quinta-feira, 30 de abril de 2009

SOMOS TODOS TERRORISTAS!


POLÍCIAS E SECRETAS REFORÇARAM VIGILÂNCIA A RADICAIS DE ESQUERDA

Por Valentina Marcelino no Diário de Notícias de 25 de Abril de 2009

Grupos na mira das forças de segurança por suspeita de que hoje poderiam sair à rua em vários pontos do País para travar festejos do 25 de Abril, como há dois anos. Um episódio que vai levar a tribunal 11 jovens por acções violentas.

As forças de segurança voltaram a reforçar a vigilância aos mvimentos radicais de esquerda, por haver indícios de que estes poderão actuar hoje, nas celebrações do 25 de Abril, como aconteceu há dois anos.
De acordo com o que apurou o DN, a vigilância foi reforçada esta semana junto de grupos sedeados na zona de Lisboa, Almada, Barreiro, Porto e Amadora, e vai manter-se até depois do dia 1 de Maio. Fontes policiais confirmaram que a PSP tem trabalhado em conjunto com os elementos do SIS, entidade que em 2008 registou "indícios de radicalização de alguns núcleos activistas".
Esta preocupação agravou ainda mais com os alertas que chegaram nas últimas semanas da Europol. Mas não só. As conclusões da investigação dos desacatos do dia 25 de Abril de 2007 também colocaram as autoridades em alerta já que 11 arguidos vão ser levados a julgamento.
Além do mais, neste momento, as polícias já têm sinais de mobilização, através da internet, para os próximos dias. A "Rede Libertária" convoca no seu blog para uma manifestação "anti-capitalista e anti-autoritária" no dia 1 de Maio, no Príncipe Real, em Lisboa. No Bairro Alto já há cartazes colocados a anunciar a mobilização mas, segundo o porta-voz do Governo Civil de Lisboa não foi pedida autorização para esta iniciativa, o que se enquadra na estratégia utilizada por estes movimentos.
Há dois anos tais movimentos saíram à rua e provocaram desacatos. No relatório da PSP consta que cerca de 150 jovens, vários de caras tapadas, subiram a Rua do Carmo, em Lisboa, e atiraram plásticos com tinta contra as montras, transeuntes e lojas, fazento graffitis nas paredes com símbolos anarquistas. A polícia foi agredida por agentes com garrafas, paus e barras de ferro.
A confusão instalou-se e os jovens dispararam very lights. Quando estavam a preparar cocktails molotov o Corpo de Intervenção carregou em força e deteve os 11 que vão agora ser julgados.
As acusações formalizadas pela procuradora Ana Brito, do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) são "resistência e coacção sobre funcionário", "ofensa à integridade física qualificada de forma tentada", "injúrias agravadas" e "dano qualificado". Os arguidos negaram todas as acusações.
Para a procuradora aquele acto resultou de uma acção pensada, organizada e concertada entre alguns dos manifestantes, com o objectivo de provocar desacatos que exigissem a reacção da PSP. Vários dos detidos já tinham "cadastro" e tiveram ou têm ligações a indivíduos referenciados com os movimentos anarco-libertários, "okupas", anti-capitalismo e ecologistas radicais.
As autoridades notaram na manifestação que os activistas usam técnicas e tácticas "hostis, pouco vistas em território nacional", que se enquadram nos manuais de "acção directa", usada por grupos mais violentos noutros países. A investigação confirmou a presença destes em Portugal e na "manif" em causa, os quais exercem actividades influentes nos movimentos extremistas internacionais. As congéneres têm apoiado as associações portuguesas, quer financeiramente, quer na organização de acções.

MANUEL ALEGRE

Caso dos ovos atirados à ministra em Fafe
Manuel Alegre: Interrogatório a alunos “é um atentado ao espírito da escola pública”

29.04.2009 - 22h59 Maria Lopes

O deputado do PS, Manuel Alegre, classificou esta noite de “ intolerável” o caso dos interrogatórios a alunos de uma escola de Fafe feitos por um inspector da Educação. O objectivo era apurar o eventual envolvimento de professores no protesto que incluiu o arremesso de ovos à ministra Maria de Lurdes Rodrigues, aquando da sua visita à Escola Secundária de Fafe, em Novembro.

Na sua rubrica na TVI24, Palavras Assinadas, Manuel Alegre afirmou-se “estupefacto e indignado” com o caso. Apesar de a Inspecção-Geral de Educação “já ter feito uma nota dizendo que nada de anormal ocorreu”, conta o deputado, “isto não pode ficar assim”. O assunto não pode ser silenciado porque “a escola pública existe neste país democrático para formar cidadãos, não bufos nem denunciantes”.

A ser verdade, o caso “é um atentado à liberdade, ao espírito da escola pública e à constituição”, e demonstra que o dito inspector “enganou-se na profissão”. “Um inspector de Educação não pode agir como um inspector de polícia para incentivar alunos a denunciar professores e outros alunos”, reforça Alegre.

O deputado-poeta aproveita para citar outro poeta e pensador: “Dizia Antero de Quental que mesmo quando nos julgamos muito progressistas, pode emergir dentro de nós um fanático e um inquisidor. Eu espero que este fanático e este inquisidor não reapareçam no Portugal democrático, muito menos na escola pública.”

www.publico.clix.pt

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O REGRESSO DA PIDE

Interrogatórios a alunos indignam pais

Inspecção-Geral de Educação acusada de incentivar "comportamentos denunciantes"
29.04.2009 - 07h24 Graça Barbosa Ribeiro

Vários meses depois de a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, ter sido recebida com ovos, a Inspecção-Geral de Educação (IGE) foi ouvir os estudantes, maiores de 16 anos, da Escola Secundária de Fafe. A Associação de Pais contesta o método de interrogatório que, diz, incentiva a um "comportamento denunciante" e "é absolutamente inconcebível depois do 25 de Abril".

Os pais já enviaram cartas ao procurador-geral da República, ao provedor de Justiça e aos grupos parlamentares. A IGE assegura, através de ofício, que nada de ilegal ocorreu.

O protesto que deu origem às averiguações da IGE ocorreu em Novembro. Maria de Lurdes Rodrigues dirigia-se a um edifício próximo da Escola Secundária de Fafe, para participar numa sessão de entrega de diplomas do programa Novas Oportunidades, quando cerca de 200 alunos se aproximaram, vaiando a ministra e arremessando ovos contra as viaturas oficiais. A ministra nem chegou a sair do automóvel e a manifestação não durou muito, ao contrário das consequências, que se prolongaram no tempo.

O conselho executivo da escola, os pais e as associações sindicais vieram a terreiro criticar a forma como os estudantes protestaram contra o estatuto do aluno. Mas nem assim os ânimos serenaram. Vinte quatro horas depois, em Baião, miúdos armados com ovos esperaram por um governante que não apareceu. E, dias mais tarde, era a vez de os secretários de Estado Jorge Pedreira e Valter Lemos serem alvejados com ovos e tomates, em Lisboa, ao que reagiram dizendo não acreditar que as manifestações fossem espontâneas.

“As perguntas feitas aos alunos permitem-nos deduzir que é isso que pretenderão provar — que eles foram manipulados, nomeadamente pelos professores”, comentou ontem, em declarações ao PÚBLICO, Paulo Nogueira Pinto, ele próprio docente (noutra escola) e pai de uma das alunas interrogadas pelo inspector da DGE. “Como é que souberam que a ministra vinha a Fafe? Quem é que se lembrou de fazer a manifestação? Os professores deram aulas? Marcaram faltas a quem não esteve na sala? Como é que os alunos saíram da escola? Estava algum funcionário à porta?”, desfia Nogueira Pinto, exemplificando perguntas a que a sua filha, aluna do 10.º ano, teve de responder.

Segundo diz, ela foi escolhida “de forma mais ou menos aleatória”. Estava a terminar uma aula de Educação Física quando o inspector pediu ao professor que lhe indicasse alunos com 16 anos ou mais. “Ela fazia parte do grupo e, como já tinha acabado os exercícios, foi indicada ”, explicou.

Nogueira Pinto diz não duvidar da veracidade do esclarecimento da DGE que, em resposta à sua reclamação, informa que o interrogatório foi legal na medida em que foi feito a jovens maiores de 16 anos, imputáveis para fins penais. Insiste, no entanto, que, “do ponto de vista ético, o método é profundamente incorrecto”.

Aquele pai contesta o facto de a aluna, de 16 anos, ter sido levada para uma sala que não conhecia para ser interrogada durante cerca de uma hora, e também o facto de, na sua perspectiva, ter sido “incitada a acusar e denunciar pessoas, nomeadamente os seus professores, pelos quais se espera que tenha respeito como figuras de autoridade”. “No fim, fizeram-na assinar uma folha com a suposta transcrição das suas declarações, feitas por uma pessoa que a DGE identifica como sendo o secretário do inspector”, relatou.

O presidente da associação de pais, Manuel Oliveira Gonçalves, diz que mal foi alertado para o que estava a acontecer, durante o mês de Março, se dirigiu ao conselho executivo, que disse desconhecer como estavam a ser escolhidos os alunos e como decorriam as audições. E que, por isso, auscultou alguns dos estudantes ouvidos, cujos relatos coincidiam com o da filha de Nogueira Pinto.

“Assim como criticámos os alunos pela forma como se manifestaram, agora questionamos a legalidade e a legitimidade de um interrogatório deste tipo”, afirmou ontem Manuel Gonçalves. Não se considera “satisfeito com o esclarecimento” dado a Nogueira Pinto. “Por um lado, custa-me a crer que seja legal. Mas, ainda que assim fosse, não é legítimo. Eu nem queria acreditar que isto estava acontecer, tantos anos depois do 25 de Abril”, comentou.

O PÚBLICO contactou o vice-presidente do conselho executivo da escola, Rui Fonseca, que, dando conta da ausência do presidente, não quis comentar o assunto, alegando desconhecer pormenores. Também o Ministério da Educação, através do assessor de imprensa, Rui Nunes, se escusou a prestar qualquer esclarecimento.

terça-feira, 28 de abril de 2009

ROMANTISMOS


Regresso ao "Piolho" à tarde. Chove lá fora. A televisão transmite os programas imbecis da tarde. A loira dá prémios. As concorrentes põem-se em posição. Ninguém conhecido. Os putos bebem cerveja. Isto poderia ser um poema mas não está na forma de poema. A "Queima" aproxima-se. Os estudantes andam eufóricos. Vou ao Alemão olhar para a professora. Tem piada a gaja. Mas eu não pesco quase nada. A C. anda preocupada com as minhas actividades subversivas. O que é que se há-de fazer? O rumo está definido. Nada há a fazer, minha rica. Também sou um personagem romântico. O último dos poetas românticos, já o disseram. Sou aquele que diz o poema e que depois se vai embora, assim sem mais nem menos, sem despedidas. Estou condenado a ser romântico mesmo que a minha escrita, muitas vezes, não o seja. A minha escrita é punk, como escreveu o Henrique Fialho. A minha escrita é desvairada. E isto poderia ser um poema. E o Oliveira não aparece. E hoje não fui ao "Orfeuzinho", ao homem da concórdia, ao empregado que se faz à boazona do quiosque. Há seres que hão-de ser sempre solitários. Não é o meu caso. Há dias e dias. Esta semana não é a abrir como a semana passada. Hoje não vou ao "Pinguim". Na quarta irei ao "púcaros". Amanhã vou a Vila do Conde ensaiar com o Henrique. Temos concerto para a semana em São João da Madeira. Há que ver canções que não tocamos há muito. Há que retomar as Las Tequillas. Para a semana há metro toda a noite por causa da "Queima". Fixe, assim já posso ficar no Porto até mais tarde. O solitário permanece ao balcão. O eléctrico pára em frente ao "Piolho". Aqui também há um quiosque mas não tem boazonas. Só as boazonas das revistas. Chega o Fred.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

