio social da AMI, mais 24 por cento do que no mesmo período no ano anterior".
Também a Rede Europeia Anti-Pobreza se manifesta preocupada com a situação em Portugal, onde afirma que 18 em cada 100 pessoas vivem na pobreza.
“O número europeu que serve de referência para definir a pobreza equivale a um vencimento mínimo mensal de 406 euros mensais. Quem tiver um rendimento inferior a 406 euros é pobre”, disse à Lusa Agostinho Jardim Moreira, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (REAP).
Num comunicado, a REAP sublinha que “os idosos e as crianças e jovens são os grupos etários com maior taxa de risco de pobreza em Portugal. A “vulnerabilidade à situação de pobreza” é de 26 por cento para os idosos e de 21 por cento para pessoas com menos de 17 anos, indica.
A mesma instituição destaca a desigualdade em matéria da distribuição de rendimento como um dos principais problemas: "Em 2008, 20 por cento da população com maior rendimento recebia aproximadamente 6,1 vezes o rendimento dos 20 por cento da população com o rendimento mais baixo”.
Por outro lado, a REAP recorda, citando dados do Instituto Nacional de Estatística, que no segundo trimestre de 2009, a taxa de desemprego foi de 9,1 por cento, um valor que, comparativamente ao mesmo período do ano passado, aumentou 1,8 pontos percentuais.
“Só a existência de empregos e de salários pode quebrar os ciclos de pobreza que estão criados e reestruturar as famílias, permitindo-lhes mandar os filhos à escola, cuidar dos idosos e viver com dignidade”, referiu Jardim Moreira.
Também a AMI regista que a maioria da população que recorreu aos centros Porta Amiga no primeiro semestre se encontra em situação de desemprego (80 por cento), "tendo como principais recursos os subsídios e apoios institucionais e o apoio de familiares ou amigos".
O serviço que registou mais procura entre as mais de cinco mil pessoas que, nos primeiros seis meses de 2009, pediram ajuda à AMI, foi o da distribuição de géneros alimentares, roupa e medicamentos.
Num contexto de pobreza mundial, 2010 será o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social.
União das Misericórdias defende apoio discreto a famílias "envergonhadas"
O presidente da União das Misericórdias (UdM), Manuel Lemos, defendeu hoje "a prática de um apoio discreto" às famílias com necessidades, já que muitas têm vergonha de expor a situação de pobreza em que se encontram.
"Os provedores dão-me conta de muitas situações, em particular de famílias residentes em meios urbanos e suburbanos. Todos têm histórias para contar", disse Manuel Lemos à Lusa, a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala sábado.
Em declarações à Lusa, o presidente da UdM considerou que "a pobreza envergonhada é um problema crescente em Portugal e a crise veio dar amplitude a este fenómeno".
"Infelizmente, a recuperação económica não terá repercussões imediatas nestas situações, daí a necessidade de se encontrarem formas discretas de apoiar estas famílias", sublinhou.
Manuel Lemos apontou o exemplo de Itália, também confrontada com idêntico fenómeno, onde o apoio alimentar, por exemplo, é distribuído por instituições sociais "em carros não identificados e em sacos plásticos de supermercado".
Em seu entender, também "os funcionários que fazem este serviço devem ser muito bem escolhidos para garantir a discrição necessária".
"São situações que devem ser abordadas com delicadeza e cautela. Temos casos em que os pedidos chegam por e-mail, tentando evitar dar a cara. A maioria está relacionada com o desemprego de um ou dos dois membros do casal e muitos nem sequer têm subsídio de desemprego", explicou.
O adiamento ou redução do pagamento de prestações, nomeadamente de creches e infantários, e também o apoio alimentar são os pedidos mais frequentes.
"O perfil dos utilizadores das nossas cantinas tem vindo a mudar. Ao contrário do que era habitual - as pessoas chegarem, conversarem e deixarem-se ficar - agora temos muitas pessoas que chegam, comem rapidamente, se possível viradas para a parede, e saem", sustentou Manuel Lemos.
