Quero um primeiro-ministro
para comer ao pequeno-almoço
quero um trabalho
pra mandar pró caralho
quero um défice
pra meter no cu
eu não quero ser competitivo
eu não quero ser um executivo
eu não quero ser um gajo normal
eu não quero morrer de tédio...
A. Pedro Ribeiro/Rui Costa/Mana Calórica & Las Tequillas, 2006.
terça-feira, 26 de dezembro de 2006
domingo, 17 de dezembro de 2006
MANA NO VELVET
Domingo, Dezembro 17, 2006
CONCERTO MANA CALÓRICA ADIADOO concerto da banda Mana Calórica & Las Tequillas, previsto para hoje, dia 14, quinta, no Bar Velvet em Vila do Conde fica adiado para a próxima terça, dia 19, pelas 23,30 horas no mesmo Velvet (ao Tribunal de Vila do Conde). Pelo facto, apresentamos as nossas desculpas.Pela organização,António Pedro RibeiroTel. 913059471.Trip Na ArcadaA sério pá? Ei. Fiquei com pena. Num ficaste Rambo?É. A Mana Calórica é sempre um desafio para os nossos olhares.Oh Rambo, pá. Isto é música.Deus me livre Magala. Esta gaija toca música?Num é ela, é o moço.
CONCERTO MANA CALÓRICA ADIADOO concerto da banda Mana Calórica & Las Tequillas, previsto para hoje, dia 14, quinta, no Bar Velvet em Vila do Conde fica adiado para a próxima terça, dia 19, pelas 23,30 horas no mesmo Velvet (ao Tribunal de Vila do Conde). Pelo facto, apresentamos as nossas desculpas.Pela organização,António Pedro RibeiroTel. 913059471.Trip Na ArcadaA sério pá? Ei. Fiquei com pena. Num ficaste Rambo?É. A Mana Calórica é sempre um desafio para os nossos olhares.Oh Rambo, pá. Isto é música.Deus me livre Magala. Esta gaija toca música?Num é ela, é o moço.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
SANGUE NA NAVALHA
in http://sanguenanavalha.blogspot.com
-feira, Março 16, 2006
Frase impessoal sem óculos: “Abre os olhos; pois sei que apesar dos 7,5 de miopia podes VER que nem sempre é cega”.LETRAS RETALHADAS«Apetece-me estar com a subversão. Com a crítica radical à ditadura do consumível, da mercadoria, do quantitativo, do défice. Apetece-me estar do lado da liberdade, da liberdade absoluta contra a ilusão da liberdade de compra e venda, da sobrevivência, da “sobrevida” que substitui a vida, do quotidiano insuportável, do tédio.Apetece-me estar com os poetas malditos. Com Rimbaud, com Baudelaire, com Nietzsche, com Sade, com Lautréamont a infernizar tudo quanto é direitinho, conforme às normas, castração. (…)Apetece-me dizer que já pouco acredito nos partidos, mesmo nos de esquerda. Que lutar por lugares dentro da democracia burguesa é aceitar como irreversível a democracia burguesa e, portanto, afastar totalmente do horizonte a revolução, mesmo que se continue a falar na construção da sociedade socialista. (…)Apetece-me dizer que acredito na poesia e no amor como formas sub-ver-sivas. Que acredito em actos provocatórios, em agitações espontâneas que ridicularizem o instituído, no terrorismo poético. Que a criatividade é o último reduto da rebelião.»CHEEmborcar sete cervejas e cambalear só por causa de uma conversa, de uma gaja e de uma foto do Che. Telefonar-te a dizer que estou vivo e que, finalmente, voltei a devorar um livro, que curiosamente se chama “Memórias de um alcoólico” de Jack London. Entrar nas conversas e deixar escapar a deixa. Escrever declarações de amor a gajas de gosto duvidoso. Trair-te em Vilar de Mouros ao som dos Led Zeppelin. Estoirar em sonhos alucinatórios a meio de uma existência pacata. Voltar ao computador e à concha do lar familiar. Confundir vozes delirantes com masturbações mentais. Mas há a foto do Che no quarto a quem apelo contra todas as injustiças, todos os imperialismos, todas as tiranias. Mas há a foto do Che e a boina, o olhar, a estrela e volto a acreditar que a revolução é possível. Apesar de todas as normas, de todas as rotinas, de todos os filhos da puta.“Amanhã. Acordar.Morte aos sumos!De tudo quanto se escreve, apenas amo o que se escreve com o próprio sangue. (F. Nietzsche, Assim Falava Zaratustra)Ninguém já no mundo pode distinguir pelo aspecto físico um revolucionário de um provocador. (Pier Paolo Pasolini, Escritos Póstumos)Todos os deuses nos acenam de dentro da cona da gaja que amamos”.