DIÁRIO


O Gomes agora trabalha no "universidade". Ficou imortalizado, salvo erro, no poema "Garrafa" do "Á Mesa do Homem Só". Encontrei o Miguel Guedes dos Blind Zero no "Piolho". Estivemos a falar de política, do Bloco e de outras coisas. Ontem a D. Rosa perguntou-me porque é que eu estava sempre a ler e a escrever. Pois é, D. Rosa, para se ser um grande escritor é necessário que os nossos livros se vendam bem e que os jornais falem de nós. Já têm falado, D. Rosa, mas só a espaços. Fogachos. Tenho levado uma vida de fogachos. São as tais explosões que vão acontecendo. Não sou homem de constâncias, de continuidades. Não sou um Louçã nem um Jerónimo de Sousa. Tal como disse ao Miguel Guedes, eles têm a via deles, eu tenho a minha, que não é só minha. Mas isso eu já tinha escrito. Disse á D. Rosa que escrever era a minha profissão. Afinal de contas estou registado nas Finanças como autor de livros e artista de palco. Os rendimentos é que são escassos. Mas um gajo também não pode passar a vida a queixar-se. Até me convidaram para ir ao Teatro Campo Alegre em Outubro. O Gesta diz que vai ser uma sessão explosiva. Com o João Rios, o Daniel Jonas e não sei mais quem. As pessoas já me pedem o "Manifesto Anti-Teles". Depois da merda do teste de Alemão vou ao Púcaros. Mais uma oportunidade para pregar mais umas coisas. Sabe, D. Rosa, é esta a vida que vou levando. Tem as suas coisas boas. Não me posso queixar. Ontem na sessão de Famalicão na Biblioteca Municipal houve discussão depois da poesia. Houve uma gaja, a Maria, que começou a falar do Che Guevara enquanto ícone, transformado em poster, depois de eu ter dito o poema "Che" e deu o mote. Às tantas já se estava a falar na violência doméstica e nos direitos das mulheres antes e depois do 25 de Abril. Mas voltanto à questão da Maria e do Zé que, entretanto, interveio. Acho preferível, mesmo que haja jovens que não saibam bem quem ele foi, que andem com posters e boinas do Che em vez de andarem com posters do Ronaldo. Por um lado, pode dizer-se que a imagem do Che foi absorvida pelo capitalismo mas, por outro lado, é sinal de que a sua mensagem e o seu exemplo continuam actuais quarenta anos depois da sua morte. É uma mensagem que resiste à queda do Muro de Berlim, que resiste á queda de outras referências da esquerda e da liberdade, que se mantém perfeitamente actual em plena crise capitalista. E é isto, D. Rosa. Isto tem sido a hostória da minha vida. Avanços e recuos. EXplosões e hibernações. Não é apenas falar do passado mas também e sobretudo falar do presente. O presente que é. O presente que somos e criamos. E pronto! Lá aparecem umas mamas para estragar tudo. Estava a ter um discurso sério, guevarista, e lá aparecem umas mamas para desestabilizar. Mas pronto. É o presente. O presente que passa à minha frente. As mamas que bebem cerveja. O prazer que anda á solta. E que sai e se dá a outro.

O POEMA


Quando vou dizer poesia
não vou apenas dizer poesia
vou passar mensagens
sinto que estou próximo
de escrever "o poema"
o poema à Nietzsche, divino,
que vá muito para lá das bolas de Natal
que incorpore a raiva, a revolta
que vai nas ruas de Atenas
e que se vai estender por toda a Europa
o poema que está no sexo, nas mamas das gajas
que permanentemente se insinuam para mim
e me acendem
o poema que está nas vozes dos deserdados da vida
dos que dormem à chuva e ao frio nas ruas,
nas cabines telefónicas, onde calha
o poema dos poetas malditos que insultam a vida imbecil
dos burgueses, que dizem não ás convenções e às normas,
que sobem à montanha da àguia e da serpente porque estão fartos
do rebanho e da populaça, porque estão fartos dos cegos
que se deixam governar por imbecis, como dizia Shakespeare
o poema daqueles que não se contentam com a lógica do dinheirinho
e do trabalhinho, daqueles que vão ao fundo deles mesmos e do mundo,
daqueles que odeiam o mercado e os contabilistas que governam,
daqueles que se tornam neles mesmos e que dizem que o melhor governo
é não existir governo nenhum
o poema daqueles que amam o caos porque sabem que é do caos
que nasce a criação, daqueles que amam as alturas e o perigo,
daqueles que se entediam com o paleio imbecil do dinheiro
e do sucesso mediático
o poema daqueles que amam vertiginosamente sem limites,
daqueles que procuram o sublime, o céu na Terra e que sabem
que pode estar ao virar da esquina
o poema daqueles que amam a vida, a vida pura, autêntica, a vida que não está
nos bancos nem nos governos nem nas Igrejas nem no quotidiano imbecil
e previsível
o poema daqueles que vivem em rebelião, que não suportam mais a existência quadrada
e vazia, a existência de percentagens, bolsas e estatísticas que esses cabrões
contabilistas nos vendem
o poema daqueles que já nada têm a perder, que atiram pedras e cocktails molotov
aos cães da polícia, aos representantes dos contabilistas e dos economistas,
que combatem a morte em nome da vida e que sabem que só assim a coisa é possível, sem
dirigentes nem vanguardas, sem negociações, mediações ou sindicatos.

Já se fizeram todas as negociações possíveis, já se esgotaram todos os entendimentos,
as negociações quase mataram o Homem, quase tornaram o Homem numa espécie falhada
é tempo de reagir
agora ou nunca!
WE WANT THE WORLD AND WE WANT IT NOW!
Não há aqui meios-termos
não há meias palavras
ou...ou...
ou és nosso ou és deles
estou a falar da vida
estou a falar da celebração
estou a falar da liberdade
estou a falar do amor
do amor que não está nos negócios, do amor que não está no mercado, do amor que não
está no dinheiro, no amor que não está no senso comum
este é o poema
o poema que não está cotado na bolsa
o poema que não está no mercado
o poema que não vale 4,3% nem 9%, nem 15,5% nem 18 valores
o poema que não é nota, o poema que não vai a exame
o poema que vai ao mar e se deixa levar
o poema que te ama
e que não quer saber do Natal
o poema que dança
e que não grama prisões
o poema que canta
e não quer saber de cifrões
o poema armado
que vai á luta
que vai até ao fim
o poema que vai à lua
que não tem fim
o poema que te chama
que te acena
ao lado de Merlin
o poema que procura
que anda ás turras
até encontrar
o poema que conquista
que se lança ao mar
sem medos
o poema-torpedo
o poema que perfura
até conseguir
o poema que incomoda
que não está na moda
e que, se calhar, até está
o poema que cria
o poema que destrói
o poema que inaugura
e que dói

olha, alguns fogem
viram a cara
outros ficam
siderados, talvez
nunca tinhas escrito bem assim...


A. Pedro Ribeiro

domingo, 26 de abril de 2009

ÁLCOOL GRATUITO PARA OS POETAS!


Síntese. Capacidade de síntese. Aprendi isso com o Artur Queiroz. Se calhar era o único "patrão" com quem atinava. Um gajo não se pode dispersar. Falar de "n" coisas ao mesmo tempo. Confundes o público. A não ser que o teu objectivo seja esse. Criar a confusão. Também diziam isso de mim na Faculdade de Letras. Às vezes também é preciso. Não sabia o que sei hoje. Mas, às vezes, poucas, conseguia virar a assembleia a meu favor. É preciso saber cativar o público ou o leitor. Vou voltar a falar do Partido Surrealista Situacionista Libertário. O PSSL vai concorrer às eleições. Estamos em ano de eleições. É preciso um novo partido. É preciso que os partidos se multipliquem. É preciso que haja centenas de partidos, milhares de partidos, milhões de partidos. Cada cidadão, um partido. É preciso que os partidos sejam inteiros. Como o PSSL, como a Frente Nietzscheana Dionisíaca, como a Liga Guevarista Morrisoniana, como o Partido dos Libertinos Oprimidos, como a Frente das Donas de Casa Revolucionárias, como o Movimento dos Bêbados Emancipados. Vamos concorrer a todas as eleições. Eleições atrás de eleições. Eleições todos os dias! E já não há brasileiras no café. E o café perdeu o samba. Não se pode disparar em todas as direcções. Gastar as munições todas. Também já o fiz no passado. Os "dragões" defendem a liderança. O professor Jesualdo teoriza. O sol brilha lá fora. Há "dragões", "leões" e "águias" por todo o lado. Aproxima-se a hora do futebol. Lourosa, Lourosa! Marrazes!- como canta o José Mário Branco no "FMI". O José Mário Branco é que tem razão. Teve sempre razão. Até foi ontem à televisão. Finalmente, à televisão! O José Mário Branco raramente passa na rádio. Talvez as coisas mudem um pouco. Há um silenciamento dos cantores de protesto e da resistência. Um gajo às vezes passa se misturar a revolução com o sexo e com o humor. Já percebi essa. Mas só a espaços. Até a Manuela Moura Guedes se tornou uma referência do anti-fascismo. Tem alguma coragem, não se pode negar. Rapaz, a cerveja está a acabar. Os poetas deveriam ser fornecidos gratuitamente quando estão a criar. Ou há cerveja ou há vinho ou há whisky ou a criação perde-se! Os tasqueiros e os estalajadeiros têm de compreender isso. Àlcool gatuito para os poetas! Sem àlcool não há criação. Há aqueles que não bebem, é certo. Mas isso é problema deles, não é nosso. Restam-me umas gotas. E a obra-prima a sair. A prima, a cunhada e a enteada, seja lá quem for. E agora vou mijar, com licença. Deixem os poetas à vontade! Deixem os poetas fazerem o que querem. Deixai-nos a nós a liberdade já que não estais interessados nela! Deixa-me, ó Rocha, que trocas o 25 de Abril por telemóveis! Deixa-me, ó Joana, que trocas a revolução pela "Zara"! Deixa-me, ó Zé, que trocas o amor pelo Ronaldo! Deixai-me em paz! Estou farto de vos ouvir, farto de aturar as vossas conversas. Sempre a mesma conversa. Não varia. É sempre a família, o futebol e as telenovelas. É sempre o diz que diz. E aquele que anda com aquela. Estou-me a cagar para as vossas merdas!

NA PRAÇA EM ABRIL


Fui à Praça, ao 25 de Abril, cumprir uma missão. Até o "Emplastro" lá apareceu atrás de mim. Fui à Praça com a linguagem directa dos "cabrões" e dos "filhos da puta". Fui à Praça passar a mensagem. Com outros companheiros libertários. Queimou-se o "Filho da Pide". E parece que a coisa resultou. Olhe, D. Rosa, agora somos todos terroristas. Para o SIS, para a Interpol e para o Sócrates somos todos terroristas porque somos de uma esquerda radical ou anarquistas. Conotam-nos com o Bin Laden e com criminosos vulgares. Mas isso, por um lado, até é bom. O cidadão comum fica a saber que existem anarquistas e extrema-esquerda a valer em Portugal. Foda-se. Finalmente alguma acção. Finalmente a coisa começa a fluir. Finalmente algumas perspectivas revolucionárias. E os putos começam a perceber a coisa.