O dirigente da União das Misericórdias contou ainda casos de pessoas que, quando questionadas directamente sobre as suas necessidades, não as admitem e mais tarde, por "uma outra porta, acabam por pedir ajuda".
"São normalmente pessoas que pertenciam à classe média, que por circunstâncias da vida foram apanhadas pela crise. Sem trabalho e meios de subsistência vêem-se obrigadas a recorrer a instituições e a subsídios sociais", frisou.
18 por cento dos portugueses são pobres e a situação tende a piorar
16.10.2009 - 07h39 Lusa
O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza assinala-se sábado, numa altura em que 18 por cento dos portugueses são pobres. Uma realidade que as instituições de apoio social dizem estar a agravar-se.
Segundo a Assistência Médica Internacional (AMI), os seus centros Porta Amiga apoiaram no primeiro semestre deste ano mais 10 por cento de pessoas do que no mesmo período do ano anterior.
"Estes valores demonstram uma nítida tendência para um crescente número de casos de pobreza persistente. A grande maioria destas pessoas encontra-se em plena idade activa, entre os 21 e os 59 anos de idade", pode ler-se num comunicado daquela organização.
Além disso, a AMI destaca que há cada vez mais novos casos de pobreza. No primeiro semestre deste ano "foram 1836 as pessoas que recorreram pela primeira vez ao apoio social da AMI, mais 24 por cento do que no mesmo período no ano anterior".
Também a Rede Europeia Anti-Pobreza se manifesta preocupada com a situação em Portugal, onde afirma que 18 em cada 100 pessoas vivem na pobreza.
“O número europeu que serve de referência para definir a pobreza equivale a um vencimento mínimo mensal de 406 euros mensais. Quem tiver um rendimento inferior a 406 euros é pobre”, disse à Lusa Agostinho Jardim Moreira, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (REAP).
Num comunicado, a REAP sublinha que “os idosos e as crianças e jovens são os grupos etários com maior taxa de risco de pobreza em Portugal. A “vulnerabilidade à situação de pobreza” é de 26 por cento para os idosos e de 21 por cento para pessoas com menos de 17 anos, indica.
A mesma instituição destaca a desigualdade em matéria da distribuição de rendimento como um dos principais problemas: "Em 2008, 20 por cento da população com maior rendimento recebia aproximadamente 6,1 vezes o rendimento dos 20 por cento da população com o rendimento mais baixo”.
Por outro lado, a REAP recorda, citando dados do Instituto Nacional de Estatística, que no segundo trimestre de 2009, a taxa de desemprego foi de 9,1 por cento, um valor que, comparativamente ao mesmo período do ano passado, aumentou 1,8 pontos percentuais.
“Só a existência de empregos e de salários pode quebrar os ciclos de pobreza que estão criados e reestruturar as famílias, permitindo-lhes mandar os filhos à escola, cuidar dos idosos e viver com dignidade”, referiu Jardim Moreira.
Também a AMI regista que a maioria da população que recorreu aos centros Porta Amiga no primeiro semestre se encontra em situação de desemprego (80 por cento), "tendo como principais recursos os subsídios e apoios institucionais e o apoio de familiares ou amigos".
O serviço que registou mais procura entre as mais de cinco mil pessoas que, nos primeiros seis meses de 2009, pediram ajuda à AMI, foi o da distribuição de géneros alimentares, roupa e medicamentos.
Num contexto de pobreza mundial, 2010 será o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social.
União das Misericórdias defende apoio discreto a famílias "envergonhadas"
O presidente da União das Misericórdias (UdM), Manuel Lemos, defendeu hoje "a prática de um apoio discreto" às famílias com necessidades, já que muitas têm vergonha de expor a situação de pobreza em que se encontram.
"Os provedores dão-me conta de muitas situações, em particular de famílias residentes em meios urbanos e suburbanos. Todos têm histórias para contar", disse Manuel Lemos à Lusa, a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala sábado.
