sábado, 10 de outubro de 2009

JOSÉ PACHECO PEREIRA in PÚBLICO

O que é que fez Obama a favor da paz, ou melhor, da Paz com letra grande? Nada.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

ODE AO SACRIFÍCIO OU MANIFESTO AUTÁRQUICO PARA A PÓVOA DE VARZIM (à memória do grande Tony Vieira, mentor dos blogues povoaonline e povoadevarzimonlin


O Presidente da República ama-nos
o primeiro-ministro sacrifica-se por nós
sacrificai-vos vós também
e será vosso o Reino dos Céus

O poeta Ulisses recebe o rendimento mínimo
paga-me copos
e já não vende poemas pelos cafés
o poeta Ramalho escreve poesia afrodisíaca
para excitar os cérebros
crava-me copos
e ainda vende poemas pelos cafés
as gajas levantam-se
o PSI-20 fechou a perder 0,1%
o poeta Ribeiro mija na estátua do major e sorri
o presidente da Câmara sacrifica-se por nós
três revolucionários foram atacados
por um balde de àgua à porta da sede
e apresentaram queixa na esquadra
a PT e a Novabase centraram a atenção
dos investidores brasileiros
o presidente da Câmara (Macedo), o Buenos e o Diamante
velam por nós
A PT desvalorizou 0,51% depois das acções terem estado suspensas
da parte da manhã na sequência de uma notícia que dava
conta do interesse da operadora em lançar uma OPA
sobre a Novabase
o presidente da Cãmara lançou o diamante à orca
os três revolucionários foram à ópera
o Buenos (Aires) controla á D. Corleone
o diamante mordeu o presidente
a estátua do major caiu às mãos da aliança
Povo/ Frente Guevarista Libertária/ lixeiros
a empresa liderada por Rogério Carapuça, sita na rua da Junqueira,
afirmou que não foi notificada
o presidente da Câmara enfiou a carapuça do Rogério
o diamante tornou-se um perigoso encapuzado
o presidente recebeu, em audiência, o capuchinho vermelho
o lobo mau devorou o Buenos (Aires) na Praça do Almada
o diamante disparou 3,73%
o presidente lê poesia afrodisíaca
o diamante tem o cérebro excitado
a EDP e o BCP também pressionaram o índice
a estátua do major pressiona o presidente
o PSSL ameaça ocupar a câmara
o BPI avançou 3,64%, uma vez mais animado com a possibilidade
de vir a ser alvo de uma OPA
o diamante foi violado por uma orca
as gajas apalpam o telemóvel
o presidente ama-vos
o primeiro-ministro sacrifica-se
sacrificai-vos vós também
garanti os míseros ordenados dos gestores públicos,
as reformas irrisórias dos governantes, dos deputados silenciosos,
dos autarcas rafeiros
sacrificai-vos
ide a Fátima de joelhos
obedecei ao senhor que vela por vós
sacrificai-vos pois será vosso o Reino dos Céus.


Extraído de "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro. Manifestos do Partido Surrealista Situacionista Libertário" (Objecto Cardíaco), A. Pedro Ribeiro.

O PODER E A VIDA


Ler o "Poder e a vida" de A. Pedro Ribeiro em www.vozdapovoa.com, secção opinião.

ESTADO DE GRAÇA


ESTADO DE GRAÇA



António Pedro ribeiro



Há três dias consecutivos que estou em estado de farra e rock n' roll. Foi o cacau que veio do jornal, foi a festa do Manuel do "Guarda-Sol", foi o "meddley" a matar no "púcaros" com o "Poema de Amor Inocente Em Jeito de Manifesto Autárquico para a Cidade do Porto" e a "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro", foram também as palavras provocatórias introdutórias no "Art 7" de São João da Madeira do Angel e do Vitó. Depois houve aquela cena absolutamente "non-sense" nos Aliados, o gajo da câmara de filmar, o gajo do microfone a perguntar se eu era um homem que acreditava na sinceridade e depois a ficar 10 minutos calado e eu sem saber o que dizer. Uma cena absolutamente surrealista. Depois pediu-me para encostar o ouvido dele à minha barriga de cerveja. Eu deixei. As perguntas provocatórias sobre a homossexualidade, o abraço. Enfim, o gajo disse que o trabalho era só para ele. Vamos ver. Regressamos ao ecrã.