25 DE ABRIL-O QUE FAZ FALTA

Sábado, Abril 25, 2009
25 de Abril - o que faz falta
Paulo Esperança (*)


A 25 de Abril de 1974 o capitalismo português estava numa encruzilhada de difíceis opções. Incapaz de continuar a resistir ao ostracismo que a comunidade internacional lhe impunha, considerava-se limitado para fazer expandir a sua voracidade de negócio extra-muros. Internamente, a política de “se quereis um povo forte e humilde dai-lhe fome” também não garantia a estabilidade necessária à prossecução dos seus objectivos.
A miséria “honesta” glorificada nos filmes de propaganda da Mocidade Portuguesa e do SNI já não colhia muitos adeptos. “Uma casa portuguesa”, Amália e Eusébio, “amendoeiras em flor”, “Fátima terra de fé”, “forcados e festa brava” já não significavam garantia de entrada de capital provindo do investimento estrangeiro.
O capitalismo português estava condicionado pela política do garrote. As suas regras de concorrência não tinham interlocutores nem consumidores, alimentavam-se autofagicamente da luta entre os vários grupos monopolistas amancebados com o regime. A repressão desenfreada, a sobrelotação das prisões políticas, a pobreza e a fome, as guerras coloniais não optimizavam a imprescindível paz social.
Para o capitalismo português, o marcelismo – derradeira esperança regeneradora – viria a representar uma oportunidade perdida – definitivamente a última.
Havia, portanto, que fazer algo ou aceitar que as coisas tinham de mudar.
Nascia, finalmente, “o dia inteiro e limpo”!
No écran do país passava um filme que não era suposto constar do programa mas que estava mesmo a acontecer.
O capitalismo português coçava-se na cadeira, olhava de soslaio, cofiava o bigode. “Inexplicavelmente” um povo até aí relativamente ordeiro e mudo extravazava as suas “competências” lançando-se numa panóplia de reivindicações imprevisíveis.
As fábricas passavam a ter outros métodos de direcção e produção, muitas terras foram parar à mão de quem as trabalhava, as casas vazias serviam de habitação a gente vinda das “ilhas”e das barracas, as escolas elegiam alunos e funcionários para os seus órgãos representativos. Os sindicatos radicalizavam-se, surgiam comissões de, trabalhadores, moradores, camponeses, soldados e marinheiros, a cantiga era uma arma, o povo unido jamais seria vencido.
Como sempre, o capitalismo não estava a dormir.
A “vingança serve-se fria”: investir tacticamente na razoabilidade e em quem pudesse controlar os excessos era a solução circunstancial para fazer crescer harmonicamente o novo regime.
Passado o medo inicial resultante da constituição de governos provisórios que misturavam gente “reconvertida”, comunistas seculares e democratas republicanos, o capitalismo português percebeu que a criação duma filosofia de apostas em vários “jokers” seria a melhor forma de atingir o seu desiderato.
Mário Soares e Frank Carluci, PCP “versus” esquerda radical, Sá Carneiro e Freitas do Amaral a aguentarem os saudosos do que tinha acabado. Pelo meio, os restos da “brigada do reumático” arvorados em militares democratas.
Estavam criadas as infra-estruturas mínimas para não deixar que o “barco descambasse”.
E não descambou!
O futuro já não era agora e depressa foram fechadas as “portas que Abril abriu”!
Apesar dos sonhos perdidos, das esperanças defraudadas ou do revanchismo dos vencedores não se pode dizer que esta região do mundo está, em absoluto, pior que antes de 1974.
É certo que já não há presos políticos e torturas policiais….mas de vez em quando ainda se dão uns tiros para o ar que, geralmente, acertam em “pretos” ou “ciganos”.
É verdade que nas últimas três décadas a economia portuguesa foi das que mais cresceu na média europeia…apesar da sua evidência ser a crise anunciada!
Os “sem-abrigo” foram reconhecidos oficialmente como sector social de risco e em invernos gélidos são-lhes postas à disposição tendas para dormirem ao relento em melhores condições.
O uso das comunicações democratizou-se - Portugal tem a maior taxa europeia de penetração de telemóveis … e também de acidentes de trabalho.
Muita gente carenciada desfruta do Rendimento Social de Inserção… e a “sopa dos pobres” têm cada vez mais clientes.
Enquanto as condições de vida procriavam miséria e desigualdades em muita gente o capitalismo português, sem precisar de esperar pelo “fim do filme”, ia reconstruindo o seu império desta vez em democracia e no respeito pela legalidade.
Tudo emoldurado com os princípios farisaicos de que … é preciso “padecer hoje para ser feliz amanhã”… “melhores dias virão”… e ”não há mal que sempre dure”!
O “assim na terra como céu” … ficava para depois!
No país do oásis convenceram-nos que a culpa do deserto árido é de todos, ou seja, não é de ninguém!
Este disco de “lenga-lenga” está riscado há trinta e cinco anos!
Mesmo assim, apesar do “vira o disco e toca o mesmo” o poder de Estado tem sido, neste trinta e cinco anos, notável na recuperação que faz dos seus objectivos, dos seus valores, dos seus métodos e das suas conquistas.
A exploração capitalista passou a ser justificável como forma de compensação à ousadia de investimento. A imbricação dos trabalhadores com a produtividade é vista como imprescindível para que os empresários não fechem as fábricas e possam garantir – muitas vezes fora de horas - o mínimo de salários para quem vende a sua força de trabalho. O controle da vida pessoal dos trabalhadores, incluindo a cronometragem das suas necessidades fisiológicas, passou a ser apresentada como forma de despistar os madraços. Os avultados lucros, a especulação bolsista, o locupletamento à custa da mais-valia produzida, os sinais ostensivos de riqueza são naturalmente tolerados como prémio a que os vencedores têm direito pela sua capacidade de arriscar.
O poder legislativo e executivo implementam estas atitudes e favorecem-nas com medidas que em muitos países da Europa são já arqueologia.
O “sol passa a pôr-se à meia-noite” para que o Código do Trabalho possa aliviar a folha de salários de quem pretende proteger despedindo e saneando à “tripa-forra”.
Se a saúde “vai mal” oferecem-se chorudos negócios à iniciativa privada à custa do sacrifício no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Os bancos e as grandes multinacionais aproveitam a “terra de ninguém” para se apropriarem da riqueza produzida em troca dumas míseras centenas de euros que pagam de IRC não se coibindo de vigarizar as contas para declararam a sua potencial insolvência e porem o “pessoal” a contribuir para as suas “melhoras”.
Os “pobres que paguem a crise” tem sido a criadora inovação do poder que lhe juntou também o que consuetudinariamente se chama “classe média”.
O desespero perante tamanhas iniquidades, a nostalgia salutar de Abril, a raiva sentida contra a injustiça, “os gordos a engordarem cada vez mais”, tudo isto faz com que, amiúde, a esperança seja derradeira e o virar de costas assuma carácter de dignidade.
Mas ninguém de boa-fé se sente humanamente reconfortado ao ver que “quem se lixa é sempre o mexilhão”!
Por isso as coisas podem mudar!
Há trinta e cinco anos esta região do mundo viveu um sonho que - sem embargo dos pesadelos que lhe sucederam - ninguém consegue iludir. Esse sonho baseava-se na rejeição do que ficara para trás e na perspectiva do que poderia ser um futuro diferente. Esse sonho foi sorrateiramente – mais tarde, às escancaras – vilipendiado e ofendido. Esse sonho partia dum princípio que deve reger os seres humanos de “boa vontade”: é preciso fazer o que faz falta!
A vida política portuguesa ao longo destes últimos trinta e cinco anos foi-se adaptando aos possibilismos retirando do imaginário colectivo a luta pelas utopias. Os próprios arautos da revolução foram-se rendendo em nome de estratégias de aproximação ao Poder. O Estado, entretanto, aproveitava e assumia o seu papel natural de patrão autocrático secando alternativas e silenciando propostas.
Hoje não há lugar para “ meias tintas”: ou se desiste ou se luta pelo que faz falta!
A democracia representativa foi construindo paulatinamente a sua “galinha dos ovos de ouro”. Nos períodos pré-estabelecidos e só nesses, convoca o público para o ringue. Em vez de lhe dar porrada como no resto do tempo oferece-lhe esferográficas e bonés, bandeiras e porta-moedas. Cumprimenta-o fraternalmente e até aceita ser tocada numa qualquer feira semanal. Em situações de crise de confiança oferece frigoríficos e electrodomésticos variados. Depois, umas “lágrimas de crocodilo” assemelhando-se a autocrítica comovem o coração dos renitentes enquanto umas promessas de aumento nas pensões fazem o resto.
O povo votou, o “juiz” decidiu, está decidido. O seu corpo está vivo porque a “sua menina dos olhos” funcionou. O espectáculo tem de continuar, agora só nos bastidores.
Nesta fase do “campeonato”, confrontar o poder – e os esquemas partidários que nele vivem, independentemente das sazonais discordâncias - com o desprezo perante este tipo de encenações poderá constituir uma boa forma de fazer demonstrar que Abril de 74 não aconteceu para só certificar embustes.
O primeiro grande embuste a desmascarar será o paradigma do seu órgão vital – a sua “menina dos olhos” - as suas eleições evidenciando o que se faz com um simples acumular de votos.
A seguir, o corpo nascido desse acumular de votos realçando que a representatividade não significa delegação e só é escrutinável “nas épocas de caça”.
Esta denúncia, esta vontade de “ver o rei nú” merece ser publicamente assumida como bandeira.
É tempo de, organizadamente, afirmar que nem sempre tem de ser como o poder quer. É possível fazê-lo confrontar com as consequências e mistificações do seu próprio discurso.
As forças que enjeitam a intervenção institucional agindo sozinhas só têm que deixar de lado o conceito isolacionista de “no meu quintal mando eu” sabendo discernir qual o principal alvo a contraditar.
Para que não andemos mais trinta e cinco anos “a ver se vemos o caminho a percorrer entre o Abril que fizemos e o que está por fazer”.

(*) Paulo Esperança, natural e residente no Porto, activista político e partidário antes e depois do 25 de Abril de 74, hoje está ligado ao associativismo de intervenção cívica e cultural. Por exemplo, faz parte da Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque.
Profissionalmente, é funcionário público.
http://josecarlospereira.blogspot.com/

sábado, 25 de abril de 2009

SOMOS TODOS TERRORISTAS E ANTI-CAPITALISTAS


1º de Maio Anticapitalista & Anti-autoritário - Manifestação - Jardim Príncipe Real – 16h, Lisboa


O 1º de Maio evoca aqueles que morreram na luta contra o capital. Desta forma, nunca poderá ser uma celebração. Por outro lado, em circunstância alguma se deverá homenagear uma das suas formas de escravatura: o trabalho ou o estatuto de trabalhador nos moldes de uma sociedade capitalista e autoritária.

A nossa luta é directa e global, contra todxs xs que nos exploram e oprimem, contra o patrão no nosso local de trabalho, contra o bófia no nosso bairro, contra a lavagem cerebral na nossa escola, contra as mercadorias com que nos iludem e escravizam, contra os tribunais e as prisões imprescindíveis para manter a propriedade e a ordem social.

Não nos revemos no simulacro de luta praticado pelxs esquerdistas, ancoradxs nos seus partidos, sindicatos e movimentos supostamente autónomos. Estes apenas aspiram a conquistar um andar de luxo no edifício fundado sobre a opressão e a exploração, contribuindo para dar novo rosto à miséria que nos é imposta.

Recusamos qualquer tentativa de renovação do capitalismo, engendrada nas cimeiras dos poderosos ou na oposição cínica posta em cena pelos fóruns dos seus falsos críticos. Não tenhamos ilusões. Não existe capitalismo “honesto”, “humano” ou “verde”. A “crise” com que nos alimentam até à náusea não é nenhuma novidade. A precaridade não é só um fenómeno da actualidade, existe desde que a exploração das nossas vidas se tornou necessária à sobrevivência deste sistema hierárquico e mercantil.