Em declarações à Lusa, o presidente da UdM considerou que "a pobreza envergonhada é um problema crescente em Portugal e a crise veio dar amplitude a este fenómeno".
"Infelizmente, a recuperação económica não terá repercussões imediatas nestas situações, daí a necessidade de se encontrarem formas discretas de apoiar estas famílias", sublinhou.
Manuel Lemos apontou o exemplo de Itália, também confrontada com idêntico fenómeno, onde o apoio alimentar, por exemplo, é distribuído por instituições sociais "em carros não identificados e em sacos plásticos de supermercado".
Em seu entender, também "os funcionários que fazem este serviço devem ser muito bem escolhidos para garantir a discrição necessária".
"São situações que devem ser abordadas com delicadeza e cautela. Temos casos em que os pedidos chegam por e-mail, tentando evitar dar a cara. A maioria está relacionada com o desemprego de um ou dos dois membros do casal e muitos nem sequer têm subsídio de desemprego", explicou.
O adiamento ou redução do pagamento de prestações, nomeadamente de creches e infantários, e também o apoio alimentar são os pedidos mais frequentes.
"O perfil dos utilizadores das nossas cantinas tem vindo a mudar. Ao contrário do que era habitual - as pessoas chegarem, conversarem e deixarem-se ficar - agora temos muitas pessoas que chegam, comem rapidamente, se possível viradas para a parede, e saem", sustentou Manuel Lemos.
O dirigente da União das Misericórdias contou ainda casos de pessoas que, quando questionadas directamente sobre as suas necessidades, não as admitem e mais tarde, por "uma outra porta, acabam por pedir ajuda".
"São normalmente pessoas que pertenciam à classe média, que por circunstâncias da vida foram apanhadas pela crise. Sem trabalho e meios de subsistência vêem-se obrigadas a recorrer a instituições e a subsídios sociais", frisou.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
O SAGRADO FEMININO

A mulher, em sua essência Feminina sempre foi, é e será Sagrada. Em tempos idos, e em muitas culturas, a mulher teve um papel relevante no mundo. Na verdade a mulher é uma deusa geradora de vida – literalmente. Em buscas históricas encontramos que, o conceito de divindade mais reverenciado na antiguidade era feminino: o da Deusa, e não o do Deus. Mas com o passar dos tempos, a influência do patriarcado fez com que o feminino na terra fosse sendo suprido pelo masculino. Não falo aqui em conceitos feministas (que existem também, têm seu valor, mas há uma diferença), falo no sentido do feminino em questão de energia, do yin assim por dizer.
Com o predomínio do masculino – Yang, o mundo tornou-se mais competitivo, racional, material. Mas sabemos que a harmonia existe no equilíbrio, e passamos neste momento por um período de transformações benéficas planetária e um retorno do Feminino, valorizado como Sagrado. Na verdade a Terra é um planeta de energia feminina, e a sua cura e o equilíbrio da sua natureza parte do resgate desta energia yin, mais calma, interiorizada, sentimental, com cuidados.
De forma até inconsciente isso tem se revelado, e mulheres têm buscado o resgate de sua essência, o resgate da Deusa, ou das suas deusas interiores; reconhecendo, manifestando , valorizando e harmonizando os arquétipos de cada uma delas. Muitos grupos têm se formado, e nos Círculos de Mulheres todas vão se curando e curando umas às outras, se transformando e transformando o mundo.
Mudanças grandiosas partem das pequenas mudanças individuais, e quando houver um número suficiente de mulheres modificadas em essência, com autoconhecimento e auto valorização, com o seu Feminino reconhecido, enaltecido e vivido como Sagrado, isso contagiará, se expandirá e ocorrerá uma mudança em massa no mundo.
