sábado, 15 de agosto de 2009
O ÚNICO POETA

Sou o único poeta
que escreve nos cafés
e nas esplanadas
não vejo mais nenhum
vejo sim gajos com altos carros
com a conta recheada
gajos que subiram na vida
mas há dias
em que isso nada me diz
há dias em que estou
para além disso
nem sequer me apetece
ser realista
já há realistas que cheguem
porra!
Não tenho que ser como os outros
não tenho que ser como a maioria dos outros
não tenho que escrever o que os outros escrevem
não tenho que dizer o que os outros dizem
nem tenho de andar atrás deles
nem tenho de tomar "speeds"
como os gajos e as gajas da tarde
na televisão
nem tenho de ser simpático
com toda a gente
nem tenho de ser amigo
de toda a gente
nem tenho de dizer
poemas alegres
nem tenho de estar sempre alegre
há dias em que só me sinto alegre
depois de beber umas tantas
mesmo que esteja sozinho
e é sozinho que estou agora
uma vez mais
não é por isso que me sinto mal
habituei-me a estar sozinho
mesmo que seja Agosto
e que a Gotucha
já tenha chegado
sim, Carlos,
escrevemos sobre nós próprios
estamos sempre
a escrever sobre nós próprios
nada há a fazer
desenvolvemos este estilo
é claro que também
nos referimos aos outros
à televisão omnipresente
às riquezas
ao cacau
mas estamos sempre
a falar de nós próprios
num monólogo sem fim
é isto a vida
é isto a escrita
é isto o que sobra
de um dia de tédio.
PUTAS E ROCK N' ROLL

Escrevo, merda,
escrevo
e há quem ache graça
a Gotucha na Madeira
parece que vem hoje
e eu aqui
a aguentar a noite
a puta na mesa da frente
não dá uma da graça
sei lá se é puta
se calhar é uma respeitável senhora
uma aristocrata
não tenho dinheiro
não tenho mais nada
resta-me a Gotucha
as outras não têm pedalada
ou, se calhar, sou eu que não tenho
a meio da noitada
dizem que tenho
a letra bonita
mas de nada me adianta
é só mais um bar
na puta da minha vida
já estive muitas vezes
até ser dia
pouco me importa
as coisas rolam
e as putas lá fora
mamas à mostra
shorts
mini-saia
e eu sem nada
só me resta
o cacau para o metro.
O APOIO A ANDREA PENICHE
O APOIO A ANDREA PENICHE
António Pedro Ribeiro
Fez bem o Bloco de Esquerda em escolher a minha amiga Andrea Peniche como candidata à Câmara da Póvoa de Varzim. Já nos conhecemos desde as lutas estudantis na Faculdade de Letras do Porto e do PSR. A Andrea garante honestidade e combatividade contra o autismo e a arrogância de Macedo Vieira. A Andrea Peniche seguiu sempre a linha oficial do partido enquanto que nós nos fomos afastando- ainda fomos candidatos à Junta de Freguesia da Póvoa em 2005- por considerarmos que o Bloco abandonou as perspectivas revolucionárias de transformação da sociedade que estiveram na base da sua formação
e que vinham da UDP e do PSR e também por considerarmos que o Bloco, por vezes, se torna numa espécie de partido da ética, de paladino de uma virtude quase franciscana. Estas críticas, porém, não nos impedem de apoiar a candidatura de Andrea Peniche por ser, ainda assim, aquela que, a nível local, mais se aproxima das nossas ideias.
António Pedro Ribeiro
Fez bem o Bloco de Esquerda em escolher a minha amiga Andrea Peniche como candidata à Câmara da Póvoa de Varzim. Já nos conhecemos desde as lutas estudantis na Faculdade de Letras do Porto e do PSR. A Andrea garante honestidade e combatividade contra o autismo e a arrogância de Macedo Vieira. A Andrea Peniche seguiu sempre a linha oficial do partido enquanto que nós nos fomos afastando- ainda fomos candidatos à Junta de Freguesia da Póvoa em 2005- por considerarmos que o Bloco abandonou as perspectivas revolucionárias de transformação da sociedade que estiveram na base da sua formação
e que vinham da UDP e do PSR e também por considerarmos que o Bloco, por vezes, se torna numa espécie de partido da ética, de paladino de uma virtude quase franciscana. Estas críticas, porém, não nos impedem de apoiar a candidatura de Andrea Peniche por ser, ainda assim, aquela que, a nível local, mais se aproxima das nossas ideias.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
BIG BEN

