AOS MEUS AMIGOS
Onde estais vós,
Meus amigos,
Que me beijais a cara?
Já partistes deste mundo
Ou continuais a caminhada?
Onde estão as conversas que nos elevam
E as gargalhadas sem medo
Que enfrentam os medíocres
E a corja mercantilizada?
Onde estais,
Irmãos de sangue,
Que bebeis da minha taça?
Camelot Elsenor
Aí celebramos a aliança.
Onde estais vós
Que sois eu
Só num bar até de madrugada?
Tentaram sempre aniquilar-nos
Encostar-nos à parede
Até à última cilada
Mas nós resistimos sempre
Ao cântico da sereia.
Onde estais, companheiros,
Agora que vos chamo
Do fundo do Totem
À beira do nada?
Bem sei que para nós
O caminho é doloroso
Mas o que nos guia
Não são as leis do mundo
Nem do mercado
Mas a luz ao fundo da guitarra.
Onde estais, amigos,
Porque não bebeis a taça?
Conquistadores do oculto
Pesquisadores da alma
O caminho somos nós
Mas a visão ainda não é
Inteiramente clara.
Onde estais, irmãos de sangue,
Companheiros de noitada?
Abençoados malditos
Reis sem trono
Esperamos a última batalha.
Olhos de Deus
Voz de Satã
Iluminações
Até ao fim da estrada.
Vila do Conde, Pátio, 20.1.2007.
A. PEDRO RIBEIRO
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
José Afonso
com a devida vénia a http://pimentanegra.blogspot.com
20.1.07
Há 20 anos que José Afonso nos deixou a sós com as suas canções
“Somos Nós os Teus Cantores"PARA O QUE DER E VIER...SEM MUROS NEM AMEIAS!IGUAIS POR DENTRO E IGUAIS POR FORA!José Afonso, falecido a 23 de Fevereiro de 1987, aos 57 anos, foi, com Adriano Correia de Oliveira, umas das figuras centrais da canção de intervenção em Portugal.
Neste ano de 2007 passam 20 anos que José Afonso nos deixou a sós com as suas canções. Aquele que deu voz à resistência anti-fascista, e foi um dos símbolos do 25 de Abril do povo e, mais tarde, uma bandeira de luta contra a recuperação capitalista no período cinzento do eanismo e do soarismo, será lembrado ao longo de todo este ano através das mais variadas iniciativas, sempre com o apoio da Associação José Afonso.Daremos disso conta à medida que tais acções se forem realizando.Por enquanto, e que tenhamos conhecimento, estão programadas várias manifestações culturais na Moita, no Porto ( mais concretamente no Clube Literário) e na Casa do Povo da Longra (no concelho de Felgueiras).
Assim já no próximo dia 3 de Fevereiro, na Casa do Povo da Longra ( Felgueiras) e numa parceria com o núcleo do Norte da AJA realiza-se um concerto sob o lema “Somos Nós os Teus Cantores”, que contará com a participação de Francisco Fanhais, Tino Flores, grupo Erva de Cheiro, grupo AJAFORÇA, banda Hyubris e, possivelmente, Manuel Freire.
Os actores Alexandre Castanheira e Fernando Soares farão da poesia o eco do homem da "Grândola". Neste dia vai falar-se, também, de Adriano Correia de Oliveira, companheiro de canções de luta e de vida de José Afonso.