«Só há três saídas: o suicídio, a loucura ou a revolta.»A. Pedro Ribeiro, declaração de amor ao primeiro-ministro – manifestos do partido surrealista situacionista libertário/OBJECTO CARDÍACO
posted by Black Rider at 10:34 PM
-feira, Março 16, 2006
Frase impessoal sem óculos: “Abre os olhos; pois sei que apesar dos 7,5 de miopia podes VER que nem sempre é cega”.LETRAS RETALHADAS«Apetece-me estar com a subversão. Com a crítica radical à ditadura do consumível, da mercadoria, do quantitativo, do défice. Apetece-me estar do lado da liberdade, da liberdade absoluta contra a ilusão da liberdade de compra e venda, da sobrevivência, da “sobrevida” que substitui a vida, do quotidiano insuportável, do tédio.Apetece-me estar com os poetas malditos. Com Rimbaud, com Baudelaire, com Nietzsche, com Sade, com Lautréamont a infernizar tudo quanto é direitinho, conforme às normas, castração. (…)Apetece-me dizer que já pouco acredito nos partidos, mesmo nos de esquerda. Que lutar por lugares dentro da democracia burguesa é aceitar como irreversível a democracia burguesa e, portanto, afastar totalmente do horizonte a revolução, mesmo que se continue a falar na construção da sociedade socialista. (…)Apetece-me dizer que acredito na poesia e no amor como formas sub-ver-sivas. Que acredito em actos provocatórios, em agitações espontâneas que ridicularizem o instituído, no terrorismo poético. Que a criatividade é o último reduto da rebelião.»CHEEmborcar sete cervejas e cambalear só por causa de uma conversa, de uma gaja e de uma foto do Che. Telefonar-te a dizer que estou vivo e que, finalmente, voltei a devorar um livro, que curiosamente se chama “Memórias de um alcoólico” de Jack London. Entrar nas conversas e deixar escapar a deixa. Escrever declarações de amor a gajas de gosto duvidoso. Trair-te em Vilar de Mouros ao som dos Led Zeppelin. Estoirar em sonhos alucinatórios a meio de uma existência pacata. Voltar ao computador e à concha do lar familiar. Confundir vozes delirantes com masturbações mentais. Mas há a foto do Che no quarto a quem apelo contra todas as injustiças, todos os imperialismos, todas as tiranias. Mas há a foto do Che e a boina, o olhar, a estrela e volto a acreditar que a revolução é possível. Apesar de todas as normas, de todas as rotinas, de todos os filhos da puta.“Amanhã. Acordar.Morte aos sumos!De tudo quanto se escreve, apenas amo o que se escreve com o próprio sangue. (F. Nietzsche, Assim Falava Zaratustra)Ninguém já no mundo pode distinguir pelo aspecto físico um revolucionário de um provocador. (Pier Paolo Pasolini, Escritos Póstumos)Todos os deuses nos acenam de dentro da cona da gaja que amamos”.
«Só há três saídas: o suicídio, a loucura ou a revolta.»A. Pedro Ribeiro, declaração de amor ao primeiro-ministro – manifestos do partido surrealista situacionista libertário/OBJECTO CARDÍACO
posted by Black Rider at 10:34 PM
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
MÃE-TERRA
Sobes ao povo, ao aplauso
mas a plateia está deserta
sais à procura de mulheres
mas já estão todas tomadas
encontras o amor e a liberdade nos livros
mas chegas cá fora e não se passa nada
procuras a vida na tv
e saem-te bailados de caveiras
ninfas produzidas que nunca serão tuas
notícias esquizofrénicas que te fazem a mona
escravos a correr atrás da bola
e outros a aplaudir, a crucificar juízes
ou a foder o vizinho do lado
regressas ao bosque, ao Graal, ao inferno, à santa loucura
e queres ficar lá para sempre
e queres ficar para lá da mente
a dançar com Dionisos e com as Bacantes
a beber com deuses e palhaços
a celebrar com o xamã e com o Jim
a regressar ao mito criador
aos reis e poetas de onde vens
a Zeus, à grande Mãe. Terra.
A. Pedro Ribeiro, 24.Set.2006
mas a plateia está deserta
sais à procura de mulheres
mas já estão todas tomadas
encontras o amor e a liberdade nos livros
mas chegas cá fora e não se passa nada
procuras a vida na tv
e saem-te bailados de caveiras
ninfas produzidas que nunca serão tuas
notícias esquizofrénicas que te fazem a mona
escravos a correr atrás da bola
e outros a aplaudir, a crucificar juízes
ou a foder o vizinho do lado
regressas ao bosque, ao Graal, ao inferno, à santa loucura
e queres ficar lá para sempre
e queres ficar para lá da mente
a dançar com Dionisos e com as Bacantes
a beber com deuses e palhaços
a celebrar com o xamã e com o Jim
a regressar ao mito criador
aos reis e poetas de onde vens
a Zeus, à grande Mãe. Terra.