Porque queremos um mundo sem amos nem escravos, apelamos à resistência e ao ataque anticapitalista e anti-autoritário. E saímos à rua.

http://redelibertaria.blogspot.com

quinta-feira, 23 de abril de 2009

MANIFESTO ANTI-SÓCRATES


Sócrates é arrogante
Sócrates diz que é dialogante
mas não é
Sócrates é bem falante
Sócrates vai ao cu ao elefante
Sócrates é elegante
Sócrates é um altifalante
Sócrates é um inimigo da vida
Sócrates é um filho da puta
Sócrates é o representante
de tudo o que há de mais vil e desprezível
Sócrates é rebanho
Sócrates é do tamanho
da hipocrisia
Sócrates é o primeiro-ministro
Sócrates é o primeiro sinistro
Sócrates é ladrão
Sócrates é um cabrão
Sócrates é cinzentão
Sócrates ainda não sabe
o que penso dele
talvez me processe
talvez chame a polícia
o exército
a repressão toda
morra o Sócrates! Morra Pim!

Sócrates é um profeta da morte
Sócrates ama os bancos
ama a bolsa
ama o mercado
Sócrates não está isolado
Sócrates tem os seus seguidores
Sócrates é um inquisidor
Sócrates é um ditador
Sócrates não tem sensibilidade
Sócrates não tem humanidade
Sócrates merece cair
Morra o Sócrates! Morra pim!

Sócrates é vigarista
Sócrates é corrupto
Sócrates só pensa no viaduto
Sócrates é quadrado
Sócrates é formatado
Sócrates é uma alforreca
Sócrates é uma pata marreca
Sócrates é uma seca
Sócrates é uma queca mal dada
Sócrates é obra
Sócrates é estrada
Sócrates é TGV
Sócrates é aeroporto
Sócrates é avião
Sócrates é o alcatrão
que nos envenena
Morra o Sócrates! Morra Pim!

Sócrates é vaidade
Sócrates é uniformidade
Sócrates é autoritário
Sócrates irrita-se
Sócrates diz que está a ser caçado
Sócrates tem mau olhado
Sócrates é televisionado
Sócrates está em todo o lado
Sócrates é controlado
mas, às vezes, quase perde o controle
Sócrates não é mole
Sócrates é disciplinado
Sócrates é telecomandado
Sócrates é um robot
morra o Sócrates! Morra Pim!

Sócrates é uma merda
Sócrates não vale nada
Sócrates dá trabalho
Sócrates é um caralho
Sócrates é um empecilho
Sócrates come milho
Sócrates é um galináceo
Sócrates é um pascácio
Sócrates é fascista
Sócrates é um ilusionista
Sócrates é um contorcionista
Sócrates é um equilibrista
Sócrates é uma fatia de pizza
morra o Sócrates! Morra Pim!

Sócrates é um cataclismo
Sócrates é um autoclismo
Sócrates está ao serviço
dos banqueiros e dos capitalistas
Sócrates é um chulo
Sócrates fica fulo
sempre que o contrariam
Sócrates vai ao ringue
Sócrates dá alguma luta
mas não passa de um bom filho da puta!

PARTIDO SURREALISTA SITUACIONISTA LIBERTÁRIO

A GUERRILHA DE DIONISOS


Uma pausa no speed
uma pausa na "Motina"
a ouvir a D. Rosa
que também tem dúvidas existenciais
e que fala da solidão e da luz
e que fala com toda a gente
e que tem saudades da cidade
e que pintava santos
mas vem a rádio e fala na crise
a crise está em tudo
a crise devora tudo
até os capitalistas e os banqueiros
até os capitalistas e os banqueiros
se começam a sentir desesperados
e isso é bom
dá gozo ver que os lucros baixam
que as bolsas caem
sinto-me um Nero
no meio do incêndio de Roma
só não fui eu que o casei
mas agora quero que ele alastre
que os campónios da Bolívia
se revoltem finalmente
em vez de nos andarem a denunciar
à polícia e ao exército
em vez de se andarem a maldizer
uns aos outros
em vez de andarem a cuscuvilhar
a vidinha alheia
em vez de continuarem a votar sempre
nos mesmos gajos
sabe, D. Rosa,
eu tenho de continuar a acreditar no Homem
embora ele, muitas vezes, o não mereça
a senhora é crente, bem o sei
mas o único verdadeiro cristão morreu na cruz,
já o disse Nietzsche
eu sei que pareço um solitário incorrigível
um poeta triste e só
mas na cidade tenho muitos amigos e conhecidos
e amigas e companheiros e camaradas
saiba que a onda está a crescer
a disseminar-se por novas paragens
mesmo que vá com a treta das gajas boas
a coisa resulta
agora não ouça, D. Rosa
é preciso juntar o sexo à revolução
mesclar o Che Guevara com o marquês de Sade
Jim Morrison com Bakunine
Marx com Nietzsche
Dionisos com Debord
isto nada tem de incoerente,
caros teóricos,
é a vida
a própria vida
as pulsões vitais
contra a morte capitalista
é a frase curta, incisiva
que vem do punk
a faca
a facada
a noitada
a dançar

e o nome do deus é Dionisos.

Vilar do Pinheiro, 23.4.2009

NA GUERRILHA


Fui a Famalicão e só lá deixei 70 cêntimos. O comércio famalicense deve andar chateado comigo. É claro que lá fui por causa do amor e não do comércio. Aliás, já ando para aí a proclamar que estou à margem do espírito e do sistema moedeiro e merceeiro. Não deixo de ser coerente com as minhas teses. Sou coerente no meio da minha incoerência e da minha loucura. Não estou no meio do mato ou da floresta a combater, na guerrilha. Não tenho de seguir qualquer disciplina rígida. Combato com as palavras, é certo. Mas aí não sou disciplinado embora persiga objectivos concretos. O Che e outros combatem na guerrilha e a guerrilha não tem nada de romântico. Passas fome, passas por várias privações, ou matas ou morres. Faziam-se até fuzilamentos por muito criticável que isso possa ser. Gosto muito mais de andar de comboio do que de metro. Prefiro os revisores áquelas máquinas que às vezes falham e aos controleiros que aparecem quando menos se espera. Não gosto de controleiros por muito que admire Fidel Castro e Hugo Chávez. Há situações de resistência em que é preciso controle e disciplina, admito. Mas esse não tem sido o meu departamento. Sempre que seguia uma disciplina mais tarde ou mais cedo acabava por rompê-la. Aconteceu isso nos partidos. E cheguei a receber sanções por causa disso. Nos partidos há hierarquias, há controle e eu já não vou nessa cantiga. O Jerónimo, o Louçã seguem a via deles e eu a minha. É essa a questão. Cada um desempenha o seu papel. Eu tenho a vantagem de não ter as ditas responsabilidades de direcção, de não ter nada e quase nada a perder. Posso dizer ou escrever aquilo que quero e quando quero. A questão é a mensagem passar, ser ou não publicada ou divulgada. Eu já tenho conseguido furar a barreira. É claro que depende do público que temos. Não vou dizer um poema pornográfico perante uma plateia de senhoras de 70 anos. Tenho sido, de facto, mas particularmente nos últimos anos um guerrilheiro à minha maneira, um guerrilheiro da palavra. Temos é de escolher bem quem vamos raptar. Há pessoas, indivíduos, mercadores, de quem não tenho pena nenhuma. É triste vermos, como o Che, que os camponeses não nos apoiam ou que até nos traem. Eles não entendem que estamos a lutar por eles. Que queremos dar-lhes comida, assistência médica, ensiná-los a ler e a escrever.

PCTP/MRPP


PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES PORTUGUESES (PCTP/MRPP)

Declaração


NÓS, TRABALHADORES,
QUEREMOS TER VOZ PRÓPRIA
NO PARLAMENTO EUROPEU!



A lista de candidatos ao Parlamento Europeu que acabou de ser entregue - e a qual tenho a honra de encabeçar - constitui algo mais do que uma candidatura do PCTP/MRPP ao acto eleitoral do próximo dia 7 de Junho. Ela consubstancia a vontade dos trabalhadores portugueses em virem a ter a sua própria voz representada no Parlamento Europeu nesta hora de profunda crise global do capitalismo.

Mais ainda: esta candidatura está certa e segura de ser esse igualmente o desejo de todos os trabalhadores europeus nos respectivos actos eleitorais que em Junho terão lugar em cada um dos países da União Europeia.

Essa voz tem que fazer-se ouvir e vai fazer-se ouvir!

Neste contexto, esta candidatura irá pugnar pela verdade e combater toda a espécie de ilusões, doa a quem doer.

A presente crise pôs abertamente a nu a falência da União Europeia como estrutura regional de coordenação económica ao serviço do grande capital. E, do mesmo passo, colocou ainda mais a nu a política de direita do Governo do engº. Sócrates, a qual, entre outras coisas, até nos sonegou a promessa eleitoral do PS de submeter a referendo o chamado Tratado de Lisboa.

Assim, impõe-se nesta campanha fazer um balanço sério da chamada «integração europeia»; é preciso saber para que serviram e para que bolsos foram os «fundos comunitários».

Impõe-se também denunciar a natureza do capitalismo, a responsabilidade da União Europeia e do Governo Sócrates na presente crise e, ao mesmo tempo, defender uma forma alternativa, socialista, de organização do sistema económico e político – seja ao nível do país, seja ao nível regional e europeu.

Importa construir na luta a organização revolucionária dos trabalhadores portugueses e europeus, e defender medidas imediatas de combate à crise com esse conteúdo. Esta será a marca-de-água da presente candidatura às eleições europeias.



Lisboa, 23 de Abril de 2009.

P’la Candidatura do PCTP/MRPP,


Orlando Alves.

www.pctpmrpp.org
pctp@pctpmrpp.org

O FASCISMO AINDA EM SANTA COMBA DÃO

A praça é conhecida por Largo da Praça
Resistentes Antifascistas indignados com a escolha do nome Salazar para praça central de Santa Comba Dão
23.04.2009 - 09h06 Sandra Ferreira
A polémica está instalada em Santa Comba Dão. O presidente do município, João Lourenço (PSD), escolheu as comemorações do 25 de Abril para inaugurar, nada mais, nada menos, do que a Praça de António Oliveira Salazar, nome do ditador, natural do concelho. "É uma provocação", considera Alberto Andrade da União dos Resistentes Antifascistas (URAP), referindo-se à escolha do autarca.

O anúncio está divulgado no site do município. O presidente da autarquia, João Lourenço, considera que a escolha da data é uma "coincidência feliz" por ser sinónimo de que as obras de requalificação da praça estão concluídas.

O autarca explica que pretendia fazer a inauguração da praça num feriado e, como as obras estavam prontas, não viu qualquer razão para fazer adiamentos. Considera que as comemorações do 25 de Abril devem incluir inaugurações de obras "relevantes" para o concelho. "Se fosse no dia 1 de Maio, seria nessa data, mas como estão prontas agora será no dia 25 de Abril", argumenta. Lourenço exclui qualquer significado político pela decisão tomada, a não ser a de "maturidade política". Se assim não fosse, adianta, não seria possível inaugurar a praça com o nome do ditador no mesmo dia em que se assinala a Revolução dos Cravos, afirma.

Alberto Andrade da URAP tem outro entendimento e fala em "provocação directa aos capitães de Abril, a todos os democratas e à constituição portuguesa". E escolhe três adjectivos para classificar a escolha do presidente, eleito pelo PSD: "Irresponsável, fascizante e salazarenta."

João Lourenço devolve a crítica, afirmando que "mais fascista" é quem insiste em querer "apagar da memória um homem, que quer se goste ou não, faz parte da história". Assegura que apesar de estar empenhado em concretizar o Centro de Estudos do Estado Novo, nas antigas casas da família do ditador, em Vimieiro (Santa Comba Dão), não é simpatizante de Salazar. Mesmo assim, admite que poderia ter evitado a polémica se tivesse optado por divulgar a obra pelo nome que é conhecida (Largo da Praça) em vez de António Oliveira Salazar.

De qualquer forma, "a praça tem o nome do ditador e é algo que não podemos negar", argumenta João Lourenço. A Praça de Salazar fica situada na zona urbana da cidade, em frente à Junta de Freguesia de Santa Comba Dão, onde existem muitas tasquinhas. Os festejos do município foram divulgados há cerca de uma semana, sem que qualquer cidadão se tenha mostrado incomodado, assegura o autarca. E diz não reconhecer qualquer autoridade à União de Resistentes Antifascistas, acusando mesmo a organização de ter uma visão "totalitária".

