quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

RIMBAUD

Um poeta torna-se um sonhador através de um longo, ilimitado e sistemático desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; investiga_se a si pròprio; consome dentro de si todos os venenos e preserva as suas quintessências: Um TORMENTO indescritìvel; ONDE irà encontrar a maior fè; uma força sobre_humana; com que se torna; entre todos os homens_ o grande invàlido; o grande maldito_ e o supremo cientista! Pois alcança o desconhecido! e o que interessa se for destruìdo no seu voo ex^tàtico por coisas inauditas e inominàveis:

DA UNIÃO DA ARTE COM A VIDA

A união da arte com a vida, eis o essencial para combater a sub-vida do sub-homem. Para combater a vidinha previsível, cheia de tédio com que banqueiros, capitalistas, economistas e políticos nos presenteiam. A união da arte com a vida para combater o império do deus-dinheiro que substituiu o outro Deus. O deus-dinheiro que nos tira a vida, que nos tira a alegria, que nos converte em mercadorias, em objectos de compra e venda. Não é possível o homem descer tão baixo. Não é possível o homem tornar-se um farrapo que se arrasta por aí. O sub-homem diminui os grandes homens. Torna-os frágeis, medrosos, hesitantes, sem iniciativa. Esta é também a sociedade do espectador. "Quem fica sempre a olhar, para saber o que vem a seguir, nunca agirá; e, assim deve ser, realmente, o espectador", diz Guy Debord.
Esta é a sociedade do espectáculo onde não participamos, onde nos limitamos a bater palmas. Onde o sub-homem é passivo e obediente. Enquanto a arte estiver ao serviço do espectáculo, a vida não é possível. A arte tem de conduzir-nos a um problema vital e não à não-vida. O homem tem de ser actor e poeta. O homem tem de criar, transformar, derrubar os velhos valores, como preconiza Nietzsche. A revolução não pode ser meramente material, referir-se apenas ás condições materiais de existência. A revolução comunista, o marxismo, segundo Antonin Artaud, ignora o mundo interior do pensamento, restringe-se ao exterior, ao material, ao económico. É da vida interior que nasce a criação, do espírito. Temos de ser espíritos livres como defende Nietzsche e não meros receptáculos económicos. A economia é inimiga da vida. Todos os economistas deveriam ser silenciados. O prazer e a alegria interior devem ser ampliados.

AH, A FAMÍLIA


Primeiro-ministro recusa-se a comentar polémica
Caso Freeport: Sócrates espera que autoridades "façam o seu trabalho"
22.01.2009 - 17h00 Lusa
O primeiro-ministro espera que as autoridades judiciais sejam rápidas no trabalho que têm que fazer relativamente ao caso Freeport. José Sócrates recordou que durante a campanha eleitoral de 2005 o caso tinha sido abordado pela primeira vez, e alerta que o caso volta agora, quando vão ser disputadas eleições outra vez.

"Eu ouço falar disto desde a campanha eleitoral de 2005 e ouço agora novamente em 2009. Espero que procurem resultados que o país espera", disse o primeiro-ministro, à saída da Cimeira Ibérica, em Zamora, Espanha. Sócrates recusou-se a comentar as actividades das autoridades judiciais, e adiantou que espera que "façam o seu trabalho e o façam rápido".

O líder do PS disse que o licenciamento do projecto Freeport "foi feito obedecendo a todas as normas e exigências legais".

"E eu bem posso falar, porque era ministro do Ambiente. Embora não tivesse participado no licenciamento, o Ministério do Ambiente fê-lo obedecendo a todas as normas e exigências ambientais. Disse-o em 2005 e digo-o agora", frisou.

"O caso Freeport surgiu na campanha eleitoral de 2005 e volta agora, em 2009, quando vamos disputar novamente eleições", sublinhou. O primeiro-ministro reagia à notícia avançada pela edição online do semanário “Sol” que avança que as empresas de Júlio Carvalho Monteiro, empresário e tio materno de José Sócrates, bem como o escritório de advogados de Vasco Vieira de Almeida foram hoje alvo de buscas, no âmbito do “caso Freeport”.

