Bebo cerveja
e as meninas falam de cabelos
bebo cerveja
num bar repleto de camelos
bebo cerveja
e enlouqueço
com o teu balançar de ancas
bebo cerveja
a ela pertenço
as meninas falam
e eu há meses sem conversa
se tivesse paleio
singrava na sociedade capitalista...
A. Pedro Ribeiro
sexta-feira, 30 de dezembro de 2005
Natal
Natal na rádio
rostos felizes na TV
roupas em resto de colecção
aceitam-se encomendas de bolo rei e de pão-de-ló
Batem as seis horas
e eu enlouqueço
no café "Doce Convívio"
De convívio já pouco resta
os meus amigos escrevem nos jornais
a branca de neve deprime-se na cama
e a máquina de costura portátil
devora sumos de laranja
Sou um poeta
nada mais do que isso
um poeta
que se comporta nos lugares públicos
apenas por convenção
E a maçã engole o Papa.
A. Pedro Ribeiro
rostos felizes na TV
roupas em resto de colecção
aceitam-se encomendas de bolo rei e de pão-de-ló
Batem as seis horas
e eu enlouqueço
no café "Doce Convívio"
De convívio já pouco resta
os meus amigos escrevem nos jornais
a branca de neve deprime-se na cama
e a máquina de costura portátil
devora sumos de laranja
Sou um poeta
nada mais do que isso
um poeta
que se comporta nos lugares públicos
apenas por convenção
E a maçã engole o Papa.
A. Pedro Ribeiro
A Mão na Mão
237. Três polícias.
238. Prendem o último abencerragem e o vendedor de vassouras.
239. Chegada de Salada disfarçada de massa de hóstia.
240. Um polícia prende-a.
241. Os polícias arreiam no último Abencerragem e no vendedor de vassouras.
242. Nas mãos só têm bifes.
243. Picam-nos.
244. Batem-nos com ovos de pata e temperam-nos.
245. Comem-nos.
246. Põem-se a dormir.
247. Apodrecem.
248. Regresso das renas.
249. As renas comem os polícias.
Benjamin Péret, "Morte aos Chuis e ao Campo de Honra".
238. Prendem o último abencerragem e o vendedor de vassouras.
239. Chegada de Salada disfarçada de massa de hóstia.
240. Um polícia prende-a.
241. Os polícias arreiam no último Abencerragem e no vendedor de vassouras.
242. Nas mãos só têm bifes.
243. Picam-nos.
244. Batem-nos com ovos de pata e temperam-nos.
245. Comem-nos.
246. Põem-se a dormir.
247. Apodrecem.
248. Regresso das renas.
249. As renas comem os polícias.
Benjamin Péret, "Morte aos Chuis e ao Campo de Honra".
terça-feira, 27 de dezembro de 2005
apoio a Manuel Alegre
António Pedro Ribeiro, ex-candidato à Presidência da República, declara o seu apoio à candidatura de Manuel Alegre, por afinidades poéticas.
sábado, 24 de dezembro de 2005
Passagem de Emile Henri
Era no tempo da palavra papel
da pluma bem comida lançando ideias de justiça
aos chineses
da espingarda de ar podre ao ombro de cada um
Depois de ver com seus próprios olhos como é que
o ratazana
toma o seu cházinho
Emile Henri
escritor da literatura da dinamite
lança a segunda bomba à porta do Café Términus
dado que: da má distribuição da riqueza e das coisas
boas da terra
TODOS SEM EXCEPÇÃO TÊM A MÁXIMA CULPA.
(Mário Cesariny)
da pluma bem comida lançando ideias de justiça
aos chineses
da espingarda de ar podre ao ombro de cada um
Depois de ver com seus próprios olhos como é que
o ratazana
toma o seu cházinho
Emile Henri
escritor da literatura da dinamite
lança a segunda bomba à porta do Café Términus
dado que: da má distribuição da riqueza e das coisas
boas da terra
TODOS SEM EXCEPÇÃO TÊM A MÁXIMA CULPA.
