quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A MINHA VIDA

Ontem estive no Porto, no Piolho, e fartei-me de beber copos. Sem copos a vida ainda seria uma pasmaceira maior do que aquilo que já é. Fui ao Púcaros dizer umas merdas e ainda bebi mais uns copos. O meu desporto, o único que pratico é estar sentado à mesa com o copo à frente. Com ou sem companhia. De resto, seguindo a lógica do Paulo Portas, sou um inútil, um preguiçoso, um parasita. Que se foda o Paulo Portas! Não preciso que nenhum caramelo direitista me indique o caminho. Não preciso que nenhum caramelo direitista ou esquerdista me diga como devo conduzir a minha vida. A vida é minha e só minha! Faço dela o que quiser. Ninguém me tira o direito de passar a tarde ou a noite em frente ao copo ou pura e simplesmente a pensar, a ler ou a escrever. Não tenho de estar vigiado pelos Paulos Portas, pelos mexeriqueiros e boateiros desta vida. Esta é a minha vida. Ninguém tem o direito de se meter nela.
Vamos todos votar contra o Sócrates. E que a esquerda suba, MRPP inclusivé.

MÁFIA "SOCIALISTA"

Acusação vinda do socialista Aníbal Araújo
José Lello e António Braga acusados de negociar cargos em troca de financiamento partidário
24.09.2009 - 17h23
O dirigente do PS José Lello, e o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, são acusados de negociar cargos em troca de financiamento partidário com o empresário Licínio Santos envolvido na Máfia dos Bingos, adiantou hoje a TSF. A acusação partiu de Aníbal Araújo, outro membro do PS que foi cabeça-de-lista pelo círculo de Fora da Europa, nas legislativas de 2005.

Tanto Lello como Braga disseram em declarações à rádio desconhecer se o empresário financiou o PS. Mas Aníbal Araújo afirmou que os dois negociaram directamente com o empresário. O cabeça-de-lista tinha sido também financiado pelo mesmo empresário que foi detido após a Operação Furacão que desmantelou a Máfia dos Bingos.

Segundo a TSF o ex-cabeça-de-lista acusou José Lello de oferecer o consulado honorário em Cabo Frio, no Brasil, um lugar na administração da empresa de telecomunicações Vivo e o controlo da Águas de Portugal na cidade brasileira. O empresário chegou a estar detido no Brasil, actualmente está em liberdade a aguardar o seu julgamento.

A Máfia dos Bingos foi acusada de negociar sentenças judiciais e decisões políticas para beneficiar casas de bingo e de máquinas de jogos de azar.

www.publico.clix.pt

terça-feira, 22 de setembro de 2009

LIBERDADE

LIBERDADE



Tenho as minhas fragilidades

atrapalho-me com os gestos quotidianos

e com as tarefas domésticas

às vezes não sei onde colocar as mãos

ou como abrir a garrafa

fico muito tempo calado

não consigo dizer nada

mas, mesmo assim,

sei que só a liberdade

me interessa



Já tive grandes depressões

já tive medo das pessoas

já estive na mais completa merda

mas agora sei

que só a liberdade

me interessa



Às vezes dizem que sou egoísta,

narcisista

dizem também que sou louco,

alucinado, flipado

que faço coisas sem sentido

que vou atrás de Quixote

que tenho que descer à Terra

mas eu sei que só a liberdade

me interessa



às vezes parece que não se passa nada

na minha vida

que é a rotina de ir ao café

fazer sempre as mesmas coisas

mas depois há dias, noites,

em que vivo mil anos

porque sei que só a liberdade

me interessa



Outras vezes dizem que eu não vou

voltar a apaixonar-me

porque gosto sempre da mesma

dizem também que assim não vou lá

que sou um caso perdido

que não me adaptei ao sistema

porque sei que só a liberdade

me interessa



Dizem também que sou diferente dos outros

que vejo coisas que os outros não vêem

que sou capaz do melhor e do pior

às vezes até me tratam como se fosse uma estrela

mas eu sei que só a liberdade

me interessa.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

JERÓNIMO

Comício no Porto
Jerónimo diz que PS ganhou porque enganou portugueses com “papão da direita”
20.09.2009 - 19h46 Lusa
O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje no Porto que o PS tem sido eleito porque engana os portugueses com o “papão da direita”, alertando que a actual situação do país não permite “novos enganos”.