A. Pedro Ribeiro, 24.Set.2006
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
O AMOR LOUCO E AS BACANTES
AS BACANTES E O AMOR LOUCO
António Pedro Ribeiro
"Não fazemos mais do que amar a terra e, através da mulher, a terra retribui esse amor amando-nos", escreveu o fundador do movimento surrealista, André Breton. E, de facto, ao amarmos a terra amamos também a mulher, porque a mulher está muito mais próxima da terra, da natureza, do "Uno Primordial" do que o homem. E não é só a questão da maternidade a marcar a diferença. Basta observar os cabelos, os gritos e o riso das mulheres: são muito mais loucos, mais primitivos, mais selvagens, mais libertos. F. Nietzsche ("Para Além do Bem e do Mal") descreve magistralmente as mulheres: "o que na mulher inspira o respeito e, com frequência, o receio é a sua natureza mais natural do que a do homem, a sua leveza felina e astuta, a sua garra de tigre-fêmea, sob a luva de veludo, a ingenuidade do seu egoísmo, a sua irredutibilidade e a sua selvajaria intrínseca, o carácter incompreensível, desmesurado e volúvel dos seus desejos e virtudes". E Breton acrescenta em "O Amor Louco": "A dama de espadas é mais bela que a dama de copas".
Apesar de a sociedade mercantilista de hoje nos arrastar para o calculismo, para o cinismo, para a competição, para a eficácia, para a submissão, continuam a existir comportamentos predominantemente instintivos e intuitivos nas mulheres (ou, pelo menos, na maioria delas) que para nós, homens, parecem incompreensíveis mas que, ao mesmo tempo, nos fascinam e enfeitiçam. Só alguns homens- os artistas/criadores dionisíacos e os xamãs/feiticeiros índios conseguem ser instintivos, "irracionais" e primitivos como as mulheres e os animais. Aliás, é essa a sua benção e a sua tragédia. O próprio Dionisos se fazia passar por mulher para atrair as mulheres da cidade para a montanha, onde se convertiam em Bacantes que bebiam, dançavam, cantavam e dançavam e celebravam o deus do prazer e da embriaguez. Há muitos pontos de contacto entre os bacanais, os rituais xamânicos e alguns concertos rock dos nossos dias. Há uma atmosfera de celebração, de transe, de ritual mítico e primitivo comum às preces das bacantes, ao transe desmesurado do xamã que entra em contacto com os deuses e com os espíritos e ao vocalista/"frontman"/actor/ animal de palco que veste a pele do xamã e do próprio Dionisos- Jim Morrison, RobeRT Plant, Ian Curtis, Mick Jagger, Iggy Pop, David Bowie, Peter Murphy, são alguns dos melhores exemplos. Essa postura libertária/libertina pressupõe a ultrapassagem dos limites e da moral dominante, numa viagem que vai até à loucura e sempre que surge, através dos séculos, incomoda os poderes vigente que tentam, a todo o custo, afastá-la do cidadão comum ou abafá-la, o que já tem conseguido, mas nunca totalmente, já que a tensão dionisíaca e o "uno primordial" são intemporais e acabam sempre por libertar-se graças a algumas almas livres e malditas e às novas bacantes que despontam.
Para os filhos de Dionisos e para as mulheres não reprimidas, a liberdade e o amor só podem ser loucos. É por isso que Breton proclama: "Desejo-vos que sejais loucamente amada!" ("O Amor louco"). Léo Ferré acrescenta: "o amor é um dos aspectos que a divindade assume...tal como a música!" e Bizet, na sua "Carmen" corrobora: "O amor é um pássaro rebelde que ninguém pode aprisionar". Os grandes poetas: Homero, Shakespeare, Camões, Nietzsche, Sófocles, Rimbaud, Baudelaire, Breton, Walt Whitman, William Blake, John Milton, Holderlin, Artaud, Aragon, Sade, Cesariny, Herberto Hélder, Pessoa, Mário de Sá-Carneiro- têm de ser também magos e, portanto, loucos, naturais e primitivos, daí que se sintam mais próximos das mulheres.