A verdade é que me sinto novamente em estado de graça, próximo dos deuses e do espíritos. Capaz de teorizar sobre a situação de palco. As bocas que tu mandas, as provocações, o gozo com a campanha política permanente têm resultado. Não é chegar ali e "vomitar" os poemas. Há que fazer um enquadramento quando nos sentimos à vontade para isso. É esta a nossa profissão, o nosso trabalhinho.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A MENSAGEM

Arquivo: Edição de 25-06-2009

SECÇÃO: Opinião

António Pedro Ribeiro


Esta é a Mensagem
Os políticos e os economistas falam uma linguagem diferente da nossa. Nós cantamos o caos no meio da derrocada económica e financeira. Nós cantamos e dançamos no meio do fogo. Dance on fire if it intends, como canta Jim Morrison. Mas nós não temos de nos andar sempre a exibir. Só quando subimos ao palco. Também temos necessidade de ser espectadores, de observar o mundo.


A nossa loucura não é camuflada, a nossa loucura é real. Amamos as nossas bacantes. Usamos palavras simples, textos directos, não suportamos escritas herméticas. Apelamos ao amor no meio do caos. Mas não o amor dos cristãos ou, pelo menos, não o dos cristãos actuais. Como disse Nietzsche, só houve um cristão e esse morreu na cruz.


Não queremos morrer na cruz! Nem queremos a vida eterna. Queremos a eternidade do instante. A eternidade da palavra. É essa a eternidade que nós amamos. A eternidade aqui e agora. Este ainda é o tempo do homem pequeno. Do homem da intriga, da mercearia, do hipermercado, da prisão, do rebanho. Nós visamos o homem livre. O homem que segue o seu caminho, que diz não aos ídolos, que diz não ás cadeias, que se opõe ao racionalismo mercantilista, que admira os grandes homens, que é, ele próprio, um espírito livre, que quer construir o Super-Homem.


Amamos a Vida, a vida plena, do prazer, das paixões, do sangue na guelra. Amamos as mulheres porque elas nos dão à luz e nos dão a luz. Sim, não estamos cá para agradar à maioria nem para obedecer ás leis da maioria. Por isso não suportamos governos, presidentes, parlamentos. Por isso, rejeitamos a democracia burguesa. A maioria é sempre uma massa imbecil. Os espíritos livres estão fora da maioria. Admitimos, sim, servimo-nos das eleições burguesas como forma de propagandear a nossa mensagem.


O Deus dos cristãos está morto ou, pelo menos, gravemente doente. É o deus-dinheiro que importa matar. Houve um tempo em que o Deus dos cristãos era mais poderoso que o dinheiro. Houve um tempo em que o Deus dos cristãos inspirava o medo e o terror. Esse tempo acabou. Tudo gira em função da economia, do mercado, do deus-dinheiro. A vida que o deus-dinheiro nos dá (ou nos vende) é uma vida de merda, controlada por relógios, trabalhos, hierarquias, contas, percentagens, bancos, trocas.

É a essa vida que é preciso dizer não.


É preciso dizer não aos bancos e às bolsas. Àqueles que provocaram a crise. Para isso não basta votar no partido x ou no partido y, isso de nada adianta. É necessário que os espíritos se tornem livres. É necessária uma revolução dionisíaca. Com fogo, vidros partidos, ocupações, destruição. Destruir para construir. Destruir para criar. Dêmos caos ao caos.


E depois falaremos do amor no fim. É esta a mensagem que queríamos passar. É esta a mensagem que os telejornais não passam. É esta a mensagem que não nos querem deixar passar. É esta a mensagem que queremos passar. É esta a mensagem. É esta a mensagem.

in "A Voz da Póvoa".

FASCISMOS

Caros Vadios e Vadias,


Em Novembro do ano passado o Estado francês e a administração Sarkozy montaram um show mediático para punir e vigiar a cidadania revoltada. Na altura organizámos um debate no Gato sobre as novas leis anti-terrorismo e no blog escrevemos que a detenção dos Tarnac 9 "foi uma ópera terrificante de marketing. Um show-off metonímico de terror: aterrorizar cada cidadão que põe em causa a falácia, o cinismo, a ganância, a injustiça de um sistema."