(Mário Cesariny)
domingo, 18 de dezembro de 2005
Paz, Poeta e Pombas
A Paz viajou em busca do silencio
sitiou Berlim
abdicou em Londres
a Paz saltou dos olhos do poeta
atacada de psicose maniaco-depressiva
Foi nessa altura que as pombas
solicitaram nas agencias as tarifas
mas nao viram mais o poeta
que gozava na Suiça
duma licença graciosa
A Paz saiu aos saltos para a rua
comeu mostarda
bebeu sangria
A Paz sentou-se em cima duma grua
atacada de artemia
Foi nessa altura que as pombas
solicitaram nas agencias as tarifas
mas nao viram mais o poeta
que gozava na Suiça
duma licença graciosa.
sitiou Berlim
abdicou em Londres
a Paz saltou dos olhos do poeta
atacada de psicose maniaco-depressiva
Foi nessa altura que as pombas
solicitaram nas agencias as tarifas
mas nao viram mais o poeta
que gozava na Suiça
duma licença graciosa
A Paz saiu aos saltos para a rua
comeu mostarda
bebeu sangria
A Paz sentou-se em cima duma grua
atacada de artemia
Foi nessa altura que as pombas
solicitaram nas agencias as tarifas
mas nao viram mais o poeta
que gozava na Suiça
duma licença graciosa.
(Jose Afonso)
Sapataria Tony
Um doido inofensivo gesticula no cafe
os clientes habituais olham para a TV
que transmite uma reportagem
acerca de um condutor apanhado com 4,92 gramas
de alcoolemia que se espetou na montra e nos bigodes
do Tony da Sapataria Tony
e eu nunca mais consigo acabar
as "Recordaçoes da Casa dos Mortos" de Dostoievski.
A. Pedro Ribeiro
os clientes habituais olham para a TV
que transmite uma reportagem
acerca de um condutor apanhado com 4,92 gramas
de alcoolemia que se espetou na montra e nos bigodes
do Tony da Sapataria Tony
e eu nunca mais consigo acabar
as "Recordaçoes da Casa dos Mortos" de Dostoievski.
A. Pedro Ribeiro
sábado, 17 de dezembro de 2005
borboletas
borboletas na inernet diskete cassete sai e mete na rosete que promete e nos submete paraisos artificios ceias de natal a entrada do centro comercial a saida do telejornal cassetete tete-a-tete confidencial da-me a tua morada a tua namorada o teu portal envia-me um postal uma queca no matagal uma lembrança de natal uma mulher fatal e diz aos putos para parar com o cagaçal nao me trates mal nao me ponhas mole, o amaral
chiclete na net orgia na retrete revista coquete croquetes e rissois de bacalhau au au cadela atomica supersonica harmonica filarmonica filantropica psicotropica monica volta aos meus braços aos meus cansaços aos meus bagaços aos meus cagaços aos meus palhaços em pedaços laços estilhaços calhamaços caracois duquesa de gois rouxinois pratinho de rissois cachecois em cascais aos casais jornais informais ais aias saias sais minerais um saque no cais de embarque um traque no iraque xeque-mate iate serrote garrote pote pichote riquecho senhora do o tende piedade do to que anda metido no po aniki-bobo as quartas-feiras dentro das eiras dentro das freiras dentro das frieiras na agua das torneiras no universo dos pereiras das colmeias e das onomatopeias ah ja da cara de amendua meu xara vem ca ouve la sarava em dakar junto ao mar recomeçar dar as cartas cavalgar inventar assassinar pinar reinar alcatroar albatroz femea feroz atras femea com gas que leva e traz prazeres em ruinas suinas suiças preguiças piças decapitadas pelo tesao que nao sobe mulher que fode mulher que pede e escraviza e sodomiza torre de pisa torre de piça ria tamisa camisa falsa alça alface carne vegetal tribunal cabral ao comite central ministros no bacanal com o teu soutien acampado na lousa no comicio do louça na casca da maça a ancia masturba-se turva-se lava-se conserva-se foda-se latas de sardinhas minhas campainhas picuinhas lingrinhas xoninhas xanax pentax de alcoolemia cloreto de eufemia mezinhas da romenia ofelia a janela hamlet dentro dela omelete de cabidela cidadela sitiada aguarela sentinela ao relento sargento.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2005
confeitaria
Sou o unico cliente da confeitaria. Os carros deslizam no vidro. Vende-se espaço e condominios do outro lado da rua. Os coletes verdes avançam e pedem colas e cervejas. Um deles engana-se no WC. Um velho apressado arrasta os pes para alcançar o jornal. Os coletes verdes conversam e sorriem. O radio passa U2. A vida ate parece bela e simples. Mas nao e.