Este conceito é visto por Jean Shinoda Bolen em seu livro: “O Milonésimo Círculo – Como transformar a nós mesmas e ao mundo”; em que ela cita a história do Centésimo Macaco como referencial comparativo. A história do Centésimo Macaco é a conclusão de pesquisas científicas realizadas há mais de 30 anos em colônias de macacos, em ilhas no Japão. Os cientistas ofereciam batatas doces na praia para os macacos comerem. Um dia um pequeno macaco lavou a batata doce e comeu. Isso deve ter melhorado o sabor, e ele ensinou outros macacos a fazerem o mesmo. Então nesta ilha houve uma mudança de comportamento e os macacos começaram a lavar batatas para comerem, porém, o mais significativo foi que subitamente macacos de todas as ilhas estavam lavando batatas pra comerem, apesar de não terem nenhuma comunicação entre si.
O Centésimo Macaco refere-se ao anônimo da espécie cuja mudança de comportamento significou uma mudança em massa. E esta história traz a promessa de que quando um número crítico de pessoas mudar seu comportamento ou atitude, a cultura como um todo mudará. Somos agentes de transformações, e nós mulheres temos um papel importante através do resgate do Feminino como Sagrado para nosso equilíbrio pessoal e do mundo.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
O MUNDO À MESA
O MUNDO À MESA
António Pedro Ribeiro
Correu o mundo na marinha mercante nos anos 70 e 80, da Austrália à Nova Zelândia, da América Latina ao Japão, é um apaixonado dos blogues e da internet, foi sindicalista, é poeta e há 17 anos que é empregado de mesa no "Guarda-Sol". Fernando Oliveira nasceu em Atães (Vila Verde) há 50 anos e diz que sempre gostou de geografia e que, por isso, quis conhecer como viviam os outros povos. "Em todo o lado há desigualdades mas dentro do capitalismo existem locais com mais igualdade do que outros. No Canadá, na Austrália, na Nova Zelândia, há uma segurança social mais reforçada. O trabalhador tem mais dinheiro. Nos Estados Unidos quem não tiver um seguro morre debaixo da ponte. A Tailândia e as Filipinas são muito bonitas para os turistas mas para os pobres é a miséria e há abuso de poder", esclarece.
No "Guarda-Sol", Fernando Oliveira mantém uma relação afectiva com os clientes. "Quando não estou ocupado gosto de conversar com as pessoas. Todas as pessoas têm histórias de vida. Acabamos por ganhar amizades. Isto, muitas vezes, funciona como uma espécie de confessionário. O "Guarda-Sol" é uma espécie de tertúlia. É um sítio onde as pessoas discutem ideias, conhecimentos, modos de vida, alegrias, tristezas", afirma. "Vemos um cliente que está a ler um livro ou um jornal e desenvolve-se a conversa". O Guarda-Sol é um café, pela sua dimensão e história, único na Póvoa. Fernando Oliveira não teme que aconteça ao "Guarda-Sol" o que aconteceu ao "Diana Bar". Embora "a sociedade de consumo tenda a fazer com que este género de casa acabe", diz.
O nosso entrevistado tem quatro blogues, entre os quais "Recanto das Letras" (http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=23105), onde publica os seus poemas e "Ondas e Marés" (http://ondasdiversas.blogspot.com), onde descreve as aventuras que passou na marinha mercante. Considera-se um romântico e um lírico. Admira Camões e Florbela Espanca. É um adepto da internet porque esta lhe permitiu reencontrar amigos que tinha perdido no tempo da Austrália, do Japão, e mesmo em Portugal e porque, por enquanto, é o meio de informação mais livre e democrático que existe.
No entanto, para Fernando Oliveira, que recorda os tempos do 25 de Abril e do "Verão Quente" passados em Lisboa, "hoje a repressão é feita a nível material. É uma ditadura diferente que não manda o individuo para Caxias ou para o Tarrafal. Há uma grande pressão do dinheiro para se ter carro ou casa. O ser humano é psicologicamente castrado. Corremos o risco de mais ditaduras mafiosas estilo Berlusconi, onde os políticos criam leis para se auto-protegerem", esclarece.