As comemorações do 25 de Abril em Santa Comba Dão incluem o lançamento de um livro e exposição de Hugo Coimbra intituladas Guiné. Saudade e Sofrimento, porco no espeto e a actuação da Tuna Santo Estevão.

www.publico.clix.pt

SOLIDARIEDADE COM OS ESTUDANTES DE PENACOVA


Solidariedade com os estudantes de Penacova!
Três alunos de Penacova cumprem 20 horas de serviço comunitário por terem tentado encerrar a escola a cadeado contra o Estatuto do Aluno. Este caso é tanto mais grave quando é conhecido a três dias das comemorações do 35º aniversário da Revolução de Abril. Não só me solidarizo com o Fábio, o Gonçalo e o Eduardo como aproveito para tornar público que encerrei várias vezes da mesma forma a escola em que estudei. Está na hora de dar a volta a isto. Abril de novo!

Publicada por Pedro Bala em 1:00
http://radiomoscovo.blogspot.com

O FASCISMO NO SEU MELHOR

Jovens de 18 anos foram constituídos arguidos pela eventual prática dos crimes de coacção
Três alunos de Penacova cumprem serviço comunitário após manifestação na escola
23.04.2009 - 00h14 André Jegundo
Três alunos da Escola Secundária de Penacova vão cumprir 20 horas de serviço comunitário por terem tentado encerrar a escola a cadeado durante uma manifestação contra o Estatuto do Aluno, em Novembro passado.

Os estudantes, agora com 18 anos de idade, foram constituídos arguidos pela eventual prática do crime de coacção e por proposta do Ministério Público (MP), com a concordância dos próprios, vão prestar serviço comunitário de modo a evitar uma possível acusação e condenação. Contudo, os pais e a associação de encarregados de educação da escola estão “indignados” e dizem que os estudantes “sofreram na prática uma condenação”.

Por proposta do MP de Penacova, e com a concordância de uma juíza de instrução criminal, o processo de que os estudantes são alvo foi suspenso durante quatro meses e as 20 horas de “serviço de interesse público” devem ser prestadas “no estabelecimento de educação onde foram praticados os factos”, refere o despacho do MP. Ao mesmo tempo, os três jovens vão ser acompanhados pelo Centro de Observação e Acção Social de Coimbra, onde ontem marcaram presença pela primeira vez.

O caso remonta a 17 Novembro do ano passado, quando Fábio, Gonçalo e Eduardo se preparavam para encerrar o portão da escola a cadeado no dia de uma manifestação contra o Estatuto do Aluno. Uma patrulha da GNR que se encontrava no local impediu-os de encerrar a escola e os estudantes acabaram por ser identificados. “Não chegámos a colocar o cadeado porque a GNR falou connosco e disse-nos que, se o fizéssemos, poderíamos ter problemas”, refere Gonçalo.

Depois de ter identificado os estudantes, a GNR elaborou um auto da ocorrência que foi enviado para o MP. “Os miúdos foram posteriormente chamados a prestar declarações no Ministério Público e foi então que tiveram conhecimento de que estavam indiciados pela eventual prática do crime de coacção por terem tentado encerrar a escola”, revela Patrícia Luís, advogada de um dos estudantes. Os pais dos alunos não compreendem por que razão os estudantes foram envolvidos no processo mesmo não tendo encerrado a escola, mas a advogada lembra que o crime de coacção é punível “também na forma tentada”.

Os advogados que representam os estudantes aconselharam-nos a aceitar a proposta de suspensão do processo formalizada pelo MP de modo a evitar uma eventual acusação. Ilda Simões, advogada de dois dos estudantes, defende que esta foi a “melhor forma” de terminar o processo. “Julgo que é uma forma didáctica de lhes mostrar que têm o direito de se manifestar e de fazer greve mas que não podem impedir os outros de entrar na escola, como pretendiam naquele dia”, defende. Opinião diferente têm os pais dos alunos, que dizem não compreender por que razão os estudantes têm de cumprir serviço comunitário se “não praticaram qualquer crime”. Paula Bernardes e Pedro Santo, mãe e pai de dois dos alunos envolvidos, defendem que o caso devia ter sido resolvido “dentro da escola, no âmbito de um processo disciplinar e não através de um processo judicial”, posição defendida pela associação de pais da escola que ontem emitiu um comunicado a criticar a actuação da justiça.

Também ontem a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) “condenou” a situação em que os três estudantes estão envolvidos, defendendo que se trata de um caso “grave, que atenta contra a liberdade de expressão”. “Estão a ser tratados como verdadeiros delinquentes e não são”, declarou Maria José Viseu, presidente da CNIPE.

in www.publico.clix.pt

O SÓCRATES É O MAIOR. TOCA O FMI DO JOSÉ MÁRIO BRANCO


Previsões da Primavera
Desemprego dispara para 11 por cento no próximo ano, diz o FMI
22.04.2009 - 13h05
Por Sérgio Aníbal
Carlos Lopes (arquivo)

No final deste ano, o FMI estima uma taxa de desemprego de 9,6 por cento
O Fundo Monetário Internacional está a antecipar uma escalada da taxa de desemprego em Portugal durante este ano e o próximo, com a barreira dos 10 por cento a ser ultrapassada.

Nas previsões de Primavera hoje publicadas, o Fundo diz que este indicador, em Portugal, passará de 7,8 por cento em 2008 para 9,6 por cento este ano, continuando a subir no próximo ano, momento em que poderá atingir os 11 por cento da população activa. A confirmarem-se estes números, seria batido o máximo da taxa de desemprego em Portugal das últimas três décadas.

A subida do desemprego prevista acontece num cenário em que o FMI acredita que a economia portuguesa registará, em 2009 e 2010, dois anos de variação negativa do PIB. O recuo previsto é de 4,1 por cento este ano e de 0,5 por cento no próximo, em linha com a média europeia.

A subida de desemprego está longe de ser um exclusivo português. Para o total da Zona Euro, o Fundo está a prever uma taxa de 10,1 por cento em 2009 e de 11,5 por cento em 2010.

COMUNICADO DO SINDICATO DOS JORNALISTAS

2009/ABR/22
Despedimento colectivo no "Correio da Manhã"

A Administração do “Correio da Manhã” pretende levar a cabo um despedimento colectivo envolvendo uma dezena de trabalhadores, sete dos quais jornalistas.
A empresa alega a necessidade de redução de custos, mas o Sindicato dos Jornalistas (SJ), em comunicado divulgado hoje, 22 de Abril, considera não haver "motivos válidos para o desencadeamento de um processo desta natureza".

É o seguinte o texto, na íntegra, do comunicado do SJ:

SJ contra despedimentos no “Correio da Manhã”

1. A Administração do “Correio da Manhã” comunicou hoje a intenção de proceder a um despedimento colectivo, envolvendo uma dezena de trabalhadores, sete dos quais jornalistas, alegando a necessidade de redução de custos.

2. O Sindicato dos Jornalistas (SJ) condena vivamente o procedimento seguido pela empresa, por não encontrar motivos válidos para o desencadeamento de um processo desta natureza, desde logo porque o CM é uma publicação líder no mercado editorial português e se insere num dos mais importantes e sólidos grupos a operar no sector – a Cofina.

3. O SJ não pode aceitar que, a pretexto da conjuntura, as empresas aproveitem para despedir profissionais pois, mesmo que viesse a invocar-se uma qualquer crise, deve sublinhar-se que a Cofina possui capacidade para diminuir o seu impacto e prestar apoio a empresas do grupo que circunstancialmente o necessitem.

4. O Sindicato não nega às empresas o direito de abrirem processos de adesão voluntária a programas de redução de pessoal, embora tais programas se traduzam geralmente num desperdício de experiência e de memória que enfraquece as redacções e empobrece o serviço prestado aos cidadãos. Mas rejeita claramente despedimentos como aquele que agora foi desencadeado.

5. Trata-se, por outro lado, de um despedimento que acentua a redução de jornalistas recentemente encetada, nomeadamente em delegações do jornal (são atingidas agora as delegações de Braga, Porto e Algarve, além da sede), diminuindo a relação do CM com as regiões, com efeitos negativos na expressão da diversidade das realidades do país.

6. O Sindicato, que continuará a acompanhar a situação e a prestar todo o apoio que lhe for possível aos seus associados, apela aos jornalistas e outros trabalhadores ao serviço do CM para que se mantenham unidos e para que lutem para impedir este despedimento, assim como para prevenir futuras ofensivas contra os seus direitos – o primeiro dos quais é o direito ao trabalho.

Lisboa, 22 de Abril de 2009

A Direcção

quarta-feira, 22 de abril de 2009

VIOLA-ME ELÉCTRICA


Esta semana vai ser e já está a ser a abrir. Ontem Pinguim, hoje Famalicão, amanhã Púcaros, sexta Casa Viva, sábado 25 de Abril nos Aliados. Até me tem faltado o tempo para postar os textos nos blogues. Só não me saem poemas. Apenas esta escrita diarística. Estou na "Motina" e sou o único cliente. A tarde está solarenga. Como vem sendo hábito a manhã não existiu para mim. Vou-me sentindo com pedal, com o pedal que me dás. Vou tendo reuniões com os meus companheiros libertários. Aqui há uns anos lia enfaticamente os poemas do Ary dos Santos, do Zéca Afonso. Não é que os tenha deixado de admirar mas estou noutra onda, não saudosista. O homem coloca as moedas na máquina do tabaco. A rádio passa Joe Cocker. O homem pede um isqueiro mas não vai queimar notas. Ontem no Pinguim a casa estava cheia. E deu gozo. Já não ia lá há uns tempos. Se tivesse levado livros para vender talvez vendesse alguns. O Spranger também esteve a promover o livro. No dia 7 os Las Tequillas estarão em São João da Madeira. Urge ensaiar. O livro está na Poetria, no Clube Literário, no Púcaros e em 3 livrarias de Braga, entre as quais a Centésima Página onde vamos estar a 22 de Maio. Na noite de 24 para 25 se calhar vou fazer directa ou dormir onde calhar. São as minhas comemorações do 25 de Abril. São os tais sacrifícios que um gajo faz. A merda do Alemão é que me está a lixar. Vou ter teste na quarta e não percebo um corno daquilo. O dativo, o acusativo, os verbos modais, tudo me passa ao lado. O que vale é que levei 13 no exame. Sou um dos melhores clientes da "Motina" embora por dia gaste pouco dinheiro. 2 cafés. 1,10 euros. Mas depois venho para aqui criar, lançar foguetes ao mundo. A rádio passa Rádio Macau. Uma banda que sempre me agradou. Estou com um pedal do caralhão. O raciocínio flui, abraça toda a gente. Mas afinal a música é oferecida pelo "Continente". Já não estou a gostar nada disto. Odeio o Belmiro de Azevedo e todos os empresários de sucesso. Odeio mesmo visceralmente. Odeio todos aqueles que nos roubam a vida, que transformam a vida em morte e em vidinha. São 5 horas. Há um rapaz mudo na mesa do lado. Faz gestos para o pai e eu fico mais humano. Mas isso não quer dizer que vá a correr beijar o Sócrates e o Belmiro. Já disse. odeio essa gente, essa gentalha. 5. Notícias no continente. As pessoas estão a desconfiar mais dos bancos. Ainda bem. Há ladrões de bancos e os ladrões dos bancos. Prefiro os primeiros. Deixei de ter dinheiro e conta no banco. Até aí me sinto à margem. Estou quase à margem do capitalismo. O Joaquim Castro Caldas não tinha sequer número de contribuinte nem tinha relações com as Finanças. Mais uma vez deixo-me levar pelas palavras. O texto já vai longo. Tenho de pegar no Alemão senão a professora viola-me. Até que é meia marada e bonita. Mais um caso de adaptação ao sistema. Poderia ter-me adaptado. Ter uma profissão estável. Mulher e filhos. Mas sinceramente não me estou a ver. Acabaria por descambar. Acabaria por cair no inferno a caminho do céu. Acabaria por cair no whisky ou nas noitadas do bar. Acabaria por não suportar a pressão e rebentar. Acabaria por flipar. Não, sinceramente não me estou a ver. Definitivamente segui a outra via. Para o bem e para o mal. Entra o tolinho do telemóvel. E o Rocha que não me manda o mail. Até parece um daqueles namoros problemáticos. Sinto falta do bêbado. O bêbado sentado á mesa dava-me alto pedal para escrever. Deve estar a pregar noutras paragens. Um bêbado dá sempre cabo da rotina. Um bêbado acende a vida. Pelo contrário, o tolinho anda a tornar-se normalzinho. Que grande seca! Estou a chegar ao fim da segunda página. Vamos lá violar o Alemão.

