domingo, 15 de fevereiro de 2009
Começo a ter dificuldades em escrever. Eis um sintoma da depressão. Há uns tempos, a esta hora, a caneta fluia sem parar. O que é certo é que no último ano me habituei a escrever para afastar a depressão. A Cláudia fez uma crítica excelente ao "À Mesa do Homem Só. Estórias". Tenho-o negligenciado mas é um dos meus melhores livros, senão até o melhor. Aqueles versos dos anos 80 e 90 deixaram uma marca. OUço música. O sol lá fora. A vida não é bela. E eu tenho dificuldades em escrever.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
MULHER QUE GINGAS
CHEGA O FINO E CHEGA A VIDA

CHega o fino
e chega a vida
mal chega o àlcool
começo a escrever
é a minha sina
não fui feito para os negócios
nem para percentagens
às vezes tenho visões
mas sou muito agarrado à terra
gosto de saborear a cerveja
de a sentir nos lábios
como a uma mulher
às vezes um gajo vai abaixo
mas depois tem de se levantar
senão a coisa estoira
e acabamos internados
chega o fino
e chega a vida
cá estou eu no "Piolho"
a olhar para a gaja defronte
bebe vinho e fala
não se cala
tem estilo
é bonita
faz-lhe falta um artista como eu
como eu, claro, nos melhores dias
não é a cair por aí aos bocados
como às vezes estou
afinal de contas, todos deveríamos
comer e beber de borla
esta merda do dinheiro é que fode tudo
Chega o fino
e chega a vida
vai chegando a vida por aqui
umas noites de poesia aqui
umas bebedeiras ali
desde que o fígado não doa
a coisa vai andando
chegou a comida para as gajas
eu, cá por mim, alimento-me de cerveja
e já não está mal
peço outra
o empregado não ouve
o café está quase cheio
finalmente ouviu
vamos ver o que sai desta pena
além do futebol habitual na televisão
cá está a loirinha
sempre fiel
vem ter comigo
não tem preconceitos como as outras
dá-me de beber
dança comigo
preenche o poema
sou o doutor
para o gajo da rua
enquanto a coisa durar
enquanto o poeta cantar
chega o fino
e chega a vida
a tinta derramada
a escrita no papel
o grupo ao lado
que incomoda
mas mesmo assim
ela vem
de negro e cinzento
de vermelho e azul
o poema arde
rumo ao sul
eu hei-de contar-te
a minha vida
como cheguei até aqui
a minha saída
nasci com uma estrela
que alumia de vez em quando
vou até ao fim
ardo no canto
se tu queres saber
já pouco me importa
a não ser a cerveja
e um trago de vodka
o que sei eu?
Não vou transmtir
sou o enigma
a história que rebenta
o homem em guerra
mesmo que sozinho
mesmo que parado
o homem respira
vai à luta
até ao último copo.
Chega o fino
e chega a vida
e a gaja come a batata frita
sou esse homem
que vai aos cafés
beber cerveja
a gaja é bela
mas os gajos do lado irritam
com a conversa
não me deixam escrever
deixam-me na merda
que grande história
me saiu esta.
Porto, Piolho, 11.2.2009
CHORADINHO
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
POESIA DE CHOQUE
A segunda sessão de POESIA DE CHOQUE- POESIA PROVOCATÓRIA tem lugar amanhã, sexta, dia 13, pelas 21,30 horas, no Clube Literário do Porto. A organização é de António Pedro Ribeiro e de Luís Carvalho e as performances são de António Pedro Ribeiro, Luís Carvalho e Henrique Monteiro (guitarra). Poemas de Charles Bukowski, Nietzsche, Charles Baudelaire, A. Pedro Ribeiro, Mário de Sá-Carneiro, Lou Reed, Jim Morrison, Antonin Artaud, Henri Michaux, Levi Condinho, José Mário Branco, Almada Negreiros, Mário Cesariny, Álvaro de CAmpos, Luís Carvalho, entre outros.
ISTO DE VIR PARA A CONFEITARIA
Isto de vir para a confeitaria
escrever poesia
isto de vir para a confeitaria
passar as tardes de domingo
é uma forma de combater o tédio
o tédio que está por todo o lado
o tédio que não me larga
o tédio que vai dando cabo de mim
isto de vir para a confeitaria
escrever poesia
é uma forma de exercitar a criação
de criar a partir do nada
de sair daqui em triunfo
alegre a cantar na rua
mesmo sem estar bêbado
isto de vir para a confeitaria
escrever poesia
é uma espécie de enigma
nem eu sei explicar porquê
em casa não consigo escrever
aqui sou o poeta
o poeta que é tratado com delicadeza
o poeta com a sua grandeza
o poeta que não vai abaixo
isto de vir para a confeitaria
escrever poesia
tem muito que se lhe diga.
escrever poesia
isto de vir para a confeitaria
passar as tardes de domingo
é uma forma de combater o tédio
o tédio que está por todo o lado
o tédio que não me larga
o tédio que vai dando cabo de mim
isto de vir para a confeitaria
escrever poesia
é uma forma de exercitar a criação
de criar a partir do nada
de sair daqui em triunfo
alegre a cantar na rua
mesmo sem estar bêbado
isto de vir para a confeitaria