António Pedro Ribeiro
"Não fazemos mais do que amar a terra e, através da mulher, a terra retribui esse amor amando-nos", escreveu o fundador do movimento surrealista, André Breton. E, de facto, ao amarmos a terra amamos também a mulher, porque a mulher está muito mais próxima da terra, da natureza, do "Uno Primordial" do que o homem. E não é só a questão da maternidade a marcar a diferença. Basta observar os cabelos, os gritos e o riso das mulheres: são muito mais loucos, mais primitivos, mais selvagens, mais libertos. F. Nietzsche ("Para Além do Bem e do Mal") descreve magistralmente as mulheres: "o que na mulher inspira o respeito e, com frequência, o receio é a sua natureza mais natural do que a do homem, a sua leveza felina e astuta, a sua garra de tigre-fêmea, sob a luva de veludo, a ingenuidade do seu egoísmo, a sua irredutibilidade e a sua selvajaria intrínseca, o carácter incompreensível, desmesurado e volúvel dos seus desejos e virtudes". E Breton acrescenta em "O Amor Louco": "A dama de espadas é mais bela que a dama de copas".
Apesar de a sociedade mercantilista de hoje nos arrastar para o calculismo, para o cinismo, para a competição, para a eficácia, para a submissão, continuam a existir comportamentos predominantemente instintivos e intuitivos nas mulheres (ou, pelo menos, na maioria delas) que para nós, homens, parecem incompreensíveis mas que, ao mesmo tempo, nos fascinam e enfeitiçam. Só alguns homens- os artistas/criadores dionisíacos e os xamãs/feiticeiros índios conseguem ser instintivos, "irracionais" e primitivos como as mulheres e os animais. Aliás, é essa a sua benção e a sua tragédia. O próprio Dionisos se fazia passar por mulher para atrair as mulheres da cidade para a montanha, onde se convertiam em Bacantes que bebiam, dançavam, cantavam e dançavam e celebravam o deus do prazer e da embriaguez. Há muitos pontos de contacto entre os bacanais, os rituais xamânicos e alguns concertos rock dos nossos dias. Há uma atmosfera de celebração, de transe, de ritual mítico e primitivo comum às preces das bacantes, ao transe desmesurado do xamã que entra em contacto com os deuses e com os espíritos e ao vocalista/"frontman"/actor/ animal de palco que veste a pele do xamã e do próprio Dionisos- Jim Morrison, RobeRT Plant, Ian Curtis, Mick Jagger, Iggy Pop, David Bowie, Peter Murphy, são alguns dos melhores exemplos. Essa postura libertária/libertina pressupõe a ultrapassagem dos limites e da moral dominante, numa viagem que vai até à loucura e sempre que surge, através dos séculos, incomoda os poderes vigente que tentam, a todo o custo, afastá-la do cidadão comum ou abafá-la, o que já tem conseguido, mas nunca totalmente, já que a tensão dionisíaca e o "uno primordial" são intemporais e acabam sempre por libertar-se graças a algumas almas livres e malditas e às novas bacantes que despontam.
Para os filhos de Dionisos e para as mulheres não reprimidas, a liberdade e o amor só podem ser loucos. É por isso que Breton proclama: "Desejo-vos que sejais loucamente amada!" ("O Amor louco"). Léo Ferré acrescenta: "o amor é um dos aspectos que a divindade assume...tal como a música!" e Bizet, na sua "Carmen" corrobora: "O amor é um pássaro rebelde que ninguém pode aprisionar". Os grandes poetas: Homero, Shakespeare, Camões, Nietzsche, Sófocles, Rimbaud, Baudelaire, Breton, Walt Whitman, William Blake, John Milton, Holderlin, Artaud, Aragon, Sade, Cesariny, Herberto Hélder, Pessoa, Mário de Sá-Carneiro- têm de ser também magos e, portanto, loucos, naturais e primitivos, daí que se sintam mais próximos das mulheres.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
POVOA ONLINE
A FRENTE GUEVARISTA LIBERTÁRIA condena totalmente a atitude da Câmara da Póvoa de Varzim de tentar silenciar o blog Povoa Online http://povoaonline.blogspot.com e outros. A cultura fascista de Macedo Vieira, Aires Pereira e Luis Diamantino veio uma vez mais à tona quando as verdades se tornam incómodas. FASCISMO, NUNCA MAIS!
Pela FGL,
António Pedro Ribeiro
Silvia Lopes.