António Pedro Ribeiro
Correu o mundo na marinha mercante nos anos 70 e 80, da Austrália à Nova Zelândia, da América Latina ao Japão, é um apaixonado dos blogues e da internet, foi sindicalista, é poeta e há 17 anos que é empregado de mesa no "Guarda-Sol". Fernando Oliveira nasceu em Atães (Vila Verde) há 50 anos e diz que sempre gostou de geografia e que, por isso, quis conhecer como viviam os outros povos. "Em todo o lado há desigualdades mas dentro do capitalismo existem locais com mais igualdade do que outros. No Canadá, na Austrália, na Nova Zelândia, há uma segurança social mais reforçada. O trabalhador tem mais dinheiro. Nos Estados Unidos quem não tiver um seguro morre debaixo da ponte. A Tailândia e as Filipinas são muito bonitas para os turistas mas para os pobres é a miséria e há abuso de poder", esclarece.
No "Guarda-Sol", Fernando Oliveira mantém uma relação afectiva com os clientes. "Quando não estou ocupado gosto de conversar com as pessoas. Todas as pessoas têm histórias de vida. Acabamos por ganhar amizades. Isto, muitas vezes, funciona como uma espécie de confessionário. O "Guarda-Sol" é uma espécie de tertúlia. É um sítio onde as pessoas discutem ideias, conhecimentos, modos de vida, alegrias, tristezas", afirma. "Vemos um cliente que está a ler um livro ou um jornal e desenvolve-se a conversa". O Guarda-Sol é um café, pela sua dimensão e história, único na Póvoa. Fernando Oliveira não teme que aconteça ao "Guarda-Sol" o que aconteceu ao "Diana Bar". Embora "a sociedade de consumo tenda a fazer com que este género de casa acabe", diz.
O nosso entrevistado tem quatro blogues, entre os quais "Recanto das Letras" (http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=23105), onde publica os seus poemas e "Ondas e Marés" (http://ondasdiversas.blogspot.com), onde descreve as aventuras que passou na marinha mercante. Considera-se um romântico e um lírico. Admira Camões e Florbela Espanca. É um adepto da internet porque esta lhe permitiu reencontrar amigos que tinha perdido no tempo da Austrália, do Japão, e mesmo em Portugal e porque, por enquanto, é o meio de informação mais livre e democrático que existe.
No entanto, para Fernando Oliveira, que recorda os tempos do 25 de Abril e do "Verão Quente" passados em Lisboa, "hoje a repressão é feita a nível material. É uma ditadura diferente que não manda o individuo para Caxias ou para o Tarrafal. Há uma grande pressão do dinheiro para se ter carro ou casa. O ser humano é psicologicamente castrado. Corremos o risco de mais ditaduras mafiosas estilo Berlusconi, onde os políticos criam leis para se auto-protegerem", esclarece.
À DIREITA
Hoje, pela primeira vez na minha vida, votei na direita. Aconteceu na votação para a Junta de Freguesia. Não suporto o grunho do presidente PS. Aqui há uns anos espetei-lhe um paralelo no vidro da Junta. Estava bêbado mas sabia onde queria chegar.
Ao longo de 18 meses, 24 empregados da France Telecom suicidaram-se. Razões? Horários asfixiantes, exigências excessivas, pressão constante. Os suicidas tinham descoberto que eram peças da máquina, novos escravos. É esse o lugar dum homem...na democracia?
(Manuel Poppe, "Jornal de Notícias", 11.10.2009)
(Manuel Poppe, "Jornal de Notícias", 11.10.2009)
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
O CAPITALISMO A TODO O VAPOR
Inicialmente admitia-se a suspensão de 230 contratos de trabalho
Qimonda Portugal vai despedir já 590 trabalhadores
12.10.2009 - 17h33
Por Rosa Soares
Nélson Garrido (arquivo)
A administração da Qimonda Portugal, em conjunto com o Administrador de Insolvência, acaba de anunciar que pretende avançar de imediato com a cessação de 590 contratos de trabalho dos colaboradores em regime de lay-off.
Este número é muito superior aos 230 contratos de trabalho que a administração pretendia suspender, por negociação voluntário ou despedimento colectivo, conforme foi anunciado na assembleia de credores, no passado dia 29 de Setembro.