Na parte de tarde, pelas 16 horas, haverá lugar a um debate/tertúlia, ao qual foram convidados Alexandre Manuel (jornalista e ex-editor do DN), Isabel e José Manuel Correia de Oliveira (filhos de Adriano), Paulo Alão (músico que participou em algumas gravações do Zeca e do Adriano), Alexandre Castanheira, Soares Novais (jornalista e editor da Arca das Letras), representantes da AJA-NORTE e da Casa do Povo, entre outros que poderão juntar-se.Segue-se depois um conjunto de iniciativas na cidade do Porto ao longo do mês de Fevereiro em memória de José Afonso promovido pelo núcleo do norte da AJA a desenrolarem-se no espaço do Clube Literário do Porto (http://www.clubeliterariodoporto.org/) e cujo programa é o seguinte:
14 Fevereiro
21h30 - Inauguração da exposição “José Afonso: Vida e obra”
22h - “José Afonso: Testemunhos" Colóquio/Debate com a participação de Alípio de Freitas e Benedicto Garcia Villar.15 Fevereiro
21h 30m – Tertúlia no “Piano-Bar” do CLP integrada na iniciativa “O Prazer do Texto” – “Música e poesia de José Afonso”
16 Fevereiro
21h 30m – “José Afonso, a obra poética" Colóquio/Debate com a participação de Elfried Elgelmeyer e José António Gomes.17 Fevereiro
21h 30m – “José Afonso, a música" Colóquio/Debate com a participação de José Mário branco e Francisco Fanhais.Também a Câmara Municipal da Moita recorda José Afonso, 20 anos depois da sua morte, com um ciclo de três espectáculos de música popular portuguesa (o primeiro dos quais hoje à noite, depois um outro, com Vitorino, a 27 de Janeiro, e um terceiro com a Brigada Victor Jara a 24 de Fevereiro) a realizar no Fórum José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira.Além dos três espectáculos, o conjunto de iniciativas agendadas inclui uma declamação de poemas de José Afonso na Biblioteca de Alhos Vedros, uma festa popular também nesta freguesia e ainda uma romagem à campa do autor de "Grândola, vila morena", no cemitério de Setúbal, organizada pela Academia Musical 8 de Janeiro no dia 23 de Fevereiro à tardeEstão previstas, segundo sabemos, ainda iniciativas similares em Guimarães, Espinho e Odivelas.Entretanto tomamos conhecimento que os «Frei Fado d’El Rei» irão muito em greve editar um cd com o título «Senhor Poeta» e que será justamente uma homenagem a José Afonso.Os Frei Fado d'El Rei são um dos melhores exemplos de perseverança e coragem nestes caminhos da folk - chamemos-lhe folk por facilidade de designação - feita em Portugal. Tendo como base uma originalíssima mistura de música tradicional portuguesa, fado, flamenco, música medieval e moderna, os Frei Fado d'El Rei sempre estiveram na vanguarda da renovação da nossa música. E apesar de muitos dos seus membrs se terem dispersado nos últimos anos por projectos como os Roldana Folk, Lúmen ou Goliardos d'El Rey, os Frei Fado d'El Rei continuam vivíssimos (deram em Dezembro vários concertos na Bélgica e Holanda).Info:http://vejambem.blogspot.com/http://www.aja.pt/
20.1.07
Há 20 anos que José Afonso nos deixou a sós com as suas canções
“Somos Nós os Teus Cantores"PARA O QUE DER E VIER...SEM MUROS NEM AMEIAS!IGUAIS POR DENTRO E IGUAIS POR FORA!José Afonso, falecido a 23 de Fevereiro de 1987, aos 57 anos, foi, com Adriano Correia de Oliveira, umas das figuras centrais da canção de intervenção em Portugal.
Neste ano de 2007 passam 20 anos que José Afonso nos deixou a sós com as suas canções. Aquele que deu voz à resistência anti-fascista, e foi um dos símbolos do 25 de Abril do povo e, mais tarde, uma bandeira de luta contra a recuperação capitalista no período cinzento do eanismo e do soarismo, será lembrado ao longo de todo este ano através das mais variadas iniciativas, sempre com o apoio da Associação José Afonso.Daremos disso conta à medida que tais acções se forem realizando.Por enquanto, e que tenhamos conhecimento, estão programadas várias manifestações culturais na Moita, no Porto ( mais concretamente no Clube Literário) e na Casa do Povo da Longra (no concelho de Felgueiras).
Assim já no próximo dia 3 de Fevereiro, na Casa do Povo da Longra ( Felgueiras) e numa parceria com o núcleo do Norte da AJA realiza-se um concerto sob o lema “Somos Nós os Teus Cantores”, que contará com a participação de Francisco Fanhais, Tino Flores, grupo Erva de Cheiro, grupo AJAFORÇA, banda Hyubris e, possivelmente, Manuel Freire.