Segundo disse Júlio Carvalho Monteiro ao semanário, a "Polícia levou diversa documentação", nomeadamente documentos de "offshores antigas". Numa empresa de Carvalho Monteiro, a ISA, em Setúbal, foi apreendida toda a contabilidade. Os investigadores referiram-lhe também um e-mail que terá sido enviado para o Freeport, sobre o licenciamento do "outlet".

Suspeitas de corrupção
O processo relativo ao espaço comercial do Freeport de Alcochete está relacionado com suspeitas de corrupção na alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo (ZPET) decidida três dias antes das eleições legislativas de 2002 através de um decreto-lei.

O caso tornou-se público em Fevereiro de 2005, quando uma notícia do jornal “O Independente”, a escassos dias das eleições legislativas, divulgou um documento da Polícia Judiciária. José Sócrates, então líder da oposição, estava descrito no documento como um dos suspeitos por ter sido um dos subscritores daquele decreto-lei quando era ministro do Ambiente.

Posteriormente, a Polícia Judiciária e a Procuradoria-Geral da República negaram qualquer envolvimento do então candidato a primeiro-ministro no caso Freeport. Em Setembro passado, o processo do Freeport passou do Tribunal do Montijo para o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), liderado pela procuradora-geral adjunta Cândida Almeida.

domingo, 18 de janeiro de 2009

À PROCURA DA REVOLUÇÃO


Andei à procura da revolução
mas não a encontrei
andei pelas sedes à hora marcada
e encontrei a porta fechada
errei pelo mundo
fui até ao fundo
e só vi futebol
bebi cerveja e vinho
enchi a pança
e nem vi rock n' roll
não há manifs
só o paleio dos palradores do futebol
a funcionar a toda a largura do campo
o risco sempre calculado
e as mamas da empregada
ao menos isso
com o crucifixo ao peito
em vez do Bakunine
procuro a revolução
mas não a encontro
mico as caras
mas não distingo camaradas
nem sequer Nietzsche nem o marquês de Sade
só tédio e pasmaceira
é isso que os gajos nos dão
tédio e pasmaceira
puta de vida!
Olha! Agarra-te às mamas da gaja
pode ser que ela te dê de mamar
só isso sobra
de revolução nada
só as revoluções das quatro da manhã
nos bares
onde toda a gente é capaz de tudo
partir vidros, pôr umas bombas
ver esta merda a arder
sabes quem eu sou?
Sou o gajo que bebe cerveja à tua frente
sou o gajo que come a gaja ao balcão
sou o gajo que procura a revolução
mas ela não vem
só vem cerveja
enquanto houver dinheiro para pagar
porque depois nem isso
nem as mamas da gaja te salvam
tornas-te um indigente
um parasita
um número ns mãos do ministro das Finanças
mais vale mandar foder tudo!
Pôr tudo a arder
como Nero
imperador de Roma
é isso que és agora
vê lá se te portas bem
se não te portares bem a polícia
vem pôr-te na ordem
a ti que queres a desordem
entre as mamas da gaja ao balcão
Só há futebol! Merda! Só há futebol!
Vem aí o Sporting!
O Sporting é mais importante do que a vida
e a gaja que vem jantar com o velho milionário
e eu que não tenho dinheiro para a sandes
e eu que procuro a revolução
e ela que não vem
espreita, por vezes,
mas esconde a cara
qual é a tua cara, ó revolução?
dá-me a insubmissão
a insubordinação
cura-me desta merda da pseudo-concórdia aparente
do sistema
faz-me dançar
cantar
andar livre pelas ruas
estoirar foguetes
partir vidros
pilhar bancos

e a cerveja acaba...