Pela FGL,
António Pedro Ribeiro
Silvia Lopes.
domingo, 3 de dezembro de 2006
NIETSCHE SEGUNDO LAGE
O FANTASMA DE NIETZSCHE APARECE NO MEU QUARTO E FALA para o António Pedro Ribeiro
Nada fizeram por merecer-nos, os deuses. Não se deram sequer ao trabalho de nos salvar, mas nasceram várias vezes e morreram outras tantas em muitas línguas e países, ou circularam da planta ao jardineiro tudo ligando em universal desarmonia. Cansados de converter os gentios, de verem expostas suas vidas em textos sagrados, fartos de prestarem favores a troco de rezas e flores, invocados em missas negras e concertos de Black Metal, fumados nos trópicos, possuídos por xamãs nas vastas regiões do Norte, procurados no alto das montanhas do Nepal, vendidos em templos de arrabalde, arrumados em nichos, feitos ídolos com nossos pés de barro a fraquejar nas igrejas ou tomados por autores da matéria (quando só o espírito os podia explicar), desvincularam-se do mundo e das palavras, emitiram comunicados em que negaram qualquer envolvimento em ataques de bombistas suicidas, na gestão de um condomínio no céu (equipado com dez mil virgens), nos juramentos do presidente dos E.U.A., nas promessas não cumpridas de uma Nova Jerusalém ou na eleição de qualquer povo (em particular). Criados à nossa semelhança contra nós se revoltaram. E nós, fracos, a revolta lhes perdoamos. Nossa a culpa de os ter criado.
RUI LAGE
Nada fizeram por merecer-nos, os deuses. Não se deram sequer ao trabalho de nos salvar, mas nasceram várias vezes e morreram outras tantas em muitas línguas e países, ou circularam da planta ao jardineiro tudo ligando em universal desarmonia. Cansados de converter os gentios, de verem expostas suas vidas em textos sagrados, fartos de prestarem favores a troco de rezas e flores, invocados em missas negras e concertos de Black Metal, fumados nos trópicos, possuídos por xamãs nas vastas regiões do Norte, procurados no alto das montanhas do Nepal, vendidos em templos de arrabalde, arrumados em nichos, feitos ídolos com nossos pés de barro a fraquejar nas igrejas ou tomados por autores da matéria (quando só o espírito os podia explicar), desvincularam-se do mundo e das palavras, emitiram comunicados em que negaram qualquer envolvimento em ataques de bombistas suicidas, na gestão de um condomínio no céu (equipado com dez mil virgens), nos juramentos do presidente dos E.U.A., nas promessas não cumpridas de uma Nova Jerusalém ou na eleição de qualquer povo (em particular). Criados à nossa semelhança contra nós se revoltaram. E nós, fracos, a revolta lhes perdoamos. Nossa a culpa de os ter criado.
RUI LAGE
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
PARA CESARINY
A MÁRIO CESARINY
ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO
"O Maravilhoso exprime a necessidade de ultrapassar os limites impostos pela nossa estrutura, de atingir uma maior beleza, um maior poder, uma maior duração. Ele quer superar as barreiras do espaço e as do tempo (...) ele é a luta da liberdade contra tudo o que a reduz, a destrói e mutila; ele é tensão, isto é, qualquer coisa de diferente do trabalho regular e maquinal: a tensão da paixão e da poesia (...) ele é a estranha lucidez do delírio (...) ele inflama as multidões nas horas da revolta", escreveu Pierre Mabille ("O Maravilhoso"). Mário Cesariny, aparentemente desaparecido há dias, procurou sempre o "maravilhoso" na poesia, na pintura, na vida. Cesariny, fundador do Grupo Surrealista de Lisboa em 1947 com Alexandre O'Neill, António Pedro e Marcelino Vespeira, entre outros, colectivo que abandonou no ano seguinte para formar "Os Surrealistas" com António Maria Lisboa, Carlos Eurico da Costa, Cruzeiro Seixas e Pedro Oom, foi um Poeta, um Criador, um Espírito Livre, na acepção nietzscheana e surrealista dos termos. Um Poeta, repetimos, um mago da Cor e da Palavra, nunca um versejador da corte, um técnico da sílaba, um merceeiro/moedeiro romancista ou um imitador da forma como tantos que publicam livros e vende3m livros e vão às feiras do livro, aos colóquios e às conferências vomitar o óbvio e o conveniente.
Cesariny é um "poeta integral, irradiante" como disse Vítor Silva Tavares, um poeta de "Iluminações" como Rimbaud, como Blake, como Nietzsche, como Eurípedes, um poeta do amor, da liberdade, da revolução como Breton, como Péret, como Artaud, como Gingsberg. Os poetas de génio e, particularmente, os surrealistas, sempre andaram de mãos dadas com a loucura, sempre procuraram o "Maravilhoso" de Mabille, o "uno Primordial" das tragédias gregas, de Nietzsche, de Dionisos. "Caramba caramba António/ já estás muito mais parecido/ ou então era eu que não me lembrava/olha, hoje o teu clima está magnífico/olha, vamos sair desta cidade/ onde o teu clima é sempre para dividir por cinco/ vamos para as praias da alma arrebentar-nos vivos.", escreveu Cesariny em "Pena Capital" e acrescenta: "um pouco de certo modo por toda a parte/há homens desmaiados ou simplesmente mortos/O AMOR REDIME DO MUNDO diziam eles/ mas onde está o mundo senão aqui?"