terça-feira, 21 de abril de 2009

TÁCTICAS E ESTRATÉGIAS


Não fui ver a "Sociedade do Espectáculo" do Guy Debord ao Gato Vadio. Ontem no Clube Literário estava muito pouca gente mas eu encontrei o timbre certo. Acho que é essa a via certa com intervenções a propósito pelo meio. Senti-me mesmo à vontade, em cima. E a coisa, aos poucos, vai chegando a mais gente. Até vou ter uma intervenção junto dos meus companheiros anarquistas no 25 de Abril. Divirjo deles no que toca à posição face às próximas eleições legislativas. Vou votar contra o Sócrates e fazer campanha contra ele. Sócrates é arrogante, Sócrates tem tiques ditatoriais e, além do mais, é altamente suspeito de corrupção. As velhas comentam os bebés da Sónia Araújo. A gaja, ao balcão, acaricia a crica. Não há dúvida de que o sexo é receita segura. Falamos de sexo e quase toda a gente acha piada. Mas agora que se aproximam o 25 de Abril e o 1º de Maio tenho de politizar mais a coisa. Mas não devo enveredar pelo discurso saudosista do anti-fascismo e do pós-25 de Abril. Respeito o discurso e os personagens. Mas é preciso uma linguagem nova. E eu tenho procurado essa linguagem junto de Nietzsche, junto dos surrealistas, junto dos situacionistas e em outras fontes. Mas não descansarei enquanto esse cabrão de merda do Sócrates não sair do poleiro. Temos de chegar ao povo. Bem sei que estou a entrar em contradição. Bem sei que o povo é ignorante, bem sei que o povo é imbecil, bem sei que o povo é a gentalha e o homem pequeno de Nietzsche. Bem ouço o povo na confeitaria a discutir a vidinha, as telenovelas, os gémeos da Sónia Araújo, a família. "Estou-me nas Tintas (Primeiro os Meus)", como diz o António Manuel Ribeiro. Macacos que trepam uns por cima dos outros. Macacas que se reúnem na confeitaria a falar da vida alheia. "O pior dos animais anda à solta". São relações animalescas, no pior que os animais têm. Porque os animais são melhores do que nós em muitas coisas. É o "Macaco Nu" de Desmond Morris. Os poetas deveriam ser pagos a peso de ouro como os futebolistas. Qual a dierença entre escrever um poema e marcar um golo ou fazer uma finta? Qual é que custa mais? Qual é que dá mais trabalho? A verdade é que cheguei a um ponto em que posso olhar para trás. E a gaja que estava a coçar a crica abandonou o café sem eu dar por ela. Não vim, de facto, ao mundo para ganhar dinheiro. Não sou o cidadão comum, colectável, consumível, quantificável. Odeio o discurso da economia e da vidinha. Odeio os empresários, os banqueiros, os especuladores bolsistas, os governantes. Odeio mesmo. Porque sinto que eles me roubam a vida. Porque sinto que eles estão ao serviço da morte e do servilismo. Vivemos num mundo de mercadores e de merceeiros. A verdade é que me sinto mais senhor e que posso olhar para trás. Mesmo algumas pretensas asneiras que fiz tiveram a sua razão de ser. Tinha de passar por essas experiências. Tem sido uma existência de altos e baixos, claro. Não sou gajo de constâncias, de regularidades. Mas acho que, particularmente nos últimos tempos, tenho feito aquilo que deveria fazer. Sempre com altos e baixos, claro. Sou um gajo de explosões. Individualista no sentido do indivíduo soberano. Só tenho de chegar a mais gente. A mais companheiros. Talvez não precise mesmo da gentalha. Há gente que realmente só me interessa sociologicamente, enquanto objecto de estudo. Há gente que só me interessa enquanto material para o meu trabalho de escrita. Respeito-os enquanto seres humanos, cumprimento-os se me cumprimentarem, não deixo de ser amável, simpático. Mas é só isso. E só sou tímido enquanto sou tímido. Quando não sou, sou completamente desbragado. Apesar de me sentir de Braga. E a prosa já vai longa. O exercício de reflexão está feito. Sou um gajo de altos e baixos. Ou estou em baixo ou estou em cima. Sou como os interruptores. Não tenho mesmo de enaltecer o povo. O povo passa a vida nos "Shoppings" a passear. Às vezes também vou aos "Shoppings" mas eu vou lá micar as gajas e o resto. Não posso ter o discurso dos coitadinhos, das vítimas que passam a vida a olhar para a televisão e para o futebol, que fazem do futebol uma questão de vida ou de morte, de religião ou de diferença entre potência e impotência. E assim tenho dito

segunda-feira, 20 de abril de 2009

CAVALOS DE CORRIDA-UHF


UHF

Cavalos de Corrida - Letra

"Agora é que a corrida estoirou, e os animais se lançam num esforço
Agora é que todos eles aplaudem, a violência em jogo
Agora é que eles picam os cavalos, violando todas as leis
Agora é que eles passam ao assalto e fazem-no por qualquer preço

Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida
Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida

Agora é que a vida passa num flash e o paraíso é além
Agora é que o filme deste massacre é a rotina Zé Ninguém
Agora é que perdeste o juízo, a jogar esta cartada
Agora é que galopas já ferido, procurando abrir passagem

Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida
Agora, agora, agora, agora tu és um cavalo de corrida, eh"

PRIMEIRO-MINISTRO

Expressamente dedicado a José Sócrates aí está "Primeiro-Ministro" da Mana Calórica. Em www.myspace.com/manacalorica

O FUTEBOL E A POESIA


Os poetas deveriam ser pagos a peso de ouro como os futebolistas. Qual a diferença entre escrever um poema e marcar um golo ou fazer uma finta. Qual é que custa mais? Qual é que dá mais trabalho? Qual é mais útil ao Homem, o futebol ou a poesia? Na antiga Grécia e em Roma os poetas eram tratados como reis, recebiam coroas de louros tal como os atletas olímpicos. O que é que mudou entretanto? A verdade é que o futebol se tornou numa questão de vida ou de morte, numa nova religião que movimenta milhões. Esclareça-se que o autor destas linhas até gosta de futebol, antes que seja crucificado por uma legião de adeptos fanáticos. Repara-se no tempo que as estações televisivas dedicam à antevisão dos jogos. Tudo é escalpelizado. Elaboram-se teses filosóficas sobre as chuteiras e as cuecas do Ronaldo, sobre as tácticas e as técnicas, sobre os automatismos e as linhas de passe, sobre o estado do relvado, só falar na altura dos postes e no volume da bola. Os jornais desportivos diários inventam notícias, fazem entrevistas exaustivas a jogadores e treinadores onde estes dizem invariavelmente as mesmas coisas, autênticos hinos à inteligência e à sabedoria. "Jogámos bem, demos o máximo. Merecemos ganhar. Jogámos com uma grande equipa. Perdemos porque o árbitro nos roubou um penalty". A partir destes depoimentos os jornalistas fazem prosa poética, inventam títulos, constroem romances e telenovelas. O jogo, às vezes, torna-se secundário. O que importa é o antes e o depois, as reacções, as teses filosóficas. E, no entanto, não passa disso mesmo, de um jogo. É como ir jogar ao Casino. Ganha-se ou perde-se. A verdadeira vida é muito mais do que isso e, se calhar, está muito mais na poesia.

O MRPP TEM RAZÃO


Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP)





Excelentíssimo Senhor
Presidente da Comissão Nacional de Eleições

Exmo. Senhor,


Estando anunciado – como V. Exa. não desconhecerá – a realização pela RTP-1, amanhã, no programa Prós e Contras, de um debate político eleitoral, inserido na campanha eleitoral para o Parlamento Europeu e para o qual apenas foram convidados a participar os partidos parlamentares, o PCTPMRPP, que de há muito divulgou à comunicação social a sua candidatura a estas e às restantes eleições que terão lugar este ano, vem denunciar aquilo que se trata de uma intolerável discriminação relativamente aos restantes partidos concorrentes e exigir da parte dessa Comissão Nacional de Eleições a tomada de medidas enérgicas para pôr cobro a uma tão descarada violação da lei vigente, por parte de um canal público de televisão com redobradas responsabilidades na observância dos princípios da igualdade de tratamento das diversas correntes de opinião.
A Administração e a direcção de informação da RTP que, como é sabido, executam a política do Governo que os nomeia e a quem paga com o dinheiro dos contribuintes, não podem ignorar que a Lei Eleitoral do Parlamento Europeu determina, em conformidade com os princípios consagrados na Constituição da República, que a partir do anúncio oficial da data das eleições, os órgãos da comunicação social estão obrigados a conferir uma rigorosa igualdade de tratamento a todas as candidaturas, no caso a todos os partidos que tenham manifestado a sua decisão de concorrer às eleições.
Acontece que a RTP, tentando mais uma vez fintar esta elementar regra democrática e obrigação legal, resolveu promover de forma golpista e, obviamente, com o acordo e agrado dos intervenientes premiados, cujo verniz pseudo-democrático se estilhaça nestas ocasiões, um debate antes do termo do prazo para a entrega formal das candidaturas, adoptando de forma totalmente inadmissível e abusiva o critério de restringir o acesso a esse debate televisivo aos partidos até agora com assento no PE.
Ao excluir todos os partidos fora do arco do poder, a RTP, como canal público que é, está a dar um gravíssimo exemplo de uma grosseira violação do princípio constitucional de isenção e imparcialidade no tratamento dos partidos políticos e das normas legais que é suposto deverem assegurar o carácter democrático das eleições.
O PCTP/MRPP reclama de Vossa Excelência a condenação pública inequívoca desta actuação da RTP-1, ordenando ainda àquele canal televisivo a suspensão do programa em causa e, caso a administração da RTP persista nessa ilegalidade, se proceda à competente participação criminal.



P’O Secretariado do Comité Central
do PCTP/MRPP

Carlos Paisana


Lisboa, 19 de Abril de 2009

DA ARCADA

O Diário do Minho destaca a intervenção de João Delgado sobre o relatório e contas de 2008:
“Com uma intervenção repleta de ironia, a análise do Bloco de Esquerda à gestão do executivo socialista incidiu particularmente sobre os erros que os bloquistas consideram ter sido cometidos nos planos da cultura e da educação.
João Delgado afirmou mesmo que os cerca de um milhão de euros que o Município atribui ao Teatro Circo são reveladores de que a casa cultural se converteu no «novo elefante branco da cidade».
O bloquista deixou a ideia de que o executivo socialista só tem dinheiro para o desporto, considerando ser essa a razão porque, em 2008, investiu quase tudo em campos de futebol, apesar de agora «parecer que nem sequer haverá dinheiro para pagar os relvados sintéticos».
A ausência de qualquer dotação orçamental para o orçamento participativo mereceu também fortes reparos de Delgado, que não perdoou Carlos Malainho de ter andado a dizer que as casas degradadas
no centro histórico de Braga são «menos de uma centena», quando um relatório da câmara revelado com os documentos e gestão revelam serem mais de quatro centenas.
A tese do BE sobre a necessidade da Câmara ter à frente da protecção civil quem saiba o que se passa no seu pelouro foi levada mais adiante, com a evocação da recente “guerra” entre Carlos Malainho e o presidente dos bombeiros voluntários, sobre a falta de água nas bocas de incêndio revelada pela ocorrência de um fogo junto às piscinas da rodovia.”
O DM destaca o final da intervenção do deputado do BE, em que equiparou a CMB ao Titanic: "«Sei que não é educado contar o fim de um filme, mas a história do Titanic foi real. Sabem o que aconteceu: o barquito foi ao fundo e havia poucos salva-vidas. Apressem-se...». João Delgado, vaticinando a derrota do PS nas eleições autárquicas."