Porto, 18.1.2009

sábado, 17 de janeiro de 2009

DO HOMEM


Vivemos o tempo do sub-homem. Do homenzinho apagado, obediente, que segue os outros, incapaz de dizer "eu não vou por aí", como no poema de Régio. A religiao e o capitalismo reduziram o homem a uma caricatura de si mesmo, a um ser que não consegue ser livre nem consegue dizer basta. A mansidão, os cordeirinhos, os camelos, a obediência aos chefes, as palavras de Nietzsche continuam a fazer sentido em relação à sociedade contemporânea. É a sociedade do rebanho. Castra-se o desejo, castram-se os impulsos vitais, castra-se a própria vida. As potências originais da vida e o frémito fundamental da vida são relegados para segundo plano. O mundo dos padres e dos economistas é o mundo das castração. Que excitação podem causar percentagens da bolsa, números do orçamento, décimas, PIB's, IRS? Não é do sub-homem medroso que pode nascer o super-homem de Nietzsche. O super-homem de Nietzsche só pode surgir daquele que cria novos valores, daquele que grita "eu quero!" como o leão, daquele que é Artista, que enfrenta o perigo e se passeia pela corda-bamba do devir. O Artista é o menino que joga apenas com a vida, que faz dela um contínuo experimento de si mesmo e não pode ser um economista calculista nem um político virado para questões sectoriais como o funcionamento do mercado ou as preferências do gado eleitoral. É do Artista que nasce o Super-homem. Mas não do artista versejador da corte, do artista feito com o poder. "A arte tem o dever social de dar saída às angústias da sua época. O artista que não abrigou no fundo do seu coração o coração da sua época, o artista que ignora ser um bode expiatório, que o seu dever é atrair a si, como um íman, fazendo cair sobre os cseus ombros, todas as fúrias dispersas da época, de modo a livrá-la do seu mal-estar psicológico, esse não é um artista", disse Antonin Artaud. O Artista é que aquele que alberga as fúrias da época, é o artista da ruptura que cria novos valores: os valores da vida, da liberdade e do amor, como defendiam os surrealistas e não os valores da morte e do tédio. O super-homem, o Ubermensch, não é mais do que a superação do homem, no seu espírito, no seu corpo, na sua totalidade. O Artista tem de combater "o mundo (moderno) que perdeu todo o vigor no dia em que o homem se meteu em si mesmo e renunciou a procurar forças na vida difusa do universo", como diz Artaud. E acrescenta o poeta: "o homem da Europa sente-se cheio de tédio e não acha explicação para essa perda do gosto de viver. Não compreende que, à força de considerar a vida apenas sob o seu aspecto material acabou por confundir a vida com simples aparências mortas".

Que é Deus, senão a mais ignóbil invenção do homem? Uma espécie de consolo para as almas fracas e doentes. Um ser tirânico, castrador, um vendedor de ilusões. Quantos já não caíram em nome de Deus ou de Alá? Deus é um embuste. REsulta de um conjunto de rituais de feitiçaria. Deus só existe na cabeça de gente pequena, do sub-homem. Deus só existe para o rebanho.

A GAJA E O TÍMIDO


Amanhã vou ter um teste importantíssimo às minhas qualidades vocais e performativas. Amanhã tenho de estar em forma. De puxar o máximo por mim. De ser o animal de palco. O gajo que grita poesia. O gajo que vai ao fundo das coisas. O gajo que olha para a gaja ao balcão de preto e não tem coragem de lhe dizer a palavra a não ser para lhe pedir cafés e cervejas. Vais acabar como o Ramalho, companheiro. O que te vale é que a gaja te inspira enquanto arruma a loiça. Vais acabar a vender poemas pelos cafés. O teu "Á Mesa do Homem Só" ainda circula por aí. A gaja também, à tua frente. Como te apetece beijá-la, amá-la, tê-la nos teus braços. Mas não és capaz de lhe dizer uma só palavra. Uma única palavra. E ela lá te vai inspirando. A gaja que está do lado de lá do balcão. E tu escreves. EScreves como um louco. Escreves como nunca escreveste. Devias agradecer à gaja. Mas nem isso fazes. Falta-te uma cerveja. Falta-te uma merda de uma cerveja mas não tens mais dinheiro. Deste os últimos trocos ao teu amigo Ramalho. E a gaja agarra-se à caixa registadora. E as horas passam. ÉS um poeta. Não há dúvida que és um poeta. E és tímido. Podias oferecer um livro à gaja. Afinal, hoje estás cheio deles. A gaja fuma e pousa o tabaco diante de ti. Talvez até goste de ti, ó tontinho. Talvez até goste de ti e a história tenha um final feliz.

JUSTIÇA!

Polícias e jornais tentam assustar pessoas
contra a manifestação de amanhã, no Casal de S. Brás, Amadora,
contra o assassinato do jovem Kuku
A resposta só pode ser uma: temos de ser muitos, e ainda mais!