No comício da CDU no Palácio do Cristal, onde o secretário-geral do PCP disse estarem “cerca de 5.000 pessoas”, Jerónimo de Sousa afirmou que “não se combate a direita fazendo-lhe o frete de fazer a política que é dessa mesma direita”.

“Não venha agora o PS agitar o papão do PSD e da direita, para continuar a fazer o que a direita gostaria de fazer directamente”, afirmou Jerónimo de Sousa.

Para o líder comunista, “é em nome desse papão que o PS tem conseguido ganhar eleição após eleição e levar ao engano milhares de eleitores”, mas agora “o tempo e a situação do país não está para novos enganos”.

Se a direita cresce, diz o cabeça-de-lista da CDU em Lisboa, a culpa é do PS.

“A direita avança e ganha crédito sempre que o PS lhe abre portas, sempre que o PS rasgou as suas promessas de esquerda, sempre que o PS caçou votos em nome de um alegado perigo que rapidamente esqueceu”, sublinhou.

Numa intervenção de cerca de 25 minutos, Jerónimo de Sousa voltou a destacar parecenças entre PS e PSD: têm, sustentou, “a mesmíssima veneração perante o capital financeiro, a mesmíssima recusa de fazer pagar à banca os impostos que qualquer pequeno ou médio empresário se vê obrigado a pagar”.

Semelhanças que se estendem ao Código do Trabalho, à “injusta distribuição do rendimento nacional, na promoção de “financeirização da economia, em detrimento dos sectores produtivos”.

Ambos desenvolvem “manobras de ocultação e mistificação para fazer esquecer o seu passado”, disse, recordando o apelo do líder do CDS, Paulo Portas, para que os portugueses “não olhem para as políticas, mas para as pessoas”, porque “querem fazer das eleições uma espécie da concurso de beleza, esquecendo tudo o que são e o que fizeram”.

“E depois admiram-se do Berlusconi. Eu não digo que Paulo Portas seja tão jeitoso como aquelas candidatas que Berlusconi queria indicar, mas o sentido é o mesmo, como se isto fosse uma questão de candidatos mais ou menos simpáticos, mais ou menos bonitos”, ironizou.

PS, PSD e CDS “bem podem limpar as mãos à parede”, porque “fizeram coisas muito feias, quando levaram a que este país seja hoje mais injusto, mais desigual, mais dependente, mais endividado”.

sábado, 19 de setembro de 2009

O NOSSO VOTO

TERRORISMO POÉTICO



António Pedro Ribeiro



Não há maiorias absolutas e isso é bom. Agora só falta que a esquerda suba, MRPP inclusivé. Mantemos uma velha relação de amor com José Sócrates- até lhe dedicámos o livro "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro"- mas é-nos praticamente indiferente que ganhe Sócrates ou Ferreira Leite. Ambos são castradores e inimigos da vida. Defendemos a esquerda mas temos consciência de que estamos à esquerda da esquerda. Preconizamos o terrorismo poético como o de alguns camaradas de Braga que pegaram fogo à porta da Câmara e a duas dependências bancárias, sem intenção de roubar nada. Finalmente, um acto anti-capitalista, um acto anarquista. Se estivéssemos no poder encerrávamos imediatamente a bolsa e nacionalizávamos os bancos. Mas nós não estamos interessados no poder. Só estamos interessados na revolução.
O que importa é que não haja maiorias e que a esquerda suba, MRPP inclusivé.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

GARCIA PEREIRA

Legislativas

Garcia Pereira acusa Sócrates de “distrair” eleitorado com "questões fracturantes"

08.09.2009 - 08h52 Lusa

O líder do PCTP/MRPP, Garcia Pereira, defendeu que José Sócrates e Manuela Ferreira Leite são iguais "no essencial" e acusou o secretário-geral socialista de ser "um personagem profundamente neoliberal" que usa as "questões fracturantes" para "distrair" o eleitorado.