Leia aqui a intervenção de João Delgado


PS recusa saudar demissão de Névoa
18-Abr-2009

A maioria PS impediu na Assembleia Municipal de Braga a aprovação de uma moção que saudava “todos quantos se manifestaram publicamente e contribuíram para a renúncia de Domingos Névoa da presidência da BRAVAL”. O líder da bancada do PS, Marcelino Pires, usou de argumentação jurídica para sustentar que não tendo o processo Névoa transitado em julgado não era lícito que fosse considerado culpado.

João Delgado desafiou Marcelino Pires a “despir a toga” e a fazer um julgamento político do caso Névoa, lembrando que a moção do Bloco de Esquerda saudava, implicitamente, socialistas como João Cravinho, Manuel Alegre e mesmo Augusto Santos Silva, que reclamou a demissão de Névoa em nome da direcção do PS.

A maioria socialista não foi sensível à argumentação do Bloco e optou por manter-se isolada, em Braga como no país, recusando condenar a nomeação de Névoa e saudar a sua demissão.

Num segundo ponto, também rejeitado pelo PS, a moção do Bloco de Esquerda, apresentada por Carlos Teles, recomendava à Câmara Municipal de Braga “que para o futuro se faça representar na BRAVAL, enquanto accionista maioritária da AGERE, por um vereador ou, em alternativa, por quadro da autarquia devidamente mandatado”.

Leia mais e comente no blog autárquico (http://blocobraga2009.blogspot.com/ )



Edição de Abril do boletim distrital de Braga

sábado, 18 de abril de 2009

A BALADA DO SÓCRATES

José Sócrates é um profeta da morte. Sócrates representa tudo aquilo que é contrário à vida autêntica. Sócrates é repressão, Sócrates é estatística, Sócrates é vigarista, Sócrates é tecnológico, Sócrates é programado, Sócrates não tem coração. Sócrates é cinzento, Sócrates é polícia, Sócrates não teve infância, Sócrates nunca cometeu uma loucura, Sócrates é uma seca. Sócrates não tem emoção, Sócrates é gelo, Sócrates nunca deu a mão, Sócrates é um cabrão. Sócrates anda sempre perturbado, Sócrates faz amor com o mercado, Sócrates é um quadrado. Sócrates dá cada cambalhota, Sócrates só gosta da nota, Sócrates é uma anedota. É preciso derrotar o Sócrates, custe o que custar.

MANA CALÓRICA NO YOUTUBE

Os temas da Mana Calórica "Loirinha", "Droga", "Meninas" e "Paredes de Coura" estão no Youtube em www.youtube.com. Procurar em Mana Calórica.

O HOMEM PEQUENO E O ESPÍRITO LIVRE


SECÇÃO: Opinião

António Pedro Ribeiro


O Homem Pequeno e o Espírito Livre


“Dou o nome de Estado ao lugar em que todos, bons e maus, gostam de veneno.

Vede, pois, esses que estão a mais! Adquirem riquezas e só conseguem tornar-se mais pobres. Esses impotentes querem o poder e, antes de tudo o resto, a alavanca do poder, ou seja, muito dinheiro!

Vede-os trepar, esses ágeis macacos! Sobem uns por cima dos outros e empurram-se para a lama e para o abismo.”

(Nietzsche, "Assim Falava Zaratustra")


Eis a que se resume o Estado, o poder e a competição na sociedade capitalista. Nietzsche descreveu-o magistralmente há mais de 100 anos. Macacos que “sobem uns para cima dos outros” e se empurram para a lama e para o abismo.


Acontece na política. Acontece na sociedade. Luta-se por um lugar, por um emprego, por uma carreira, por um cargo. O deus-dinheiro, o mercado e a economia comandam todas as relações. Os que perdem são empurrados para o fracasso, para o desemprego, para a miséria, para a lama.

É a lei do mercado e do homem pequeno. A vida faz-se de intrigas, de ganância, de contas de mercearia. É a sociedade da gentalha e da canalha. E essa gentalha odeia o espírito livre, “aquele que não presta adoração e vive no meio das florestas, livre da felicidade dos servos e dos deuses”, portador de uma vontade “intrépida e terrível, grande e solitária”.

Essa gentalha goza da felicidade da maioria e é servil para com os seus “superiores” porque está hierarquizada, levando uma vidinha de tédio, rotinas e obrigações. À lei das massas e da maioria, à democracia burguesa opõe-se o indivíduo soberano, o espírito livre de Nietzsche.

Ao deus-dinheiro opõe-se a liberdade absoluta dos surrealistas. A gentalha, o homem pequeno, preocupa-se essencialmente com a sua comodidade e sustento, não procura o conhecimento. É um homem de meias-medidas, não se preocupa com o que é grande e inteiro como o espírito livre.


“Vede, pois, como estes mesmos povos imitam agora os merceeiros: para juntar as mais pequenas vantagens, dão volta a todas as sujidades!”. A sua “felicidade” é uma felicidade falsa que não sabe dançar. “E que por nós seja considerado perdido o dia em que não dançamos!”

O espírito livre, o criador ou vive segundo a sua vontade ou não vive. O homem pequeno não tem vontade própria, age de acordo com o poder ou com a maioria.

publicado no jornal "A Voz da Póvoa" de 16 de Abril em www.vozdapovoa.com

sexta-feira, 17 de abril de 2009

MÁRIO SOARES

a recandidatura à presidência da Comissão Europeia
Mário Soares: apoio de Sócrates a Durão Barroso é "nacionalismo no pior sentido da palavra"
17.04.2009 - 09h36 PÚBLICO
O ex-Presidente da República, Mário Soares, corrigiu o primeiro-ministro José Sócrates, que indicou na semana passada que vai apoiar a recandidatura de Durão Barroso à presidência da Comissão Europeia por “questões patrióticas”, afirmando que isso não é patriotismo, mas antes “nacionalismo no pior sentido da palavra”. “Se houver um português que seja mau, não o vamos defender pelo facto de ele ser português”, disse Soares.

Em declarações à Antena 1 (numa entrevista transmitida na íntegra hoje, depois das 10h00) e questionado pela jornalista Maria Flor Pedroso se estaria a chamar “nacionalista” ao primeiro-ministro, Mário Soares frisou: “Não! Ele é que disse que era patriota, mas não! Patriotismo não tem nada a ver com isso”. “Eu nunca fui nacionalista. Nacionalista era o Salazar. Nacionalistas eram os fascistas”, explicou.

“O patriotismo tem é a ver com o interesse e o amor pelo nosso povo, pelas nossas instituições, pelas nossas características como povo, mas se houver um português que seja mau não o vamos defender pelo facto de ele ser português”.

POESIA DE CHOQUE

Amanhã, sexta, 17, pelas 21,30 h, há Poesia de Choque no Clube Literário do Porto com Luís Carvalho e António Pedro Ribeiro. Apareçam!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

COITO INTERROMPIDO


Há putos que me reconhecem e que vão ao "Púcaros" por minha causa. Poemas meus são lidos no "Pinguim". Há amigos que me publicam na sua revista. Há gajos e gajas que me acham piada. Há uma data de coisas que correm bem mas há outras que correm mal. Levantei-me ás quatro da tarde. Por outro lado, não tenho dinheiro para ir ao Porto as vezes que quero. Amanhã vou a Vila do Conde para ser entrevistado pelo Peixoto da "Voz da Póvoa". À noite tenho a "Poesia de Choque" no Clube Literário com o Luis Carvalho. A última vez não correu bem. De início estava muito pouca gente. Esperemos que amanhã esteja mais. Se não, teremos de rever o dia. Levei 13 no exame de Alemão. Um 13 caído do céu. Apenas ligo àquilo o mínimo indispensável. Cheguei à "Motina" já passava das 7. Estive a enviar uns mails importantes. O Rocha regressou. Apareceu ontem no "Piolho", fodido com a derrota. Parece que me quer voltar a ver. E isto até parecem arrufos de namorados. A Carlinha anda com alucinações. Quer que eu volte a Amarante. Gosto muito daquela maluquinha. As horas avançam e a "Motina" vai fechar. Estou com o ritmo mas hoje já sei que vou produzir pouco. Tenho de tratar da merda do IRS. Essas coisas não me dizem nada, mesmo nada. QUero que o Estado se foda! E que meta os impostos pelo cu acima! Dois gajos bebem cerveja. TEm piada que a escrita corre perfeitamente escorreita. Mais até do que ontem. É pena a "Motina" fechar às 8. Isto vai ser uma espécie de coito interrompido. Nem sequer tenho cacau para prosseguir a saga noutro café. Mas os outros cafés tresandam a futebol por todos os lados. Até gosto de futebol mas o futebol em excesso irrita-me. Ontem os "dragões" foderam-se. As senhoras querem fechar. São quase 8. Os gajos da cerveja estão quase de saída. É pena ter de interromper esta prosa. Não que traga grandes novidades. Em casa raramente consigo escrever. Sou um poeta de café. Já o disse. Mas isto sabe mesmo a pouco. Paciência. As senhoras querem fechar.

DIA DO DRAGÃO


Escrito antes do Porto-Manchester United no "Orfeuzinho"

O Luís Filipe Cristóvão da "Livro do Dia" diz que me publica uma selecção do "Café Paraíso" com outros textos que já não podem ser os de "Queimai o Dinheiro". Só não pode ser este ano. Paciência. Os Xutos fizeram uma canção contra o primeiro-ministro. As capas das revistas mostram mamas. O Porto-Manchester domina o dia. O homem da concórdia discursa. O Rocha já deve andar nervoso. O empregado graceja com a velhota. O comentador comenta. Traz um ar sério, solene. TEnho de fazer uma nova selecção de textos para juntar ao "Café Paraíso". A boazona do quiosque chama mas não por mim. O autocarro dos dragões está a chegar. Os dragões estão em todo o lado. O empregado pede-me para pagar. Agradece-me. É gentil. Os dragões falam, discursam, elaboram teses filosóficas. Os dragões cospem para o chão. Somos todos dragões. Agora fala-se da influência da chuva e da qualidade do relvado. Todos os pormenores são escalpelizados. Os dragões preenchem o ecrã. Até as velhas são dragões. Estou cercado por dragões de todo o lado. Se disser que não sou dragão sou fuzilado. O empregado namora com a boazona. Os dragões espreitam. Não permitem que se mude de conversa. E é o Rocha que os comanda. Os dragões controlam a televisão. Chega o Super-Dragão de emblema ao peito. Os dragões reconhecem-se e saúdam-se. Formam uma tribo. Os dragões comem criancinhas ao pequeno-almoço. O estádio é o santuário. Os dragões estão confiantes. Os dragões são o pensamento único. Os dragões recordam a História. Os dragões são a História. Os dragões perseguem a glória. Os dragões são os maiores. Até as gajas boas são dragões. O relvado está molhado. A bola é redonda. Os dragões tem um discurso inteligente. Os dragões nunca vão ao fundo. Os dragões são campeões do mundo. A crise não afecta os dragões. O Sócrates não afecta os dragões. O rocker torce pelos dragões. Os dragões são invencíveis. O país pára pelos dragões. Somos todos dragões. Todos cuspimos fogo. Até a poesia é controlada pelos dragões. Até o poeta se curva diante dos dragões. Toda a gente se veste de azul e branco. Os comentários dos adeptos são um hino á inteligência. Os dragões estão omnipresentes. Os dragões são omnipotentes. Os dragões são omniscientes. Tudo é dragão. Ou és dragão ou não és nada.