Os actores Alexandre Castanheira e Fernando Soares farão da poesia o eco do homem da "Grândola". Neste dia vai falar-se, também, de Adriano Correia de Oliveira, companheiro de canções de luta e de vida de José Afonso.
Na parte de tarde, pelas 16 horas, haverá lugar a um debate/tertúlia, ao qual foram convidados Alexandre Manuel (jornalista e ex-editor do DN), Isabel e José Manuel Correia de Oliveira (filhos de Adriano), Paulo Alão (músico que participou em algumas gravações do Zeca e do Adriano), Alexandre Castanheira, Soares Novais (jornalista e editor da Arca das Letras), representantes da AJA-NORTE e da Casa do Povo, entre outros que poderão juntar-se.Segue-se depois um conjunto de iniciativas na cidade do Porto ao longo do mês de Fevereiro em memória de José Afonso promovido pelo núcleo do norte da AJA a desenrolarem-se no espaço do Clube Literário do Porto (http://www.clubeliterariodoporto.org/) e cujo programa é o seguinte:
14 Fevereiro
21h30 - Inauguração da exposição “José Afonso: Vida e obra”
22h - “José Afonso: Testemunhos" Colóquio/Debate com a participação de Alípio de Freitas e Benedicto Garcia Villar.15 Fevereiro
21h 30m – Tertúlia no “Piano-Bar” do CLP integrada na iniciativa “O Prazer do Texto” – “Música e poesia de José Afonso”
16 Fevereiro
21h 30m – “José Afonso, a obra poética" Colóquio/Debate com a participação de Elfried Elgelmeyer e José António Gomes.17 Fevereiro
21h 30m – “José Afonso, a música" Colóquio/Debate com a participação de José Mário branco e Francisco Fanhais.Também a Câmara Municipal da Moita recorda José Afonso, 20 anos depois da sua morte, com um ciclo de três espectáculos de música popular portuguesa (o primeiro dos quais hoje à noite, depois um outro, com Vitorino, a 27 de Janeiro, e um terceiro com a Brigada Victor Jara a 24 de Fevereiro) a realizar no Fórum José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira.Além dos três espectáculos, o conjunto de iniciativas agendadas inclui uma declamação de poemas de José Afonso na Biblioteca de Alhos Vedros, uma festa popular também nesta freguesia e ainda uma romagem à campa do autor de "Grândola, vila morena", no cemitério de Setúbal, organizada pela Academia Musical 8 de Janeiro no dia 23 de Fevereiro à tardeEstão previstas, segundo sabemos, ainda iniciativas similares em Guimarães, Espinho e Odivelas.Entretanto tomamos conhecimento que os «Frei Fado d’El Rei» irão muito em greve editar um cd com o título «Senhor Poeta» e que será justamente uma homenagem a José Afonso.Os Frei Fado d'El Rei são um dos melhores exemplos de perseverança e coragem nestes caminhos da folk - chamemos-lhe folk por facilidade de designação - feita em Portugal. Tendo como base uma originalíssima mistura de música tradicional portuguesa, fado, flamenco, música medieval e moderna, os Frei Fado d'El Rei sempre estiveram na vanguarda da renovação da nossa música. E apesar de muitos dos seus membrs se terem dispersado nos últimos anos por projectos como os Roldana Folk, Lúmen ou Goliardos d'El Rey, os Frei Fado d'El Rei continuam vivíssimos (deram em Dezembro vários concertos na Bélgica e Holanda).Info:http://vejambem.blogspot.com/http://www.aja.pt/
domingo, 21 de janeiro de 2007
MANIFESTO DO PARTIDO SURREALISTA SITUACIONISTA LIBERTÁRIO
Que merda de sociedade é esta que deixa os seus próprios filhos na merda?
A Revolução é o Remédio
EU ACUSO!