A administração da Qimonda, que na assembleia de credores de Setembro viu aprovado o plano de insolvência (revisto e actualizado), tinha admitido que a empresa só precisaria de 770 trabalhadores, dos actuais mil, em velocidade cruzeiro, ou seja, em 2011/2012.
Nessa assembleia, a empresa admitia a necessidade de despedimento imediato de 230 trabalhadores, e a possibilidade de novação do regime lay-off, até Abril, para a maioria dos trabalhadores que se encontram nesse regime, num total de 770. Os restantes 230 tranbalhadores encontram-se a trabalhar na empresa.
Muitos trabalhadores questionaram, em Setembro, qual a vantagem de renovar o lay-off (que implica um redução significativa do salário), se em Abril poderiam ser confrontados com o despedimento, uma vez que a empresa ainda estava longe de atingir a velocidade cruzeiro.
No comunicado, a administração da empresa acaba de assumir “a cessação de 590 contratos de trabalho dos colaboradores em regime de lay-off, designadamente por ser legalmente inviável e economicamente insustentável a sua continuidade até à entrada da operação em velocidade cruzeiro”.
A administração adianta ainda que “não exclui a possibilidade de, durante a fase que antecede a decisão final, serem encontradas soluções mais próximas dos interesses concretos das pessoas, nomeadamente a celebração de acordos de revogação que antecipem o momento da extinção do contrato de trabalho e a possibilidade de considerar a manutenção do regime de lay-off para
um número limitado de contratos”.
A administração assume que estas são medidas absolutamente indispensáveis para o
relançamento da actividade da empresa e a sua manutenção num sector
extremamente competitivo e reafirma o compromisso, no quadro das necessidades futuras, dar preferência à contratação dos colaboradores agora dispensados.
A administração adianta que “foram estabelecidos vários contactos com potenciais parceiros comerciais, no sentido de diversificar a oferta de serviços e/ou produtos da empresa, inclusive em segmentos distintos do das memórias DRAM”. Acrescenta que os contactos realizados abrem perspectivas para a retoma da actividade da empresa, não só nos segmentos da produção de componentes, mas também para a entrada em novas áreas – mais avançadas tecnologicamente e com uma procura crescente no mercado – como é o caso RDL/Wafer Level Packaging. Adianta que a concretização destas perspectivas permitirá assegurar a actualização tecnológica da unidade e a
manutenção da empresa numa posição de destaque no panorama tecnológico mundial
do sector.
Qimonda Portugal vai despedir já 590 trabalhadores
12.10.2009 - 17h33
Por Rosa Soares
Nélson Garrido (arquivo)
A administração da Qimonda Portugal, em conjunto com o Administrador de Insolvência, acaba de anunciar que pretende avançar de imediato com a cessação de 590 contratos de trabalho dos colaboradores em regime de lay-off.
Este número é muito superior aos 230 contratos de trabalho que a administração pretendia suspender, por negociação voluntário ou despedimento colectivo, conforme foi anunciado na assembleia de credores, no passado dia 29 de Setembro.
A administração da Qimonda, que na assembleia de credores de Setembro viu aprovado o plano de insolvência (revisto e actualizado), tinha admitido que a empresa só precisaria de 770 trabalhadores, dos actuais mil, em velocidade cruzeiro, ou seja, em 2011/2012.
Nessa assembleia, a empresa admitia a necessidade de despedimento imediato de 230 trabalhadores, e a possibilidade de novação do regime lay-off, até Abril, para a maioria dos trabalhadores que se encontram nesse regime, num total de 770. Os restantes 230 tranbalhadores encontram-se a trabalhar na empresa.
Muitos trabalhadores questionaram, em Setembro, qual a vantagem de renovar o lay-off (que implica um redução significativa do salário), se em Abril poderiam ser confrontados com o despedimento, uma vez que a empresa ainda estava longe de atingir a velocidade cruzeiro.