Os poetas de génio como o autor de "Pena Capital", "A intervenção Surrealista" ou "O Virgem Negra" não suportam a vida burguesa, pequeno-burguesa ou mesmo proletária, rotineira, entediante, previsível, castradora. Vagueiam ou vadiam, na expressão de Agostinho da Silva, pela cidade, "á deriva", como os Situacionistas, pelas ruas, pelos tascos, pelos cafés (o "Gelo", o "lisboa", o "Rei Mar" dos travestis, das prostitutas), pelos bares, à procura da "Liberdade Cor de Hiomem" de Breton. "O Homem só será livre quando tiver destruído toda e qualquer espécie de ditadura religioso-política ou político-religiosa e quando for capaz de existir sem limites. Então o Homem será o Poeta e a poesia será o Amor Explosivo.(...) Para a Pátria, a Igreja e o Estado a nossa última palavra será sempre: MERDA!" Assim escrevia e era o autor de "Intensamente Livre". E é de liberdade e de aves livres que também fala Nietsche ("Assim Falava Zaratustra"): "Assim fala a sabedoria de ave (livre): Repara, não há alto nem baixo! Atira-te para todos os lados, para a frente, para trás, homem leve! Não fales! Canta!" Cesariny ficará para sempre associado ao canto da liberdade, aos poetas-magos, visionários, aos loucos divinos, aos xamãs.
ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO
"O Maravilhoso exprime a necessidade de ultrapassar os limites impostos pela nossa estrutura, de atingir uma maior beleza, um maior poder, uma maior duração. Ele quer superar as barreiras do espaço e as do tempo (...) ele é a luta da liberdade contra tudo o que a reduz, a destrói e mutila; ele é tensão, isto é, qualquer coisa de diferente do trabalho regular e maquinal: a tensão da paixão e da poesia (...) ele é a estranha lucidez do delírio (...) ele inflama as multidões nas horas da revolta", escreveu Pierre Mabille ("O Maravilhoso"). Mário Cesariny, aparentemente desaparecido há dias, procurou sempre o "maravilhoso" na poesia, na pintura, na vida. Cesariny, fundador do Grupo Surrealista de Lisboa em 1947 com Alexandre O'Neill, António Pedro e Marcelino Vespeira, entre outros, colectivo que abandonou no ano seguinte para formar "Os Surrealistas" com António Maria Lisboa, Carlos Eurico da Costa, Cruzeiro Seixas e Pedro Oom, foi um Poeta, um Criador, um Espírito Livre, na acepção nietzscheana e surrealista dos termos. Um Poeta, repetimos, um mago da Cor e da Palavra, nunca um versejador da corte, um técnico da sílaba, um merceeiro/moedeiro romancista ou um imitador da forma como tantos que publicam livros e vende3m livros e vão às feiras do livro, aos colóquios e às conferências vomitar o óbvio e o conveniente.
Cesariny é um "poeta integral, irradiante" como disse Vítor Silva Tavares, um poeta de "Iluminações" como Rimbaud, como Blake, como Nietzsche, como Eurípedes, um poeta do amor, da liberdade, da revolução como Breton, como Péret, como Artaud, como Gingsberg. Os poetas de génio e, particularmente, os surrealistas, sempre andaram de mãos dadas com a loucura, sempre procuraram o "Maravilhoso" de Mabille, o "uno Primordial" das tragédias gregas, de Nietzsche, de Dionisos. "Caramba caramba António/ já estás muito mais parecido/ ou então era eu que não me lembrava/olha, hoje o teu clima está magnífico/olha, vamos sair desta cidade/ onde o teu clima é sempre para dividir por cinco/ vamos para as praias da alma arrebentar-nos vivos.", escreveu Cesariny em "Pena Capital" e acrescenta: "um pouco de certo modo por toda a parte/há homens desmaiados ou simplesmente mortos/O AMOR REDIME DO MUNDO diziam eles/ mas onde está o mundo senão aqui?"
Os poetas de génio como o autor de "Pena Capital", "A intervenção Surrealista" ou "O Virgem Negra" não suportam a vida burguesa, pequeno-burguesa ou mesmo proletária, rotineira, entediante, previsível, castradora. Vagueiam ou vadiam, na expressão de Agostinho da Silva, pela cidade, "á deriva", como os Situacionistas, pelas ruas, pelos tascos, pelos cafés (o "Gelo", o "lisboa", o "Rei Mar" dos travestis, das prostitutas), pelos bares, à procura da "Liberdade Cor de Hiomem" de Breton. "O Homem só será livre quando tiver destruído toda e qualquer espécie de ditadura religioso-política ou político-religiosa e quando for capaz de existir sem limites. Então o Homem será o Poeta e a poesia será o Amor Explosivo.(...) Para a Pátria, a Igreja e o Estado a nossa última palavra será sempre: MERDA!" Assim escrevia e era o autor de "Intensamente Livre". E é de liberdade e de aves livres que também fala Nietsche ("Assim Falava Zaratustra"): "Assim fala a sabedoria de ave (livre): Repara, não há alto nem baixo! Atira-te para todos os lados, para a frente, para trás, homem leve! Não fales! Canta!" Cesariny ficará para sempre associado ao canto da liberdade, aos poetas-magos, visionários, aos loucos divinos, aos xamãs.