António Pedro Ribeiro
Porque é que alguns nadam nas OPAS, fornicam com milhões, brincam às fraudes e exploram e despedem outros como se fosse nada? Porque é que os outros ficam sem nada ou são atirados para a lama, para o desemprego, para trabalhos sem contrato e sem direitos, que não valem nada? Porque é que esses mesmos se deixam (con)vencer pelos "media", pelo Governo e pela ideologia dominante a enganarem-se uns aos outros, a comerem-se uns aos outros porque não são suficientemente competitivos, porque o seu "fracasso" ou a pobreza são fado, são uma fatalidade cuja culpa é própria, como se o capitalismo e o mercantilismo não estivessem em todos os sectores da existência, à espreita em todas as esquinas?
Onde está a Humanidade nesta porra, nesta nova Roma de senhores e escravos? Porque raio é que um gajo que anda a contar os trocos para o café se há-de manter quieto e calado? O que é que há mais a perder quando nos roubam a própria vida?
Porque raio havemos de aceitar a ditadura dos contabilistas, dos economistas, dos banqueiros, dos mercadores, dos moedeiros, dos ministros sem alma que se limitam a vomitar percentagens e estatísticas? Porque raio havemos de nos deixar comer? Somos Homens ou cordeiros? Queremos a vida ou a morte em vida? A Liberdade ou a submissão? "A Revolução é o remédio para os que sofrem de tédio", já diz a canção dos Mão Morta.
António Pedro Ribeiro
Porque é que alguns nadam nas OPAS, fornicam com milhões, brincam às fraudes e exploram e despedem outros como se fosse nada? Porque é que os outros ficam sem nada ou são atirados para a lama, para o desemprego, para trabalhos sem contrato e sem direitos, que não valem nada? Porque é que esses mesmos se deixam (con)vencer pelos "media", pelo Governo e pela ideologia dominante a enganarem-se uns aos outros, a comerem-se uns aos outros porque não são suficientemente competitivos, porque o seu "fracasso" ou a pobreza são fado, são uma fatalidade cuja culpa é própria, como se o capitalismo e o mercantilismo não estivessem em todos os sectores da existência, à espreita em todas as esquinas?
Onde está a Humanidade nesta porra, nesta nova Roma de senhores e escravos? Porque raio é que um gajo que anda a contar os trocos para o café se há-de manter quieto e calado? O que é que há mais a perder quando nos roubam a própria vida?
Porque raio havemos de aceitar a ditadura dos contabilistas, dos economistas, dos banqueiros, dos mercadores, dos moedeiros, dos ministros sem alma que se limitam a vomitar percentagens e estatísticas? Porque raio havemos de nos deixar comer? Somos Homens ou cordeiros? Queremos a vida ou a morte em vida? A Liberdade ou a submissão? "A Revolução é o remédio para os que sofrem de tédio", já diz a canção dos Mão Morta.
Strange Days
Os dias estranhos descobriram-nos
os dias estranhos acharam o nosso rasto
vão destruir as nossas raras alegrias
temos de continuar a tocar
ou procurar uma nova cidade.
in "Strange Days", Jim Morrison, The Doors.
os dias estranhos acharam o nosso rasto
vão destruir as nossas raras alegrias
temos de continuar a tocar
ou procurar uma nova cidade.