Alguns meses depois, é o próprio Sindicato da Magistratura francesa a pronunciar-se inequivocamente sobre a utilização abusiva das leis do Estado para asfixiar os movimentos de contestação social: "dénonce l’utilisation de qualifications pénales outrancières aux fins d’intimidation et de répression des mouvements sociaux". Ou ainda: "Dans l’affaire du « groupe de Tarnac », l’instrumentalisation consentie de la justice - à la suite d’une opération de « police réalité » opportunément médiatisée par la ministre de l’Intérieur - semble avoir atteint son paroxysme.

Agora o reality-show tem uma sequela lusitana. Mas é uma incógnita adivinhar quem se pronunciára contra o julgamento que ocorrerá amanhã no Parque das da(Nações).

O Gato Vadio envia um gesto de solidariedade para com aqueles que foram ilegalmente espancados pela polícia e a favor dos que se sentarão no banco dos reús por desejarem um país mais livre.

(abaixo segue um texto enviado pelos cidadãos processados pela Justiça portuguesa):


" Este texto pretende relembrar a carga policial que aconteceu na manifestação Anti Fascista e Anti Capitalista no dia 25 de Abril de 2007 e apelar à solidariedade contra a farsa judicial montada em torno das onze pessoas que vão a julgamento dia 7 de Dezembro




No dia 25 de Abril de 2007 decorreu uma manifestação Antiautoritária contra o Fascismo e o Capitalismo em Lisboa que reuniu aproximadamente 500 pessoas. Tendo iniciado na Praça da Figueira em ambiente contestatário, mas festivo e sem incidentes, várias pessoas aderiram à manifestação ao longo do percurso Rossio, Rua do Carmo, Rua Garrett até ao Largo de Camões.

Após um breve período em que a manifestação permaneceu no largo Camões, esta continuou espontaneamente pela Rua Garrett em direcção ao Rossio. A presença constante da polícia durante a trajectória fez com que o clima entre as partes fosse de tensão. A meio da Rua do Carmo, duas hordas de elementos do corpo de intervenção da PSP e polícias à paisana encurralaram os manifestantes na rua fechando as saídas e, sem qualquer ordem ou aviso de dispersão, começaram a agredir brutal e indiscriminadamente manifestantes, transeuntes e até mesmo turistas.

A polícia não tentou dispersar ninguém, pelo contrário, quis bater, espancar e atacar os manifestantes. Pessoas que caíram no chão indefesas foram ainda agredidas por vários polícias à bastonada e ao pontapé. Houve perseguições por parte da polícia, levadas a cabo de forma bastante agressiva, no local onde decorria a manifestação e por toda a Baixa de Lisboa. Foram detidas onze pessoas e foi impossível contabilizar todos os feridos entre manifestantes e pessoas alheias ao protesto. Aos manifestantes juntaram-se, no fundo da rua do Carmo, vários transeuntes e lojistas contra a brutalidade policial.

Com o apoio dos media, as forças policiais criminalizaram o protesto, procurando encontrar legitimidade para a sua acção repressiva que é um tipo de conduta permanente por parte do Estado, como podem comprovar, a título de exemplo, os habitantes de bairros sociais. Assim sendo, a detenção dos onze manifestantes surge como modo de justificar mais uma carga policial.

Para além da detenção, estes manifestantes ficaram ainda sujeitos à medida de termo de identidade e residência, tendo sido acusados de agressão, injúria agravada e desobediência civil, acusações estas que, na verdade, caracterizam a actuação policial. Querem convencer-nos que o mundo é o inverso daquilo que realmente acontece, uma vez que as únicas agressões à polícia foram em legítima defesa, postura à qual não se deve renunciar.

No próximo dia 7 de Dezembro vai ser o julgamento dos onze acusados nas novas instalações judiciais localizadas no Parque das Nações/Oriente.

Apelamos à solidariedade em relação a esta situação em particular, enquadrada num contexto de exploração e opressão quotidiana que não deixaremos de combater."

alguns envolvidos no processo

segunda-feira, 5 de outubro de 2009


Venho cá hoje ver-te
mas só posso beber
uma cerveja
nem sequer sei
se te interessas
pela minha conversa
pelo menos
fazes-me escrever
e fazes-me vir aqui
em vez de ir
ao tasco do lado

talvez daqui a uns anos
me dê para
começar a pregar nos cafés
mas ainda
não cheguei a essa fase
nem sequer estou
suficientemente bêbado
para isso.