escrever poesia
é uma espécie de enigma
nem eu sei explicar porquê
em casa não consigo escrever
aqui sou o poeta
o poeta que é tratado com delicadeza
o poeta com a sua grandeza
o poeta que não vai abaixo
isto de vir para a confeitaria
escrever poesia
tem muito que se lhe diga.
UMA VIDA
E depois lá vem a cerveja
fruto do livro que vendi no "Púcaros"
ontem em Ermesinde bebi
uma data delas e whisky
assim a poesia vale a pena
e há quem se lembre de nós
e leve os nossos livros para autografar
adquirimos uma certa fama
descendemos de deuses e poetas
o fígado é que deve estar bem fodido
não devemos aguentar muitos mais anos
olha o Jaime, olha o Joaquim
o Amaral diz que estamos a escrever
cada vez melhor
mas há pouca gente a topar isso
lá vai aparecendo um gajo novo
a comentar o blog
lá temos um livro novo
"Queimai o Dinheiro!"
era bom que o dinheiro
dos capitalistas ardessse
era bom que os capitalistas ardessem
era bom que tivesse à disposição
as cervejas de ontem
há sempre uma malta solidária
que não está agarrada ao cacau
se fosse sempre assim
valeria mesmo a pena estar por aqui
a cerveja faz-me produzir
liberta-me a veia
pronto! Ouço o primeiro-ministro
e lá se vai a inspiração
ouço o primeiro-ministro
e fico logo irritado
mas pronto, volta a rotina da "Motina"
e as músicas da RFM
queria tanto uma menina para conversar
para contar a vida
os meus projectos
as minhas ideias
queria tanto uma menina
para dar as mãos
e beijar
queria tanto uma menina
que me entendesse
queria tanto uma menina
que me pusesse em cima
queria tanto uma menina
para que a vida não fosse tão chata
queria tanto uma menina
aqui na confeitaria
já sei que vou ter uma noite
sem motivos de interesse
estou certo, com os situacionistas,
que vivemos uma não-vida
uma vida de representações
de mediaçoes
estou certo que não quero
fazer parte do espectáculo
estou certo que amo
uma vida autêntica, plena,
criadora
à Nietzsche
uma vida sem religiões
nem falsos ídolos
com o profeta Zaratustra
uma vida que não pode estar no além
uma vida que existe no meu espírito
uma vida que não vem no Telejornal
uma vida sem comité central
uma vida livre
uma vida que corra nas veias
uma vida, para muitos, maldita
uma vida para vos espetar na cara
uma vida sem máscara
uma vida sem preconceitos
sem direcções definidas
uma vida que está ao meu alcance
uma vida que seja um experimento permanente
uma vida que traga a luz...
fruto do livro que vendi no "Púcaros"
ontem em Ermesinde bebi
uma data delas e whisky
assim a poesia vale a pena
e há quem se lembre de nós
e leve os nossos livros para autografar
adquirimos uma certa fama
descendemos de deuses e poetas
o fígado é que deve estar bem fodido
não devemos aguentar muitos mais anos
olha o Jaime, olha o Joaquim
o Amaral diz que estamos a escrever
cada vez melhor
mas há pouca gente a topar isso
lá vai aparecendo um gajo novo
a comentar o blog
lá temos um livro novo
"Queimai o Dinheiro!"
era bom que o dinheiro
dos capitalistas ardessse
era bom que os capitalistas ardessem
era bom que tivesse à disposição
as cervejas de ontem
há sempre uma malta solidária
que não está agarrada ao cacau
se fosse sempre assim
valeria mesmo a pena estar por aqui
a cerveja faz-me produzir
liberta-me a veia
pronto! Ouço o primeiro-ministro
e lá se vai a inspiração
ouço o primeiro-ministro
e fico logo irritado
mas pronto, volta a rotina da "Motina"
e as músicas da RFM
queria tanto uma menina para conversar
para contar a vida
os meus projectos
as minhas ideias
queria tanto uma menina
para dar as mãos
e beijar
queria tanto uma menina
que me entendesse
queria tanto uma menina
que me pusesse em cima
queria tanto uma menina
para que a vida não fosse tão chata
queria tanto uma menina
aqui na confeitaria
já sei que vou ter uma noite
sem motivos de interesse
estou certo, com os situacionistas,
que vivemos uma não-vida
uma vida de representações
de mediaçoes
estou certo que não quero
fazer parte do espectáculo
estou certo que amo
uma vida autêntica, plena,
criadora
à Nietzsche
uma vida sem religiões
nem falsos ídolos
com o profeta Zaratustra
uma vida que não pode estar no além
uma vida que existe no meu espírito
uma vida que não vem no Telejornal
uma vida sem comité central
uma vida livre
uma vida que corra nas veias
uma vida, para muitos, maldita
uma vida para vos espetar na cara
uma vida sem máscara
uma vida sem preconceitos
sem direcções definidas
uma vida que está ao meu alcance
uma vida que seja um experimento permanente
uma vida que traga a luz...
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
A VIDA