in "Strange Days", Jim Morrison, The Doors.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
BÊNÇÃO
BÊNÇÃO
Ter dinheiro e não ter
pagar ficar a dever
ir aos bares do Bairro Alto
beber nos bares nas barracas
cheio de cacau nos bolsos
depois deixar cair o cacau pelos bolsos abaixo
perder os óculos em Lisboa
andar à toa feito rock-star
regressar sem saber como
comprar dois bilhetes em vez de um
um para o Porto outro para Coimbra
viajar fodido dos cornos do estômago da barriga
entrar, sair e depois cair na cama
sem luz sem vontade
e depois regressar a Zaratustra
ao poeta-mago
ao céu ao sol à luz
às mulheres que queres
aos pulsos que cortas que feres
à prudência que mandas para o caralho
vira o baralho
e volta o futebol
o circo máximo de outrora
quando caminhavas por Roma
entre Cícero e Augusto
rei morto, rei posto
em transe por Lisboa
ao acaso à deriva à sorte
como Pessoa
e, por duas horas,
não sabes o que fizeste
onde estiveste
com quem estiveste
ficou tudo em branco
hoje estás a caminho do mesmo
mas não tens cacau
e isto não é Lisboa
nem tu és o príncipe da Macedónia
só há golos e tolos a festejar
nuvens a perturbar- assim falava Zaratustra
e tu amas as alturas
amas realmente as alturas
e até a Humanidade
mas não suportas a pequenez dos homens
és daqueles que sabes
nada há a fazer
mesmo que vás pelos caminhos direitos
haverá sempre noites, dias em que seguirás
as ruas tortuosas
porque sabes que esse é o caminho do Céu
não o céu de Deus, de Alá ou de Cristo
mas o Céu de Nietzsche, de Blake, de Rimbaud,
de todos os malditos
Abençoados sejam os malditos
abençoados sejam os que procuram
a luz no meio das trevas
abençoados sejam os que te amam
abençoados os que enlouquecem
porque a loucura dos que se curvam
não é loucura, é doença.
A. Pedro Ribeiro.
Ter dinheiro e não ter
pagar ficar a dever
ir aos bares do Bairro Alto
beber nos bares nas barracas
cheio de cacau nos bolsos
depois deixar cair o cacau pelos bolsos abaixo
perder os óculos em Lisboa
andar à toa feito rock-star
regressar sem saber como
comprar dois bilhetes em vez de um
um para o Porto outro para Coimbra
viajar fodido dos cornos do estômago da barriga
entrar, sair e depois cair na cama
sem luz sem vontade
e depois regressar a Zaratustra
ao poeta-mago
ao céu ao sol à luz
às mulheres que queres
aos pulsos que cortas que feres
à prudência que mandas para o caralho
vira o baralho
e volta o futebol
o circo máximo de outrora
quando caminhavas por Roma
entre Cícero e Augusto
rei morto, rei posto
em transe por Lisboa
ao acaso à deriva à sorte
como Pessoa
e, por duas horas,
não sabes o que fizeste
onde estiveste
com quem estiveste
ficou tudo em branco
hoje estás a caminho do mesmo
mas não tens cacau
e isto não é Lisboa
nem tu és o príncipe da Macedónia
só há golos e tolos a festejar
nuvens a perturbar- assim falava Zaratustra
e tu amas as alturas
amas realmente as alturas
e até a Humanidade
mas não suportas a pequenez dos homens
és daqueles que sabes
nada há a fazer
mesmo que vás pelos caminhos direitos
haverá sempre noites, dias em que seguirás
as ruas tortuosas
porque sabes que esse é o caminho do Céu
não o céu de Deus, de Alá ou de Cristo
mas o Céu de Nietzsche, de Blake, de Rimbaud,
de todos os malditos
Abençoados sejam os malditos
abençoados sejam os que procuram
a luz no meio das trevas
abençoados sejam os que te amam
abençoados os que enlouquecem
porque a loucura dos que se curvam
não é loucura, é doença.
A. Pedro Ribeiro.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
rocker
sou um rocker
vivo no palco
acendo o rastilho
sou um rocker
dou-me no canto
renasço na dança
puxo do gatilho
sou um rocker
nos olhos da menina
sou um rocker
nas luzes da ribalta
sou um rocker
estou em alta
sou um rocker
prossigo o transe
até à última dança
sou um rocker
sigo o instinto.
vivo no palco
acendo o rastilho
sou um rocker
dou-me no canto
renasço na dança
puxo do gatilho
sou um rocker
nos olhos da menina
sou um rocker
nas luzes da ribalta
sou um rocker
estou em alta
sou um rocker
prossigo o transe
até à última dança
sou um rocker
sigo o instinto.
canção
Floribella, Floribella,
vamos apanhar uma piela
porque a cidade é uma seca
e a vida não presta...
vamos apanhar uma piela
porque a cidade é uma seca
e a vida não presta...
quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
ao meu pai, António
Obrigado, Rui Lage,
SEM MAIS DEMORAS para o pai do António Pedro Ribeiro
O sol cresce a cada passona rua principal,curva de pássarosna estrada do céu,silêncio só perturbadopelos sapatos na gravilha,cabeças de animaisa ruminar nos baldios,húmidos seus olhosao ver-nos passar de fatos que encontramportões de cemitério.A terra tem fome, amigo,a terra tem sempre fome:entreguemos-lhe o corposem mais pranto ou demoras (pois já vão sendo horasde pensar no almoço).