´XUTOS CONTRA SÓCRATES

Comentário: A cantiga é uma arma
15.04.2009 - 08h29 Luciano Alvarez
O Sem eira nem beira não foi escrito a pensar neste Governo. Mas este é o Governo que temos e a letra encaixa como uma luva no momento político e económico. E nem precisava de ter a referência ao "senhor engenheiro" para, no final de cada estrofe, vir à memória de muitos o nome de José Sócrates.

E num momento em que o primeiro-ministro parte fragilizado pelo caso Freeport para a longa maratona de três eleições, esta música dos Xutos & Pontapés, que já está a ser transformada por muitos numa espécie de manifesto contra o Governo, é mais um problema para o PS. Porque amplia de forma inimaginável o que dizem muitos críticos do executivo; porque vai chegar onde a oposição não chega e com bastante mais força e porque não pode ser metida no bolo da estratégia de vitimização, das calúnias, das campanhas negras e das forças ocultas.

Quando José Sócrates intensificar a campanha eleitoral, já os Xutos & Pontapés andarão pelo país em digressão, em concertos de milhares de pessoas. Sempre que se ouvir Sócrates a tecer loas às suas políticas, vai ouvir-se também cantar, de norte a sul do país, que, se "nada fizer", "isto não vai mudar" e que é preciso "encontrar mais força para lutar".

E lutar contra quem? A letra do Sem eira nem beira é clara: contra os que "dão milhões a quem os tem/aos outros um 'passou--bem'"; contra os que querem "tramar, enganar, despedir, e ainda se ficam a rir", contra os que não assumem que já andaram "a roubar, a enganar o povo que acreditou".

É possível ler isto e não pensar na classe política em geral e no Governo em funções em particular no momento de crise em que vivemos? Não.

A este propósito, importa lembrar o que disse José Mário Branco, autor do tema A cantiga é uma arma, ao PÚBLICO, em Fevereiro de 2004.

"Pertenço a uma geração anterior ao pós-modernismo, em que nós aprendemos que, ligada a qualquer estética, há sempre uma ética. Quando me perguntaram, no princípio dos anos 80, 'Você é um cantor de intervenção?', eu disse: 'Somos todos cantores de intervenção'. Marco Paulo é um cantor de intervenção. Intervém à sua maneira e eu intervenho à minha. Agora, não me venham dizer que aquilo é neutro. Não há neutralidade possível quando se está a falar para milhares de pessoas. Está ali um tipo a dizer umas palavras, a tomar umas atitudes e, portanto, a transmitir modelos que levam à reprodução do sistema social tal como ele está, ou a colocar em causa esse sistema social e a sugerir pistas, eventualmente erradas. Nunca se vai impunemente para cima de um palco."

Podia não ser essa a intenção dos Xutos & Pontapés, mas Sem eira nem beira vai ser usada cada vez mais como uma arma contra José Sócrates e as suas políticas. Uma arma pesada.

terça-feira, 14 de abril de 2009

DÁS-ME PEDAL


Abro a segunda página. Faltam-me uns finos para o triunfo ser total. Falta quem mos pague. A menina bonita de amarelo levanta-se. Estar no "Piolho" é como estar na "Brasileira". A coisa flui, vai fluindo. As praxistas, as doutoras Marlenes, posicionam-se à entrada. Uma delas beija um não trajado na boca. A religião não é exclusivista. E eu, ao fundo, tenho de contentar-me com um fino. Que se há-de fazer? Dão-se as mãos. Namora-se. E vai-se publicando estas merdas. Algumas delas íntimas. Quem as lê? Entram mais gajas bonitas. Cofio as barbas. O empregado cumprimenta-me. Quando fizeram a reportagem sobre os 100 anos do "Piolho" os gajos do "Jornal de Notícias" poderiam ter recolhido um depoimento meu. Teria estórias para contar. Um cu bom atravessa-se à minha frente. Uma gaja chama pelo empregado. Qual o valor destes escritos? Para que servem? Estou com algum pedal. É inegável. Dás-me pedal. Levantei-me cedo hoje. Fui ao hospital. Dás-me pedal. Não estou nada mal. Mais gajas que se despem. Dás-me pedal. Beijos, carícias. Dás-me pedal. Falta o Do Vale. Dás-me pedal. Agarrada ao telemóvel. Dás-me pedal. Entra o gerente. Dás-me pedal. Entram mais gajas. Dás-me pedal. Mostram o umbigo. Dás-me pedal. Já tenho gaja. Dás-me pedal. Já posso cantar. Dás-me pedal. O capitalismo lá fora. Dás-me pedal. A minha casa de Braga. Dás-me pedal. Farra até às tantas. Dás-me pedal. A comunidade. Dás-me pedal. Faltam-me uns finos para o triunfo ser total. Dás-me pedal. A gaja de amarelo que regressa. Dás-me pedal. Sabes, eu tinha e acho que ainda tenho aquela mentalidade freak. Dás-me pedal. Convidava toda a gente a ir a minha casa. Dás-me pedal. Emprestava a chave às pessoas. Dás-me pedal. Nunca fui esquisito nesse campo. Dás-me pedal. Era mesmo a casa da Maria Joana. Dás-me pedal. E agora parecia mesmo a Paula. Dás-me pedal. Fiquei com uma mentalidade diferente, libertária, sabes. Dás-me pedal. E continua a entrar gente. Dás-me pedal. E sentam-se os campistas. Dás-me pedal. E a gaja come a sopa. Dás-me pedal. Nunca fui um gajo equilibrado. Dás-me pedal. O mendigo lá fora. Dás-me pedal. O poeta que mija. Dás-me pedal. Não me lembro de ter uma mentalidade capitalista. Dás-me pedal. Vou dar 50 cêntimos ao mendigo. Dás-me pedal. O empregado traz as francesinhas. Dás-me pedal. Nem sequer suporto as palavras. Dás-me pedal. Até sou um bocado anormal. Dás-me pedal. Nem sequer torço pelo futebol nacional. Dás-me pedal. E o Do Vale a caminho do Natal. Dás-me pedal. E até nem se está nada mal. Dás-me pedal. E o sorriso do Cabral. Dás-me pedal. E o Jesus Cristo no bacanal. Dás-me pedal. Braga a capital! Dás-me pedal. E acabo triunfal!

A namorada permanece
beijos, amor e sexo
nas escadas do parque
ancorado a ti
perversa
pões-me doido
línguas que entram
celebração do corpo
devoras-me
demoras-te
quero-te!
Mais um caderno estreado. Mais uma história para contar. Estou quase a chegar à Lousã. O amor é uma coisa complicada. As namoradas não permanecem.

GARCIA PEREIRA

denda ao parecer sobre regime de gestão das escolas
Garcia Pereira considera demissão de Conselhos Executivos “avassaladora” para as escolas
13.04.2009 - 19h16 Clara Viana PÚBLICO
As interrupções dos mandatos de Conselhos Executivos, ordenadas pelo Ministério da Educação, são inconstitucionais, ilegais e perigosas, considera o advogado Garcia Pereira. Numa adenda a um parecer que elaborou sobre o novo regime de gestão das escolas do básico e secundário, hoje divulgada, o advogado sustenta mesmo que este último cavalo de batalha do ME é “susceptível de produzir consequências tão avassaladoras quanto imprevisíveis” nas escolas.

O novo regime de gestão prevê que, até ao final do próximo mês, todas as escolas e agrupamentos do pré-escolar, básico e secundário tenham um director em vez de um Conselho Executivo. Os concursos para os novos dirigentes deveriam ter sido abertos até ao final de Março. Muitas escolas estão agora em processo eleitoral, mas outras optaram por levar até ao fim o mandato dos sues Conselhos Executivos.

Foi o que aconteceu, por exemplo, no Agrupamento de Escolas de Santo Onofre, nas Caldas da Rainha. O ME respondeu a esta decisão fazendo cessar o mandato do CE (terminava em 2010) e substituindo este órgão por uma Comissão Administrativa Provisória, a quem compete agora iniciar o processo de eleição do director.

A pedido de um grupo de professores liderado pelo docente e bloguista Paulo Guinote, Garcia Pereira juntou agora mais uma dúzia de folhas demolidoras ao seu parecer sobre o novo regime de gestão, que também considera ferido de inconstitucionalidade. Segundo o advogado, não existe nada no Decreto-Lei nº75/2008, que institui a figura de director, que torne legalmente possível decisões como a que o ME adoptou para com o agrupamento de Santo Onofre.

Pelo contrário, sustenta, este diploma estipula “de forma muito clara, que os actuais titulares dos órgãos de gestão completam os seus mandatos”, como salvaguarda também, para evitar situações de “vazio de poder”, que se entretanto estes tiveram chegado ao fim, serão prorrogados até à eleição do director.

“Esta solução é a única permitida, à luz das regras da interpretação das normas jurídicas consagradas no Código Civil”, escreve Garcia Pereira, que só vê uma explicação para a interpretação que tem estado a ser feita pelo Ministério e pelas Direcções Regionais de Educação: “assenta necessariamente quer na pressuposição de que o legislador não se soube exprimir adequadamente e de que consagrou o absurdo, quer na desconsideração seja de letra, seja da “ratio” da lei, o que num caso e outro, está em absoluto vedado ao intérprete fazer por força do artigo 9º do Código Civil”.

Responsabilização criminal

E é devido a esta situação que Garcia Pereira adverte: “a imposição da interrupção dos mandatos actualmente em cruzo e da imediata eleição do Director é “susceptível de produzir consequências tão avassaladoras quanto imprevisíveis”. Alguns exemplos apontados: “acções de impugnação e indemnização por parte dos titulares dos actuais órgãos e lectivos irregularmente impedidos de continuarem a exercer os seus mandatos”; “arguição de invalidade de todos os actos praticados pelos directores (designação de outros cargos, distribuição serviço docente, selecção de pessoal, etc.); “possível accionamento de responsabilidade criminal contra os Directores” por usurpação de funções.

Na semana passada, na Assembleia da República, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues justificou a intervenção em Santo Onofre dizendo que “o cumprimento da lei não é uma questão facultativa”, mas “uma obrigação”. Na mesma altura, em declarações ao PÚBLICO, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, responsabilizou os professores do agrupamento que, disse, “não quiseram participar na governação das suas escolas e não cumpriram um dever de cidadania: o de apresentar uma ou mais listas ao Conselho Transitório”, o órgão a quem compete a selecção do director.

Regime “inconstitucional”

Para Garcia Pereira, este novo modelo de gestão vai contra os “princípios estruturantes do Estado de direito democrático”, uma vez que atenta contra “o pluralismo organizativo, os princípios da separação e interdependência de poderes” e a “garantia de participação dos administrados”, estipulados na Constituição. O advogado defende que é também inconstitucional porque o modo como o Governo legislou invadiu “a reserva absoluta da competência da Assembleia da República”.

Trata-se, frisa, de uma “verdadeira subversão” do regime instituído pela Lei de Bases do Sistema Educativo, aprovada pelo parlamento: procura-se “substituir as linhas essenciais de um sistema de gestão democrática e participativa” por um “sistema de gestão unipessoal, autoritário e centralista.

Para além da responsabilidade da gestão, serão os directores a nomear todos os coordenadores de escola e de departamento, que antes eram eleitos pelos seus colegas. Os directores são escolhidos por conselhos gerais, constituídos por representantes do pessoal docente e não docente, dos alunos (no secundário), dos pais, do município e da comunidade local.