terça-feira, 28 de novembro de 2006
MÁRIO CESARINY
Depois de ver com seus próprios olhos como é que o
ratazana
toma o seu cházinho
Emile Henri
escritor da literatura da dinamite
lança a segunda bomba à porta do café Términus
dado que: da má distribuição da riqueza e das coisas boas da Terra
TODOS SEM EXCEPÇÃO TÊM A MÁXIMA CULPA.
ratazana
toma o seu cházinho
Emile Henri
escritor da literatura da dinamite
lança a segunda bomba à porta do café Términus
dado que: da má distribuição da riqueza e das coisas boas da Terra
TODOS SEM EXCEPÇÃO TÊM A MÁXIMA CULPA.
Rui Lage, Mário Pinto, o PÚBLICO e Nietzsche
Ao Rui Lage,
OfantasmadeNietzscheaparecenomeuquartoefala.doc (0.03 MB)
É assim mesmo, Pedro, e para provar a minha total concordância e empatia com a tua irritação, envio-te em anexo um poema do meu último livro (o qual já saiu da gráfica e será distribuído em inícios do próximo mês), poema esse intitulado, nem de propósito, "O fantasma de Nietzsche aparece no meu quarto e fala". De resto, o que é que estavas à espera do PÚBLICO? É o nosso jornal "neo-con"... Grande abraço, Rui L On 11/23/06, Pedro Ribeiro <apedroribeiro@hotmail.com> wrote:
Ex.mo Sr. Director do "PÚBLICO": O professor Mário Pinto, católico assumido, teceu, num artigo intitulado "Mas queremos mesmo valores", publicado no PÚBLICO de 20/11, considerações acerca de uma intervenção do professor Eduardo Lourenço acerca do filósofo e poeta F. Nietzsche no âmbito de uma conferência subordinada ao tema "Que valores para este tempo". Que Mário Pinto discorde da filosofia de Nietzsche nada de mais natural, uma vez que o filósofo alemão sempre combateu as doutrinas da Igreja Católica e do cristianismo que com a divinização do Céu, do Além e de um suposto Deus depreciam a vida terrena e convidam ao sacrifício, à resignação, à castração dos sentidos, ao tédio, à morte em vida, à repressão da vontade. Mas só quem nunca leu "Assim Falava Zaratustra", "A Origem da Tragédia" ou "Para Além do Bem e do Mal" é que pode cometer a imbecilidade e a injustiça de associar o mais genial dos filósofos ao nazismo. Nietzsche detestava a Pátria, o Estado, a mentalidade racionalista/materialista alemã, a polícia, o exército,. a autoridade, a ordem, a moral. Nietzsche amava a liberdade e a vida plena, estava para além do bem e do mal. O "Super-Homem" não é mais do que a superação do homem, que assim mata o Deus que há em si. O "Super-Homem" tem a ver com o espírito livre, com o artista-criador que já não tem preconceitos. Nietzsche está vivo, mais do que nunca, as suas profecias libertárias e dionisíacas andam por aí à solta. Quanto a Deus, M. Pinto e amigos que cuidem bem dele porque se não morreu, está gravemente doente, à imagem e semelhança do seu camarada Alá. António Pedro Ribeiro.