Aviso a Tempo por Causa do Tempo
Declara-se para que se saiba:
1) Que nao apoiamos qualquer partido, grupo, directriz politica ou ideologia e que na sua frente apenas nos resta tomar conhecimento: algumas vezes achar bom, outras vezes achar mau. Quanto a nossa propria doutrina, os outros hao-de falar.
1) Que nao apoiamos qualquer partido, grupo, directriz politica ou ideologia e que na sua frente apenas nos resta tomar conhecimento: algumas vezes achar bom, outras vezes achar mau. Quanto a nossa propria doutrina, os outros hao-de falar.
2) Que nao simpatizando com qualquer organizaçao policial ou militar achamo-las, no entanto, fruto e elemento exacto e necessario da sociedade- com quem nao simpatizamos igualmente.
3) Que sendo nos individuos livres de compromissos politicos permaneceremos em qualquer local com o mesmo a vontade. Seremos nos os melhores cofres fortes dos segredos do estado: ignoramo-los.
4) Que sendo individualidades e, portanto, abjeccionamente desligados das normas convencionais, temos o maximo regozijo em ver essas normas nas componentes da sociedade. Assim delas daremos, por vezes, testemunho e mesmo ensino.
5) Que nao somos contra a ordem, o trabalho, o progresso, a familia, a patria, o conhecimento estabelecido (religioso, filosofico, cientifico) mas que na e pela Liberdade, Amor e Conhecimento que lhes preside preferimos estes.
6) Que a critica e a forma da nossa permanencia.
Acreditamos que nestes seis pontos fundamentais vao os elementos necessarios para que o Estado, o Governo, a Policia e a Sociedade nos respeitem; nos ha muito que nos limitamos neles e neles temos conhecido a maior liberdade. Nao se tem do mesmo modo limitado o Estado, a Policia e a Sociedade e muito menos o seu ultimo reduto: a familia. A eles permaneceremos fieis pois todo o nosso proprio destino e nao so parte dele a estes seis pontos andam ligados como homens, como artistas, como poetas e, por paradoxo, como membros desta sociedade.
(Antonio Maria Lisboa, Julho de 1953, in Utopia)
terça-feira, 13 de dezembro de 2005
o amor
O amor feito de noite
ao som metalico
de uma orquidea vermelha
e a estrada uivante
que se enrosca em tranças
de animais marinhos.
ao som metalico
de uma orquidea vermelha
e a estrada uivante
que se enrosca em tranças
de animais marinhos.
(Mario Henrique Leiria)
domingo, 11 de dezembro de 2005
Poesia
Poesia nao e uma medalha para por no peito dos tiranos mas uma imensa solidao feita de pedras, onde o despotismo pode encomendar o ataude. Cada um de nos odeia o que ama. Por isso o poeta nao ama a poesia que e so desespero e solidao mas acalenta ao peito as formigas da revolta e da rebeldia, que todos os despotas querem submissas e procriadoras. So os voluntarios da miseria e da submissao patriarcal querem a poesia na arca da aliança com a tradiçao pacovia e regionalista dos preteritos dias, glorias patrioteiras, heroicidades frustes, pirataria iguara. Todo o verdadeiro poeta despreza o pequeno monte de esterco onde o dejectaram no planeta e a que os outros chamam Patria, e so ama os grandes continentes, mares e oceanos da liberdade e do amor. So nos vastos espaços incriados da poesia serve o seu destino- catapultar o Homem nos abismos do desejo incontrolado onde o proximo assassino de que falo e o grande amplexo de homem para homem, a solidariedade e a ternura, nao a caridade hipocrita ou a cama de familia, com todo o seu pequeno cortejo de horrores, onde a exploraçao do filho pelo pai dita a sua lei.
(Pedro Oom, in Utopia nº 20/2005)
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