Volto ao "Big Ben"
e olho
observo
a puta que come
não é mais do que eu
nem menos
come
já aqui escrevi poemas brilhantes
espero pelo metro
já bebi o suficiente hoje
cerveja e vinho
o empregado confirma
a aniversariante
foi para casa
os amigos foram
aos bares da moda
e eu permaneço aqui
depois de ter ido ao "77"
a camisola branca
salpicada de vinho
as putas que chegam
noite feita
sangue do poeta
o cu que chama
há gajos que acham graça
à minha poesia
outros que permanecem sérios
à segunda rodada
sou o poeta que escreve
à mesa
ninguém mais o faz
nem o Prémio Nobel
nem o gajo do lado
escrevo poemas, sabes,
escrevo poemas
já não sou quem era
e há gajos que se armam
em vedetas
já não tenho mais dinheiro
mas já não posso
beber mais
ainda rebento
até ando de garrafola
pelas ruas
faço o que quero
só te quero a ti
que vens ter comigo
a meio da noitada
que até vens dizer
que és boa
e que me agradas
ninguém liga
ao poeta
nem sequer o gajo
que bate palmas
o que importa
é satisfazer o instinto
andar noite fora.
O editor da "Livro do Dia" já não me publica. Tenho de procurar outra editora. Estou certo de que os textos que tenho para publicar são dos melhores que escrevi até hoje. E as gajas agora já me chamam ou vêm ter comigo. Estou certo de que arranjarei editora. Nestes últimos três meses tenho escrito como nunca. De alguma forma mereço ser recompensado por isso.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
O POEMA INÉDITO
O POEMA INÉDITO
Eis o poema inédito!
Olhai para mim
como sou belo, branco e virgem
olhai para mim
todos me admiram
olhai para mim
sou o poema inédito
os homens pasmam
as mulheres sorriem
olhai para mim
sou o poema inédito
acabo de ver
a luz do dia
olhai sou um deus
sou sublime
sou o mais belo
sou o mais rico
sou o poema inédito
(...e assim
se foi o poema inédito...)
FOGO E PAZ
FOGO E PAZ (CANÇÃO)
FOGO E PAZ
Para Calypso
Fogo e paz
é o que me dás
beijos no parque
sem hora
tarde fora
preso a ti
volúpias tantas
fogo e paz
é o que me dás
e eu fico fora
preso a ti
ardo por dentro
possessos no beijo
na embriaguez
do instante eterno
terno inferno
fogo e paz
é o que me dás
e eu fico aqui
preso a ti
passo a fronteira
doce bebedeira
fogo nos lábios
mãos que tocam
o fruto
fogo e paz
é o que me dás
e eu vou ao fundo
descubro o mundo
depois a conversa
do homem em guerra
do homem em trapos
fogo e paz
força que me dás
fogo e paz
é o que me dás
e eu fico em silêncio
renascido para o mundo
poeta narciso
a olhar o paraíso.
FOGO E PAZ
Para Calypso
Fogo e paz
é o que me dás
beijos no parque
sem hora
tarde fora
preso a ti
volúpias tantas
fogo e paz
é o que me dás
e eu fico fora
preso a ti
ardo por dentro
possessos no beijo
na embriaguez
do instante eterno
terno inferno
fogo e paz
é o que me dás
e eu fico aqui
preso a ti
passo a fronteira
doce bebedeira
fogo nos lábios
mãos que tocam
o fruto
fogo e paz
é o que me dás
e eu vou ao fundo
descubro o mundo
depois a conversa
do homem em guerra
do homem em trapos
fogo e paz
força que me dás
fogo e paz
é o que me dás
e eu fico em silêncio
renascido para o mundo
poeta narciso
a olhar o paraíso.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
PAIXÃO
BEBO E TENHO CACAU

Bebo e tenho cacau
já andei pelos outros tascos
mas sinto-me melhor
aqui na "Cristina"
as empregadas são simpáticas
e servem-me cervejas
estou contente hoje
mas o mundo aqui
continua chato
aqui ao lado
tenho uma gaja boa
mas que se saiba
não está interessada
no poeta
só falta a D. Rosa
se chegar
faço-lhe uma festa
nos outros tascos
havia uns gajos
a jogar á sueca
e a mesma pasmaceira
de sempre
nem parece que ontem
estava em Paredes de Coura
o que vale é que um gajo
vai bebendo
quero uma namorada boazona
como a Gotucha!
Quero a gaja do lado
mas a gaja não me liga
peço mais uma cerveja
a ver se a gaja me cai nos braços
não dizem que sou o poeta das gajas?
O poeta das gajas, isso queria eu
e pronto, lá se vai a gaja
e as mamas
e o cu
e a cara
não é esta que me cai nos braços
se, ao menos, soubesse
que eu estou a escrever sobre ela
bem, ao menos,
há gajas que me fazem escrever
escreve-se
e vai-se vivendo
escreve-se
e o mundo vem ter connosco
e está a fazer um ano
que o Joaquim Castro Caldas partiu
eis um gajo que eu admirava
e que continuo a admirar
uma mais, à tua saúde,
Joaquim!
E que se fodam o dinheiro, o mercado
e as conveniências
e nunca mais vem a D. Rosa
bebo e tenho cacau
por enquanto
lá se vai estoirando
uma a uma
e o sol lá fora
sinto-me em cima
apesar dos críticos negativos
dos Soares deste mundo
viver o dia
gozá-lo ao máximo
tirar dele o máximo partido
ser uma estrela
sim, uma espécie de estrela
que me perdoes, ó Artur!
Sinto-me outra vez uma estrela
e escrevo
escrevo como um cão
animal que escreve
animal nascido para a escrita
animal que quer a menina
animal que escreve o poema
sou aquele que renasce
aquele que morde a palavra
e sobe ao palco
aquele que precisa de aulas de canto
aquele que bebe
e não pára de beber
e impressiona as empregadas
que varrem
escrevo
e vou para o palco
eis a minha vida
escrevo
vou para o palco
e bebo cervejas
melhor ainda
tenho de ser senhor
assim sempre
como agora
até posso oferecer
poemas às meninas
mas não este
aqueles com mais flores
aqueles coloridos
ontem houve um fã de Joane
que disse que eu tratava mal
as mulheres nos poemas
às vezes trato
admito
mas não é por mal
é para as provocar
também tenho as minhas feridas.
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