Exemplo: o artigo do DN de hoje, assinado por Valentina Marcelino, intitulado "Extrema esquerda ameaça bairros de risco" (sublinhado nosso). Como se a ameaça não fosse exactamente a inversa, a de haver por aí polícias armados que repetidamente assassinam jovens pobres e ficam impunes, este artigo do DN (http://dn.sapo.pt/2009/01/16/tema/extrema_esquerda_ameaaa_bairros_risc.html) coincide perfeitamente com as opiniões que se podem ler em sites e blogues fascizantes, nomeadamente ligados aos neonazis do PNR, e revela uma total sintonia com as diversas polícias e serviços secretos.

Os objectivos deste artigo, hoje sexta-feira, - como os de outros artigos e "notícias" - são:
1 - atemorizar e desmobilizar os cidadãos que se disponham a participar no protesto de amanhã, no Casal de S. Brás, Amadora, frente à 60ª esquadra;
2 - justificar antecipadamente acções de repressão violenta e desproporcionada que as polícias venham a provocar nessa manifestação;
3 - criminalizar os jovens imigrantes e a população dos bairros pobres diariamente assediada e agredida pelas polícias, incluindo as suas associações e movimentos;
4 - descriminalizar os assassinatos - que já são dezenas - e a violência sistemática praticados pelas polícias em nome da "ordem" e da "segurança", semeando, isso sim, a insegurança generalizada nas camadas pobres da população e o caos (supostamente não político) propício à fascização, à repressão e ao aparecimento de caudilhos salvadores;
5 - criminalizar os protestos e os grupos que os promovem, numa estratégia progressiva de assimilar a esquerda aos "terroristas": hoje os "pretos" dos bairros periféricos, amanhã os grupos da esquerda extraparlamentar, a seguir os professores e os grevistas, finalmente qualquer pessoa que publicamente se coloque contra o discurso único ou contra o capitalismo.

Por isso, se preferes dobrar a espinha e não exercer o teu direito democrático de protestar, não venhas depois queixar-te: se és uma mulher ou um homem livre, acabarás por estar algures na lista deles, e sofrerás as consequências se te encolheres e os deixares agir sem oposição (como diz o célebre poema alemão, divulgado por Brecht: "quando vieram prender-me a mim, eu já não tinha ninguém para me defender").

Por isso, incitamos todos e todas a - por maioria de razão - participarem no protesto de amanhã, sábado, às 16h, frente à60ª esquadra da PSP no Casal de S. Brás, Amadora, contra o assasssinato do jovem Kuku (14 anos), contra a impunidade dos polícias que assassinam e espancam, contra as mentiras das televisões, rádios e jornais que são puros porta-vozes do aparelho repressivo fascizante.


Somos todos pretos! Somos todos pobres! Somos todos irmãos do Kuku!
Justiça para os assassinados e perseguidos! Justiça para os asssassinos e perseguidores!
Fim a esta sociedade errada em que vivemos!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

EDITOR, EDITA-ME


Editor, edita os meus escritos
não me deixes aqui a escrever para minorias minoritárias
que só, de vez em quando, dão um sinal
editor, edita-me
põe os meus escritos em livro
tira-me do marasmo
faz-me famoso
bem sei que a fama sobe à cabeça
bem sei que não é bonito o auto-elogio
mas eu só quero aparecer no papel de livro
bem sei que já tenho quatro ou cinco livros
mas isso n~~ao me chega
quero publicar mais, muito mais
quero aparecer nas livrarias
e nos media
bem sei que sou um bocado narcisista
mas també, é preciso sê-lo
senão estamos sempre na merda.