No comunicado, a administração da empresa acaba de assumir “a cessação de 590 contratos de trabalho dos colaboradores em regime de lay-off, designadamente por ser legalmente inviável e economicamente insustentável a sua continuidade até à entrada da operação em velocidade cruzeiro”.
A administração adianta ainda que “não exclui a possibilidade de, durante a fase que antecede a decisão final, serem encontradas soluções mais próximas dos interesses concretos das pessoas, nomeadamente a celebração de acordos de revogação que antecipem o momento da extinção do contrato de trabalho e a possibilidade de considerar a manutenção do regime de lay-off para
um número limitado de contratos”.
A administração assume que estas são medidas absolutamente indispensáveis para o
relançamento da actividade da empresa e a sua manutenção num sector
extremamente competitivo e reafirma o compromisso, no quadro das necessidades futuras, dar preferência à contratação dos colaboradores agora dispensados.
A administração adianta que “foram estabelecidos vários contactos com potenciais parceiros comerciais, no sentido de diversificar a oferta de serviços e/ou produtos da empresa, inclusive em segmentos distintos do das memórias DRAM”. Acrescenta que os contactos realizados abrem perspectivas para a retoma da actividade da empresa, não só nos segmentos da produção de componentes, mas também para a entrada em novas áreas – mais avançadas tecnologicamente e com uma procura crescente no mercado – como é o caso RDL/Wafer Level Packaging. Adianta que a concretização destas perspectivas permitirá assegurar a actualização tecnológica da unidade e a
manutenção da empresa numa posição de destaque no panorama tecnológico mundial
do sector.
PCTP/MRPP
Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses
(PCTP/MRPP)
NOTA À IMPRENSA
Os escassos resultados eleitorais apurados até ao momento, permitem desde já ao PCTP/MRPP tecer as seguintes considerações:
1. O Partido Socialista não pode escamotear as pesadas derrotas que sofreu em concelhos importantes, em que concentrou todos os seus actuais e ex-dirigentes nacionais, como foi o caso das Câmaras do Porto, Gaia, Faro, Sintra, Oeiras.
2. A vitória de António Costa em Lisboa ficou a dever-se acima de tudo aos apelos do PCP e do BE na votação nessa candidatura e representa, em qualquer caso, uma derrota para o povo da Capital, atentas as promessas não cumpridas nos últimos dois anos e um programa de novas promessas que não dão qualquer garantia de alterar radicalmente as condições de vida nesta Região.
3. O PCP mostra estar a perder uma parte do seu eleitorado no distrito de Lisboa, perdendo também para o PS uma Câmara importante como a da Marinha Grande.
4. No que respeita aos resultados do PSD eles só podem atribuir-se à total incapacidade do PS e dos restantes partidos ditos de esquerda em assumir um programa alternativo, para além do preço que pagou pela política ferozmente antipopular que caracterizou o Governo de Sócrates.
5. O BE, por seu turno, para além de ter registado uma quebra acentuada do seu eleitorado, não logrou atingir um único dos seus principais objectivos, designadamente, nos grandes centros urbanos do Porto e Lisboa.
6. No que respeita à candidatura do PCTP/MRPP, se bem que registando uma quebra, ainda que não acentuada, no concelho de Lisboa – atendendo ao mais absoluto e impune silenciamento até agora registado por parte dos órgãos de comunicação social, em particular dos públicos Lusa, RTP e RDP – obteve aumentos significativos em concelhos importantes, como em Almada (de 948 votos para 3.237), Porto, Barreiro, Moita, Montijo, Loures e Oeiras, continuando a afirmar-se como a sexta força política a nível nacional.
Lisboa, 11 de Outubro de 2009-10-12
A Comissão de Imprensa
da Candidatura Autárquica do PCTP/MRPP
(PCTP/MRPP)
NOTA À IMPRENSA
Os escassos resultados eleitorais apurados até ao momento, permitem desde já ao PCTP/MRPP tecer as seguintes considerações:
1. O Partido Socialista não pode escamotear as pesadas derrotas que sofreu em concelhos importantes, em que concentrou todos os seus actuais e ex-dirigentes nacionais, como foi o caso das Câmaras do Porto, Gaia, Faro, Sintra, Oeiras.