António Garcia Pereira considerou "uma evidência para qualquer cidadão minimamente crítico" que PS e PSD são idênticos "em todos os campos essenciais". "Evidentemente que depois há aquelas chamadas causas fracturantes, com base nas quais se procura distrair a atenção dos cidadãos e até permitir que um personagem profundamente neoliberal e profundamente defensor dos princípios da política neoliberal, como é José Sócrates, possa aparecer com uns laivos de esquerda", afirmou.

Neste sentido, Garcia Pereira considera que "no que diz respeito aos problemas essenciais do país, o programa de destruição da capacidade produtiva do país, de venda a retalho dos recursos do país, da aposta num modelo produtivo assente nos baixos salários e no trabalho pouco qualificado e com poucos ou nenhuns direitos", José Sócrates e Ferreira Leite "são exactamente iguais".

O líder do MRPP diz que é favorável, por exemplo, à legalização do casamento homossexual, mas que essa não é uma questão "essencial para resolver os problemas do país, como "criar economia". Favorável ao início imediato de grandes obras públicas como o TGV, a nova travessia do Tejo, o novo aeroporto e mais portos para "aproveitar" a extensa costa portuguesa, o advogado lisboeta considera no entanto que Portugal cometeu um "erro estratégico" ao apostar no transporte de mercadorias pela rodovia e não pela ferrovia, "mais barato, mais cómodo e não agressivo para o ambiente".

Confrontado com o facto de partidos à esquerda do PS, como o PCTP/MRPP, o Bloco de Esquerda e o PCP nunca terem chegado a um entendimento para se candidatarem juntos às eleições legislativas, Garcia Pereira respondeu que isso é "virtualmente impossível", porque "só é possível estabelecer uma aliança com princípios" entre partidos "se se conhecer esses princípios".

"É difícil fazer qualquer espécie de aliança com partidos que não tenham programa, que não tenham projecto, que não se saiba que tipo de sociedade é que defendem e como é que se chega lá, que é exactamente o caso do Bloco de Esquerda", criticou António Garcia Pereira. Para Garcia Pereira, "o primeiro e principal instrumento de defesa de que as ideologias já não têm hoje lugar e que tudo pode ser substituído por uma acção circustancial e sem um norte fundamental é o Bloco de Esquerda".

"O resultado é que foi o Bloco que na noite das eleições [legislativas de 2005], que puseram no poder José Sócrates, saudou vivamente essa eleição apresentando-a como uma vitória da esquerda. A única força política que disse que era uma vitória da direita e de um programa político de defesa dos grandes interesses financeiros foi o PCTP/MRPP", acrescentou.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

POESIA DE CHOQUE

Amanhã, dia 17, pelas 21,30 h há POESIA DE CHOQUE no Clube Literário do Porto com Luís Carvalho e António Pedro Ribeiro. Sempre a abrir.

sábado, 12 de setembro de 2009

PCTP/MRPP

PCTP/MRPP diz que Cavaco deveria "pensar melhor no que diz" antes de falar na campanha
12.09.2009 - 15h11 Lusa
O PCTP/MRPP afirmou hoje que o Presidente da República "devia pensar melhor no que diz" antes de falar sobre a campanha e contestou que apenas tenham acesso à palavra e aos debates os partidos com assento parlamentar.

Segundo o PCTP/MRPP, "se Cavaco Silva estivesse minimamente preocupado, o que devia ter feito era denunciar o completo e generalizado silenciamento das candidaturas extra-parlamentares e censura deliberada das correntes de opinião fora do arco do poder que, através delas, se apresentam ao eleitorado".

O Presidente da República, Cavaco Silva, disse sexta-feira esperar que durante a campanha eleitoral para as legislativas "haja elevação nos debates" entre os vários candidatos e apelou à contenção nas despesas, "porque o tempo é difícil, nesta campanha".

Para o PCTP/MRPP, Cavaco Silva "devia pensar melhor no que diz" antes de falar sobre as suas preocupações acerca da campanha eleitoral em curso.