AMIZADES

O Rocha, afinal, já fala comigo
só não quer misturas com o baiano
o Rocha é um gajo esquisito
mas ainda é o meu melhor amigo
os homens só olham para a bola
mas sacam do dinheiro
apesar da recessão
eu é que me vejo à rasca
com essa merda toda
nem há aqui mulheres que me excitem
pois a mulher do patrão já tem dono
nem pode ler o que eu escrevo hoje
as crianças riem
os homens bebem
e o meu reino está podre
mas como tenho cacau
faço a festa

Hoje falei ao telefone com dois velhos amigos
que não vejo há séculos
um está em Londres, outro teve uma hérnia
ficamos de nos encontrar em breve
tanto poema, tanto poema
e nada publicado
só as saudações entusiásticas
do barbeiro preenchem o dia
o resto é pasmaceira
como as conversas dos patrões com o cliente
que só quer falar de coisas alegres
já o disse. Detesto os sempre bem dispostos
os de sempre bem com a vida
irritam-me solenemente
e os media não me contactam
a propósito da fundação do novo partido
nem do manifesto anti-Sócrates.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

POESIA DE CHOQUE NO CLUBE LITERÁRIO DO PORTO


POESIA DE CHOQUE-POESIA INCÓMODA

A primeira sessão de Poesia de Choque tem lugar na próxima sexta, dia 16, pelas 21,30 horas no Clube Literário do Porto (à Âlfândega). A organização e as performances são de António Pedro Ribeiro e de Luís Carvalho.

A poesia não tem que ser a poesia dos prémios nem das honras nem das solenidades. Essa poesia existe. Respeitamo-la, mas não é dela que vamos tratar. Nós vamos tratar da poesia que incomoda, da poesia que se diz e se escreve a gritar, da poesia que vai contra a norma, da poesia daqueles que não se conformam com um mundo único e irreversível. Vamos tratar da poesia que fala do amor mas não o amor ingénuo e previsível, do amor como urgência do ser humano íntegro e integral. Vamos tratar da poesia que fala da liberdade, da liberdade sem limites, absoluta, da liberdade livre da criação. Vamos tratar da poesia que canta o decadente, o maldito, aquele que vive como poeta para lá das convenções, para lá das linhas rectas. Vamos tratar da poesia que intervém, que não se contenta com a vidinha, que faz a crítica do instituído. Vamos tratar da poesia que rompe as fronteiras entre o leitor e o poeta, entre o performer e o público, que quebra as distâncias que ainda acontecem nas sessões de poesia.

Poemas: Charles Bukowski, Nietzsche, Charles Baudelaire, A. Pedro Ribeiro, Camilo Pessanha, Mário de Sá-Carneiro, Jim Morrison, Antonin Artaud, Henri Michaux, Levi Condinho, José Mário Branco, Almada Negreiros, Mário de Cesariny, ÁLvaro de Campos, Lentre outros.


Com os melhores cumprimentos,
António Pedro Ribeiro.
tel. 229270069.

ÍNDIO


A cabeça explode. AS ideias vagueiam por aí sem rumo definido. Sou um índio. sou um xamã. UM touro enraivecido. Não tenho limites. Danço na pista. Como em 95 no Clube 84. A pista é minha. AS mulheres vêm ter comigo. São minhas. Êxtase. Loucura. Como Artaud no México. Como Artaud no manicómio. AS barbas crescidas. A loucura. A minha loucura. AS empregadas não me topam. O dinheiro vai e perde-se. Que se foda! A cerveja dá-me vida. A vida que vou perdendo se permanecer na aldeia. O homem entra, a medo, na confeitaria. E eu sou o xamã. O que comunica com deuses e espíritos. A cerveja bate. A cabeça explode. Os gajos t~em de me publicar. A escrita é automática. Sou um filósofo alucinado, UM filósofo de caforismos. TEnho de reunir os textos. Ordená-los. Coisa que sempre tive dificuldade em fazer. E entregá-los ao R. Isto ele publica. Estou certo. E pronto. Já me apetece apanhar bebedeiras. DAnçar na corda-bamba. EXperimentar-me. Enfrentar o perigo. EStou próximo de ti, ó Morrison. Estou próximo de ti, ó Nietzsche. Isto é que os gajos não passam na RFM. Os gajos não passam Doors nem Led Zeppelin na RFM. T~em medo. E os Led Zeppelin fazem hoje 40 anos. 40 anos. Mr. Page, mr. Plant. E eu bebo não sei a quê. JUlgo-me superior. O homem superior. Eh, pá! ESta merda está muito para lá da realidade mesquinha do Sócrates. Eh, pá! Com uma cerveja derroto o Sócrates. Eh, pá! O sócrates não vale nada. Sou um índio. Sou um xamã. "Os ritos e as danças sagradas dos índios são as mais bela de todas as formas de teatro, a única que realmente pode ter justificação. Os ritos primitivos dos índios estão em comunicação com a terra; as suas danças, os seus hieróglifos animados, os seus movimentos ocultos traduzem inconscientemente as suas leis" (Antonin Artaud). Nietzsche também fala da terra. Do amor à Terra. Não há além. O além está aqui. Alguma lucidez ainda se apodera de mim. Não vou pedir outra cerveja. Ainda não enlouqueci por completo. Vou visitar o meu amigo.
Chegam as gajas ao café
mas já estão tomadas
anda tudo às compras
antes que vá tudo de vez
e eu leio Nietzsche e bebo
para não enlouquecer
além disso estou com fome
e o gajo ao balcão
continua vidrado no Liverpool.