OfantasmadeNietzscheaparecenomeuquartoefala.doc (0.03 MB)
É assim mesmo, Pedro, e para provar a minha total concordância e empatia com a tua irritação, envio-te em anexo um poema do meu último livro (o qual já saiu da gráfica e será distribuído em inícios do próximo mês), poema esse intitulado, nem de propósito, "O fantasma de Nietzsche aparece no meu quarto e fala". De resto, o que é que estavas à espera do PÚBLICO? É o nosso jornal "neo-con"... Grande abraço, Rui L On 11/23/06, Pedro Ribeiro <apedroribeiro@hotmail.com> wrote:
Ex.mo Sr. Director do "PÚBLICO": O professor Mário Pinto, católico assumido, teceu, num artigo intitulado "Mas queremos mesmo valores", publicado no PÚBLICO de 20/11, considerações acerca de uma intervenção do professor Eduardo Lourenço acerca do filósofo e poeta F. Nietzsche no âmbito de uma conferência subordinada ao tema "Que valores para este tempo". Que Mário Pinto discorde da filosofia de Nietzsche nada de mais natural, uma vez que o filósofo alemão sempre combateu as doutrinas da Igreja Católica e do cristianismo que com a divinização do Céu, do Além e de um suposto Deus depreciam a vida terrena e convidam ao sacrifício, à resignação, à castração dos sentidos, ao tédio, à morte em vida, à repressão da vontade. Mas só quem nunca leu "Assim Falava Zaratustra", "A Origem da Tragédia" ou "Para Além do Bem e do Mal" é que pode cometer a imbecilidade e a injustiça de associar o mais genial dos filósofos ao nazismo. Nietzsche detestava a Pátria, o Estado, a mentalidade racionalista/materialista alemã, a polícia, o exército,. a autoridade, a ordem, a moral. Nietzsche amava a liberdade e a vida plena, estava para além do bem e do mal. O "Super-Homem" não é mais do que a superação do homem, que assim mata o Deus que há em si. O "Super-Homem" tem a ver com o espírito livre, com o artista-criador que já não tem preconceitos. Nietzsche está vivo, mais do que nunca, as suas profecias libertárias e dionisíacas andam por aí à solta. Quanto a Deus, M. Pinto e amigos que cuidem bem dele porque se não morreu, está gravemente doente, à imagem e semelhança do seu camarada Alá. António Pedro Ribeiro.
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
MANA EM CONCERTO
A banda MANA CALÓRICA & LAS TEQUILLAS dá um concerto na sexta, dia 24, pelas 22.45 horas, na Casa das Artes em Famalicão, integrado na abertura da Feira do Livro naquela cidade. "1º Ministro", "Anjo em Chamas", "Submissão", "Droga", "Faca", "Sangue de Loira" e "She's Lost Control" (Joy Division) são alguns dos temas a interpretar.
MANA EM CONCERTO
A banda MANA CALÓRICA & LAS TEQUILLAS dá um concerto na sexta, dia 24, pelas 22.45 horas, na Casa das Artes em Famalicão, integrado na abertura da Feira do Livro naquela cidade. "1º Ministro", "Anjo em Chamas", "Submissão", "Droga", "Faca", "Sangue de Loira" e "She's Lost Control" (Joy Division) são alguns dos temas a interpretar.
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
terça-feira, 14 de novembro de 2006
ASTÓRIA
O Astória
voultou ao Astória
os velhos passam
os bancos chulam
os jornais circulam
como as mamas
os bebés mamam
os bancos também
os polícias controlam
vêm de Cabez
como as águias
outros
apreciam
a natureza.
APR, café Astória, Braga, 2006.
voultou ao Astória
os velhos passam
os bancos chulam
os jornais circulam
como as mamas
os bebés mamam
os bancos também
os polícias controlam
vêm de Cabez
como as águias
outros
apreciam
a natureza.
APR, café Astória, Braga, 2006.
quinta-feira, 9 de novembro de 2006
UM CROFT EM LISBOA
Ao Changuito
um croft em Lisboa
voa voa
chuva chuva molha molha
até à hora de partir
um croft em Lisboa
dá-lhe dá~lha até partir
sempre o hino sempre o hino
a fazer o pino
nos colhões do Camões
que até nem tem culpa
do que faz dar o cu pela Pátria
ou a Pátria pelo cu
sei que vou subir
não tarda nada
a arder na garganta
na alma em transe
dança dança
até partir
como em 95 em Braga
cara feia
desfeita na tv
sou o que sou
sou o que me dão
o que me resta
não há cura
nem redenção
sou o homem que despeja
a cerveja
e se refaz
noite feita
mulher feita
minha irmã
Maldoror,
meu amor,
Satã na cortesã.
A. Pedro Ribeiro, Lisboa, 24.Out.2006, antes da "Barraca".
um croft em Lisboa
voa voa
chuva chuva molha molha
até à hora de partir
um croft em Lisboa
dá-lhe dá~lha até partir
sempre o hino sempre o hino
a fazer o pino
nos colhões do Camões
que até nem tem culpa
do que faz dar o cu pela Pátria
ou a Pátria pelo cu
sei que vou subir
não tarda nada
a arder na garganta
na alma em transe
dança dança
até partir
como em 95 em Braga
cara feia
desfeita na tv
sou o que sou
sou o que me dão
o que me resta
não há cura
nem redenção
sou o homem que despeja
a cerveja
e se refaz
noite feita
mulher feita
minha irmã
Maldoror,
meu amor,
Satã na cortesã.
A. Pedro Ribeiro, Lisboa, 24.Out.2006, antes da "Barraca".
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