"Padeirinha", 5.10.2009

A VIDA

Uma seca, uma grande seca, aparte as conversas que possamos ter acerca disto tudo, da alma, do mundo, etc. De resto, um absurdo. Passar a vida atrás do dinheiro. Passar a vida a falar do dinheiro. Passas uma infância mais ou menos feliz, depois és jovem, tens umas ideias, umas utopias, mais tarde ou mais cedo convertem-te à máquina do emprego e do dinheiro, casas-te, castram-te. É isso o que fazem da tua liberdade. É isso o que fazem da tua vida. A tua vida que era livre e gratuita. A tua vida que já não é tua. Olha para a seca de vida que os outros levam. Olha se eles são felizes! São sempre as mesmas conversas do lucro, da sobrevivência, do subir na vida. Olha para essa vida ao serviço dos castradores, dos inimigos da vida. Olha como eles negam a fruição, a vida autêntica. Como dizia Morrison: quanto tempo mais vais deixar que eles comandem a tua vida? Quanto tempo mais vais deixar que eles enterrem a tua cara na merda? Quanto tempo mais vais entregar-lhes a tua vida?
A vida não se resume a uma fórmula única e irreversível. A vida não tem que ser uma seca. A vida não tem que ser castração e obrigação. A vida não tem que estar nas mãos da máquina ou de Deus ou do que quer que seja. A vida é tua. Goza-a. Faz dela o que quiseres. A vida foi-te dada gratuitamente. Não a tens de pagar. Não tens de correr atrás do dinheiro, nem do poder, nem do estatuto. Curte-a. Ama-a como no primeiro instante. Foi para isso que vieste ao mundo. Não ouças mais as conversas da máquina. Não ouças mais as conversas dos vencidos. Não te deixes contaminar. Os gajos estão em todo o lado: nos cafés, na televisão, na net, na rua. Não te deixes vencer. Não ouças as conversas.

domingo, 4 de outubro de 2009

NINGUÉM PÁRA O BRAGA!

Mais uma jornada, mais uma vitória para o Braga. Tal como tinha acontecido nas jornadas anteriores, os bracarenses voltaram a realizar uma exibição q.b.. Garantiram os três pontos e mantêm um registo 100 por cento vitorioso ao fim de sete jornadas. Paulo César e Hugo Viana marcaram os golos frente a um Setúbal que, enquanto esteve em igualdade numérica, mostrou argumentos para travar o líder.

Na antevisão da partida, Domingos lançou algumas provocações a quem segue atrás (Benfica) e isso acabou por apimentar ainda mais o jogo. Para o treinador do Braga, competia à sua equipa “ganhar e, depois, colocar a tal pressão em quem vem atrás”. Os seus jogadores acabaram por cumprir o objectivo e agora ficam à espera do que possam fazer os rivais.

Domingos não apresentou nenhuma surpresa no “onze” inicial. Com um esquema táctico dinâmico (a mobilidade de Alan, Mossoró e Paulo César permite à equipa vários desdobramentos durante o jogo), Meyong surgia como jogador mais adiantado, enquanto Vandinho e Hugo Viana tinham a responsabilidade de pensar e organizar a estratégia minhota.

No Setúbal, o “temporário” Quim voltou a deixar boa impressão. Escolhido para substituir interinamente Carlos Azenha, que deixou os sadinos após as derrotas com o Benfica (8-1) e União de Leiria (4-0), Quim apresentou uma equipa bem organizada, que nunca mostrou medo de jogar de igual para igual frente ao Braga. A expulsão de Luís Carlos, ainda na primeira parte, acabaria, no entanto, por condicionar toda a estratégia do treinador do Setúbal.

A partida tem que ser dividida em duas partes bem distintas. Após um primeiro tempo morno e com poucas oportunidades para ambos os lados, onde o Setúbal chegou a controlar a partida e mostrar argumentos para conseguir um resultado positivo, os últimos 45 minutos foram de domínio do Braga, que aproveitou o facto de o adversário estar reduzido a 10 jogadores.

Com uma atitude bem distinta da apresentada no primeiro tempo, o Braga surgiu mais agressivo e rápido após o intervalo e, após várias oportunidades desperdiçadas, o golo acabou por surgir com naturalidade: aos 60’, após boa jogada de João Pereira e Mossoró na direita, Paulo César, solto na área, inaugurou o marcador sem dificuldades. Dois minutos depois, Kazmierczak ainda rematou à barra da baliza de Eduardo na cobrança de um livre, mas foi apenas um susto para os bracarenses. O mais difícil (primeiro golo) estava alcançado e, até final, o Braga limitou-se a gerir a vantagem que lhe permite continuar, mais uma jornada, como líder isolado da Liga. O golo de Hugo Viana, já no período de descontos, acabou por penalizar em demasia a exibição sadina.