2. A vitória de António Costa em Lisboa ficou a dever-se acima de tudo aos apelos do PCP e do BE na votação nessa candidatura e representa, em qualquer caso, uma derrota para o povo da Capital, atentas as promessas não cumpridas nos últimos dois anos e um programa de novas promessas que não dão qualquer garantia de alterar radicalmente as condições de vida nesta Região.
3. O PCP mostra estar a perder uma parte do seu eleitorado no distrito de Lisboa, perdendo também para o PS uma Câmara importante como a da Marinha Grande.
4. No que respeita aos resultados do PSD eles só podem atribuir-se à total incapacidade do PS e dos restantes partidos ditos de esquerda em assumir um programa alternativo, para além do preço que pagou pela política ferozmente antipopular que caracterizou o Governo de Sócrates.
5. O BE, por seu turno, para além de ter registado uma quebra acentuada do seu eleitorado, não logrou atingir um único dos seus principais objectivos, designadamente, nos grandes centros urbanos do Porto e Lisboa.
6. No que respeita à candidatura do PCTP/MRPP, se bem que registando uma quebra, ainda que não acentuada, no concelho de Lisboa – atendendo ao mais absoluto e impune silenciamento até agora registado por parte dos órgãos de comunicação social, em particular dos públicos Lusa, RTP e RDP – obteve aumentos significativos em concelhos importantes, como em Almada (de 948 votos para 3.237), Porto, Barreiro, Moita, Montijo, Loures e Oeiras, continuando a afirmar-se como a sexta força política a nível nacional.
Lisboa, 11 de Outubro de 2009-10-12
A Comissão de Imprensa
da Candidatura Autárquica do PCTP/MRPP
domingo, 11 de outubro de 2009
NASCIMENTO DO PSSL
Hoje, dia de eleições autárquicas, nasce oficialmente o Partido Surrealista Situacionista Libertário (PSSL). Como dizia Rosa Luxemburgo, as eleições e os parlamentos burgueses só servem para passar as nossas mensagens. Mais nada. http://partido-surrealista.blogspot.com
sábado, 10 de outubro de 2009
CENA SURREALISTA

Ontem no Porto, nos Aliados, junto aos correios, fui surpreendido por um homem de microfone e outro de câmara de filmar. A princípio parecia uma daquelas entrevistas para a televisão mas depois o homem fez-me uma pergunta acerca da sinceridade, eu lá respondi e a seguir o homem permaneceu dez minutos em silêncio com o microfone apontado a mim. Eu não sabia o que dizer. Mostrei-lhe o livro do António Gancho que tinha acabado de comprar na Feira do Livro da Trindade. Depois o gajo lá me fez umas perguntas sobre "gays" e lésbicas e eu lá lhe fui respondendo com sinceridade. Então, o homem pediu para encostar a cara á minha proeminente barriga. Encostou, deu-me um abraço, disse que eu era um santo, que transmitia muita serenidade e eu lá justifiquei que a barriga era da cerveja. São cenas destas que abalam a previsibilidade da vida. O "non sense" e o surrealismo vieram ter comigo ao virar da esquina.
CRÓNICA DE ROTINA
Depois de uns dias passado regresso à rotina da "Motina". O casal do costume pede-me o jornal do costume e fala das coisas do costume. Mandei o Obama à merda no Facebook por causa do Nobel e houve uma gaja que me chamou racista. Mais uma que nunca tinha ouvido. O Obama nunca fez a Paz logo não merece o Nobel da Paz. Ponto final. Está calor. A gaja do costume excita-me. Estou, aliás, farto do Obama, do Durão Barroso, do Cavaco, do Sócrates, dos políticos do costume. Estou mesmo farto de tudo o que é costume. Vá lá que, de vez em quando, me aparecem uns gajos de câmara na mão a fazer-me entrevistas "non sense" e surrealistas.
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