"Só têm direito à palavra e acesso aos debates o partido do Presidente e os restantes partidos até agora com assento no Parlamento, e assim eleitos agora previamente pela comunicação social pública e privada, ao arrepio dos mais básicos princípios democráticos consagrados na Constituição e na lei ordinária", sustentam em comunicado.

O partido considera que esta conduta "põe irremediavelmente em causa a natureza democrática destas eleições".

DA CARLINHA-CARLA OM

... não às leis não às normas não aos reguladores sociais sou eu própria e quero bater com os pés na areia quente da jamaica !
Ir curtir sentir o meu passado dançar na rua não me submeto a verdades de ninguém ... autoridade pro estado quero que se fodam todos ! nem lhes admito (ya um discurso meio fascizóide poluem energias divinas e puras querem fazer a revolução com hipocrisia . amén ! ...) No watch tv there s a chip and it can blow up your mind in tweenty seconds ! no nore news are allowed (o mundo sem arte em tons de cinzento ´´´melhor o satanismo do que compactuar ...em espanha à boleia escrevi o carla la veritá ... era a minha informação num guardanapo gigante de um restaurante ! que nice !
We have been controled by sensuality the world is changing I can feel it light flowers in the air crawling I can see draws (colective draws! meine imaginarium !!! ,,,, ! exotic draws made by the feeling ... cést la criativité !!! ...


nota de autor
para quem curte fazer uma viagem mental cósmica ... hi pois .... espera se um boom explosivo ! ... saludos !
Carla aka une drole fille qui dance à la rue !

terça-feira, 8 de setembro de 2009

A PRIMEIRA VISÃO

Braga, 6 de Setembro de 1990. Um homem sai de casa, na rua Nova de Santa Cruz, com uma faca de plástico no bolso. Dirige-se à redacção do já extinto jornal "Minho", cujo director o tinha desafiado a escrever um texto crítico acerca do hipermercado "Feira Nova", que tinha deixado de pagar a publicidade ao jornal. O homem, então com 22 anos, vinha de um concerto com a banda "Ébrios" na discoteca "Função Pública" e tinha recebido uma proposta do seu amigo Jaime Lousa para entrar num filme onde se deslocaria ao "Feira Nova" para comprar um ovo. O homem, em vez de escrever o artigo, decidiu distribuir panfletos anti-consumistas e a favor dos pequenos comerciantes no "Feira Nova", tarefa em que foi auxiliado por elementos indicados pelo jornal "Minho". Durante a tarde, começaram a correr pela cidade boatos, veículados pela comunicação social local, de que o Che Guevara tinha mandado fechar o "Feira Nova". O homem ia na rua e sentia que as pessoas o olhavam. Duas beatas largaram as compras e começaram a gritar apavoradas "é o Che! É o Che!", velhotes faziam-lhe continência na avenida, operários largavam as obras à sua passagem. O homem começou a convencer-se de que era mesmo o Che Guevara. Dirigiu-se à "Brasileira", onde começou a dar vivas à revolução. O homem estava convencido de que estava a fazer a revolução. E esta foi a primeira visão.

LEOPOLDO

Há dias, na Póvoa, no "Berlim", um desconhecido sentou-se à minha mesa. Começou por dizer que sempre que via alguém sozinho tinha esse hábito de se sentar à mesa das pessoas. Contou-me que tinha sido pescador e que tinha deixado de o ser por causa de problemas psicológicos. Chamava-se Leopoldo. Depois falámos do mundo que não presta e que já terá sido melhor, das pessoas que têm medo umas das outras, da amizade que está em crise. Falámos também das doenças psiquiátricas e de como as pessoas que delas sofrem são estigmatizadas pela sociedade. Depois apertamos as mãos despedimo-nos. Há já algum tempo que não me aconteciam coisas destas.