Ficha de jogo
Sp. Braga, 2
V. Setúbal, 0

Estádio Axa, em Braga.

Assistência cerca de 10.000 espectadores

Sp. Braga Eduardo 6, João Pereira 7 (Filipe Oliveira 5, 64’), Moisés 6, André Leone 6, Evaldo 6, Vandinho 6, Hugo Viana 7, Mossoró 7, Alan 6, Paulo César 6 (Matheus -, 89’) e Meyong 5 (Adriano 5, 76’).
Treinador Domingos Paciência

V. Setúbal Nuno Santos 6, Zoro 5, André Pinto 5, Brigues 5 (Zarabi 4, 72’), Rúben Lima 6, Sandro 6, Djikiné 5, Luís Carlos 4, Kazmierczak 6, Hélder Barbosa 5 (Paulo Regula 4, 56’) e Keita 5 (Diouf -, 82’).
Treinador Quim

Árbitro Elmano Santos 6, da Madeira. 

Amarelos Sandro (12’), Luís Carlos (23’ e 35’) e João Pereira (34’).
Vermelho Luís Carlos (35’).

Golos 1-0, por Paulo César, aos 60’; 2-0, por Hugo Viana, aos 90+4’.

sábado, 3 de outubro de 2009

DO HOMEM À MESA

Estou convencido de que ainda não cheguei onde quero chegar em termos de criação, em termos de escrita. Já lá estive próximo, já toquei a divindade mas sinto que ainda me falta dar o pequeno (grande) passo. Ao ler Henry Miller, as cartas de Miller a Anais Nin, apercebo-me claramente disso. A coisa vem. A coisa há-de vir. Não há que forçá-la. Pode ser aqui, no "Piolho", na "Brasileira", em casa ou noutro sítio qualquer. A coisa há-de vir. Não preciso de estar com os copos para entrar em transe. Se calhar, nem preciso de ficar em transe. A verdade é que há dias em que me sinto sem forças, de garganta seca. A alma fica frágil, com poucas palavras. Hoje não. Hoje não bebi àlcool e sinto-me forte, rejuvenescido. A escrita, a criação, a leitura e o estudo de Henry Miller dão-me forças. Até o varrer vigoroso da empregada me dá forças. Não deixo de ser o homem à mesa. É isso que sou: o homem à mesa. Vivo disto: sou o homem à mesa. É esta a visão: o homem à mesa. Tal como nas minhas BD's dos 15 anos: o homem à mesa do "Café Central". À mesa ouço música, observo o mundo, escrevo. É isto que sou. Não tenho de ser outra coisa. Em 90% dos actos da minha vida sou o homem à mesa. Nasci para isto. Não há que ter vergonha. O homem à mesa.

O HOMEM À MESA


O homem à mesa
quer uma cerveja
para acabar
o poema
em beleza

o homem à mesa
não sai da mesa
está nas suas quintas
na sua fortaleza

o homem à mesa
quer sobremesa
o homem à mesa
mica o cu da gaja

o homem à mesa
é o artista
que cria o mundo
à sua imagem
e semelhança

o homem à mesa
não sai da mesa
nem que haja
um tremor de terra

o homem à mesa
vive, pensa e escreve
à mesa

o homem à mesa
sem a mesa
não é nada.


"Motina", 3.10.2009

sexta-feira, 2 de outubro de 2009


Hoje voltei ao trabalho remunerado. Pouco remunerado, diga-se. Confesso que me senti atrapalhado na ordenação e selecção de frases e citações. Mas é estranha esta sensação de trabalho feito, de dever cumprido. E, afinal, são só 20 ou 30 euros. Bem, o que mais importa neste momento é que a empregada da "Padeirinha" me está a bater e que o Benfica, para variar, está a perder. Parece que vamos voltar ao tempo de oferecer poemas às meninas. Mais tarde ou mais cedo. Vamos lá ver se este Super-Benfica do Jesus dá a volta ao texto. Mas, porra, a gaja bate mesmo. E ainda não falei nos olhos dela. Pertence ao "staff". Tem o "staff" nas costas e está sempre em movimento, contrariamente ao poeta. O Super-Benfica perdeu.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