E lá volto eu à confeitaria
à falta de melhor
é aqui que me sinto bem
é aqui que crio
é aqui que leio
é aqui que observo
faz-me falta a Gotucha
mas paciência
a menina está longe
nada há a fazer
até pareço um cidadão respeitável
com os impostos em dia
um intelectual que vem à confeitaria
satisfazer os seus caprichos criativos
porque é que a vida depende tanto
do dinheiro?
POrque é que andamos sempre
agarrados ao cacau?
POrque é que nos tornamos mercadorias?
Onde está o algo mais?
Onde está a vida para lá da vidinha?
Já estive a rever as provas de "Queimai o Dinheiro!". O Ricardo e a Adriana têm feito um óptimo trabalho. Não tenho qualquer razão de queixa. Só é pena que a editora não tenha maior projecção. Mas, enfim, mais um livro. ERa importante que este livro saísse este ano por causa do contexto de crise. É a economia, o mundo dos índices e das percentagens que está em causa. POde ser que os "media" peguem. Tal como o JN pegou em mim enquanto poeta de intervenção lá para Outubro. Entretanto lá vou participando nas sessões de poesia. UMas vezes com mais êxito, outras com menos. Mas há sempre uns poemas que se destacam.
O PACHECO A BEBER VINHO

O Pacheco a beber vinho
na capa do livro
apetece-me outro café
peço à Maria
que fala com o Manel
o café queima
mas sabe bem
tenho cinco minutos
para escrever umas linhas
as mulheres riem
viva a boa disposição!
A confeitaria está prestes a fechar
a música continua romântica
para variar, não chove
e a Carlinha está longe
e a Gotucha está longe
e a Claudinha está longe
a Maria varre
e eu sou o escriba
como o Pacheco
e eu sou teso
como o Pacheco
nasci desadaptado à vidinha
nada há a fazer
nem cursos
nem empregos
se, ao menos, me pagassem
os escritos...
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
CONFEITARIA

Tomo café
e apetece-me comer bolos
afinal de contas,
estamos numa confeitaria
a D. Rosa sentada a um canto
com ar infeliz
a Maria corta o fiambre
e eu, que me levantei há pouco,
atento ao que se passa
lá fora chove a valer
cá dentro, não
era o que faltava
chover dentro da confeitaria
diga lá, D. Rosa
parece que vai adormecer
a vida pesa
a vida leva muitas voltas
mas voltamos sempre ao mesmo ponto
é o eterno retorno
e eu continuo a ler o Pacheco
"Exercícios de Estilo"
e identifico-me com a prosa
é pena que o Lousa também
já tenha partido
teríamos agora uma bela conversa
sob as arcadas de Braga
qualquer dia também vou eu
ao menos, deixo obra
até podem ir ao blog buscá-la
isto já não é como antigamente
andar para aí com as folhas
em busca do editor
agora é tudo pela net
pelo computador
salvo raras excepções
como a & etc.
CARLINHA