40 Anos de Led Zeppelin


40 anos de Led Zeppelin. O rock visceral e autêntico. "Whole Lotta Love".

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

MANIFESTO ELEITORAL E ANTI-SÓCRATES


Sócrates é um castrador
Sócrates vem dar-te palmadas se não te portares bem
Sócrates quer a maioria para governar sem oposição
Sócrates não pode com a oposição
Sócrates, se pudesse, acabava com a oposição
Sócrates é um ditador
Sócrates é um inimigo da vida
Sócrates detesta as pulsões vitais
Sócrates não tem coração
Sócrates é um robot
Sócrates calca os adversários
Sócrates rouba-nos o salário
Sócrates deixa na merda o desempregado
Sócrates é um vendilhão
Sócrates é um cabrão
Sócrates fala como um computador
Sócrates não conhece o amor.

O Partido Surrealista Situacionista Libertário (PSSL) vai legalizar-se e apresenta-se a eleições porque já não suporta mais SócratES. O PSSL entende que a recessão não se combate com receitas sociais-democratas. O PSSL aposta na criação, no amor, na liberdade, na revolução. EStamos fartos de morte e de tédio! EStamos fartos de rebanhos que dizem avé-maria a tudo. Estamos fartos da sociedade do rebanho como Nietzsche. Queremos uma sociedade sem intriga, sem usura, sem competição, sem trabalho, sem dinheiro. Queremos o mundo e exigimo-lo agora!, como gritou Jim Morrison. Queremos acabar com a bolsa, com o discurso das décimas, dos défices, das percentagens assexuadas. O nosso teatro "é o teatro da revolta humana que não aceita a lei do destino, é um teatro cheio de gritos, não de medo ma de raiva e mais do que de raiva do sentimento do valor da vida. É um teatro que sabe chorar, que tem todavia enorme consiência do riso, e que sabe existir no riso de uma ideia pura, uma benéfica e pura ideia das forças eternas da vida", como escreveu Antonin Artaud em "Mensagens Revolucionárias".

TERRORISTA POÉTICO


Escrevo mas tenho o blog parado. Não sei quanta gente lê aqueles blogues mas sei que é alguma gente. Ontem A. percebeu que estou interessado nela. Ao menos é sincera. A verdade é que os "Ditirambos de Diónisos" me puxaram para cima, apesar dos delírios. Crio, tento fazer a fusão de todas as artes. Sou furacão, sou dinamite, como Nietzsche. TEnho calor. Dispo o casaco. Hoje não neva. Tenho Proudhon para ler. A polícia ocupou a casa dos okupas no marquês. A polícia é uma delícia. A gaja é bonita mas parece enjoada. Dar-te-ei o mundo. Ficarei apenas com uma parte para mim e para os meus para fazermos uns disparates, para partirmos uns vidros, para pintar a manta. Acredito numa revolução artística, numa bomba artística global. Que provoque, que inquiete, que choque, que dê a volta às cabeças. ACredito em Dionisos entre as bacantes embriagadas. É nisso que acredito. Não em qualquer tipo de lucro, dinheiro, mercado ou capital. Sou o homem da liberdade, como o Jim Morrison. E os editores que nunca mais respondem. O que é que querem que eu escreva mais? Sou um terrorista poético, não sou o Bin Laden nem o primeiro-ministro de Israel. Defendo a violência libertária da Grécia. Sou um terrorista poético.