ENTREVISTA A JOSÉ AZEVEDO NÓBREGA

A BUSCA INTERIOR E A CRISE DO AMOR

António Pedro Ribeiro/ Rui Sousa (foto)

"Viagem em Quarto Duplo" é o novo livro de poesia de José Azevedo Nóbrega, pseudónimo de Francisco Gonçalves. O "Quarto Duplo" é tanto "o quarto onde se vive, dorme, pensa, sonha e ama" como o quarto livro, que sucede a "Agueirinho" (Silêncio da Gaveta), "A Boca na Mão" e "A-Mei-o-Tempo" (Edições Apalavrados). José Azevedo Nóbrega é natural de Vila Real mas há 12 anos que vive na Póvoa. Para o autor, que lembra José Gomes Ferreira, a poesia "é o sussuro do insecto que também pode ser insurrecto". Daí que a natureza e a relação do homem com a natureza sejam uma temática recorrente dos seus livros. "É da dicotomia entre o sentir e o pensar que surge o poema", diz.
O poeta é também crítico do consumismo e das grandes superfícies. Daí revelar "muito mais interesse/ pelos traçados da alma/ que pelas vias rápidas/ do consumo vigente". "A situação social instaurada pelo novo economicismo leva muita gente à procura desses lugares (centros comerciais) em primeira instância muito antes de percorrer os seus próprios caminhos interiores", justifica. O que faz falta é a reflexão, a busca interior, o fogo interior. "É impossível viver sem fogo", diz.
O poema "Esperança Opaca" estabelece uma curiosa ligação entre certo tipo de mulher e a crise das bolsas. "Existem imensas mulheres que vivem à base da bolsa para consubstanciar a sua crise interior. Elas estão mais do lado materialista do que lado do amor. Em geral, a mulher é muito mais pragmática e materialista do que o homem". Daí a crise do amor: "o amor está em saldo. Compra-se em qualquer esquina. A veemência do amor profundo já poucos a vivem", justifica. José Azevedo Nóbrega evocou ainda o poeta e "diseur" Joaquim Castro Caldas, desaparecido há cerca de um ano e seu amigo e companheiro das noites de poesia do "Pinguim": "O Joaquim era uma anti-estrela porque sempre quis, apesar da notoriedade, estar do lado do desaparecimento. Era interventivo, não dava tréguas aos impostores, aos falsos e isso custou-lhe caro como aos verdadeiros poetas. Foi ostracizado, injustiçado pelos "media", mas como ele próprio diz nos seus poemas, talvez daqui a 20 anos os descendentes dos responsáveis por isso possam vir a apanhar com ele".

SAPATILHA CONTRA O FMI

Durante uma palestra numa universidade de Istambul
Estudante turco atira sapatilha contra director-geral do FMI

01.10.2009 - 13h56 Agências

Um estudante turco atirou esta manhã uma sapatilha contra Dominique Strauss-Kahn, director-geral do FMI, sem o atingir. O incidente muito semelhante ao que em Dezembro do ano passado visou o então Presidente americano, George W. Bush, durante uma visita a Bagdad.

O responsável francês terminava uma palestra numa universidade de Istambul, onde se encontra para as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, quando um jovem desceu a correr o auditório, gritando “FMI vai-te embora da Turquia”, relata a AFP. O estudante teve tempo para lançar uma das suas sapatilhas contra Strauss-Kahn, antes de ser dominado por vários agentes de segurança, que o levaram de imediato para o exterior.

A sapatilha aterrou a um metro do director-geral do FMI que, de microfone na mão, tentava manter o sorriso.

Segundo as televisões turcas, o jovem chama-se Selçuz Ozbek e é um estudante da universidade pública de Eskisehir, no noroeste do país.

O rapaz era acompanhado por uma dezena de estudantes filiados no Partido Comunista turco (TKP) que foram também levados para fora da sala quando tentaram desenrolar uma faixa com inscrições contra o FMI e o AKP, o partido islamista no poder. O Governo de Recep Erdogan está actualmente a negociar com a instituição internacional um novo empréstimo, semelhante ao que em 2005 permitiu ao país evitar o colapso do seu sistema financeiro, fragilizado por uma crise que se arrasta desde o início da década.

Já depois do final da sessão, a porta-voz de Strauss-Kahn garantiu que o dirigente até ironizou com o incidente, dizendo que “os estudantes foram pelo menos bem-educados ao esperar pelo final da sessão”.