domingo, 6 de setembro de 2009

POEMA À GAJA DA MESA DO FUNDO


POEMA À GAJA DA MESA DO FUNDO

Está-me a bater aquela gaja da mesa do fundo
Estás-me a bater, gaja da mesa do fundo!
Olha! Vais lá para fora,
Que pena!
Agora que te ia oferecer o poema
Sabes que às vezes escrevo umas coisas fora do comum
Sabes que às vezes escrevo o que ninguém espera
Mas, olha, paciência
Já estou a olhar para outra
Sabes que me deixei de apaixonar facilmente
Por isso é-me difícil mudar de gaja
Mesmo que esteja sozinho
Vou tendo uma gaja
Sabes, assim para as emergências
A verdade, gaja,
É que fiquei vidrado em ti
Aquelas paixões que vêm de vez em quando
Ah! Afinal ainda sou capaz de me apaixonar
Estás-me a bater, gaja que já não estás
Na mesa do fundo
E venha a cerveja, ó Adriano!
Que isto de criar não é para todos
O poeta está com sede
O mundo assim não avança.


“Piolho”, 19.8.2009

DOIDO

DOIDO

Para a Cláudia

Sou doido. Só posso ser doido. Vou disfarçando em sociedade mas a verdade é que sou completamente doido. Sou como o Jim. Já tive momentos públicos de loucura e vou voltar a ter. No fundo, até gosto. Este personagem atinadinho faz-me bocejar de tédio. Sou doido. Só posso ser doido. Eu gosto é mesmo da festa, da celebração, do animal de palco. É aí que eu acredito no amor, na vida, na vibração. Sou doido, completamente doido, fora da tua realidade, minha rica. Só estou bem quando me liberto. Quando me fecho sou um chato. Só doido me sinto bem. Não há aqui manias. A mania é a loucura. Não tem outro nome. Olha, vou escrever tudo o que me vier à cabeça. Tudo? Pronto, quase tudo. As gajas agora vêm em grupos de gajas ao “Piolho”. Se eu estivesse em estado de loucura metia logo conversa com elas. Ainda não estou. Dizes que estou a 20 quilos de ter as gajas todas na mão. Se fosse assim valia a pena o esforço. Mesmo assim há umas bêbadas que se fazem e outras doidas na net, para além das “porno-stars”. Mas acredita que eu sou essencialmente doido como o Jim. Vou disfarçando, é o que é. Se estivesse em estado de mania desatava aos berros aqui no “Piolho”. Só uma ténue fronteira me impede de fazê-lo neste momento. Bem, pelo menos, fazes-me escrever. Poucas o fazem. Já te podes sentir satisfeita, triunfal até. Só falta uma gaja dirigir-se a mim agora: “o senhor está a escrever sobre nós, o senhor alimenta-se das nossas conversas”. O senhor é doido, minha rica. O senhor está-se a cagar para as vossas conversas. As vossas conversas não são mais do que a matéria-prima do poeta. Estamos na fábrica. Continuamos na fábrica. Só a minha loucura é real. Tudo o resto são criações minhas. És uma criação minha, minha rica! A merda da cerveja está a acabar. Essa é a minha realidade. Esse é o único problema real que tenho. Que se fodam as gajas! Não passam de um monte de mamas e de cu e de cabelos e de cona que crio na minha cabeça. Não sei para que é lhes damos tanta importância. O que importa é a cerveja e o papel, a tinta, a caneta e a minha loucura. Isso é que importa. Bem sei que estou a ser cruel com as gajas. 21:39. Tem piada que as gajas agora vêm sozinhas, isto é, sem gajos, ao “Piolho”. Isto hoje está mesmo a render. Vivam as gajas! Afinal sempre servem para alguma coisa. Mas confesso que, neste momento, preciso mais de cerveja do que de gajas. Traz mais uma, ó Adriano! Uma cerveja e uma gaja, duas gajas, até podem ser aquelas lá do fundo. Porra, isto é que é estar inspirado. Isto é que é escrever. Isto é a santa loucura, António. Nunca fui tão longe. E agora só vejo gajas, só vejo gajas à minha frente. Algumas são feias, claro, essas que se fodam. E é assim. Mesmo sem falar com ninguém há mais de uma hora um gajo diverte-se. E chegam mais gajas. Isto hoje é sempre a abrir. Um gajo até se perde.