RUI LAGE
SEM MAIS DEMORAS para o pai do António Pedro Ribeiro
O sol cresce a cada passona rua principal,curva de pássarosna estrada do céu,silêncio só perturbadopelos sapatos na gravilha,cabeças de animaisa ruminar nos baldios,húmidos seus olhosao ver-nos passar de fatos que encontramportões de cemitério.A terra tem fome, amigo,a terra tem sempre fome:entreguemos-lhe o corposem mais pranto ou demoras (pois já vão sendo horasde pensar no almoço).
RUI LAGE
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
ao meu pai e à minha avó que partiram há dias
Até sempre, do fundo do coração. Ides fazer-me muita falta.
Pedro.
Pedro.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
AOS MEUS GRANDES AMIGOS
UM COPO COM O JAIME LOUSA António Pedro Ribeiro Conheci o Jaime Lousa em Braga, no final dos anos 80, num café das Enguardas, era ele jornalista num jornal da cidade já extinto, depois de ter passado pelo "Primeiro de Janeiro" e por outras redacções, além de várias experiências literárias, teatrais e cinematográficas. Teria eu 21, 22, 23 anos e tinha a mania que era poeta e cantava numa banda chamada "Ébrios", em homenagem a Baudelaire e ao Jim Morrison, que viria a dar o berro como, de resto, outros projectos artísticos e políticos em que me envolvi. Quando conheci o Jaime disse-lhe que os bigodes dele faziam lembrar os de Nietzsche e ele respondeu que não era por acaso, apesar de sempre se ter dito marxista. Depois pediu-me emprestado o jornal "Combate" que eu trazia, fruto da minha militância no PSR. Então mostei-lhe alguns poemas meus e ele disse-me simplesmente que tinham palavras a mais mas que teria de ser eu a encontrar o caminho. O Jaime ensinou-me a olhar para o Céu, para cima, para lá das aparências da caverna, e até me convidou a entrar num filme surrealista que nunca se concretizou. Dias depois, a 6 de Setembro de 1990, as rádios de Braga noticiaram que eu, ou o Che ressuscitado, tinha mandado fechar ou ocupar o hipermercado "Feira Nova" num acção anti-consumista. Nesse dia, as beatas fugiam de mim na rua e os velhos faziam-me continência na Avenida Central. Delírios? Alucinações? Iluminações? Mas essa é apenas uma estória. Depois o Jaime perdeu o emprego, começou a viver em casa de amigos, por dias na minha. O álcool tornou-se a saída e o medíocres começaram a rejeitá-lo, como fizeram a Luiz Pacheco, a Sebastião Alba (igualmente morto na miséria em Braga) a Henry Miller, à raça dos decadentes malditos. Depois passou a dormir na rua no Verão, no Inverno, ao frio, no Inferno. Morreu há dias, em Dezembro. Tudo quanto sinto agora é raiva. Raiva das caridadezinhas de Natal, das cadelinhas do Pai Natal, da treta hipócrita do Sócrates, do Mendes e da sociedade de consumo, da merda que as Câmaras fazem, das OPAS do Belmiro e do caramelo, dos imbecis que nunca leram um livro, nem querem saber ler, que passam 24 horas por dia a comer futebol. É tão assassino aquele que mata como aquele que condena alguém a morrer de fome. Tudo quanto posso dizer é que hoje, meu querido amigo Jaime, vou beber um copo à tua saúde. Ou talvez mais. Que se lixem os moralistas de esquerda e de direita!
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