Muntazer al-Zaidi, o jornalista iraquiano que atirou os dois sapatos contra o Presidente americano, foi libertado há duas semanas, depois de cumprir nove meses da pena de prisão a que foi condenado por ofensa a um chefe de Estado estrangeiro. Após a libertação, acusou as forças de segurança iraquianas de o terem torturado na prisão e exigiu um pedido de desculpas do Governo.

PCTP/MRPP

“ O PRESIDENTE DA REPÚBLICA DEVE DEMITIR-SE DE IMEDIATO ! ”

Na desastrosa comunicação de ontem ao país o Presidente da República reveloupela primeira vez o que pensa em privado. Ora, a verdade é que tal revelaçãoo que veio demonstrar foi uma grave ignorância do que é a cultura política edemocrática e do modo como ela impõe que o cargo seja exercido. E quem pensaassim em privado, não pode ser Presidente da República ! Antes de mais, o Presidente da República não poder ser fonte deinstabilidade política. E se, como se cansou de invocar, nunca falou deescutas, então deveria ter de imediato desautorizado a fonte de Belém quefalou de escutas ao Jornal Público. E a verdade é que nunca o fez, nem naaltura, nem ontem ! Depois, o Presidente da República pretende vir invocar perante o País queignoraria aquilo que o mais jovem dos utilizadores do Magalhães está fartode saber. Na verdade, basta saber ler jornais – coisa que não se sabe se oPresidente da República já faz … – para saber que até nos computadores doPentágono há permanentemente piratas informáticos a procurar entrar, mas quetal não significa que seja o Governo a fazê-lo. Esta aparente “virginalignorância” mostra também que Cavaco Silva não tem condições nem competênciapara exercer o cargo de Presidente da República. Acresce que a Casa Militar da Presidência da República tem meios para fazero varrimento de todos os sistemas de comunicação utilizados, e ninguémconsegue perceber porque é que o Presidente da República não o mandou antesfazer, nem o manda fazer agora todas as semanas. Por outro lado, ao formular as insinuações com que brindou o País,perguntando como é que dirigentes do PS saberiam dos passos dos elementos dasua Casa Civil, o Presidente da República está é afinal a confessar que taismembros deram mesmo esses passos. Mas, mais do que isso, o Presidente daRepública dá assim a conhecer publicamente que acha que os membros da suaCasa Civil podem fazer tudo, inclusive, colaborar na elaboração de programaspartidários, produzir uma pseudo-denúncia que é a fonte de todas asmanipulações e até fazer conversas como as que foram relatadas pelosJornais. Deste modo o Presidente da República não consegue esconder que quempretendeu manipular foi ele e a sua Casa Civil, e de que não há uma únicaprova de que qualquer outro Partido o tenha querido fazer ! E confessa semapelo nem agravo que, sendo ele que está por detrás de toda esta grosseiramistificação, tudo o que o faz falar agora é a fragorosa derrota que sofreuno passado Domingo – nas últimas eleições legislativas não foi, pois, o PSDque foi derrotado, foi o próprio Presidente da República ! Ora este tipo de conduta por parte do mais alto representante da RepúblicaPortuguesa ultrapassa todos os limites da tolerância e de decência que lhesão exigíveis. E se é certo que o nosso sistema constitucional não prevê, aoinvés do que sucede com outros, a possibilidade do afastamento do Presidenteda República, o certo é que, depois de tudo isto, o Povo Português tem opleno direito de exigir a Cavaco Silva que apresente ao País não apenastodas as explicações devidas como um pedido de desculpa, e ainda querenuncie de imediato ao cargo. A verdade é que já não explicou o seu negócio com acções na SLN. Como nãoexplicou por que é que manteve durante tanto tempo Dias Loureiro no Conselhode Estado. Como agora também não explicou como aparece a fabricar boatosmanipulatórios. E na situação difícil em que o País se encontra, éabsolutamente inaceitável que o Presidente da República se constitua comofonte de barafunda institucional – e por isso deve demitir-se! É, por fim, de assinalar o modo mais completamente equívoco com que osvários Partidos reagiram a este despautério presidencial, muito emparticular o PS, que não ousou denunciar a autoria das manipulações e mostrater esquecido que – tal como decerto em breve se verá – quempoupa o inimigo, em particular na altura em que este comete o seu maiorerro, às mãos lhe acabará por morrer !...

Lisboa, 30 de Setembro de 2009

O Comité Central do PCTP/MRPP