Apetece-me ir visitar a Carlinha a Amarante. Atravessar a ponte rumo ao parque florestal enquanto ela fuma charros. Apetece-me mesmo ir a Amarante visitar a Carlinha. Contar-lhe histórias, dar-lhe abraços, beber vinho. Apetece-me mesmo visitar a Carlinha a Amarante. E não me apetece pensar no desemprego que anda atrás de toda a gente. Até o Reinaldo cumprimentou efusivamente o Sócrates. Até o Reinaldo se converteu. É segunda-feira e nada há para fazer.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
A GAJA QUE FALTA

Bebo uma cerveja
e sinto-me um pouco melhor
continuo sem trabalho
a não ser este de escrever
de escrever a vida que rola
e a senhora do café
que me trata por jovem
ainda não envelheci
apesar dos cabelos brancos
ainda há quem me admire
e me julgue um artista a valer
que está para lá da vidinha
e dos meganegócios dos mega-aldrabões
sinto-me bem na minha pele
apesar de tudo
a cerveja dá-me forças
que se foda o trabalho!
Prefiro continuar a escrever
não tenho filhos para sustentar
como o Pacheco
só me falta uma gaja...
ORFEUZINHO

Não escrevo poesia tradicional
apesar de ter os meus cantos
e as minhas musas
o "Orfeuzinho" não tem relógio
e eu vejo-me à nora para saber as horas
esta coisa de vir para o café
escrever poesia
ainda causa estranheza aos empregados
e aos outros clientes
ainda não é coisa habitual
ser-se poeta de café
e ainda bem
se toda a gente começasse
a escrever poesia no café
onde iria isto parar?
A. Pedro Ribeiro, Porto, "Orfeuzinho", 2.2.2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
A REVOLUÇÃO

A revolução urge. A revolução é a tábua de salvação. A revolução sou eu. A revolução escreve à mesa da confeitaria. A revolução observa o casal que lê. A revolução escuta a conversa ao balcão. A revolução lê o Pacheco com todo o gosto. A revolução pensa na revolução. A revolução vai mijar. A revolução não fala com os seus conterrâneos. A revolução está a dever 10 cêntimos. A revolução espera pela gaja. A revolução espera pela revolução. A revolução escreve. A revolução olha. A revolução cagou nas calças. A revolução olha para os bom-bons. A revolução come pão. A revolução bebe champanhe. A revolução comemora. A revolução observa a namorada que lê os anúncios. A revolução come pizza. A revolução varre o chão. A revolução ouve o relato. A revolução ganha taças. A revolução tosse. A revolução pousa a chávena. A revolução dá trocos. A revolução dá as boas tardes. A revolução ri. A revolução mija na bandeira nacional. A revolução bebe whisky. A revolução vai à manifestação. A revolução fica na cama até às quatro. A revolução come batatas. A revolução urge. A revolução é imprescindível. A revolução está na "Motina". A revolução aguarda pelos companheiros. A revolução come torrada. A revolução anda à porrada. A revolução é uma grande trapalhada. A revolução pode ser armada. A revolução pode ser amada. A revolução rebenta. A revolução come gelados. A revolução comenta as notícias. A revolução cumprimenta a D. Rosa. A revolução é poesia mas também pode ser prosa. A revolução ama a revolução. A revolução dá traques. A revolução tem truques. A revolução vem quando menos se espera. A revolução é uma pega. A revolução fuma. A revolução canta. A revolução dança. A revolução é dionisíaca. A revolução é paradisíaca. A revolução é uma orgia. A revolução vigia. A revolução vela por nós. A revolução mete-se no pó. A revolução gosta do Tó. A revolução olha as empregadas amarelas. A revolução não tem fim. A revolução ressona. A revolução toma café. A revolução é o que é. A revolução precisa do Zé. A revolução está sentada. A revolução não se levanta. A revolução não lê a página dos mortos. A revolução vai-os apanhar como tordos. A revolução vai sair. A revolução vai-se vir. A revolução está feliz. A revolução não caça a codorniz. A revolução tem muitos amigos.
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